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terça-feira, 2 de abril de 2013

Venda de carro perde fôlego no Brasil, mas é recorde no 1º trimestre de 2013

O mercado de veículos novos reduziu o ritmo de crescimento, mas ainda assim registrou o melhor trimestre em vendas da história. Foram licenciados 830,5 mil unidades, incluindo caminhões e ônibus, alta de 1,5% em relação a igual período de 2012.

Só em automóveis e comerciais leves, segmento beneficiado pelo Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) reduzido, foram vendidas 788,5 mil unidades, 2% mais em comparação ao mesmo período de 2012. Em março, as vendas somaram 283,9 mil veículos, 20,7% mais que em fevereiro, mas 5,5% menor que há um ano.

Mesmo com resultados ainda positivos, o governo decidiu manter o IPI menor até dezembro. Em maio de 2012, quando o benefício foi anunciado, o setor registrava queda de 4,8% nas vendas. O IPI para carros 1.0, então em 7%, foi zerado. Para modelos até 2.0 caiu à metade.

Para analistas, o governo está preocupado com a inflação e com a fraca retomada da economia. "Manter o IPI é uma boa causa, mas só adia o problema", diz Armando Castelar, pesquisador do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre) e professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro.

Na opinião de Castelar, a menos que o governo adote uma redução permanente do IPI, o impacto aparecerá quando voltar a ser cobrado. "O ideal seriam medidas de combate mais frontal à inflação, como promover mais o crescimento da indústria e melhorar a produtividade."

Em dezembro, o governo anunciou que o IPI voltaria a seus índices normais em três etapas. Em janeiro, o carro 1.0 passou a ser taxado em 2%. Neste mês, o índice iria a 3,5% e, em julho, aos 7% normais.

Durante o feriado da Páscoa, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, anunciou que o IPI seria mantido nos níveis atuais.

Para Fábio Silveira, diretor de pesquisa econômica da Go Associados, a recuperação do mercado ainda é lenta e a alta do IPI poderia retrair ainda mais o mercado. Apesar disso, Silveira mantém aposta de alta de 2,7% nas vendas de veículos este ano, ante 4,6% em 2012.

O presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Cledorvino Belini, mantém a previsão de alta de 3,5% a 4,5%. "Se a alíquota de IPI não fosse mantida, dificilmente a meta seria atingida".

Reprodução do texto da Cleide Silva com a colaboração Gustavo Porto.
Fonte: Estadão

sexta-feira, 22 de março de 2013

Volkswagen comemora seus 60 anos de Brasil com vídeo divertido

Mais uma vez a Volkswagen faz um vídeo divertido e interessante. Mas, ao invés de ser para o lançamento de um carro, como aconteceu recentemente com o novo Fusca, agora o destaque fica para a comemoração dos 60 anos da marca no Brasil.
Como vocês viram, o vídeo é focado na inovação fazendo um paralelo com o futebol brasileiro. Falta agora para o Neymar provar que é um dos melhores e mais vencedores jogadores do mundo, pois a Volkswagen já fez a parte dela no setor automotivo.

quarta-feira, 20 de março de 2013

Recém "inaugurada", expansão da Renault no Brasil já é insuficiente

Algumas montadoras começam a perceber que seus atuais projetos de expansão no Brasil poderiam ter sido maiores. A Renault inaugura hoje em São José dos Pinhais (PR) uma obra de ampliação que acrescentará a produção de 100 mil carros por ano, volume que equivale a praticamente uma nova fábrica. Mas isso não representa nenhum alívio. A linha continuará a operar na capacidade máxima, em três turnos. O diretor mundial da região Américas, Denis Barbier, que veio ao país para essa inauguração, concorda que a situação já leva a companhia a pensar numa futura expansão. Mas isso só deve ocorrer a partir de 2016. Até lá, a montadora pretende elevar a participação no mercado interno dos atuais 6,6% para 8%.
Vista aérea da fábrica da Renault no Paraná
A razão da viagem do diretor da região Américas de Paris a São José dos Pinhais é de longe mais agradável do que o motivo que há seis anos levou seu chefe, Carlos Ghosn, o presidente da companhia, a fazer o mesmo percurso. Ghosn acabara de assumir a presidência executiva da Renault quando decidiu visitar a fábrica brasileira. O clima foi de desalento. A capacidade ociosa que ele encontrou no Paraná, de 70%, superou a da Nissan, que estava em 50% na época em que ele mesmo foi escalado para salvar a montadora japonesa da falência, em 1999. Com apenas um turno de trabalho, o clima no Paraná era de fim de expediente durante mais da metade do dia. Para piorar, o executivo recebeu os resultados de uma pesquisa com consumidores brasileiros: metade deles não sabia que a Renault tinha uma fábrica no Brasil. Naquele dia, Ghosn prometeu uma reviravolta.

Inaugurada em dezembro de 1998, a Renault do Brasil parece ter ficado em compasso de espera durante boa parte de sua história de atividade industrial no país. No início, foram anos sucessivos de resultados financeiros ruins, como o prejuízo de R$ 1,4 bilhão em 2002. O primeiro lucro, de R$ 169,5 milhões, apareceu somente no balanço de 2007 e, mesmo assim, os dois anos seguintes foram ruins, com quase nenhum lucro em 2008 e mais prejuízo, de R$ 262,3 milhões, em 2009. A partir de então, a empresa fechou com lucro de R$ 232,8 milhões em 2010 e R$ 215,7 milhões em 2011, segundo o anuário "Valor 1000".

Agora, o cenário é outro. Segundo o balanço da companhia, em 2012, a alta de 9% nas vendas fora da Europa compensou a queda de 18% no continente europeu. Hoje, metade das vendas de veículos da marca é realizada fora dos mercados europeus. Mas essa fatia tende a aumentar, diz Barbier, que trabalha na Renault desde 1984 e assumiu a direção das Américas há três anos. Em suas mãos está o comando da região com um dos maiores potenciais de crescimento da marca no mundo. Segundo ele, as vendas na região Américas dobraram em três anos. Como a marca não atua nos Estados Unidos, o Brasil lidera essa região, que soma 450 mil veículos por ano. Em 2011, o Brasil ultrapassou a Alemanha e passou a ser o maior mercado para a Renault fora da França.

Se naquela visita, há seis anos, Carlos Ghosn voltou para a França preocupado com o que viu em São José dos Pinhais, Barbier desta vez deverá se animar com o clima da festa nas novas instalações. Quase não foram feitas obras de construção civil porque 60% dos 2,5 milhões de metros quadrados do terreno onde está a montadora são de mata preservada. Mas, internamente, foram muitas modificações estruturais em setores importantes e estratégicos, como linha de montagem e cabine de pintura. A fábrica recebeu novos robôs e desde 2001 foram abertos mais 1,2 mil empregos, o que elevou o quadro para 6,5 mil trabalhadores.
Fotos: Renault/Divulgação
A expansão elevará o volume anual de produção de 280 mil para 380 mil veículos. Saber que a montadora continuará a operar a plena capacidade mesmo com a ampliação ainda não é motivo de preocupação, segundo o presidente da Renault do Brasil, Olivier Murguet. Ele diz contar com um fôlego adicional, embora pequeno, até 2015, quando terminará o atual plano de investimentos, de R$ 1,5 bilhão. Somente a reforma da fábrica consumiu R$ 500 milhões. O restante do programa de investimentos, iniciado em 2010, inclui renovação de produtos e lançamentos. "Pensamos em aumentar a oferta de modelos em segmentos onde ainda não estamos presentes", afirma Barbier.

Eventual falta de capacidade também poderá ser resolvida de outra forma. Mesmo que a direção da empresa evite tratar do assunto em detalhes, existe a possibilidade de a Renault passar a utilizar toda a capacidade da fábrica de comerciais leves que hoje compartilha com a parceira Nissan. Trata-se de uma instalação vizinha à linha dos automóveis. Nesse prédio são produzidos os modelos Master, da Renault, e Livina e Frontier, da Nissan. A produção da Nissan pode até ser transferida para Resende (RJ), quando a fábrica da marca japonesa ficar pronta em 2014. Já se cogitou também o aproveitamento da aliança entre as duas marcas. Isso incluiria operações da Renault na fábrica da Nissan no Rio. Barbier admite aproveitar sinergias da aliança no Brasil, mas prefere não se estender nos comentários sobre as hipóteses.

Por enquanto, o executivo francês comemora a expansão da região que está sob seu comando e se satisfaz com a disposição do governo brasileiro em dar mais benefícios para empresas que produzirem no país. "Algumas medidas nos fazem evoluir", diz. O Inovar-Auto, nome do regime automotivo que prevê impostos maiores para veículos importados ou montados aqui com baixos índices de nacionalização, ajuda a empresa a alinhar a estratégia de crescimento internacional. Como outras montadoras, a Renault elegeu a atividade industrial no bloco Bric (Brasil, Rússia, Índia e China) como o caminho para compensar as perdas que tem sofrido por ter passado muitos anos excessivamente dependente de seu mercado de origem.

Barbier sabe, porém, que no Brasil a disputa se dará no mercado interno. Já faz tempo que as montadoras têm perdido antigos contratos de exportação para fábricas de outros países. A própria Renault brasileira já não exporta para o México porque a filial colombiana se mostrou mais competitiva na venda do modelo Sandero, também produzido no Brasil. "De fato, infelizmente hoje os elevados custos no Brasil não nos permitem exportar para os mercados da parte norte das Américas", afirma Barbier.

Com volume anual de 3,8 milhões de veículos, o mercado brasileiro, o quarto maior do mundo, ainda é grande o suficiente para absorver a produção da indústria automobilística local. Barbier reconhece que, com a entrada de novos competidores, a briga não será fácil. Mas lições do passado, que a empresa aprendeu na tentativa frustrada de entrar no mercado dos Estados Unidos, servirão para essa nova fase de competição no Brasil, segundo o executivo. "É preciso estudar, envolver-se mais na vida dos brasileiros para entender seus desejos de consumo. O mercado brasileiro é exigente. O diferencial entre as marcas será a qualidade dos serviços e a capacidade de conseguir fazer produtos ao gosto do consumidor. Os que não atenderem a isso não terão lugar nesse mercado".

Texto: Marli Olmos
Reprodução do Valor Econômico

segunda-feira, 18 de março de 2013

Chevrolet Cruze reestilizado já é vendido na Argentina. E o Brasil, como fica?

No início desse mês, a Chevrolet atualizou o visual do Cruze vendido na Argentina, tanto nas versão sedã, quanto na Sport6 (hatch). As alterações são bem próximas às aplicadas no modelo vendido para outros mercados, como o europeu e o sul coreano. Eu já havia comentado sobre a reestilização do veículo aqui em janeiro do ano passado. Mas será que o Cruze brasileiro também mudará por agora?

Antes de responder, vamos saber o que mudou. Visualmente, a dianteira recebeu modificações no para-choque, na grade, na tomada de ar e nos faróis de neblina. Nada exagerado, mas o suficiente para ficar um pouco diferente - para melhor na minha opinião. Nas laterais, apenas as rodas de liga leve são novas, enquanto a traseira é a mesma.
Por dentro, novos revestimentos e, para não ficar atrás dos "irmãos pobres" Onix e Prisma, finalmente a oferta do sistema multimídia MyLink, com tela sensível ao toque de 7", entradas USB e auxiliar, conexão bluetooth, entre outras possibilidades. Para facilitar as manobras, a versão LTZ tem ainda a câmera de ré associada ao MyLink.

Em relação aos motores, a novidade fica por conta do 2.0 16V turbodiesel de 163 cv de potência e 36,7 mkgf de torque, sempre vendido com a transmissão automática de seis velocidades. O outro propulsor é o nosso velho conhecido 1.8 16V Ecotec (a gasolina por lá), de 141 cv, que pode se associar ao câmbio manual de cinco marchas ou ao automático de seis marchas.

Agora respondendo, nosso Cruze, infelizmente, não deve mudar por agora. Pelo menos não existe previsão (oficial ou extra oficial) para uma alteração estética, embora eu acredite que o MyLink possa chegar na linha 2014.

Mas, quando as alterações acontecerem, bem que a Chevrolet poderia equipar a linha Cruze com paddle shifts (borboletas) atrás do volante para a versão automática, melhorando consideravelmente a experiência de condução do veículo. Seria um equipamento muito bem-vindo, especialmente para o hatch, que tem pretensões mais esportivas. E não custa lembrar que Toyota Corolla e Honda Civic, principais concorrentes do Cruze sedã, já oferecem este dispositivo.
Fotos: Chevrolet/Divulgação

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

Brasil estuda criar programa de reciclagem de veículos

Muito interessante essa matéria da Folha de S. Paulo. Eu sempre gostei de discutir esse assunto, pois o Brasil precisa urgentemente de um programa de renovação de frota e de reciclagem de veículos.

Sou a favor do IPVA ir ficando mais caro a com o tempo: quanto mais velho for o carro, mais caro é o imposto. Não precisa ser exatamente ano a ano, mas a cada três anos, por exemplo. Mas isso seria apenas uma das partes de um GRANDE todo. Governos, montadoras e entidades precisam se unir para conversar e definir um projeto benéfico para o país, para a população e para o meio ambiente.

Brasil estuda criar programa de reciclagem de veículos
O governo brasileiro estuda a criação de um programa de reciclagem de veículos. A proposta é da Fenabrave (federação das concessionárias), que analisa os modelos usados em outros países em discussão na convenção anual da NADA (associação dos concessionários dos EUA), que acontece nesta semana em Orlando.
Reprodução/Autosorfaos
"Estamos conversando com o poder público para que criem regras e um sistema de reciclagem veicular. Somos o quarto maior mercado do mundo e não temos uma legislação e um programa que indique o que será feito com o carro velho", diz Flávio Meneghetti, presidente da Fenabrave.

Além dos benefícios ambientais, interessa à Fenabrave uma medida de incentivo à renovação da frota, pois isso levaria a uma alta nas vendas de carros novos. "Aquece o mercado de novos e o de usados. Os ganhos são inúmeros, incluindo a redução da poluição, aumento da segurança no trânsito e a geração de renda com a contratação de pessoas e a compra de máquinas para o processo", defende Meneghetti.

FROTA VELHA
A frota nacional de carros tem idade média de 12 anos. Ao contrário de alguns países, no Brasil, quanto mais antigo é o carro, mais benefícios governamentais ele têm, como a isenção de impostos como o IPVA.

Já a situação dos caminhões é ainda mais preocupante, segundo Alarico Assumpção, vice-presidente da Fenabrave e especialista no mercado de pesados. A idade média da frota é de 14 anos. "Há caminhões com mais de 40 anos ainda 'trabalhando'. "São veículos em situação precária e perigosa", aponta Assumpção.

A criação de leis que regulamentaram a reciclagem na Argentina, por exemplo, permitiu a implantação de um programa do Cesvi (Centro de Experimentação e Segurança Viária) do país. A iniciativa reduziu o furto e o roubo de veículos na região da grande Bueno Aires em 70%.

No Europa, a legislação sobre o tema está mais avançada e há unidades para o tratamento dos carros fora de uso em países como a Espanha.

Texto: Ricardo Ribeiro
Reprodução: Folha de S. Paulo

quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

Grande notícia! Peugeot inicia produção do Peugeot 208 no Brasil. Preços precisam ser bem atraentes

Essa é a melhor notícia da Peugeot nos últimos tempos no Brasil! Finalmente a marca inicia a produção do belo 208 em Porto Real (RJ)! O modelo começa a ser vendido oficialmente no dia13 de abril.

Minha empolgação acontece porque não aguento mais ver o 207, o 207 Passion e a finada perua 207 SW nas ruas, assim como a invendável picape Hoggar (que, pelo visto, se aproxima da forçada aposentadoria). Vejam bem, não acho nenhum desses modelos ruins. Mas, na minha cabeça, eles representam a "velha Peugeot", uma companhia que foi perdendo mercado e a posição de "empresa com carros modernos e com visual bonito".

O 208 é o maior trunfo da marca do leão para recuperar o espaço perdido no mercado brasileiro. A expectativa é que 55 mil unidades sejam fabricadas em 2013 e que o modelo ajude a elevar as vendas da Peugeot entre 10% e 15% em 2013 se comparado a 2012. Para isso, além da qualidade superior do veículo (especialmente se comparado ao 207 BR), os preços precisam ser bem atraentes. Nada da versão básica custar a partir de R$ 40.000, como a Citroën faz com o C3.
Foram investidos R$ 800 milhões no projeto do 208 nacional, o que inclui as adaptações da fábrica carioca, que vai produzir 220 mil veículos anualmente (antes a capacidade era de 150 mil carros), em três turnos. Essa produção leva em consideração as marcas Peugeot e Citroën (PSA).

A fábrica de motores da PSA, que integra o Centro de Produção de Porto Real, recentemente teve sua capacidade de produção ampliada de 220.000 para 280.000 unidades por ano dos motores 1.4 8V flex, 1.5 8V flex e 1.6 16V (flex e a gasolina).

Assim como o C3, o 208 será comercializado com os propulsores 1.5 8V e 1.6 16V (sem tanquinho de partida a frio), enquanto o 1.4 8V ficará para o nosso atual 207, que continua em produção como veículo de entrada da Peugeot.
Antes do lançamento oficial em abril, 208 unidades especiais do 208, batizadas de Premier, deverão ser entregues no mês de março para os "felizardos" que pagaram o absurdo preço de R$ 54.990. Além do Brasil, o 208 nacional será exportado para outros países da América Latina, como Uruguai e Argentina.

Fica agora a expectativa a respeito das chegadas do belo sedã 301 e do SUV 2008.
Fotos: Peugeot/Divulgação

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Grupo Caoa quer criar uma montadora 100% nacional. Será que a ideia é viável?

Já pensaram em termos novamente uma montadora de carros 100% brasileira? Aparentemente este é o desejo do polêmico empresário Carlos Alberto de Oliveira Andrade, mais lembrado pelo seu grupo, o Caoa. A ideia não é nova, mas começa a ganhar um pouco mais de corpo - mas ainda muito pouco. 
Reprodução de Gurgel Guerreiro
Eu li a notícia sobre o assunto na revista CartaCapital (edição 728) e fiquei pensando em como seria interessante se tivéssemos uma fabricante de carros genuinamente nacional. Isso não acontece desde 1996, quando a Gurgel faliu. Tudo bem que Volkswagen, Fiat, Chevrolet, Ford e várias outras estão no Brasil há muito tempo, mas elas não nasceram aqui.

Mas entendo que a situação seja bastante desfavorável para esta ideia dar certo. Emboa possível, acho que o projeto do Sr. Caoa tem mínimas chances de avançar.

Primeiro seria necessário um altíssimo investimento financeiro para o projeto nascer. Depois precisaríamos de incentivos do Governo Federal - afinal, é uma empresa nacional. Mas ela seria estatal? Essa é uma outra questão importante.

Indo mais além, se tivermos um fabricante local, inicialmente, ele não deveria ter condições de uma produção em larga escala, como acontece com as três principais marcas nacionais. Isso limitaria bastante as vendas da empresa nacional.

É uma questão realmente muito mais ampla.

Acho que nada vai acontecer e que teremos apenas mais players internacionais com fábrica no Brasil nos próximos anos.

Veja um trecho da reportagem da CartaCapital
Recentemente, bateu às portas do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) o empresário Carlos Alberto de Oliveira Andrade, do Grupo Caoa, dono da maior rede de concessionárias da marca sul-coreana Hyundai no País. Sua proposta: obter o apoio do banco para fundar uma indústria automobilística de capital brasileiro. A decisão da matriz da Hyundai de construir uma fábrica em Piracicaba (SP), inaugurada em setembro, mudou os planos da Caoa, importadora e, até a inauguração da planta, a única representante da montadora no Brasil.

Com capital próprio e tecnologia da Hyundai, Andrade monta a SUV Tucson e um caminhão de pequeno porte na “fábrica” de Anápolis, onde aproveitou os incentivos fiscais dados pelo governo goiano para importar peças e equipamentos. Com a aprovação da MP da guerra dos portos, em abril, contudo, a vantagem tributária tem os dias contados: deixará de vigorar a partir de 1º de janeiro do próximo ano. Daí a urgência do grupo brasileiro de costurar uma saída que lhe permita manter um pé na produção e embarcar no novo regime automotivo, o Inovar-Auto, que também passa a valer em janeiro, mas cujos estímulos estão atrelados a metas de nacionalização da produção, investimento em Pesquisa & Desenvolvimento e eficiência energética. Programa que certamente terá a adesão da Hyundai, no caso dos investimentos diretos da marca no interior paulista, mas não no caso da unidade goiana, um negócio à parte e de responsabilidade exclusiva da Caoa.

Apesar de afinado com os propósitos do governo federal, o projeto dificilmente sairá do papel. A consulta indica, porém, o quanto mudou o cenário do setor, a ponto de uma marca brasileira ser cogitada, algo impensável até pouco tempo atrás. Inaugurada em 1969, a Gurgel faliu em 1996, no rescaldo da abertura do setor na era Collor, e a partir de então os brasileiros deixaram de estar representados sequer marginalmente, como acontecia no caso dos jipes fabricados em Rio Claro (SP).

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Termina a greve dos funcionários da fábrica da Hyundai em Piracicaba (SP)

Em menos de 15 dias, a Hyundai inaugurou oficialmente sua primeira fábrica no Brasil, onde produz o hatch compacto HB20; anunciou planos de ampliação da planta; depois a maioria dos funcionários da fábrica entrou em greve; e os colaboradores voltaram ao trabalho depois de chegarem a um acordo. Quantas coisas aconteceram para a Hyundai no Brasil em tão pouco tempo! Seria esse um sinal de que a marca terá sucesso por aqui, e que o HB20 será popular? Ou não?
Hyundai/Divulgação
Termina a greve dos funcionários da fábrica da Hyundai em Piracicaba (SP)
Os trabalhadores do 1º turno da fábrica da Hyundai em Piracicaba, no interior de São Paulo, voltaram ao trabalho nesta quarta-feira depois de um dia de greve. Os funcionários da planta da montadora sul-coreana aceitaram o reajuste do piso salarial proposto pela marca, de R$ 1.287 para R$ 1.600. De acordo com a Hyundai do Brasil, ainda haverá uma assembleia às 17h, com a presença do Sindicato dos Metalúrgicos de Piracicaba, ligado à Força Sindical, para propor o mesmo acordo com os trabalhadores do 2º turno da fábrica.

O novo piso, que sofreu alta de 24%, começa a valer no dia 1º de janeiro de 2013. Já o aumento salarial para quem ganha mais que o piso é de 8,1%. Além do aumento, o sindicato conseguiu um vale especial de Natal para os funcionários, no valor de R$ 1 mil, que deve ser pago até o dia 20 de dezembro, e uma antecipação de R$ 1.200 de antecipação de Participação nos Lucros e Resultados (PLR), que devem ser pagos até o dia 30 de novembro.

Apesar do acordo, o presidente do sindicato, José Luiz Ribeiro, disse que muitas questões serão discutidas ainda. "Queremos ainda mais melhorias no piso salarial, discutir a jornada de trabalho de 40 horas semanais, o adicional de hora extra aos sábados, que reivindicamos que seja de 100%, fim do assédio moral e o programa de PLR para o ano que vem", pontuou.

A fábrica da Hyundai em Piracicaba é responsável pelas vendas do recém lançado HB20. De acordo com Airton Cousseau, diretor executivo, a expectativa da marca era vender 10 mil unidades do hatch até dezembro. Mas foram encomendadas mais de 27 mil unidades até o prazo. A unidade fabril tem capacidade para construir 34 carros por hora.

Texto: Terra

sábado, 3 de novembro de 2012

Vendas de carros crescem 18,5% em outubro e batem novo recorde

CLEIDE SILVA - O Estado de S.Paulo

Mesmo com a prorrogação do desconto do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) até o fim do ano, o mês passado registrou alta de 18,5% nas vendas de veículos em relação a setembro, com um total de 341,7 mil unidades, o melhor outubro da história. O recorde anterior para o período tinha sido em 2010, com 303,1 mil unidades.

Somente em automóveis e comerciais leves, segmento beneficiado pelo imposto menor, foram vendidas 327,1 mil unidades, um aumento de 17,8% ante setembro. Na comparação com outubro de 2011, os aumentos são de 21,8% nas vendas totais e de 24% nas de automóveis e comerciais leves.

No ano, as vendas de veículos, incluindo caminhões e ônibus, somam 3,130 milhões de unidades, resultado 5,7% maior que o de igual intervalo de 2011. Em automóveis e comerciais leves, a alta é de 7,2%, com 2,993 milhões de unidades, segundo dados de mercado com base nos licenciamentos.

O balanço oficial do setor será divulgado na terça-feira pela Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave).

Abaixo da média
O resultado de outubro, apesar de recorde para o mês, está abaixo do obtido nos três primeiros meses de redução do IPI, quando foram vendidas 353,2 mil unidades (junho), 364,2 mil (julho) e 420 mil (agosto). Os negócios despencaram em setembro - para 288,1 mil veículos - e voltaram a reagir no mês passado.

Analistas esperam nova queda neste mês, mas uma possível corrida às lojas em dezembro, quando termina o benefício do IPI, já prorrogado duas vezes. "A indústria automobilística segue passo de crescimento nada enlouquecido - como o verificado em agosto -, mas perfeitamente possível de ser atingido", diz o diretor do Centro de Estudos Automotivos (CEA), Luiz Carlos Mello. Ele concorda com as projeções da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), de que o ano deve fechar com desempenho recorde de 3,8 milhões de veículos vendidos, quase 5% mais que em 2011. "O mercado brasileiro ainda tem uma demanda reprimida."

O benefício do IPI, que termina em 31 de dezembro, reduziu de 7% para zero a alíquota desse imposto para modelos nacionais com motor 1.0 e de 11% a 13% para 5,5% a 6,5% para versões até 2.0.

Novidades
O consumidor brasileiro confirmou, no mês passado, sua atração por novidades. O compacto Hyundai HB20, que chegou às lojas no dia 10 com preços a partir de R$ 32 mil, vendeu 3.313 unidades e tem fila de espera até fevereiro. A empresa já criou um segundo turno de trabalho na recém-inaugurada fábrica de Piracicaba.

Seu concorrente, o também novato Toyota Etios, vendeu 1.723 unidades nas versões hatch e sedã, com preços a partir de R$ 30 mil. Os dois modelos fabricados no País são apontados como responsáveis pelo aumento de participação no mercado de automóveis e comerciais leves das duas marcas. A Toyota saltou de uma fatia de 3,2% em setembro para 3,9% no mês passado e a Hyundai de 2,6% para 3,2%.

A alta demanda está provocando algumas mudanças nas tabelas sugeridas pelas fábricas. O Nissan March importado do México - cujas vendas estavam suspensas havia cerca de dois meses em razão da falta de produtos - volta a ser vendido nos próximos dias com reajuste de R$ 1,1 mil. A empresa estourou sua cota de importação de produtos sem Imposto de Importação e agora está trazendo o compacto pagando 35% de imposto.

A Citroën também aumentou em cerca de 2% os preços de algumas versões do C3 para adequar o mix de produtos com a demanda do mercado. A nova versão do compacto premium foi lançada em agosto e tem vendido, em média, mais de 3 mil unidades por mês.

Fonte: Estadão

sábado, 6 de outubro de 2012

Entenda o que muda com o novo regime automotivo

Eu estava escrevendo um post para explicar esta questão, mas achei que a matéria da Folha de S. Paulo ficou melhor, por isso a reproduzo aqui:

Entenda o que muda com o novo regime automotivo
O novo regime automotivo, divulgado pelo governo, começará a valer em 2013. Além de atrelar benefícios tributários a investimentos em pesquisa, o programa estabelece níveis mínimos de eficiência energética para as montadoras.

Até 2017, elas terão que melhorar em pelo menos 12% a eficiência energética dos carros, o que significa uma redução do consumo de combustível de 13,6% por quilômetro rodado.

A maior eficiência energética dos carros deve gerar uma economia de R$ 1.050 reais em combustível por ano para o consumidor, estima o governo.

Entenda o que vai mudar.

COMO É HOJE
As montadoras têm de comprovar 65% de conteúdo local em média. O cálculo é feito com base no faturamento da empresa.

COMO FICARÁ
A partir de 2013, as empresas terão de incluir produtos listados pelo governo na fabricação dos veículos, além de cumprir metas de eficiência energética e de investimento em pesquisa. O desconto máximo que as montadoras poderão ganhar no IPI será de 34 pontos percentuais.

Veja os requisitos mínimos para a montadora ganhar o desconto de até 30 pontos percentuais:

Obrigatórios

1) Eficiência energética: Aumentar em pelo menos 12,08% a eficiência energética dos automóveis e veículos leves até 2016

2) Etapas de produção no Brasil: Executar pelo menos seis das doze etapas fabris que integram a produção do automóvel no país a partir de 2013

Opcionais (é preciso cumprir ao menos dois)

3) Investimentos em engenharia: Investir pelo menos 0,50% da receita bruta total em engenharia e na capacitação de trabalhadores

4) Investimentos em pesquisa: Investir pelo menos 0,15% da receita bruta total em pesquisa a partir de 2013;

5) Etiquetagem do Inmetro: Ter ao menos 36% dos veículos produzidos com etiqueta do Inmetro que classifica os carros de acordo com sua eficiência energética.

Requisito mínimo para ter até 30 pontos de desconto no IPI

Compra de insumos estratégicos: Incluir na fabricação dos veículos os produtos listados pelo governo, que seguirão critérios de conteúdo local, segurança e tecnologia, a partir de 2013

COMPONENTES LOCAIS
Para aumentar o uso de componentes locais, o governo criou um fator multiplicador para calcular o percentual de desconto que as empresas ganharão. Ele será aplicado ao total gasto na compra de insumos estratégicos. Pelas contas do governo, o mecanismo elevará o percentual de conteúdo local gradativamente. Confira o percentual de conteúdo local que os veículos deverão ter para a montadora ter o desconto no IPI:

até 2013 - Automóveis e comerciais leves: 54% // Caminhões: 63%
até 2014 - Automóveis e comerciais leves: 56% // Caminhões: 66%
até 2015 - Automóveis e comerciais leves: 61% // Caminhões: 70%
até 2016 - Automóveis e comerciais leves: 63% // Caminhões: 74%
até 2017 - Automóveis e comerciais leves: 70% // Caminhões: 78%

MAIS DESCONTO
As montadoras poderão ter mais quatro pontos percentuais de desconto adicional no IPI se cumprirem outros requisitos.

Eficiência energética
Dois pontos percentuais adicionais para as montadoras que aumentarem em 18,84% a eficiência enérgica, reduzindo o consumo de gasolina para 17,26 km/l no caso da gasolina e 11,96 km/l no caso do etanol

Pesquisa e inovação
Até dois pontos percentuais adicionais para as empresas que investirem em pesquisa, engenharia e capacitação além dos valores mínimos estipulado.

Fonte: Folha de S. Paulo

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Novo Nissan Sentra conseguirá vencer a disputa com os outros sedãs médios no Brasil?

No ano que vem, a Nissan finalmente deve atualizar o Sentra. Mas será que as mudanças o qualificarão para brigar pela ponta do segmento de sedãs médios no Brasil?

O carro ficou mais bonito e moderno com esta nova geração que está chegando aos Estados Unidos agora, mas perdeu em ousadia, ganhando em conservadorismo. O proprietário de um sedã médio até gosta disso - um dos argumentos de venda do Toyota Corolla. Mas será que não ficou tradicional e conservador demais para um veículo novo?
Citei o Corolla porque ele realmente tem uma característica mais conservadora, que a marca tentou diminuir, passando "ares de modernidade" com as duas últimas mudanças do veículo. A primeira foi muito bem-vinda. Mas o facelift mais recente piorou a traseira, que ficou com estilo xuning. A marca também tentou jovializar o Corolla com uma versão "esportiva". O sedã da Toyota está na fase final de sua atual geração.

Para o Sentra, que estréia uma nova geração, as mudanças são muitos bem-vindas. Embora ele tenha ficado conservador, suas linhas são bem mais modernas do que as da atual geração. Resta saber se o novo design ajudará o sedã a vender mais no Brasil.
Se a Nissan ofertar o Sentra com muitos equipamentos de série, mantendo uma política de preços agressiva, e, especialmente, garantindo estoque de veículos e de peças (problemas do Versa), com certeza teremos um veículo com potencial de top 5 no segmento de sedãs médios no Brasil. Mas tirar a liderança do Corolla e do Honda Civic, com o Chevrolet Cruze vendendo bem, acho difícil.

US and A
Nos Estados Unidos, o Nissan Sentra 2013 parte US$ 15.990 (cerca de R$ 32.400) - contra US$ 16.430 do modelo 2012. A diminuição do preço vem acompanhada da redução do tamanho do motor e da potência. O propulsor 2.0 16V e seus 142 cv e 19,3 mkgf foram substituídos por um 1.8 16V que desenvolve 132 cv de potência e 17,7 mkgf de torque.
Versão esportiva tem a traseira mais bonita
A nova motorização trabalhará em conjunto com um câmbio manual de seis marchas ou com a transmissão automática CVT, que recebeu melhorias. O objetivo da Nissan com o novo conjunto motor/câmbio (manual e CVT) é garantir boas médias de consumo para o seu sedã. Segundo a marca, o Sentra 2012 CVT tem média de 10,2 km/l na cidade e 13,2 km/l na estrada (manual: 11,5 km/l na cidade e 14,4 km/l na estrada), enquanto o Sentra 2013 CVT tem média de 12,7 km/l na cidade e 16,6 km/l na estrada (manual: 11,5 km/l na cidade e 15,3 km/l na estrada).
O interior do Sentra 2013 também é bem tradicional, mas é mais sofisticado que o do Sentra vendido no Brasil atualmente. A nova geração tem como destaque a central multimídia, a NissanConnect, que traz uma tela de LCD de 5,8" com touchscreen, com CD Player e diversas conexões, como Bluetooth. O modelo tem ainda ar-condicionado tem regulagem em duas zonas, volante com comandos do sistema de som e do cruise control, câmera de ré, seis airbags, freios com ABS, entre vários outros itens.
Fotos: Nissan/Divulgação

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

IBGE: preços de carros sobem em agosto, mesmo com IPI reduzido

RIO - As concessionárias de automóveis novos aproveitaram a grande demanda por veículos em agosto para aumentar os preços dos carros e suas margens de lucro, afirmou a coordenadora da coordenação do índice de preços do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Eulina Nunes dos Santos.

Dados do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), divulgados nesta quarta-feira pelo IBGE, apontam que os preços dos automóveis novos avançaram 0,34% em agosto, depois de subirem 0,01% em julho. A alta em agosto ficou próxima à taxa do IPCA do período, de 0,41%, cujos dados foram coletados entre os dias 28 de julho e 27 de agosto.

No dia 21 de maio, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, anunciou a redução do IPI para carros novos para estimular a atividade econômica. Na ocasião, ele afirmou que o setor privado se comprometeria a dar descontos sobre as tabelas que vigoravam na época.

Na semana passada, a redução do IPI, que terminaria em 31 de agosto, foi prorrogada até o fim de outubro. “A demanda por carros aumentou fortemente porque o benefício acabaria em agosto. Com isso, as concessionárias aumentaram os preços dos veículos para elevar as margens de lucro”, disse a especialista do IBGE.

No mês de maio, o preço dos carros novos no país caiu 0,49%. O efeito do IPI reduzido só influenciou esse item do IPCA na última semana. O forte impacto do benefício fiscal apareceu apenas em junho, mês em que os preços dos veículos novos recuaram 5,48%.

Tento: Diogo Martins
Fonte: Valor