Entretanto, houve diferenças em relação a acordos anteriores aqui e mesmo no exterior, onde corte de impostos visou à renovação da frota. A principal novidade é que a indústria, além de obviamente manter empregos, concordou em descontos adicionais de 2,5% para automóveis até 1.000 cm³ de cilindrada; 1,5% entre 1.000 cm³ e 2.000 cm³; e 1% para comerciais leves (picapes e furgões). Utilitários esporte (SUV) são considerados automóveis para efeitos fiscais.
| Reprodução Autoesporte |
Nas rodadas de corte de IPI de 2008 e 2009, a indústria nada ofereceu em descontos adicionais nas tabelas. Esse é um ponto positivo e pode desencadear mais promoções, além das que já ocorriam para diminuição dos estoques. As medidas de estímulo valem até 31 de agosto próximo e será interessante ver o que acontecerá depois.
Por causa dessas negociações a Anfavea tinha decidido adiar a revisão de previsões de crescimento de 4% a 5% para este ano. Algo em torno de 3% parece, agora, factível. Ainda assim será difícil por exigir vendas mensais médias, até o final do ano, sempre acima de 320.000 unidades (incluídos caminhões e ônibus).
Maior impacto que o preço, porém, vem das novas condições de financiamento. O governo liberou uma parte do empréstimo compulsório dos bancos, voltou a alíquota do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) para 1,5% (antes 2,5%) e reduziu exigências de reservas bancárias para o valor de entrada baixo nos parcelamentos. Volume extra de dinheiro para emprestar é mais eficaz do que tentar baixar as taxas de juros só no “grito”, como se queria antes.
O retorno (tímido, acredita-se) dos empréstimos de 60 meses sem entrada ajudará, mas o valor da prestação menor para quem puder oferecer o carro usado como entrada será o verdadeiro alavancador das vendas. Além de preço vantajoso nas compras à vista, que são cerca de um terço do total.
Finalmente, repete-se aquela velha história de “renúncia” fiscal do governo. Diz que abriu mão de impostos, mas na realidade não ia arrecadar mesmo, pela queda das vendas. O efeito prático é neutro: menos impostos significam mais vendas e arrecadação igual. Redução do IOF sobre financiamento parece definitivo, porém é hora de, além do IPI federal, também governos estaduais reverem ICMS e IPVA. De soluço em soluço na política de impostos, nada se resolve em definitivo.
RODA VIVA
ANUÁRIO do Sindipeças confirma o que já se esperava. Brasil perdeu para a Índia o posto de sexto maior produtor mundial de veículos em 2011. Será difícil recuperar a posição porque nossas exportações não são competitivas em razão da valorização do real frente a outras moedas. Pelo mesmo motivo, mercado interno é ocupado por importações mais baratas.
DIVIDIR mercado com importados afeta produção, mas há outra razão técnica para a queda do País no cenário internacional. Veículos desmontados (para exportação) não estão mais nas estatísticas enviadas ao exterior. Se isso já tivesse acontecido em 2010, o Brasil teria perdido a sexta colocação, entre os maiores produtores mundiais, para a própria Índia.
CHRYSLER 300 canadense volta, renovado, ao mercado por R$ 180.000, competitivo dentro do segmento de grande porte. Linhas mudaram pouco e continuam fugindo de padrões discretos. Novo motor V6/286 cv e caixa automática de oito marchas são seus pontos altos. Suspensões estão mais firmes, porém seu menor curso leva ao batente em buracos e lombadas.
LAND ROVER avançou na oferta do Discovery 4: agora todas as versões com sete lugares. Tanto neste como no Range Rover Sport há novo motor diesel V6/256 cv (mais 11 cv) para combustível de menor teor de enxofre (S 50) e câmbio automático de oito marchas (ZF, como o do Chrysler 300). Tela de 8 pol em cores e fones sem fio foram acrescentados.
EMPRESA organizadora do Salão de Paris (29 de setembro a 14 de outubro) veio ao Brasil para divulgar a exposição, que espera novo recorde de público esse ano. Além de novos expositores (McLaren, uma das estreantes), área para testes de veículos elétricos e híbridos duplicou e haverá mostra histórica da publicidade no ramo automobilístico.


