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segunda-feira, 13 de maio de 2013

Será que o Honda Civic voltou de vez para a liderança do segmento de sedãs médios no Brasil?

Honda/Divulgação
A palavra consolidar tem como principais significados "tornar(-se) seguro, sólido, firme, estável" - de acordo com o dicionário online Michaelis. Com isso em mente, analisei os dados do mercado nacional de automóveis em abril e o acumulado do ano de 2013, segundo a Fenabrave, e notei que o Honda Civic, pelo segundo mês consecutivo, bateu o Corolla na liderança do segmento, ultrapassando o sedã médio da Toyota também no somatório de janeiro a abril. Mas podemos considerar que o Civic se consolidou na ponta?

A Toyota ainda afirma no comercial que o Corolla é o líder absoluto da categoria, como pude assistir ontem a noite na TV. Claramente este comercial (reproduzido abaixo) está ultrapassado e acho até que merecia uma mudança de texto. Mas tudo bem.


Mas é fato que, até o momento, o Civic lidera o segmento. Mas ainda acho cedo para afirmar que o modelo se consolidou na ponta, mas acredito que o Honda continuará à frente do Toyota em 2013. Além do visual mais novo, que não me agradou muito, mas que é claramente mais atual do que o Corolla (2014), a oferta do motor 2.0 16V flex ao Civic foi muito bem-vinda. Imaginem então quando a Honda reestilizar o Civic por aqui, o deixando com o design da versão norte-americana? Só mesmo a nova geração do Corolla para competir.

Em março, foram emplacadas 4.865 unidades do Civic, contra 3.658 unidades do Corolla. Em abril, o sedã da Honda foi responsável por 5.636 unidades emplacadas, contra 5.111 unidades do Toyota.

Emplacamento de sedãs médios de janeiro a abril de 2013 no Brasil (Fenabrave)
1. Honda Civic - 15.821 unidades
2. Toyota Corolla - 15.673 unidades
3. Chevrolet Cruze - 7.463 unidades
4. Renault Fluence - 5.033 unidades
5. Volkswagen Jetta - 3.979 unidades
6. Fiat Linea - 2.582 unidades
7. Mitsubishi Lancer - 2.326 unidades
8. Kia Cerato - 2.308 unidades
9. Nissan Sentra - 2.216 unidades
10. Peugeot 408 - 1.698 unidades
11. Hyundai Elantra - 1.242 unidades
Hyundai/Divulgação
i30 em queda livre
Se por um lado o Civic está buscando se consolidar na ponta do sedãs médios, na categoria de hatches médios o ex-líder i30 está descendo a ladeira. Responsável anteriormente por vendas vistosas, o modelo da Hyundai sofre com os absurdos preços cobrados pela Hyundai (e por alguns fatores externos, como impostos), e também com a oferta única do motor 1.6 16V flex, insuficiente para o veículo, já amargando a 6ª colocação no segmento. Veja:

Emplacamento de hatches médios de janeiro a abril de 2013 no Brasil (Fenabrave)
1. Ford Focus - 7.967 unidades
2. Chevrolet Cruze sport6 - 7.509 unidades
3. Volkswagen Golf - 4.187 unidades
4. Peugeot 308 - 3.733 unidades
5. Fiat Bravo - 3.380 unidades
6. Hyundai i30 - 3.180 unidades
7. Citroën C4 - 2.021 unidades
8. Nissan Tiida - 612 unidades

O mercado brasileiro já está dando o seu recado. Resta à marca coreana entendê-lo: i30 precisa custar (bem) menos e ter uma versão 2.0.

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

Brasil estuda criar programa de reciclagem de veículos

Muito interessante essa matéria da Folha de S. Paulo. Eu sempre gostei de discutir esse assunto, pois o Brasil precisa urgentemente de um programa de renovação de frota e de reciclagem de veículos.

Sou a favor do IPVA ir ficando mais caro a com o tempo: quanto mais velho for o carro, mais caro é o imposto. Não precisa ser exatamente ano a ano, mas a cada três anos, por exemplo. Mas isso seria apenas uma das partes de um GRANDE todo. Governos, montadoras e entidades precisam se unir para conversar e definir um projeto benéfico para o país, para a população e para o meio ambiente.

Brasil estuda criar programa de reciclagem de veículos
O governo brasileiro estuda a criação de um programa de reciclagem de veículos. A proposta é da Fenabrave (federação das concessionárias), que analisa os modelos usados em outros países em discussão na convenção anual da NADA (associação dos concessionários dos EUA), que acontece nesta semana em Orlando.
Reprodução/Autosorfaos
"Estamos conversando com o poder público para que criem regras e um sistema de reciclagem veicular. Somos o quarto maior mercado do mundo e não temos uma legislação e um programa que indique o que será feito com o carro velho", diz Flávio Meneghetti, presidente da Fenabrave.

Além dos benefícios ambientais, interessa à Fenabrave uma medida de incentivo à renovação da frota, pois isso levaria a uma alta nas vendas de carros novos. "Aquece o mercado de novos e o de usados. Os ganhos são inúmeros, incluindo a redução da poluição, aumento da segurança no trânsito e a geração de renda com a contratação de pessoas e a compra de máquinas para o processo", defende Meneghetti.

FROTA VELHA
A frota nacional de carros tem idade média de 12 anos. Ao contrário de alguns países, no Brasil, quanto mais antigo é o carro, mais benefícios governamentais ele têm, como a isenção de impostos como o IPVA.

Já a situação dos caminhões é ainda mais preocupante, segundo Alarico Assumpção, vice-presidente da Fenabrave e especialista no mercado de pesados. A idade média da frota é de 14 anos. "Há caminhões com mais de 40 anos ainda 'trabalhando'. "São veículos em situação precária e perigosa", aponta Assumpção.

A criação de leis que regulamentaram a reciclagem na Argentina, por exemplo, permitiu a implantação de um programa do Cesvi (Centro de Experimentação e Segurança Viária) do país. A iniciativa reduziu o furto e o roubo de veículos na região da grande Bueno Aires em 70%.

No Europa, a legislação sobre o tema está mais avançada e há unidades para o tratamento dos carros fora de uso em países como a Espanha.

Texto: Ricardo Ribeiro
Reprodução: Folha de S. Paulo

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

Toyota duplica a produção do Etios no Brasil. A notícia é boa, mas será mesmo necessária?

Inaugurada em agosto de 2012, um mês antes do lançamento oficial do Etios, a fábrica da Toyota em Sorocaba (SP) implantou, no início de janeiro, o segundo turno de produção do hatch e do sedã, duplicando de 150 para 300 unidades produzidas do modelo por dia.

Ter mais um turno na planta faz parte da estratégia da marca em fabricar 70.000 veículos do "popular" no primeiro ano cheio de produção (2013), como foi previsto e anunciado na cerimônia de abertura da unidade. O lado (muito) bom desta notícia da Toyota foi a contratação de 620 novos funcionários para suprir a nova demanda de produção. Agora, a fábrica de Sorocaba conta com cerca de 1.600 colaboradores no total.

De acordo com a marca, tradicionalmente a produção em fábricas novas acontece com apenas um turno de operação. De setembro a dezembro de 2012 foram produzidos pouco mais de 10 mil unidades do Etios, número 7% maior que a previsão inicial da companhia, que girava na casa das 9.500.
"Lindo painel " - Fotos: Toyota/Divulgação
Por outro lado, tenho sérias dúvidas se a Toyota conseguirá ter demanda para as 70.000 unidades previstas para serem produzidas em 2013. Para vender 36.000 unidades do modelo por ano, a média mensal precisaria ser de 3.000 carros.

Somando os meses de setembro, outubro, novembro e dezembro de 2012, todos com o IPI reduzido, de acordo com a Fenabrave, foram emplacadas 6.969 unidades do Etios, sendo 4.353 do hatch (média mensal de 1.088 carros) e 2.616 do sedã (média mensal de 654 veículos). A média somada das duas carrocerias seria de 1.742 carros emplacados por mês no ano passado - longe das 3.000 unidades que citei e muito distante das cerca de 5.800 unidades previstas pela Toyota (se atingisse toda a capacidade de produção de Sorocaba).

Por isso pergunto: será que foi uma boa ideia duplicar a produção? Se os preços caírem; se o Etios ganhar um acabamento mais refinado e melhorias no painel, sem dúvida vai ter valido a pena. Mas, se nenhuma dessas hipóteses acontecer, as vendas não vão subir e a decepção vai continuar grande.

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Ford Focus se prepara para fechar 2012 na liderança. Ano que vem promete entre os hatches médios!

Ford/Divulgação
Quem diria! Depois de muito tempo tentando, finalmente um dos melhores carros do Brasil deverá fechar um ano no topo do seu segmento! Estou falando do Ford Focus, que caminha, com relativa folga, para ser o 1º no ranking entre os hatches médios mais vendidos em 2012 no Brasil - essa é a minha categoria de carros favorita.

Mesmo com as inúmeras estratégias erradas de Ford para vendê-lo (exemplos: lançar o modelo apenas a gasolina; apostar as fichas no Focus Sedan, deixando o hatch mais de lado, etc.), o Focus, vice-líder em 2011, conseguiu superar o Hyundai i30 em 2012, de acordo com os dados de Fenabrave de janeiro até 15 de dezembro, e vai mesmo fechar 2012 em primeiro.
Hyundai/Divulgação
2012 (janeiro até 15 de dezembro)

1º. Ford Focus - 22.742 unidades emplacadas
2º. Hyundai i30 - 18.697 unidades
3º. Volkswagen Golf - 14.367 unidades
4º. Chevrolet Cruze Sport6 - 12.194 unidades
5º. Peugeot 308 - 11.294 unidades
6º. Fiat Bravo - 9.989 unidades
7º. Nissan Tiida - 9.032 unidades
8º. Citroën C4 - 6.911 unidades

Mas a situação do Ford não será fácil em 2013. Mesmo custando um absurdo, o Chevrolet Cruze Sport6 está vendendo bem, sendo o modelo mais comercializado do segmento em novembro. Lançado em abril, ele é o 4º no ranking de 2012, vendendo, muitas vezes, até mais do que o terceiro, o veteraníssimo Volkswagen Golf (4,5).

Com as mudanças previstas para o Sport6 (MyLink com bela tela no painel + pequena reestilização na dianteira, que pode ficar para depois), o Cruze hatch deve continuar dando muito trabalho. Imaginem se o preço diminuir?

Novembro - 2012
1º. Chevrolet Cruze Sport6 - 1.824 unidades emplacadas
2º. Ford Focus - 1.776 unidades
3º. Hyundai i30 - 1.354 unidades
4º. Peugeot 308 - 1.335 unidades
5º. Volkswagen Golf - 1.200 unidades
6º. Fiat Bravo - 934 unidades
7º. Citroën C4 - 466 unidades
8º. Nissan Tiida - 335 unidades
Peugeot/Divulgação
Peugeot 308 também está com uma participação expressiva em 2012 e tem tudo para brilhar no ano que vem. Lançado em fevereiro, ele até superou o Focus no Duelo aqui no De 0 a 100. Mas não acho que o modelo consiga mais do que um quarto lugar, mesmo com possíveis novidades para a linha 2014. Só mesmo com a chegada do novíssimo 308, prevista para estrear, no mínimo, a partir de 2015, o modelo terá condições de subir para o top 3.

Outro que precisa mostrar para que veio é o Fiat Bravo. Seu volume de vendas é semelhante ao do Stilo, o que considero ruim, não chegando a 900 unidades por mês em 2012. A marca italiana até se esforçou para torná-lo mais atrativo, aumentando o número de equipamentos de série, lançando o câmbio Dualogic Plus e a versão Sporting. Mas, assim com o Toyota Etios, o Bravo continua patinando nas vendas.
Fiat/Divulgação
Minha sugestão para melhorar a situação seria: redução de preços e adição de mais equipamentos  de série - mas nada de rodas de aro 17" e sim "equipamentos de verdade", como apoia-braço central banco traseiro com porta-copos; sensor de estacionamento traseiro; rebatimento elétrico dos retrovisores externos; Blu&Me (sistema operado por comandos de voz, com porta USB e viva-voz Bluetooth) e, principalmente, airbags laterais.

Grandes mudanças em 2013
Curiosamente, os dois líderes do segmento em 2011 e 2012 devem receber as mudanças mais profundas de 2013. As novas gerações do Ford Focus e do Hyundai i30 estão confirmadas para o nosso mercado.
Novo i30 - Hyundai/Divulgação
O primeiro a chegar, já no 1º trimestre, é o coreano. Testado há muito tempo no Brasil, seu visual, que segue a linha de design da Hyundai, deve ser o grande destaque - (praticamente um Elantra hatch), juntamente com a sofisticação interna. Isso deve acontecer para compensar a perda de desempenho, já que o atual motor 2.0 16V deve dar lugar ao 1.6 16V flex, igual ao do HB20, que desenvolve 122/128 cv de potência - é o mesmo propulsor do Veloster, mas que tem, segundo a Hyundai/Caoa, 140 cv (de mentira) no "esportivo". Pelo menos o câmbio automático terá seis marchas.

No meio do ano está prevista a chegada (da Argentina) do novo Focus (entre vários outros lançamentos previstos), já mostrado pela marca no Salão do Automóvel de São Paulo. Infelizmente, o Focus Sedan vem primeiro (depois pegam no meu pé porque critico a Ford pela estratégia de vendas do Focus...). Para compensar, a família Focus deve ganhar melhorias que estrearam com o novo EcoSport, como o câmbio manual automatizado Powershift de dupla embreagem.
Novo Focus - Ford/Divulgação
Eterna espera
Pelo lado da Volkswagen, a cadeira usada para esperamos sentados pelo novo Golf já quebrou porque ficou com as pernas podres (desgastadas pelo tempo). O Golf 4,5 (ainda) vendido por aqui é um bom carro (se não fosse, não venderia bem). Mas o brasileiro merece mais e nós queremos a geração mais moderna possível do Golf por aqui. Com certeza ele brigaria pela ponta do segmento, ainda mais se tivesse um preço competitivo.

Sobre a expectativa da chegada do novo Golf, prefiro não comentar quase nada, tamanha é a minha decepção com a Volkswagen - quem sabe, na melhor das hipóteses, ele não seja lançado em 2013, de preferência nacional (ou mexicano).
Queremos este Golf! - Volkswagen/Divulgação
O que me deixa um pouco mais animado é saber que nunca estivemos tão perto de termos um novo Golf no Brasil como agora. Mas, por segurança, meu otimismo continua contido.
 
Eternos coadjuvantes?
A Nissan tem algumas opções para o Tiida. A primeira delas, que espero que não aconteça, é apenas reestilizar o atual, aumentando a vida útil dele no mercado nacional por alguns (poucos) anos. A outra, bem melhor, que daria uma vida nova para o Tiida, seria lançar a nova geração do veículo, bem mais bonita e moderna do que a atual. Com a inauguração da fábrica da marca no Rio de Janeiro, prevista para 2014, a Nissan nacionalizará a produção do Versa e do March, abrindo espaço para o aumento do volume das importações dos novos Sentra e Tiida (provavelmente nesta ordem).
Novo Nissan Tiida - Reprodução de arte de Renato Aspromonte - Auto Esporte (Dezembro/2012 - Ed. 571)
Já a Citroën parece que se esqueceu completamente do C4. Moderno em outros tempos, o modelo já sente o peso da idade, que reflete nas vendas. A marca preferiu lançar primeiro sua turma familiar C4 Picasso, C4 Gran Picasso, Aircross e C3 Picasso; sua turma de alta tecnologia e design ousado (mas caros e com baixíssimo volume de vendas) DS3 e DS5; e seu carro chefe no país, o novo C3 (esse com completa razão); deixando, quase que totalmente em segundo plano, o C4 (hatch e Pallas).

Agora vamos esperar para ver se a marca francesa compensa esse aparente "descaso" com o lançamento da nova geração do C4 por aqui - e não com a versão reestilizada na China!
Nova geração do C4 - Citroën/Divulgação
A expectativa é que a nova geração do C4 seja lançada no Brasil em 2013 compartilhando os motores do 308: 1.6 16V EC5 flex, 2.0 16V flex e 1.6 THP. Só peço uma coisa para a Citroën: por favor, TROQUE a caixa de câmbio automático da família C4! Chega de problemas!

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Chevrolet Onix e Hyundai HB20 confirmam a ótima receptivade do mercado. Toyota Etios patina...

Hyundai/Divulgação
No meio do mês passado, fiz um post sobre o resultado parcial das vendas de novembro de três dos principais lançamentos do Brasil em 2012: Chevrolet Onix, Hyundai HB20 e Toyota Etios. Encerrado o 11º mês do ano, percebo que o Onix e o HB20 confirmaram a ótima receptivdade do mercado brasileiro, enquanto o Etios continua patinando nas vendas.

Se até 15 de novembro o compacto da Hyundai estava em 9º no ranking geral de emplacamentos, de acordo com a Fenabrave, ele fechou o mês em 8º, com 8.077 unidades. Já o novo hatch da Chevrolet subiu da 13ª colocação na parcial para a 10ª no mês passado, fechando com 7.409 carros emplacados. O Toyota se manteve no 35º lugar, com decepcionantes 1.322 unidades emplacadas - mais de três vezes inferior ao Corolla, que custa o dobro do preço!

Novembro - 2012
1º. Volkswagen Gol - 25.591 unidades emplacadas
2º. Fiat Uno - 18.611 unidades
3º. Fiat Palio - 17.268 unidades
4º. Volkswagen Fox/CrossFox - 11.676 unidades
5º. Fiat Siena - 11.606 unidades
8º. Hyundai HB20 - 8.077 unidades
10º. Chevrolet Onix - 7.409 unidades
35º. Toyota Etios hatch - 1.322 unidades
Chevrolet/Divulgação
Em novembro, HB20 e Onix, que travaram um dos Duelos mais equilibrados da história do De 0 a 100, superaram até veículos mais consolidades no território nacional, como o Renault Sandero, os Ford Ka e Fiesta, o Chevrolet Agile e o Fiat Punto - estes dois últimos partem de preços mais elevados.

Os japoneses devem ligar o sinal de alerta e preparar mudanças substanciais para 2013. Se somarmos os emplacamentos do Etios hatch desde o seu lançamento, em setembro, e os compararmos apenas com os números do Onix no mês passado (o modelo começou a ser vendido no dia 7/11), notamos que a situação é ainda pior: 2.725 unidades emplacadas (3 meses) X 7.409 unidades emplacadas (1 mês).

Como eu disse antes, a Chevrolet tem muito mais concessionárias do que a Toyota no Brasil, mas não era de se esperar uma diferença tão grande, ainda mais depois de todo "oba-oba" criado em torno do lançamento do Etios por aqui - com os artistas aparecendo até mais do que o carro.
Toyota/Divulgação
E, se pensarmos, Hyundai e Toyota têm um número mais aproximado de concessionárias e nem por isso o HB20 patinou nas vendas. No meu ponto de vista, o Etios tem potencial para vender, no mínimo, o dobro do que vende hoje.

Acumulado do ano - 1º de janeiro a 30 de novembro de 2012
. Hyundai HB20 - 11.388 unidades
. Chevrolet Onix - 7.651 unidades
. Toyota Etios hatch - 2.725 unidades

Como não é possível fazer alterações profundas no Etios neste momento, como visual externo e, especialmente o bizarro painel, resta à Toyota rever a política de preços. Repito a minha sugestão: a versão X 1.3 do hatch deveria custar R$ 29.990, fazendo com que a XS 1.3 valesse R$ 33.490 e a XLS 1.5 fosse encontrada por R$ 38.790 (ao invés de R$ 42.790) - eliminando, de vez, a quase desnecessária versão de entrada (1.3). Assim o modelo teria um custo-benefício MUITO melhor.

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Venda de veículos recua 3% em novembro

Era muito difícil que o mercado brasileiro conseguisse manter as vendas recentes superaquecidas. Logo, a queda em novembro era esperada. Ainda assim, o balanço do ano mostra um crescimento de quase 5% em relação ao primeiros 11 meses do ano passado, provando que as medidas adotadas, especialmente a redução do IPI, foram suficientes para manter as vendas de veículos no Brasil em alta.

Venda de veículos recua 3% em novembro
Balanço divulgado hoje pela Fenabrave - entidade que abriga as concessionárias de carros - mostra que as vendas de veículos novos no país caíram 3% em novembro, quando comparadas a igual período do ano passado. Em relação a outubro, a queda foi de 8,7%.

No total, foram emplacados 311,8 mil veículos no país durante o mês passado, entre automóveis, comerciais leves, caminhões e ônibus. O volume eleva as vendas no acumulado do ano para 3,44 milhões de unidades, um crescimento de 4,8% na comparação com o desempenho dos onze primeiros meses de 2011.

Considerando apenas as vendas de carros de passeio e utilitários leves, as vendas somaram 297 mil unidades em novembro, o que corresponde a uma queda de 2,7% na comparação anual e de 9,1% em relação a outubro.

A Fiat liderou o mercado no mês passado, com participação de 24%. Na sequência aparecem Volkswagen (20,8%), General Motors (17,7%) e Ford (8,1%).

Caminhões
As vendas de caminhões somaram 12,56 mil unidades no mês passado, praticamente no mesmo nível de outubro, quando 12,54 mil caminhões foram emplacados.

Novembro, contudo, teve dois dias úteis de venda a menos. Quando se compara com o mesmo mês de 2011, as vendas de caminhões mostram queda de 6,4% em novembro.

Nos onze primeiros meses do ano, as vendas de caminhões continuam no terreno negativo, com queda de 20,3% e 125,2 mil unidades emplacadas.

A marca Volkswagen, controlada pela MAN, respondeu por 28% das vendas em novembro, à frente da Mercedes-Benz, que teve 23,9%.

O levantamento da Fenabrave mostra também que 2,19 mil ônibus foram vendidos em novembro, também praticamente no mesmo nível de outubro (2,2 mil unidades). Em relação ao desempenho de um ano antes, as vendas de ônibus caíram 26% no mês passado.

Texto: Eduardo Laguna
Fonte: Valor

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Entre os novos hatches "de massa", Hyundai HB20 e Chevrolet Onix se destacam. Já o Toyota Etios...

Hyundai/Divulgação
 Ainda é cedo para dizer, mas, levando em consideração as vendas de novembro de 2012, Hyundai HB20 e Chevrolet Onix estão no caminho certo para o sucesso no mercado nacional (leia o Duelo entre os dois aqui). Já o Toyota Etios parece não estar agradando.

Se somarmos os emplacamentos do Etios hatch desde o seu lançamento, em setembro, o número ainda é inferior ao obtido pelo Onix, que chegou às concessionárias em novembro. Tudo bem que a Chevrolet tem muito mais concessionárias do que a Toyota, mas não era de se esperar uma diferença tão grande.
Chevrolet/Divulgação
Um ponto interessante é que nos primeiros 15 dias de novembro, o HB20 emplacou mais carros do que todo o mês de outubro.

Vejam os números de emplacamentos, de 1º a 15 de novembro, segundo a Fenabrave, com a posição dos modelos no ranking dos 50 mais emplacados:

9º. Hyundai HB20 - 3.902 unidades
13º. Chevrolet Onix - 2.853 unidades
35º. Toyota Etios hatch - 660 unidades

Acumulado do ano - 1º de janeiro a 15 de novembro de 2012:

Hyundai HB20 - 7.214 unidades
Chevrolet Onix - 2.853 unidades
Toyota Etios hatch - 2.063 unidades
Toyota/Divulgação
O que fazer Toyota? Melhor abaixar os "preços premium"...

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Renault Fluence evolui na Europa - diferente do Mexico. E no Brasil?

Com alguma expectativa, finalmente a Renault mudou o Fluence na Europa. Agora, seu sedã segue a tendência de design dos mais recentes lançamentos da marca - diferente do que aconteceu com o modelo no México, onde, "nissanzinado", ele regrediu muito visualmente.
O Fluence acompanha as mudanças que aconteceram no Clio vendido no velho continente (a quarta geração), e as do "novo" Clio vendido por aqui (muitas gerações para trás). Na dianteira, destaque para a nova grande, mais larga na parte superior, que destaca a logomarca da Renault. Nas extremidades, os faróis de neblina estão diferentes, e o carro ganhou, logo acima deles, luzes de LEDs diurnas. A traseira, aparentemente, não mudou.
Em relação ao nosso Fluence, a evolução foi muito bem-vinda. O modelo ganhou um aspecto mais esportivo, que deve fazer a diferença na hora da compra.

Por dentro, o quadro de instrumentos é digital e o freio de estacionamento passa a ser elétrico. Os sistemas interativos também evoluiram, com bluetooth para conexão do celular, e, principalmente, graças ao sistema R-Link (vendido opcionalmente), que tem tela touchscreen com GPS com comandos de voz, além de outras funções.
Painel tem instrumentos digitais e sistema R-Link - Fotos acima: Renault/Divulgação
Na Europa, o Fluence conta com opções de motores a diesel e a gasolina.

No México (abaixo), o sedã da Renault regrediu na sua reestilização mais recente, ficando com a dianteira muito feia, que parece ter sido inspirada em modelos da Nissan (Versa?) ou no antigo Corolla.
Reprodução de Al Volante
Duas fotos logo acima são do Fluence mexicano. Feio, não? - Renault/Divulgação

E no Brasil?
No Brasil, para a nossa alegria, a Renault deve repetir por aqui as mudanças efetuadas no Fluence europeu em algum momento de 2013. Se os preços se mantiverem ou até cairem um pouco, o sedã francês poderá vender ainda mais.

Sua participação no mercado não é ruim, mas ele nunca vendeu o que realmente pode - o Fluence é um carro muito bom. Segundo a Fenabrave, de janeiro a outubro de 2012, foram emplacadas 13.029 unidades do Fluence, mantendo firme a quinta colocação no segmento de sedãs médios em 2012, à frente de concorrentes como Nissan Sentra, Hyundai Elantra, Kia Cerato e Peugeot 408.

Acima do Fluence estão Volkswawagen Jetta (18.306 unidades vendidas no mesmo período), Chevrolet Cruze (34.112), Honda Civic (41.907) e Toyota Corolla (45.520).

Mesmo com as mudanças, não existe nenhuma maneira do Renault brigar com os japoneses. Alcançar o Cruze também é difícil. Mas, se as alterações forem mesmo confirmadas, especialmente mais para o início de 2013, lutar pela quarta posição será algo realmente possível.

sábado, 3 de novembro de 2012

Vendas de carros crescem 18,5% em outubro e batem novo recorde

CLEIDE SILVA - O Estado de S.Paulo

Mesmo com a prorrogação do desconto do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) até o fim do ano, o mês passado registrou alta de 18,5% nas vendas de veículos em relação a setembro, com um total de 341,7 mil unidades, o melhor outubro da história. O recorde anterior para o período tinha sido em 2010, com 303,1 mil unidades.

Somente em automóveis e comerciais leves, segmento beneficiado pelo imposto menor, foram vendidas 327,1 mil unidades, um aumento de 17,8% ante setembro. Na comparação com outubro de 2011, os aumentos são de 21,8% nas vendas totais e de 24% nas de automóveis e comerciais leves.

No ano, as vendas de veículos, incluindo caminhões e ônibus, somam 3,130 milhões de unidades, resultado 5,7% maior que o de igual intervalo de 2011. Em automóveis e comerciais leves, a alta é de 7,2%, com 2,993 milhões de unidades, segundo dados de mercado com base nos licenciamentos.

O balanço oficial do setor será divulgado na terça-feira pela Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave).

Abaixo da média
O resultado de outubro, apesar de recorde para o mês, está abaixo do obtido nos três primeiros meses de redução do IPI, quando foram vendidas 353,2 mil unidades (junho), 364,2 mil (julho) e 420 mil (agosto). Os negócios despencaram em setembro - para 288,1 mil veículos - e voltaram a reagir no mês passado.

Analistas esperam nova queda neste mês, mas uma possível corrida às lojas em dezembro, quando termina o benefício do IPI, já prorrogado duas vezes. "A indústria automobilística segue passo de crescimento nada enlouquecido - como o verificado em agosto -, mas perfeitamente possível de ser atingido", diz o diretor do Centro de Estudos Automotivos (CEA), Luiz Carlos Mello. Ele concorda com as projeções da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), de que o ano deve fechar com desempenho recorde de 3,8 milhões de veículos vendidos, quase 5% mais que em 2011. "O mercado brasileiro ainda tem uma demanda reprimida."

O benefício do IPI, que termina em 31 de dezembro, reduziu de 7% para zero a alíquota desse imposto para modelos nacionais com motor 1.0 e de 11% a 13% para 5,5% a 6,5% para versões até 2.0.

Novidades
O consumidor brasileiro confirmou, no mês passado, sua atração por novidades. O compacto Hyundai HB20, que chegou às lojas no dia 10 com preços a partir de R$ 32 mil, vendeu 3.313 unidades e tem fila de espera até fevereiro. A empresa já criou um segundo turno de trabalho na recém-inaugurada fábrica de Piracicaba.

Seu concorrente, o também novato Toyota Etios, vendeu 1.723 unidades nas versões hatch e sedã, com preços a partir de R$ 30 mil. Os dois modelos fabricados no País são apontados como responsáveis pelo aumento de participação no mercado de automóveis e comerciais leves das duas marcas. A Toyota saltou de uma fatia de 3,2% em setembro para 3,9% no mês passado e a Hyundai de 2,6% para 3,2%.

A alta demanda está provocando algumas mudanças nas tabelas sugeridas pelas fábricas. O Nissan March importado do México - cujas vendas estavam suspensas havia cerca de dois meses em razão da falta de produtos - volta a ser vendido nos próximos dias com reajuste de R$ 1,1 mil. A empresa estourou sua cota de importação de produtos sem Imposto de Importação e agora está trazendo o compacto pagando 35% de imposto.

A Citroën também aumentou em cerca de 2% os preços de algumas versões do C3 para adequar o mix de produtos com a demanda do mercado. A nova versão do compacto premium foi lançada em agosto e tem vendido, em média, mais de 3 mil unidades por mês.

Fonte: Estadão

domingo, 21 de outubro de 2012

Alta Roda - Instrumentos de venda avançam

Divulgação
A internet veio para ficar, como ferramenta quase indispensável, para ajudar o comprador a pesquisar preço, opções de pagamento e “montar” o carro a seu gosto, além de fazer comparações dentro da enorme gama oferecida hoje no mercado brasileiro, estimada em mais de 400 modelos. Não há dados precisos, mas se acredita que até 90% das pessoas, nos centros urbanos, façam pelo menos uma consulta nos sites dos fabricantes e de concessionárias, antes de se dirigir às lojas.

O ganho de tempo é muito grande e o processo de escolha, facilitado. Muitos já sabem: consumidores estão tão ou mais informados que os melhores vendedores nos salões de exposição. Entretanto, o processo de atendimento ainda exige aperfeiçoamentos. Agilidade no primeiro contato e rapidez na negociação significam, certamente, um cliente satisfeito e com possibilidade de voltar no futuro para novas compras.

No recente Congresso da Fenabrave, em São Paulo, entre dezenas de fornecedores de serviços, destacou-se uma nova tendência. Com o advento das pranchetas eletrônicas, mais conhecidas como tabletes, criaram-se condições de atender o consumidor de forma diferenciada, bastante objetiva e, acima de tudo, rápida. A ideia partiu da associação da mobilidade do tablete com a computação nas nuvens, via rede celular.

A Linx Sistemas, uma das empresas brasileiras focadas no assunto, estudou todo o emaranhado de informações que a concessionária demanda e o comprador espera. O fluxo de loja foi bem pensado. Logo na chegada do cliente, é feita a tabulação do que ele tem em mente: veículo novo ou usado, equipamentos de série e opcionais, financiamento ou pagamento à vista, serviços de apoio e seguro, acessórios e até mesmo pré-cadastro. Enfim, tudo fica armazenado no tablete e é transmitido ao vendedor escalado para fazer a decisiva negociação.

Um dos recursos do programa eletrônico muito interessante é a atualização em tempo real. O atendente tem possibilidade de consultar todo o estoque da loja e mesmo de outras concessionárias. Se não há disponibilidade, no momento, de uma determinada cor, por exemplo, pode saber se no bairro ou região próxima existe um modelo com as exatas características. E até fornecer previsão de entrega, caso os trâmites burocráticos sejam vencidos sem surpresas.

Se o comprador deseja um carro usado, pode-se consultar o banco de dados, porém de forma rápida e confiável. No processo tradicional, o avaliador preenchia uma planilha de papel, chegava ao preço final e só depois ia ao computador de mesa inserir, um a um, os dados em planilha eletrônica. Depois, colocava as informações em rede. Agora, tudo é feito no próprio tablete e transmitido de imediato pela rede celular. Um automóvel usado avaliado, cujo proprietário aprovou o negócio na troca por um novo, ficará disponível instantaneamente para outro interessado, que só precisaria aguardar, então, o processo de revisão técnica e outras providências.

Por fim, essas soluções portáteis são a melhor forma de lidar com a organização do atendimento e acabarão por se tornar indispensáveis. Afinal, quem entra numa loja deseja a melhor recepção, mas presteza e agilidade passarão a ter peso substancial na hora de fechar o negócio.

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Alta Roda - Cadastro e reciclagem animam

Entre os eventos mais tradicionais no setor está o Congresso Fenabrave, a associação das concessionárias de todos os tipos de veículos motorizados terrestres, incluídos motocicletas, máquinas agrícolas e implementos rodoviários. Embora focado nos negócios, várias pautas discutidas interessam ao mercado como um todo e ao comprador final do veículo.

A XXII edição, realizada semana passada em São Paulo, mostrou que assuntos abordados em outros anos começam a evoluir e há sinais de mudanças para melhor. Na palestra de Alexandre Tombini, presidente do Banco Central, não passou despercebido para esta coluna a afirmação de que, em breve, se regulamentará o cadastro positivo.

Trata-se de um instrumento importante para graduação da taxa de juros nos financiamentos de carros. Quem tem histórico de honrar compromissos pagará menos juros. Mas o processo de amadurecimento é longo e se atrasou por ação de entidades de falsa defesa dos consumidores com viés apenas ideológico.

Outra dívida do poder público mostra, agora, chance de solução. O vice-governador de São Paulo, Guilherme Afif, anunciou no congresso a criação dos primeiros pátios ou depósitos destinados à reciclagem.

“É o início da chamada indústria desmontadora de veículos”, saudou. No Brasil, apenas 1,5% é reciclado. Graças à iniciativa, a inspeção técnica veicular, eternamente adiada por demagogia política, quando implantada trará benefícios adicionais para renovação da frota circulante sucateada, além de óbvios ganhos de segurança e ambientais.

Sobre a conjuntura atual, se confirmou que a taxa recorde de 6% de inadimplência nos financiamentos começou a cair e deve chegar a 5% até o final do ano, ainda longe dos 3% históricos. Em grande parte ela se deve menos aos financiamentos de 60 meses sem entrada (sempre “mosca azul” no mercado) e mais ao afrouxamento excessivo das exigências bancárias. Agora, 55% dos cadastros de clientes de automóveis novos são aprovados (normalidade, 80%). Problema continua nos carros usados, importantes no processo comercial, cuja aprovação cadastral estacionou nos 30%.

Interessante foi a pesquisa da J.D. Power mostrando que 48% dos automóveis novos, hoje vendidos, são em substituição a outro veículo, 27% fazem a primeira compra e 25%, um carro adicional. Demonstração do grande potencial do mercado brasileiro em relação a países maduros, onde a troca do usado pelo novo pode representar até 80% do total.

Flávio Meneghetti, presidente da Fenabrave, mostrou confiança de que as vendas de 2012 superem em mais de 4% o recorde de 2011. Deixou a entender que, mantidas as condições atuais de IPI reduzido até o final do ano, o mercado poderia crescer até mais de 5%, resultado que, poucos meses atrás, quase ninguém cogitava. Ainda não ficou claro se o crescimento é sustentável ou significa antecipação de vendas de 2013. Dependerá de a economia arrancar do atoleiro atual com a desenvoltura de um bom veículo 4x4.

O congresso teve 40 palestrantes do Brasil e do exterior e exposição de 15.000 m² que reuniu 70 fornecedores. Presença institucional de alguns fabricantes incluiu a Hyundai Brasil. Ela monta uma nova rede, a partir do zero, apenas para o seu novo compacto nacional HB20.

RODA VIVA

HONDA terá versão do Fit com visual “aventureiro”, a ser lançado no Salão do Automóvel de São Paulo (24/10 a 4/11). Nada de protótipo de verdadeiro SUV baseado na arquitetura do modelo. Assim, HB20 não estará sozinho nessa estratégia. Marca japonesa não exibirá o compacto de entrada Brio, apesar de previsto para produção no Brasil.

EXPECTATIVA de vendas elevadas do novo EcoSport, se confirmada, trará efeitos colaterais aos planos da Ford. Kuga, utilitário esporte com base no Focus, andava meio de lado na filial argentina. Mas, poderá, finalmente, sair de conjecturas e entrar em produção mais adiante. A empresa avalia: SUVs avançarão sobre outros segmentos e quer surfar na onda.

VOYAGE Comfortline 1,6/104 cv, com câmbio automatizado de uma embreagem (I-Motion), abre opção interessante na faixa de preço pouco acima dos R$ 40 mil. Linhas recém atualizadas, bom acabamento, suspensões firmes sem provocar desconforto e motor que tem “vida” em baixas rotações são pontos altos. Instrumento combinado exige melhor visibilidade.

APESAR de otimismo sobre possível recorde de 380.000 unidades vendidas até o fim de agosto, F. Meneghetti, presidente da Fenabrave, preocupa-se com oportunismo de alguns escritórios de advocacia. “Ações revisionais de financiamentos, questionando juros contratuais, são propostas sem critérios. Algumas vezes, logo depois de paga a primeira prestação.”

INDÚSTRIA de reciclagem, se realmente sair do papel, ajudará a resolver outra dificuldade. Acidentes com perda total (PT, no jargão segurador) criam caminhos escusos de recuperação malfeita e recolocação de um veículo inseguro no mercado. Centros de desmontagem fiscalizados resolveriam essa grave trapaça contra o consumidor.

quinta-feira, 14 de junho de 2012

Alta Roda - Perpetuar a obra

Conservar a memória de carros antigos não é missão fácil no Brasil. O poder público é totalmente omisso e cabe apenas aos abnegados e colecionadores investir na preservação. Em Brasília (DF), o Museu do Automóvel está ameaçado de despejo; o de Caçapava (SP), em estado de abandono e com veículos depenados; o da Ulbra, em Canoas (RS), fechado por dívidas da universidade que o patrocinava.

Segundo o site AutoClassic, resta uma dúzia deles, a maioria pequenos ou temáticos, basicamente em São Paulo e no Rio Grande do Sul. A alternativa para não deixar morrer o antigomobilismo tem sido exposições públicas regulares ao ar livre. Há mais de 50 delas por ano, de médio e grande portes, onde é possível apreciar o passado que influencia o presente e inspira o futuro.

Este ano se comemorou o XX Encontro Nacional de Veículos Antigos, no pátio do Tauá Grande Hotel, em Araxá, semana passada. Trata-se de exposição bienal, a mais seletiva entre as realizadas no País, iniciada em 1984. Organizado pelo Veteran Car Club, de Minas Gerais, o Brazil Classics Fiat Show 2012 reuniu cerca de 300 carros. Incluiu desfile de veteranos pelas ruas da cidade e leilão de Ferrari 365 1970, por R$ 400 mil, a Fusca 1969, por R$ 11 mil.

Troféu Roberto Lee, para o melhor da exposição, ficou com o Rolls-Royce Silver Ghost 1923, de Rubio Ferreira, fabricado em Springfield, EUA (não na Inglaterra). Troféu Lalique foi para a coleção de Cadillacs, de Nélson Rigotto. Entre carros nacionais, prêmio ao Brasinca GT 1965, de Otávio de Carvalho.

Especialista em história do automóvel, o americano-brasileiro Rexford Parker destacou alguns em nível internacional. “Maravilhosos: Aston Martin DB2, 52; Cadillac Town Car by Fleetwood, 25 e Rolls-Royce Phantom 5 James Young Touring Limousine, 64.  Mais fiel ao modelo original do que o próprio ‘Best of the Show’ e do mesmo dono, o espetacular Packard Twelve Dietrich Club Sedan, 33.”

Embora sempre atraente, a exposição de 2012 perdeu um pouco de brilho em relação à de 2010, talvez pelo tempo chuvoso ter gerado desistências. Seria muito bom rever, se não todos, pelo menos a maioria dos 19 vencedores anteriores, que mereceriam um espaço à parte. Ferdinand Alexander Porsche, desenhista do 911 falecido esse ano, recebeu homenagem e localização nobre dos 10 modelos expostos.

Og Pozzoli, 82 anos, um dos maiores colecionadores do Brasil com mais de 170 carros, também reverenciado em Araxá, se preocupa em perpetuar sua obra. “Sei que um museu permanente e aberto ao público seria o melhor legado. Vários dos meus carros têm ligação íntima com a história política e econômica do País. O recinto de exposição precisaria ser grande e de fácil acesso, a exemplo da área portuária em revitalização que surge no Rio de Janeiro”, ressaltou o engenheiro de família de origem potiguar, nascido em Itaboraí (RJ), do alto de sua simpatia e longos bigodes brancos.
   
RODA VIVA

REAÇÃO das vendas em maio, depois da redução do IPI, foi prejudicada pela necessidade de refaturar notas fiscais. Tanto que a média diária de emplacamentos só superou em 1,3% a de abril. No acumulado do ano a queda é de quase 5%, em relação a 2011. Atraso nas entregas manteve o estoque total ainda em patamar elevado: 43 dias.

JUNHO, porém, deve ser mês recordista em vendas, apontado por Anfavea (fabricantes) e Fenabrave (concessionárias). Além de preços menores, realmente impulsiona a comercialização o aumento de aprovação de pedidos de financiamento, agora em torno de 55%, com tendência a subir. Isso apesar do índice de inadimplência ainda muito alto (5,9%).

NORMALIZAÇÃO do crédito dará fôlego à base do mercado: modelos compactos e motor de 1.000 cm³. De abril para maio, a participação deles no total de automóveis subiu ligeiramente de 38,6% para 40,6%. Vendas terão que manter médias mensais muito elevadas, até dezembro, para compensar o atraso do governo no alívio do imposto e estímulo ao crédito.

PODE parecer preocupante, em plena recuperação do mercado, GM ter aberto plano de demissões voluntárias em São José dos Campos (SP). Na realidade, essa unidade problemática em termos sindicais perdeu empregos para São Caetano do Sul (SP), onde se produzirão monovolumes Spin, substitutos de Zafira e Meriva. No geral, nível de empregos do setor é estável.
Fiat/Divulgação
VERSÃO Sporting, do Bravo, tem decoração discreta e altura de suspensão igual à da versão realmente esportiva, a T-Jet. Com teto solar de série e outros equipamentos custa R$ 58.140, apenas R$ 5 mil sobre a versão de entrada, Essence. Melhorias no câmbio automatizado: estratégia de troca de marchas bem útil em ultrapassagens.

NADA empolgante o novo compacto da Toyota, Etios, a ser lançado em setembro. Projeto atrasou mais de três anos. Estilo, em especial do sedã, pouco atrativo. Ao contrário de outro japonês, Nissan Micra, dispensou motor de 1 litro e seu imposto menor. Painel interno tem problemas estéticos e de funcionalidade.

quinta-feira, 10 de maio de 2012

Alta Roda - Crescer ou estagnar?

O mercado brasileiro de veículos vive uma fase de sinalizações de certa forma contraditórias. As vendas estão em queda de 5,7% quando comparadas médias diárias entre os primeiros quadrimestres de 2011 e de 2012. Os estoques totais nas lojas das concessionárias e nos pátios dos fabricantes cresceram de 35 dias para 43 dias, de março para abril deste ano.
Agência Estado - Reprodução da Revista Época Negócios
A média diária de vendas de veículos nos primeiros quatro meses de 2012 (período ampliado de análise filtra melhor sazonalidades e feriados) situou-se ligeiramente abaixo de 13.000 unidades, incluindo caminhões e ônibus. Portanto, será necessário um aumento firme dessa média nos próximos meses para que resultado final chegue ao crescimento entre 4% e 5% previsto pela Anfavea. A entidade prefere esperar o fechamento do primeiro semestre para rever previsões.

Por outro lado, a Fenabrave, associação das concessionárias, que trabalha suas análises com suporte da consultoria MB Associados, acaba de rever a estimativa de crescimento no ano para 3,4% ante 5,6%, em janeiro. A consultoria também prevê aumento das importações, apesar do IPI mais alto. No entanto, isso não está ocorrendo. De outubro de 2011 até o mês passado, a participação de mercado dos modelos importados caiu de 25,3% para 22,6%, incluídos veículos argentinos que têm maior parte de seu conteúdo de origem brasileira. Importadores de outras regiões preveem queda de no mínimo 15% sobre o ano passado.

A maior seletividade dos bancos para conceder financiamentos continua a atingir os chamados modelos de entrada, em que há maior participação dos motores de 1.000 cm³ de cilindrada. Estes caíram para menos de 40%, exatamente 38,6%. Uma fonte no mercado financeiro informou à coluna que será difícil redução maior na taxa de juros porque o spread (diferença entre captação e aplicação por parte dos bancos), no caso de veículos, já é relativamente baixo pela garantia que representa o carro em caso de inadimplência. Ainda assim, como o índice de atraso (superior a 90 dias) das prestações atingiu o recorde de 5,7%, continuam exigências severas para aprovação dos cadastros nos financiamentos longos e sem entrada.

É bom ficar claro que todo o barulho do governo federal em torno dos juros surtiu pouco efeito, até agora. As melhores condições são para compradores de menor risco, que podem dispor de uma boa entrada, de 20% a 30%, e assumir até 36 prestações. Bancos estatais têm participação discreta em financiamentos de veículos. Acomodam-se e não apreciam trabalhar nos fins de semana, quando os “feirões” são bancados pelas instituições financeiras.

Apesar de a pulsação do mercado estar longe de oferecer emoções, o presidente da Anfavea, Cledorvino Belini, acredita que o bom nível de emprego e a renda em crescimento, além de algum impacto positivo das taxas de juros, reanimarão o consumo no segundo semestre.

E a contradição mais relevante vem do Índice de Confiança do Consumidor, pesquisado pela FGV. Em abril atingiu 125,7 pontos (escala de 0 a 200; índice maior que 100 indica otimismo). São 4,9 pontos a mais em relação a março de 2011, quando as vendas ainda bombavam. Vamos esperar pelo melhor.

RODA VIVA
AMIA, associação dos fabricantes mexicanos, divulgou a cota de exportações em valores para o Brasil. Levou em conta participação na produção do México e a média das últimas vendas ao País, principalmente. Nissan recebeu a maior cota, seguida da Ford, Volkswagen, Chrysler/Fiat, GM e Honda. Nada impede ultrapassar cotas, mas incidirá imposto de importação de 35%.

IMPACTO sobre as vendas de modelos mexicanos aqui ainda não se pode avaliar com precisão. Tendência, porém, de a Nissan ser a mais atingida. Afinal, volume de unidades que importa é bem maior em relação aos modelos produzidos no Paraná. Graças à Chrysler, Fiat pode administrar melhor o que pretende trazer de lá, em especial o subcompacto 500.
Kia/Divulgação
OPTIMA, da Kia, faz esquecer completamente seu antecessor insosso, Magentis. Linhas se confundem com as de marcas premium europeias. Materiais e acabamento encontram-se em nível próximo àqueles sedãs. Motor 2,4 l/180 cv e câmbio de 6 marchas garantem bom desempenho. Tudo por preço atraente entre R$ 97.000 e 106.000. Mas sensação de solidez é discreta.

ANDAR no Audi A4 2013, na mesma semana que o Optima, permite observar diferenças, além do preço: R$ 149.700. Sedã alemão é mais equipado que o sul-coreano e oferece, por exemplo, controlador de velocidade funcional em descidas. Motor tem mesma potência, porém torque é quase 40% maior graças ao turbocompressor. Mais íntegro, sem dúvida.

NAVEGADOR GPS Navbras Access introduz interessante função ao captar sinal de internet de celulares a bordo com tecnologia 3G e Wi-Fi. Pode-se acessar a rede mundial e via Google ou outros buscadores realizar pesquisas. Não só dos melhores caminhos como pontos de interesse ilimitados, de restaurantes a postos de abastecimento. É a convergência digital.

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Alta Roda - Energia com fidelização

As alternativas energéticas estão, de novo, no centro das atenções. E, claro, isso tem muito a ver com o que acontece ou acontecerá nos EUA, de longe o maior consumidor de petróleo. A estratégia dos americanos é chegar ao mesmo objetivo dos europeus de emitir menos gás carbônico (CO2), um dos gases de efeito estufa que poderiam afetar o clima no planeta, mas atuando na diminuição de consumo de combustível. O resultado final, igual. Porém politicamente o discurso do carro econômico é mais palatável.
Renault/Divulgação
O tema se tornou tão relevante que o novo presidente da Nada (Associação Nacional de Concessionárias de Automóveis, em inglês), William Underriner, o elegeu como principal preocupação em seu mandato. A convenção anual da Nada, megaevento que reuniu 20.000 pessoas e uma grande exposição de fornecedores de serviços, este ano foi em Las Vegas. Naturalmente, fabricantes de veículos têm participação ativa e seis deles montaram estandes.

A Califórnia, maior mercado do país, estabeleceu, no final de janeiro último, uma meta de diminuição paulatina de consumo, alinhada à já anunciada pelo governo federal: média dos modelos comercializados deve atingir 23 km/l de gasolina até 2025 (hoje não chega a 14 km/l). Na realidade, a Califórnia quer 15,4% de veículos vendidos no estado movidos apenas a bateria, a pilha de hidrogênio ou híbridos plugáveis em tomada. Em outros termos, a eletricidade, em parte ou totalmente, passa a vigorar por decreto. Pode ocorrer uma revisão em 2018. Mesmo porque a infraestrutura precisa acompanhar.

Na convenção da Nada, os fabricantes apoiaram a medida, inclusive no discurso de Sergio Marchionne, presidente da Fiat-Chrysler, que considerou o objetivo factível. Os concessionários, porém, não se convenceram de que esse é o desejo dos consumidores, pois as novas tecnologias agregariam até US$ 5.000 (R$ 8.500) ao preço final dos automóveis, cuja média, hoje, está em US$ 22.000 (R$ 38.000).

Entre outros assuntos discutidos, se destacou a fidelização dos clientes no pós-venda e o estímulo a aprofundar ações. Uma delas é a pré-venda de serviços de manutenção, com bons descontos, já agregada às prestações do financiamento. Trata-se de um passo adiante às revisões a preço fixo existentes aqui. Nos EUA, concessionárias colocam cartazes comparando os preços de seus serviços, mais em conta do que nas redes de autocentros, nominadas uma a uma.

Outra iniciativa, ainda pouco aceita no Brasil, é a garantia estendida. O produto vem aumentando de interesse nos EUA, como forma de evitar que proprietários de veículo se afastem após o período de cobertura oferecido pelo fabricante. Só que se trata realmente de um seguro, sem vincular o motorista a uma concessionária e tem abrangência nacional. Essa cultura de atendimento desburocratizado e regras claras faz parte do ambiente de negócios americano.

Flavio Meneghetti, presidente da Fenabrave, considerou positivo que mais concessionários brasileiros, a cada ano, compareçam às conferências da Nada. A utilização das ferramentas de internet está no ápice e lá não faltam especialistas. Muitos desses recursos permanecem subutilizados no País.

RODA VIVA

EMBORA os resultados de vendas em janeiro no mercado interno tenham sido recordes, os estoques voltaram a subir de 30 dias, em dezembro de 2011, para 36 dias, no mês passado. Dois indicadores continuam desconfortáveis: inadimplência de 5% (2,5%, em 2010) e índice de confiança do consumidor da FGV (menos 4 pontos). Queda dos importados foi maior pela antecipação de compras, antes do aumento do IPI.

ANFAVEA, ao fazer o balanço mensal da indústria, nada quis comentar sobre negociações de revisão do acordo comercial automobilístico México-Mercosul. Significa que, nos bastidores, as coisas devem estar quentes. Imbróglio será resolvido, mas o governo federal parece meio perdido no intervencionismo. Ora pende para um lado, ora para outro.
Honda/Divulgação
CIVIC deve ir bem no Brasil com as reformulações do modelo 2012, principalmente no interior, com até duas telas, uma delas sensível ao toque e que inclui navegador. Mudanças de estilo foram pequenas. Mecanicamente há evoluções sutis, no dia a dia urbano e em estradas. No entanto, o carro ficou mais na mão, sem dúvida. Porta-malas cresceu à custa do estepe estreito.

NOS EUA, o Civic sofre com críticas de falta de audácia no desenho e menos equipamentos. Tanto que a Honda providencia alguns retoques para breve, depois de apenas um ano de vendas. Nesse segmento, porém, o carro vendido lá tem outro público em relação ao daqui. Nada indica que as situações sejam comparáveis. O tempo vai dizer.

INTERESSANTE a iniciativa do Inmetro (Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial) de produzir, na sua série de vídeos “Faça Certo”, um específico explicando sobre os bancos infantis obrigatórios. Há dúvidas esclarecidas de forma bem didática e eficiente. Basta acessar www.youtube.com/tvinmetro.