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sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Tiguan e SpaceCross: da criatividade ao grotesco, os opostos da Volkswagen na TV

A Volkswagen tenta sempre ser marcante nos seus comerciais. Pensando apenas nos mais recentes, quem não se lembra da dupla Gisele Bündchen e Sylvester Stallone na propaganda do novo Gol (G5) e das pipocas no vulcão para o lançamento da nova Saveiro. Tivemos ainda a "nonsense" ovelha amiga do dono do SpaceFox. E como se esquecer do cachorro "au au" que rouba a cena no comercial do novo Jetta.

Mas nem sempre a marca consegue ser marcante positivamente. Além do sedã, atualmente, a VW trabalha com mais duas propagandas, sendo uma muito legal e outra de extremo mau gosto. Vejam:

Volkswagen Tiguan

Este comercial é criativo e divertido. Conseguimos ver o apelo aventureiro do veículo, junto com o seu conforto e tecnologia. Só não entendo por que a mulher precisou do Park Assist II para estacionar o Tiguan no meio de um campo quase aberto. Nem sei se o sistema funcionaria nessas condições ou entre árvores. Mas tudo bem.

Volkswagen SpaceCross

O comercial até tentou ser criativo, mas ficou ofensivo, demonstrando o quase total desprezo do pai com o filho. Como ele teria vergonha do menino simplesmente porque o garoto não toca guitarra, não sabe surfar e ainda não "pegou" nenhuma garota? O desprezo só não foi total porque ele levou o filho para a escola.

Esse desprezo do pai pelo filho vai totalmente na contramão do objetivo de um veículo familiar. Mesmo "aventureira", uma perua é um carro com espaço para tudo e para todos. A SW deveria representar algo mais respeitoso, feliz e divertido; e não o rebaixamento do filho pelo seu próprio pai.

Sobre o pedido do filho para que o pai não parasse o carro na porta da escola, isto é algo natural da idade. Esse tipo de vergonha faz parte do início da adolescência. Vendo o comercial, meu desejo é de nunca comprar um SpaceCross. Grotesco Volkswagen, grotesco...

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Alta Roda - Sem distinção de origem

Ainda não baixou toda a poeira do aumento do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), mas já permite uma análise aprofundada. Claro, trata-se de medida protecionista que todos execram. Entretanto, isso é o que menos falta no mundo, hoje, por meio de barreiras válidas ou disfarçadas, especialmente após a crise financeira de 2008. Exemplos: no México, só podem importar as marcas que produzam lá ou mediante acordos comerciais (chineses e sul-coreanos ficam de fora); os que não fabricam na Argentina devem compensar a importação comprando produtos locais e exportando.

Há outros casos curiosos. Apesar do alto poder aquisitivo, na Coreia do Sul todos os importados, inclusive marcas premium, ocupam apenas 1% do mercado interno. Será que estrangeiros oferecem menor prazo de garantia? Na China, o programa subsidiado de veículos elétricos só é válido para os produzidos por chineses. Provavelmente, pela qualidade superior...

Isso posto, vem o IPI majorado em 30 pontos percentuais, na média aumento real da alíquota de 26,5%. Difícil derrubar essa medida na Organização Mundial do Comércio (OMC). O governo alegaria que a nova alíquota é para todos, sem distinção de origem, seguida por normas de incentivos para fabricação local, como já ocorre com computadores e outros bens. Decisões da OMC são lentas e o IPI maior vale, inicialmente, até o final de 2012. Tempo curto demais para eventual disputa.

Emenda constitucional, de dezembro de 2003, de fato estabelece um mínimo de 90 dias para alterar um tributo. Alguns acham que a regra vale para impostos novos e que IPI existe desde os anos 1960. Juízes terão que decidir. Faz parte do cipoal legislativo típico do famigerado Custo Brasil.

Protecionismo, em princípio, prejudica consumidores. Porém, é bom lembrar que não se exige conteúdo local para produzir veículos no País, salvo os 60% dentro do Mercosul. O novo índice de nacionalização de 65% é mais rigoroso: desconta (agora) a carga fiscal, há processos produtivos regulados e gastos obrigatórios em pesquisas. Deixa alguma flexibilização por dispensar das exigências 20% da produção.

Também não dá para exagerar. Novas marcas que queiram construir fábricas aqui poderiam seguir uma escala crescente de uso de autopeças nacionais ou do Mercosul, iniciando em 30%. Parece óbvio que isso ocorrerá. Afinal, mesmo que a maior intenção de investimento desses entrantes signifique menos de 10% do que apenas um dos fabricantes estabelecidos já iniciou, o Brasil precisa de todos os empregos que possa gerar. Na longa cadeia industrial a geração de renda é superior ao setor comercial, no nosso estágio de desenvolvimento atual.

Ponderando prós e contras, inclusive a situação cambial que favorece importar e não fabricar localmente, toda essa confusão do IPI tende a ser neutra para o consumidor, em médio prazo, e favorável, em longo prazo, por atrair investimentos pesados e maior concorrência. De início, bônus e financiamentos subsidiados podem até diminuir. É ingenuidade, no entanto, achar que importadores repassarão toda essa carga fiscal, desistindo de um dos mercados mais atraentes do mundo, onde todos brigam por décimos de participação nas vendas.

RODA VIVA

DODGE Journey e Fiat Freemont continuarão a vir do México isentos de imposto de importação e do IPI majorado. Acordo bilateral tem sido muito favorável ao Brasil: exportamos mais de 1,5 milhão de unidades em dez anos e importamos nem um terço desse volume. March e novo Fiesta, hoje mexicanos, serão fabricados aqui, diminuindo importações.

SEDÃ compacto Chevrolet Cobalt não terá arquitetura baseada na do Corsa alemão e muito menos será a versão sedã do Agile. Por ora, a GM esconde essa informação, mas o carro foi desenvolvido em conjunto pelas filiais brasileira e sul-coreana (antes conhecida como GM Daewoo Auto & Technology). Modelo chega ainda esse ano, substituindo Astra e Corsa sedã atuais.

VERSÃO básica do Tiguan 2012 passa a custar R$ 110.000 com repasse parcial do novo IPI. Derivado do Golf, recebeu retoques na frente e traseira e, no interior, rádio com navegador. Assist Park II agora permite entrar e sair das vagas, inclusive as transversais, com mínima intervenção do motorista. Impressiona a nova tração 4x4 permanente, tanto no asfalto como na terra.

VENDER a ideia de um modelo comum voltado para a economia de combustível não é nada fácil. A Fiat faz isso agora com o motor de 1,4 litro do Uno Economy. Antes só aplicava o conceito a motores de 1 litro, como do próprio Uno. Pacote inclui transmissão, pneus, suspensões e gerenciamento do motor modificados para alcançar de 10% a 15% de economia.

BOSCH aumentará oferta de produtos de ponta produzidos no Brasil. Além do ABS de nona geração, ESP também entra no portfólio. São unidades mais compactas e leves, iguais às europeias, para ampliar segurança ativa nos automóveis. A empresa inicia atividades de energia solar, nacionalizando placas fotovoltaicas.

sábado, 20 de junho de 2009

Notícias da Volkswagen

Tom Schmall, presidente da Volkswagen do Brasil - Foto de Marcos Vieira/EM/D.A Press - 18/6/09
Estive numa coletiva de imprensa do presidente da Volkswagen do Brasil, Tom Schmall, e de outros executivos da marca na última quinta. Foram abordados vários assuntos importantes e interessantes. Fiz um pequeno resumo e selecionei o que achei mais interessante para este espaço:

Mercado mundial
. Depois da Alemanha, Brasil e China são as prioridades da Volkswagen;
. Das vendas mundiais da Volkswagen, atualmente, o Brasil é responsável por 16% de participação. Dois anos atrás, o mercado brasileiro representava 12% das vendas globais da marca.
. Hoje, o Brasil tem oito pessoas para um carro. A Alemanha tem 1,2 pessoas para cada carro. Já o México tem cinco pessoas para um carro. Para a Volks, o mercado brasileiro vai chegar no mesmo nível do México em 2014;
. A Volkswagen nunca pensou em “investir” na General Motors, comprando alguma de suas marcas, como a Saturn, Hummer ou Opel;
. Para Schmall, seria interessante o acordo com a Porsche, pois seria mais uma marca forte para fazer parte do Volkswagen Group.

Mercado nacional
. A partir de julho, se a redução do IPI acabar, a Volkswagen vai trabalhar com estoques menores para enfrentar melhor uma provável queda de vendas;
. Segundo Schmall, uma ação para ajudar a compensar o fim da redução do IPI seria investir em crédito para financiamentos;
. Para a Volkswagen, na crise, é sempre interessante para a marca investir em novos produtos e em exposição na mídia, já que, com a queda de vendas, a marca não pode diminuir os anúncios para não sumir do mercado (se esconder);
. O retorno escalonado do IPI seria o mais adequado;

Lançamentos
. O Volkswagen Group vai lançar, nos próximos cinco anos, 47 veículos inéditos em todo mundo;
. Segundo Schmall, a Volkswagen antecipou sete lançamentos de 2010 para 2009 no Brasil;
. Ao todo, a marca vai ter 16 novidades em 2009. Dessas, sete já foram lançadas: Tiguan, Passat, EOS, Bora flex, Fox Sunrise, Polo E-Flex e Polo Bluemotion (não necessariamente nesta ordem).

Num momento da coletiva, perguntei ao Tom se o fim da redução do IPI atrapalharia os outros lançamentos da marca 2010, em especial os dois que a fábrica cuida com mais carinho ( Fox reestilizado e Saveiro). A resposta dele, com um grande sorriso no rosto, foi em forma de pergunta: "Por favor, você poderia me falar mais desses dois lançamentos?".

Infelizmente nenhum executivo comentou sobre o Fox reestilizado, a nova Saveiro e o Gol GTI. Falando do campeão de vendas, a sua versão esportiva terá visual mais agressivo, com máscaras negras nos faróis, grade do tipo colméia (estilo inspirado no Polo GTI), rodas com aro 16", suspensão ligeiramente mais baixa e motor 1.4 TSI, importado da Alemanha, que deve gerar entre 140 cv e 160 cv de potência. Seu preço ficará acima dos R$ 35.490 sugeridos para o Gol 1.6 Power. Acredito que o valor fique entre R$ 40.000 e R$ 60.000.