Fui conhecer o Chevrolet Spin de perto e fiquei impressionado com a feiura do modelo. Parece que algo deu errado e que foram tentando consertar, e consertar e, subitamente, o tempo acabou e sobrou o que vemos hoje nas concessionárias e ruas: um carro esquisito, que entra para o seleto hall das "beldades" automotivas nacionais.
Tenho profundo respeito pelo Diretor de Design da GM América do Sul, Carlos Barba - e o admiro por tentar fazer algo diferente. Mas, desde o Agile, meu gosto e o dele não se batem muito. Não fui com a cara do hatch, nem do sedã Cobalt e agora não gosto do monovolume Spin - apenas a Montana me agradou. O bom é que beleza é um item subjetivo. Logo, o carro ser feio não significa que ele seja ruim. E esse é o caso do Spin, um feio legal.
Quando me deparei com o novo Chevrolet, pensei, inicialmente, com a cabeça do dono de um Meriva, e logo fiquei animado. Acabamento melhor, aproveitamento mais eficiente do espaço, câmbio automático de verdade (e de seis marchas!), motor 1.8 mais potente que o 1.4 e mais econômico que o "antigo" 1.8; ABS e airbag duplo de série. E tem ainda a possibilidade de levar sete pessoas! Eu trocaria o meu Meriva na hora.
Por outro lado, o dono do (mais) familiar Zafira vai olhar meio atravessado. Trocar o consagrado (e ultrapassado) motor 2.0 com 140 cv de potência por um 1.8 de míseros 108 cv? Perder o excelente sistema interno de bancos (Flex-7) para adotar uma solução comum, como do rival Nissan Livina? Comprar um carro maior que parece menor? Vou pagar menos, mas minha família ficará confortável como antes? Eu poderia até comprar o Spin, mas olharia os concorrentes com mais calma.
Pensando agora com a cabeça de quem não é dono dos falecidos Meriva e Zafira, fiquei com a sensação de, ao invés de flexibilidade e espaço, os engenheiros da Chevrolet pensaram em outra palavra para definir o Spin: simplicidade.
Não preciso nem dizer que o visual ficou simples, sem inspiração. O acabamento não é mal feito, mas é bem simples (reparem nas costuras dos bancos). Já o velho conhecido motor 1.8 8V Flexpower evoluiu em vários aspectos, mas foi simplificado em termos de potência e torque, virando 1.8 8V Econo.Flex. Os 112/114 cv a 5.600 rpm e 17,7 mkgf a 2.800 rpm deram lugar a 106/108 cv a 5.400/5.600 rpm e 16,4/17,1 mkgf a 3.200 rpm. Tudo para simplificar os números de consumo e emissões.
O que dizer do sistema de bancos então? Pode até parecer uma evolução em relação ao Meriva, mas onde estão as mesinhas tipo avião (faz muita diferença para uma familha com filhos pequenos)? E o banco traseiro corrediço, com terceira fileira de bancos que se esconde? Os diferenciais deram lugar ao simples e normal, como no Livina e no Grand Livina - modelos que, aliás, serviram de referência para a proposta do Spin, que, com a mesma carroceria, pode levar cinco ou sete ocupantes.

Mas o Spin também trouxe evoluções e incrementos, como a lista de equipamentos de série: as duas versões do modelo, LT e LTZ, vêm equipadas com ar-condicionado, direção hidráulica, freios ABS com EBD, airbag duplo; trio elétrico; alarme, trava de segurança suplementar nas portas traseiras (trava para
crianças); coluna de direção regulável em altura e banco
traseiro/segunda fileira de bancos com encosto dividido 40/60, com
ajuste do encosto em 2 posições, rebatível em 2 posições e 2 apoios
sólidos para cabeça com regulagem de altura; entre outros itens. Poderia ser até um pouco mais, mas todos os ocupante tem conforto e segurança.
Outra evolução está no câmbio. Se o motor 1.8 é simples demais e a transmissão manual de cinco marchas é comum, o câmbio automático de seis velocidades, vindo do irmão mais refinado Cruze, é um belo destaque. Com trocas sequenciais, ele tem funcionamento suave e eficiente. Uma pena que o propulsor Econo.Flex não é moderno e elástico o suficiente para aproveitar bem essa transmissão. Realmente fica devendo.
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| Passageiro do meio atrás sofre com a segurança reduzida, sem cinto de 3 pontos e apoio de cabeça |
Com 4,36 m de comprimento, 1,664 m de altura, 1,735 m de lagura (1,932 m com espelhos) e 2,620 m de distância entre-eixos, o Chevrolet Spin ficou com espaço interessante na frente e limitado nos bancos traseiros. Sentando na terceira fileira de bancos, fiquei com a sensação de mais aperto do que na Zafira e de mais espaço do que no Grand Livina.
Segundo a marca, na versão para sete lugares há 23 combinações de posicionamento dos bancos, tudo para tornar o modelo mais versátil internamente. Os objetos na cabine podem ser guardados em 32 porta-trecos. O porta-malas, de acordo com a GM, é o maior da categoria: 710 litros na versão de cinco lugares (e apenas 162 l na versão de sete lugares - menor do que do Ford Ka), podendo chegar a 1.168 litros com os bancos rebatidos.
Para minivanizar o Spin, a Chevrolet elevou a posição de dirigir em 6 cm em relação ao Cobalt. Do sedão também veio a suspensão, que recebeu uma calibragem específica, mais adequada à carroceria do monovolume.
Empolgada com as altas vendas do Cobalt, responsável por 31.257 emplacamentos de janeiro a junho de 2012 (5.209 carros em média por mês), a Chevrolet espera emplacar 2.800 unidades da minivan Spin por mês, o que pode acontecer, levando em consideração que os preços praticados atualmente, com a redução do IPI, são relativamente atraentes.
Conheça os preços e os equipamentos:
Chevrolet Spin LT MT – R$ 44.590 (R9J)
Chevrolet Spin LT MT – R$ 45.990 (R9J + R9R)
Chevrolet Spin LT AT – R$ 49.690 (R9J + R9R + R9T)
Chevrolet Spin LTZ MT – R$ 50.990 (R9P)
Chevrolet Spin LTZ AT – R$ 54.690 (R9P + R9Q)
. R9J: ar-condicionado, direção hidráulica, freios ABS com EBD, airbag duplo;
trio elétrico; alarme, trava de segurança suplementar nas portas
traseiras (trava para
crianças); coluna de direção regulável em altura e banco
traseiro/segunda fileira de bancos com encosto dividido 40/60, com
ajuste do encosto em 2 posições, rebatível em 2 posições e 2 apoios
sólidos para cabeça com regulagem de altura.
. R9R: rodas de alumínio de 15" com pneus 195/65 R15, rádio AM/FM com CD/MP3 Player / Bluetooth / entrada USB e entrada auxiliar, 4 alto-falantes;
. R9T: R9R + câmbio automático de seis marchas, controlador da velocidade de cruzeiro
. R9P: 7 lugares / Direção Hidráulica / Ar Condicionado / Travas Elétricas das portas e porta-malas / chave tipo canivete com controle remoto de destravamento das portas / protetor de cárter / banco do motorista com regulagem em altura / banco traseiro bipartido 60/40 e rebatíveis / rodas de aço com calotas integrais de 15" com pneus 195/65 R15 / vidros elétricos / alarme com acionamento por controle remoto na chave tipo canivete / coluna de direção com regulagem em altura / cobertura dos retrovisores externos e maçanetas externas das portas na cor do veículo / grade dianteira integrada ao pára-choque com detalhes cromados / interior com acabamento em dois tons / airbag duplo frontal e freios ABS com EBD (distribuição eletrônica da força de frenagem) / rodas de alumínio diferenciadas de 15" com pneus 195/65 R15 / rádio AM/FM com CD/MP3 Player / Bluetooth / entrada USB e entrada auxiliar / 4 alto-falantes / Bagageiro no teto / computador de bordo / faróis e lanternas de neblina / espelhos retrovisores externos com regulagem elétrica / maçanetas internas das portas cromadas / controles do ar condicionado com detalhes cromados / Bancos em tecido diferenciado na cor bege com detalhes em couro e detalhes na cor café / Volante com comandos para acessar as funções do sistema de som / Faróis com tratamento escurecido e regulagem de altura / Sensor de estacionamento
Com o retorno do IPI, o Spin LT vai subir de R$ 44.590 para aproximadamente R$ 47.700, Já o LTZ subirá de R$ 50.990 para cerca de R$ 54.500 (R$ 58.500 automático). Sorte da Chevrolet que os concorrentes também ficarão mais caros. Mas, mesmo assim, bem que a marca poderia manter os valores praticados atualmente. A chance de sucesso aumentaria ainda mais. O Chevrolet Spin tem garantia de 3 anos.
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| Nesta foto, Spin parece ser até bonito |
Mercado
A chegada do Chevrolet Spin mexe com o mercado de minivans no Brasil. Isso porque a presença do Meriva estava cada vez mais fraca. A Honda já lançou a
linha 2013 do Fit, que, na minha opinião, mesmo com o elevado preço, ainda é o melhor carro do segmento - embora a marca japonesa tenha perdido a grande chance de tornar o seu modelo o "veículo definitivo".
Já a Fiat mudou o visual externo do Idea para a linha 2011 e agora, para a 2013,
deu uma tímida repaginada no interior do veículo, além de reduzir o número de versões ofertadas, tentando fazer o seu modelo manter o fôlego no mercado nacional.
A Nissan continua firme e forte com o nacional Livina, mantendo preços agressivos e boa relação custo/benefício. Só espero que a marca faça um invesimento severo em acabamento na proxima mudança de linha do veículo. Já a Jac aposta no preço (que não é tão baixo) e no motor 2.0 16V para fazer o seu J6 brilhar.
Por último temos a Citroën, que deu uma melhorada interessante no C3 Picasso para a linha 2013. O modelo ganhou a opção do motor 1.5 8V flex (89/93 cv e 13,4/14,2 mkgf) - que aposenta o 1.4 flex (80/82 cv e 12,6 mkgf); recebeu o atualizado motor 1.6 16V EC5 (115/122 cv e 15,5/16,4 mkgf), que possui a tecnologia Flexstart (que dispensa o tanque de partida a frio); e passou a ser equipado, de série, em todas as versões, com ar-condicionado, direção hidráulica, airbag duplo e ABS. Uma pena que os valores pedidos pela marca francesa também sejam altos demais: 1.5 GL – R$ 45.600; 1.5 GLX – R$ 48.500; 1.6 GLX BVA – R$ 53.500; 1.6 Exclusive – R$ 55.500; 1.6 Exclusive BVA – R$ 58.900.
Emplacamentos no Brasil (janeiro a junho de 2012)
. Honda Fit - 14.935 unidades
. Fiat Idea - 11.029 unidades
. Chevrolet Meriva - 8.035 unidades
. Nissan Livina - 6.223 unidades
. Citroën C3 Picasso - 3.835 unidades
. Jac J6 - 1.337 unidades
Fotos: Chevrolet/Divulgação