Já era um final de tarde, depois de um dia realmente longo de trabalho. O trânsito estava péssimo e resolvi parar o carro para descansar. Por acaso, tinha uma concessionária da Chevrolet próxima. Resolvi entrar e lá estava o Sonic, recém chegado, brilhando no salão.
Veio então um experiente consultor de vendas conversar comigo. Ele me reconheceu não pelo
blog, mas por ter ido à concessionária mais de uma vez. Começamos a conversar sobre as novidades da Chevrolet. Sempre em off, ele não me adiantou nada de inédito, mas seus pontos de vidas são interessantes. Vamos por ordem, finalizando com o novo Sonic.
Cobalt
"É um carro que está agradando bastante ao consumidor, especialmente pelo amplo espaço. Mas falta o motor 1.8. Eu vou comprar um 1.8 pra mim assim que sair, com câmbio automático. O bom é que não falta muito para ele chegar. Se nós anotássemos o número de pessoas que reclamaram da falta de força do motor 1.4, estariamos perdidos. Mas o Cobalt tem mais qualidades do que defeitos, ainda mais agora com a queda de preço por causa da redução do IPI. Se o preço fosse sempre esse, dominaria o mercado de sedãs no Brasil, especialmente com a chegada da versão 1.8".
Spin
"Só posso falar uma coisa sobre esse carro: donos do Meriva não vão sentir saudades, mas donos da Zafira ficarão carentes em espaço".
Cruze
"É um dos melhores sedãs que a Chevrolet já vendeu, e olha que vendo Chevrolets há mais de 20 anos. Basta olhar a participação no segmento: muito boa!".
Cruze Sport6
"Esse é o carro de maior potencial da Chevrolet no Brasil, junto com o Sonic. Ele é bonito, espaçoso, bem equipado, com bom desempenho, seguro e com ótima garantia. Assim como o Cobalt, deveria manter o preço atual, com a redução do IPI, para ter chance de emplacar de vez. Mas seu potencial é enorme". Notem que até o vendedor reclama do preço do Sport6! Chevrolet, fica a dica.
Sonic
"Esse chegou para ganhar o público jovem e para tentar trazer de volta a felicidade dos donos do Astra. Por isso deve agradar bastante! Mas não acho que ele seja um novo Astra, infelizmente. Os donos do carro, como eu, não terão um substituto de verdade, especialmente do hatch. O Sonic é pequeno - mais parece o Agile. Mas, se o preço não subir, vai vender muito bem".
-----
E falando do Sonic, finalmente o modelo chegou às concessionárias da Chevrolet! Já estava ficando chato o excesso de flagrantes (
rotineiro por parte da GM) nas ruas e o carro nunca dar as caras nas revendas. Importado da Coréia do Sul, o modelo chega para mostrar uma nova Chevrolet, que agrada também ao público jovem, com um veículo de desenho moderno e mais ousado - tapa de luva no Agile.
Tanto o Sonic hatch quanto o sedã podem ser encontrados nas versões LT e LTZ, equipados com o inédito (no mercado brasileiro) motor Ecotec 1.6 16V flex, combinado com um câmbio manual de cinco marchas ou um automático de seis, nas carrocerias hatch e sedã.
O que mais chama a atenção no Sonic é o seu visual, especialmente a dianteira. A "cara de mau" é o destaque graças aos faróis. A grade bipartida, característica da atual linha de design da marca está presente, mostrando que é possível fazer uma frente bonita com esse estilo - segundo tapa de luva no Agile.
Mas a dianteira tem um grave defeito: a placa! É o
mesmo caso do novo Ford EcoSport. Parece que os modelos foram desenvolvidos sem levarem em consideração que uma placa precisa ser colocada na frente do veículo. Nas fotos, com o nome Sonic, não tem tanto problema. Mas reparem num Sonic com placa de trânsito normal. Acaba com a harmonia.
Não importando a carroceria, penso que a traseira não tem o mesmo destaque da dianteira, mas ela também não compromete. Hatch e sedã ficaram com visuais legais. Na lateral, os vincos do sedã são interessantes, assim como as maçanetas das portas traseiras do hatch, que ficam "escondidas" na coluna.
 |
| Antena tipo shark seria bem-vinda |
Interior
Assim como outros modelos da linha Chevrolet, o duplo cockpit do Sonic tem o painel voltado para o motorista, o que é bem legal. O volante, que vem do Cruze, agrada - na versão LTZ ele tem comandos de rádio. Já o painel tem uma infeliz inspiração de motos. Ele não ficou feio, com destaques para o conta-giros analógico e para o velocímetro digital. Mas sou a favor que o painel de um carro seja inspirado em um carro.
Se o porta-malas do Sonic hatch é pequeno, com apenas 265 litros (665 litros com os banco rebatidos), e o do sedã tenha bom espaço, com 477 litros, ambos têm 14 porta-objetos, sendo dois porta-luvas (o superior com entrada USB), pequenos compartimentos e bolsas nas portas, três porta-copos à frente e gaveta abaixo do banco do passageiro.
Para quem vai na frente, o espaço é até legal. Entretano, no banco traseiro, os passageiros vão bem espremidos. Lembrou-me o Ford New Fiesta.
Dirigindo mais um Ecotec
O Sonic é gostoso de dirigir. A direção hidráulica é boa e a suspensão dá conta do recado, não sendo nem muito firme, nem muito mole. O motor 1.6 16V Ecotec tem desempenho dentro do esperado, tanto com câmbio manual de cinco marchas (carente de uma sexta), quanto no automático de seis marchas vindo do Cruze. Pena que as trocas sequenciais sejam feitas por um botão esquisito na própria alavanca do câmbio.
O "novíssimo" propulsor tem duplo comando de válvulas continuamente variável (Dual CVVT), com variação do tempo de abertura das válvulas de admissão e de escape; e coletor de admissão variável. Na prática, as respostas foram boas, mesmo em rotações mais baixas. Mas, como todo motor 16V, trabalhar cheio é sempre melhor. A motorização 1.6 16V Ecotec desenvolve 116 cv de potência e 15,8 mkgf de torque com gasolina e 120 cv e 16,3 mkgf com etanol - potência máxima alcançada a 6.000 rpm e o torque máximo chega a 4.000 rpm.
Segundo a Quatro Rodas, o consumo do Sonic é muito ruim. Na edição de 631, de junho de 2012, a média com etanol foi de 7 km/l na cidade (hatch manual e sedã automático) e 9,5 km/l (hatch manual) / 9,2 km/l (sedã automático) na estrada.
Mais um carro que sofre com problemas de consumo.
Chevrolet Sonic 1.6 16V Ecotec Flex
Potência: 116/112 cv (g/e) a 6.000 rpm
Torque: 15,8/16,3 mkgf (g/e) a 4.000 rpm
Comprimento: 4,039 m (hatch) / 4,399 (sedã)
Largura: 1,735 m
Altura: 1,517 m
Entre-eixos: 2,525 m
Porta-malas: 265 litros (hatch) / 477 litros (sedã)
Tanque: 46 litros
Peso: 1.163 kg (hatch LT) / 1.186 (hatch LTZ) // 1.178 kg (sedã LT) / 1.207 (sedã LTZ) //
Consumo (etanol): 7 km/l na cidade (hatch manual e sedã automático) e 9,2 km/l (hatch manual) e 9,5 km;l (sedã automático) na estrada
(nº da Quatro Rodas Ed. 631)
Equipamentos e solução do século passado
Os Sonic hatch e sedã possuem os mesmos equipamentos. A versão LT, de entrada, vem equipada de série com ar-condicionado, airbags duplo, direção hidráulica, computador de bordo, freios com sistema ABS com EBD, trio elétrico, rodas em liga leve aro 15" e desembaçador do vidro traseiro.
Já a versão LTZ oferece todos os itens da LT além de sensor de
estacionamento, faróis de neblina dianteiros, apliques cromados nas
maçanetas internas, friso lateral cromado, rodas em liga leve aro 16" (pneus 205/55 R16), descansa braço central, controles para o rádio no
volante e rede porta-objetos no porta-malas. Além disso, a versão do
Sonic LTZ ainda oferece a opção do câmbio automático de seis marchas,
piloto automático e o revestimento dos bancos em couro.
Lamentavelmente e inexplicavelmente, nenhum Sonic vendido no Brasil tem apoio de cabeça e cinto de três pontos para o passageiro central do banco traseiro. Uma bela solução, digna dos anos 1990 - "modernidade" século passado.
O Chevrolet Sonic é comercializado em seis diferentes cores: Vermelho Flame, Azul Boracay (exclusiva do hatch), Cinza Urban, Prata Switchblade, Preto Carbon Flash (todas metálicas) e Branco Summit (sólida). A garantia é de três anos.
A Chevrolet destaca ainda os acessórios do Sonic: faróis de neblina dianteiros (LT), maçanetas cromadas (LT), rede com porta-objetos para o porta-malas (LT), adesivo para soleira de portas (LT e LTZ), adesivo para a tampa do tanque de combustível (LT e LTZ), capa cromada para os retrovisores (LT e LTZ) de gosto bastante duvidoso.
Preços
Chevrolet Sonic LT hatch: R$ 46.200
Chevrolet Sonic LTZ hatch: R$ 48.700
Chevrolet Sonic LTZ hatch automático: R$ 53.600
Chevrolet Sonic LT sedã: R$ 49.100
Chevrolet Sonic LTZ sedã: R$ 51.500
Chevrolet Sonic LTZ sedã automático: R$ 56.100
Os preços são quase os mesmos praticados pela Chevrolet para o Astra, mas em 2007.
Com a volta do IPI, prevista para o início de setembro, os valores vão subir de caros/aceitáveis, de acordo com a concorrência, para simplesmente caros.
Um detalhe bastante curioso foi levantado pela Quatro Rodas. Os valores acima são do Sonic vindo da Coréia do Sul. Até o final de 2012, o Sonic vendido no Brasil será importado do México. Entretando, diferente da Fiat, que abaixou consideravelmente os valores do 500 quando ele deixou de vir da Polônia para vir do México, a Chevrolet não tem planos para reduzir os preços do Sonic mexicano! Ou seja, quando o IPI voltar, o Sonic vai ficar mais caro, mesmo vindo do México.
Quem sabe até o Sonic se tornar mais um mexicano nas nossas ruas a GM não reconsidere a sua estratégia. Torço realmente para a
presidente Dilma abrir a "caixa-preta" e verificar os lucros abusivos das montadoras.
Resumo da obra
Acredito que o Sonic tenha muitas qualidades para fazer sucesso no Brasil. Seu maior defeito, o preço, é compartilhado pelos concorrentes diretos: Honda Fit, Honda City, Ford New Fiesta Hatch e Ford New Fiesta Sedan - todos muito caros. Mais um motivo para o Chevrolet ter chance de sucesso. Imaginem se a marca reduzir os valores do modelo quando ele vier do México. Seria um sucesso absoluto de vendas.
Fotos: Chevrolet/Divulgação