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segunda-feira, 25 de março de 2013

Alta Roda - Sustentável leveza do metal

Mercedes-Benz/Divulgação
Um dos campos em que a indústria automobilística instalada e a instalar no Brasil, de acordo com o regime Inovar-Auto (2013-17), terá que concentrar atenções é eficiência energética. Afinal, a média dos produtos novos vendidos (incluindo importados) por cada fabricante deverá melhorar o consumo médio cidade/estrada em 13,6%, isto é, 1 L/15,9 km com gasolina e 1 L/11 km com etanol.

Pode parecer objetivo modesto. Longe disso, equivale à exigência na Europa em 2015, porém a norma de medição lá é mais branda do que a utilizada no Brasil (NBR 7024, por sua vez baseada nos ciclos americanos US-75 modificados).

Fabricantes receberão ainda estímulo adicional: modelos que consumam 15,5% menos ganharão abatimento de um ponto percentual de IPI; 18,8% menos, dois pontos percentuais de IPI. Essa meta voluntária começa depois de 2017. Portanto, objetivo final é alcançar 1 L/17,26 km (gasolina) e 1 L/11,96 km (etanol). Hoje, o consumo médio nacional situa-se em 1 L/14 km (gasolina) e 1 L/9,71 km (etanol).

Atingir o alvo exige vários e onerosos aperfeiçoamentos em motor, transmissão, aerodinâmica e peso do veículo. Injeção direta de combustível e turbocompressor são passos essenciais, mas insuficientes. Aperfeiçoar o coeficiente aerodinâmico é trabalhoso. Câmbio automatizado de duas embreagens também tem custo alto.

Avançar na redução de peso parece o caminho mais prático e rápido. Assim, ampliar o uso de alumínio está em foco. Automóveis brasileiros, no momento, carregam apenas pouco mais de 50 kg desse metal. A simples substituição, em carro médio-compacto, do bloco do motor em ferro fundido, de 31 kg, por um em alumínio diminui o peso do veículo em 14,5 kg e outros 3,5 kg de forma indireta.

Reduzir massa em 10% significa economia de 5% a 7% no consumo de combustível, se bem aproveitada. Na Europa, a média é 140 kg de alumínio por automóvel. Modelos têm maior porte médio nos EUA e carregam 155 kg do metal, mas há previsão de 250 kg até 2025.

Painéis de alumínio possuem maior espessura que um de aço, mas a economia de peso alcança 50% e chega a 65%, em função do projeto e processo de fabricação. Podem substituir capô, portas, tampa do porta-malas e até o teto. Uso em rodas é tradicional. Carros vendidos nos EUA terão 55% dos capôs em alumínio até 2025. Para-choques e respectivas caixas de absorção de impacto são outras aplicações típicas.

Automóvel e alumínio nasceram, por coincidência, no mesmo ano, 1886. Estão juntos de novo nos Mercedes-Benz, por exemplo (foto). Ferro e aço, porém, avançaram bem mais basicamente por razão de custo. Reciclabilidade infinita, imunidade à corrosão, condutividade térmica, ductilidade, maleabilidade, resistência à fadiga são algumas vantagens da sustentável leveza do metal.

Produzir alumínio primário, no entanto, exige enorme quantidade de energia elétrica e reflete no preço. Simples troca do bloco do motor pode encarecer o custo de um carro compacto em mais de 2%, o que abala sua competitividade. Agora, com queda no preço da energia e corrida em direção ao menor consumo de combustível, chegou a vez do alumínio, apesar de plásticos e, no futuro, matérias compostos também estarem nesse jogo.

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Duelo: Ford EcoSport X Renault Duster

Desde o seu lançamento, em 2003, o Ford EcoSport reinou absoluto na categoria que ele ajudou a criar no Brasil. Várias tentativas de concorrentes diretos apareceram, com pequeno destaque para o Fiat Palio Weekend Adventure (Locker) e para o Chevrolet Tracker. Mas, apenas com a chegada do Renault Duster, em outubro de 2011, o SUV da Ford passou a ter um adversário de peso pela ponta do segmento.

O atraso para encontrar um rival, obviamente, foi bom para a Ford, que ganhou mercado e preparou o lançamento da segunda geração do EcoSport, que aconteceu em agosto de 2012, depois de inúmeros flagrantes (aqui), especulações (aqui e aqui), enquete (aqui) e divulgações de informações (aqui, aqui e aqui).
O tempo de espera também foi bom para a Renault, que preparou um adversário a altura para as duas gerações do EcoSport. E até mais "munição" já foi dada ao Duster, que recebeu uma linha de acessórios em março deste ano.

Agora, novo EcoSport e Duster se enfrentam aqui no (antecipado) Duelo do De 0 a 100 em igualdade de condições, ambos como linha 2013. Quem leva a melhor?

Chevrolet Onix X Hyundai HB20
Nissan Versa X Chevrolet Cobalt
Nissan Versa X Renault Logan 
Nissan Versa X Renault Symbol
Nissan Versa X Fiat Grand Siena
Peugeot 308 X Ford Focus

Preço e equipamentos
Logo no primeiro contato com as tabelas dos dois carros, já é possível notar que o Duster é visivelmente mais barato do que o EcoSport. Por outro lado, o Ford é bem mais equipado que o Renault.
Duster 1.6 16V de entrada não deveria existir
1.6 16V
O Duster 1.6 16V parte de R$ 48.300 equipado, de série, com banco traseiro com encosto rebatível 1/1, limpador, lavador e desembaçador do vidro traseiro; tomada 12 volts; sistema CAR (travamento automático a 6 km/h), cintos de segurança dianteiros retráteis com regulagem em altura, ar-condicionado, travas e vidros dianteiros elétricos, direção hidráulica, volante com regulagem de altura; retrovisores, para-choques e maçanetas externas na cor preto; e rodas de ferro aro 16".

Investindo R$ 2.150 a mais, é possível levar o Duster Expression 1.6 16V (versão intermediária), que tem os equipamentos da versão de entrada, além de airbag duplo, alarme, banco do motorista com regulagem de altura, vidros traseiros elétricos; para-choque superior na cor da carroceria; barras de teto longitudinais na cor preta e rodas de aço aro 16". Bem que a marca francesa poderia reduzir o valor da Expression de R$ 50.450 para os R$ 48.300 e passar a vendê-la como a versão de entrada.
Duster Expression deveria ser a versão de entrada
Com o preço de R$ 53.490, a versão de entrada do EcoSport, S 1.6 16V, é mais cara e mais equipada do que o Duster intermediário. O Ford vem equipado com faróis com LED, para-choques na cor do veículo, direção com assistência elétrica, ar-condicionado; vidros dianteiros, travas e retrovisores elétricos; airbag duplo; freios com sistema ABS, rodas de aço de 15", abertura elétrica do porta-malas; grade do radiador na cor cinza midgrey; ajuste de altura e profundidade da coluna de direção, ajuste manual de altura do banco do motorista, assento do banco traseiro rebatível, banco traseiro reclinável e com assento e encosto bipartido (60/40); compartimento porta-objetos embaixo do banco do passageiro; fixadores laterais traseiros (2 posições) para cadeiras de crianças (ISOFIX); lavador, limpador e desembaçador do vidro traseiro; porta-luvas climatizado; controle de rádio e comandos configuráveis no volante; Sync Media System com comandos de voz em português (para funções de áudio e telefone) e bluetooth; CD Player com MP3, conexão Bluetooth, entrada USB e entrada auxiliar; tela de 3.5 polegadas no painel central, entre outros itens de série.
EcoSport é mais caro e equipado
 O valor do EcoSport S é um pouco inferior ao do Duster Dynamique. Com o preço sugerido de R$ 54.200, a versão topo de linha do Renault tem os itens da Expression, além de bancos traseiros rebatíveis 1/3 - 2/3, volante com revestimento em couro, freios com sistema ABS, faróis de neblina, apoios de cabeça traseiros (3) reguláveis em altura, computador de bordo, retrovisores elétricos, iluminação no porta-malas, retrovisores exteriores cromados, barras de teto longitudinais na cor alumínio, rodas de alumínio aro R16", para-choque inferior na cor da carroceria; comando satélite de áudio e celular na coluna da direção; e radio CD Player MP3 com 4 alto-falantes, conexão USB/iPod, bluetooth e auxiliar.
Topo de linha, Duster Dynamique é a melhor versão do Renault
A Ford contra-ataca com a versão intermediária SE 1.6 do EcoSport, que custa sugeridos R$ 56.490 e tem os itens da S além de vidros traseiros elétricos, faróis de neblina, rack (bagageiro) no teto, rodas de aço de 15" estilizadas e grade do radiador na cor light finish/satin aluminuim. Na minha opinião, a versão SE deveria perder o rack (que viraria acessório, já que não é todo mundo que gosta) e virar a versão de entrada, por R$ 53.490.

Pagando R$ 59.990, é possível levar o sucesso de vendas da Ford, a versão FreeStyle do EcoSport 1.6 16V. Além dos itens da SE, tem ainda 6 alto-falantes, abertura e fechamento global das portas e vidros, acendimento automático das luzes de emergência após frenagem brusca, AdvanceTrac com ESC - Controle eletrônico de estabilidade e tração; ajuste lombar do banco do motorista, alarme volumétrico anti-furto, bagageiro de teto na cor cinza london, computador de bordo, descansa braço do lado do motorista, espelhos retrovisores externos elétricos, na cor cinza london, com pisca integrado, grade do radiador na cor cinza london, assistência de partida em rampas (HLA); manopla de câmbio com acabamento em couro, maçanetas externas das portas na cor cinza midgrey, rodas de liga-leve aro 16" com Pneus 205/60, ponto de força 12V extra no banco traseiro, sensor de estacionamento traseiro, vidros elétricos dianteiros/traseiros com 1 toque cima/baixo e anti-esmagamento.
EcoSport FreeStyle é a versão que mais vende do Ford
Por R$ 63.690, você leva o FreeStyle completo, com 6 airbags (dianteiro/ laterais e cortinas) e bancos revestidos parcialmente em couro.

A versão mais completa do EcoSport 1.6 16V é a Titanium, que tem preço sugerido de R$ 63.990 e vem com quase todos os itens da FreeStyle, somando acendimento automático dos faróis, acesso Inteligente - sistema de destravamento das portas por sensor de proximidade na chave, ar-condicionado digital, bagageiro de teto na cor prata, espelho retrovisor interno eletrocrômico, espelhos retrovisores externos na cor do veículo, Ford Power - partida sem chave; grade do radiador cromada, limpador do para-brisa com sensor de chuva e maçanetas externas das portas na cor do veículo
Com motores 1.6 16V e 2.0 16V, EcoSport Titanium é a versão topo de linha
Com 6 airbags (dianteiros/laterais e cortinas) e bancos revestidos parcialmente em couro, o EcoSport Titanium 1.6 custa R$ 67.690.

2.0 16V
Se você gostou do Duster Dynamique, mas acha o motor 1.6 fraco, saiba que, por R$ 57.850, é possível levar a mesma versão, mas com propulsor 2.0 16V. Os itens de série são iguais. O mesmo acontece com o EcoSport FreeStyle 2.0, que custa a partir de R$ 62.490 e tem os mesmos equipamentos do 1.6 16V. Com todos os opcionais, o valor se eleva para R$ 66.190.

A Ford repete a dose com a versão Titanium 2.0, que vem com os itens da 1.6, mas com o preço sugerido de R$ 66.490. Com os únicos opcionais disponíveis do FreeStyle, 6 airbags e bancos revestidos parcialmente em couro, o preço vai para R$ 70.190.
Renault Duster 4WD
Passando agora para os diferenciais das versões 2.0, se você precisar de mais conforto, a versão Dynamique 2.0 do Duster pode ser equipada com câmbio automático de quatro marchas, com o preço de R$ 61.550. Os equipamentos de série são os mesmos da versão Dynamique manual. Caso a sua necessidade seja por mais desempenho no fora de estrada, leve o Duster Dynamique 2.0 4x4 manual, que tem os mesmos itens do 4x2 mecânico e preço sugerido de R$ 62.050 - mas vem com visual diferenciado: rodas de alumínio aro 16" na cor cinza inox, faróis dianteiros com máscara negra, para-choque inferior na cor preta e soleiras externas na cor da carroceria com a face superior na cor preta.

Com o novo EcoSport, a Ford manteve a mesma proposta da primeira geração do modelo, mas fez evoluções consideráveis, especialmente com câmbio automático. Sai de cena a ultrapassada transmissão de quatro velocidades e entra a moderna caixa manual automatizada de dupla embreagem Powershift, que possui seis marchas. Mantendo os mesmos equipamentos de série das respectivas versões, o EcoSport Powershift custa R$ 63.390 (SE 2.0) e R$ 70.890 (Titanium 2.0 - R$ 74.590 com 6 airbags e bancos parcialmente revestidos em couro).
Ford EcoSport 4WD
Já o EcoSport 2.0 4WD está disponível apenas na versão FreeStyle, com o preço sugerido de R$ 66.090. Completo, com 6 airbags e bancos revestidos em couro, o valor sobe para R$ 69.790. Permanente, a tração nas quatro rodas tem a mesma tecnologia do Ford Escape, com controle inteligente de torque (ITCC) e transmissão manual de seis marchas.

Logo...
Sem dúvidas o EcoSport tem uma lista de equipamentos bem mais atraente do que a do Duster, que não é mal equipado apenas na versão Dynamique. Digo isso porque as versões 1.6 e Expression 1.6 ficam devendo, especialmente em segurança, aspecto que sempre levo muito em consideração. Nesse ponto, o Ford leva muita vantagem.

Por outro lado, o Renault é bem mais barato, não importando a versão. Com a diferença de preço entre as versões 4x4, por exemplo, provavelmente seria possível pagar o IPVA, o emplacamento e, quem sabe, até o seguro.

Com três anos de garantia para ambos, o primeiro quesito avaliado neste Duelo terminou empatado.

EcoSport S 1.6 16V - R$ 53.490
EcoSport SE 1.6 16V - R$ 56.490
EcoSport FreeStyle 1.6 16V - R$ 59.990 (R$ 63.690 completo)
EcoSport Titanium 1.6 16V - R$ 63.990 (R$ 67.690 completo)
EcoSport SE 2.0 16V Powershift - R$ 63.390
EcoSport FreeStyle 2.0 16V - R$ 62.490 (R$ 66.190 completo)
EcoSport FreeStyle 2.0 16V 4WD - R$ 66.090 (R$ 69.790 completo)
EcoSport Titanium 2.0 16V - R$ 66.490 (R$ 70.190 completo)
EcoSport Titanium 2.0 16V Powershift - R$ 70.890 (R$ 74.590 completo)
X
Duster 1.6 16V - R$ 48.300
Duster Expression 1.6 16V - R$ 50.450
Duster Dynamique 1.6 16V - R$ 54.200
Duster Dynamique 2.0 16V 4x2 Manual - R$ 57.850
Duster Dynamique 2.0 16V 4x2 Automático - R$ 61.550
Duster Dynamique 2.0 16V 4x4 Manual - R$ 62.050
   
Resultado: Ford EcoSport 1 x 1 Renault Duster
Duster 2.0 tem 138/142 cv de potência
Desempenho
O Renault Duster possui três opções de câmbio: manual de cinco marchas (1.6), manual de seis marchas (2.0 e 2.0 4x4) e automático de quatro marchas (2.0). Quase igual ao Ford EcoSport: manual de cinco marchas (1.6 e 2.0), manual de seis marchas (2.0 4WD) e manual automatizado de seis marchas (2.0 Powershift)

1.6 16V
Duster e EcoSport possuem a mesma potência com motor 1.6 16V, mas o Ford leva vantagem no torque: 0,5 mkgf maior com gasolina e 0,4 mkgf superior com etanol. Entretanto, o Renault atinge o torque máximo com giro a 500 rpm mais baixo. Os pesos são próximos entre dos dois.
EcoSport 2.0 tem 140,5/147 cv de potência
Na prática, o EcoSport é superior ao Duster em desempenho e consumo, fruto, especialmente, de um projeto mais novo associado a um motor mais moderno, o Sigma 1.6 16V. Mas não pense que o Ford anda muito mais. Pelo contrário, ele vence, mas o Duster não faz feio, embora pudesse fazer bem melhor.

2.0 16V manual
Com motor 2.0 16V, o EcoSport entrega 2,5 cv a mais com gasolina e 5 cv a mais com etanol. Mas o Duster atinge a potência máxima 750 rpm antes. Além disso, o Renault tem mais torque (0,8 mkgf com gasolina e 1,2 mkgf com etanol), que chega 500 rpm com o giro do mais baixo.
Com tração 4x2, Duster leva bons 475 litros no porta-malas - Auto Esporte/Reprodução
No dia a dia com o propulsor 2.0, a disputa é mais acirrada do que o 1.6. O Duster Dynamique tem praticamente o mesmo peso do EcoSport Titanium e é 19 kg mais pesado do que o FreeStyle. Entretanto, seu câmbio manual com seis marchas aproveita melhor a força que a motorização 2.0 16V entrega. Pelo lado da Ford, os cavalinhos extras do velho conhecido propulsor Duratec 2.0 16V ajudam um pouco a compensar a falta da sexta marcha no câmbio do EcoSport.

2.0 16V manual 4x4
Se os dois andam praticamente lado a lado com câmbio manual e tração 4x2, com ligeira vantagem para o Renault, o mesmo acontece quando Duster e EcoSport têm tração 4x4. Os 51 kg extras de peso atrapalharam um pouco o Ford. O Renault tem 3 modos para o acionamento da tração: 4x2 (força nas rodas dianteiras), Auto (um sensor analisa quais rodas precisam de mais força e faz a distribuição automática) e Lock (torna o 4x4 mais "sensível", já que o motorista "avisou" o carro que o terreno é mais complicado, como areia e lama, ao acionar o botão).
EcoSport tem apenas 362 litros de espaço no porta-malas - Auto Esporte/Reprodução
Já o EcoSport possui tração nas quatro rodas permanente. O sistema capta informações dos sensores numa frequência de 60 vezes por segundo e distribui o torque automaticamente para as rodas que mais precisam, com velocidade de resposta de 1 décimo de segundo.

2.0 16V automático X automatizado
Quando emparelhamos as versões sem o pedal da esquerda, vitória folgada do EcoSport. Seu câmbio manual automatizado, de dupla embreagem e seis marchas, garante desempenho e consumo superior ao ultrapassado conjunto do Duster, com transmissão automática convencional de apenas quatro velocidades - mesmo que o Duster seja um pouco mais leve.
Câmbio automático do Duster tem apenas quatro marchas, mas trocas sequenciais são mais legais
O Ford fica devendo nas trocas sequenciais, feitas por botões ridículos na própria alavanca do câmbio - paddle shifts seriam muito melhores! Já o Duster permite que as quatro marchas sejam trocadas em modo manual "cambiando" pela própria alavanca - que é mais divertido do que o concorrente.

O quesito desempenho poderia terminar empatado, já que o EcoSport venceu com motor 1.6 16V e com o 2.0 automatizado, enquanto o Duster levou a melhor com propulsor 2.0 4x2 e 4x4. Mas a vitória fica com o Ford por causa da média de consumo. Infelizmente não consegui fazer as minhas próprias medições. Mas, de maneira geral, analisando os testes dos colegas da imprensa, o EcoSport bebe menos.  
Moderno, câmbio do EcoSport tem dupla embreagem e seis marchas, mas trocas sequeniciais são ruins - iG/Reprodução
Ford EcoSport
Potência 1.6 16V: 110/115 cv (g/e) a 6.500/5.500 rpm
Torque 1.6 16V: 15,6/15,9 mkgf (g/e) a 4.250/4.750 rpm
Potência 2.0 16V: 140,5/147 cv (g/e) a 6.250 rpm
Torque 2.0 16V: 18,9/19,7 mkgf (g/e) a 4.250 rpm
Comprimento: 4,241 m
Largura: 1,765 m (2,057 m com retrovisores)
Altura: 1,672 m (1.696 m - Powershift // 1.701 m - 4WD)
Entre-eixos: 2,521 m
Porta-malas: 362 litros
Tanque: 52 litros
Peso 1.6: 1.228 kg (S); 1.249 (SE); 1.243 kg (FreeStyle)
Peso 2.0: 1.302 kg (SE Powershift); 1.275 kg (FreeStyle); 1.404 kg (FreeStyle 4WD); 1.297 kg (Titanium); 1.316 kg (Titanium Powershift);
Consumo 1.6 (etanol): 7,9 km/l na cidade e 10,8 km/l na estrada (Quatro Rodas 633)
Consumo 1.6 (etanol): 8,2 km/l na cidade e 10,6 km/l na estrada (Auto Esporte 08/2012)
Consumo 2.0 man (etanol): 6,7 km/l na cidade e 8,9 km/l na estrada (Quatro Rodas 634)
Consumo 2.0 aut (etanol): 7,9 km/l na cidade e 10,4 km/l na estrada (Quatro Rodas 637)

Renault Duster
Potência 1.6 16V: 110/115 cv (g/e) a 5.750 rpm
Torque 1.6 16V: 15,1/15,5 mkgf (g/e) a 3.750 rpm
Potência 2.0 16V: 138/142 cv (g/e) a 5.500 rpm
Torque 2.0 16V: 19,7/20,9 mkgf (g/e) a 3.750 rpm
Comprimento: 4,315 m
Largura: 1,822 m
Altura: 1,660 m (1,700 m com barras no teto)
Entre-eixos: 2,673 m
Porta-malas: 475 litros (400 litros 4x4)
Tanque: 50 litros
Peso 1.6: 1.202 kg (1.6 16V); 1.258 (Expression); 1.258 kg (Dynamique)
Peso 2.0: 1.294 kg (Dynamique), e 1.276 kg (Dynamique aut); 1.353 kg (Dynamique 4x4)
Consumo 1.6 (etanol): 6,4 km/l na cidade e 8,3 km/l na estrada (Quatro Rodas 622)
Consumo 1.6 (etanol): 6,4 km/l na cidade e 8,1 km/l na estrada (Auto Esporte 08/2012)
Consumo 2.0 4x4 (etanol): 5,7 km/l na cidade e 8,2 km/l na estrada (Quatro Rodas 622)
Consumo 2.0 4x4 (etanol): 7 km/l na cidade e 7,8 km/l na estrada (Auto Esporte 11/2011)

Resultado: Ford EcoSport 2 x 1 Renault Duster
Duster tem acabamento e painel simples...
Espaço, acabamento e conforto
Em termos de espaço interno e para bagagem, o Duster leva a melhor. Cinco adultos podem viajar tranquilos graças às proporções maiores do Renault, que é 7 cm mais comprido, 6 cm mais largo e tem entre-eixos 15 cm mais longo! No porta-malas, as versões 4x2 do Duster comportam bons 475 litros, enquanto a 4x4 leva 400 litros - números superiores aos medianos 362 litros do EcoSport.

Por outro lado, o acabamento do Ford é superior. Não é preciso nem muito esforço para notar. Basta entrar em um e, em seguida, no outro para ver. O Duster é muito simples e precisa evoluir. Seu painel é idêntico ao do Logan e do Sandero - tudo para cortar gastos.
... mas entrega espaço interno superior
O EcoSport também tem bancos mais confortáveis e uma posição de dirigir muito mais agradável, graças aos ajustes de altura do banco e de altura e profundidade do volante. No Renault, banco e coluna de direção só ajustam em altura. Achei o volante do Duster muito perto do painel, problema que seria resolvido com um ajuste de profundidade. Mas entendo que sou muito alto, por isso não levem tanto em consideração esta minha reclamação.
Banco, posição de dirigir e acabamento do EcoSport são melhores...
Rodando, o ajuste de suspensão torna o Duster mais confortável, mas o volante, com auxilio hidráulico, é mais pesado. No Ford, as imperfeições do piso (infelizmente muito comuns no Brasil) são mais sentidas no volante, que é mais leve por causa da assistência elétrica.

Mais um empate entre os dois. 

Resultado: Ford EcoSport 3 x 2 Renault Duster
... mas espaço interno é inferior, especialmente no banco traseiro
Visual
Este quesito não vale nota, mas o EcoSport é superior. Suas linhas são mais modernas e atraentes, mostrando que a Ford fez bem o dever de casa. O pneu na tampa traseira e a dianteira com uma grade enorme servem para aumentar a robustez do modelo.
E robustez pode ser a melhor palavra para descrever "o que o Duster passa" ao consumidor. Suas linhas simples, com traços mais retos e "musculosos", são bem "parrudas", mas ficaram um pouco antigas ao lado do novo EcoSport. Ficou evidente que o Renault poderia ter o design mais inspirado.

Para fechar este quesito, conversei com quatro mulheres e cinco homens, mostrando três fotos de cada carro, sendo uma da dianteira, uma da traseira e outra do painel. Curiosamente, o único ponto unânime entre os nove foi: o Renault passa a sensação de ser um carro bem mais masculino, enquanto o EcoSport é unissex.
Resumo da Obra
O Renault Duster é maior, mais espaçoso para os ocupantes e para bagagem, além de ser mais barato. Já o Ford EcoSport é bem mais equipado, seguro, com melhor acabamento, e com desempenho e consumo superiores (fazendo uma média geral).

Não foi fácil, mas, pelo conjunto da obra, o EcoSport vence o Duster.

Os pontos que precisam de melhora para o Renault são o acabamento, a segurança, a ergonomia e o consumo, enquanto o Ford precisa ter preços mais baixos, mais espaço para os passageiros (especialmente atrás) e para bagagem e tornar as trocas sequenciais do câmbio mais eficientes e divertidas - o botão na alavanca de câmbio realmente é um atraso.
Se eu fosse escolher um para a minha garagem, seria o EcoSport, principalmente pela posição de dirigir e pela segurança. Mas não gosto do estepe externo, nem preso na tampa do porta-malas (EcoSport), nem abaixo do porta-malas (Duster) - o pneu precisa ficar dentro do carro. Se o Duster tivesse ajuste de profundidade do volante, provavelmente ele teria mais chances de ser o meu carro.

Enquete
Com a pergunta "Qual dos dois é a melhor compra do Brasil?", a enquete do De 0 a 100 mostrou que a disputa entre Duster e EcoSport é mesmo acirrada. Mas, diferente do resultado final desde Duelo, na pesquisa o Renault levou a melhor, embora eu possa considerar um empate técnico.

Qual dos dois é a melhor compra do Brasil?
1. Renault Duster - 50 votos (50,50%)
2. Ford EcoSport - 49 votos (49,49%)
Total: 99 votos
Nota do editor
Fazer o levantamento de informações do EcoSport deu um trabalho extra. O site da Ford e os dados de imprensa possuem diferenças que não deveriam existir. Vou citar apenas algumas, como o comprimento do veículo (4,239 m x 4,241 m), equipamentos de série (versão SE tem rodas de aço num lugar e de liga-leve em outro), e assim vai. Mas valeu o esforço.
Fotos: EcoSport: Ford/Divulgação // Duster: Renault/Divulgação

domingo, 2 de dezembro de 2012

Alta Roda - Economia em conta-gotas

Os carros brasileiros terão que cumprir normas obrigatórias de controle de emissão de gás carbônico (CO2). Na realidade, deverão ficar mais econômicos, pois a diminuição de consumo de combustível é a única forma de reduzir o volume daquele gás em motores de combustão interna. Não se discutirão nesse artigo nuances políticas da questão – e são muitas. O foco está nas alternativas para atingir metas de economia.

Deve-se, antes, demonstrar a enorme evolução técnica dos automóveis, nos últimos 35 anos, em termos de desempenho e economia. O consultor inglês Roger Bishop, especialista em tecnologia automobilística, estabeleceu comparação não entre versões de entrada do VW Golf (carro mais vendido no mundo, somando-se o sedã Jetta dele derivado), mas dos atléticos GTI.

O primeiro surgiu, em 1975, com motor aspirado de 1,6 l/110 cv, injeção eletrônica indireta, peso de 810 kg, velocidade máxima de 177 km/h. Consumo médio de gasolina: 9,5 km/l. A sexta geração do GTI tem motor com turbocompressor de 2 l/211 cv (mais 92%), injeção direta, peso de 1.393 kg (mais 72%), velocidade máxima de 240 km/l. O consumo médio deste Golf, no entanto, melhorou nada menos de 30%: 13,7 km/l.

Apesar do grande salto, há muita novidade a caminho no campo dos motores. Compressores elétricos, velas de ignição a laser ou de plasma e até eliminação de velas, caso se chegue ao chamado diesotto em que motores a gasolina (preferencialmente) poderão trabalhar com ignição por compressão, como se fossem a diesel, pelo menos em parte do ciclo operacional. A propulsão híbrida, que combina motores elétricos e a combustão, também terá forte expansão.

No entanto, há muito por fazer para tornar um veículo mais econômico, além de trabalhar apenas no motor. As pesquisas apontam várias partes e componentes de um automóvel a serem modificados, visando economia direta ou indireta de combustível. Um simples sensor de pressão de pneus, por exemplo, tem potencial de cortar o consumo em 2%, se o motorista corrigir logo a desatenção ao item.

O estudo de Bishop apontou outras intervenções com percentuais de redução do consumo de combustível e do CO2 associado diretamente:
  • Assistência elétrica: 7%
  • Câmbio automatizado de dupla embreagem: 5%
  • Regeneração de energia dos freios: 3%
  • Diminuição de peso: 10%
  • Pneus de baixa resistência ao rolamento: 3%
  • Direção de assistência elétrica: 4%
  • Melhora aerodinâmica: 3%
  • Redução de arrasto nos freios: 2%
O problema está nos custos agregados às novas tecnologias. Teriam de ser repassados ao comprador do veículo, pelo menos em parte. Não é decisão fácil porque afeta o crescimento do mercado, tanto em países ainda com enorme potencial, como outros onde a frota precisa de renovação e, por ser tão grande, levará a ganhos ambientais expressivos. Para complicar, governos endividados nos países centrais contam com poucos recursos para estímulos fiscais.

E para ninguém pensar que um Golf GTI só melhorou, sem apresentar a conta, aqui vão referências. No caso, a Suíça, país de moeda estável e baixíssima inflação. Em 1975, custava cerca de 16.000 francos suíços; hoje, 42.000 francos suíços. Descontada a inflação do período, o carro teve um aumento real de quase 60%. E continuará subindo de preço.

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Duelo: Chevrolet Onix X Hyundai HB20

Chevrolet Onix e Hyundai HB20 são os lançamentos mais importantes do mercado brasileiro de automóveis em 2012. Com "passados diferentes", mas com o mesmo objetivo, os dois querem ser a referência do segmento de compactos no Brasil.

O Onix nasceu com o peso de toda a tradição de carros compactos da Chevrolet. Mas isso não é por acaso, já que ele chegou para substituir o Corsa, um dos mais lendários veículos da marca no Brasil. Este lançamento mostra que a GM aprendeu com os erros do Agile, já que Onix é bem bonito e mais bem resolvido do que o seu irmão maior.
Já a Hyundai aposta no "inédito". Inaugurou sua primeira fábrica oficial no Brasil para a fabricação de um carro feito especialmente para o mercado nacional, não sendo vendido em nenhuma outra parte do mundo. Sem dúvida o novíssimo HB20 é maior aposta da história da Hyundai na América do Sul. Seu visual moderninho e os seus cinco anos de garantia são seus principais trunfos para conquistar o consumidor.

Mas no duelo entre Chevrolet Onix e Hyundai HB20, que leva a melhor?

Nissan Versa X Nissan Tiida Sedan
Nissan Versa X Chevrolet Cobalt
Nissan Versa X Renault Logan 
Nissan Versa X Renault Symbol
Nissan Versa X Fiat Grand Siena
Peugeot 308 X Ford Focus

Preços e equipamentos
Por R$ 29.990, a versão LS 1.0 do Onix vem equipada de série com direção hidráulica, pneus 175/70 R14, freios ABS com EBD, airbags frontais, alça dianteira retrátil do teto do passageiro, ar quente, desembaçador e limpador traseiro, brake light, cintos de segurança dianteiros com ajuste de altura e cintos dianteiros e traseiros de três pontos, para-choques dianteiro e traseiro na cor do veículo, além de sistema para abertura da tampa de combustível pela chave.
Pelo lado da Hyundai, a versão mais barata do HB20, Comfort 1.0, sai da fábrica de Sorocaba (SP) custando R$ 31.995 equipada com ar-condicionado, direção hidráulica, computador de bordo, duplo airbag frontal, faróis com máscara negra, rodas de 14 polegadas com calotas, ajuste de altura do banco do motorista e quadro de instrumentos luminescente (que se mantém aceso o tempo todo). O HB20 Comfort 1.6 custa R$ 36.995 e vem ainda com alarme e ABS com EBD.

Entre os 1.0, custando R$ 2.005 a menos, o Onix LS vem com ABS com EBD (e desembaçador traseiro), mas não pode ser equipado com ar-condicionado nem como opcional. Ainda assim, mesmo que muitos não concordem (mas no fundo sabem que é verdade), vale mais ter um veículo com ABS do que com ar-condicionado.
Se o consumidor gastar R$ 31.690, ele leva o Onix LT, que vem equipado com os itens do LS, com a adição de pneus 185/65 R14, alavanca de transmissão cromada, abertura elétrica do porta-malas pela chave, travas e vidros dianteiros elétricos, alarme anti-furto, antena, banco do motorista com regulagem de altura, banco traseiro bi-partido (60/40), chave do tipo canivete com fechamento de portas e vidros, controle de luminosidade do painel de instrumentos e controles de ventilação cromados;  luz de cortesia no porta-luvas e porta-malas, maçanetas das portas na cor do veículo; moldura da grade do radiador e das saídas de ar cromadas; painel das portas com acabamento em tecido; para-choques dianteiros e traseiros com acabamento preto fosco; protetor de carter, puxadores internos das portas cromados, e volante com regulagem de altura e acabamento de pintura metalizada.

Além de mais desempenho e dos itens do LT 1.0, a versão LT 1.4 tem ainda faróis dianteiros com máscara negra e lente decorativa Ice Blue, pneus 185/65 R15, lanternas traseiras com lentes escurecidas e saia lateral com acabamento em preto. Seu preço: R$ 35.290. Quando equipadas com sistema MyLink e ar-condicionado, as versões LT saem por R$ 34.990 (1.0) e R$ 38.490 (1.4).
 Já a Hyundai oferece duas versões intermediárias para o HB20. A Comfort Plus (R$ 33.995 - 1.0 e R$ 38.995 - 1.6) tem os itens da versão Comfort além de alarme, vidros elétricos, desembarçador traseiro, chave canivete com abertura e travamento remoto e tecido nas portas.

A partir da Comfort Style (R$ 37.995 - 1.0 e R$ 42.995 - 1.6), o HB20 fica bem mais atraente. Esta versão tem todos os itens da Comfort e Comfort Plus, além de rodas de liga leve, freios ABS com EBD (para a 1.0), rodas de liga de 14", sistema de áudio com comandos no volante e banco traseiro bipartido. Com motor 1.6, o câmbio automático de quatro marchas é opcional.
Nos pacotes intermediários, o Onix é um pouco mais vantajoso. As versões LT completas, com ar-condicionado e MyLink (sistema com um tela LCD com touch screen que permite levar músicas, fotos, vídeos e aplicativos do celular para dentro do veículo, além de permitir fazer telefonemas via Bluetooth e de configurar algumas funções do veículo), custam ligeiramente mais do que o HB20 Comfort Plus, que não oferece ABS de série com motor 1.0. Já o HB20 Comfort Style tem um excelente pacote de equipamentos, mas, 1.0 16V, custa R$ 3.005 a mais do que o Onix LT 1.0 completo e, 1.6, R$ 4.505 a mais do que o Onix LT 1.4.

Por R$ 41.990, a versão LTZ 1.4 do Chevrolet Onix, a topo de linha, além dos itens encontrados na versão LT, oferece ainda pneus 185/70 R15, acionamento elétrico dos vidros traseiros, ar-condicionado, computador de bordo, conexão Bluetooth para celulares, conjunto de alto-falantes (2 dianteiros e 2 traseiros), entrada USB, espelhos retrovisores com controle elétrico, faróis de neblina, rodas de alumínio com acabamento diamantado e sistema multimídia MyLink. O único opcional é a pintura metálica, que custa R$ 850.
Onix tem 280 litros de capacidade no porta-malas
Na sua versão topo de linha, a Premium, disponível apenas com motor 1.6, o HB20 vem equipado com todos os itens da Comfort Style, além de rodas de liga leve com aro 15 polegadas, painel bicolor (cinza e preto), rádio 2DIN com CD/MP3, 4 alto-falantes + tweeters, console central com porta-objetos, entradas auxiliar, USB e IPOD e tampa retrátil. Com câmbio manual, custa R$ 44.995, enquanto o automático de quatro marchas sai por R$ 47.995. A pintura metálica custa entre caros R$ 1.005 (cinza e prata) e abusivos R$ 1.245 (marrom, azul e preto).

Nas versões mais caras e equipadas, mais uma vez o Onix se mostra mais atraente por custar menos e vir com equipamentos tão interessantes quanto o do HB20. Seu maior diferencial é o sistema MyLink. O HB20 contra-ataca com sistema de som com comandos no volante e com o câmbio automático de quatro marchas (1.6). Mas, a maior arma do Hyundai são os (excelentes) cinco anos de garantia, contra (ótimos) três anos do Chevrolet.
Porta-malas do HB20 tem 300 litros de capacidade
Colocando os dois na balança, o Onix vence neste quesito. Mesmo com garantia menor e sem ter ar-condicionado de série em todas as versões, ele custa menos, tem ABS e airbag duplo como equipamentos de série em todos os acabamentos, conta com o apoio das cerca de 600 concessionárias da Chevrolet espalhadas pelo Brasil (não garante, mas tende a facilitar muito o pós-venda) e, em breve, terá a opção de transmissão automática de seis velocidades.

Chevrolet Onix LS 1.0 - R$ 29.990
Chevrolet Onix LT 1.0 - R$ 31.690
Chevrolet Onix LT 1.0 + MyLink - R$ 32.890
Chevrolet Onix LT 1.0 + ar-condicionado - R$ 33.790
Chevrolet Onix LT 1.0 + MyLink e ar-condicionado - R$ 34.990 
Chevrolet Onix LT 1.4 - R$ 35.290
Chevrolet Onix LT 1.4 + MyLink - R$ 36.490
Chevrolet Onix LT 1.4 + ar-condicionado - R$ 37.290
Chevrolet Onix LT 1.4 + MyLink e ar-condicionado - R$ 38.490
Chevrolet Onix LTZ 1.4 - R$ 41.990
X
Hyundai HB20 1.0 Comfort - R$ 31.995
Hyundai HB20 1.0 Comfort Plus - R$ 33.995
Hyundai HB20 1.0 Comfort Style - R$ 37.995
Hyundai HB20 1.6 Comfort - R$ 36.995
Hyundai HB20 1.6 Comfort Plus - R$ 38.995
Hyundai HB20 1.6 Comfort Style - R$ 42.995
Hyundai HB20 1.6 Comfort Style Automático - R$ 45.995
Hyundai HB20 1.6 Premium Manual - R$ 44.995
Hyundai HB20 1.6 Premium Automático - R$ 47.995
Preços praticados em 19/11/2012 (com IPI reduzido)
Resultado: Chevrolet Onix 1 x 0 Hyundai HB20

Desempenho
Para deixar o duelo mais justo neste quesito, comparei o motor 1.0 12V de três cilindros do HB20 com o 1.0 8V SPE/4 de quatro cilindros do Onix; e o propulsor 1.6 16V do Hyundai com o 1.4 8V SPE/4 do Chevrolet. Nesta disputa, vitória do coreano.
Motores SPE/4 da Chevrolet: 1.0 e 1.4, ambos 8V
A motorização do Onix entrega mais potência (3 cv) e torque (0,1 mkgf) com gasolina, enquanto o motor do HB20 tem mais torque (0,4 mkgf) com etanol - ambos empatam na potência com o derivado da cana-de-açúcar: 80 cv.

Mas o HB20 leva vantagem porque ele alcança os picos de potência e torque com rotações mais baixas, e porque o carro é mais leve - o que faz muitas diferença, ainda mais para os 1.0.
Motor do HB20 - Reprodução/Veja
Como esperado, mesmo com os ganhos em relação ao propulsor antigo Econo.Flex, o motor 1.4 SPE/4 do Onix, com seus valentes 98 cv e 13 mkgf com gasolina e 106 cv e 13,9 mkgf com etanol, não foi páreo para o 1.6 16V do HB20. Esta é a mesma motorização do Veloster (diferente do que a Hyundai/CAOA afirma), que desenvolve 122 cv e 16 mkgf com gasolina e 128 cv e 16,5 mkgf com etanol. O peso mais baixo também "pesa" (com perdão do trocadilho) a favor do coreano.

Fechando, segundo as medições da Quatro Rodas, os motores do HB20 bebem menos do que os do Onix, sempre com etanol, não importando a comparação: 1.0 8V x 1.0 12V; 1.4 8V x 1.6 16V; 1.0 8V x 1.6 16V; 1.4 8V x 1.0 12V.

Chevrolet Onix
Potência 1.0 8V: 78/80 cv (g/e) a 6.400 rpm
Torque 1.0 8V: 9,5/9,8 mkgf (g/e) a 5.200 rpm
Potência 1.4 8V: 98/106 cv (g/e) a 6.000 rpm
Torque 1.4 8V: 13/13,9 mkgf (g/e) a 4.800 rpm
Comprimento: 3,930 m
Largura: 1,705 m (1,964 m com retrovisores laterais)
Altura: 1,484 m
Entre-eixos: 2,528 m
Porta-malas: 280 litros
Tanque: 54 litros
Peso: 1.012 kg (LS 1.0), 1.019 kg (LT 1.0), 1.018 (LT 1.4) e 1.067 kg (LTZ)
Consumo 1.0 (etanol): 7,6 km/l na cidade e 11,2 km/l na estrada (medições da Quatro Rodas Ed. 636)
Consumo 1.4 (etanol): 7,9 km/l na cidade e 10,9 km/l na estrada (medições da Quatro Rodas Ed. 636)

Hyundai HB20
Potência 1.0 12V: 75/80 cv (g/e) a 6.200 rpm
Torque 1.0 12V: 9,4/10,2 mkgf (g/e) a 4.500 rpm
Potência 1.6 16V: 122/128 cv (g/e) a 6.000 rpm
Torque 1.6 16V: 16/16,5 mkgf (g/e) a 4.500/5.000 rpm
Comprimento: 3,900 m
Largura: 1,680 m
Altura: 1,470 m
Entre-eixos: 2,500 m
Porta-malas: 300 litros
Tanque: 50 litros
Peso: 953 kg (1.0); 1.000 kg (1.6 manual); 1.027 kg (1.6 automático)
Consumo 1.0 (etanol): 8,3 km/l na cidade e 11,8 km/l na estrada (medições da Quatro Rodas Ed. 636)
Consumo 1.6 (etanol): 8 km/l na cidade e 11,3 km/l na estrada (medições da Quatro Rodas Ed. 636)

Resultado: Chevrolet Onix 1 x 1 Hyundai HB20

Espaço, acabamento e conforto
O comprador da dupla deste post não deve esperar luxo na cabine. Mas Chevrolet e Hyundai fizeram o dever de casa, demonstrando que simplicidade não precisa ser ruim. Ambos tem bons encaixas e materiais de qualidade relativamente boa, com ligeira vantagem para o Onix.
Chevrolet Onix
Falando do painel, os instrumentos inspirados em motos do Onix têm gosto duvidoso (mas estão "anos luz" à frente do Toyota Etios). A solução mais tradicional do HB20 é melhor. O Chevrolet contra-ataca com o MyLink e sua bela tela sensível ao toque, que faz o bom sistema convencional do Hyundai parecer bem antigo, mesmo com os comandos no volante. Mas o coreano tem ergonomia superior.

É do compacto da GM o melhor espaço interno, graças ao seu entre-eixos um pouco mais longo. Sem dúvida, os ocupantes encontram mais espaço no Onix. Por outro lado, o HB20 leva mais bagagem no porta-malas: 300 litros X 280 litros.
Hyundai HB20
O Chevrolet Onix tem mais espaço interno e acabamento ligeiramente melhor do que o Hyundai HB20, que leva a melhor na ergonomia e no porta-malas maior.

Resultado: Chevrolet Onix 2 x 2 Hyundai HB20

Visual
Como sempre digo, este é um item subjetivo, por isso não vale nota. A Chevrolet, finalmente, conseguiu fazer um carro (de preço mais acessível) bonito que segue a linha de design mundial da marca. Diferente do Cobalt e, especialmente, Agile e Spin, o Onix agrada. Sua dianteira tem visual mais agradável e proporcional para o seu tamanho, enquanto sua traseira, inspirada no Volkswagen Gol, não compromete.
MyLink é um dos destaques do Chevrolet Onix
Mas, por conter um conjunto mais harmônico, o Hyundai é mais bonito. Suas linhas tem mais inspiração e passam a sensação de mais modernidade do que do Onix. O HB20 realmente parece um mini novo i30.

Resumo da obra
Quando comecei a fazer as analises para este duelo, achei que o HB20 fosse vencer. Durante os estudos e testes, achei que o Onix fosse vencer. Mas, no final, o empate foi o mais justo.
HB20 tem espaço interior inferior ao do Onix
O Hyundai tem desempenho superior, bebe menos combustível, tem o porta-malas maior, garantia mais longa e visual mais moderno e ergonomia melhor, além de ter ar-condicionado de série em todas as versões, e opção de câmbio automático.

Já o Chevrolet custa menos, tem melhores equipamentos de série, como freios ABS com EBD para todas as versões; tem maior espaço interno, acabamento ligeiramente superior; uma assistência técnica mais abrangente em número de concessionárias e não faz feio na garantia (3 anos) e no desempenho.

Empate foi muito justo. Mas, se eu fosse escolher um destes dois para colocar na minha garagem, seria o Chevrolet Onix. Suas qualidades são mais adequadas para a minha vida.
Enquete
Pelo visto, o resultado deste duelo reflete bem o que os internautas pensam. De acordo com a enquete que ficou no ar no De 0 a 100 por 1 semana, com a pergunta "Qual novidade é a melhor compra?", o Chevrolet Onix levou a melhor, mas vencendo o Hyundai HB20 de forma bem apertada. Sinal de que os dois devem se dar bem no mercado nacional.

Qual novidade é a melhor compra?
1. Chevrolet Onix - 55 votos (51,4%)
2. Hyundai HB20 - 52 votos (48,6%)
Total: 107 votos (100%)
Fotos: Onix: Chevrolet/Divulgação // HB20: Hyundai/Divulgação

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Alta Roda - Timidez conveniente

A quinta fase do Programa Brasileiro de Etiquetagem (PBE), a partir de janeiro de 2013, coloca o Brasil no rumo certo quanto ao direito à informação sobre o consumo de combustível, além de estimular a competição entre os fabricantes. O PBE é coordenado pelo Inmetro (Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia) em parceria com o Conpet (programa de racionalização do uso de derivados de petróleo e gás, do Ministério de Minas e Energia, e gerenciado pela Petrobras). Começou em 2008, de forma voluntária e modesta, com a adesão de apenas cinco fabricantes e 54 versões de alguns modelos.

O caráter voluntário continua até hoje, mas deveria – e deverá – ser obrigatório. A importância do programa cresceu ao se tornar um dos critérios para enquadramento no Inovar-Auto, novo regime de produção automobilística do período 2013-2017. Até o ano passado, nove fabricantes (incluindo um importador) participavam: Citroën, Fiat, Ford, Honda, Kia, Renault, Toyota e Volkswagen. Já em 2012 a lista subiu para 20 empresas, das quais quatro produzem no país: Hyundai Brasil, Mitsubishi, Nissan e Suzuki.

Há algumas poucas falhas no PBE, entre elas a classificação dos veículos baseada em área projetada no solo e uma designação de categorias um pouco diferente do usual no mercado. Entretanto, o critério de massa vai prevalecer, como acontece na Europa. Apesar do cuidado do Inmetro em evitar modelos “especiais” que não refletissem a realidade da oferta, isso acabou acontecendo em casos isolados. Foi a desculpa alegada pela Chevrolet para renegar o programa, embora admita que “vai aderir nos próximos anos”, mesmo porque afeta a imagem da marca.

Agora mesmo nos EUA, Hyundai e Kia divulgaram informações erradas sobre o consumo de 900.000 veículos dos anos-modelo 2011 a 2013. Além de, voluntariamente, indenizar os compradores, o grupo sul-coreano está sujeito a pesadas multas do governo. Aqui, a Hyundai já enquadrou o novo HB20 que recebeu nota A, na versão de 1 litro: 7,6/11,5 km/l, cidade e 9,8/14,5 km/l, estrada (etanol/gasolina).

No Brasil, o controle sobre as informações do PBE é bem mais rígido e independe de denúncia de consumidores. Há uma dupla checagem anual, inclusive ensaios na presença de todos os interessados. O programa acaba de ser ampliado com a etiquetagem de pneus. O índice considera frenagem no molhado, ruído e resistência ao rolamento (ligada à economia de combustível).

As etiquetas do próximo ano estarão no para-brisa ou vidro lateral de todos os modelos enquadrados no PBE (só poderão ser retiradas após o carro sair da loja) e trazem uma novidade: emissão de CO2. Acertadamente, o Inmetro indicou os valores apenas dos combustíveis de origem fóssil e descontou a parte de etanol da gasolina. O biocombustível de cana-de-açúcar é considerado avançado até pela agência ambiental americana. Significa que, na prática, o gás carbônico emitido se autocompensa no ciclo de vida de crescimento da planta.

Claro, algumas empresas petrolíferas não gostam de encarar essa realidade, pois afeta seus negócios. No recente Salão do Automóvel de São Paulo fabricantes já exibiam as novas etiquetas, com emissão zerada de CO2 dos motores flex quando abastecidos com etanol. Para a Petrobras, o programa Conpet só mereceu um pequeno painel escondido no fundo do estande, o que deixou o parceiro Inmetro sem visibilidade em evento tão importante. Contraditório é a paraestatal ter grandes investimentos em biocombustíveis no Brasil, mas parece tímida ao divulgá-los.

RODA VIVA

RESTAM poucas dúvidas de que o mercado interno chegará este ano às 3,8 milhões de unidades, depois dos bons resultados de outubro: 341 mil veículos, incluídos caminhões e ônibus. Acumulado dos 10 primeiros meses está 5,7% acima de 2011. Como o IPI menor vai até 31 de dezembro, maioria dos fabricantes adiou férias coletivas para início de 2013.

VONTADE de sorrir, quando se lê por aí que há concorrência insuficiente no Brasil e, por isso, preços altos. Último levantamento aponta que, apenas entre modelos produzidos aqui, são 972 opções, somadas versões, acabamentos (catálogos) e trens de força (motor e câmbio) disponíveis. Ao acrescentar modelos importados, supera 1.500 ofertas.

AMBIENTE interno destaca-se no EcoSport. No dia a dia, passa sensação de um modelo maior, embora seu principal concorrente, Duster, seja referência entre SUVs compactos. Evolução de motor, agora 1,6 litro/115 cv, e câmbio, além da direção eletroassistida, mudam o modelo de patamar. Regular o volante todo para cima, obriga a elevar o banco, a fim de não encobrir marcador de combustível.

DEPOIS de quatro anos, a Única, associação de produtores de etanol de São Paulo, faz nova campanha de estímulo ao consumo. Entidade detectou oportunidade de mostrar aspectos ligados a empregos e meio ambiente. O preço não está tão competitivo como no passado, mas no momento é vantajoso em São Paulo, Mato Grosso do Sul e Goiás.

terça-feira, 6 de novembro de 2012

Depois de abusarem, Hyundai e Kia se preparam para pagar o preço

Justiça está sendo feita nos Estados Unidos. Depois de mentirem sobre a média de consumo de vários de seus carros, Hyundai e Kia se preparam para pagar, no bolso, o preço da bobagem.

Como eu gostaria que o mesmo acontecesse por aqui, onde a Hyundai/CAOA já aprontou até com o consumidor brasileiro, aumentando a potência do Elantra, dando cavalos extras ao Veloster, vendendo o Veloster com um motor que jamais foi ofertado pela marca no Brasil, sem contar mudanças de informações em anúncios (conforme denunciado pela revista Auto Esporte, entre outros.

Vale a leitura.

Hyundai e Kia tombam após exagero em economia de combustível
 A admissão por Hyundai e Kia de que exageraram marcas de economia de combustível de alguns de seus carros afetou a reputação das montadoras e a fidelidade do consumidor às marcas será testada nos próximos meses, após uma década de sucesso ininterrupto nos Estados Unidos.
As ações das montadoras da Coreia do Sul, que promoveram em recentes campanhas de marketing eficência superior no consumo de combustível, caíram 7% cada nesta segunda-feira, pressionadas por temores de investidores sobre o impacto da admissão sobre suas marcas e vendas nos EUA, principal mercado do grupo automotivo. Somente a Hyundai sozinha perdeu US$ 3,1 bilhões em valor de mercado.

As preocupações dos investidores envolvem temores sobre o custo de compensação de clientes de mais de 1 milhão de veículos afetados, bem como potenciais processos coletivos nos EUA e reclamações semelhantes em outros países.

Para alguns analistas, as notícias são terríveis. "Isso pode representar um fator de mudança na história de sucesso da Hyundai", disse James Yoon, analista do BNP Paribas, em relatório. "Acreditamos que a potencial perda financeira é imaterial se comparada à possível perda para a reputação da marca."

Mas outros analistas também citaram que, diferente de grandes recalls que afetaram as rivais Toyota e Ford, Hyundai e a afiliada Kia foram rápidas em admitir seus erros e em anunciar planos de compensação.

"Aquelas eram questões mais sérias, relacionadas à segurança... Assim, o impacto sobre o valor da marca e nas vendas nos EUA pode ser menor do que o sofrido pelos concorrentes", disse o analista Ethan Kim, do Citi, em relatório divulgado nesta segunda-feira (5).
Em comunicado, a Hyundai disse nesta segunda-feira que seus erros só afetaram veículos vendidos na América do Norte. "Todos os carros Hyundai vendidos em outras regiões do mundo foram propriamente certificados com notas corretas de economia de combustível por cada agência respectiva de certificação", informou a montadora sul-coreana.

A queda nas ações da Hyundai foi a maior em quase 14 meses. As ações da Kia tombaram 6,9%, enquanto o mercado em Seul teve perda de 0,5%.

EPA
A agência de proteção ambiental dos EUA (EPA, na sigla em inglês) descobriu que as montadoras exageraram a quilometragem de 13 veículos Kia e Hyundai de modelos entre 2011 e 2013.

As montadoras afirmaram na sexta-feira que os erros ocorreram em função de diferenças em seus testes de quilometragem comparados com os métodos de avaliações da EPA. As montadoras vão reembolsar os proprietários dos veículos afetados por custos adicionais com combustível e publicaram anúncios de página inteira em jornais no domingo para se desculparem.

As etiquetas de consumo da maioria dos veículos serão agora reduzidas em uma ou duas milhas por galão, sendo que o maior ajuste será de seis milhas por galão na estrada para o Kia Soul, disse a EPA.

Analistas disseram que a apuração da EPA pode levar a dezenas de milhões de dólares em compensações e acrescentaram que processos contra as empresas não podem ser descartados.

A avaliação da EPA foi disparada por queixas de consumidores, incluindo um processo coletivo que acusa a Hyundai de levar ao erro consumidores sensíveis a preços do combustível ao afirmar que o popular modelo Elantra 2011 e 2012 tinha consumo mais eficiente do que a realidade.

Texto: Uol Economia
Fonte: Reuters

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

Alta Roda - Salto tecnológico

Reprodução Carburador Brasil
Depois de longa espera e sucessivos adiamentos, finalmente saiu a regulamentação do novo regime automobilístico brasileiro, a vigorar entre 2013 e 2017. Batizado pomposamente de Inovar-Auto, traz estímulos fiscais e de política industrial na direção de melhorar os carros fabricados no País. Enfoque se concentrou em patamar tecnológico, economia de combustível, conteúdo de peças produzidas no Brasil (Mercosul incluído), itens de segurança passiva e ativa, geração de empregos e pesquisas com potencial de gerar inovações.

O programa é bastante complexo, entre outras razões, para dificultar contestação em fóruns como Organização Mundial do Comércio. Além de intervencionista e de eleger vencedores e perdedores entre os que estão ou querem participar do mercado brasileiro, deve-se reconhecer que os objetivos são importantes e, se alcançados, representarão um grande salto de atualização.

O regime contempla empresas que já produzem, apenas importam ou têm projetos de investimentos. Todas, sem exceção, serão afetadas. Aquelas instaladas há mais tempo poderão cumprir exigências de compras locais com maior facilidade. No entanto, a estratégia de estimular novos fabricantes traz a competição como forma realmente eficaz de alcançar preços menores ao consumidor.

Entre as que pretendem investir, houve sensibilidade para atender marcas especializadas em modelos sofisticados. Serão fábricas dimensionadas para até 35.000 unidades anuais, com investimento mínimo de R$ 17.000 por veículo produzido. Haverá índice (obrigatório) menor de compras internas e atrairá, de imediato, BMW e Land Rover, com planos adiantados. Dificilmente, empresas como Audi e Mercedes-Benz deixarão de aderir, mesmo porque existirão cotas sem o superIPI, hoje incidente sobre modelos importados.

A grande maioria dos importadores também terá cotas, sem IPI extra, proporcionais ao volume médio comercializado entre 2009 e 2011, limitadas a 4.800 unidades/ano. Terão, porém, de investir 0,65% do faturamento líquido em um fundo nacional de desenvolvimento tecnológico, espécie de pedágio por usufruir do mercado interno. Alívio para quem está no negócio, à exceção da Kia, que, sem produção local, enfrentará dificuldades comerciais por seu volume de importações.

Um dos pontos mais positivos são as metas de consumo de combustível. O governo foi pragmático e deixou de lado as emissões de CO2, pois há equivalência direta com o consumo. Compulsoriamente, a média dos automóveis de cada empresa terá de diminuir 13,6% até 2017, até atingir a média (cidade-estrada) de 15,9 km/l (gasolina) e 11 km/l (etanol).

Há, ainda, meta audaciosa, porém incentivada, com até 2 pontos percentuais de redução de IPI para fabricantes que na média, entre 2017 e 2020, atinjam 17,3 km/l (gasolina) e 12 km/l (etanol). A nova lei deixa dúvidas se o IPI menor deve se repassar aos preços ou servirá de compensação aos investimentos.

Como ocorre no exterior, carros econômicos são mais caros: não existe almoço grátis, quando se fala de tecnologia, em geral. Assim, não acredite que a economia de R$ 1.100,00 por ano em combustível, no discurso do governo, seja efetiva, pois dependerá do preço do carro.

RODA VIVA

RESULTADOS ruins de vendas em setembro já eram esperados. Além da acomodação natural, depois dos volumes estratosféricos de agosto, o mês passado teve menos quatro dias úteis. Assim, os estoques subiram de 19 para 33 dias, o que diminuiu atrasos nas entregas de alguns modelos. Exportações vão de mal a pior: Anfavea reduziu sua previsão em 2012.

ARQUITETURA do carro conceitual Active Tourer, primeiro BMW de tração dianteira apresentado no Salão de Paris, vai gerar até nove modelos diferentes da própria marca e da sua controlada, Mini. Com certeza, um desses carros está nos planos de produção da fábrica catarinense, conforme a coluna antecipou. Será futuro modelo de entrada, a preço abaixo do X1 sDrive 18i.

NOVO Mercedes-Benz Classe B corrigiu fraquezas anteriores. Mais baixo e largo, alcança ótimo coeficiente aerodinâmico (Cx) de 0,26. Preço: R$ 115.900 a R$ 129.900. Motor turbo, 156 cv/22,4 kgf•m, e caixa de câmbio automatizada (duas embreagens, sete marchas), no lugar da insossa CVT de antes, formam bom conjunto. Faltam equipamentos, como ar-condicionado digital. Agora, sistema eletrônico permite entrar e sair de vagas.

MITSUBISHI trabalha para lançar, em breve, primeira picape média com câmbio automatizado (monoembreagem), da Magneti Marelli. Estará disponível na Triton com motor flex, quatro cilindros. Fábrica detectou interesse por essa solução mais em conta que automático convencional.

QUANDO a Chrysler cortou os preços de seus produtos, recentemente, nada mais fez do que se antecipar ao que estava previsto no novo regime automobilístico. Afinal, possuía informações sobre cancelamento do superIPI. Não faltou quem suspeitasse de absorção de margens de lucro, apontadas por uma revista americana de negócios.