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quinta-feira, 18 de abril de 2013

Alta Roda - Perdão obrigatório

“Quando a esmola é grande, o santo desconfia”. Eis um dos provérbios mais populares e que se aplica a um dos artigos do Código de Trânsito Brasileiro (CTB). Reconhecido como minucioso em excesso, além de abrigar nada menos de 341 artigos, fora os anexos, o CTB deixou vários pontos por regulamentar, desde que entrou em vigor em 22 de janeiro de 1998.
Reprodução

E não para por aí. Coube ao Conselho Nacional de Trânsito (Contran) aprovar resoluções regulatórias, com força de lei, sem contar as portarias do Departamento Nacional de Trânsito (Denatran). Em dezembro de 2008, a coluna recebeu uma publicação que consolida toda a legislação complementar. Trata-se de um calhamaço de 708 folhas de tamanho ofício e letra miúda. Se atualizado até 2012, talvez alcançasse as 1.000 páginas.

Punitivo por essência e quase nada educativo, no CTB há um conceito racional no Artigo 267:

“Poderá ser imposta a penalidade de advertência por escrito à infração de natureza leve ou média, passível de ser punida com multa, não sendo reincidente o infrator, na mesma infração, nos últimos doze meses, quando a autoridade, considerando o prontuário do infrator, entender esta providência como mais educativa.

§ 1º. A aplicação da advertência por escrito não elide [N.R.: não elimina] o acréscimo do valor da multa prevista no § 3º do art. 258, imposta por infração posteriormente cometida.
§ 2º. O disposto neste artigo aplica-se igualmente aos pedestres, podendo a multa ser transformada na participação do infrator em cursos de segurança viária, a critério da autoridade de trânsito.”

Independentemente de jamais um pedestre (ou ciclista) receber multa, esse artigo foi, afinal, regulamentado e vige desde 2012, “apenas” 14 anos depois. Algo simples e justo, mas como tem potencial de redução na arrecadação de multas, ficou esquecido. O motorista pode redigir um recurso e pedir a conversão da multa, o que já desanima: poucos estão informados e/ou conhecem os trâmites.

Porém, a partir desse mês, o Detran do Distrito Federal, em rasgo de clarividência raro no setor, colocou seus programas de computador para funcionar. Caso se enquadre no Artigo 267, o infrator nem chega a receber notificação: ganha apenas advertência por escrito, conforme prescreve o código. Está aí um exemplo para aplausos. Todos os outros Detrans deveriam segui-lo, mas certamente não o farão, apesar das facilidades atuais da eletrônica de controle. Na realidade, a regulamentação nada impôs sobre o modo operacional e os governos não querem perder receita.

Mas há algo perverso, a tal esmola duvidosa. Por qualquer meio, o motorista não pode recorrer da pretensa infração convertida em advertência, mesmo sem concordar ou ter como provar que é inocente. Deve aceitar o perdão, sem discutir. É ou não é para o santo desconfiar?

RODA VIVA

APESAR de a GM nada revelar, a nova geração do Cruze (2015) será produzida na fábrica argentina de Rosario, como a coluna já antecipou. Cessará a montagem CKD do modelo, em São Caetano do Sul (SP). Tendência geral é essa: compactos aqui; médios-compactos, no vizinho. Por razões de menor escala de produção e controle “frouxo” de conteúdo local na Argentina.

PREÇO até R$ 2,9 milhões, motor V-12 dianteiro (6,2 l/740 cv) no lugar do V-8, aceleração de 0 a 100 km/h, em 3,1 s. Ferrari F12berlinetta foi pré-apresentado no autódromo de Interlagos, pouco mais de um ano após Salão de Genebra. Importador, Via Itália, afirma que esse superesporte pode lidar melhor com o dia a dia do que gerações anteriores. Inspiração Porsche?
Chevrolet/Divulgação
PRISMA vai bem com motor de 1 litro/80 cv (mais potente nessa cilindrada, juntamente com o 3-cilindros HB20 e Clio), menos na estrada com carga total. Marchas precisam ser esticadas para ter agilidade. Versão de entrada (R$ 34.990) permite opção da ótima central multimídia. Na ergonomia, puxador nas portas, ruim; tampa do porta-luvas, ótima (abre para cima).

FLUIDEZ de linhas e espaço interno garantido por 2,7 m de distância entre-eixos, Cerato é aposta da Kia entre os médios-compactos. Agora com motor flex de 1,6 l/128 cv (igual ao HB20), o sedã vem completo, só versão topo. Mas seu preço disparou, ao não se enquadrar nas regras do Inovar-Auto. Por R$ 67.400 (automático, mais R$ 4.500), difícil concorrer.

OUTRO que perdeu competitividade em preço foi hatch Hyundai i30, cujo motor 2-litros foi substituído pelo 1,6-L. Atrapalha, ainda, a valorização recente do won sul-coreano. Nada dramático, como acontece com o iene japonês, porém relação preço-equipamento imbatível, aos poucos, pode sofrer erosão discreta.

SEM aumento do IPI, antes previsto para 1º de abril e agora mantido até 31 de dezembro, a estratégia de preços de cada marca teve que sofrer adaptações. Algumas aproveitaram para realinhar suas tabelas, além da simples adequação ao imposto que deixou de subir. Se não está vendendo tão bem, nada como aproveitar a deixa e usar a oportunidade para repensar a vida.

segunda-feira, 8 de abril de 2013

Cheio de "mais", novo Kia Cerato é lançado no Brasil por R$ 67.400 - número que poderia ser menor

A Kia acaba de lançar no Brasil a nova geração do Cerato, sedã médio que chega cheio de "mais" para brigar com os rivais. Ele ficou mais bonito, mais equipado, mais espaçoso e mais caro. Mas, lamentavelmente, a falta de um pais pode atrapalhar as vendas do modelo: "mais" potência.

O novo Cerato está visivelmente maior, com linhas modernas e elegante. Seu preço está na faixa dos concorrentes: R$ 67.400, com câmbio manual de seis marchas, e R$ 71.900, com transmissão automática sequencial de seis velocidades. Entretanto, seu motor, embora mais potente que o do Volkswagen Jetta 2.0, já aponta como o calcanhar de aquiles: 1.6 16V flex.
Este é até um propulsor valente, com 122 cv de potência e 16 mkgf de torque com gasolina e 128 cv e 16,5 mkgf com etanol. Porém, o comprador de um sedã médio busca um motor, no mínimo, 1.8 (Civic, Corolla, Elantra, Cruze) - sendo que o 2.0 (Civic, Corolla, Elantra, Fluence, Sentra, 408 e Focus Sedan) é considerado o ideal. Nem o baixo peso do Cerato (1.171 kg manual e 1.205 kg automático) será um argumento para convencer o interessado num veículo desta categoria, ainda mais porque os testes de pista do modelo não têm sido favoráveis em desempenho.

Se, por um lado um dos "mais" do modelo foi o preço, que subiu imponentes R$ 14.600 em relação ao valor inicial da geração do Cerato que está deixando o mercado, quase acabando com seu custo/benefício, por outro, a lista de equipamentos está mais completa.

Na versão manual, o sedã coreano vem com ar-condicionado de duas zonas, acendimento automático dos faróis, computador de bordo, controlador de velocidade, volante revestido em couro com regulagens de altura e profundidade, banco do motorista com ajuste lombar elétrico, retrovisor eletrocrômico, conjunto óptico com LEDs, rodas de liga leve de 16" (pneus 205/06 R16), sistema de áudio com conexões USB, auxiliar e iPod (sem conexão bluetooth); airbag duplo frontal e freios com sistema ABS.
A Kia destaca como diferenciais do modelo os sensores de estacionamento traseiro e dianteira e a direção elétrica com três modos: normal, conforto e esporte - este último disponível apenas para a versão automática (E.294), que vem ainda com paddle shift, sistema Eco e freio a disco nas quatro rodas.

Tamanho agora é documento
Se na geração anterior existia uma dúvida se o Cerato concorria, por exemplo, com o City ou com o Civic, sem dúvida, na nova geração, o sedã médio da Honda é o seu adversário. O coreano mede 4,56 m de comprimento, 1,78 m de largura e 1,445 m de altura e 2,70 m de entre-eixos - 3 cm mais longo, 5 cm mais largo, 2,5 cm mais baixo e 5 cm maior, respectivamente, do que o velho Cerato. O novo coreano também é maior do que Hyundai Elantra, Honda Civic e Toyota Corolla.

Se motor é apenas suficiente, o mesmo pode ser dito do porta-malas: 421 litros - inferior ao volume dos principais concorrentes. Resta saber se este número foi calculado com a mesma medida dos adversários.

Pensando nos concorrentes, acho que a Kia deveria reduzir o preço do Cerato única e exclusivamente porque o carro é 1.6. Tudo bem que ele é mais potente que o Jetta (que tem um propulsor 2.0 ultrapassado), mas os adversários custam praticamente a mesma coisa (Civic, Corolla e Cruze) ou até menos (408 e Fluence) com motores muito mais fortes.

Minha sugestão seria fazer o Cerato partir de R$ 59.990 manual e R$ 63.990 automático. Se a geração anterior partia de R$ 52.800, por que a nova não pode ter um preço mais baixo?
Kia Quoris chega em junho
Futuros lançamentos da Kia no Brasil
Depois do Cerato, o próximo lançamento da Kia é o Sorento, em maio. Em seguida, teremos o sedã grande Quoris, que chega em junho (é o irmão torto do Equus da Hyundai). Em julho tem o Cadenza reestilizado.
Depois de muita espera, Cerato hatch será finalmente lançado no Brasil em agosto
Em agosto, finalmente, teremos o novo Cerato hatch que, infelizmente, terá o mesmo motor 1.6 16V do sedã. Quem sabe um 1.8 16V não aparece até lá.
Carens vem em setembro
No mês de setembro é a vez da versão renovada da minivan Carens renovada dar as caras no Brasil, enquanto, em outubro, chega o Optima reestilizado.
Cerato Koup foi um dos veículos mais beneficiados com o DNA mundial de design da Kia 
Fechando o pacote 2013, temo o belo Cerato Koup em novembro. A marca coreana espera crescer 10% no mercado brasileiro neste ano.

O Kia Soul renovado ficou para o início de 2014.

Chupa Hyundai?
Kia e Hyundai são empresas irmãs e ambas comercializam veículos que compartilham plataformas e motores. Agora vem a dúvida: por que a Hyundai lançou o hatch médio i30 custando a partir de R$ 75.000, sendo que o sedã médio Kia Cerato, que tem o mesmo motor, completo, custa R$ 71.900? Seria essa a prova (mais uma) de que a Hyundai está cobrando um preço exorbitante pelo seu novo modelo?
Fotos: Kia/Divulgação

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Alta Roda - Bolo redividido

O que se pode esperar de 2013 para o mercado automobilístico? Crescimento haverá, sem dúvida, e as vendas alcançarão novo recorde – o sétimo consecutivo desde 2007. A incerteza está se a barreira mágica de quatro milhões de unidades (inclui caminhões e ônibus) será beliscada, atingida ou até superada. Para o resultado mais otimista as vendas teriam que subir 5% em relação ao projetado para 2012.

Até agora a maioria das apostas vai de 2% a 4%. A Anfavea espera algo entre 3,5% e 4,5% de elevação, o que significaria 3,98 milhões de unidades. Historicamente há relação entre crescimento econômico (medido pelo PIB) e o mercado de veículos. Mas as previsões frustradas do ministro da Fazenda ajudam pouco, embora dessa vez ele “garanta” um PIB superior em 4% ao deste ano. Se acontecer, os quatro milhões de veículos novos circularão em 2013.

Independentemente do que acontecer com a economia, há fatores positivos e negativos. Entre os que puxam para baixo as previsões aparece justamente o ano que finda. As vendas cresceram bem acima da expansão econômica brasileira graças à redução temporária do IPI, que no fundo significou antecipação de compras. Mesmo que no fraco primeiro trimestre de 2013 ainda exista um rescaldo do IPI baixo, seja por estoques remanescentes de 2012 ou alguma bondade de última hora do governo, o estímulo fiscal vai se diluir.

Não deverão ocorrer tantos lançamentos que atiçam a demanda: de cerca de 40 deste ano (importados incluídos), umas 20 novidades estão previstas para 2013. O maior problema, no entanto, reside nos preços. Ao contrário da voz corrente, eles baixaram em cinco anos quase 15%: basta consultar as tabelas médias desde 2008.

O valor real dos carros, por sua vez, caiu ainda mais, por que a inflação desse período de cinco anos (2012 incluído) foi de 34% e os compradores, em geral, acumularam renda superior à inflação. Os preços só se comportaram em função de maior concorrência, inclusive com importados, e imposto menor em alguns períodos.

A conjugação dos astros, porém, será infeliz no ano de final 13. Além da volta do IPI, mais carros deverão ter custos aumentados por equipamentos importantes como airbags e ABS. Para complicar o cenário, o discutível rastreador virá como equipamento obrigatório, mesmo que o motorista não deseje habilitá-lo. Trata-se de afronta ao bom senso e ao bolso do consumidor, em especial de quem vive longe das grandes cidades.

O impacto nos preços, porém, pode ser arrefecido por se tratar do primeiro ano completo de novos atores no mercado, como Hyundai e Toyota com fábricas a pleno, além de ampliações de instalações da Renault e da PSA Peugeot Citroën. GM terá seu primeiro ano cheio de renovação quase total de linha (só ficaram Celta e Classic) e, igualmente, a Ford (manterá Ka e Fiesta Rocam). Fiat e Volkswagen provavelmente sentirão esse tranco, pois só terão produtos novos em 2014.

Ocupar o máximo possível da capacidade instalada, enquanto fabricantes entrantes não concluem outra leva de novos produtos, pode ajudar a manter preços alinhados à inflação estimada em 5% em 2013. Os que forem além, repassando aumentos de custos sem estratégia equilibrada em mente, terão motivos para sérias preocupações.

O bolo do mercado ficará redividido e as quatro marcas veteranas continuarão a perder participação. A melhor defesa continua a ser o menor preço ou oferecer mais por preço igual.

RODA VIVA

CASO a nova lei pegue, também os automóveis terão a terrível cadeia de impostos exposta na nota fiscal. Chegou o momento de as tabelas sem tributos serem exibidas nas concessionárias, que sempre acenaram com essa providência, mas recuavam na hora agá. É assim nos EUA: imposto às claras. Aí as comparações de preços ficarão mais bem ajustadas.

ASSOCIAÇÃO de importadores sem fábricas no Brasil, Abeiva, espera um ano de 2013 com crescimento de 17% sobre 2012. As 150.000 unidades previstas refletem as cotas que o governo criou tanto para as marcas que só importam como as que anunciaram produção nacional. A Kia permanece estacionada, pois o importador, Grupo Gandini, ficou, por enquanto, sem opções viáveis que só a matriz na Coreia do Sul poderia resolver.
Chevrolet/Divulgação
ONIX é compacto certo (R$ 35.000 a R$ 42.000), na hora certa para a Chevrolet. Com motor adequado ao seu porte, 1,4 l/106 cv (o de 1 litro é fraco), destaca-se pelo nível de ruído mais baixo que a média do segmento e atmosfera interior bem agradável. Espaço muito bom para pernas, cabeças e ombros. Dava para dispensar banco do motorista tão alto e falha ergonômica dos puxadores de portas.

FABRICANTES de turbocompressores estão otimistas com a evolução que as novas exigências de menor consumo de combustível trarão para os motores aqui fabricados. “Antes não cansávamos de bater à porta dos fabricantes. Agora eles também batem à nossa porta”, revela Arnaldo Iezzi Jr., diretor-geral da BorgWarner, que vai inaugurar nova fábrica em Itatiba (SP), em 2013.

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Alta Roda - Timidez conveniente

A quinta fase do Programa Brasileiro de Etiquetagem (PBE), a partir de janeiro de 2013, coloca o Brasil no rumo certo quanto ao direito à informação sobre o consumo de combustível, além de estimular a competição entre os fabricantes. O PBE é coordenado pelo Inmetro (Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia) em parceria com o Conpet (programa de racionalização do uso de derivados de petróleo e gás, do Ministério de Minas e Energia, e gerenciado pela Petrobras). Começou em 2008, de forma voluntária e modesta, com a adesão de apenas cinco fabricantes e 54 versões de alguns modelos.

O caráter voluntário continua até hoje, mas deveria – e deverá – ser obrigatório. A importância do programa cresceu ao se tornar um dos critérios para enquadramento no Inovar-Auto, novo regime de produção automobilística do período 2013-2017. Até o ano passado, nove fabricantes (incluindo um importador) participavam: Citroën, Fiat, Ford, Honda, Kia, Renault, Toyota e Volkswagen. Já em 2012 a lista subiu para 20 empresas, das quais quatro produzem no país: Hyundai Brasil, Mitsubishi, Nissan e Suzuki.

Há algumas poucas falhas no PBE, entre elas a classificação dos veículos baseada em área projetada no solo e uma designação de categorias um pouco diferente do usual no mercado. Entretanto, o critério de massa vai prevalecer, como acontece na Europa. Apesar do cuidado do Inmetro em evitar modelos “especiais” que não refletissem a realidade da oferta, isso acabou acontecendo em casos isolados. Foi a desculpa alegada pela Chevrolet para renegar o programa, embora admita que “vai aderir nos próximos anos”, mesmo porque afeta a imagem da marca.

Agora mesmo nos EUA, Hyundai e Kia divulgaram informações erradas sobre o consumo de 900.000 veículos dos anos-modelo 2011 a 2013. Além de, voluntariamente, indenizar os compradores, o grupo sul-coreano está sujeito a pesadas multas do governo. Aqui, a Hyundai já enquadrou o novo HB20 que recebeu nota A, na versão de 1 litro: 7,6/11,5 km/l, cidade e 9,8/14,5 km/l, estrada (etanol/gasolina).

No Brasil, o controle sobre as informações do PBE é bem mais rígido e independe de denúncia de consumidores. Há uma dupla checagem anual, inclusive ensaios na presença de todos os interessados. O programa acaba de ser ampliado com a etiquetagem de pneus. O índice considera frenagem no molhado, ruído e resistência ao rolamento (ligada à economia de combustível).

As etiquetas do próximo ano estarão no para-brisa ou vidro lateral de todos os modelos enquadrados no PBE (só poderão ser retiradas após o carro sair da loja) e trazem uma novidade: emissão de CO2. Acertadamente, o Inmetro indicou os valores apenas dos combustíveis de origem fóssil e descontou a parte de etanol da gasolina. O biocombustível de cana-de-açúcar é considerado avançado até pela agência ambiental americana. Significa que, na prática, o gás carbônico emitido se autocompensa no ciclo de vida de crescimento da planta.

Claro, algumas empresas petrolíferas não gostam de encarar essa realidade, pois afeta seus negócios. No recente Salão do Automóvel de São Paulo fabricantes já exibiam as novas etiquetas, com emissão zerada de CO2 dos motores flex quando abastecidos com etanol. Para a Petrobras, o programa Conpet só mereceu um pequeno painel escondido no fundo do estande, o que deixou o parceiro Inmetro sem visibilidade em evento tão importante. Contraditório é a paraestatal ter grandes investimentos em biocombustíveis no Brasil, mas parece tímida ao divulgá-los.

RODA VIVA

RESTAM poucas dúvidas de que o mercado interno chegará este ano às 3,8 milhões de unidades, depois dos bons resultados de outubro: 341 mil veículos, incluídos caminhões e ônibus. Acumulado dos 10 primeiros meses está 5,7% acima de 2011. Como o IPI menor vai até 31 de dezembro, maioria dos fabricantes adiou férias coletivas para início de 2013.

VONTADE de sorrir, quando se lê por aí que há concorrência insuficiente no Brasil e, por isso, preços altos. Último levantamento aponta que, apenas entre modelos produzidos aqui, são 972 opções, somadas versões, acabamentos (catálogos) e trens de força (motor e câmbio) disponíveis. Ao acrescentar modelos importados, supera 1.500 ofertas.

AMBIENTE interno destaca-se no EcoSport. No dia a dia, passa sensação de um modelo maior, embora seu principal concorrente, Duster, seja referência entre SUVs compactos. Evolução de motor, agora 1,6 litro/115 cv, e câmbio, além da direção eletroassistida, mudam o modelo de patamar. Regular o volante todo para cima, obriga a elevar o banco, a fim de não encobrir marcador de combustível.

DEPOIS de quatro anos, a Única, associação de produtores de etanol de São Paulo, faz nova campanha de estímulo ao consumo. Entidade detectou oportunidade de mostrar aspectos ligados a empregos e meio ambiente. O preço não está tão competitivo como no passado, mas no momento é vantajoso em São Paulo, Mato Grosso do Sul e Goiás.

terça-feira, 6 de novembro de 2012

Depois de abusarem, Hyundai e Kia se preparam para pagar o preço

Justiça está sendo feita nos Estados Unidos. Depois de mentirem sobre a média de consumo de vários de seus carros, Hyundai e Kia se preparam para pagar, no bolso, o preço da bobagem.

Como eu gostaria que o mesmo acontecesse por aqui, onde a Hyundai/CAOA já aprontou até com o consumidor brasileiro, aumentando a potência do Elantra, dando cavalos extras ao Veloster, vendendo o Veloster com um motor que jamais foi ofertado pela marca no Brasil, sem contar mudanças de informações em anúncios (conforme denunciado pela revista Auto Esporte, entre outros.

Vale a leitura.

Hyundai e Kia tombam após exagero em economia de combustível
 A admissão por Hyundai e Kia de que exageraram marcas de economia de combustível de alguns de seus carros afetou a reputação das montadoras e a fidelidade do consumidor às marcas será testada nos próximos meses, após uma década de sucesso ininterrupto nos Estados Unidos.
As ações das montadoras da Coreia do Sul, que promoveram em recentes campanhas de marketing eficência superior no consumo de combustível, caíram 7% cada nesta segunda-feira, pressionadas por temores de investidores sobre o impacto da admissão sobre suas marcas e vendas nos EUA, principal mercado do grupo automotivo. Somente a Hyundai sozinha perdeu US$ 3,1 bilhões em valor de mercado.

As preocupações dos investidores envolvem temores sobre o custo de compensação de clientes de mais de 1 milhão de veículos afetados, bem como potenciais processos coletivos nos EUA e reclamações semelhantes em outros países.

Para alguns analistas, as notícias são terríveis. "Isso pode representar um fator de mudança na história de sucesso da Hyundai", disse James Yoon, analista do BNP Paribas, em relatório. "Acreditamos que a potencial perda financeira é imaterial se comparada à possível perda para a reputação da marca."

Mas outros analistas também citaram que, diferente de grandes recalls que afetaram as rivais Toyota e Ford, Hyundai e a afiliada Kia foram rápidas em admitir seus erros e em anunciar planos de compensação.

"Aquelas eram questões mais sérias, relacionadas à segurança... Assim, o impacto sobre o valor da marca e nas vendas nos EUA pode ser menor do que o sofrido pelos concorrentes", disse o analista Ethan Kim, do Citi, em relatório divulgado nesta segunda-feira (5).
Em comunicado, a Hyundai disse nesta segunda-feira que seus erros só afetaram veículos vendidos na América do Norte. "Todos os carros Hyundai vendidos em outras regiões do mundo foram propriamente certificados com notas corretas de economia de combustível por cada agência respectiva de certificação", informou a montadora sul-coreana.

A queda nas ações da Hyundai foi a maior em quase 14 meses. As ações da Kia tombaram 6,9%, enquanto o mercado em Seul teve perda de 0,5%.

EPA
A agência de proteção ambiental dos EUA (EPA, na sigla em inglês) descobriu que as montadoras exageraram a quilometragem de 13 veículos Kia e Hyundai de modelos entre 2011 e 2013.

As montadoras afirmaram na sexta-feira que os erros ocorreram em função de diferenças em seus testes de quilometragem comparados com os métodos de avaliações da EPA. As montadoras vão reembolsar os proprietários dos veículos afetados por custos adicionais com combustível e publicaram anúncios de página inteira em jornais no domingo para se desculparem.

As etiquetas de consumo da maioria dos veículos serão agora reduzidas em uma ou duas milhas por galão, sendo que o maior ajuste será de seis milhas por galão na estrada para o Kia Soul, disse a EPA.

Analistas disseram que a apuração da EPA pode levar a dezenas de milhões de dólares em compensações e acrescentaram que processos contra as empresas não podem ser descartados.

A avaliação da EPA foi disparada por queixas de consumidores, incluindo um processo coletivo que acusa a Hyundai de levar ao erro consumidores sensíveis a preços do combustível ao afirmar que o popular modelo Elantra 2011 e 2012 tinha consumo mais eficiente do que a realidade.

Texto: Uol Economia
Fonte: Reuters

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Alta Roda - Respeito às diferenças

Interessante constatar como os fabricantes mudam suas estratégias mercadológicas e técnicas de continente a continente. Marcas europeias e orientais, por exemplo, tratam de desenvolver modelos com dimensões generosas para vender nos EUA. Atender a cultura do segundo maior mercado do mundo (só perdeu a liderança para a China há três anos) implica fazer concessões ao peso do veículo e maior consumo de combustível em troca de espaço interno.

Isso está mudando porque a gasolina encareceu nos EUA e o governo estabeleceu metas rigorosas de economia para os próximos anos. A Ford foi das primeiras a reagir. Deu uma guinada a fim de procurar aproximar ao máximo possível todos os novos projetos mundiais, pois consumo de combustível e emissões de CO2 são irmãos siameses.
Novo Fusion - Ford/Divulgação
O novo Fusion demonstra os novos tempos. Esse sedã médio-grande, em exceção parcial àquela regra, era um pouco menor que a sua contraparte vendida na Europa com o nome de Mondeo. Agora, cresceu cerca de três cm em comprimento, largura e altura. Estilo e dimensões são os mesmos dos dois lados do Atlântico.

Na versão de topo, Titanium, o motor V6 aspirado foi substituído por um quatro-cilindros turbo com injeção direta de 2 litros/240 cv/34,7 kgfm. Assim, o carro chegará ao Brasil, em dezembro, por R$ 112.990, incluindo tração nas quatro rodas e teto solar. Preço dos mais competitivos por vir do México sem imposto de importação e IPI extra. A partir da produção do novo Fiesta hatch, em São Bernardo do Campo (SP), já no início de 2013, a Ford aliviará sua cota de importação mexicana, concentrando-a no Fusion. Em março, estreia o motor de 2,5 l/175 cv, flex, tração dianteira, preço estimado em R$ 85.000.

Espaço interno, em especial no banco traseiro, é um dos destaques, além do silêncio de rodagem ao incluir para-brisa acústico. A marca optou por distância entre eixos 12 cm maior (igual à do Mondeo), mas sacrificou o porta-malas em cerca de 80 litros (agora, 453 l), em parte pelo desenho da traseira. Em compensação, o coeficiente aerodinâmico evolui de 0,33 para 0,27, um dos melhores do segmento, o que resultou em consumo cidade/estrada de 9,1 km/l (gasolina).

O Fusion recebeu um grande pacote de equipamentos, em especial de segurança. Controle ativo de velocidade de cruzeiro, comutação automática farol alto/baixo ao cruzar com outro veículo, monitoramento de pontos cegos, alertas para tráfego cruzado em marcha à ré, de sonolência e de invasão de faixa, além de airbags de joelho para motorista e passageiro (oito bolsas, no total) são alguns. Sistema de estacionamento automático também é novidade.

Sua dirigibilidade impressiona, a começar pela direção de assistência elétrica que absorve pequenas vibrações dos pneus e tem controle ativo de deriva. Em ruas de Los Angeles (EUA) não deu para avaliar o comportamento em curvas velozes, mas a nova suspensão traseira independente de quatro braços traz o refinamento europeu antes inexistente.

Apesar do peso extra do sistema de tração 4x4, o motor dá conta do recado. A Ford decidiu manter o limite eletrônico de 180 km/h de velocidade máxima (na Europa, 240 km/h). Ou seja, em quase tudo carros iguais, mas respeitadas certas diferenças.

RODA VIVA

BMW, finalmente, anunciou a fábrica brasileira em Araquari (SC). Esta coluna antecipou, pelo Twitter, a decisão tomada pela diretoria em Munique há 14 meses. Como havia negociações à frente, a filial brasileira foi obrigada a negar a informação. Investimento de pouco mais de R$ 500 milhões, início de vendas em 2014 e produção inicial do SUV compacto X1.

MERCEDES-BENZ anunciará, até o final do ano, a fábrica no Brasil para produzir o futuro SUV derivado do compacto Classe A. Decisão inevitável, depois do passo adiante da arquirrival BMW. Tudo indica que a unidade estará no mesmo complexo da Nissan, em construção em Resende (RJ). Só falta o retorno da Audi para estabelecer aqui o Trio de Ferro alemão.

DEPOIS de experiências de estilo pouco brilhantes, a GM acertou com o Onix. Novo compacto hatch Chevrolet, em pré-estreia no Salão do Automóvel de São Paulo, agradou também por suas dimensões internas e painel bem elaborado. Arquitetura é a mesma GSV, do Sonic. Vendas começam em novembro próximo. O sedã, primeiro trimestre de 2013.

NOME é trocadilho com Tiguan, mas o Taigun, revelado no Salão, dá ótima pista de como será o primeiro SUV compacto que a VW produzirá no Brasil, em 2014. Motor será o TSI, turbo e injeção direta, três cilindros, 1 litro/110 cv, na versão flex. Pelo menos o motor feito aqui foi confirmado por Ulrich Hackenberger, vice-presidente executivo do Grupo VW.

GRUPO Gandini, importador Kia, estuda alternativas para fabricar algum modelo no Brasil a fim de atenuar fortes restrições do regime automobilístico a quem não produz localmente. Porém, restrições legais e estratégicas, dentro do grupo sul-coreano, impedem uso compartilhado da nova fábrica da Hyundai em Piracicaba (SP).

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Impressões: Ford Fusion, um excelente carro mediano

Assim como o post sobre câmbio automatizado, outro post que ficou esquecido na caixa de rascunhos foi esse (tive um problema pessoal que me desorganizou), das Impressões do Ford Fusion, que publico agora, na véspera da chegada da nova geração do modelo ao Brasil.
Como eu disse no em janeiro, tirei alguns dias de férias em dezembro do ano passado e fui para os Estados Unidos. Durante a viagem me programei para alugar dois carros: um sedã de luxo na Florida, no caso o Cadillac CTS, com a decepcionante Avis; e um "mid-size" sedã em Minnesota, com a Dollar - não tive a opção de reservar um modelo específico, mas sabia que um sedã razoavelmente interessante estava à minha espera (no site dizia "Dodge Avenger or similar").

Se o Cadillac CTS virou Lincoln Town Car (mais uma vez, obrigado Avis pelo "excelente" serviço), o que esperar do aluguel pela Dollar nas terras frias de Minnesota?

Quando cheguei ao aeroporto internacional de Minneapolis, passei ao lado do pátio das locadoras e percebi inumeros veículos disponíveis. Cheguei ao balcão, mostrei a minha reserva já paga e pedi o meu "Dodge Avenger ou similar". A resposta veio de bate-pronto: não temos o Avenger. Mas temos um similar, o Kia Optima. Pensei na hora "me dei bem" e pedi o Optima, mas o gerente do estabelecimento logo chegou e acabou com a minha felicidade, dizendo que a última unidade do sedã da Kia tinha acabado de ser alugada.
Fusion começando a "brincar" com a neve - Fotos acima: Renato Parizzi
Pedi então o outro veículo "similar" da mesma categoria, e a Dollar me ofereceu o único carro disponível: um (decepcionante) Kia Soul. Eu disse que eu tinha reservado um mid-size sedã (sedã de médio porte nos EUA e de grande porte no Brasil) e que o Soul não era um sedã. Eles insistiram e eu disse que não ficaria com o Soul e exigi outro carro, e falei ainda que eles deveriam me dar um upgrade já que eles não tinham um sedã médio. Eles alegaram que o Soul estava na categoria mid-size e que era ele ou um veículo menor. Pedi então um Toyota Corolla, mas, para a minha surpresa, eles não tinham.

Pensei: "estou de férias, querendo descansar, e está fazendo -15º C lá fora - quero sair logo daqui". Perguntei então qual seria o veículo imediatamente acima do Dodge Avenger e do Kia Optima e me ofereceram um Ford Fusion, mas eu teria que pagar 22 dólares a mais por dia! Disse que era um absurdo, chamei o gerente, expliquei o caso e, no final das contas, paguei 6 dólares a mais por dia para pegar o Fusion, considerado pela locadora um carro do tamanho "standard".
Duas fotos abaixo: reprodução de speedsportlife
Finalmente: o carro
Ao chegar ao veículo, tentei colocar todas as malas no porta-malas, mas não consegui. Diferente do Lincoln Town Car, que tinha excelentes 595 litros de espaço, os bons 530 litros do Fusion não foram suficientes para a minha bagagem. Tive então que deitar parte do encosto do banco traseiro para resolver o problema.

Ao sentar no banco do motorista, fiquei decepcionado com a simplicidade do painel e com a pobreza do acabamento. Dei um desconto porque era um veículo alugado, ou seja, "sem pai". Mas, mesmo assim, eu esperava um pouco mais, muito por causa da fama do Fusion no Brasil.

O espaço para os ocupantes me agradou, assim como a posição de dirigir. Me senti melhor no Ford do que no Lincoln Town Car, pois o banco era mais envolvente e confortável. O painel também era agradável, tornando a visualização mais fácil. A sensação de estar mais no controle do Fusion era muito superior ao veículo da Lincoln.
Saí do aeroporto e rodei 130 km até o destino. Pude dirigir por duas highways, sendo uma de pista tripla com velocidade máxima de 60 milhas (96,5 km/h), no entorno das Twin Cities (Minneapolis/St. Paul), e outra de pista dupla e 70 milhas (112,6 km/h) de limite (Interstate 94).

O comportamento do Fusion na estrada foi bastante previsível, o que é bom. Mesmo sem curvas fechadas no caminho, a estabilidade do veículo foi boa, o que posso atribuir ao bom acerto da suspensão, roda (largas) de aro 16" e boa distância entre-eixos.

Com duas pessoas à bordo, muita bagagem e ar-condicionado desligado, eu esperava que o motor 2.5 de quatro cilindros, com 177 cv de potência (175 hp) e câmbio automático de seis marchas, fosse mais eficiente em desempenho. Não senti que faltou força, mas também não foi possível perceber que o carro trabalhou com folga, o que, de certa forma, me decepcionou. Mesmo com o porta-malas vazio, o "peso extra" dos 1.542 kg do veículo fizeram a diferença.

Na cidade, também gostei do comportamento do sedã da Ford. Mas não podemos comparar as ruas planas e largas dos Estados Unidos com as "lunares" vias brasileiras. Mesmo com seus 4,84 m de comprimento, o Fusion foi até fácil de manobrar. Mas as vagas grandes dos EUA, próprias para veículos enormes, e o tamanho reduzido em relação ao Town Car (5,47 m de comprimento) facilitaram a minha vida.
Fusion da foto está sendo substituído por uma nova geração - Ford/Divulgação
Na hora de abastecer, mesmo rodando com gasolina de octanagem mais alta (89), o consumo foi até bom, levando em consideração os fatores que envolveram a viagem: na cidade, média de 21 milhas por galão (8,9 km/l), enquanto na estrada, média de 28 milhas por galão (11,9 km/l). O Fusion alugado tinha cerca de 27.000 km rodados.

Convivendo com temperaturas médias variando entre -10ºC e -20ºC, o Fusion não teve problema nenhum para dar partida no frio. Ele pegava quase de cara. Já o ar quente só funcionava com eficiência depois do carro estar ligado por uns 5 minutos - dentro do esperado.

A Dollar me disponibilizou a versão SE do Fusion, que vinha equipada com ar-condicionado, roda de liga-leve de aro 16", direção dom assitência elétrica, trio elétrico, airbags, freio a disco nas quatro rodas com ABS, cruise control, comandos do sistema de som no volante, cinto de três pontos e apoio de cabeça para todos os ocupantes, entre outros itens.

Concluindo
Durante todo o período em que rodei com o Ford Fusion não tive nenhuma reclamação grave ou grande elogio a fazer. Absolutamente nada me chamou a atenção como algo diferenciado. O sedã se mostrou um bom carro para o dia a dia, tanto na cidade, quanto na estrada, especialmente nos Estados Unidos. O acabamento poderia ser mais refinado, mas, como eu disse, era um carro alugado.

Fico satisfeito em saber que a Ford já atualizou o Fusion nos EUA e fará o mesmo aqui no Brasil já em dezembro, com a versão Titanium Ecoboost 2.0 de 240 cv de potência e tração integral (AWD) - que chegará por R$ 112.900. Em 2013 serão lançados por aqui as versões 2.5 flex e híbrida. Talvez esta nova geração do sedã me surpreenda de verdade.

PS: Consegui recuperar apenas duas fotos da minha câmera (as duas primeiras do post), já que,  infelizmente, tive problemas com o cartão de memória da minha câmera. Espero não passar por isso de novo.

quinta-feira, 12 de julho de 2012

Alta Roda - Hyundai com mais força

Entre as trajetórias mais surpreendentes dos últimos anos está a do grupo sul-coreano Hyundai, que possui 34% das ações da Kia, mas controla a marca por meio da mesma família proprietária, a Chung. No ano passado, o grupo produziu quase sete milhões de unidades de automóveis e veículos comerciais, atrás apenas de GM, Toyota e Volkswagen.
O país asiático de 50 milhões de habitantes é o exemplo de como investimentos maciços na educação transformaram uma nação dividida e pobre em desenvolvida ao longo de menos de 50 anos. E continua a crescer, haja vista estradas e conjuntos de edifícios em construção ao redor da capital Seul.

Fundada em 1967, a companhia começou montando carros da Ford e depois fabricou produtos baseados em mecânica Mitsubishi. Seu primeiro modelo próprio, o compacto Pony, é de 1974 e o primeiro motor, de 1991. São nada modestos ao comentar que suas referências atuais em qualidade transferiram-se das marcas japonesas para as principais europeias.

A expansão internacional da Hyundai impressiona. Cerca de 60% de sua capacidade produtiva total situa-se fora da Coreia, incluindo China e EUA. No Brasil, a fábrica de Piracicaba (SP) está dimensionada para 150.000 unidades em dois turnos, onde começa a produzir em outubro. O acordo de importação com o Grupo CAOA continua, além da produção em Anápolis (GO) do SUV Tucson e dos caminhões leves HR/HD. No entanto, a nomeação de novas concessionárias será de responsabilidade dos coreanos. Lojas próprias da CAOA respondem, hoje, por 70% das vendas atuais da marca.

O foco da empresa é o mercado brasileiro, sem preocupação inicial em exportar para os países vizinhos. Tanto que produz na Índia dois modelos pequenos, i10 e Eon, e ainda assim decidiu desenhar um carro específico para o Brasil, com nome a ser anunciado em breve.

No centro de desenvolvimento de Namyang, a 60 km de Seul, alguns jornalistas puderam ver o carro pronto, faltando apenas pormenores como a superfície do volante de direção. Embora nada comentassem sobre arquitetura e dados técnicos do carro, sua origem é o Kia Picanto/i10, um subcompacto de dimensões internas e externas próximas às de um Gol, por exemplo. Distância entre eixos e comprimento do Picanto (2,38 m/3,60m ante 2,46 m/3,90 m do Gol) são inferiores, mas não chegam a comprometer o espaço para joelhos e cabeça atrás. Volume do porta-malas é bom (225 litros), porém não igual ao de um compacto como o Uno (280 litros).

O estilo do Hyundai brasileiro é bastante atual e difere tanto do Picanto como do i10. Internamente, painel e quadro de instrumentos são específicos, de desenho agradável, além de um bom porta-luvas. A versão mostrada foi a de topo e inclui recursos como regulagens de altura e distância do volante, além do assento do motorista, e bom apoio para o pé esquerdo.

Haverá dois motores, ambos flex: 1,0 l, 3 cilindros (Picanto) e o 1,6 l, 4 cilindros (Cerato/Soul). Em curta avaliação, o motor de três cilindros demonstrou disposição para acelerar, sonoridade agradável, mas não tão suave como um quatro-cilindros. Direção e suspensões ficam dentro dos melhores padrões do segmento. O preço, obviamente, continua em segredo até o lançamento. Com certeza estará abaixo de R$ 29 mil. O sedã vem no começo de 2013, seguido por versão “aventureira” do tipo CrossFox. O SUV ou crossover derivado ainda está por definir.

RODA VIVA

APESAR de ter acontecido o melhor junho da história – 353.200 unidades vendidas entre carros e veículos comerciais – ainda não dá para saber como será o segundo semestre. Parte do bom resultado se deve a unidades que não puderam ser emplacadas no fim de maio logo depois da redução do IPI. Fenabrave (concessionárias) acha que, no máximo, haverá empate com 2011 e Anfavea prefere esperar para revisar sua previsão de crescimento.

EXISTE consenso entre analistas de que condições atuais de imposto menor precisam ir além de 31 de agosto. Isso para que o segundo semestre alcance média de pelo menos 330.000 unidades mensais e o fechamento de 2012 empate com o ano passado. Em junho estoques totais caíram de 43 para 29 dias e índice de inadimplência deu sinais de queda. Assim, o ano não parece perdido, apesar dos tropeços até agora.

COMPRA dos restantes 50,1% das ações da Porsche Holding pela Volkswagen muda pouca coisa na prática. Fusão das duas empresas já havia acontecido na prática, mas não de direito. Ocorre que a Porsche SE, nível acima na estrutura acionária e de propriedade das duas famílias que controlavam diretamente a marca de carros esporte, continua com 50,7% do novo grupo.

CÂMBIO manual automatizado, agora disponível no CrossFox I-Motion, trouxe o conforto de uso no dia a dia do trânsito que faltava na versão aventureira do Fox. Demora em tornar disponível a opção deveu-se a testes para o uso leve no fora de estrada. Em qualquer das duas situações o comportamento do câmbio é muito bom e tende a ter mais aceitação pela relação preço-comodidade.

segunda-feira, 28 de maio de 2012

Presidente Dilma Rousseff quer abrir ‘caixa-preta’ de montadoras e cortar lucros

Após a batalha da presidente Dilma Rousseff contra os juros dos bancos, o governo abrirá em breve outro front: quer que as montadoras de veículos no país abram as contas e margens de lucro.
Reprodução de David Zalubowski/AP
O Executivo avalia que dá incentivos a um setor sem conhecer a real situação financeira das fabricantes. Por isso, deseja “sair do escuro” e, eventualmente, cobrar reduções mais agressivas de preços, sobretudo, quando houver incentivos federais, como os anunciados na segunda.

Por lei, companhias de capital fechado, a maioria do setor, não são obrigadas a divulgar seus balancetes.

Interlocutores de Dilma disseram à Folha que, após as medidas emergenciais para reduzir os estoques de carros, o próximo passo é atuar para, se for o caso, reduzir o “spread” das montadoras.

Trata-se de uma investida semelhante à do Planalto junto aos bancos, ação que teria rendido, conforme pesquisas extraoficiais de opinião, alguns pontos percentuais a mais na aprovação de Dilma.

Procurada, a Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automores) não quis se pronunciar.

Integrantes da cúpula do governo estão convencidos de que o carro brasileiro é caro não só pelo elevado nível de imposto (cerca de 30%, conforme Anfavea). Afirmam que, se os custos nacionais são altos, a margem de lucro das fabricantes também é. Em 2009, sob o impacto da crise externa, houve prejuízo das montadoras em suas sedes, mas não no Brasil.

Representantes do setor serão chamados a Brasília para negociar a abertura de contas, e medidas legais podem torná-la obrigatória. O clima não é de guerra, mas a diferença de preços de carros no país e no mundo incomoda.

Na Argentina, o Renault Duster 2.0 4×4 é vendido pelo equivalente a R$ 56.883. No Brasil, custa R$ 61.470. Em parte, essa diferença é explicada pela carga tributária e pelo “custo Brasil” (logística e mão de obra). Mas estudos de consultorias apontam lucro até duas vezes superior à média mundial.

Fonte: Folha de São Paulo

sábado, 12 de maio de 2012

Esqueça 2011: Chevrolet Captiva 2012 está mais equipado e barato

Chevrolet Captiva Ecotec 2012
 Nos meus últimos posts sobre a Chevrolet, tenho reclamado bastante de algumas coisas, especialmente do absurdo preço cobrado pelo Cruze Sport6. Mas, não posso deixar de valorizar o que a marca fez com um de seus modelos disponíveis no Brasil, o Captiva.

No ano passado, a marca melhorou o seu SUV, o deixando mais equipado, com melhor desempenho, melhor consumo, menos poluente e mais seguro.
Para quem não se lembra, o motor V6 3.6, que desenvolvia 261 cv de potência e 32,9 mkgf de torque, foi substituído por um V6 3.0, com injeção direta de combustível e comanto de válvulas variável, capaz de gerar 268 cv e 30,6 mkgf. O propulsor quatro cilindros 2.4 Ecotec também recebeu injeção direta, e passou de 171 cv e 22,2 mkgf para 185 cv e 23,3 mkgf. Mas a grande novidade do modelo 2.4 foi o câmbio automático de seis marchas, como o dos irmãos V6.

Ainda no ano passado, o Chevrolet Captiva ganhou mínimas incrementos visuais na versão AWD e mudanças internas em todas as versões, além de novos equipamentos, como freio de mão com acionamento elétrico, revestimento dos bancos em couro, rádio com entrada USB e volante regulável em profundidade - os modelos V6 ganharam ainda sensores de chuva e aquecimento dos bancos, enquanto a versão topo de linha (AWD) recebeu sistema de som com 10 alto-falantes e câmera de ré, com monitor posicionado no espelho retrovisor interno.
Captiva Ecotec tem novo sistema de ar-condicionado automático e ganhou a tecnologia Remote Start

Março 2011
Captiva Ecotec 2.4 16V: R$ 90.299
Captiva Sport V6 3.0 24V: R$ 96.774
Captiva Sport V6 3.0 24V AWD: R$ 100.774

Chega de passado
Falando agora da linha 2012, que acaba de chegar às concessionárias, a Chevrolet equipou ainda mais o Captiva e manteve os preços que já eram praticados recentemente (veja abaixo), mais baixos que os sugeridos em março do ano passado (veja acima). Essa estratégia é muito bem-vinda para o modelo sobreviver num dos segmentos mais disputados do mercado, com representantes de peso como o Fiat Freemont, Dodge Journey, Hyundai ix35, Kia Sportage, Mitsubishi ASX, Peugeot 3008, Jeep Compass e Honda CR-V.

Captiva Sport 2.4 Ecotec – R$ 87.900
Captiva Sport V6 – R$ 94.600
Captiva Sport V6 AWD – R$ 99.900
Captiva V6 AWD tem teto solar de série
Em termos de equipamentos, as novidades da linha 2012 do Captiva 2.4 Ecotec são a adoção de um novo sistema de ar-condicionado automático e o Remote Start, que permite ao consumidor ligar seu veículo a distância, mesmo sem destravá-la, para que o sistema de ar-condicionado comece a refrigerar o interior do veículo, regulagens elétricas para o banco do motorista e aquecimento para os bancos dianteiros. A versão Ecotec ganhou ainda iluminação nas sombreiras e os retrovisores externos com desembaçador.

A versão V6 4x2 não recebeu nenhuma novidade, enquanto a topo de linha, V6 AWD (tração integral), passa a vir, de série, com teto solar elétrico.
Toda linha Chevrolet Captiva no Brasil vem equipada com ESP (Electronic Stability Program), ABS (Anti-lock Braking System), TCS (Traction Control System), seis airbags (dois frontais, dois laterais e dois do tipo cortina), cintos de segurança com pré-tensionadores e apoios de cabeça dianteiros ativos que se movimentam para a frente do veículo no caso de colisão traseira, de modo a aliviar o impacto no pescoço dos ocupantes (efeito chicote).

Fica a expectativa agora da chegada da nova geração, que deve acontecer até 2014. Até lá, bem que as trocas de marchas sequencias poderiam ser feitas por toques na alavanca do câmbio ou por meio de borboletas atrás do volante, dispensando o ridículo botão usado atualmente.
Fotos: Chevrolet/Divulgação

quinta-feira, 10 de maio de 2012

Alta Roda - Crescer ou estagnar?

O mercado brasileiro de veículos vive uma fase de sinalizações de certa forma contraditórias. As vendas estão em queda de 5,7% quando comparadas médias diárias entre os primeiros quadrimestres de 2011 e de 2012. Os estoques totais nas lojas das concessionárias e nos pátios dos fabricantes cresceram de 35 dias para 43 dias, de março para abril deste ano.
Agência Estado - Reprodução da Revista Época Negócios
A média diária de vendas de veículos nos primeiros quatro meses de 2012 (período ampliado de análise filtra melhor sazonalidades e feriados) situou-se ligeiramente abaixo de 13.000 unidades, incluindo caminhões e ônibus. Portanto, será necessário um aumento firme dessa média nos próximos meses para que resultado final chegue ao crescimento entre 4% e 5% previsto pela Anfavea. A entidade prefere esperar o fechamento do primeiro semestre para rever previsões.

Por outro lado, a Fenabrave, associação das concessionárias, que trabalha suas análises com suporte da consultoria MB Associados, acaba de rever a estimativa de crescimento no ano para 3,4% ante 5,6%, em janeiro. A consultoria também prevê aumento das importações, apesar do IPI mais alto. No entanto, isso não está ocorrendo. De outubro de 2011 até o mês passado, a participação de mercado dos modelos importados caiu de 25,3% para 22,6%, incluídos veículos argentinos que têm maior parte de seu conteúdo de origem brasileira. Importadores de outras regiões preveem queda de no mínimo 15% sobre o ano passado.

A maior seletividade dos bancos para conceder financiamentos continua a atingir os chamados modelos de entrada, em que há maior participação dos motores de 1.000 cm³ de cilindrada. Estes caíram para menos de 40%, exatamente 38,6%. Uma fonte no mercado financeiro informou à coluna que será difícil redução maior na taxa de juros porque o spread (diferença entre captação e aplicação por parte dos bancos), no caso de veículos, já é relativamente baixo pela garantia que representa o carro em caso de inadimplência. Ainda assim, como o índice de atraso (superior a 90 dias) das prestações atingiu o recorde de 5,7%, continuam exigências severas para aprovação dos cadastros nos financiamentos longos e sem entrada.

É bom ficar claro que todo o barulho do governo federal em torno dos juros surtiu pouco efeito, até agora. As melhores condições são para compradores de menor risco, que podem dispor de uma boa entrada, de 20% a 30%, e assumir até 36 prestações. Bancos estatais têm participação discreta em financiamentos de veículos. Acomodam-se e não apreciam trabalhar nos fins de semana, quando os “feirões” são bancados pelas instituições financeiras.

Apesar de a pulsação do mercado estar longe de oferecer emoções, o presidente da Anfavea, Cledorvino Belini, acredita que o bom nível de emprego e a renda em crescimento, além de algum impacto positivo das taxas de juros, reanimarão o consumo no segundo semestre.

E a contradição mais relevante vem do Índice de Confiança do Consumidor, pesquisado pela FGV. Em abril atingiu 125,7 pontos (escala de 0 a 200; índice maior que 100 indica otimismo). São 4,9 pontos a mais em relação a março de 2011, quando as vendas ainda bombavam. Vamos esperar pelo melhor.

RODA VIVA
AMIA, associação dos fabricantes mexicanos, divulgou a cota de exportações em valores para o Brasil. Levou em conta participação na produção do México e a média das últimas vendas ao País, principalmente. Nissan recebeu a maior cota, seguida da Ford, Volkswagen, Chrysler/Fiat, GM e Honda. Nada impede ultrapassar cotas, mas incidirá imposto de importação de 35%.

IMPACTO sobre as vendas de modelos mexicanos aqui ainda não se pode avaliar com precisão. Tendência, porém, de a Nissan ser a mais atingida. Afinal, volume de unidades que importa é bem maior em relação aos modelos produzidos no Paraná. Graças à Chrysler, Fiat pode administrar melhor o que pretende trazer de lá, em especial o subcompacto 500.
Kia/Divulgação
OPTIMA, da Kia, faz esquecer completamente seu antecessor insosso, Magentis. Linhas se confundem com as de marcas premium europeias. Materiais e acabamento encontram-se em nível próximo àqueles sedãs. Motor 2,4 l/180 cv e câmbio de 6 marchas garantem bom desempenho. Tudo por preço atraente entre R$ 97.000 e 106.000. Mas sensação de solidez é discreta.

ANDAR no Audi A4 2013, na mesma semana que o Optima, permite observar diferenças, além do preço: R$ 149.700. Sedã alemão é mais equipado que o sul-coreano e oferece, por exemplo, controlador de velocidade funcional em descidas. Motor tem mesma potência, porém torque é quase 40% maior graças ao turbocompressor. Mais íntegro, sem dúvida.

NAVEGADOR GPS Navbras Access introduz interessante função ao captar sinal de internet de celulares a bordo com tecnologia 3G e Wi-Fi. Pode-se acessar a rede mundial e via Google ou outros buscadores realizar pesquisas. Não só dos melhores caminhos como pontos de interesse ilimitados, de restaurantes a postos de abastecimento. É a convergência digital.

segunda-feira, 7 de maio de 2012

Toyota Corolla continua na ponta, enquanto Honda Civic fica mais barato

A Chevrolet lançou o seu "carro mais vendido do mundo" no Brasil; a Honda lançou a nova geração do seu consagrado sedã no país; mas, no final das contas, em terras brasileiras, o Toyota Corolla continua líder de mercado em 2012, sem dar chances para Cruze e Civic.
1º. Toyota Corolla segue líder com folga. Versão XRS é a "esportiva" da família - Toyota/Divulgação
Será que a versão "jovem e esportiva" XRS está ajudando o Corolla? Por mais que eu ache que existam, pelo menos, 10 carros mais divertidos que o Corolla XRS (com preços próximos ou inferiores), o sedã da Toyota mostra que tem ótimas qualidades para se manter na ponta neste ano com certa tranquilidade. De janeiro a abril, foram comercializdas 16.558 unidades do Corolla, o equivalente a 22,82% do segmento de sedãs médios.
2º. Cruze é a estrela da Chevrolet, mas falta alguma coisa para assumir a ponta - Chevrolet/Divulgação
Em segundo lugar vem o Cruze, com 16,70%, emplacando 12.114 unidades segundo a Fenabrave. Será que, para a próxima mudança de linha, a Chevrolet já estaria preparando a primeira reestilização do seu sedã mirando a dianteira do segmento em definitivo? Vamos esperar para saber, mas bem que o Cruze poderia ficar um pouco mais barato.

E foi essa a estratégia da Honda. Como as vendas do novo Civic não repetem o sucesso de anos anteriores, a marca japonesa reduziu em R$ 3.000 o valor da versão LXS do seu sedã. Vejam:
3º. Honda Civic: dianteira bonita, traseira horrorosa e versão LXS R$ 3.000 mais barata - Honda/Divulgação
Novembro de 2011
. Honda Civic LXS MT Flex: R$ 69.700
. Honda Civic LXS AT Flex: R$ 72.900
. Honda Civic LXL MT Flex: R$ 72.700
. Honda Civic LXL AT Flex: R$ 75.900
. Honda Civic EXS AT Flex: R$ 85.900

Maio de 2012
. Honda Civic LXS MT Flex: R$ 66.700
. Honda Civic LXS AT Flex: R$ 69.900
. Honda Civic LXL MT Flex: R$ 72.700
. Honda Civic LXL AT Flex: R$ 75.900
. Honda Civic EXS AT Flex: R$ 85.900

O ideal mesmo seria tirar, pelo menos, R$ 3.000 do valor da LXL e R$ 5.000 no da EXS. Nos quatro primeiros meses de 2012, foram emplacados 11.200 unidades do Civic, o que corresponde a 15,44% do segmento.
4º. Volkswagen Jetta é dono do pior motor e do melhor motor entre os sedãs médios - Volkswagen/Divulgação
Os dois colocados seguintes são interessantes. O quarto lugar está com o Volkswagen Jetta, que oferece os extremos de motorização: o ultrapassado 2.0 8V flex e o moderno 2.0 TSI a gasolina. Se a versão de entrada tivesse um propulsor mais interessante, com certeza o sedã da Volks venderia mais que as 8.120 unidades de janeiro a abril desse ano (11,19%).
5º. Fluence tem potencial para melhorar ainda mais no Top 5 - Renault/Divulgação
Já a Renault conseguiu colocar o bom Fluence em quinto lugar com 6,55% de participação de mercado e 4.749 unidades emplacadas no mesmo período já citado. Com o rumor da chegada do Fluence 1.6 16V ganhando cada vez mais força, a tendência é que o sedã francês se mantenha no top 5, com qualidade suficiente até para subir.
6º. Sentra tem mostrado suas qualidades mantendo a sexta colocação - Nissan/Divulgação
Eu diria que o "estranho do ninho" está na 6ª colocação. A Nissan conseguiu a proeza de vender 3.502 unidades do Sentra, que é um ótimo carro, mas que sempre viveu nas sombras. Ele tem 4,83% do mercado.
7º. Hyundai ainda não conseguiu "descer os atributos do Elantra guela abaixo do consumidor" - Hyundai/Divulgação
O badalado Elantra, com seus freios a tambor na traseira e quase indefinidos números de potência, ainda não mostrou para que veio. Mesmo com toda a badalação da Hyundai e do Grupo CAOA, o modelo amarga a 7ª colocação, com apenas 2.434 unidades vendidas nos primeiros quatro meses de 2012, o equivalente a 3,35% de participação no segmento. É um resultado semelhante ao alcançado pela Peugeot com o 408, mas o carro do leão está uma posição atrás, sendo o responsável por 2.204 unidades emplacadas de janeiro a abril de 2012 (3,04%).
8º. Peugeot 408 é bom, mas será um eterno coadjuvante? - Peugeot/Divulgação
Em 9º temos o Cerato, que já teve seu tempo de sucesso no segmento de sedãs médios no Brasil. Com 2.194 unidades emplacadas nos primeiros quatro meses do ano, ele teve participação de 3,02% na categoria. A perda de interesse no sedã da Kia pode estar acontecendo pelo fato da marca estar renovando toda a sua linha pelo mundo, o que deve acontecer com o Cerato num futuro não muito distante.
9º. Cerato fez sucesso em outros tempos - Kia/divulgação
Atualização (20h40)
Como a Fenabrave colocou, estranhamente, o Ford Focus Sedan no meio dos sedãs compactos, acabei esquecendo de colocá-lo na análise dos números. Por isso, matenho as participações de mercado em porcentagem acima, mas levem em consideração a posição de mercado da lista abaixo. A Ford conseguiu emplacar 3.098 unidade do Focus Sedan, deixando seu modelo numa modesta 7ª posição.
Focus Sedan é um ótimo carro, mas nunca soube ser vendido - Ford/Divulgação
Sedãs médios - Janeiro a abril de 2012
1º. Toyota Corolla - 16.558 unidades emplacadas
2º. Chevrolet Cruze - 12.114
3º. Honda Civic - 11.200
4º. Volkswagen Jetta - 8.120
5º. Renault Fluence - 4.749
6º. Nissan Sentra - 3.502
7º. Ford Focus Sedan - 3.098
8º. Hyundai Elantra - 2.434
9º. Peugeot 408 - 2.204
10º. Kia Cerato - 2.194

quinta-feira, 12 de abril de 2012

O que meros R$ 10 bilhões podem fazer

Vale a leitura da matéria do jornal Valor Econômico de ontem, assinada por Glauco Lucena. Ela dá um panorama muito interessante sobre o mercado brasileiro de automóveis para os próximos anos.

O BMW X1, crossover que poderá ser montado aqui em sistema CKD pela marca alemã - BMW/Divulgação
Falar em maior variedade de carros nas lojas parece estranho quando já se tem mais de 40 marcas atuando no mercado brasileiro. E, mesmo nesse cenário, apostar em preços mais acessíveis costuma soar como velha utopia. Pois o que acontece é que esses dois fenômenos têm boas chances de acontecer, graças ao segundo grande ciclo de investimentos em fábricas de automóveis - que começa neste ano e deve avançar até a metade desta década.

O desembolso total em novas fábricas é estimado em aproximadamente R$ 10 bilhões (não inclui expansões). Tamanho volume não era visto desde meados dos anos 90, quando diversas marcas se instalaram no Brasil - e as que aqui estavam se viram obrigadas a ampliar sua capacidade produtiva. Nesse período, foram inauguradas as fábricas da Toyota em Indaiatuba (SP), Honda em Sumaré (SP), Peugeot-Citroën em Porto Real (RJ), Renault-Nissan em São José dos Pinhais (PR), Mitsubishi em Catalão (GO) e Mercedes-Benz em Juiz de Fora (MG). Na mesma época, a Volkswagen ergueu uma unidade no Paraná; a Ford, na Bahia; e a GM, no Rio Grande do Sul. Enquanto isso, a Fiat ampliava suas linhas de montagem em Minas Gerais.

Quase 20 anos depois, após vários momentos de crise, o mercado brasileiro vem batendo seguidos recordes de produção e vendas e passou a ser um dos poucos no mundo com capacidade de expansão, ao lado de China, Índia e Rússia. O novo ciclo pode não ser tão grandioso como o dos anos 90, mas mostra uma luta aguerrida por aumento de participação de mercado no Brasil, ou, no caso das quatro montadoras que mais vendem (Fiat, VW, GM e Ford), uma tentativa de minimizar as inevitáveis perdas de fatia no bolo.

"Essas quatro marcas, que tinham quase 100% nos anos 80, caíram para 80% nos anos 90 e hoje têm 70%", diz João Carlos Rodrigues, diretor-presidente da consultoria Jato Brasil, especializada em indústria automobilística global. "A médio prazo, devem chegar a 60%. Em nenhum mercado do mundo as quatro líderes, sejam que marcas forem, concentram mais de 50% das vendas"

Coreanos e japoneses
A nova rodada de inaugurações começa no segundo semestre deste ano, com as inaugurações de duas fábricas quase vizinhas: a da coreana Hyundai em Piracicaba (SP) e a da japonesa Toyota em Sorocaba (SP). Elas também têm em comum o mix de produtos - modelos compactos, bem equipados e com uma promessa geral de preços bastante competitivos.

A chegada da coreana Hyundai como fabricante traz ao país uma das marcas que mais crescem no mundo, conhecida pela agressividade estratégica e pela rápida evolução de seus produtos. Será a primeira fábrica de uma marca coreana no Brasil. Seu importador, o grupo Caoa, mantém uma linha de montagem em CKD (as peças vêm desmontadas de fora) em Anápolis (GO), de onde saem o jipe Tucson e a caminhonete HR, mas o investimento é todo nacional. Em Piracicaba, é 100% coreano.

A unidade terá capacidade para produzir 150 mil veículos por ano. Seu primeiro fruto será um hatch com preço na faixa do líder de mercado, o VW Gol. O nome do carro ainda não foi definido, mas o "Projeto HB" foi feito especificamente para o mercado brasileiro. O modelo terá motor 1.0 ou 1.6 flex, desenho arrojado e pacote de equipamentos generoso, até com opção de câmbio automático. No ano que vem, a mesma plataforma dará origem a um sedã compacto e, em 2014, a um jipinho ao estilo do Ford EcoSport. Ou seja, a Hyundai mira nos segmentos de maior volume do mercado brasileiro.
Toyota Etios - Toyota/Divulgação
A Toyota, que hoje produz por aqui apenas o sedã Corolla, vai centrar fogo pela primeira vez na base do mercado. O modelo a ser fabricado em Sorocaba é o Etios, nas versões hatch e sedã. Projetado para a Índia e outros países da Ásia, o Etios não é tão estiloso como o modelo da Hyundai, mas promete ser mais espaçoso, além de contar com a famosa confiabilidade dos carros japoneses.

O sedã da Toyota entrará na seara dos carros que são "compactos-mas-nem-tanto", inaugurada pelo Renault Logan e imitada por Chevrolet Cobalt e Nissan Versa. O hatch também promete bom espaço interno. A nova unidade fabril terá capacidade para 70 mil unidades por ano. A estreia dos modelos feitos no interior paulista terá como palco o Salão do Automóvel de São Paulo, em outubro.

Essas duas fábricas serão as primeiras de uma série programada para os próximos anos. Outra japonesa, a Nissan, anunciou no ano passado que fará uma nova planta em Resende (RJ), onde serão produzidos inicialmente os compactos March e Versa, hoje importados do México. A capacidade da planta será de 200 mil unidades anuais. Sua conterrânea Suzuki terá uma operação bem mais modesta em Itumbiara (GO), para produção do jipinho Jimny em 2013 (7 mil unidades por ano).

Chineses
Outra grande onda de investimentos virá de marcas chinesas. A Chery já ergue sua fábrica em Jacareí (SP), onde será produzido inicialmente o compacto S-18, a partir de 2013. A capacidade será superior a 150 mil unidades por ano.

Sua rival de origem chinesa, a JAC Motors, escolheu Camaçari (BA), com 80% de capital de seu importador brasileiro, o Grupo SHC. As obras começam em maio e a capacidade será de 100 mil unidades por ano. Os modelos serão a próxima geração do hatch J3 e do sedã J3 Turin.
O coreano SsangYong Korando - SsangYong/Divulgação
No mês passado, a empresa Brasil Montadora, que representa as marcas chinesas Changan (ex-Chana) e Haima, além da coreana SsangYong, anunciou a construção de uma fábrica em Linhares (ES), com inauguração prevista para 2014. A capacidade anual será de 10 mil unidades e os modelos em estudo são utilitários chineses e o jipe coreano Korando.

Outras marcas
Nos bastidores da indústria automotiva, muita gente aposta que as próximas marcas asiáticas a tentar a sorte no Brasil como fabricantes são a indiana Tata e a coreana Kia Motors.

A segunda rodada de investimentos das montadoras não alcança somente os modelos "populares". Para quem espera opções mais luxuosas, a grande expectativa no fim de março era em relação ao anúncio da primeira fábrica da BMW em solo brasileiro, no sistema CKD. O compacto premium Série 1 e o jipinho X1 são os modelos mais cotados para ganhar cidadania brasileira. O anúncio só não havia saído antes por causa do recente aumento do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para carros importados, que irritou os executivos alemães da BMW.

Sua grande rival, a Mercedes-Benz, também sinaliza que voltará a produzir carros de passeio, provavelmente em Juiz de Fora (MG), onde hoje são feitos apenas caminhões. De lá saía o modelo Classe A, que não fez sucesso por aqui. Nos planos estão um sedã ou um crossover derivado da nova geração do Classe A, apresentada em março em Genebra.

Essa segunda invasão de "newcomers" preocupa as quatro marcas de maior tradição no Brasil. Mas elas não assistirão passivamente a esse movimento. A Fiat foi a primeira a anunciar uma nova fábrica, a ser erguida em Goiana (PE). O objetivo: fazer um modelo menor que o novo Uno para aposentar o Mille em 2014.
O pequeno Volkswagen Up! chega em 2014 com a promessa de ser mais barato que o Gol - Volkswagen/Divulgação
No fim de março, a Volkswagen ainda avaliava a hipótese de construir uma fábrica para um modelo menor que o Gol (o Up!) ou aproveitar as três que já tem no país. A Ford não terá nova fábrica, mas investe nas plantas do ABC paulista e de Camaçari (BA) para produzir o substituto do Ka e o New Fiesta, hoje importado. Ambos chegam ao mercado até 2013. A GM, que ainda se ressente da crise da matriz, está focada em renovar toda a sua linha de produtos até o ano que vem.

Para Rodrigues, da Jato Brasil, é preciso aguardar as estratégias de cada marca para saber se os preços serão mesmo pressionados para baixo. "De qualquer forma, essa concorrência já impede que as montadoras reajustem valores, mesmo quando o modelo tem mudanças radicais de estilo ou mecânica."