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| Reprodução de Gurgel Guerreiro |
Mas entendo que a situação seja bastante desfavorável para esta ideia dar certo. Emboa possível, acho que o projeto do Sr. Caoa tem mínimas chances de avançar.
Primeiro seria necessário um altíssimo investimento financeiro para o projeto nascer. Depois precisaríamos de incentivos do Governo Federal - afinal, é uma empresa nacional. Mas ela seria estatal? Essa é uma outra questão importante.
Indo mais além, se tivermos um fabricante local, inicialmente, ele não deveria ter condições de uma produção em larga escala, como acontece com as três principais marcas nacionais. Isso limitaria bastante as vendas da empresa nacional.
É uma questão realmente muito mais ampla.
Acho que nada vai acontecer e que teremos apenas mais players internacionais com fábrica no Brasil nos próximos anos.
Veja um trecho da reportagem da CartaCapital
Recentemente, bateu às portas do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) o empresário Carlos Alberto de Oliveira Andrade, do Grupo Caoa, dono da maior rede de concessionárias da marca sul-coreana Hyundai no País. Sua proposta: obter o apoio do banco para fundar uma indústria automobilística de capital brasileiro. A decisão da matriz da Hyundai de construir uma fábrica em Piracicaba (SP), inaugurada em setembro, mudou os planos da Caoa, importadora e, até a inauguração da planta, a única representante da montadora no Brasil.
Com capital próprio e tecnologia da Hyundai, Andrade monta a SUV Tucson e um caminhão de pequeno porte na “fábrica” de Anápolis, onde aproveitou os incentivos fiscais dados pelo governo goiano para importar peças e equipamentos. Com a aprovação da MP da guerra dos portos, em abril, contudo, a vantagem tributária tem os dias contados: deixará de vigorar a partir de 1º de janeiro do próximo ano. Daí a urgência do grupo brasileiro de costurar uma saída que lhe permita manter um pé na produção e embarcar no novo regime automotivo, o Inovar-Auto, que também passa a valer em janeiro, mas cujos estímulos estão atrelados a metas de nacionalização da produção, investimento em Pesquisa & Desenvolvimento e eficiência energética. Programa que certamente terá a adesão da Hyundai, no caso dos investimentos diretos da marca no interior paulista, mas não no caso da unidade goiana, um negócio à parte e de responsabilidade exclusiva da Caoa.
Apesar de afinado com os propósitos do governo federal, o projeto dificilmente sairá do papel. A consulta indica, porém, o quanto mudou o cenário do setor, a ponto de uma marca brasileira ser cogitada, algo impensável até pouco tempo atrás. Inaugurada em 1969, a Gurgel faliu em 1996, no rescaldo da abertura do setor na era Collor, e a partir de então os brasileiros deixaram de estar representados sequer marginalmente, como acontecia no caso dos jipes fabricados em Rio Claro (SP).
