O fim do ciclo de vida de um veículo é sempre muito triste, especialmente se ele foi um sucesso de vendas e marcou o coração de muitos apaixonados por automóveis. Por outro lado, a aposentadoria de alguns carros é comemorada quase como a conquista de um título do seu clube de coração.
Em 2010, três carros bastante conhecidos estão dizendo adeus ao mercado nacional. Mas o fato do trio ser conhecido não significa que eles foram populares. Fiat Stilo, Renault Mégane e Peugeot 307 Sedan nasceram para brilhar, mas nunca passaram de meros coadjuvantes de seus respectivos segmentos.
Sedãs
A dupla francesa sofreu com os japoneses Honda Civic e Toyota Corolla, além de tomarem uma canseira do Chevrolet Vectra. Nem em seus respectivos lançamentos eles conseguiram, de alguma forma, brigar pela liderança do segmento de sedãs médios. A dupla ainda viu outro francês, o C4 Pallas, fazer mais sucesso do que eles.
Mesmo com o visual moderno e ousado, o Mégane sofreu com a "cara de tiozão", impactada, mesmo que sem a intenção, pela sua estratégia de marketing de lançamento. Além disso, a Renault colocou o carro no mercado na sua versão de entrada, o que não costuma dar certo. É sempre melhor lançar a versão topo de linha, com a motorização maior, para, então, lançar as versões mais simples. Falando nisso, no Brasil, o sedã da Renault teve motores 1.6 16V flex e 2.0 16V a gasolina, principalmente nas versões Expression, Dynamique e Privilege.
O Mégane tem bom acabamento (embora um pouco simples para o segmento), espaço interno interessante e algumas soluções que considero atraentes (embora polêmicas), como o freio de mão “tipo avião” e o cartão para dar partida. Sempre gostei do modelo equipado com motor 2.0 e câmbio manual de seis marchas, mas nunca gostei do seu preço.
Já o 307 Sedan nasceu derivado do irmão hatch, que sempre teve o visual atraente. E foi exatamente o design que derrubou o sedã médio da marca do leão. Dianteira e traseira nunca se entenderam, mesmo com as alterações efetuadas pela Peugeot.
Assim como o Mégane, o 307 Sedan tem sempre foi vendido com as motorizações 1.6 16V flex e 2.0 16V, com a diferença que, o segundo, virou flex depois de algum tempo. O Peugeot já foi encontrado em diversas versões de acabamento, como Presence, Feline e Griffe.
Espaço interno e boa posição de dirigir sempre foram os grandes destaques do 307 Sedan, assim como a boa capacidade do porta-malas. Mas o carro sofreu desde o primeiro dia de Brasil com uma forte rejeição do público, o que aumentou bastante a sua desvalorização.
Fico com a impressão de que a Peugeot aprendeu mais com os erros do 307 Sedan do que a Renault com o Mégane. Mas tanto o 408 Sedan, quanto o Fluence, têm muito mais chance de sucesso no mercado brasileiro do que seus antecessores, mesmo com concorrentes tão fortes atualmente, sem contar os que ainda estão por vir.
Hatch
Já o Stilo nasceu para ser o "anti-Golf", mas conseguiu apenas ser a "sombra do Golf" em todos os mercados onde eles se enfrentaram. Por aqui, o modelo da Fiat chegou quando a geração 4 do Golf já estava nas lojas; e o italiano morre com a mesma geração 4 (tudo bem, 4,5) do Volkswagen nas lojas - uma vergonha para a Volks. Os dois se concentraram tanto no rival que nem viram primeiro, o Chevrolet Astra virar líder incontestável da categoria; e, depois, o Hyundai i30 assumir a ponta; e, atualmente, a crescente do Ford Focus.
O Stilo já foi equipado com motores 1.8 8V (a gasolina e flex), 1.8 16V (a gasolina), 2.4 20V (a gasolina). Foram tantas versões que fica até difícil listá-las, mas vale lembrar a Sporting, Schumacher e Abarth.
Quando chegou às concessionárias da Fiat de todo Brasil, o Stilo chamava a atenção pelo bom espaço interno; o sistema NGI (Next Generation Interior), que aumentava a versatilidade e o conforto do banco traseiro; teto solar Sky Window (belo, inovador e CARO); e o ar-condicionado digital Dual Temp.
Mesmo com muitas qualidades, sinto que o Stilo nunca teve personalidade forte. Veja o Bravo, por exemplo, que
acabou de ser lançado e já é muito mais marcante. O Stilo também sempre foi carente de um “coração mais apimentado”. Como disse o meu amigo: o Stilo é uma "comida que mata a fome, mas não é gostosa". O motor 1.8 16V ficou pouco tempo no mercado e demorava para animar. O 2.4 20V andava muito, mas o preço da sua manutenção era um absurdo.
Já o propulsor 1.8 8V, que está com o hatch médio desde seu lançamento, mesmo com os ganhos de potência com a tecnologia flex, nunca foi um primor de desempenho e consumo. Já imaginaram, por exemplo, o Stilo 1.8 16V E.TorQ? Uma pena que nunca veremos esta opção nas ruas. Uma pena não! Ainda bem que nunca veremos, pois logo (1º de dezembro de 2010) teremos o Bravo entre nós.
(fotos: Renault/Divulgação, Peugeot/Divulgação e Fiat/Divulgação)
Aproveitem para votar na enquete!