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sexta-feira, 17 de maio de 2013

Na eterna briga pela liderança, Volkswagen reforça a linha Gol com as versões Rallye e Track

Gol e Uno travam uma disputada batalha pela liderança de vendas do mercado brasileiro de carros, com vantagem praticamente constante do Volkswagen. Para não perder o reinado do seu hatch, a marca alemã reforça a linha 2014 do modelo com as versões "off-road" Rallye e Track, excelentes para as esburacadas ruas e estradas brasileiras. Mas, pelo que custam. será que elas compensam?

O Gol Rallye já é velho conhecido de todos. A versão agora ganha o visual da Saveiro Cross, com  grade em formato de colmeia, grandes faróis de neblina (de longo alcance) e com molduras nas caixas de roda. O visual ficou mesmo legal - considero o Rallye mais bonito já feito pela marca (não custa lembrar que esta linha de design fez a sua estréia na linha Gol com a "sacana" linha 2013 2). Mas, para conseguir enfrentar uma trilha leve e as lunares vias nacionais, a VW elevou a suspensão do modelo em 2,8 cm e o equipou com rodas de liga leve de 16", com pneus de uso misto (80% cidade e 20% terra). Adesivos exclusivos (e sem graça) completam as alterações estéticas.
Embora o preço pudesse ser mais baixo do que os R$ 45.850 sugeridos pela Volks, a lista de equipamentos é boa: freios com sistema ABS, airbag duplo, direção hidráulica, trio elétrico, defletor traseiro, sensor de estacionamento, pedaleiras de alumínio, coluna de direção com ajuste de altura e profundidade, bancos com padrões de acabamento exclusivo, repetidores de luzes de direção nos retrovisores, ar-condicionado, antena no teto, banco do motorista com ajuste de altura, chave tipo canivete, desembaçador do vidro traseiro, destravamento interno elétrico do porta-malas, porta-revistas no encosto do banco do passageiro, pedais de alumínio, entre outros.

O modelo tem como opcionais o câmbio manual automatizado I-Motion, que faz o preço subir para R$ 48.580, além de volante multifuncional, rádio CD/MP3 Player com entrada USB, Bluetooth e interface para i-Pod e paddles shift (borboletas para as trocas de marcha no I-Motion).
O motor do Gol Rallye é o valente e ultrapassado 1.6 8V VHT Total Flex, da família EA 111, que desenvolve 104 cv de potência a 5.250 rpm e 15,6 mkgf de torque máximo a 2.500 rpm com etanol e 101 cv e 15,4 mkgf com gasolina, nas mesmas rotações.

Seguindo os passos da Fiat, finalmente a Volkswagen decidiu equipar a atual geração do Gol 1.0 com uma versão "aventureira", batizada de Track. A marca (assim como eu) não espera que o modelo enfrente nem trilhas médias, até por isso a VW o chama de "off-road light" - poderia ter até ido mais longe com "off-road mega light".
Assim como o irmão Rallye, o Gol Track recebeu alterações visuais, só que mais discretas: tem molduras nas caixas de roda, suspensão 2,3 cm mais alta e pneus de uso misto (175/70 R14), além de adesivos (sempre eles).

A ideia é atender ao consumidor que deseja um veículo popular mais completo e com apelo visual mais chamativo, sem se preocupar com o desempenho. Até porque, com um 1.0, desempenho ele não pode querer mesmo. Também da família EA 111, o motor do Gol Track desenvolve 76 cv a 5.250 rpm e 10,6 mkgf de torque a 3.850 rpm com etanol e 72 cv e 9,7 mkgf com gasolina, nas mesmas rotações.
Com o preço sugerido de R$ 33.060, o Gol Track vem equipado com faróis e lanternas de neblina, faróis duplos com máscara negra, lanternas escurecidas, airbag duplo, banco do motorista com regulagem de altura, freios ABS, direção hidráulica, desembaçador do vidro traseiro, quadro de instrumentos com molduras cromadas, abertura interna do porta-malas, retrovisores com comando interno, vidros dianteiros com acionamento elétrico, entre outros.

A lista de opcionais é composta pelos pacotes I-Trend (rádio CD/MP3 player com etrada USB, Bluetooth e interface para i-Pod, com 4 alto-falantes e 2 tweeters; volante multifuncional e I-System com ECO Comfort) e "Acesso completo" (travamento central com controle remoto, vidros elétricos traseiros, retrovisores com acionamento elétrico, chave tipo canivete, luzes de leitura dianteira e traseira e alarme), além de roda de liga-leve 14”, aquecimento, ar-condicionado e sensor de estacionamento traseiro. Ainda não consegui ver o valor do Track completo.
Fotos: Volkswagen/Divulgação
Compensam?
A expectativa da Volkswagen é que as duas novas versões respondam por até 13% do mix de vendas do Gol no Brasil, algo bastante aceitável. Sobre a pergunta que fiz no início, acho o seguinte:

Gol Rallye - Pensando por um lado, ele compensa, pois é mais barato, mais bem equipado e tem o mesmo desempenho do CrossFox. A "raposa aventureira" tem visual mais chamativo, mas seu preço sugerido de R$ 46.067, sem ar-condicionado (R$ 2.723) e sensor de estacionamento (R$ 747) - que elevariam o valor para altos R$ 49.537 -, não compensa se comparado ao Rallye. Por outro lado, o Gol não compensa tanto, pois alguns concorrentes, como o Fiat Uno Way 1.4, custam menos. Completo, com pintura sólida, como os valores dos Gols acima, o Uno sai por R$ 38.793; enquanto o Renault Sandero Stepway 1.6 16V manual, completo (com GPS no painel e pintura sólida), sai por R$ 44.840. Ainda assim, o Gol Rallye é uma opção válida e que deve ser considerada para quem busca um automóvel com este estilo.

Gol Track - Esta versão compensa se você gostar da linha Gol. Sem dúvida, ele é um veículo a ser lembrado na hora da compra de um 1.0 com aspecto mais aventureiro. Seu preço também poderia ser mais baixo, mas está mais próximo dos concorrentes. Usando o Uno novamente como parâmetro: Way 1.0 completo, com pintura sólida: R$ 35.538.

quinta-feira, 11 de abril de 2013

Hyundai Elantra 2.0 flex chega por R$ 96.300! Pode custar absurdamente caro assim, produção?

Hyundai/Divulgação
O amigo Marlos Ney Vidal cantou a pedra e a Quatro Rodas confirmou: a Hyundai está lançando o Elantra com motor 2.0 flex. A notícia seria excelente se não fosse um detalhe, o absurdo preço cobrado pelo modelo: R$ 96.300!

É isso mesmo que você leu! Esse é o valor para o modelo sem teto solar. Com este equipamento, a bagatela sobe para inacreditáveis e estratosféricos R$ 99.800! Se não bastasse o Veloster ser manco, o próprio Elantra 1.8 ter cavalos + pôneis, o HB20 ser bonitinho mas ordinário, o HB20S ser chamado de HB20$, e do novo i30 custar um olho da cara, agora o Elantra 2.0 chega por um preço que realmente não dá para entender.

O que está acontecendo com a Hyundai no melhor momento da história da marca no Brasil?
Reprodução
Tucson, HB20 e HB20S são fabricados no Brasil - o primeiro em Goiás, e os outros dois em São Paulo. Mas os outros carros da linha da Hyundai são importado para o Brasil. Além do lucro altíssimo, outra questão que justifica o aumento pode ser a elevada carga de impostos brasileira (IPI, de importação, etc.). Mas não custa lembrar que um veículo flex para menos imposto do que um só a gasolina.

De qualquer forma, depois das "verídicas" informações sobre a potência do Veloster e do Elantra 1.8, a versão 2.0 do sedã coreano tem como potência declarada pela marca 169 cv com gasolina e 178 cv com etanol, ambos alcançados a 6.200 rpm. Já o torque é de 19,9 mkgf com o combustível fóssil e 21,5 mkgf com o derivado da cana-de-açúcar.

São números superiores a todos os principais concorrentes. Porém, nas vendas em 2013, o Elantra apanha de todos esses principais adversários. De janeiro a março, segundo a Fenabrave, foram emplacadas 937 unidades do Elantra. Veja os outros sedãs médios:

Emplacamentos - Janeiro a março de 2013
1º. Toyota Corolla - 10.562 unidades - 23,54%
2º. Honda Civic - 10.186 unidades - 22,71%
3º. Chevrolet Cruze - 5.230 unidades - 11,66%
4º. Renault Fluence - 3.683 unidades - 8,21%
5º. Volkswagen Jetta - 3.357 unidades - 7,48%
6º. Fiat Linea - 1.792 unidades - 3,99%
7º. Mitsubishi Lancer - 1.719 unidades - 3,83%
8º. Nissan Sentra - 1.549 unidades - 3,45%
9º. Kia Cerato - 1.434 unidades - 3,20%
10º. Peugeot 408 - 1.324 unidades - 2,95%
11º. Hyundai Elantra - 937 unidades - 2,09%

O Hyundai Elantra vem equipado com câmbio automático de seis marchas, ar-condicionado digital com duas zonas de temperatura, piloto automático, freios ABS com EBD, BAS e ESP, airbags frontais, laterais e de cortina; sensores de estacionamento dianteiros e traseiros; bancos revestidos em couro; coluna de direção regulável em altura e profundidade; sistema de partida sem chave; sistema multimídia com tela touchscreen de sete polegadas, GPS, Bluetooth, câmera de ré, entradas auxiliar e USB, rádio CD Player, volante multifuncional revestido em couro, piloto automático, sensor de chuva e faróis de neblina.

Hyundai Elantra 2.0 16V
Potência: 169/178 cv (g/e) a 6.200 rpm
Torque: 19,9/21,5 mkgf (g/e) a 4.700 rpm

Ford Focus Sedan 2.0 16V
Potência: 143/148 cv (g/e) a 6.250 rpm
Torque: 18,7/19,5 mkgf (g/e) a 4.250/5.250 rpm
Preço da versão Titanium automática: R$ 72.564 (com pintura perolizada)

Honda Civic 2.0 16V
Potência: 150/155 cv (g/e) a 6.300 rpm
Torque: 19,3/19,5 mkgf (g/e) a 4.700/4.800 rpm
Preço da versão EXR automática: R$ 83.890 (com pintura metálica)

Nissan Sentra 2.0 16V
Potência: 143 cv (g/e) a 5.200 rpm
Torque: 20,3 mkgf (g/e) a 4.800 rpm
Preço da versão SL CVT: R$ 67.690

Peugeot 408 2.0 16V
Potência: 143/151 cv (g/e) a 6.250/6.000 rpm
Torque: 20/22 mkgf (g/e) a 4.000 rpm
Preço da versão Griffe automática: R$ 71.790 (com pintura metálica)

Renault Fluence 2.0 16V
Potência: 140/143 cv (g/e) a 6.000 rpm
Torque: 19,9/20,3 mkgf (g/e) a 3.750 rpm
Preço da versão Privilège CVT com pack premium: R$ 79.800 (com pintura metálica)

Toyota Corolla 2.0 16V
Potência: 142/153 cv (g/e) a 5.600/5.800 rpm
Torque: 19,8/20,7 mkgf (g/e) a 4.000/4.800 rpm
Preço da versão Altis automática: R$ 85.740 (com pintura metálica/perolizada)

Volkswagen Jetta 2.0 8V
Potência: 116/120 cv (g/e) a 5.000 rpm
Torque: 17,7/18,4 mkgf (g/e) a 4.000 rpm
Preço da versão Comfortline Tiptronic: R$ 78.916 (com opcionais e pintura perolizada)

Volkswagen Jetta 2.0 TSI
Potência: 200 cv (g) a 5.600/5.100 rpm
Torque: 28,5 mkgf (g) a 1.700 rpm
Preço da versão Highline DSG: R$ 98.502 (com opcionais e pintura perolizada)

segunda-feira, 8 de abril de 2013

Cheio de "mais", novo Kia Cerato é lançado no Brasil por R$ 67.400 - número que poderia ser menor

A Kia acaba de lançar no Brasil a nova geração do Cerato, sedã médio que chega cheio de "mais" para brigar com os rivais. Ele ficou mais bonito, mais equipado, mais espaçoso e mais caro. Mas, lamentavelmente, a falta de um pais pode atrapalhar as vendas do modelo: "mais" potência.

O novo Cerato está visivelmente maior, com linhas modernas e elegante. Seu preço está na faixa dos concorrentes: R$ 67.400, com câmbio manual de seis marchas, e R$ 71.900, com transmissão automática sequencial de seis velocidades. Entretanto, seu motor, embora mais potente que o do Volkswagen Jetta 2.0, já aponta como o calcanhar de aquiles: 1.6 16V flex.
Este é até um propulsor valente, com 122 cv de potência e 16 mkgf de torque com gasolina e 128 cv e 16,5 mkgf com etanol. Porém, o comprador de um sedã médio busca um motor, no mínimo, 1.8 (Civic, Corolla, Elantra, Cruze) - sendo que o 2.0 (Civic, Corolla, Elantra, Fluence, Sentra, 408 e Focus Sedan) é considerado o ideal. Nem o baixo peso do Cerato (1.171 kg manual e 1.205 kg automático) será um argumento para convencer o interessado num veículo desta categoria, ainda mais porque os testes de pista do modelo não têm sido favoráveis em desempenho.

Se, por um lado um dos "mais" do modelo foi o preço, que subiu imponentes R$ 14.600 em relação ao valor inicial da geração do Cerato que está deixando o mercado, quase acabando com seu custo/benefício, por outro, a lista de equipamentos está mais completa.

Na versão manual, o sedã coreano vem com ar-condicionado de duas zonas, acendimento automático dos faróis, computador de bordo, controlador de velocidade, volante revestido em couro com regulagens de altura e profundidade, banco do motorista com ajuste lombar elétrico, retrovisor eletrocrômico, conjunto óptico com LEDs, rodas de liga leve de 16" (pneus 205/06 R16), sistema de áudio com conexões USB, auxiliar e iPod (sem conexão bluetooth); airbag duplo frontal e freios com sistema ABS.
A Kia destaca como diferenciais do modelo os sensores de estacionamento traseiro e dianteira e a direção elétrica com três modos: normal, conforto e esporte - este último disponível apenas para a versão automática (E.294), que vem ainda com paddle shift, sistema Eco e freio a disco nas quatro rodas.

Tamanho agora é documento
Se na geração anterior existia uma dúvida se o Cerato concorria, por exemplo, com o City ou com o Civic, sem dúvida, na nova geração, o sedã médio da Honda é o seu adversário. O coreano mede 4,56 m de comprimento, 1,78 m de largura e 1,445 m de altura e 2,70 m de entre-eixos - 3 cm mais longo, 5 cm mais largo, 2,5 cm mais baixo e 5 cm maior, respectivamente, do que o velho Cerato. O novo coreano também é maior do que Hyundai Elantra, Honda Civic e Toyota Corolla.

Se motor é apenas suficiente, o mesmo pode ser dito do porta-malas: 421 litros - inferior ao volume dos principais concorrentes. Resta saber se este número foi calculado com a mesma medida dos adversários.

Pensando nos concorrentes, acho que a Kia deveria reduzir o preço do Cerato única e exclusivamente porque o carro é 1.6. Tudo bem que ele é mais potente que o Jetta (que tem um propulsor 2.0 ultrapassado), mas os adversários custam praticamente a mesma coisa (Civic, Corolla e Cruze) ou até menos (408 e Fluence) com motores muito mais fortes.

Minha sugestão seria fazer o Cerato partir de R$ 59.990 manual e R$ 63.990 automático. Se a geração anterior partia de R$ 52.800, por que a nova não pode ter um preço mais baixo?
Kia Quoris chega em junho
Futuros lançamentos da Kia no Brasil
Depois do Cerato, o próximo lançamento da Kia é o Sorento, em maio. Em seguida, teremos o sedã grande Quoris, que chega em junho (é o irmão torto do Equus da Hyundai). Em julho tem o Cadenza reestilizado.
Depois de muita espera, Cerato hatch será finalmente lançado no Brasil em agosto
Em agosto, finalmente, teremos o novo Cerato hatch que, infelizmente, terá o mesmo motor 1.6 16V do sedã. Quem sabe um 1.8 16V não aparece até lá.
Carens vem em setembro
No mês de setembro é a vez da versão renovada da minivan Carens renovada dar as caras no Brasil, enquanto, em outubro, chega o Optima reestilizado.
Cerato Koup foi um dos veículos mais beneficiados com o DNA mundial de design da Kia 
Fechando o pacote 2013, temo o belo Cerato Koup em novembro. A marca coreana espera crescer 10% no mercado brasileiro neste ano.

O Kia Soul renovado ficou para o início de 2014.

Chupa Hyundai?
Kia e Hyundai são empresas irmãs e ambas comercializam veículos que compartilham plataformas e motores. Agora vem a dúvida: por que a Hyundai lançou o hatch médio i30 custando a partir de R$ 75.000, sendo que o sedã médio Kia Cerato, que tem o mesmo motor, completo, custa R$ 71.900? Seria essa a prova (mais uma) de que a Hyundai está cobrando um preço exorbitante pelo seu novo modelo?
Fotos: Kia/Divulgação

quinta-feira, 21 de março de 2013

Alta Roda - Saga dos motores flex

Em 23 de março de 2003 surgiu o primeiro automóvel fabricado no Brasil cujo motor usava o sistema flexível etanol e gasolina de forma viável. Foi o Volkswagen Gol 1,6-litro, lançado simultaneamente à comemoração de 50 anos da empresa no Brasil com a presença de diretores mundiais do grupo alemão e do presidente da República. Alguns meses depois de completar uma década em produção, a Anfavea projeta que, em meados deste ano, 20 milhões de veículos popularmente chamados flex terão sido fabricados, marco muito relevante.
Volkswagen/Divulgação
Nada menos de 92% dos automóveis e comerciais leves com motores de ciclo Otto, vendidos em 2012, tinham motores flex, incluídos nacionais e importados. Ao acrescentar os de ciclo Diesel, a participação cai para 87%. Nenhum mercado no mundo apresenta esse cenário.

Na realidade, flexibilidade de abastecer o mesmo tanque com combustível de origem fóssil, de origem vegetal ou mistura dos dois remonta ao início do século passado, por volta de 1910. Ford T e alguns concorrentes podiam usar um ou outro combustível. Preço da gasolina caiu e a experiência, abandonada. Ainda nos EUA, voltou em 1991, com metanol em pequenas frotas. O primeiro carro flex de série já com etanol surgiu em 1996, um Ford Taurus.

No Brasil, depois da crise de escassez de etanol em 1989/90, a Bosch apresentou um Chevrolet Omega de 2 litros com a tecnologia flex, mas o sistema de reconhecimento de combustível era caro e lento. O projeto só avançou depois de quatro anos, ao se descobrir que a sonda lambda (sensor de oxigênio) servia bem para identificar e gerenciar o tipo de combustível. A Volkswagen decidiu apostar na tecnologia. Motores de 1 litro representavam quase 70% das vendas à época e, assim, a fábrica escolheu o de 1,6 l por precaução. Como a Bosch fornecia sistemas de injeção para os motores VW de menor cilindrada, a Magneti Marelli acabou por receber a primazia.

Apelo do motor flex diminuiu quando o preço dos dois combustíveis se aproximou. Opção pelo etanol caiu drasticamente depois de 2009 e o governo ainda bate cabeças sobre a estratégia futura de preços relativos e carga fiscal diferenciada. Sem isso, só o apelo ambiental atrairá poucos compradores. Por outro lado, as fábricas têm sido lentas na evolução técnica dos motores. Partida dos motores sem auxílio de gasolina em dias frios, por exemplo, só surgiu em produção seriada no ano passado, e em alguns modelos.

Graças ao novo regime automobilístico Inovar-Auto e seus objetivos de menor consumo de combustível haverá avanços até 2017. Meta compulsória é de cortar o consumo médio da frota à venda de cada fabricante em 12,5% sobre 2012. A meta incentivada (até dois pontos percentuais a menos de IPI) chega a quase 19%. Alcançar essa referência, equivalente à da Europa em 2015, obrigará a investir além dos motores.

Grande passo, a injeção direta de combustível em motores flex apresenta potencial de corte de consumo em até 10%. Com uso eventual de turbocompressor, ganho será maior com etanol. Significa que mesmo que o combustível vegetal custe 75% (talvez até 80%) do preço da gasolina, ainda será viável sua escolha na hora de abastecer. Hoje, referência é de 70%.

RODA VIVA

ABEIVA deve revisar, no final deste mês, sua previsão de importação de 150.000 unidades em 2013, provavelmente para menos. Kia (Grupo Gandini) continua a liderar entre marcas sem produção local, associadas àquela entidade. Grupo brasileiro fez contas e decidiu não aderir ao Inovar-Auto, ao contrário dos demais. Cotas são baixas para seu volume de importação.

CAIXAS de câmbio (transeixos) manuais de seis marchas serão produzidas na nova fábrica de motores da GM, em Joinville (SC), mais voltada à exportação, assim que mercado europeu se recuperar da atual queda. Parte de produção ficará aqui para o Cruze e outros modelos. No exterior, empresa desenvolve uma caixa “híbrida”: automática convencional e de dupla embreagem.

DURANGO, novo SUV da Dodge (de R$ 179.900 a salgados R$ 199.900), oferece sete lugares e mais espaço interno que Journey/Freemont. Mesmo com dois bancos da última fileira em posição normal, porta-malas é muito bom: 490 litros (até o teto; usáveis uns 35% menos). Chassi é igual ao do Grand Cherokee, com maior balanço traseiro. Motor V6/286 cv dá conta do recado.

PRESIDENTE da Magneti Marelli volta a ser brasileiro. Lino Duarte está à frente do segundo maior fabricante de autopeças aqui instalado. Ele destacou que a matriz italiana, além de fornecer motor elétrico para o híbrido LaFerrari, desenvolveu o Superlift: atuadores hidráulicos elevam em quatro cm o vão livre, ideal para carros esporte em rampas e lombadas.

TENDÊNCIA de desnacionalização em autopeças parece irreversível. Fabricante de correias e tensionadores Dayco, dos EUA, com fábricas em São Paulo e Minas Gerais, comprou a brasileira Nytron. As marcas conviverão por tempo indeterminado. Aumentará exportações para Europa e América do Sul com integração dos produtos.

quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

Alta Roda - Conta pesada

O fechamento final dos números da indústria automobilística em 2012 foram bem próximos aos previstos pela Anfavea, mas alguns indicadores ficaram ligeiramente abaixo. Pode-se considerar o ano passado como de transição até a efetiva estreia agora do novo regime automobilístico, cujo título marqueteiro Inovar-Auto é exagero.

Produção caiu 1,9% em 2012 (primeira vez em nove anos), porém reagirá em 2013, um pouco ajudada pela recuperação de caminhões e ônibus, mas principalmente em razão de fábricas inteiramente novas em produção plena (Hyundai, Toyota e, modestamente, a Suzuki) e ampliações da Renault, PSA Peugeot Citroën e Mitsubishi, entre outras.

Anfavea estima que a produção crescerá 4,5% este ano. O Brasil perdeu para Índia a posição de sexto maior fabricante mundial de veículos (manteve quarta posição em vendas, em 2012). Recuperá-la não parece nada fácil.

Problema maior continuam sendo exportações que ajudam a manter empregos no Brasil. Depois de queda expressiva de 20% de 2012 sobre 2011, a previsão é outro tombo de quase 5% em 2013. Os mercados lá fora permanecem bastante debilitados, de fato, mas altos custos internos de produção e nossa moeda mais propícia a importar do que exportar dificultam tudo.

Vendas ao exterior representaram apenas 13% da produção, em 2012, quando o ideal seriam 25%. Em 2005, apenas a exportação de veículos montados significou cerca de 30% do total produzido, o que dificilmente voltará a se repetir. Este ano ainda haverá discussão com os argentinos, até junho, sobre o acordo de livre comércio que deve ser adiado pela terceira vez. Tudo indica que continuarão restrições para exportar para lá.

Quanto ao mercado interno, fator a observar é o ritmo de queda da inadimplência que ficou em 5,6% em 2012, cerca de dois pontos percentuais acima do normal. Isso impede queda mais expressiva dos juros, que já deveriam estar consistentemente abaixo de 1% ao mês para financiamentos típicos de 36 meses com 10% de entrada.

Também vale observar o papel dos bancos em relação aos chamados “feirões”. Até 2011 garantiam boas comissões às concessionárias graças aos juros altos. O cenário reverteu. Agora os fabricantes de veículos é que deverão prover rentabilidade mínima às lojas. Como se refletirá nos preços ao consumidor ainda é incógnita.

A volta do IPI cheio será gradual até o final do primeiro semestre, historicamente período mais fraco do ano. Assim, essa transição vem em boa hora.

Adoção mandatória dos rastreadores em 2013 ainda depende de outra rodada de testes, com frota de veículos em diferentes pontos do País. Se tudo sair bem, os fabricantes farão encomendas e instalarão em parte dos veículos (aplicação gradativa) justamente em julho, já com IPI alto restabelecido.

As fábricas, em produção seriada, colocarão as peças em locais que serão descobertos por ladrões de carros com facilidade. Teme-se que aumentem sequestros de motoristas para impedir ou retardar ordem de rastreamento, pois o serviço tem contratação opcional. Tomara que não se repita o mesmo triste episódio do estojo de primeiros socorros obrigatório, depois cancelado. Só que a conta agora é bem mais pesada.

RODA VIVA

JANEIRO começou com estoques totais de 24 dias, somando fábricas e concessionárias. Em condições normais, os estoques se situam em torno de 30 dias. Há um efeito estatístico, pois as vendas foram fortes em dezembro, mas também significa que não há tantos carros disponíveis ainda com o IPI mais baixo. Descontos precisarão ser “garimpados”.

PELO menos quatro fabricantes terão motores fabricados aqui com turbocompressores, nos próximos dois anos. Objetivo, no caso, será de redução de cilindrada a fim de diminuir consumo de combustível. Chevrolet, Ford, PSA Peugeot Citroën e Volkswagen estariam confirmados. Fiat e Renault também podem decidir a qualquer momento. No futuro, não haverá mais motores de ciclo Otto aspirados, a exemplo dos Diesel.

TURBOCOMPRESSOR ajudará a resgatar motores de um litro de cilindrada. Eles continuaram a cair na preferência do consumidor ao longo de 2012: 41,7% do total das vendas de automóveis (entre compactos de entrada o percentual é maior). Em 2011, a participação de mercado era de 45,2%. Principal explicação: aumento do poder aquisitivo dos compradores da base do mercado.

ATÉ meados de 2013, a indústria instalada no Brasil completará a produção de 20 milhões de veículos equipados com motores flexíveis etanol/gasolina. Marca realmente importante pois o primeiro motor desse tipo surgiu, timidamente, em março de 2003 (Gol, 1.600 cm³). Ou seja, apenas uma década para atingir a marca histórica.

SITES de prestações de serviço para facilitar a gestão do automóvel firmam-se na internet. Um deles, meucockpit.com.br, envia alertas sobre vencimento de impostos, seguros e acompanhamento da manutenção preventiva. Também oferece estatísticas de consumo de combustível, além de calcular o custo do automóvel por km rodado.

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Volkswagen prepara nova geração de motores para o Brasil, como o 1.0 turbo flex de 3 cilindros, 1.2 TSI e 1.4 TSI. Nova Kombi chega em 2014

Volkswagen/Divulgação
Finalmente a Volkswagen falou de seus planos para seus futuros motores no Brasil! Quem deu a entrevista para Josias Silveira, da Folha de S. Paulo, foi o vice-presidente mundial do Grupo VW, o alemão Ulrich Hackenberg. E as notícias são muito boas!

Além do já esperado propulsor 1.0 flex de três cilindros, que fará a sua estréia no Up!, que matará o Gol G4 no final de 2013, o novo compacto da marca também será equipado com a motorização 1.0 turbo flex de 3 cilindros!

De acordo com o VP da Volks, este motor tem baixo atrito interno, sendo leve e econômico. Para o executivo, "com o turbo, fica mais fácil reduzir os níveis de emissões de poluentes. É um grande desafio fazer um motor turbo que funcione com gasolina e com etanol".

Outra notícia interessante é que os atuais propulsores 1.6 8V e 2.0 8V devem estar com os dias contatos! Os motores turbo 1.2 TSI e 1.4 TSI, ambos flex, estão sendo trabalhados para substituirem a dupla velha conhecida por aqui. Nenhum prazo foi dado, mas, se tivemos estas mudanças até 2014, seria excelente.

Fechando, Hackenberg também falou a respeito do fim da produção vovozona Kombi, previsto para o final de 2013. Ele disse que a Volkswagen está preparando um substituto para o modelo. Eu só acredito vendo, já que a Kombi é quase o Highlander (imortal).

Fonte: Folha de S. Paulo

sexta-feira, 6 de julho de 2012

Impressões: Ford Ecosport: bom na cidade, valente na trilha leve e reprovado na estrada

Com tantas Impressões publicadas, o Pedro já virou um cidadão honorário do De 0 a 100. Sua mais nova aventura foi a bordo de um Ford EcoSport, da atual geração, que se despede em breve do nosso mercado - sendo substituído por um modelo totalmente novo. As impressões do Pedro em relação ao jipinho da Ford são bem parecidas com a minha. Confiram!

Quem quiser participar do Impressões, como o Leônidas, o Rafael, o Jow, o Hugo, o Bruno, o Joathan, o Leônidas (de novo!), o Hugo Leite, o Pedro, o Piauí Jr., o Renato Dantas, o Mário Cesar, o Mário Cesar (de novo!), o Renato Dantas (de novo!), o Joathan (de novo!), o José Barbosa Júnior, o Jefferson de Oliveira, eu mesmo (Volvo XC60, Astra e Lincoln Town Car), o Leonardo Vilela, o Mário César (mais uma vez!), o Pedro (de novo!), o Wladimir Pereira, o Wladimir Pereira (de novo!), o Pedro (de novo!), o Éder Sibilin, o Pedro (de novo!) e o Pedro (mais uma vez), basta enviar um e-mail para renatoparizzi@gmail.com. Fale um pouco sobre o seu carro. Descreva os pontos positivos, negativos e conte alguma coisa curiosa! E não se esqueça de mandar fotos do veículo (só serão publicados posts com fotos). Fique tranquilo porque a placa (ou algum outro detalhe) não será mostrada.
"Lançado em 2003 e construído sobre a plataforma do Fiesta de segunda geração, o Ecosport se beneficiou do crescente mercado dos aventureiros urbanos para se tornar um sucesso nas ruas brasileiras. Motivos para isso não faltaram, tais como o visual de “jipinho”, a posição elevada de dirigir e o preço reduzido quando comparado aos “SUVs de verdade”.

Com aproximadamente 10 anos de mercado, o Ecosport da geração atual chegou ao fim de seu ciclo de muito sucesso no Brasil. Mas somente em 2012 tive a chance de assumir o volante do Ford, versão 1.6 Freestyle, em um longo teste de fogo.
Versão alugada foi a Freestyle básica.
Foram 700 km de asfalto e 600 km de terra. Rodovias, trânsito urbano, lama, cascalho e até mesmo “dentro d’água”, fiz o que todos deveriam ter a oportunidade de fazer antes de comprar um carro (conhecê-lo a fundo em todas as situações). Nos três dias de contato com o veículo, o Eco se mostrou bem acertado para o uso urbano e off-road (sem grandes pretensões), mas alguns aspectos negativos prejudicaram o modelo em viagens longas e ciclo rodoviário.

Aluguei o Ford para me auxiliar em um trabalho realizado nos municípios mineiros de Pirapora, Buritizeiro, Três Marias e Várzea da Palma. Após retirá-lo da locadora e encarar um trânsito pesado, fiz uma avaliação do interior do jipinho.

ESPAÇO INTERNO, ACABAMENTO E HABITABILIDADE
Observado de fora, os 4,24m (com estepe) do modelo aparentam ser maiores do que realmente o são, muito por conta da plataforma herdada do Fiesta, que atrapalha a habitabilidade. De negativo, destaco os materiais e desenho dos painéis no interior, que arremetem a algo antigo e de qualidade questionável; o espaço para os pés muito limitado sob os bancos traseiros; o encosto de cabeça traseiro que não tem utilidade; a falta de descansa pé para o motorista, sendo difícil apoiá-lo na caixa de roda; o porta-malas, de 296 litros, tão pequeno quanto o do Fiesta; e a escassez de equipamentos de segurança.
Ford/Divulgação
Interior e acabamento simples não condizem com o preço cobrado no modelo. O Ford também deve em equipamentos.
Por falar nos equipamentos, o Ford que, na versão Freestyle, custa em torno de R$ 50 mil, é equipado com: trio elétrico; direção hidráulica (sem ajuste de profundidade, como no Fiesta); ar-condicionado manual; som My Connection, com entrada USB, para iPod e Bluetooth; volante revestido em couro; faróis de neblina; rodas aro 15’’ calçadas por pneus de uso misto Scorpion; computador de bordo com consumo médio e limitador de velocidade; compartimento refrigerado no porta-luvas. Mas nada de ABS e/ou airbags. Um carro pouco equipado e seguro para o preço cobrado.

Já o número de porta-objetos; sistema de som My Connection e a boa posição de dirigir (apesar da falta de um local adequado para apoiarmos o pé) me agradaram. O espaço interno, por sua vez, embora o Eco seja em sua essência um carro compacto, é razoável para pernas, cabeça e largura interna.

NA CIDADE
Antes de acessar a BR-040 rumo a Três Marias, busquei 3 companheiros de trabalho em suas casas para seguir viagem. No trânsito, as constantes mudanças de marcha atenuaram a falta do descansa-pé. Já a suspensão é bastante macia e filtra bem os buracos, garantindo um rodar sem grandes solavancos em pisos irregulares. O peso razoável da direção, o bom câmbio e torque em baixas rotações, somados à boa visibilidade, tornam o Eco um veículo agradável para a cidade, mas à medida que fomos colocando mais pessoas e bagagem no veículo, a minha relação com o Ford foi abalada.

NA ESTRADA
Após colocar 3 das 4 pessoas no carro, fomos obrigados a posicionar o restante da bagagem entre os ocupantes no banco traseiro. O compartimento destinado a este uso, que aparentava ser pequeno, ficou ainda menor quando colocamos a primeira mala, daí a constatação que o espaço para bagagem é bastante diminuto. Depois de remanejar as bolsas, nos acomodamos e seguimos para a estrada.

Sob a luz da lua na BR-040, pude ver que os faróis têm iluminação apenas razoável. Aproveitamos a viagem tranquila para conversar e ouvir música, mas nesse momento percebemos uma falha grave do modelo: o elevado ruído de rodagem, tão alto que era necessário elevar o tom da conversa. Faltou capricho na manta que isola as caixas de roda.

Alguns minutos mais tarde, já no trecho de pista simples do caminho, aproveitei a ocasião para explorar melhor o câmbio e os limites do motor 1.6 8v de 107 cavalos e pouco mais de 15,5 kgfm de torque (abastecido com álcool).

E foi na estrada que ficou evidente a simplicidade do projeto. O bom acerto para o uso urbano não se aplica ao ciclo rodoviário. À exceção do câmbio, que apresenta ótimos engates e é bem escalonado, a direção, os freios, o motor e a suspensão não são o que eu considero ideal, mesmo levando-se em conta as limitações da cilindrada e a faixa de preço em que o Ford se insere.

O motor carece de força em altas rotações e tem funcionamento um tanto áspero e ruidoso nessas condições (um cabeçote 16V resolveria parte dos problemas). A suspensão, os freios e a direção, acima dos 100 km/h, não transmitem segurança ao motorista. Caso seja necessário efetuar alguma manobra de emergência, o comportamento deste modelo de suspensão elevada e “mole” não é dos mais previsíveis. E o fato de ter que apoiar meu pé esquerdo no tapete também não agradou.

FORA DE ESTRADA
Depois de 3 horas de viagem e uma pernoite em Três Marias, iniciamos o trabalho às 8h da manhã e o terminamos às 17h no primeiro dia. Foram 9 horas dentro do carro em várias estradas de terra às margens do rio São Francisco (detalhe: recorremos às barrinhas de cereal ao invés de uma pausa para o almoço).

Quanto mais rodávamos em estradas ruins, mais era evidente o tanto que aquela suspensão macia amenizava o bombardeio na coluna dos 4 ocupantes. Mas quem viaja à frente tem mais conforto, seja pela calibragem mais macia da suspensão dianteira, seja pelo maior espaço para os pés – uma estranha estrutura metálica sob os bancos dianteiros rouba bastante o conforto de quem vai atrás.
No uso off-road sem grandes pretensões, o modelo se saiu muito bem, favorecido pelos bons ângulo de entrada e vão livre do solo.
Na hora de cruzar córregos e trechos alagadiços, os 20 centímetros de vão livre do solo e os 28º de ângulo de entrada levaram o Eco a lugares que um modelo compacto e baixo dificilmente iria. Em alguns momentos, cruzamos afluentes do rio São Francisco com água acima da linha inferior da porta, e para nossa felicidade nenhuma gota infiltrou para dentro da cabine. Merecem destaque também os pneus Scorpion de uso misto, que foram importantes aliados na hora de atravessar trechos com um pouco de lama e areia fofa.

Assim como na cidade, o motor, o câmbio e a direção também estão afinados para o uso “off-road” sem grandes pretensões. Ao fim de 2 dias abusando do modelo em estradas sem pavimento, nas mais diversas situações, o jipinho foi aprovado para o uso e aparentou robustez. Vale destacar que, apesar da baixa qualidade do acabamento e dos materiais no interior, não se ouvem muitos ruídos provenientes dos plásticos no habitáculo, mesmo em se tratando de um modelo de locação.

CONSIDERAÇÕES FINAIS
No retorno a Belo Horizonte, levamos o carro para ser lavado, pois tinha barro até no chaveiro. Após um bom banho, entreguei o veículo à locadora com duas certezas: a de que recorreria a ele para um trabalho futuro e a de que não compraria o modelo, nem mesmo a versão mais completa, com motor 2.0.
Em todo o contato que tive com o Ford, ficou evidente que ele não consegue agradar aos dois usos predominantes à maioria das pessoas: o rodoviário e o urbano. Por se tratar de um projeto simples, essencialmente um Fiesta com suspensão elevada, o bom acerto para um uso o prejudica para o outro.

Tem-se a sensação de que faltou cuidado na hora de pensar no interior, quer sejam pelos deslizes na ergonomia, quer sejam pelos problemas de acabamento. Mesmo conhecendo as limitações do uso de um propulsor 1.6 em um modelo de mais de 1.150 kg, as respostas ao acelerador e o conforto acústico em ciclo rodoviário são inferiores à do veículo 1.6 (e mais pesado) que possuo na garagem. Soma-se a isto que, acima dos 100 km/h, o acerto de direção, freios e suspensão é o que posso classificar como “traiçoeiro”.

Gastando-se pouco mais de R$ 50 mil, pode-se levar qualquer hatch médio moderno (que atendem mais ao meu uso) para a garagem e, como consequência, mais conforto, segurança e desempenho, por um valor não muito diferente do cobrado no Ford.

Mas se o comprador fizer vista grossa para vários aspectos negativos no interior do veículo e referentes ao comportamento na estrada, o Ecosport é uma opção válida, pois é agradável de dirigir na cidade e na terra, além de ser uma boa opção para quem busca um carro mais alto para trabalho em regiões com piso irregular.

Espero que, em sua nova geração, a Ford refine a construção do modelo, corrigindo ou amenizando os problemas de ergonomia e melhorando seu comportamento na estrada, pois é onde o bicho pega quando o assunto é Ecosport." 

Opinião do blogueiro
Como eu disse no início, concordo com quase tudo que o Pedro escreveu. Vou ainda mais além: testei o Ford EcoSport 2.0 automático na cidade e estrada e sofri com os mesmos problemas de barulho e de desconforto para a perna esquersa (motorista). Achei também que o motor 2.0, casado com o câmbio automático, demorou um pouco para responder, mas nada de exagerado ou fora do esperado.

O espaço pífio do porta-malas nem merece meu comentário. Em relação ao acabamento, reconheço que ele melhorou com o tempo, mas ainda deixa a desejar, especialmente se pensarmos em veículos com com preços que variam entre R$ 50.000 e R$ 65.000.

Para rodar na cidade e numa trilha leve no final de semana, o EcoSport atual atende bem. Para viagens mais longas, ele realmente deixa a desejar.

Fecho com uma história bem resumida: em 2004, fui convidado para o lançamento da nova Ranger. O teste com a picape aconteceu durante a manhã, com trechos de cidade, estrada e trilha. No entando, choveu torrencialmente na noite anterior ao teste. Logo, a trilha virou lama, e a diversão só aumentou.

Quando chegamos ao ponto de encontro, depois de usarmos a tração 4x4 reduzida, um EcoSport 4x4 amarelo nos aguardava no local. Quando desci do carro, fiz a seguinte pergunta ao engenheiro da Ford: "como aquele Ecosport chegou aqui?", e complementei: "se a Ranger precisou da reduzida, o Eco só pode ter sido rebocado para cá". Ele riu, desconversou e, depois de muito tempo, disse que o modelo tinha chegado lá na noite anterior.

Pedi inúmeras vezes para dar uma volta com aquele EcoSport no local onde estávamos, mas a Ford recusou. Em off, o mesmo engenheiro comentou que o carro não conseguiria passar pelos locais onde a Ranger passou, mesmo com o 4x4 ligado - nenhuma novidade.

Poucos antes de voltarmos para o hotel, eu me despedi do engenheiro e disse: "boa sorte! Espero que você saida daqui ainda hoje com o EcoSport, pois a previsão é de chuva para esta tarde". Com cara de desânimo, ele se despediu. E realmente choveu...

quinta-feira, 28 de junho de 2012

Novo Ford EcoSport deve custar a partir de R$ 53.490 e poderá ter versão de 7 lugares

Mais uma especulação aparece na internet sobre o preço do novo Ford EcoSport. Primeiro foi o pessoal do Forum EcoSport Club, que disse que o novo SUV teria preço inicial de R$ 59.990. Agora é a vez do Diário de Bordo - Novo EcoSport afirmar, via um concessionário, que o novo EcoSport deverá custar a partir de R$ 53.490.

Segundo o site, hoje foi realizado em São Paulo (SP) um evento com representantes de todas as concessionárias Ford do Brasil. Simultaneamente foram apresentados os novos EcoSport e Ranger. E quem teria revelado o valor do novo EcoSport foi a Laguna Veículos, concessionária Ford de Maceió (AL), em sua página no Facebook (reprodução abaixo). Veja o que dizia o anuncio:
"Agora é Oficial: Novo Ford ECOSPORT 2013 1.6 S com sistema SYNC de Série + Direção Elétrica + Vidros e Travas Elétricas, R$ 53.490,00! Laguna Veículos Pode Comprar! Final de Julho venha conferir em nosso Show Room."

Vamos esperar para ver. De qualquer forma, os preços publicados pelo forum em janeiro não estão tão longes da realidade, já que, se acrescentarmos o valor do IPI (5,5%) mais o desconto das montadoras (1,5%) aos R$ 53.490 divulgados pela Laguna, temos R$ 57.234.
Ainda sobre o novo EcoSport, o modelo deverá ser vendido em quatro versões: S, SE, Freestyle e Titanium. De acordo com o INMETRO, o novo Ford equipado com o motor 1.6 16V Sigma recebeu nota A nos testes de consumo, apresentando as seguintes médias:  

Gasolina
Cidade: 10,2 km/l
Estrada: 12,2 Km/l

Etanol
 
Cidade: 7,0 km/l
Estrada 8,4 km/l 
Fechando o assunto EcoSport, a revista Quatro Rodas de julho publicou na seção Segredos que a Ford trabalha numa versão do seu novo SUV com capacidade para até sete ocupantes. Dois novos assentos seriam instalados na área do porta-malas. Os bancos seriam escamotáveis, ficando embutidos ao assoalho quando estivessem fora de uso. 

Seria uma aposta da Ford para combater o novo Chevrolet Spin (que ganha um post em breve aqui no De 0 a 100)?
Fotos: Ford/Divulgação

quarta-feira, 27 de junho de 2012

Consumo Real passa de 250 carros e agora conta com média de consumo de motos

É com muita satisfação que publico esse post! A seção Consumo Real do De 0 a 100 superou a marca de 250 carros com médias de consumo publicadas! E a grande novidade agora é que comecei a publicar também as média de motos!

Se você ainda não mandou a sua média, basta me enviar um e-mail com os dados! Convide a família e os amigos!

Muito obrigado a todos que fizeram dessa seção uma referência! Que ela cresça ainda mais e que o número de motos também só aumente!

segunda-feira, 18 de junho de 2012

Rio+20: onde estão as montadoras?

Muito interessante a coluna da Marli Olmos no jornal Valor Econômico de hoje. Ela levanta alguns pontos importantes e que merecem a reflexão. Eu só adicionaria ao conteúdo o fato da Fiat também participar da Rio+20.

Vale a leitura.
Rio+20: onde estão as montadoras
Setor está ausente dos debates sobre mobilidade e poluição

Tem sido cada vez mais frequente ver a indústria automobilística  engajada na causa ambiental, com planos consistentes para tornar o automóvel cada vez mais limpo. Já faz alguns anos, inclusive, que os slogans dos salões de veículos em todo o mundo são inspirados na batalha do setor em busca de energias alternativas. Os fabricantes de veículos parecem à vontade para tratar o tema quando estão em seus próprios fóruns. Mas seus representantes praticamente desaparecem quando a discussão se amplia para um universo de debates tão global e tão diversificado como a Conferência das Nações Unidas.

É fácil notar a ausência das montadoras em qualquer dos espaços dedicados a debates na Rio+20. Uma das exceções será uma apresentação, amanhã, do vice-presidente mundial da Nissan, Toshiaki Otani, responsável pela área de veículos elétricos e emissão zero da montadora japonesa, em um dos fóruns dedicados ao setor privado.

Até sexta-feira, dia do encerramento da conferência, diversos outros grupos vão, no entanto, debater os problemas da mobilidade nos centros urbanos, o desafio de encontrar formas de reduzir o nível de emissões de CO2 e as alternativas para o transporte. Essas discussões não contam, no entanto, com representantes da indústria automotiva, que teriam muito a contribuir.

Ontem mesmo, o debate sobre cidades sustentáveis e energias renováveis, durante o fórum de sustentabilidade corporativa, seria uma das boas oportunidades de a indústria automobilística ter dividido seus planos com outros agentes da iniciativa privada, interessados em compartilhar experiências. Talvez por isso as palestras conduzidas por representantes da indústria de eletricidade e de planejamento urbano tenham tratado o automóvel de forma vaga.

Não se pode, no entanto, numa análise sobre a ausência da indústria automobilística na Rio + 20, fazer injustiça com a BMW. Na contramão da postura das demais empresas do setor, a marca alemã trouxe para a Conferência das Nações Unidas executivos da Alemanha graduados no desenvolvimento de energias alternativas. Eles passaram o fim de semana por conta de apresentações sobre os planos de desenvolvimento do carro do futuro e dos resultados de pesquisas com consumidores que experimentaram automóveis elétricos em seu estande, de 400 metros quadrados, instalado no Parque dos Atletas.

Fora isso, a presença do setor é bastante tímida. A Volkswagen também montou estande no Parque dos Atletas, defronte ao Riocentro, com suas soluções para reduzir emissões e consumo. Nessa área, formada por pavilhões com exposições da iniciativa privada e de representantes governamentais, também podem ser vistos os ônibus híbridos da Volvo, que a Prefeitura de Curitiba adotou para o transporte público. Mas, em geral, os executivos dessas empresas não se envolveram com o evento.

A modesta presença dos estandes no parque e a quase total ausência nas salas de debates da conferência revelam, em boa parte, que a indústria automobilística participa da Rio+20 como se estivesse numa exposição.

E, apesar de a BMW se mostrar mais participativa, ainda que tenha sido por meio de palestras limitadas à imprensa, as novidades que seus executivos trouxeram para o Rio de Janeiro pouco servem para o consumidor brasileiro. A experiência dos carros elétricos e híbridos que a montadora exibe no Rio ficará, por enquanto, quase que totalmente limitada aos mercados onde os governos calculam as taxas de impostos de acordo com o consumo e emissões do veículo. Ou seja, nos países mais alinhados com a causa ambiental, onde recolhe menos imposto o carro que polui menos e gasta pouco.

O Brasil ainda não adotou essa cultura. É justamente no carro elétrico que incide a mais alta carga tributária, já que o modelo de tributação do país é feito com base no motor a combustão e esse tipo de veículo teria que ser importado, por enquanto. Depois da intervenção do governo para elevar o IPI dos importados, os tributos num veículo desse tipo chegam hoje a 125%.

Como o automóvel é tradicionalmente apontado como um dos vilões do aquecimento global, é bem provável que a indústria automobilística tenha preferido adotar uma postura mais discreta para sequer ser notada num fórum mais heterogêneo, como a Rio+20.

É quase certo, porém, que, logo que a conferência terminar os fabricantes de veículos voltarão à toda carga para exibir seus planos para ajudar a salvar o planeta. Em outubro, eles certamente retomarão o tema, e farão muita propaganda dele, no salão do automóvel de São Paulo, a principal feira do setor no Brasil.

Protegidas, em seu território, as montadoras provavelmente se sentem mais à vontade para falar com o público que mais lhes interessa: o consumidor que enlouquece com as novidades que essa indústria lhes oferece. E pelas quais ele quase sempre se endivida.

Texto: Marli Olmos
Fonte: Valor Econômico

quarta-feira, 16 de maio de 2012

O velho problema de quase todos os carros: consumo

Na semana passada troquei alguns e-mails que me fizeram pensar muito sobre o assunto. O internauta Ricardo Marques comentou comigo as suas experiências recentes com automóveis e como ele estava frustrado em relação a média de consumo dos carros que ele tinha e tem atualmente. Reproduzo abaixo parte do que ele disse (juntei o conteúdo num único texto e dei uma resumida para ficar mais direto, com prévia autorização do Ricardo):
Volkswagen/Divulgação
"Como a família estava maior, eu era proprietário de um Chevrolet Vectra Elite 2.0 automático, com motor Flexpower atualizado. Carro muito confortável, mas sempre achei que a média de consumo estava ruim, mas eu me lembrava que o carro tinha motor antigo e câmbio de quatro marchas ultrapassado. Na cidade, com etanol, a media ficava na casa de 6 km/l, enquanto na estrada, subia para 8,2 km/l. Com gasolina, eu conseguia, na cidade, média de 7 km/l e, na estrada, cerca de 10 km/l. O ar-condicionado estava ligado quase o tempo todo e, na estrada, o carro estava sempre carregado, com quatro pessoas e muita bagagem.

Um dos meus filhos foi morar sozinho enquanto o outro foi fazer intercâmbio. Logo, resolvi atualizar o Vectra, já que espaço no porta-malas deixou de ser uma prioridade. Foi então que comprei um Honda Civic LXL SE automático, o último da concessionária da minha cidade, segundo o vendedor, antes da chegada da nova geração. Fiz um excelente negócio (o novo Civic é muito feio e paguei quase R$ 12.000 a menos que o preço de tabela no meu LXL SE). 

Mas, mais uma vez, o consumo veio me assombrar. Com álcool, consigo mais ou menos 6,6 km/l na cidade e 9 km/l na estrada. Com gasolina, fico na casa de 7,5 km/l na cidade e não consigo passar de 11 km/l na estrada. Meu carro tem 19 mil km rodados e todas as revisões em dia. É uma decepção! A Honda prega a modernidade do seu motor, tem câmbio automático de cinco marchas, e o carro bebe muito. Sem contar que o tanque é pequeno. Tenho que parar no posto toda hora. Estou até pensando em trocar de carro.
Honda/Divulgação
Tenho medo agora de trocar o Civic num Novo Civic e sofrer com o mesmo problema. Tenho o mesmo medo com o Cruze. O Corolla eu não gosto e Hyundai eu me recuso a comprar. Vou esperar mais um pouco para decidir o que fazer.

Espero que você possa levar essa discussão para o seu blog."

O internauta Marcelo Chicol também está bastante incomodado com a média de consumo do seu Celta Spirit, considerando um absurdo os números divulgados pela Chevrolet. Seu Celta tem ar-condicionado, direção hidráulica, travas e vidros elétricos. Vejam a fala dele, seguida pela média de consumo do compacto, já publicada no Consumo Real.

"A propaganda que a GM faz é mentirosa e isso é um assalto ao consumidor que é enganado".

. Chevrolet Celta Spirit 1.0 (2009/2010) - Na cidade, média de 6,5 km/l com etanol e 8,5 km/l com gasolina, com o ar-condicionado ligado 50% do tempo. Na estrada, com etanol, médias de 10,5 km/l (80 km/h e ar-condicionado ligado), 9,5 km/l (110 km/h e 120 km/h e ar-condicionado ligado) e 8 km/l (130 km/h e 140 km/h e ar-condicionado ligado). Com gasolina, médias de 12,5 km/l (80 km/h e ar-condicionado ligado), 11 km/l (110 km/h e 120 km/h e ar-condicionado ligado) e 10 km/l (130 km/h e 140 km/h e ar-condicionado ligado).

Chevrolet/Divulgação
Realmente achei a discussão merecia ver aqui para o blog. Boa parte dos donos dos mais de 240 carros que tenho as médias de consumo publicadas no Consumo Real reclamaram da média de consumo ao me enviarem os números. São poucos que elogiam ou que fazem algum comentário positivo.

O resultado da enquete, que ficou no ar por alguns dias aqui no De 0 a 100, reflete esta frustração geral:

Você está satisfeito(a) com a média de consumo do seu carro?
Não - 67 votos (76,1%)
Sim - 21 votos (23,8%)
Total - 88 votos

A tecnologia flex chegou para tornar o automóvel mais versátil na hora de abastecer. Além disso, ela permitiu diminui a dependência do petróleo por um alternativa renovável e bem mais limpa. Mas são poucos os motores que conseguiram atingir um equilíbrio em relação a desempenho e consumo com a tecnologia bicombustível.

Mas esse não é só o problema. O combustível vendido no Brasil é de péssima qualidade se comparado ao de outros países. Como eu disse em 2010 (esse post quase não fica velho), fico muito incomodado quando a Pretrobras diz na TV que "todo carro sonha em ser abastecido com o combustível Petrobras" (obviamente nos postos BR). Mas por quê a gigante estatal não comenta nos comerciais que a sua gasolina, comum ou aditivada (Supra), produz 1.000 partículas por milhão (ppm) de enxofre? Ipiranga, Shell, Alê e outros postos também vendem suas gasolinas com o mesmo (altíssimo) teor de enxofre - e por preços absurdos se comparados ao de outros países!

O pior de tudo é que a população brasileira será obrigada a conviver com essa gasolina de qualidade inferior, que polui mais o planeta e intoxica mais as pessoas, até o final do ano que vem! Só a partir de 1º de janeiro de 2014 é que o teor será reduzido para 50 ppm de enxofre (ainda superior ao valor atual da gasolina Podium da Petrobras, que é de 30 ppm), de acordo com resolução publicada pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

Portanto, temos o problema do motor flex e da gasolina ruim, que comentei, e dos conjuntos mecânicos (motor/câmbio) que o Ricardo falou. Falta ainda um componente importante no "jogo do alto consumo": o motorista (proprietário/usuário).

É dele o papel de cuidade do veículo, mantendo a manutenção em dia, os pneus alinhados e calibrados, entre outras coisas. Ele também precisa ter consciência de que, se ele pisa mais, o seu carro vai beber mais (simples assim). Não adianta afundar o pé para fazer o desempenho melhorar, se depois ele reclama que o carro 1.0 dele bebe demais.

Para encerrar a minha parte inicial da discussão, achei estranha a propaganda da Allianz, que mostrar uma mulher que salvou um casamento (ou algo assim) por levar uma tralha no porta-malas. Ter uma capa de chuva, um moletom e um guarda-chuva é tranquilo, mas fiquei pensando se a mulher não teria outras coisas guardadas. Não custar lembrar que: peso morto aumenta o consumo do veículo!

Gostaria de ouvir a opinião de vocês! Se quiserem analisar (e enviar novos números) o consumo de dezenas de carro, acesse o Consumo Real do De 0 a 100. Se quiser fazer o seu carro beber menos, veja aqui algumas dicas.

quinta-feira, 26 de abril de 2012

Alta Roda - Motores de um litro em queda

Fiat/Divulgação
O mercado automobilístico este ano continua, ainda, andando meio de lado e há algumas explicações para isso. Primeiramente porque a base comparativa com o mesmo período do ano passado é muito elevada. O primeiro semestre do ano passado mostrou crescimento de 10% nas vendas em relação a 2010, enquanto no segundo semestre já havia estagnação.

O segundo ponto - e mais importante - deve-se ao aumento da inadimplência (passou de 3% para 5,5% em atrasos nos pagamentos superiores a 90 dias). Tal fenômeno tornou bancos mais seletivos ao liberar novos créditos, em especial para os chamados modelos de entrada ou de menor preço. Esse indicador demora um pouco para recuar. O devedor só sai da lista de inadimplentes depois de renegociar e liquidar os atrasados, mesmo que volte a pagar em dia de imediato.

Existe, no entanto, outro aspecto menos avaliado. Desde o início do ano o governo federal vem falando em queda de juros nos financiamentos em geral. Ora, quem compra carro a prestações adia sua decisão, na esperança de poder pagar menos. Embora os juros do CDC (crédito direto ao consumidor) no ramo de veículos estejam entre os mais baixos, qualquer mudança tem potencial de impacto positivo sobre o mercado. Se uma prestação cai de R$ 500,00 para R$ 450,00, mantido o prazo do empréstimo, agrega milhares de novos compradores.

Fenômeno interessante, dentro do quadro atual, é a contínua queda de participação dos motores de 1 litro de cilindrada nas vendas totais, que se aprofunda em 2012. A coluna, em seus 13 anos de publicação, sempre chamou a atenção para o favorecimento tributário errado para essa motorização. Ela nasceu de modo tortuoso no governo Collor de Mello em 1990, três anos antes do advento do “carro popular”. Aliás, o precursor foi exatamente o Fusca, no governo Itamar, que só tinha motor de 1,6 litro...

A legislação levou a sérias distorções de mercado, a ponto de em 2001 os carros equipados com motor de 1 litro responderem por 71% das vendas. Houve uma geração de brasileiros que se arrastavam em estradas e subidas por ser induzido a comprar um automóvel inadequado nas relações peso/potência e peso/torque. O cenário só começou a mudar a partir de 2002, quando se estreitou a diferença de IPI e a “preferência” começou a cair lentamente. Em março último, a participação desses motores caiu para apenas 40%, recorde de baixa.

Há razões para isso, inclusive as dificuldades relatadas com financiamentos e o aumento do poder aquisitivo. Mas o comprador também se convenceu de que perde pouco (ou nada, na maioria dos casos) em termos de economia de combustível e ganha muito em prazer ao dirigir, se fugisse dos motores pequenos e inadequados aos carros e suas condições de uso.

Ao governo caberia corrigir esses erros do passado. Há espaço, sim, para motores de baixa cilindrada, desde que conjugados a pesos e propostas de veículos coerentes. O consumo normatizado seria o melhor critério das alíquotas do IPI, em substituição à cilindrada. Caberia à engenharia e à criatividade técnica estabelecer a melhor relação entre preço final, desempenho e economia. Bastaria lançar mão de recursos modernos: turbocompressor, injeção direta de combustível e novos materiais.

RODA VIVA

FROTA nacional de veículos atingiu quase 35 milhões de unidades, ao final de 2011, segundo estatísticas do Sindipeças, incluindo automóveis e comerciais leves e pesados. São 5,5 habitantes/veículo, semelhante à Argentina, mas atrás do México. Somam-se, ainda, 11,6 milhões de motos. Números mais confiáveis que os do Denatran, que despreza o sucateamento.
Ford/Divulgação
NOVO EcoSport chega em junho, embora a versão de topo, Titanium (motor 2-litros), tenha aparecido agora em avant première e com tudo definido. Ford não liberou mais informações. Porém, rebatimento do assento do banco dianteiro direito, que cria volume adicional para objetos, foi substituído por uma gaveta, solução mais prática.

DEPOIS de três anos no mercado, o City 2013 recebeu retoques em para-choques, grades e lanternas traseiras. Em algumas versões, novas rodas. Freios ABS estão agora em toda a linha. Tanque de combustível passou de 42 para 47 litros. A Honda também enxugou o número de versões e, afirma, manteve preços médios inalterados.
Renault/Divulgação
DUSTER tem avançado nas vendas, pelo menos enquanto novos concorrentes não chegam, pela relação preço/benefício muito boa. Estilo pode se discutir, mas proposta é honesta, no dia a dia, com posição alta ao volante típica de SUV. Sai bem equipado de série. Opção de câmbio automático de quatro marchas e seleção manual vai bem, apesar de limitações de projeto.

LOJA conceitual da Citroën, na chique rua Oscar Freire, em São Paulo, é interessante experiência de marketing. Trabalha imagem e espírito da marca, diferenciados no Brasil em relação ao exterior. Além de dar suporte ao lançamento da versão esportiva DS3, cultiva a história e, ao mesmo tempo, absorve conceitos atuais de interatividade da comunicação.

quarta-feira, 25 de abril de 2012

Ford exibe linhas finais do novo EcoSport oficialmente



Depois de um relativo mistério, de uma prévia oficial, de alguns flagrantes e de especulações de preço, a Ford, finalmente, mostrou o visual definitivo novo EcoSport.

A nova geração do EcoSport tem seu design quase idêntico ao do conceito mostrado pela Ford no início do ano em Brasília. A principal diferença está nos faróis dianteiros, que foram simplificados no modelo de produção. Se no flagrante do mês passado vocês viram o EcoSport Freestyle, nas fotos deste post, a versão Titanium, a topo de linha, é mostrada.
Na parte visual, achei a entrada de ar na frente um pouco grande demais, mas quero ver o veículo ao vivo para analisar melhor. O que eu não entendi foi a posição da placa dianteira. Na traseira, não sei se colocar o estepe preso na tampa do porta-malas foi a solução mais adequada (vejam o vídeo).

Mas, se uma maneira geral, gostei bastante do design do novo EcoSport. Ele ficou bonito e moderno -  com linhas marcantes e com "personalidade forte". Foi realmente uma evolução e tanto se comparado à primeira geração.

O interior também ficou bem melhor. Seu visual segue o mesmo padrão adotado na linha New Fiesta.
Produzido no Brasil, o mais novo lançamento global da Ford vem equipado, de série, na versão Titanium, com direção elétrica, vidros e espelhos elétricos, travas elétricas com controle remoto, imobilizador antifurto, sistema SYNC, Econometer e também oferece a opção de equipamentos como sistema de entrada e partida sem chave, faróis com acendimento automático, limpadores do para-brisa com sensores de chuva e computador de bordo.
Sistema ABS de freios e airbag duplo são itens de série, enquanto airbags do tipo cortina, controle eletrônico de estabilidade, assistência de partida em rampa e sensores traseiros de estacionamento são alguns dos opcionais.

Fotos: Ford/Divulgação