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sexta-feira, 26 de abril de 2013

Peugeot e Citroën preparam uma grande melhoria para seus carros - finalmente!

308 2.0 terá câmbio automático de seis marchas
Não é de hoje que convivemos com a ultrapassada e problemática transmissão automática de quatro velocidades da PSA - Peugeot Citroën - curiosamente batizada de “Tiptronic system Porsche”. Há muito tempo, modelos como 307, 308, 307 Sedan, 408, C4, C4 Pallas, Xsara Picasso, entre outros vêm sofrendo com o alto consumo, desempenho travado e excesso de manutenção (da caixa) do câmbio automático. Mas, no segundo semestre deste ano, a história, finalmente, deve mudar.

De acordo com a revista Car and Driver, a partir da linha 2014, que está prevista para chegar às concessionárias em setembro, os Peugeot 308 e 408 passarão a usar a transmissão automática de seis marchas que já equipe o crossover 3008 e os 308 e 408 1.6 16V THP (turbo). Com isso, temos a promessa de menos trancos, maior conforto, melhor consumo de combustível e melhoria no desempenho.

Quando o 308 foi lançado, a Peugeot explicou que o conjunto da transmissão automática foi revisado para melhorar o desempenho, algo praticamente imperceptível aos ex-donos do 307 2.0 aut (aqui e aqui). Segundo a marca, o percentual de clientes interessados no câmbio automático fica na casa de 35%.
Ultrapassado câmbio “Tiptronic system Porsche”, de apenas quatro marchas, está com os dias contados
Se tudo for mesmo confirmado, definitivamente será uma adição e tanto para a linha Peugeot no Brasil - e também para a Citroën, também num futuro próximo.

Veja as versões dos dois Peugeot que devem se beneficiar com a transmissão automática de seis marchas do 3008:

Peugeot 308 Allure 2.0 automático - R$ 60.990
Acendimento automático dos faróis, airbags frontais (motorista e passageiro), apoios de braço individuais nos bancos dianteiros, ar-condicionado automático digital bi-zone com saída de ar traseira, coluna de direção com regulagem de altura e profundidade, comando de rádio na coluna de direção, computador de bordo, faróis de neblina dianteiros, freios ABS + AFU (auxílio a frenagem de urgência) + REF (repartidor eletrônico de frenagem), iluminação "lead me to the car" (acendimentos dos faróis por um tempo determinado), limpador de pára-brisa automático com sensor de chuva e indexado à velocidade, iluminação ''Follow me home'' (acendimentos dos faróis por um tempo determinado), pára-brisa acústico, piloto automático (regulador de velocidade) e limitador de velocidade; retrovisores externos elétricos, rodas de liga leve 17" (Stromboli), vidros elétricos dianteiros e traseiros, sequenciais e com sistema antiesmagamento, volante revestido em couro, conexão bluetooth para celular, audio streaming; conexão USB para iPod/MP3 player e entrada auxiliar; e rádio CD/MP3 player.

Peugeot 308 Feline 2.0 automático - R$ 66.990
2 airbags de cortina (motorista e passageiro, dianteiro e traseiro), 2 airbags laterais (motorista e passageiro), airbags frontais (motorista e passageiro), acendimento automático dos faróis, alarme, apoios de braço individuais nos bancos dianteiros, ar-condicionado automático digital bi-zone com Saída de ar traseira, coluna de direção com regulagem de altura e profundidade, comando de rádio na coluna de direção, computador de bordo, controle eletrônico de estabilidade (ESP) e Controle de Tração (ASR), faróis de neblina dianteiros, freios ABS + AFU (auxílio a frenagem de urgência) + REF (repartidor eletrônico de frenagem); iluminação "lead me to the car" (acendimentos dos faróis por um tempo determinado), limpador de pára-brisa automático com sensor de chuva e indexado à velocidade, iluminação ''Follow me home'' (acendimentos dos faróis por um tempo determinado), luzes diurnas de LED (Day Running Light), rára-brisa acústico, pedais em alumínio, piloto automático (regulador de velocidade) e limitador de velocidade; retrovisores externos elétricos, retrovisores rebatíveis eletricamente, rodas de liga leve 17" (Stromboli), sensor de estacionamento (traseiro), soleira de porta cromada, teto panorâmico de vidro (CIELO), vidros elétricos dianteiros e traseiros, sequenciais e com sistema antiesmagamento; volante revestido em couro, conexão bluetooth para celular, audio streaming; conexão USB para iPod/MP3 player e entrada auxiliar; e rádio CD/MP3 player.
Peugeot 408 2.0 será um dos grandes beneficiados pela nova transmissão automática de seis marchas
Peugeot 408 Allure 2.0 automático - R$ 61.490
Airbags frontais (motorista e passageiro), apoios de braço individuais nos bancos dianteiros, ar-condicionado, banco do motorista com regulagem de altura manual, bluetooth viva-voz para celular, acoplado ao som e streaming; coluna de direção com regulagem de altura e profundidade, comando de rádio na coluna de direção, computador de bordo, direção eletro-hidráulica, entrada USB para som, faróis de neblina dianteiros, freios ABS + AFU (auxílio a frenagem de urgência) + REF (repartidor eletrônico de frenagem), piloto automático e regulador de velocidade, rádio CD/MP3 player, rodas de liga leve 16", vidros elétricos dianteiros e traseiros, sequenciais e com sistema antiesmagamento; e volante revestido em couro.

Peugeot 408 Feline 2.0 automático - R$ 65.690
2 airbags de cortina (motorista e passageiro, dianteiro e traseiro), 2 airbags laterais (motorista e passageiro), airbags frontais (motorista e passageiro), acendimento automático dos faróis, alarme, apoios de braço individuais nos bancos dianteiros, ar-condicionado automático digital bi-zone com saída de ar traseira, banco do motorista com regulagem de altura manual, bluetooth viva-voz para celular, acoplado ao som e streaming; coluna de direção com regulagem de altura e profundidade, comando de rádio na coluna de direção, computador de bordo, controle eletrônico de estabilidade (ESP), direção eletro-hidráulica, entrada USB para som, faróis de neblina dianteiros, freios ABS + AFU (auxílio a frenagem de urgência) + REF (repartidor eletrônico de frenagem), limpador de pára-brisa automático com sensor de chuva e indexado à velocidade, piloto automático e regulador de velocidade, rádio CD/MP3 player, retrovisor interno eletrocrômico, revestimento dos bancos em couro, rodas de liga leve 17", sensor de estacionamento (traseiro), soleira de porta cromada, teto solar elétrico com fechamento automático no telecomando da chave; vidros elétricos dianteiros e traseiros, sequenciais e com sistema antiesmagamento; e volante revestido em couro.
Painel do 408 é atrativo
Peugeot 408 Griffe 2.0 automático - R$ 70.690
2 airbags de cortina (motorista e passageiro, dianteiro e traseiro), 2 airbags laterais (motorista e passageiro), airbags frontais (motorista e passageiro), acendimento automático dos faróis, alarme, apoios de braço individuais nos bancos dianteiros, ar-condicionado automático digital bi-zone com saída de ar traseira, banco do motorista com regulagens elétricas, bluetooth viva-voz para celular, acoplado ao som e streaming; coluna de direção com regulagem de altura e profundidade, comando de rádio na coluna de direção, computador de bordo, controle eletrônico de estabilidade (ESP), direção eletro-hidráulica, entrada USB para som, faróis de neblina dianteiros, faróis de Xenon autodirecionais, freios ABS + AFU (auxílio a frenagem de urgência) + REF (repartidor eletrônico de frenagem), limpador de pára-brisa automático com sensor de chuva e indexado à velocidade, navegador GPS integrado ao painel e escamoteável eletronicamente, piloto automático e regulador de velocidade; rádio CD/MP3 player, retrovisor interno eletrocrômico, revestimento dos bancos em couro, rodas de liga leve 17", sensores de estacionamento dianteiro e traseiro; soleira de porta cromada, teto solar elétrico com fechamento automático no telecomando da chave, vidros elétricos dianteiros e traseiros, sequenciais e com sistema antiesmagamento; e volante revestido em couro.

quinta-feira, 11 de abril de 2013

Alta Roda - Ganha-se muito ou pouco?

Conhecidos os resultados consolidados da indústria automobilística em março, que a Anfavea divulga todos os meses, poucos atentaram a um pormenor estatístico. Pela primeira vez as quatro maiores marcas – Fiat, Ford, GM e VW – alcançaram 68,6% dos automóveis e comerciais leves comercializados. Ou seja, ainda representam pouco mais de dois terços das vendas, mas pela primeira vez abaixo de 70%.

Não é tão incomum, em outros países, as quatro maiores marcas dominarem cerca de dois terços do comércio interno, ao contrário do que muitos pensam. Japão e Índia são dois exemplos. Ou seja, a concorrência aqui é feroz e as quatro maiores tendem a perder participação de forma mais acelerada.

Esse surto de novas marcas vem em razão do rápido crescimento das vendas no Brasil, quarto maior mercado mundial e quase quatro milhões de unidades (com caminhões e ônibus) ao fim de 2013. Isso significou lucros crescentes, mas desalinhados do resto do mundo?

Segundo Carlos Gomes, presidente da PSA Peugeot Citroën Brasil e América Latina, cerca de 70 milhões de veículos leves produzidos no mundo, em 2012, deixaram lucro aproximado de US$ 50 bilhões. Desse total, US$ 18 bi foram ganhos na América do Norte; US$ 17 bi, na China; US$ 4 bi, na América Latina; US$ 2 bi, na Europa e US$ 9 bi no resto do mundo. Nossa região representou 8% das vendas e 8% dos lucros. América do Norte, 22% e 36%, respectivamente. Quem está mal mesmo é a Europa: 22% e apenas 4%.

Nos EUA há grandes distorções. Picapes e SUVs (45% das vendas) lá são considerados caminhões leves. Mas as margens são até quatro vezes maiores do que as de automóveis, o que não se considerou em pesquisa atribuída à consultoria IHS e ao Sindipeças. Pormenor: nos EUA não há importação de picapes pois o imposto tem alíquota de 25%, cerca de 10 vezes superior ao de automóveis, desproporcionalidade única no mundo. Em carros ganha-se um tantinho e em picapes/SUVs, um tantão...

Outro estudo recente, do Instituto de Planejamento Tributário, comparou preços com e sem impostos de algumas mercadorias nos EUA, Itália e Brasil. Claro, aqui tudo muito mais caro. Escolheram o Corolla entre os automóveis, mas só o confrontaram com os EUA, alegando ser modelo indisponível na Itália. Poderiam ter elegido o Focus, vendido nos três continentes. Será porque, sem impostos, a diferença de preço é pequena, ao contrário dos itens pesquisados?

De qualquer forma o cenário obrigará a diminuir a defasagem dos lançamentos, com impactos sobre rentabilidade. O site inglês just-auto chama a atenção de que mercados emergentes desejam comprar logo os carros expostos todos os dias na internet. E citou o caso da Honda, que decidiu descentralizar desenvolvimento e compras já a partir do novo Fit, abreviando seu lançamento aqui, em 2014. Até afirmou que a filial duplicará o número de engenheiros no País.

É o caso também da Fiat. Em Pernambuco produzirá crossover utilitário e picape média dele derivado já em 2015. Em 2016, versão utilitária para a marca Jeep e sedã médio baseado no Dodge Dart/Fiat Viaggio. Para Minas Gerais, ficará o subcompacto sucessor do Mille, em 2015. Tudo com forte participação técnica de brasileiros para agilizar.

RODA VIVA

DIMINUIÇÃO de importações e recuperação de estoques fizeram do mês passado o melhor março da história: 319 mil unidades, de todos os tipos, produzidas. No primeiro trimestre a recuperação da produção, em relação a 2012, foi de 12%. Até dezembro, Anfavea espera que as fábricas produzam mais 4,5% sobre 2012, apesar de exportações fracas.

QUANTO às vendas, o presidente da associação (em fim de mandato), Cledorvino Belini, acredita que o ano será bom. Mas preferiu manter, por enquanto, previsão de crescimento de 3,5% a 4,5%, mesmo com dois aumentos de IPI cancelados até o fim do ano. Chegou a admitir 5% de avanço em 2013. Comportamento do PIB será decisivo para os resultados.

MERCEDES-BENZ deu uma guinada com novo Classe A, em versões de R$ 99.900 e R$ 109.900. De pequeno monovolume passou a hatch de estilo arrojado e coeficiente aerodinâmico dos melhores (Cx de 0,27). Interior cresceu: entre-eixos generoso de 2,69 m. Bancos dianteiros de encosto alto e alavanca seletora de câmbio na coluna de direção agradam.

MOTOR turbo 1,6 L/156 cv tem ótimo torque de 25,5 kgfm, entre 1.250 e 4.000 rpm. Casa à perfeição com câmbio automatizado de dupla embreagem, sete marchas. Interessante função aciona o freio de estacionamento ao se pisar com firmeza o pedal de freio, quando em marcha-lenta. Faltam GPS e faróis de neblina, justo na versão mais cara (de série, na de entrada).

UNIÃO Europeia deve rever ciclos de teste de consumo de combustível em laboratório. Números otimistas demais e difíceis de reproduzir na prática, em especial modelos híbridos. Provavelmente vão optar por correção linear dos valores, como aconteceu nos EUA e no Brasil, pois novo ciclo foi adotado há pouco mais de quatro anos.

sexta-feira, 15 de março de 2013

Vazam os prováveis preços, equipamentos e versões do novo Peugeot 208 - quase cópia do Citroën C3

Com a data de lançamento se aproximando, mais informações sobre o novo Peugeot 208 começam a aparecer na internet. O Notícias Automotivas teve acesso a uma planilha com os prováveis preços, versões e equipamentos do modelo. E não é que, além da plataforma, dos motores e de outros itens, 208 e seu irmão gêmeo C3 devem compartilhar também o mesmo preço?

Tudo bem que Peugeot e Citroën fazem parte do mesmo grupo, PSA, mas, se as informações forem mesmo confirmadas, deixar tudo praticamente igual não me agradou nem um pouco.

As versões - Active, Allure e Griffe - e os valores do novo Peugeot foram confirmados por uma concessionária, enquanto a marca, obviamente, disse que os preços não serão esses. E espero que eles realmente não sejam, pois ficar até R$ 200 mais barato do que o caro Citroën C3 não é vantagem quase nenhuma.
Em termos de beleza, 208 supera o irmão C3 - Fotos acima: Peugeot/Divulgação
Mas, se alista lista de equipamentos for  bem mais generosa, a história muda de figura. A principal diferença que notei entre a informação do NA e os itens de série do C3 divulgados pela Citroën em seu site é a central multimídia touchscreen com GPS e Bluetooth. Para o 208, este equipamento será de série a partir da versão intermediária Allure, enquanto, para o C3, ele é opcional a partir da versão Tendance (a não ser que alguma coisa mude na linha 2014).

Por outro lado, desde a versão Origine, o Citroën C3 oferece, como item de série, retrovisores laterais com regulagem elétrica, o que, aparentemente, será de série apenas a partir do 208 Allure.

Mas ainda acho que, para elevar sua participação no mercado, a Peugeot deveria reduzir em R$ 2.000 o valor do 208 em relação ao C3, já considerando o IPI cheio (a partir de 1º de julho de 2013). Tudo vai depender mesmo da agressividade desejada da marca do leão. Mudar a postura está dando certo, por exemplo, para a Nissan e para a Renault. Do jeito que as coisas estão indo, fico com a impressão de que o Grupo PSA vai ficar "sempre na mesma".
Interior do Peugeot 208 brasileiro - Reprodução de Novidades Automotivas
O Peugeot 208 deverá ter preços variando entre R$ 39.990, com motor 1.5 8v flex (89/93 cv e 13,5/14,2 mkgf) e câmbio manual e (salgadíssimos) R$ 54.990 com transmissão automática de apenas quatro marchas e motor 1.6 16V sem tanquinho de partida a frio (115/122 cv e 15,5/16,4 mkgf).

Veja abaixo os prováveis preços e (alguns) equipamentos de série das versões do Peugeot 208 e compare com o já lançado Citroën C3.

Peugeot 208 Active – R$ 39.990
Motor 1.5 8V flex, ar-condicionado, direção elétrica, rodas de aço aro 15" com calotas, vidros elétricos dianteiros, travas elétricas, airbag duplo, freio ABS, protetor de cárter e regulagem de altura de banco e volante.

Peugeot 208 Allure – R$ 44.990
Itens da versão Active mais rodas de liga leve de 15", retrovisores elétricos, faróis de neblina, central multimídia touchscreen com GPS e Bluetooth, teto panorâmico e sistema de som.

Peugeot 208 Griffe – R$ 50.990
Itens da versão Allure mais motor 1.6 16V, rodas de liga leve de 16", ar-condicionado digital bi-zone, vidros elétricos traseiros, sensor de estacionamento traseiro e alarme.

Peugeot 208 Griffe automático – R$ 54.990
Adiciona câmbio automático de quatro marchas, trocas sequenciais e piloto automático.

X

Citroën C3 Origine - R$ 39.990
Motor 1.5 8V flex, ar-condicionado, direção elétrica, rodas de aço aro 15" com calotas, vidros elétricos dianteiros, travas elétricas, airbag duplo, freio ABS, protetor de cárter e regulagem de altura de banco e volante + brake light, travamento automatico das portas quando veiculo em movimento, travas das portas e porta-malas com comando à distância na chave, travas de segurança para crianças das portas traseira manual, banco traseiros bi-partido 1/3 - 2/3, computador de bordo, tomada 12V dianteira, porta luvas com refrigeração, preparação para som, retrovisores laterais externos com regulagem elétrica, entre outros itens.

Citroën C3 Tendance - R$ 45.090
Mesmo itens do Origine, além de faróis de neblina, lanternas diurnas de LED (DRL), indicador de temperatura externa, para-brisas ZENITH com ocultador manual, porta luvas com iluminação interna, rádio CD/MP3 Player com comandos na coluna de direção, seis alto-falantes, entrada USB e auxiliar, conexão bluetooth e sistema HIFI-like; vidros dianteiros com acionamento elétrico (vidro do motorista com one touch e anti esmagamento), vidros traseiros com acionamento elétrico, maçanetas e retrovisores na cor da carroceria e rodas em liga leve 15".

Citroën C3 Exclusive - R$ 51.190
Itens da versão Tendance mais motor 1.6 16V, faróis com acendimento automático foto sensível, retrovisor interno eletrocromo com guia de três leds, ar-condicionado automático, bancos dianteiros com apoio de braço (2), limitador e regulador de velocidade, limpadores do pára-brisa dianteiro com acionamento automático (sensor de chuva), tomada 12 V traseira - console central, maçanetas e capa dos retrovisores cromadas (infelizmente), rodas em liga leve 16" (modelo OKA) com inserto cromado e volante em couro c/ inserte em metal.

Citroën C3 Exclusive automático - R$55.290
Adiciona câmbio automático de quatro marchas, com trocas sequenciais por paddle shifts (borboletas) atrás do volante e piloto automático.

quinta-feira, 14 de março de 2013

Alta Roda - Salão de contrastes

Aberto até 17 de março, Salão de Genebra impressiona pelo número de lançamentos. Nessa 83ª edição, veículos elétricos e híbridos saíram de uma ala específica e se misturam aos demais. Não quer dizer que representem algo palpável do mercado suíço, um dos poucos na Europa ainda sem enormes recuos. Em 2013 responderão por apenas 3% das vendas. Já os nada racionais SUVs e crossovers vão capturar cerca de 40%, o que ajudou a quase aniquilar as inteligentes stations (peruas), cuja boa aceitação permanece na Alemanha.
LaFerrari - Ferrari/Divulgação
Interessante que os híbridos se destacam entre as maiores atrações em extremidades opostas. LaFerrari, legítimo sucessor do modelo Enzo, além de desenho arrebatador, entrega nada menos de 963 cv com ajuda de um motor elétrico (mesmo recurso do McLaren P1, também muito bonito, e “apenas” 916 cv). Supercontraste em relação ao VW XL1 e seus motores de 2 cilindros (48 cv) e elétrico (27 cv), primeiro carro no mundo a consumir incrível 1 L/111 km. Ele ainda não tem preço, ao contrário de R$ 3 milhões do LaFerrari. Mas, por enquanto, será até mais exclusivo: apenas 250 unidades (iniciais), contra 499 da série especial da marca italiana.

Em primeiro contato com o XL1, nos arredores de Genebra, o carro de dois lugares de carroceria extremamente aerodinâmica (Cx 0,19), bastante baixo (1,15 m) e portas do tipo asa de gaivota surpreendeu pelo contraste entre a silenciosa tração elétrica e o ruidoso motor diesel. Sua autonomia elétrica pode chegar a 50 km, desde que não se queira pedir ajuda ao motor a combustão e acelerar de 0 a 100 km/h em razoáveis 12,7 s (dado de fábrica).

Ainda sobre propulsão alternativa, a PSA Peugeot Citroën aposta suas fichas em um híbrido diferente. Associa motor a gasolina e ar comprimido, sem baterias e sem complicação mecânica do motor elétrico adicional, ambas de alto custo. Essa tecnologia, em parceria com a Bosch, parece promissora, porém ainda carece de mais testes e comprovação de viabilidade financeira.

Como a busca por economia é foco constante, o Range Rover Evoque se apresenta como primeiro veículo com caixa de câmbio automática (da alemã ZF) de nada menos que nove marchas. Também estará em outros carros, pois a caixa é tão compacta que permite uso com motor transversal.

Mercedes-Benz atiçou entusiastas com o incrível Classe A 45, da sua divisão esporte AMG. Dá para imaginar um compacto com motor de 2 litros turbo, de 360 cv/46 kgf∙m, maior potência específica já alcançada por um automóvel de produção seriada, de apenas quatro cilindros, até hoje?

Entre lançamentos que interessam ao Brasil, destaque para o SUV compacto Peugeot 2008, cuja versão definitiva surgiu em Genebra e será fabricado no Estado do Rio de Janeiro, no final de 2014. O sedã compacto anabolizado CLA, da Mercedes – estreia mundial no salão suíço – também será um dos escolhidos para produção aqui (decisão até meados de 2013). Outro estreante, crossover compacto Renault Captur, poderá ser opção de importação para a marca francesa, único fabricante nacional que só traz carros do exterior da Argentina.

Alfa Romeo 4C também atraiu muita atenção: serão apenas 3.500 unidades do cupê, de baixo peso (80% delas para os EUA). Em princípio, nenhuma para o Brasil.

RODA VIVA

ESTRATÉGIA de produção dos fabricantes, em fevereiro, foi de aumentar os estoques totais de 29 dias para 39 dias, a fim de atender aquecimento da demanda este mês. No final de março haverá nova subida do IPI e o tradicional apelo de “compre antes do aumento”. Primeiro bimestre do ano foi recordista em vendas: 547.000 unidades (veículos leves e pesados).
Hyundai/Divulgação
HYUNDAI acertou, de novo, no estilo do HB20S. Versão sedã do hatch compacto mostra equilíbrio de linhas e um terceiro volume sem parecer adaptado. Isso lhe custou, entretanto, volume no porta-malas: 450 litros, um dos menores do segmento. Manteve três versões de acabamento, além de motor de 1 litro (80 cv) e 1,6 litro (128 cv), ambos os mais potentes entre aspirados para a respectiva cilindrada.

DESDE as versões de entrada, há bom nível de equipamentos como ar-condicionado, sistema de som com bons recursos (Bluetooth e MP3), comandos elétricos para vidros, travas e espelhos, ajuste de altura do banco (não tão eficiente) e da coluna da direção em dois planos, entre outros. Melhor seria assistência elétrica na direção, no lugar da hidráulica. Repetido o erro de sonegar os freios ABS na versão básica, embora não esteja sozinho nessa política torta.

SUSPENSÕES têm correto compromisso conforto/estabilidade, mas continuam ruídos de batentes em descida de quebra-molas ou buracos profundos. Câmbio automático, mesmo com quatro marchas, é adequado. Faltam freios a disco nas rodas traseiras, pois se trata do compacto mais rápido do mercado. Somando sedã e hatch, HB20 deve se consolidar entre os cinco mais vendidos, em boa briga com Onix/Prisma. Já incluso IPI de abril, quando começam as vendas, preços vão de R$ 39.495 a R$ 53.595.

domingo, 3 de fevereiro de 2013

Alta Roda - Carros serão vendidos no futuro?

Entre as visões sobre o futuro do automóvel nas cidades aparece uma dúvida. Os carros continuarão a ser comprados (à vista ou financiados) como hoje ou a comercialização vai evoluir para a utilização partilhada em que o interessado pagaria exclusivamente pelo uso? Tudo indica que as duas opções coexistirão, mas a tendência é o avanço na direção dessa espécie de aluguel por horas ou mesmo por alguns dias.
Independentemente de uma concessionária vir a se tornar também uma locadora e vice-versa, dependendo da legislação específica de cada país, há experiências em curso. Compartilhar carros por curto prazo não é, de fato, uma novidade. Várias empresas especializadas em locação na América do Norte, Europa e até no Brasil já oferecerem esse serviço. Alguns fabricantes de veículos, porém, decidiram aprofundar esse negócio a fim de avaliar o real interesse de compradores em abrir mão da propriedade física em troca do simples uso em momentos convenientes.

Tudo começou em outubro de 2008 com a criação do projeto car2go, em Ulm, Alemanha. A iniciativa da Mercedes-Benz envolve o microcarro de dois lugares smart, sempre escrito em letras minúsculas, como o nome do projeto. A alternativa, no caso, foi que os automóveis não ficassem obrigatoriamente em postos fixos. Podem ser reservados, apanhados e devolvidos também em locais públicos, dentro de uma área previamente conhecida. Por isso, iniciou naquela cidade de 120.000 habitantes, a 100 km de Stuttgart, onde se poderia avaliar o funcionamento da operação com 200 unidades.

No momento está em 17 cidades da Europa, EUA e Canadá, a frota é pouco superior a 5.000 unidades e passou a incluir versões elétricas do smart. Recentemente, recebeu o reforço de uma plataforma de mobilidade, por meio da rede de telefonia celular, batizada de moovel (também em minúsculas).

O moovel é um aplicativo capaz não apenas de localizar e reservar os microcarros de aluguel de curto prazo. Também oferece um modo de avaliar as alternativas de transporte público com horários disponíveis, tempo de deslocamento e tarifas. O serviço inclui a possibilidade de chamar um táxi e até de pagar antecipadamente o serviço de ônibus, trem, bonde ou metrô. Existe a facilidade adicional de interagir às redes de programas de caronas, onde elas existirem. A flexibilidade, assim, é ampla, mas se aplica, por enquanto, às cidades de Stuttgart e Berlin.

A car2go parece uma operação consolidada e tem uma base internacional de mais de 200.000 clientes porque o sistema permite alta rotatividade da frota relativamente pequena. Não quer dizer que deu certo em todos os lugares: foi suspenso em Lyon, França.

BMW e Volkswagen também iniciaram experiências semelhantes. Já Renault e Peugeot-Citroën introduziram seus carros elétricos, por meio de uso compartilhado, em esquema parecido.

Toda essa organização, no entanto, mostra baixa adaptabilidade ao uso mais abrangente do automóvel, que inclui liberdade total de ir e vir por estradas e outros caminhos. Mas como no futuro há espaço para as chamadas rodovias inteligentes, não se descarta que possam se integrar aos programas urbanos.

quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

Grande notícia! Peugeot inicia produção do Peugeot 208 no Brasil. Preços precisam ser bem atraentes

Essa é a melhor notícia da Peugeot nos últimos tempos no Brasil! Finalmente a marca inicia a produção do belo 208 em Porto Real (RJ)! O modelo começa a ser vendido oficialmente no dia13 de abril.

Minha empolgação acontece porque não aguento mais ver o 207, o 207 Passion e a finada perua 207 SW nas ruas, assim como a invendável picape Hoggar (que, pelo visto, se aproxima da forçada aposentadoria). Vejam bem, não acho nenhum desses modelos ruins. Mas, na minha cabeça, eles representam a "velha Peugeot", uma companhia que foi perdendo mercado e a posição de "empresa com carros modernos e com visual bonito".

O 208 é o maior trunfo da marca do leão para recuperar o espaço perdido no mercado brasileiro. A expectativa é que 55 mil unidades sejam fabricadas em 2013 e que o modelo ajude a elevar as vendas da Peugeot entre 10% e 15% em 2013 se comparado a 2012. Para isso, além da qualidade superior do veículo (especialmente se comparado ao 207 BR), os preços precisam ser bem atraentes. Nada da versão básica custar a partir de R$ 40.000, como a Citroën faz com o C3.
Foram investidos R$ 800 milhões no projeto do 208 nacional, o que inclui as adaptações da fábrica carioca, que vai produzir 220 mil veículos anualmente (antes a capacidade era de 150 mil carros), em três turnos. Essa produção leva em consideração as marcas Peugeot e Citroën (PSA).

A fábrica de motores da PSA, que integra o Centro de Produção de Porto Real, recentemente teve sua capacidade de produção ampliada de 220.000 para 280.000 unidades por ano dos motores 1.4 8V flex, 1.5 8V flex e 1.6 16V (flex e a gasolina).

Assim como o C3, o 208 será comercializado com os propulsores 1.5 8V e 1.6 16V (sem tanquinho de partida a frio), enquanto o 1.4 8V ficará para o nosso atual 207, que continua em produção como veículo de entrada da Peugeot.
Antes do lançamento oficial em abril, 208 unidades especiais do 208, batizadas de Premier, deverão ser entregues no mês de março para os "felizardos" que pagaram o absurdo preço de R$ 54.990. Além do Brasil, o 208 nacional será exportado para outros países da América Latina, como Uruguai e Argentina.

Fica agora a expectativa a respeito das chegadas do belo sedã 301 e do SUV 2008.
Fotos: Peugeot/Divulgação

quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

Alta Roda - Conta pesada

O fechamento final dos números da indústria automobilística em 2012 foram bem próximos aos previstos pela Anfavea, mas alguns indicadores ficaram ligeiramente abaixo. Pode-se considerar o ano passado como de transição até a efetiva estreia agora do novo regime automobilístico, cujo título marqueteiro Inovar-Auto é exagero.

Produção caiu 1,9% em 2012 (primeira vez em nove anos), porém reagirá em 2013, um pouco ajudada pela recuperação de caminhões e ônibus, mas principalmente em razão de fábricas inteiramente novas em produção plena (Hyundai, Toyota e, modestamente, a Suzuki) e ampliações da Renault, PSA Peugeot Citroën e Mitsubishi, entre outras.

Anfavea estima que a produção crescerá 4,5% este ano. O Brasil perdeu para Índia a posição de sexto maior fabricante mundial de veículos (manteve quarta posição em vendas, em 2012). Recuperá-la não parece nada fácil.

Problema maior continuam sendo exportações que ajudam a manter empregos no Brasil. Depois de queda expressiva de 20% de 2012 sobre 2011, a previsão é outro tombo de quase 5% em 2013. Os mercados lá fora permanecem bastante debilitados, de fato, mas altos custos internos de produção e nossa moeda mais propícia a importar do que exportar dificultam tudo.

Vendas ao exterior representaram apenas 13% da produção, em 2012, quando o ideal seriam 25%. Em 2005, apenas a exportação de veículos montados significou cerca de 30% do total produzido, o que dificilmente voltará a se repetir. Este ano ainda haverá discussão com os argentinos, até junho, sobre o acordo de livre comércio que deve ser adiado pela terceira vez. Tudo indica que continuarão restrições para exportar para lá.

Quanto ao mercado interno, fator a observar é o ritmo de queda da inadimplência que ficou em 5,6% em 2012, cerca de dois pontos percentuais acima do normal. Isso impede queda mais expressiva dos juros, que já deveriam estar consistentemente abaixo de 1% ao mês para financiamentos típicos de 36 meses com 10% de entrada.

Também vale observar o papel dos bancos em relação aos chamados “feirões”. Até 2011 garantiam boas comissões às concessionárias graças aos juros altos. O cenário reverteu. Agora os fabricantes de veículos é que deverão prover rentabilidade mínima às lojas. Como se refletirá nos preços ao consumidor ainda é incógnita.

A volta do IPI cheio será gradual até o final do primeiro semestre, historicamente período mais fraco do ano. Assim, essa transição vem em boa hora.

Adoção mandatória dos rastreadores em 2013 ainda depende de outra rodada de testes, com frota de veículos em diferentes pontos do País. Se tudo sair bem, os fabricantes farão encomendas e instalarão em parte dos veículos (aplicação gradativa) justamente em julho, já com IPI alto restabelecido.

As fábricas, em produção seriada, colocarão as peças em locais que serão descobertos por ladrões de carros com facilidade. Teme-se que aumentem sequestros de motoristas para impedir ou retardar ordem de rastreamento, pois o serviço tem contratação opcional. Tomara que não se repita o mesmo triste episódio do estojo de primeiros socorros obrigatório, depois cancelado. Só que a conta agora é bem mais pesada.

RODA VIVA

JANEIRO começou com estoques totais de 24 dias, somando fábricas e concessionárias. Em condições normais, os estoques se situam em torno de 30 dias. Há um efeito estatístico, pois as vendas foram fortes em dezembro, mas também significa que não há tantos carros disponíveis ainda com o IPI mais baixo. Descontos precisarão ser “garimpados”.

PELO menos quatro fabricantes terão motores fabricados aqui com turbocompressores, nos próximos dois anos. Objetivo, no caso, será de redução de cilindrada a fim de diminuir consumo de combustível. Chevrolet, Ford, PSA Peugeot Citroën e Volkswagen estariam confirmados. Fiat e Renault também podem decidir a qualquer momento. No futuro, não haverá mais motores de ciclo Otto aspirados, a exemplo dos Diesel.

TURBOCOMPRESSOR ajudará a resgatar motores de um litro de cilindrada. Eles continuaram a cair na preferência do consumidor ao longo de 2012: 41,7% do total das vendas de automóveis (entre compactos de entrada o percentual é maior). Em 2011, a participação de mercado era de 45,2%. Principal explicação: aumento do poder aquisitivo dos compradores da base do mercado.

ATÉ meados de 2013, a indústria instalada no Brasil completará a produção de 20 milhões de veículos equipados com motores flexíveis etanol/gasolina. Marca realmente importante pois o primeiro motor desse tipo surgiu, timidamente, em março de 2003 (Gol, 1.600 cm³). Ou seja, apenas uma década para atingir a marca histórica.

SITES de prestações de serviço para facilitar a gestão do automóvel firmam-se na internet. Um deles, meucockpit.com.br, envia alertas sobre vencimento de impostos, seguros e acompanhamento da manutenção preventiva. Também oferece estatísticas de consumo de combustível, além de calcular o custo do automóvel por km rodado.

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Alta Roda - Bolo redividido

O que se pode esperar de 2013 para o mercado automobilístico? Crescimento haverá, sem dúvida, e as vendas alcançarão novo recorde – o sétimo consecutivo desde 2007. A incerteza está se a barreira mágica de quatro milhões de unidades (inclui caminhões e ônibus) será beliscada, atingida ou até superada. Para o resultado mais otimista as vendas teriam que subir 5% em relação ao projetado para 2012.

Até agora a maioria das apostas vai de 2% a 4%. A Anfavea espera algo entre 3,5% e 4,5% de elevação, o que significaria 3,98 milhões de unidades. Historicamente há relação entre crescimento econômico (medido pelo PIB) e o mercado de veículos. Mas as previsões frustradas do ministro da Fazenda ajudam pouco, embora dessa vez ele “garanta” um PIB superior em 4% ao deste ano. Se acontecer, os quatro milhões de veículos novos circularão em 2013.

Independentemente do que acontecer com a economia, há fatores positivos e negativos. Entre os que puxam para baixo as previsões aparece justamente o ano que finda. As vendas cresceram bem acima da expansão econômica brasileira graças à redução temporária do IPI, que no fundo significou antecipação de compras. Mesmo que no fraco primeiro trimestre de 2013 ainda exista um rescaldo do IPI baixo, seja por estoques remanescentes de 2012 ou alguma bondade de última hora do governo, o estímulo fiscal vai se diluir.

Não deverão ocorrer tantos lançamentos que atiçam a demanda: de cerca de 40 deste ano (importados incluídos), umas 20 novidades estão previstas para 2013. O maior problema, no entanto, reside nos preços. Ao contrário da voz corrente, eles baixaram em cinco anos quase 15%: basta consultar as tabelas médias desde 2008.

O valor real dos carros, por sua vez, caiu ainda mais, por que a inflação desse período de cinco anos (2012 incluído) foi de 34% e os compradores, em geral, acumularam renda superior à inflação. Os preços só se comportaram em função de maior concorrência, inclusive com importados, e imposto menor em alguns períodos.

A conjugação dos astros, porém, será infeliz no ano de final 13. Além da volta do IPI, mais carros deverão ter custos aumentados por equipamentos importantes como airbags e ABS. Para complicar o cenário, o discutível rastreador virá como equipamento obrigatório, mesmo que o motorista não deseje habilitá-lo. Trata-se de afronta ao bom senso e ao bolso do consumidor, em especial de quem vive longe das grandes cidades.

O impacto nos preços, porém, pode ser arrefecido por se tratar do primeiro ano completo de novos atores no mercado, como Hyundai e Toyota com fábricas a pleno, além de ampliações de instalações da Renault e da PSA Peugeot Citroën. GM terá seu primeiro ano cheio de renovação quase total de linha (só ficaram Celta e Classic) e, igualmente, a Ford (manterá Ka e Fiesta Rocam). Fiat e Volkswagen provavelmente sentirão esse tranco, pois só terão produtos novos em 2014.

Ocupar o máximo possível da capacidade instalada, enquanto fabricantes entrantes não concluem outra leva de novos produtos, pode ajudar a manter preços alinhados à inflação estimada em 5% em 2013. Os que forem além, repassando aumentos de custos sem estratégia equilibrada em mente, terão motivos para sérias preocupações.

O bolo do mercado ficará redividido e as quatro marcas veteranas continuarão a perder participação. A melhor defesa continua a ser o menor preço ou oferecer mais por preço igual.

RODA VIVA

CASO a nova lei pegue, também os automóveis terão a terrível cadeia de impostos exposta na nota fiscal. Chegou o momento de as tabelas sem tributos serem exibidas nas concessionárias, que sempre acenaram com essa providência, mas recuavam na hora agá. É assim nos EUA: imposto às claras. Aí as comparações de preços ficarão mais bem ajustadas.

ASSOCIAÇÃO de importadores sem fábricas no Brasil, Abeiva, espera um ano de 2013 com crescimento de 17% sobre 2012. As 150.000 unidades previstas refletem as cotas que o governo criou tanto para as marcas que só importam como as que anunciaram produção nacional. A Kia permanece estacionada, pois o importador, Grupo Gandini, ficou, por enquanto, sem opções viáveis que só a matriz na Coreia do Sul poderia resolver.
Chevrolet/Divulgação
ONIX é compacto certo (R$ 35.000 a R$ 42.000), na hora certa para a Chevrolet. Com motor adequado ao seu porte, 1,4 l/106 cv (o de 1 litro é fraco), destaca-se pelo nível de ruído mais baixo que a média do segmento e atmosfera interior bem agradável. Espaço muito bom para pernas, cabeças e ombros. Dava para dispensar banco do motorista tão alto e falha ergonômica dos puxadores de portas.

FABRICANTES de turbocompressores estão otimistas com a evolução que as novas exigências de menor consumo de combustível trarão para os motores aqui fabricados. “Antes não cansávamos de bater à porta dos fabricantes. Agora eles também batem à nossa porta”, revela Arnaldo Iezzi Jr., diretor-geral da BorgWarner, que vai inaugurar nova fábrica em Itatiba (SP), em 2013.

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Alta Roda - Bom de samba

Nesse ano histórico de grandes lançamentos e, principalmente, de novos fabricantes estreando no segmento de hatches compactos, o mais importante do mercado brasileiro, o Chevrolet Onix, de fato, se destaca por, digamos, o conjunto da obra. Comparado ao HB20 e ao Etios, outras novidades de impacto, não é mais bonito que o Hyundai, mas as linhas são bastante atraentes. Não é o mais aerodinâmico (Cx 0,35), porém ganha no espaço interno pela maior distância entre eixos (2,52 m) e largura (1,70 m).
Chevrolet/Divulgação
Trata-se do verdadeiro sucessor do Celta como carro-chefe da marca, embora este continue em produção mesmo depois de 2014, quando receberá airbags e freios ABS por obrigação legal. A fábrica prevê vendas médias de 12.000 unidades/mês, em 2013, cerca de 40% além do veterano que acabou de completar 12 anos de mercado com poucas alterações. Sua versão sedã, o Prisma, não é mais fabricada em Gravataí (RS) e terá o Onix sedã como herdeiro. Difícil ficou a sobrevivência do Agile.

Derivado da plataforma mundial GSV, é 3 cm mais estreito e 11 cm mais curto que o Sonic hatch. Mas não herdou dele a coluna de direção com regulagem de distância. O porta-malas menor (265 l contra 280 l) do modelo mexicano deixou mais espaço para pernas no banco traseiro que o brasileiro. O quadro de instrumentos do Onix exibe simplicidade agradável, enquanto o interior é muito bem cuidado.

Interessante a tela tátil multimídia de 7 pol, MyLink (acrescenta R$ 1.200,00, a partir do segundo catálogo). Não possui GPS, mas pode importar de um celular inteligente o aplicativo de navegação BringGo, que custará R$ 100,00. Preço do Onix é competitivo: de R$ 29.990 (motor de 1 litro) com ABS e airbag a R$ 41.990,00 (motor 1,4-litro). Câmbio automático de seis marchas, único entre os compactos, chega em seis meses.

Uma das surpresas os engenheiros conseguiram com os motores. Em resposta às críticas de tecnologias de reco-reco usadas no Brasil, o de 1 litro alcança nada menos de 80 cv (etanol) com oito válvulas e comando simples. Potência igual em relação à sofisticada unidade de duplo comando variável e multiválvulas do HB20, que tem apenas mais 4% de torque. Motor de 1,4 l/106 cv (etanol) entrega mais potência e mesmo torque que o também elaborado e de maior cilindrada do Etios, de 1,5 l.

Inadmissível a GM continuar sonegando dados de consumo de combustível. Birra sem sentido em relação às regras, iguais para todos, do Programa Brasileiro de Etiquetagem, que já agrega 19 fabricantes. Informa, apenas, que os motores ficaram até 6% mais econômicos em relação aos antigos. Sem a transparência dos índices, de pouco vale.

Boa a posição ao volante. Fácil regular a distância do banco por uma barra de um extremo ao outro do assento. O carro mostra-se acertado em curvas, mais para macio do que duro, tem câmbio de engates precisos e desempenho superior à média do segmento para uma massa total entre 1.012 kg e 1.067 kg. Surpreende o conforto acústico pelo isolamento triplo das portas.

Visibilidade traseira pelo espelho interno é deficiente. Abertura do porta-malas pode ser remota, por botão na chave, mas esta tem que estar fora do local da ignição. Porta-luvas pequeno, porém há vários porta-objetos, inclusive tiras de fixação no console de túnel.

RODA VIVA

AMPLIAÇÃO do acordo entre Opel (subsidiária alemã da GM) e PSA Peugeot Citroën pode levar a futura aliança ou mesmo fusão das operações. Não está claro como afetaria filiais fora da Europa, inclusive do Brasil. Carlos Ghosn já havia dito, no Salão de Paris, que “nem Renault nem Nissan teriam sobrevivido sem a aliança”, indicando a grave situação europeia.

FROTA brasileira de veículos de quatro ou mais rodas – 35 milhões de unidades, em 2011 – continua a subir. Em 2010 passou a do México e este ano pode superar a da Grã Bretanha, alçando a sexta posição na classificação mundial. Estatística se refere à frota real e não à teórica (50 milhões), divulgada pelo Denatran, que desconsidera o sucateamento.

HYUNDAI HB20 surpreende pela desenvoltura do motor de 3 cilindros/80 cv, no trânsito urbano, sem decepcionar em estrada, desde que não carregado. Mais áspero que um 4-cilindros, porém de timbre agradável, assim como a atmosfera interna. Bons freios e câmbio manual, em nível acima das suspensões, de pouco curso e que não apreciam piso irregular.

PRIMEIRO Nordeste Autoshow será de 25 a 28 de abril de 2013, em Recife (PE). Organizado pela Reed Alcântara, responsável pelo Salão do Automóvel de São Paulo, exibirá automóveis, motocicletas e barcos, além de fornecedores dos setores. O Nordeste é considerado promissor para feiras e eventos de porte.

INICIATIVA do Detran paulista merece adoção por outros Estados: aviso por carta, com antecedência de 30 dias, sobre vencimento da carteira de motorista. Se esquecido, traz sérios inconvenientes, além de multas. Há prazo adicional de 30 dias, após o vencimento, que dá flexibilidade ao motorista.

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Alta Roda - Da pesquisa à prática

Congressos e seminários técnicos que integram os calendários anuais de eventos da indústria automotiva passam a desempenhar um novo papel. O regime Inovar-Auto, criado pelo governo para o período 2013-2017, mas que certamente irá além, estimula pesquisas no país. Aqueles fóruns deverão focar também no que estiver ao alcance do bolso dos motoristas.

O Simpósio Internacional de Engenharia Automotiva (Simea 2012) teve sua pauta estudada, como sempre, com antecedência a fim de atrair trabalhos técnicos e palestrantes. O tema desse ano -- transporte e trânsito mais sustentáveis - centrou-se em problemas de infraestrutura com ênfase na ampliação do transporte urbano sobre trilhos.

São Paulo, maior cidade do país, tem apenas 74 km de metrô, porém dobrará sua extensão em quatro anos. Alternativa do monotrilho suspenso, solução mais barata e rápida de construir, adicionará 64 km. Estudos indicam que dois terços dos motoristas trocariam automóveis pelo transporte público confiável, confortável e rápido.

Redução de acidentes também foi abordado no Simea 2012. Fabricantes no exterior trabalham com o conceito de segurança integral: freios inteligentes e sinalização de alerta capaz de detectar motociclistas e ciclistas nos pontos cegos dos veículos.

O 21º Congresso da SAE Brasil, no início de outubro e uma semana após o Simea, conseguiu adaptar algumas pautas ao iminente anúncio do novo regime automotivo. Economia de combustível, um dos pontos importantes na evolução dos automóveis aqui fabricados, valoriza recursos como o sistema desliga-liga o motor.

Há duas evoluções prontas no exterior: desligar o motor já abaixo de 20 km/h, mais útil em cidades, e o desligamento do motor e da transmissão, sob certas condições, em estrada. Mesmo na versão básica, o potencial de economia pode chegar a 13% no trânsito urbano pesado.

No entanto, consumo regulamentado representa média ponderada (ou combinada) cidade-estrada e a diminuição homologada fica em torno de 4%, o que exigirá muito esforço ainda. Redução no peso do carro e do motor é outra estratégia admitida.

A injeção direta de combustível, pelo custo difícil de diluir nos modelos de menor preço, pode demorar. Falta o desenvolvimento para os motores flex ao consumir 100% de etanol (E100), embora disponível nos países que utilizam E85 (15% de gasolina). Turbocompressores também ajudarão na redução de cilindrada/consumo, processo conhecido por downsizing. No passado foram usados até em motores de 1 litro. Agora o foco passou da potência maior ao consumo menor.

Na exposição do Congresso SAE várias tecnologias foram apresentadas. Entre elas as manobras de estacionamento automáticas em que o motorista só precisa introduzir alguns comandos. E, em breve, a novidade: poderá sair dele e, ao toque de um botão, o automóvel estacionará sem dificuldade, mesmo em vagas transversais típicas das garagens e estacionamentos apertados.

Os abrangentes painéis de apresentações e debates deram mostra, já nessa edição, que congressos e simpósios deverão se concentrar na discussão de aplicações práticas, sem deixar de lado o aspecto de pesquisa pura ainda pouco estruturada e valorizada no Brasil. De alguma forma, isso terá de acontecer.

RODA VIVA

FUTURO Ford Ka, a produzir na unidade de Camaçari (BA), será diferente do Ka europeu. Deverá ter um pouco mais de espaço, porém não se afastará muito em estilo, dentro do conceito da marca de unificação mundial dos projetos. Aqui, haverá uma versão sedã quatro-portas, logo depois do lançamento do hatch, previsto para o primeiro trimestre de 2014.

RENAULT admite que houve mal-entendido em relação aos seus motores Hi-Flex. Eles não dispõem de gerenciamento eletrônico específico para rodarem nos países vizinhos, com zero de etanol na gasolina. Podem circular por lá, sem problemas, mesmo em viagens longas, porém não de forma permanente. Motores exportados para lá têm calibração específica.

CRISE de vendas na Europa e prejuízos acumulados devem levar a PSA Peugeot Citroën e a subsidiária alemã da GM, a Opel, a ampliar acordos de produção e até se fundir, como se especula. Em outro movimento, Volkswagen estuda criar uma nova submarca, específica para países de menor poder aquisitivo.

MUITOS desses países puxam, hoje, a demanda mundial de automóveis. Estratégia da Renault e da GM, com produtos mais simples, bom espaço interno e preços em conta, têm conquistado compradores. O Brasil está dentro desse cenário, embora para vender aqui sejam necessários airbags e ABS de série, a partir de 2014. O que não exatamente é um problema.

CERTAS pegadinhas na internet (os "hoaxes") fazem muitos acreditarem em coisas absurdas. Lojistas orientam quem compra um extintor de incêndio a retirar o plástico que o envolve, sob pena de multa. Não existe penalização prevista para isso. Apenas para facilitar a leitura do manômetro do extintor pode-se afastar ou rasgar o plástico em volta, sem obrigação de fazê-lo.

quinta-feira, 1 de março de 2012

Alta Roda - Respeito verdadeiro

O Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro) publicou a quarta edição de seu Programa Brasileiro de Etiquetagem Veicular (PBEV) para avaliar o consumo de combustível. Ao considerar as várias omissões do governo federal em termos de controle da frota circulante, falta de inspeção técnica de segurança e estabelecimento de um verdadeiro programa de avaliação de veículos novos, com normas específicas para o país, que incluísse um centro de testes de colisão contra barreira, a iniciativa do Inmetro em colaboração com outros órgãos e ministérios é vitoriosa.
Fiat/Divulgação
O programa ainda contém imperfeições, entre elas a classificação de subcompacto, compacto, médio, grande, utilitário esporte, fora de estrada, minivan, comercial e carga derivado (de autos). Mas essa, de fato, não é missão fácil ao considerar a área projetada no solo, enquanto surgem modelos difíceis de classificar hoje em dia. Manter a adesão voluntária por parte dos fabricantes merece crítica, apesar de os 105 modelos avaliados (quase 60% mais sobre 2011) responderem agora por 55% das vendas totais. A partir de 15 de abril, no entanto, a etiqueta precisará estar nos carros participantes exibidos nas lojas, a exemplo de outros países. Deveria ser obrigatório também nos manuais.

Entre os que mais respeitam os consumidores, quanto à informação fundamental, estão Fiat, Ford, Honda, Kia, Peugeot, Renault, Toyota e Volkswagen. Outras 40 marcas à venda continuam se escondendo, mesmo que a norma NBR 7024, baseada em parâmetros dos EUA, tenha sofrido, lá como aqui, uma correção para se aproximar do modo normal de utilização por 80% dos motoristas. A desculpa comum é o conflito entre medições de laboratório (necessárias pela repetibilidade) e uso real que, às vezes, pode parar na Justiça. Porém, faz parte dos riscos do negócio.

Se todos os veículos se enquadrassem no PBEV, se evitariam algumas distorções ainda observadas. Carros da Peugeot, por exemplo, que ainda nem estão à venda, como o 508, aparecem na lista, enquanto o 408 está de fora. A outra marca do grupo, a Citroën, também está de fora.

Modelos que conquistaram a nota máxima (A) do PBVE/2012, na classificação de tamanho citada acima: Mille Fire Economy (1,0) e Uno Economy (1,4); Siena Fire (1,0), Fit (1,4), Sandero (1,0), Gol G4 Ecomotion (1,0) e Polo Bluemotion (1,6); Logan (1,0); Fusion Hybrid (2,5), Civic (1,8), Fluence (2,0) e Corolla (1,8). Nenhum utilitário esporte recebeu nota A, incluindo os pseudo-modelos “aventureiros”. Único minivan, Doblò (1,8), também não. Duster 4x4 (2,0), Kangoo Express (1,6) e Saveiro (1,6) completam o ranking.

Alguns modelos, normalmente mais caros, são avaliados com e sem ar-condicionado ligado, além da possibilidade de utilizar caixa de câmbio manual ou automática. Assim, é preciso analisar com atenção para fazer a escolha correta. Todos os dados aparecem em http://www.inmetro.gov.br/consumidor/pbe/veiculos_leves_2012.pdf.

Ainda não foi agora que consumo e emissões de gases (chamada de Nota Verde, do Ibama) aparecem em uma única classificação. Existe uma portaria conjunta assinada. Por enquanto, de prático, só a intenção.

RODA VIVA

RUMORES dão conta de acordo entre GM (Opel) e PSA Peugeot Citroën para enfrentar dificuldades crescentes do mercado europeu. É possível que o grupo americano adquira 7% do capital do francês. Meta: administrar capacidade instalada, compras e pesquisa/desenvolvimento. Com esse movimento, operações da Fiat na Europa ficariam sob enorme pressão.

FORD não confirma, mas parece decidido que futuro novo Fiesta será fabricado mesmo em São Bernardo do Campo (SP). Na fábrica de Camaçari (BA), maior e mais moderna, ficarão EcoSport e novo Ka, que será o carro-chefe em volume de vendas da companhia. Daí a decisão de instalar na Bahia a fábrica de motores de três cilindros e a sua versão EcoBoost (turbo).
Volkswagen/Divulgação
TIGUAN (R$ 115.650) mostra um dos melhores conjuntos para quem gosta de SUVs mais “civilizados” em termos de porte e dirigibilidade. Motor TFSI de 200 cv (turbo) e câmbio automático de seis marchas servem com folga a esse 4X4 de 4,43 m de comprimento, adequado ao uso urbano. Muito útil o freio de estacionamento automático no para-e-anda do trânsito.

EMPRESA canadense Argo se prepara para lançar no Brasil em abril o seu anfíbio 750 HDi. Trata-se de um pequeno veículo de trabalho, tração 8x8 e capaz de levar até seis pessoas, incluído o condutor. Destaques são versatilidade e capacidade de enfrentar qualquer terreno, mesmo com motor de baixa cilindrada. Pormenores: http://www.argoatv.com/.

MICHELIN E GOODYEAR estão juntas na pesquisa para produção de pneus a partir do açúcar como matéria-prima. Empresa de biotecnologia Genencor, parceira do projeto, desenvolve micróbios selecionados para obter isopreno, o derivado de petróleo usado na obtenção de borracha sintética. Ainda são necessários de três a cinco anos para comprovação de viabilidade.

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Alta Roda - Falta de senso

Passou despercebida ou mal divulgada a publicação no Diário Oficial da União, dia 4 de janeiro último, da lei 12.587 que cria a Política Nacional de Mobilidade Urbana. Como sempre longo e pródigo em minúcias desnecessárias, o novo diploma legal tenta ordenar o caos no que os transportes urbano (em bem maior escala) e interestadual transformaram as médias e grandes cidades brasileiras.

O preocupante é a institucionalização do chamado rodízio baseado em finais de placas, maneira mais covarde de enfrentar os problemas de circulação. O artigo 23 lista algumas providências de que os entes federativos podem lançar mão, entre eles o pedágio urbano, sem se referir especificamente a automóveis:

•    Restrição e controle de acesso e circulação, permanente ou temporário, de veículos motorizados em locais e horários predeterminados.
•    Aplicação de tributos sobre modos e serviços de transporte urbano pela utilização da infraestrutura urbana, visando a desestimular o uso de determinados modos e serviços de mobilidade, vinculando-se a receita à aplicação exclusiva em infraestrutura urbana destinada ao transporte público coletivo e ao transporte não motorizado e no financiamento do subsídio público da tarifa de transporte público, na forma da lei.


Em outras palavras os erros de planejamento não são atacados. Cuida de paliativos e nem procura incentivar os modais que realmente funcionam como o transporte sobre trilhos (superfície, suspenso e subterrâneo).

Essa lei ainda cria conflitos com o Código de Trânsito Brasileiro (CTB) que, exatamente por ser um código, tem prioridade institucional. O CTB explicita, de forma clara, que o rodízio para controle de circulação só pode se implantar com fins ambientais. Para resolver problemas de congestionamentos não seria possível, mas como estamos no Brasil, fica tudo por isso mesmo. A cidade de São Paulo implantou o rodízio sem as placas regulamentares, também em desacordo com o CTB.

Ainda no artigo 23, existe a obrigatoriedade dos entes federativos monitorarem e controlarem os gases de efeito local e de efeito estufa dos modos de transporte motorizados. O artigo 24 dá um prazo de três anos para que elaborem seu plano de mobilidade urbana, se desejarem receber recursos federais para esse fim. Pode ser um incentivo para os programas de controle de poluição veicular, dependentes de ações de estados e municípios, hoje mal coordenadas e com sérias distorções onde já se implantaram.

O estado do Rio de Janeiro uniu as inspeções ambiental e de segurança, porém longe de alcançar eficiência mínima. Ruim com ele, pior sem ele, é o que se pode dizer.

Em São Paulo, com sua frota maior do que a de vários estados, apenas a inspeção ambiental está tecnicamente bem implantada, apesar dos erros de procedimento iniciais. A tarifa do serviço, muito acima do razoável, sofreu este ano a primeira redução de 30%, motivo de comemoração. A principal distorção, no entanto, continua sem a atenção do Ministério Público. Ao contrário da experiência internacional que indica a inspeção ambiental no terceiro ou quarto licenciamento, em São Paulo carros com apenas três meses de uso devem se submeter ao controle. Total falta de senso.

RODA VIVA
Fiat/Divulgação
APESAR de alguma semelhança com o atual 500, a Fiat trata o 500 L (Large, grande em inglês) como sucessor do Idea. Será lançado em março no Salão de Genebra e terá versões de cinco e sete lugares. Vendas na Europa começam em julho. Usa mesma arquitetura de carros compactos do grupo, que vai gerar o futuro Punto.

ANÁLISES na Europa deixam a entender que restam poucas alternativas à possível fusão entre os grupos PSA Peugeot Citroën e Fiat-Chrysler. Os dois conglomerados, separadamente, não poderiam enfrentar os gigantescos investimentos já alocados pelo grupo VW-Porsche. Participação somada de franceses e italianos, no mercado europeu, é menor que a do grupo alemão.

AUDI Q3 impressiona pelo estilo atual, em particular visto de ¾ de traseira, interior muito bem cuidado e combinação de recursos eletrônicos. Dimensionalmente semelhante ao Tiguan, o motor oferece mais 11 cv, quatro opções de controle de rodagem e um sistema atualizado do conhecido recurso de roda-livre para poupar combustível. Estará no mercado em abril.
Peugeot/Divulgação
MAGNÍFICO motor quatro cilindros turbo de 1,6 litro/165 cv (projetado pela BMW) passa a equipar o Peugeot 408. Trata-se da mesma unidade já usada nos 3008 e RCZ, além dos Minis. Será a versão de topo, Griffe THP, deste sedã derivado do 307/C4, fabricado na Argentina, ao preço de R$ 81.490.

GOVERNO Federal pretende endurecer a “Lei Seca”, não tão seca assim, pois há uma pequena tolerância. Gestiona junto ao Congresso multas ainda mais pesadas para quem beber e dirigir, além de penas administrativas (suspensão da carteira de habilitação) mais severas. Também prevê outros métodos de avaliar o nível etílico – testemunhas, entre outros – no caso de recusa ao bafômetro.

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Governo divulga lista das 18 montadoras livres do aumento do IPI

O governo divulgou hoje a lista das 18 montadoras instaladas no Brasil que estão livres do pagamento do  IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) mais alto na produção de veículos em território nacional até dezembro de 2012.

Agrale
Fiat
Ford
General Motores (Chevrolet)
Honda
Hyundai (CAOA)
Iveco
MAN
Mercedes-Benz do Brasil (caminhões)
Mitsubishi (MMC Automotores)
Nissan
PSA Peugeot Citroën
Renault
Scania
Toyota
Volkswagen
Volvo (caminhões)
International Indústria Automotiva da América do Sul

Todas atendem as regras de produção nacional e de investimento em inovação, o que inclui ter 65% de peças nacionais na montagem do veículo, conforme estudo realizado pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. Essas condições integram o plano “Brasil Maior”, criado no fim do ano passado para "estimular" a indústria nacional, especialmente as montadoras já instaladas em território brasileiro, e para "atrair" as estrangeiras a construirem fábricas no país - sem contar que serviu para acabar com o "oba-oba" das marcas chinesas.

É curioso observar que a Mercedes-Benz, mesmo com fábrica em Juiz de Fora (MG), só conseguiu a isenção do IPI para caminhões. Mas isso é compreensível, já que a planta mineira sempre foi uma incógnita.

As outras marcas, como Aston Martin, Audi, Bentley, BMW, Changan, Chery, Chrysler, Dodge, Effa Changhe, Effa Hafei, Ferrari, Hafei Motor, Haima, Jac Motors, Jaguar, Jeep, Jinbei Automobile, Kia Motors, Lamborghini, Land Rover, Lifan, Maserati, Mini, Porsche, SsangYong, Suzuki e Volvo sofrerão com o aumento da alíquota de 30 pontos percentuais sobre o IPI, que varia de 7% a 25%, dependendo da motorização do veículo.

O que você acha dessa história toda?

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Alta Roda - Carros de representação

Em 2011 se comemoram os 125 anos do surgimento dos primeiros automóveis patenteados. Algumas tentativas de criar um veículo com propulsão própria foram feitas antes de 1886. Ideias anteriores não se tornaram viáveis. A história reserva a primazia a dois pioneiros – Karl Benz e Gottlieb Daimler – que no mesmo ano, em cidades diferentes da Alemanha, de forma independente, patentearam um triciclo e um quadriciclo, respectivamente.

Naquela época, as comunicações não eram tão boas e os dois empresários nunca se conheceram pessoalmente, apesar de concorrentes. Daimler morreu em 1900. Mas, as duas empresas – Benz & Cie. e Daimler-Motoren-Gesellschaft – acabaram se fundindo, em 1926, sob o nome Daimler-Benz. A marca Mercedes surgiu em 1901, quando o influente homem de negócios austríaco Emil Jellinek, sugeriu que um dos modelos Daimler, modificados para competição, recebesse o nome de sua filha de dez anos.

A nova marca logo criou vínculos aos incipientes veículos de representação. Esses modelos começaram a aparecer no início do século XX, mas não despertaram a atenção de reis e nobres. Um exemplo foi o czar russo Nicolau, entusiasmado por cavalgar, que valorizava os velhos costumes, sem atenção aos automóveis. O imperador alemão, Wilhelm II, mostrava atitude semelhante.

Cavalos e carruagens eram o símbolo máximo de mobilidade para a nobreza europeia. A burguesia endinheirada e emergente evoluiu mais rapidamente. Logo percebeu que automóveis poderiam ser usados para igual fim, desde que contassem com conforto e evolução mecânica. Aos poucos estábulos foram cedendo lugar a pátios e garagens.

A Daimler-Benz percebeu isso e tratou de atender essa demanda. Aí entra a visão de Jellinek ligada também às corridas automobilísticas. Era um aficionado e deu importantes contribuições aos automóveis de representação. Quando encomendava seus carros, não se ligava em carruagens ou modelos apenas alargados e encompridados. Sem abrir mão do conforto e imponência, exigia sempre um motor potente que se colocava no alto da hierarquia do oferecido naqueles dias. E o motorista viajava protegido e não exposto, como em outros modelos.

Em reconhecimento ao austríaco, um modelo 1907, inspirado por ele, está no Museu Mercedes-Benz, em Stuttgart, cidade-sede da companhia. A marca criou vários desses tipos de carros. O principal ícone foi o modelo 600, e sua versão esticada Pullman, usado por chefes de estado, reis, rainhas e príncipes, altos funcionários de governos e empresas, além de artistas e famosos em geral. Lançado em 1963, saiu de cena em 1981, depois de 2.677 unidades produzidas.

Apenas em 2002, a empresa voltou ao mercado revivendo a Maybach, de vínculos históricos com a Daimler e base do primeiro Mercedes. A intenção era ter um concorrente direto para o Rolls-Royce, mas a iniciativa não deu certo e a marca desaparecerá em dois anos.

Carros de representação ajudaram as três marcas alemãs a desenvolver o conceito e as características dos atuais modelos premium. Audi, BMW e Mercedes-Benz, claro, não estão mais sozinhas. Entre outras, as japoneses Acura (Honda), Infiniti (Nissan) e Lexus (Toyota) também são concorrentes, em especial no mercado americano.

RODA VIVA

AINDA por decidir pormenores, a Fiat quer mesmo fabricar produtos Chrysler no Mercosul (terceira tentativa da marca americana). Único modo de importar modelos Dodge e RAM do México sem pagar imposto de importação e ter o desconto do IPI majorado para os produtores instalados no Brasil. Nova fábrica de Goiana (PE) seria candidata natural, mas o tempo urge...

PRIMEIRA fábrica de motores no Nordeste, em Camaçari (BA), produzirá 210.000 unidades/ano. A Ford esconde a configuração, porém é provável eleger unidades de três cilindros. Afinal, se sabe que PSA Peugeot Citroën, GM e VW trilham o mesmo caminho. Fiat também tem o seu projeto, mas há rumores de que essa a opção “esfriou”.

FINALMENTE, caíram as taxas protecionistas que tiravam a possibilidade do Brasil exportar etanol de cana-de-açúcar para os EUA. Nada deve mudar em curto prazo. Mas abre espaço para o etanol ser cotado em bolsa de mercadorias e ter seu preço previsível. A entressafra de lá é a safra daqui (e vice-versa), o que complementará os dois mercados de forma ideal.

CONTRAN, quase inoperante ao longo de 2011, terminou o ano com decisão polêmica. Não é mais obrigatória a sinalização da posição de radares em ruas e estradas. Bom lembrar que vários países adotam esse aviso, embora alguns deixem de indicar a localização exata. Para o Brasil, pátria da indústria de multas, certamente é má notícia.

MOTORISTAS devem preparar o bolso para 2012, além do efeito de radares-armadilha. Seguros de veículos ficarão mais caros. Um componente, claro, são acidentes e roubos. Só que a rápida escalada de vendas dos últimos anos tornou lenta a distribuição de peças de reposição, estendendo prazos de reparação e, em consequência, seus custos.

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Alta Roda - Ocupando espaços

Uma notícia no começo deste mês, vinda dos EUA, chamou a atenção sobre as interpretações conflitantes e certos interesses envolvidos nos vários programas de avaliação de segurança de carros novos (NCAP, em inglês) em torno do mundo. A Fiat gastou cerca de US$ 500 milhões (quase o investimento em um produto novo) para adaptar o subcompacto 500 às leis de segurança dos EUA, diferentes da Europa. Um automóvel muito pequeno tem grande dificuldade em atingir nota máxima, tanto que possui sete airbags, sendo uma bolsa inflável para joelho do motorista (retirada da versão exportada do México para o Brasil).
O teste oficial é feito por entidade do governo americano e o 500 alcançou apenas três estrelas, de cinco possíveis. Outra avaliação, do instituto ligado às seguradoras, aprovou o modelo com nota máxima. Marcus Romaro, engenheiro especialista independente, confirma: “Programas de segurança passiva ao redor do mundo diferem significativamente entre si, seja nas configurações dos testes, nas medições de lesões nos dummies (bonecos instrumentados) e quanto à ponderação da pontuação”.

Isso leva, de novo, à discussão dos procedimentos da organização não governamental (ONG) Latin NCAP, que se baseia, parcialmente, em critérios do EuroNCAP. Os objetivos de estimular a redução das consequências de acidentes são nobres, mas esbarra em contradições e na vontade velada de favorecer os métodos da entidade. A começar pela velocidade do choque contra barreira física. A Organização das Nações Unidas, considerando diferenças de poder aquisitivo dos mercados internos entre estados-membros, preconiza 56 km/h. No Euro/Latin NCAP, a velocidade é de 64 km/h. Pode parecer pouco, porém muda bastante os resultados. No China NCAP (do governo) – adivinhe – são 56 km/h...
No Brasil, testes contra barreiras são executados desde os anos 1970, sem dummies. Faz três anos, o Contran introduziu um cronograma percentual e anual de itens de segurança. A partir de 1º de janeiro 2013, 100% de carros de projetos novos, nacionais ou importados, terão airbags duplos e ABS. E um ano depois, todos, sem exceção.

Por isso, não faz sentido o Latin NCAP avaliar veículos iguais, com e sem airbags, como se aqui só existissem tolos e alienados. Quando seus testes começaram, de forma oficial, em 2010 já havia uma lei em curso. Se a entidade estivesse de fato preocupada em demonstrar como as pessoas devem olhar os recursos de segurança, poderia providenciar um teste simplório. Um dummie do passageiro, por exemplo, sem usar o cinto de segurança e “protegido” apenas por bolsa inflável. Apagaria, de vez, sensações errôneas de que o cinto de segurança é menos importante que o airbag.

O Latin NCAP, na realidade, veio ocupar espaço por essas bandas, onde governos lenientes nem ao menos exigem inspeções veiculares de segurança, preconizadas (por acaso) pelo Código de Trânsito Brasileiro, de alcance maior que um par de airbags. Na Europa, com poder aquisitivo muito maior, é bem raro um modelo não conseguir cinco estrelas (os de pequeno porte e mais baratos, às vezes, levam notas menores). Então, o “mercado” para esse tipo de ONG, cheia de boas intenções, tornou-se menos apetitoso no Velho Continente.

RODA VIVA

DEPOIS de ganhar liminar de um juiz de Brasília, isentando-o de recolher o IPI majorado sobre veículos importados, Grupo Hyundai-CAOA preferiu esperar o julgamento da ação. Além de possuir estoques que permitem manter, por ora, os preços, preferiu diminuir riscos de eventual derrota, que forçaria recolher imposto com multa.

MENOS de seis meses e a PSA Peugeot Citroën substituirá todos os motores flex de 1,6 litro pelo novo EC5, primeiro (em grande série) a eliminar gasolina na partida a frio com etanol. Aumentou a taxa de compressão e há variador de fase do comando de válvulas. Potência de 122 cv (6% maior que com gasolina) indica que este é um dos raros verdadeiramente flex...

APESAR do recall recente e atrasos na produção, sedã Cobalt tem espaço de médio a preço de compacto (R$ 39.980 a 45.980), ou seja, fórmula atraente. Motor atual, 1,4 litro/102 cv, funciona com suavidade, mas falta o torque de um bom 1,6 litro. Suspensões e manuseio do câmbio são outros destaques. Bancos dianteiros, de assento estreito, destoam do conjunto.

PROJETO de lei 5.979, proposto para regulamentar a inspeção técnica veicular em todo o Brasil, completou, no último dia 18, dez anos de esquecimento em uma gaveta da Câmara dos Deputados, em Brasília. Não existe vontade política de diminuir acidentes trágicos causadas por veículos sem condições de circular. Como seus donos votam, fica o “impasse”.

BRIDGESTONE avançou rumo ao pneumático do futuro. Na realidade, como trabalhará sem ar, até o nome da peça, que se confunde com a roda, deveria ser mudado. Ainda não há data para essa revolução. Michelin apresentou há quatro anos um protótipo com iguais características. Agora é ver quem ganha a corrida tecnológica.

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Alta Roda - Crescimento sustentável

 O otimismo para 2012 voltou a subir. As últimas medidas de incentivo ao consumo anunciadas pelo governo empurraram as consultorias e os principais cenaristas do setor automobilístico a rever cálculos. Não que o próximo ano teria vendas ruins, mas o crescimento em percentual superior ao da economia medido pelo PIB (Produto Interno Bruto) estava fora das previsões. Como se espera que o PIB suba entre 3,5% (pessimistas) e 4% (otimistas), esses também eram os números para aumento na comercialização de veículos.

No XXI Congresso da Fenabrave, em São Paulo, o consultor Maílson da Nóbrega foi um dos primeiros a admitir que maior volume de crédito, queda das taxas de juros e menor rigidez quanto ao valor da entrada e prazos de financiamento terão boa repercussão no mercado. Ele estima que o crédito oferecido por bancos e financeiras para automóveis e comerciais leves – representam 95% do total das vendas – chegará a crescer 20% em relação a 2011. Significaria, então, a retomada, pelo menos em 2012, da tendência verificada nos últimos anos de o mercado superar o PIB. Sua aposta para o próximo ano é de 5% a 6% de aumento nas vendas.

Se isso ocorrer seria, de fato, um grande resultado frente ao noticiário econômico internacional tão negativo, especialmente da Europa. A indústria está mais cautelosa. Taxa de crescimento alinhada à do PIB já ficaria de bom tamanho. O que ninguém quer é andar para trás.

No médio e longo prazos a expansão da classe média brasileira (até R$ 4.000,00 de ganho mensal), que continua a ter o automóvel novo como meta de consumo, vai sustentar a ampliação do mercado. O economista Eduardo Gianetti da Fonseca, no mesmo congresso, chamou a atenção para o chamado bônus demográfico brasileiro. Significa que a população economicamente ativa, pelo menos nos próximos 20 anos, se manterá sustentavelmente maior que a de crianças, adolescentes e idosos. Uma massa de milhões de brasileiros adultos, com poder de consumo crescente pelo aumento da renda e da escolaridade.

Não se trata de um cenário de euforia pois a qualidade da escolaridade ainda tem que aumentar bastante e as deficiências de infraestrutura, burocracia, carga tributária alta e corrupção são obstáculos nada desprezíveis. Basta um exemplo: o Brasil possui apenas 13% de malha rodoviária pavimentada do total de 1,6 milhão de quilômetros. Segundo informou Alfredo Peres, da NCT & Logística, esse percentual está bem atrás de países como México, Índia e Turquia, só para citar alguns.

O congresso continuou sendo prestigiado por nomes de peso do setor. Philippe Varin, presidente mundial da PSA Peugeot Citroën, fez a palestra magna. O presidente da Ford, Marcos Oliveira, reafirmou que até 2015 todos os produtos da marca fabricados no Brasil estarão alinhados com os modelos vendidos no exterior. E Jaime Ardila, presidente da GM América do Sul, no final de sua exposição apresentou um mosaico de modelos Chevrolet para a região e lá estava, bem no centro do slide projetado, o subcompacto Spark. Para quem ainda podia ter dúvida de que se trata do modelo a ser produzido em Gravataí (RS), não resta mais nenhuma.

RODA VIVA

CARROS de baixo custo são a bola da vez para mercados emergentes e até desenvolvidos. Depois de a Renault confirmar que trabalha nessa direção (com indianos da Bajaj), rumores indicam que a PSA está no mesmo rumo em aproximação com chineses da Changan. Não se anime muito. Modelos desse tipo custariam entre R$ 18.000 e R$ 20.000, a preços de hoje.

APESAR de ter apresentado, no recente Salão de Los Angeles, o interessante SUV médio-compacto MX-5, a Mazda revisa planos de se estabelecer no Brasil como importadora, inicialmente. O modelo será produzido no México e, pelas regras anteriores, poderia chegar sem imposto de importação. Agora precisa ter fábrica aqui. A mudança implica atraso de quatro anos.
Fiat/Divulgação
MAIS espaçoso internamente do que o novo Uno, embora dividindo a mesma arquitetura, a geração atual do Palio explora certo refinamento do interior. Combinação entre maior entre-eixos e menor altura deixou sutilmente melhor a dirigibilidade. Motor de 1,4 litro/88 cv é o mínimo para viagens e uso no dia a dia. Porta-malas (igual ao do Uno) podia ser um pouco maior.

BRASILEIROS continuam a ser referência em desenho de automóveis. Raul Pires, 42 anos, estava na Bentley, onde criou um dos sedãs de luxo mais bonitos (Continental GT) e agora foi para a diretoria da Italdesign Giugiaro, subsidiária da VW na Itália. Nissan também deve abrir centro de estilo, em São Paulo, seguindo os passos da Renault e da PSA Peugeot Citroën.

AVANÇO na tecnologia prevê que, em breve, os carros só precisarão trocar óleo do motor a cada 32.000 km (20.000 milhas) ou dois anos, mesmo utilizando lubrificantes convencionais. Enquanto isso, no Brasil, há fabricantes que preconizam troca a cada seis meses. Os motores precisam evoluir. É perda de tempo e dinheiro exigir dos clientes intervalo tão curto.