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sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

E se a Hyundai unisse o Tucson ao (velho) i30?

No Brasil, convivemos com a primeira geração do Tucson, e com a sua segunda geração, o ix35. A ideia da Hyundai/CAOA é vender os modelos em dois segmentos de preços distintos, deixando o Tucson mais "de entrada" e o ix35 mais "por cima". Mas não significa que o veterano não possa ganhar novidades. Ele já é nacional e agora tem motor flex. Mas será que a marca coreana terá outras novidades para o Tucson por aqui?
Na China, a Hyundai se prepara para unir o velho Tucson ao velho i30. Explico. A marca vai lançar o SUV com uma reestilização entre os meses de março e abril. E as mudanças estéticas na dianteira aparentemente foram inspiradas no hatch médio. Nada de design de "escultura fluída", como no HB20 e no novo (e caro) i30. A solução foi usar mesmo o atual i30 como referência. O resultado até passa, mas não chega a merecer elogios.
Na traseira, as mudanças nada lembram o hatch e agradaram ainda menos. Pelo flagrante percebemos que a marca substituiu a peça em forma de "U invertido" que envolve a placa (no meio da tampa do porta-malas) por outra um pouco diferente, mais chamativa (lembra dentes de vampiro). Não é possível perceber com exatidão se a cor da peça também mudou, mas ela parece ter ficado prateada. Se tiver mesmo mudado, será uma péssima ideia, tornando a traseira bizonha! As lanternas também mudaram, ficando mais feias do que a do modelo brasileiro.
Na lateral, aparentemente apenas as rodas são novas. Por dentro, o padrão usado na China foi mantido: interior com tons mais claros. 

Agora vem a dúvida: será que teremos este Tucson no Brasil? Não seria má ideia reestilizar o modelo por aqui, dando uma (relativa) movimentada no segmento e aquecida nas vendas. Se ele recebesse mais equipamentos de série e retoques visuais mais elegantes do que o chinês, seria muito bom.
Fotos do flagrante: China Car Times/Reprodução
E não que seria ruim se a Hyundai nacionalizasse e continuasse vendendo o "velho" i30 no Brasil, com motor 2.0 16V flex e preços variando entre R$ 45.000 e R$ 55.000. Mas isso não deve acontecer, ainda mais pelo alto valor pedido pelo HB20 1.6. Não custa lembrar que o novo i30 é 1.6, e não 2.0 aqui no país.
No Brasil, Tucson é flex - Fotos do Tucson BR: Hyundau/CAOA/Divulgação

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Novo (e caro) i30 já aparece no site da Hyundai/CAOA

Mesmo com frequência menor, a Hyundai continua com o estranho hábito de tentar tornar as coisas um pouco mais confusas para o consumidor. Depois do "gato por lebre" Veloster, dos cavalos + ponêis do Elantra, e de mais algumas coisas (e de tomar uma punição do próprio consumidor), a mais recente da marca é ter dois sites oficiais no Brasil: um para os carros fabricados no Brasil (HB20) e outro para os veículos distribuídos pelo "Hyundai CAOA Montadora" - pode até parecer difícil, mas a migração de um para outro não é problemática. E é no segundo site o lugar onde os internautas já podem encontrar informações da nova geração do i30, batizada na página de i30 GD (sigla que dificilmente alguém vai usar).

Pelo visto, a marca coreana vai valorizar, como principais características do novo hatch médio, o espaço interno, o visual e o conforto do carro. E realmente o carro parece ter ficado legal. Pelo menos no quesito design, ele está aprovado. Outro lado bom é que o hatch médio deverá vir recheado de equipamentos de série.
Os lados ruins são o motor 1.6 16V (com desempenho razoável para o tamanho e proposta do carro) e o preço (cobrado antecipadamente por algumas concessionárias) na casa de R$ 75.000 - absurdamente caro! Mas ainda há esperanças de valores mais baixos e, quem sabe, de um propulsor maior (2.0 16V flex?).

De acordo com a única versão do modelo disponível no site, o novo i30 é equipado com espelho de vaidade com iluminação (isso é sério), volante esportivo de quatro raios com dois tons de cor e acabamento em couro; retrovisor interno eletrocromático, coluna de direção com ajuste manual de altura e profundidade, bancos revestidos em couro, banco do condutor com ajuste elétrico, luz no porta-malas, habitáculo e porta-luvas; botão Active Eco Drive (para melhorar o consumo), suporte para garrafas e latas no painel das portas, console central com compartimento e apoio de braço, bolsas atrás dos bancos dianteiros; painel de instrumentos com iluminação em LED, banco traseiro rebatível separadamente 60/40, 5 encostos de cabeça com regulagem de altura; botão de partida (Smart Key); sistema imobilizador, Key less (travamento das portas a distância); botões de acionamento dos vidros iluminados em LED; kit multimídia com CD Player, ráio AM/FM, GPS e Bluetooth, entrada USB e auxiliar, e comando no volante, 4 alto falantes, 2 tweeters dianteiros; ar-condicionado eletrônico com visor digital (Dual Full Auto); canalização do ar para os pés dos passageiros de trás; Cruise Control (piloto automático), computador de bordo, teto solar panorâmico (se equipado), duas tomadas 12V no painel central e freio de estacionamento eletrônico.
Além disso, o modelo tem freio a disco nas 4 rodas com ABS, EBD, ESP (programa eletrônico de estabilidade) e TCS (sistema de controle de tração); rodas de liga leve (225/45 R17); para-choques e os retrovisores externos com a mesma cor da carroceria, sensor de estacionamento. câmera de ré, limpadores de farol, faróis de xênon com projetores, retrovisores externos com comando elétrico, retrovisores externos com indicadores de direção em LED, retrovisores rebatíveis eletricamente, maçanetas das portas na cor da carroceria, aerofólio traseiro com brake light integrado, sistema de auto acendimento dos faróis, faróis de neblina, grade dianteira com detalhe e logo cromados, limpadores do vidro dianteiro aerodinâmicos e antena no teto.

Mas, depois de acompanhar o lançamento do i30 atual, com todo respeito, não confio mais plenamente na lista de equipamentos passada pela Hyundai/CAOA (até segunda ordem). Não sei se vocês se lembram, mas o i30 atual foi anunciado com um bom preço e excelente pacote de conteúdos. Mas, quando foi lançado, ele chegou mais caro e menos equipado.
Acho que o para-choque traseiro ficaria mais bonito se fosse todo liso
E a minha desconfiança aumenta porque a página inicial do novo i30 no site da Hyundai/CAOA se contradiz, já que afirma, numa parte, que bancos revestidos em couro e ar-condicionado digital são de série. Em outro lugar, afirma que são opcionais por causa do "(se equipado)". Outra dúvida está relacionada aos airbags. O duplo frontal é de série, enquanto o lateral também deve ser. Já o de cortina e para os joelhos do motorista serão opcionais?

Pelo menos esta questão do site é fácil de resolver e espero que a Hyundai acabe logo com a confusão. Por outro lado, o "problema" do motor 1.6 16V não tem solução rápida. O conjunto mecânico do novo i30 é composto pelo mesmo propulsor 1.6 16V do HB20 e do Veloster (mas sem os falsos 140 cv do "esportivo"), com os verdadeiros 122 cv de potência e 16 mkgf com gasolina e 128 cv e 16,5 mkgf com etanol. Será que os proprietários vão sentir falta da motorização 2.0 16V (que agora é flex)? Inicialmente, o novo i30 será vendido apenas com câmbio automático de seis marchas.
Fotos: Hyundai/Divulgação
Concorrentes 1.6, 1.8 e 2.0
Ford Focus, Peugeot 308, Citroën C4 e Volkswagen Golf também são vendidos com motor 1.6 flex (8V no VW e 16V no restante), então qual seria o problema da Hyundai também usar a mesma cilindrada? A questão é que nenhum dos quatro concorrentes parte de R$ 75.000 com o propulsor 1.6. Completos, sempre com motorização 2.0, eles custam:

Citroën C4 Exclusive Sport 2.0 16V automático - R$ 69.980
Ford Focus Titanium 2.0 16V automático - R$ 71.064
Peugeot 308 Feline 2.0 16V automático - R$ 70.090
Volkswagen Golf GT 2.0 8V Tiptronic - R$ 70.964

Já Fiat e Chevrolet trabalham, respectivamente, com motores 1.8 16V flex para Bravo e Cruze Sport6, que têm mais potência e torque do que o novo i30. Completos, os dois custam mais do que os R$ 75.000 cobrados por algumas concessionárias da Hyundai, mas ainda menos do que os R$ 80.000 pedidos pelas mesmas revendas da marca coreana para o novo hatch médio equipado com teto-solar.

Chevrolet Cruze Sport6 LTZ 1.8 16V automático - R$ 78.150
Fiat Bravo Absolute Dualogic Plus 1.8 16V - R$ 79.121

Pelo visto, o segmento de hatches médios está inflacionado. E, para não ficar de fora, a Hyundai quer entrar (bem) por cima com o novo (e belo) i30, que será um grande representante da categoria.

Hyundai i30
Comprimento - 4,30 m
Largura - 1,78 m
Altura - 1,495 m
Entre-eixos - 2,65 m
Peso em ordem de marcha - 1.210 kg

Chevrolet Cruze Sport6
Comprimento - 4,51 m
Largura - 2,098 m (com espelhos)
Altura - 1,477 m
Entre-eixos - 2,685 m
Peso em ordem de marcha - 1.410 kg (LT)

Citroën C4
Comprimento - 4,26 m
Largura - 1,773 m
Altura - 1,458 m
Entre-eixos - 2,608 m
Peso em ordem de marcha - 1.200 kg (GLX 1.6)

Fiat Bravo
Comprimento - 4,336 m
Largura - 1,792 m
Altura - 1,508 m
Entre-eixos - 2,60 m
Em ordem de marcha - 1.340 Kg (Essence)

Ford Focus
Comprimento: 4,351 m
Largura: 1,840 m
Altura: 1,497 m
Entre-eixos: 2,640 m
Peso em ordem de marcha: 1.290 kg (1.6 GL)

Peugeot 308
Comprimento: 4,276 m
Largura: 1,815 m
Altura: 1,498 m
Entre-eixos: 2,608 m
Peso em ordem de marcha: 1.318 kg (1.6 Active)

Volkswagen Golf
Comprimento - 4,204 m
Largura - 1,735 m
Altura - 1,457 m
Entre-eixos - 2,515 m
Peso em ordem de marcha - 1.191 kg (1.6)

Atualização
Infelizmente o valor do novo i30 foi confirmado. Agora cabe a você, leitor e consumidor, decidir se o carro vale mesmo os R$ 75.000 pedidos pela Hyundai. Eu achei o novo i30 excelente, mas não pagaria este preço (absurdo) por um.

quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

Regime automotivo ampliará investimentos de montadoras em R$ 5,5 bilhões

O novo regime automotivo vai elevar em R$ 5,5 bilhões os investimentos das montadoras até o fim da vigência do Inovar-Auto, como o sistema foi batizado pelo governo. Cálculos de técnicos do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC) finalizados ontem e obtidos pelo Estado apontam investimentos em novas fábricas e ampliação da produção em unidades já existentes. Os investimentos representarão um aumento de 453 mil veículos produzidos por ano no País.

Os dados foram apresentados por 45 empresas que pediram para entrar no novo regime, sendo que 28 delas já receberam habilitação. Entre as montadoras que se comprometeram a desenvolver novos projetos e fabricar novos modelos no País estão Nissan, Chery, JAC Motors, BMW, Mitsubishi Motor Company, DAFF e CAOA.

Se efetivados, os investimentos e o aumento na produção mudarão a tendência do mercado nacional. No ano de 2012, a produção de veículos teve a primeira queda em uma década em comparação com o ano anterior. Segundo dados da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), foram produzidos 3,34 milhões de automóveis no ano passado, contra 3,41 milhões em 2011, uma queda de 1,9%.

O Inovar-Auto contempla um conjunto de exigências para as montadoras. Elas precisam adquirir um volume maior de peças, componentes e sistemas no País, em vez de importá-los. Também devem aumentar a eficiência energética dos automóveis e investir em pesquisa, desenvolvimento e engenharia local. Se cumprirem todos esses pré-requisitos, os fabricantes podem não apenas evitar o pagamento de 30 pontos porcentuais adicionais de IPI, como obter um desconto de até 4 pontos porcentuais no imposto.

Embaladas pelo corte de IPI concedido de forma emergencial pelo governo no ano passado, as vendas de automóveis "made in Brasil" cresceram 8,3%, atingindo 3 milhões de unidades, enquanto as exportações caíram 20,1%, totalizando 442.075 carros. A participação dos importados caiu 7,3%, sempre segundo os dados divulgados pela Anfavea. Em 2012, o governo federal abriu mão de R$ 2,85 bilhões em impostos para estimular o setor. Para este ano, há renúncia prevista de R$ 5,1 bilhões.

Texto: Iuri Dantas
Fonte: reprodução de O Estado de S. Paulo

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Grupo Caoa quer criar uma montadora 100% nacional. Será que a ideia é viável?

Já pensaram em termos novamente uma montadora de carros 100% brasileira? Aparentemente este é o desejo do polêmico empresário Carlos Alberto de Oliveira Andrade, mais lembrado pelo seu grupo, o Caoa. A ideia não é nova, mas começa a ganhar um pouco mais de corpo - mas ainda muito pouco. 
Reprodução de Gurgel Guerreiro
Eu li a notícia sobre o assunto na revista CartaCapital (edição 728) e fiquei pensando em como seria interessante se tivéssemos uma fabricante de carros genuinamente nacional. Isso não acontece desde 1996, quando a Gurgel faliu. Tudo bem que Volkswagen, Fiat, Chevrolet, Ford e várias outras estão no Brasil há muito tempo, mas elas não nasceram aqui.

Mas entendo que a situação seja bastante desfavorável para esta ideia dar certo. Emboa possível, acho que o projeto do Sr. Caoa tem mínimas chances de avançar.

Primeiro seria necessário um altíssimo investimento financeiro para o projeto nascer. Depois precisaríamos de incentivos do Governo Federal - afinal, é uma empresa nacional. Mas ela seria estatal? Essa é uma outra questão importante.

Indo mais além, se tivermos um fabricante local, inicialmente, ele não deveria ter condições de uma produção em larga escala, como acontece com as três principais marcas nacionais. Isso limitaria bastante as vendas da empresa nacional.

É uma questão realmente muito mais ampla.

Acho que nada vai acontecer e que teremos apenas mais players internacionais com fábrica no Brasil nos próximos anos.

Veja um trecho da reportagem da CartaCapital
Recentemente, bateu às portas do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) o empresário Carlos Alberto de Oliveira Andrade, do Grupo Caoa, dono da maior rede de concessionárias da marca sul-coreana Hyundai no País. Sua proposta: obter o apoio do banco para fundar uma indústria automobilística de capital brasileiro. A decisão da matriz da Hyundai de construir uma fábrica em Piracicaba (SP), inaugurada em setembro, mudou os planos da Caoa, importadora e, até a inauguração da planta, a única representante da montadora no Brasil.

Com capital próprio e tecnologia da Hyundai, Andrade monta a SUV Tucson e um caminhão de pequeno porte na “fábrica” de Anápolis, onde aproveitou os incentivos fiscais dados pelo governo goiano para importar peças e equipamentos. Com a aprovação da MP da guerra dos portos, em abril, contudo, a vantagem tributária tem os dias contados: deixará de vigorar a partir de 1º de janeiro do próximo ano. Daí a urgência do grupo brasileiro de costurar uma saída que lhe permita manter um pé na produção e embarcar no novo regime automotivo, o Inovar-Auto, que também passa a valer em janeiro, mas cujos estímulos estão atrelados a metas de nacionalização da produção, investimento em Pesquisa & Desenvolvimento e eficiência energética. Programa que certamente terá a adesão da Hyundai, no caso dos investimentos diretos da marca no interior paulista, mas não no caso da unidade goiana, um negócio à parte e de responsabilidade exclusiva da Caoa.

Apesar de afinado com os propósitos do governo federal, o projeto dificilmente sairá do papel. A consulta indica, porém, o quanto mudou o cenário do setor, a ponto de uma marca brasileira ser cogitada, algo impensável até pouco tempo atrás. Inaugurada em 1969, a Gurgel faliu em 1996, no rescaldo da abertura do setor na era Collor, e a partir de então os brasileiros deixaram de estar representados sequer marginalmente, como acontecia no caso dos jipes fabricados em Rio Claro (SP).

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Alta Roda - Cuidem-se os outros

A chegada de mais uma marca oriental produzindo no Brasil vai acirrar e muito a competição pelos compradores. A Hyundai ergueu a fábrica de Piracicaba (SP) em tempo recorde e, mais do que isso, estudou com bastante cuidado as peculiaridades do mercado. Primeiro de três produtos, o compacto HB20 é específico para o Brasil, muito diferente do Eon, que produz na Índia, ou o Solaris, russo. Contrariamente ao usual, o europeu i20 é que terá, dentro de dois anos, o jeitão do modelo brasileiro.

Os sul-coreanos manterão a convivência de duas redes de distribuição. Produtos montados em Anápolis (GO) pelo Grupo Caoa e os importados ficam como estão. O novo carro será vendido por meio de rede à parte (pórtico azul identificador), de 130 concessionárias exclusivas, a partir de 10 de outubro. Assistência técnica, no entanto, será unificada (ambas atenderão todos os produtos). Esse processo será gradativo, ao longo de 2013, até chegar a 200 pontos. Estratégia que deixa brecha a explorar por concorrentes.
Embora o hatch HB20 seja oferecido também com motor de 1 litro/80 cv (primeiro três cilindros em automóvel nacional, depois do DKW-Vemag, de dois tempos, dos anos 1950), a Hyundai acredita que 60% terão motores de 1.6 l/128 cv. Ambos são de alumínio, multiválvulas e duplo comando variável. Diretrizes do projeto foram sofisticar o produto e mantê-lo, no mínimo, 1% abaixo do preço do Gol com o mesmo nível de equipamentos. Preços começam em R$ 32.000 e vão a R$ 43.000 (câmbio automático, mais R$ 3.000), em sete catálogos. Adiante, pode haver versão de R$ 28.000 (referência, IPI atual).

Há um truque, copiado dos Nissans March/Versa. Airbags são de série, mas freios ABS só nas versões de R$ 38.000 (motor 1,0; superequipada) ou de R$ 37.000 (motor 1,6; menos equipada). No geral, o HB20 surpreende pelo nível de acabamento, escolha de materiais e regulagem de altura e distância do volante (como o Gol). No entanto, parafusos aparentes atrás dos para-sóis contrastam com o cuidado de ocultar os bicos do lavador do para-brisa (em geral sobre o capô). Ao mesmo tempo em que existe bom apoio para o pé esquerdo, a regulagem de altura do banco do motorista limita-se ao ângulo do assento.
Fotos acima: Hyundai/Divulgação
Seu estilo, além de moderno, é bem atraente com elegantes vincos laterais. Graças aos 2,50 m de entre-eixos oferece espaço para pernas no banco traseiro equivalente ao Palio. Espaço atrás para cabeças também é bom, apesar de refletir algum desconforto do assento baixo. Portas traseiras, porém, dispõem de grande ângulo de abertura. Porta-malas, de 300 l (segundo a fábrica, 10% maior que os rivais) e tanque, de 50 litros, 10% menor que o do Gol.

O carro é agradável de dirigir, mas suspensões poderiam ser um pouco mais firmes e direção um pouco menos assistida. Silêncio a bordo destaca-se entre os compactos. Caixa de câmbio manual de cinco marchas tem engates precisos; automático, quatro marchas, menos brilhante. O motor de 1,6 l impressiona pelo ímpeto de acelerar, mas abaixo de 2.500 rpm mostra alguma lentidão de resposta. O de 1 litro surpreende pela suavidade em baixas rotações e timbre de escapamento diferenciado.
Ambos são os mais potentes do segmento, mas em torque perdem para o Gol (motor de menor cilindrada) e para o Palio (no de maior cilindrada).

A Hyundai poderia até vender o carro mais barato. Optou por aumentar a garantia total para cinco anos, sem limite de quilometragem (uso comercial, 100.000 km), além de segurar os preços de revisões, a cada 10.000 km ou um ano.

RODA VIVA

APESAR do recorde de vendas do mês passado, alcançado pela combinação de demanda reprimida, menos imposto e juros menores, participação dos motores de 1 litro nas vendas totais caiu. Encolheu de 41,7% em julho, para 40,9%, em agosto. Entretanto, ainda representa posição média acima de 60%, quando considerados apenas os modelos compactos.

FORD está pronta para produzir em São Bernardo do Campo (SP), no início de 2013, além do novo Fiesta hatch (retocado e alinhado ao modelo europeu que estreia no fim do mês), a versão sedã, mais adiante. Esta continuaria sendo importada do México, mas existem dúvidas sobre o futuro do acordo comercial que inclui também Brasil e Argentina.

POUCOS comparam preços de modelos equivalentes entre Brasil e Europa. Monovolume Dacia Lodgy, candidato à produção no Brasil pela Renault, teve preço anunciado a partir de R$ 38.000, versão a gasolina, de 1,2 l. O Spin, motor de 1,8 l e mais equipado, parte de R$ 44.500. Igualadas cargas fiscais e conteúdos, o Chevrolet fica um pouco mais barato que o romeno.

SEMANA Nacional do Trânsito (18 a 25 de setembro) terá ação do Observatório Nacional de Segurança Viária (ONSV). A organização desenvolveu campanha diferenciada sobre o tema acidentes de trânsito, focando no cidadão. Para a ONSV, somente com mudanças de atitude se conseguirá reduzir o alto índice de mortes (estimado em 60.000 em 2012) e feridos (285.000).

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Bonitinho, mas ordinário: este é o novo Hyundai HB20

Um misto de curiosidade, animação e decepção. Assim defino a minha primeira relação com o novíssimo Hyundai HB20, modelo que chega ao mercado brasileiro para brigar com os consagrados hatchs Volkswagen Gol, Fiat Uno, Fiat Palio, Ford Fiesta, Renault Sandero, Chevrolet Agile, entre outros, além de também efrenter o recém lançado Toyota Etios (meu próximo post).

Sobre os meus três sentimentos, a curiosidade veio porque a Hyundai está fazendo o maior barulho possível do seu "anti-Gol". É a primeira vez que a marca coreana se aventura neste segmento no Brasil e, pelo histórico recente, é de se esperar, pelo menos, algum sucesso. E este também é o primeiro modelo de massa da Hyundai sem o "bom" Grupo CAOA por perto.
A animação vem logo depois da curiosidade. A Hyundai prova que um veículo novo, compacto e, teoricamente, de baixo custo, pode ser bonito e moderno. Some a isso os cinco anos de garantia, algo inédito para o segmento, e temos dois pontos de atração fortíssimos!

Mais aí vem a decepção. Com a animação no topo, olho os preços do HB20: a partir de R$ 31.995. Tudo bem que ele já traz uma lista de equipamentos de série respeitável, mas, se lembrarmos, primeiro, que a Hyundai cogitou o valor inicial de R$ 28.000 e, segundo, que o preço anunciado é com o IPI reduzido, a decepção bate na porta. A partir de novembro, os R$ 31.995 vão virar cerca de R$ 35.195.
Os valores não estão péssimos e são competitivos, especialmente se lembrarmos que os principais concorrentes, com os mesmos equipamentos e garantias menores, custam mais ou menos a mesma coisa. Mas, com toda essa conversa de lucros altos das montadoras, impostos elevadíssimos e a expectativa de um preço inicial praticamente R$ 4.000 a menos, acho que o HB20 poderia ser mais barato.

Como eu disse antes, seu visual agrada bastante, lembrando uma versão "mini" do novo i30, outro grande lançamento da Hyundai para o futuro próximo. As linhas mais retas do HB20 também remetem ao Elantra e a outros veículos da marca. Bem que alguns designers de marcas concorrentes (apenas Toyota e Chevrolet?) poderiam trocar "figurinhas" com a Hyundai.

Preços, equipamentos e versões
O HB20 é vendido com duas opções de motor, que não são inéditos para o brasileiro. O 1.0 12V flex de três cilindros tem comando de válvulas varíavel e desenvolve 75 cv de potência e 9,4 mkgf de torque com gasolina e 80 cv e 10,2 mkgf com etanol. Já o propulsor 1.6 16V flex, de quatro cilindros e também com comando variável de valvulas, gera 122 cv e 16 mkgf com gasolina e 128 cv e 16,5 mkgf com etanol.

A diferença de preços entre as versões 1.0 e 1.6 é de R$ 5.000. Assim como o preço, a diferença de desempenho também é bem grande! Considero o HB20 1.6 é muito mais esportivo do que um Veloster, que custa quase o dobro do preço e vem repleto de falsos cavalos.

Em termos de espaço, o HB20 mede 3,90 m de comprimento, 1,68 m de largura, 1,47 m de altura e tem 2,50 m de distância entre-eixos. Seu porta-malas tem interessantes 300 litros de capacidade, que pode subir para 900 litros com o banco traseiro rebatido.
Internamente, o espaço não é lá essas coisas, mas condiz com a realidade do veículo. Digo o mesmo sobre o acabamento, que é melhor do que de vários concorrentes, mas não tem luxo.  

Comfort (1.0 e 1.6): todas as versões do Hyundai HB20 saem da fábrica de Sorocaba (SP) já equipadas com ar-condicionado, direção hidráulica, computador de bordo, duplo airbag frontal, faróis com máscara negra, rodas de 14 polegadas com calotas, ajuste de altura do banco do motorista e quadro de instrumentos luminescente (que se mantém aceso o tempo todo). ABS e EBD? Só escolhendo uma versão mais cara - pelo menos até 31 de dezembro de 2013.

Comfort Plus (1.0 e 1.6): itens da versão Comfort + alarme, vidros elétricos, desembarçador traseiro, chave canivete com abertura e travamento remoto e tecido nas portas.
Comfort Style (1.0 e 1.6): esta versão deveria ser a de entrada, mas, infelizmente, não foi isso que pensou a Hyundai. O HB20 Comfort Style tem os itens dos acabamentos Comfort e Comfort Plus além de rodas de liga leve, freios ABS com EBD, rodas de liga de 14", sistema de áudio com comandos no volante e banco traseiro bipartido. Com motor 1.6, o câmbio automático de quatro marchas é opcional.

Premium (1.6): a versão topo de linha é vendida apenas com motor 1.6 e vem com todos os itens citados acima e rodas de liga leve com aro 15 polegadas, painel bicolor (cinza e preto), além de também poder ser equipada com câmbio automático de quatro marchas.

Conforme divulgado, o único opcional do HB20 é o sistema de áudio da Hyundai, oferecido por R$ 995, que inclui radio/CD com leitor de MP3, entradas USB e auxiliar e volante multifuncional com comandos.
Com 300 litros, porta-malas tem tamanho interessante para o porte do carro
Confira a lista de preços:

Hyundai HB20 1.0 Comfort: R$ 31.995
Hyundai HB20 1.0 Comfort Plus: R$ 33.995
Hyundai HB20 1.0 Comfort Style: R$ 37.995

Hyundai HB20 1.6 Comfort: R$ 36.995
Hyundai HB20 1.6 Comfort Plus: R$ 38.995
Hyundai HB20 1.6 Comfort Style: R$ 42.995
Hyundai HB20 1.6 Comfort Style Automático: R$ 45.995
Hyundai HB20 1.6 Premium Manual: R$ 44.995
Hyundai HB20 1.6 Premium Automático: R$ 47.995

Conclusão
O novo Hyundai HB20 não é a inovação que esperávamos, mas é um grande representante do segmento dos compactos e chega, realmente, para dar uma chacoalhada na concorrência.
Fotos: Hyundai/Divulgação

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

Alta Roda - Poluição não é igual para todos

Ao entrar no quarto ano de inspeção técnica ambiental para toda a frota da cidade de São Paulo, pode-se afirmar que se trata de uma ação bem sucedida. Em 2011, cerca de 3.200.000 veículos passaram pelas linhas de inspeção, incluindo automóveis, motocicletas, caminhões e ônibus.
Reprodução do Blog do Robson Pires
A partir das estatísticas da concessionária do serviço, Controlar, um mito já pode ser desfeito. A maior cidade do país está longe da frota “monstruosa” de sete milhões de veículos que lhe é atribuída pelos dados distorcidos do Denatran. A empresa estima a evasão – veículos antigos que poluem muito, mas rodam relativamente pouco – em 30%. A frota real estaria, portanto, em torno de 4,5 milhões de unidades. Simplesmente, o Denatran não pondera o sucateamento natural de veículos ao impor regras complicadas ao último proprietário.

O controle da frota é fundamental para qualquer planejamento viário, análise de poluição do ar, inspeção de segurança e incidências de mortos e feridos no trânsito. Números artificialmente elevados de veículos em circulação mascaram as taxas de acidentalidade. Se o divisor fosse próximo da realidade, os 40.000 mortos por ano colocariam o Brasil em posição ainda mais vexaminosa no quadro mundial.

Hoje, apenas a cidade de São Paulo e o Estado do Rio de Janeiro fazem inspeções regulares. No segundo caso, além de emissões, há checagem de poucos itens de segurança, de forma superficial e tarifa muito cara. Uma verdadeira e confiável inspeção técnica veicular (incluindo a ambiental) ainda está esquecida no Congresso Nacional. O que existe é a obrigatoriedade de inspeção de emissões, imposta pelo Conama (Conselho Nacional do Meio Ambiente) a todos os Estados sob critérios discutíveis e desconectada da realidade.

Uma inspeção unificada permitiria tarifas menores e atacaria o problema maior, os riscos de acidentes por falta de controle de manutenção. Não se trata de menosprezar a qualidade do ar e seus reflexos na saúde. Clama-se por racionalidade. Afinal, São Paulo e uma cidade à beira-mar no Nordeste mostram cenários bem distintos de poluição.

A Controlar, depois de muita insistência, abriu alguns de seus números e se esforçou para tentar provar a importância de inspecionar automóveis de até três anos de uso. Em 2011, o índice de reprovação na primeira vistoria para carros fabricados em 2010 foi de ridículo 1%; em 2009, 2%; em 2008, 3%. Nesses percentuais se incluem táxis e veículos de frota que, por rodarem bastante, ficam mais sujeitos a desconformidades e devem ser inspecionados em intervalos menores.

Veículos com motor a diesel, incluídos picapes e SUVs, tiveram índices elevados de reprovação inicial: 15%, 16% e 14%, respectivamente. Motocicletas: 4%, 7% e 18% para os mesmos anos de fabricação (2010, 2009 e 2008).  As frotas problemáticas são essas e não os carros com motores a gasolina, etanol ou flex com três anos de uso. Os movidos a GNV foram os piores por falta de controle sobre a instalação de kits de adaptação. A melhora do ar na cidade ocorre com ajuda da inspeção, mas fatores atmosféricos aleatórios também influenciam.

A concessionária insiste em inspecionar carros seminovos pelo equilíbrio financeiro do seu negócio, pois a evasão é baixíssima. Se fossem dispensados, como a regra nos demais países, a renovação de frota poderia se acelerar. Haveria estímulo para troca de automóvel e se livrar, a cada ano, do maçante processo burocrático (agendamento, boleto e inspeção).

Tarifa cobrada pela Controlar baixou para R$ 44,36, mas deveria ser menor para automóveis recentes. Estes dispõem de sistema de diagnose a bordo, mais confiável e que encurta o tempo de inspeção.

RODA VIVA

AUMENTA a fila de marcas que querem instalar fábricas no Brasil, mas pedem uma solução ao governo para o adicional de IPI para quem hoje é apenas importador. A JAC jogou a toalha e está à espera, como BMW, Land Rover, Habin Hafei e Changan, de uma abertura de “sobrevivência” com cotas de importação até o início da produção.
Hyundai/Divulgação
GRUPO Caoa confirma o início da montagem do SUV compacto Hyundai ix35, no final do ano, em suas instalações de Anápolis (GO). Mas não marcou data para encerrar a produção do Tucson, que no exterior foi substituído pelo ix35. Pelo jeito, a convivência de duas gerações de um mesmo modelo é vírus disseminado no mercado brasileiro.
Citroën/Divulgação
EQUILIBRAR bem esportividade e acabamento de alto padrão é a fórmula que a Citroën achou no DS3. O compacto de duas portas conta com motor turbo 1,6 l/165 cv, de estirpe BMW, e acerto de suspensões bem firme para aproveitar ao máximo a emoção nas curvas. Opção única de câmbio manual de seis marchas está adequada ao espírito do modelo, na faixa dos R$ 80.000.

INVERNO é tempo de não esquecer de ligar ar-condicionado, no ciclo frio, uma vez por semana. Mantém lubrificados componentes do sistema e evita gastos com manutenção. Também ajuda a eliminar odores e fungos nas tubulações, em razão do longo período sem utilização.

quarta-feira, 25 de julho de 2012

Novo Hyundai HB20 deverá fazer um baita "estrago" no mercado nacional

Hyundai/Divulgação
Vejam bem: motores 1.0 (3 cilindros e 12V) e 1.6 16V (com opção de câmbio automático); airbag duplo de série; visual moderno e chamativo; (promessa de) preços variando entre R$ 28.000 e R$ 40.000; produção no Brasil (Piracicaba/SP); cinco anos de garantia; e a aproximação do fim da parceria com a CAOA. Com essas qualidades, vocês acham que o Hyundai HB20 vai dar errado no Brasil?

Com lançamento previsto para o mês de outubro, o novo hatch coreano deverá abalar o mercado nacional. Se a Hyundai tiver volume para atender tantos pedidos, com uma estratégia de marketing correta e honesta (diferente de alguns casos, como aqui e aqui), o HB20 ficará um bom tempo sem parar concessionárias, pois a procura será alta demais - e o estrago nos concorrentes também. Só espero que a marca consiga atender as demandas (crescentes) do pós-venda.

Volkswagen Gol, Fiat Palio e muitos outros que se cuidem...

quinta-feira, 12 de julho de 2012

Alta Roda - Hyundai com mais força

Entre as trajetórias mais surpreendentes dos últimos anos está a do grupo sul-coreano Hyundai, que possui 34% das ações da Kia, mas controla a marca por meio da mesma família proprietária, a Chung. No ano passado, o grupo produziu quase sete milhões de unidades de automóveis e veículos comerciais, atrás apenas de GM, Toyota e Volkswagen.
O país asiático de 50 milhões de habitantes é o exemplo de como investimentos maciços na educação transformaram uma nação dividida e pobre em desenvolvida ao longo de menos de 50 anos. E continua a crescer, haja vista estradas e conjuntos de edifícios em construção ao redor da capital Seul.

Fundada em 1967, a companhia começou montando carros da Ford e depois fabricou produtos baseados em mecânica Mitsubishi. Seu primeiro modelo próprio, o compacto Pony, é de 1974 e o primeiro motor, de 1991. São nada modestos ao comentar que suas referências atuais em qualidade transferiram-se das marcas japonesas para as principais europeias.

A expansão internacional da Hyundai impressiona. Cerca de 60% de sua capacidade produtiva total situa-se fora da Coreia, incluindo China e EUA. No Brasil, a fábrica de Piracicaba (SP) está dimensionada para 150.000 unidades em dois turnos, onde começa a produzir em outubro. O acordo de importação com o Grupo CAOA continua, além da produção em Anápolis (GO) do SUV Tucson e dos caminhões leves HR/HD. No entanto, a nomeação de novas concessionárias será de responsabilidade dos coreanos. Lojas próprias da CAOA respondem, hoje, por 70% das vendas atuais da marca.

O foco da empresa é o mercado brasileiro, sem preocupação inicial em exportar para os países vizinhos. Tanto que produz na Índia dois modelos pequenos, i10 e Eon, e ainda assim decidiu desenhar um carro específico para o Brasil, com nome a ser anunciado em breve.

No centro de desenvolvimento de Namyang, a 60 km de Seul, alguns jornalistas puderam ver o carro pronto, faltando apenas pormenores como a superfície do volante de direção. Embora nada comentassem sobre arquitetura e dados técnicos do carro, sua origem é o Kia Picanto/i10, um subcompacto de dimensões internas e externas próximas às de um Gol, por exemplo. Distância entre eixos e comprimento do Picanto (2,38 m/3,60m ante 2,46 m/3,90 m do Gol) são inferiores, mas não chegam a comprometer o espaço para joelhos e cabeça atrás. Volume do porta-malas é bom (225 litros), porém não igual ao de um compacto como o Uno (280 litros).

O estilo do Hyundai brasileiro é bastante atual e difere tanto do Picanto como do i10. Internamente, painel e quadro de instrumentos são específicos, de desenho agradável, além de um bom porta-luvas. A versão mostrada foi a de topo e inclui recursos como regulagens de altura e distância do volante, além do assento do motorista, e bom apoio para o pé esquerdo.

Haverá dois motores, ambos flex: 1,0 l, 3 cilindros (Picanto) e o 1,6 l, 4 cilindros (Cerato/Soul). Em curta avaliação, o motor de três cilindros demonstrou disposição para acelerar, sonoridade agradável, mas não tão suave como um quatro-cilindros. Direção e suspensões ficam dentro dos melhores padrões do segmento. O preço, obviamente, continua em segredo até o lançamento. Com certeza estará abaixo de R$ 29 mil. O sedã vem no começo de 2013, seguido por versão “aventureira” do tipo CrossFox. O SUV ou crossover derivado ainda está por definir.

RODA VIVA

APESAR de ter acontecido o melhor junho da história – 353.200 unidades vendidas entre carros e veículos comerciais – ainda não dá para saber como será o segundo semestre. Parte do bom resultado se deve a unidades que não puderam ser emplacadas no fim de maio logo depois da redução do IPI. Fenabrave (concessionárias) acha que, no máximo, haverá empate com 2011 e Anfavea prefere esperar para revisar sua previsão de crescimento.

EXISTE consenso entre analistas de que condições atuais de imposto menor precisam ir além de 31 de agosto. Isso para que o segundo semestre alcance média de pelo menos 330.000 unidades mensais e o fechamento de 2012 empate com o ano passado. Em junho estoques totais caíram de 43 para 29 dias e índice de inadimplência deu sinais de queda. Assim, o ano não parece perdido, apesar dos tropeços até agora.

COMPRA dos restantes 50,1% das ações da Porsche Holding pela Volkswagen muda pouca coisa na prática. Fusão das duas empresas já havia acontecido na prática, mas não de direito. Ocorre que a Porsche SE, nível acima na estrutura acionária e de propriedade das duas famílias que controlavam diretamente a marca de carros esporte, continua com 50,7% do novo grupo.

CÂMBIO manual automatizado, agora disponível no CrossFox I-Motion, trouxe o conforto de uso no dia a dia do trânsito que faltava na versão aventureira do Fox. Demora em tornar disponível a opção deveu-se a testes para o uso leve no fora de estrada. Em qualquer das duas situações o comportamento do câmbio é muito bom e tende a ter mais aceitação pela relação preço-comodidade.