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quinta-feira, 23 de maio de 2013

Alta Roda - De volta para o futuro

Mercedes-Benz/Divulgação
Filmes de ficção científica encantam quem gosta de visão antecipada dos avanços que reservam o futuro. Pois os carros de topo de linha são provas de que o futuro deixa às vezes de ser ficção, embora inalcançável para a maioria dos mortais. Mas há um consolo: algumas dessas novidades um dia cairão de preço com progresso das pesquisas, novos materiais e processos. Computadores de bordo, controles de trajetória, freios ABS e navegadores GPS pareciam inacessíveis faz pouco tempo.

Exemplo de transformação em realidade é o novo Mercedes-Benz Classe S, que chegará ao Brasil no fim do ano, na faixa dos R$ 800 mil. Sua première mundial (estática) em Hamburgo, Alemanha, semana passada, teve show à altura dentro da fábrica de aviões Airbus. Para descrever o modelo-símbolo da marca necessitam-se 150 páginas, em DVD; manual do proprietário seria confundido com um livro.

Difícil selecionar tópicos mais importantes entre tantos. Trata-se do primeiro automóvel a dispensar lâmpadas: há quase 500 LEDs (diodos de luz), dos quais 56 só para os faróis. Uma estereocâmera (tridimensional) avalia desníveis e buracos no pavimento à frente e comanda adaptação prévia das suspensões a ar. Essa câmera, em conjunto com sensores e radares, detecta, além de pedestres e outros obstáculos, o tráfego em cruzamentos, dia ou noite, para evitar ou mitigar acidentes. Estabilizador de velocidade mantém distância de segurança – acelera, freia, para e arranca – e segue o veículo da frente até em curvas de raio longo, sempre dentro da faixa de rodagem, ao atuar no volante de forma autônoma.

Novo Classe S foi construído de trás para frente, a partir da versão de entre-eixos longo, tal o nível de conforto e segurança. Poltrona traseira diagonal à do motorista inclina até 43 graus, tem suporte integral para pernas, aquecimento nos apoios de braços e 14 atuadores para massagem nas costas. Além de cinto de segurança inflável, há algo como airbag de assento que limita, em caso de acidente, o corpo escorregar por baixo do cinto, mesmo que o passageiro esteja adormecido.

Entre as amenidades, sistema ativo de perfumar o habitáculo sem saturar o ambiente, comando de várias funções por meio de telefone inteligente ou tablete e duas mesas de apoio rebatíveis no console central traseiro, além de sistema de áudio com 24 alto-falantes e 1.540 W de potência.

Privilégios também na parte da frente, com duas grandes telas de 12,3 polegadas, uma delas só para o quadro de instrumentos. E mais segurança: os cintos afastam motorista e passageiro da direção do impacto frontal; freio de estacionamento é acionado em caso de iminente colisão traseira para minimizar o efeito chicote sobre a coluna cervical de todos os ocupantes.

Em estilo, manteve o caráter evolutivo, embora a grade frontal maior lhe dê personalidade. São só dois cm a mais de comprimento (versão de entre-eixos curto), mas “emagreceu” 100 kg. Coeficiente aerodinâmico surpreende – apenas 0,24 –, mas, em breve, alcançará 0,23 com um pacote opcional de menor consumo/emissões. Motores vão de 258 cv a 456 cv, já enquadrados na próxima e ainda mais rigorosa legislação europeia antipoluição.

RODA VIVA

ESTRATÉGIA clara das marcas francesas: antecipar os sedãs novos frente aos hatches. Substituto do C4 Pallas (nome vai mudar para Lounge ou outro, em estudo) chega logo no segundo semestre, seguido pelo sucessor do Logan, igual ao já disponível na Europa. Respectivos hatches, C4 e Sandero, só no início de 2014. Este último tem mais fôlego de vendas até lá.

REPOSICIONAMENTOS de preços continuam para defender posições de mercado. Toyota recheou versão intermediária do Corolla em tentativa de deter avanço do Civic. Já a Ford acrescentou ar-condicionado ao Ka, o que o tornou o mais barato modelo com esse equipamento entre automóveis pequenos. Veterano Mille retomou a coroa de nacional mais acessível por R$ 21.990.
Volkswagen/Divulgação
VOLKSWAGEN também mexeu no líder de vendas do mercado. Enquanto o todo novo subcompacto up! é esperado para início de 2014, a marca se defende das investidas dos rivais com Gol Rallye e Track, versões especiais de suspensões (mais) elevadas. Primeiro tem motor de 1,6 L e o segundo, de 1 L, ambos bem equipados. Preços puxados de R$ 48.580 e R$ 33.060, respectivamente.

LIFAN, marca chinesa agora divorciada do sócio brasileiro Effa, coloca suas apostas na montagem uruguaia do X60, SUV compacto anabolizado. Manteve a fórmula oriental de combinar máximo de recheio a preço baixo: R$ 52.777. Inclui até navegador GPS, além de material de acabamento longe do rústico. Estilo agrada e motor de 1,8 L/128 cv/16v está de bom tamanho.

SEGUNDO a Anfavea, mercado brasileiro é disputado por 1.220 modelos e versões de 54 marcas, entre nacionais e importadas (somados caminhões e ônibus, 62 marcas e 1.744 opções). Nesse nível de oferta, os dias de estoques em fábricas, importadoras e concessionárias terão que crescer para algo em torno de 30 a 35 dias.

sexta-feira, 17 de maio de 2013

Na eterna briga pela liderança, Volkswagen reforça a linha Gol com as versões Rallye e Track

Gol e Uno travam uma disputada batalha pela liderança de vendas do mercado brasileiro de carros, com vantagem praticamente constante do Volkswagen. Para não perder o reinado do seu hatch, a marca alemã reforça a linha 2014 do modelo com as versões "off-road" Rallye e Track, excelentes para as esburacadas ruas e estradas brasileiras. Mas, pelo que custam. será que elas compensam?

O Gol Rallye já é velho conhecido de todos. A versão agora ganha o visual da Saveiro Cross, com  grade em formato de colmeia, grandes faróis de neblina (de longo alcance) e com molduras nas caixas de roda. O visual ficou mesmo legal - considero o Rallye mais bonito já feito pela marca (não custa lembrar que esta linha de design fez a sua estréia na linha Gol com a "sacana" linha 2013 2). Mas, para conseguir enfrentar uma trilha leve e as lunares vias nacionais, a VW elevou a suspensão do modelo em 2,8 cm e o equipou com rodas de liga leve de 16", com pneus de uso misto (80% cidade e 20% terra). Adesivos exclusivos (e sem graça) completam as alterações estéticas.
Embora o preço pudesse ser mais baixo do que os R$ 45.850 sugeridos pela Volks, a lista de equipamentos é boa: freios com sistema ABS, airbag duplo, direção hidráulica, trio elétrico, defletor traseiro, sensor de estacionamento, pedaleiras de alumínio, coluna de direção com ajuste de altura e profundidade, bancos com padrões de acabamento exclusivo, repetidores de luzes de direção nos retrovisores, ar-condicionado, antena no teto, banco do motorista com ajuste de altura, chave tipo canivete, desembaçador do vidro traseiro, destravamento interno elétrico do porta-malas, porta-revistas no encosto do banco do passageiro, pedais de alumínio, entre outros.

O modelo tem como opcionais o câmbio manual automatizado I-Motion, que faz o preço subir para R$ 48.580, além de volante multifuncional, rádio CD/MP3 Player com entrada USB, Bluetooth e interface para i-Pod e paddles shift (borboletas para as trocas de marcha no I-Motion).
O motor do Gol Rallye é o valente e ultrapassado 1.6 8V VHT Total Flex, da família EA 111, que desenvolve 104 cv de potência a 5.250 rpm e 15,6 mkgf de torque máximo a 2.500 rpm com etanol e 101 cv e 15,4 mkgf com gasolina, nas mesmas rotações.

Seguindo os passos da Fiat, finalmente a Volkswagen decidiu equipar a atual geração do Gol 1.0 com uma versão "aventureira", batizada de Track. A marca (assim como eu) não espera que o modelo enfrente nem trilhas médias, até por isso a VW o chama de "off-road light" - poderia ter até ido mais longe com "off-road mega light".
Assim como o irmão Rallye, o Gol Track recebeu alterações visuais, só que mais discretas: tem molduras nas caixas de roda, suspensão 2,3 cm mais alta e pneus de uso misto (175/70 R14), além de adesivos (sempre eles).

A ideia é atender ao consumidor que deseja um veículo popular mais completo e com apelo visual mais chamativo, sem se preocupar com o desempenho. Até porque, com um 1.0, desempenho ele não pode querer mesmo. Também da família EA 111, o motor do Gol Track desenvolve 76 cv a 5.250 rpm e 10,6 mkgf de torque a 3.850 rpm com etanol e 72 cv e 9,7 mkgf com gasolina, nas mesmas rotações.
Com o preço sugerido de R$ 33.060, o Gol Track vem equipado com faróis e lanternas de neblina, faróis duplos com máscara negra, lanternas escurecidas, airbag duplo, banco do motorista com regulagem de altura, freios ABS, direção hidráulica, desembaçador do vidro traseiro, quadro de instrumentos com molduras cromadas, abertura interna do porta-malas, retrovisores com comando interno, vidros dianteiros com acionamento elétrico, entre outros.

A lista de opcionais é composta pelos pacotes I-Trend (rádio CD/MP3 player com etrada USB, Bluetooth e interface para i-Pod, com 4 alto-falantes e 2 tweeters; volante multifuncional e I-System com ECO Comfort) e "Acesso completo" (travamento central com controle remoto, vidros elétricos traseiros, retrovisores com acionamento elétrico, chave tipo canivete, luzes de leitura dianteira e traseira e alarme), além de roda de liga-leve 14”, aquecimento, ar-condicionado e sensor de estacionamento traseiro. Ainda não consegui ver o valor do Track completo.
Fotos: Volkswagen/Divulgação
Compensam?
A expectativa da Volkswagen é que as duas novas versões respondam por até 13% do mix de vendas do Gol no Brasil, algo bastante aceitável. Sobre a pergunta que fiz no início, acho o seguinte:

Gol Rallye - Pensando por um lado, ele compensa, pois é mais barato, mais bem equipado e tem o mesmo desempenho do CrossFox. A "raposa aventureira" tem visual mais chamativo, mas seu preço sugerido de R$ 46.067, sem ar-condicionado (R$ 2.723) e sensor de estacionamento (R$ 747) - que elevariam o valor para altos R$ 49.537 -, não compensa se comparado ao Rallye. Por outro lado, o Gol não compensa tanto, pois alguns concorrentes, como o Fiat Uno Way 1.4, custam menos. Completo, com pintura sólida, como os valores dos Gols acima, o Uno sai por R$ 38.793; enquanto o Renault Sandero Stepway 1.6 16V manual, completo (com GPS no painel e pintura sólida), sai por R$ 44.840. Ainda assim, o Gol Rallye é uma opção válida e que deve ser considerada para quem busca um automóvel com este estilo.

Gol Track - Esta versão compensa se você gostar da linha Gol. Sem dúvida, ele é um veículo a ser lembrado na hora da compra de um 1.0 com aspecto mais aventureiro. Seu preço também poderia ser mais baixo, mas está mais próximo dos concorrentes. Usando o Uno novamente como parâmetro: Way 1.0 completo, com pintura sólida: R$ 35.538.

quinta-feira, 16 de maio de 2013

Alta Roda - Exportar importa muito

Exportação parece um tema sem grande importância para quem compra um automóvel produzido no Brasil. No entanto, esse é um motivo de preocupação. Afinal, o que dá grau de competitividade à indústria automobilística de um país é o seu nível de produção. O País é o quarto maior mercado do mundo e apenas o sétimo maior produtor, justamente por ter perdido sua capacidade de exportar.

Impacto positivo das exportações significa aumento de escala de produção. Isso, frequentemente, viabiliza tecnologias sensíveis a volume, em especial as maravilhas da eletrônica de bordo para segurança e conforto, além de melhorias de qualidade. No novo regime automobilístico Inovar-Auto estão contemplados investimentos fortes em pesquisa e inovação, mas não há objetivos claros para o mercado externo. Luiz Moan Yabiku Jr., novo presidente da Anfavea, coloca como bandeira de sua gestão a recuperação das exportações até 2017.

Ter produto com bom preço no exterior passa, obviamente, pela cotação do real. Tanto que em 2005, com câmbio favorável, quase 900.000 unidades (montadas e desmontadas), 35% da produção anual, deixaram os portos. No ano passado, apenas 470.000 unidades saíram do país, 14% do produzido. A meta para daqui a cinco anos é exportar 1 milhão de veículos (20% da produção). Seria um incomum cenário de equilíbrio: 5 milhões de unidades em vendas internas, 5 milhões produzidas, 1 milhão de veículos exportados e o mesmo tanto de importados.

No ano passado o Brasil importou 795.000 veículos, 70% mais do que exportou. Uma saída indica a desvalorização cambial – boa para exportar e segurar importações –, porém só colocaria a sujeira do custo Brasil para baixo do tapete. Um real fraco, por sua vez, aumenta os custos de certos componentes sofisticados, que continuarão a vir do exterior e aplicados em produtos nacionais.

Há várias sugestões de estímulos às vendas externas: simplificação do processo aduaneiro, mudanças na legislação burocrática e retirada de encargos fiscais indiretos ou invisíveis, na longa cadeia produtiva, estimados em quase 9%. Nenhum país se dá ao luxo de exportar impostos, típico cacoete brasileiro.

Alguns dos problemas históricos se concentram nos portos e o governo enfrenta resistências para vencer o arcaísmo. Só agora alguns deles passam a funcionar 24 horas por dia, fundamental para escoar volumes. Faltam, até, pátios para estocagem de veículos. Faz pouco tempo a guerra fiscal entre os portos estaduais, com desconto de alíquotas do ICMS, levava automóveis vindos do exterior a reconquistar boa parte da competitividade perdida com o imposto de importação. Em outros termos, desestímulo a quem produz internamente.

RODA VIVA

PARA fábrica de Betim (MG), Fiat também reserva novidades, que a coluna antecipa. Cronograma refere-se ao início de vendas. Começo de 2014: novo Fiorino (cara de novo Uno); um ano depois, início de 2015, novo Doblò (projeto 263); segundo trimestre de 2015, o aguardado subcompacto (projeto 344) sucessor do Mille. Strada cabine dupla de três portas, fácil de produzir, ainda sem confirmação.

ALÉM da GM, que já decidiu entrar no mercado de subcompactos (provável inspiração no sucessor do Opel Adam), Renault também vai mergulhar nos modelos pequenos de uso urbano preferencial. Projeto para o Brasil será específico, sem aproveitar quase nada do Twingo francês. Assim o VW Up!, talvez ainda no final do ano, terá muita concorrência à frente.

LEVANTAMENTO da Anfavea indica: 62 marcas de veículos leves e pesados – total de 1.744 modelos e versões – estão em lojas hoje. Compara-se apenas à China, estima a coluna. Ou seja, opções de sobra, concorrência acirrada.

ESCALADA dos juros básicos (Selic) não deve ser repassada para taxas do crédito ao consumidor. Estas dependem bem mais da inadimplência (que resiste a cair) e da disputa entre bancos e financeiras.

NOVO Maserati Quattroporte, por R$ 950.000, ficou maior (5,26 m de comprimento) e ao mesmo tempo apertado em nicho minúsculo do mercado. Impressiona pelos materiais internos de acabamento, em especial na parte inferior do painel, além de itens de conforto. Motor V-8, biturbo novo, de 3,8 L/530 cv/66,3 kgf∙m, apesar de 1.900 kg do carro, confere 0 a 100 km/h em apenas 4,7 s.

IMPORTAÇÕES recuaram 25% no primeiro quadrimestre de 2013 frente a 2012, segundo Abeiva, associação de empresas sem produção nacional. Por enquanto, a entidade não revisou suas previsões. Há sinais contraditórios, como a recuperação em abril de suas marcas, atribuída ao sistema de cotas do México que afetou, no mês passado, veículos importados por associados da Anfavea.

LEITORES reclamam que Detrans estaduais têm recusado, sistematicamente, cancelamento previsto em lei de multas de classificação leve para bons motoristas, transformáveis em advertência como viés educativo. Quem quer perder arrecadação? Depois negam existência da indústria de multas. Conversa que não dá para acreditar, desmistificada por fatos como esse.

segunda-feira, 29 de abril de 2013

Um dia, três carros. Qual tem o melhor câmbio: Fiat Bravo Dualogic, Freemont ou Volkswagen Jetta?

Há 15 dias, tive uma daquelas semanas em que todos dias de trabalho foram consideravelmente cheios. O pior deles foi a terça, que me fez chegar em casa destruído fisicamente e mentalmente. Mas este também foi o melhor dos dias, pois fui obrigado a me deslocar para um evento em outra cidade, o que me permitiu fazer alguns testes. Na ida, fomos de Volkswagen Jetta Comfortline Tiptronic. A volta foi dividida em dois carros: Fiat Freemont Precision e Fiat Bravo Absolute Dualogic Plus.

Uma semelhança entre eles: nenhum tinha o pedal de embreagem. Logo, entre os três, qual foi o mais confortável de rodar sem precisar trocar marchas?

Antes de responder, vale lembrar que os três veículos são de categorias diferentes: temos um sedã médio (Jetta), um hatch médio (Bravo) e um SUV (Freemont). Mas o objetivo aqui foi avaliar o funcionamento do câmbio e também da relação motor/câmbio e o conforto. Não levei em consideração preço e equipamentos - e citei o consumo do Jetta porque ele realmente me surpreendeu. Vamos aos resultados.
Fiat Bravo Absolute
3. Fiat Bravo Absolute Dualogic Plus 1.8 16V flex (R$ 62.530)
O Bravo foi o último carro do dia e, com as experiências recentes do Freemont e do Jetta, ficou fácil avaliá-lo. Na primeira arrancada foi possível me lembrar que eu estava num carro manual automatizado, e não num automático tradicional. Um pequeno solavanco aconteceu na troca da primeira para a segunda, fazendo com que os corpos dos dois ocupantes se movessem nitidamente.
Minha primeira impressão não foi das melhores. Entretanto, a partir daí, o Plus da transmissão Dualogic (que identifica a segunda geração do câmbio) demonstrou para que veio, fazendo o funcionamento ficar um pouco mais suave. Ainda assim, o câmbio hesitou em alguns momentos, ficando em dúvidas se deveria reduzir ou manter a marcha.

O casamento do motor 1.8 16V E.TorQ, que desenvolve 130 cv de potência e 18,4 mkgf de torque com gasolina e 132 cv e 18,9 mkgf com etanol, com a transmissão Dualogic Plus é o mais harmônico que a Fiat já conseguiu desde o lançamento do sistema com o finado Stilo.
Câmbio Dualogic Plus
A troca pelo paddle shift funcionou bem, mas foi bem inferior à do Jetta (e também à do Honda Civic). Embora não seja a minha primeira opção na categoria, o Bravo é um carro muito legal e a evolução do Dualogic Plus em relação ao Dualogic foi notável. Mas, de maneira geral, a experiência em conduzí-lo foi inferior à dos dois adversários aqui do post, mesmo com o propulsor 1.8 - que é melhor explorado com transmissão manual.
Fiat Freemont Precision leva até 7 ocupantes
2. Fiat Freemont Precision 2.4 16V a gasolina (R$ 93.160)
A versão Precision do Freemont é a mais refinada e conta com dois bancos extras, possibilitando que sete pessoas andem no SUV. E foi quase isso que aconteceu: rodamos com seis pessoas, divididas em 2 + 2 + 2. Andamos na cidade, no plano, em descidas (fortes e fracas), em subidas (fortes e fracas) e na estrada (pista dupla em condições ruins).

Notei algo logo na primeira subida íngreme: a falta de força do motor 2.4 16V a gasolina, que desenvolve 172 cv e 22,4 mkgf de torque - insuficientes para os 1.809 kg do modelo, mais o peso dos 6 ocupantes. Se o câmbio tivesse cinco ou seis marchas, a vida do Fiat (Dodge na verdade) ficaria bem mais fácil, já que a primeira poderia ser bem mais curta, aumentando consideravelmente a sua força de arranque. Mas, com apenas 4 velocidades, a transmissão deixa a desejar na hora de embalar o grandão.
Fotos do Bravo e do Freemont: Fiat/Divulgação
A sensação de rodar com um veículo deste peso e com o peso extra das 6 pessoas foi de que o propulsor 2.4 é "manco", ainda mais com a limitação das quatro marchas. A motorização até "se esforça", mas não consegue dar conta do recado como deveria, mesmo nos giros mais altos.

Isso foi também visível na estrada, quando um Palio 1.4, com apenas um passageiro, nos passou "sem tomar conhecimento", mesmo no momento em que o Freemont estava sendo acelerado durante uma retomada.
Faltam marchas para o câmbio do Freemont
Por outro lado, quando rodamos de forma tranquila na cidade, em ruas mais planas, as qualidades do câmbio apareceram, especialmente a suavidade nas trocas.

O Freemont é muito confortável. Em parte do trajeto fiz questão de ir no banco do fundo. Mesmo com os meus quase 2 metros de altura, consegui achar uma posição relativamente agradável, consegui colocar o cinto de três pontos sem problemas, não bati a cabeça no teto e meus joelhos, que ficaram em posição muito alta, não encostraram no banco da frente. Ainda assim, os dois bancos são mais adequados para quem tem até 1,85 m.
Volkswagen Jetta Comfortline 2.0 Tiptronic
1. Volkswagen Jetta Comfortline 2.0 8V flex Tiptronic (R$ 67.990)
Confesso que não esperava tanto do Jetta quando entrei no veículo. Mas foi ligar o carro e acelerar que o câmbio Tiptronic de seis marchas tornou o passeio muito mais agradável. Foram cerca de 45 km de diversão, na cidade e na estrada, alterando entre os modos automático e manual sequencial pelo paddle shift (borboletas atrás do volante).

As trocas eram mais eficientes do que as do Freemont e sem os trancos do Bravo. A suavidade também chamou a atenção, demonstrando, mais uma vez, que o conjunto de transmissão da Volkswagen é um dos melhores do Brasil.
Reprodução/Car.Blog
Por outro lado, o motor 2.0 8V flex, que desenvolve 116 cv de potência e 17,7 mkgf de torque com gasolina e 120 cv e 18,4 mkgf com etanol, não acompanha a eficiência do câmbio. Uma pena mesmo! Não é que o propulsor seja ruim; pelo contrário; ele é bastante honesto. Mas, com um câmbio tão bom quanto o Tiptronic, fica sempre o sabor de quero mais e a sensação de que alguma coisa está faltando.

Em rotações mais altas, o motor se tornou um pouco ruidoso e perdeu fôlego - algo que eu já esperava pelo fato dele ser 8V e de não ter tanta potência. A grata surpresa foi a média de consumo. O responsável pelo veículo confirmou o número, que eu achei muito bom, mas otimista demais: 9,5 km/l na cidade com gasolina. Na estrada, números "mais esperados", com a média ficando entre 12,5 km/l e 13,5 km/l.
Com 6 marchas, câmbio Tiptronic foi disparado o melhor entre os três avaliados - Reprodução/Car.Blog
Conclusão
Mesmo com um motor 2.0 que não empolga, o Tiptronic deu a vitória neste pequeno comparativo ao Jetta. Ele tem, disparado, o melhor câmbio entre os três carros avaliados. O Freemont ficou em segundo. Seu câmbio é bom, mas as quatro marchas se mostraram inadequadas para um veículo tão pesado e com um motor que trabalha sempre no limite. Já o Bravo tem uma motorização muito interessante e sua transmissão Dualogic Plus evoluiu bastante. Ainda assim, ela não é tão boa quanto à dos dois adversários.

quinta-feira, 25 de abril de 2013

Alta Roda - Opulência chiensa

Como tudo na China é grandioso, o Salão do Automóvel de Xangai, maior cidade do país mais populoso, não poderia ser diferente. A começar pelo número de marcas locais desconhecidas no mundo ocidental e focadas no mercado local. Apenas para citar algumas: Baojun, Bestern, Dongfeng, Emgrand, Englon, GAC, Haima, Haval, Hauwtai, Icona, Oley, SouEast, Zinoro e Zotye. Na maioria dos estandes as informações se limitavam a folhetos em chinês e sem informações em inglês para imprensa estrangeira. A exposição termina na 2ª. feira, dia 29.
Reprodução/Physis SDA
Explosiva demanda na China – vendas crescerão 7% este ano para em torno de 20 milhões de veículos leves e pesados, cinco vezes mais que o Brasil – leva a situações inusitadas. Numa tentativa de controlar a procura e a nuvem de smog que envolve Xangai, leiloam-se placas para carros novos e podem alcançar até U$14.000/R$ 28.000. Por isso modelos pequenos e baratos não compensam tal investimento. Quem tem dinheiro quer conforto e mesmo automóveis médio-grandes contam com versões de entre-eixos alongados.

Além de o mercado chinês ser o maior do mundo, até 2020 deve alcançar 2,7 milhões de carros de luxo por ano, o que desbancaria também os EUA nesse segmento de topo. Portanto, soa natural eleger o Salão de Xangai para lançamentos como revitalização do Porsche Panamera, novo Maserati Ghibli ou Lamborghini Aventador 720-5, edição especial de 50 anos da marca. São lá as estreias do sedã A3 e dos conceituais crossovers (quase prontos) BMW X4, Mercedes-Benz GLA, este candidato à produção no Brasil, e Citroën DS4 X, apelidado de Wild Rubis por sua cor especial.

Para compensar os 17 novos produtos que a GM lançará este ano, além da tradicional ofensiva da VW que lidera entre automóveis, a Ford apresenta o carro-conceito Escort, originado de um Focus sedã anabolizado, específico para o mercado local. Honda exibiu o Crider, evolução do conceito C, mais próximo da nova geração do Civic que chega em quatro anos. Curioso é reestreia de uma marca americana de carro elétrico, Detroit Electric, que já produziu esse tipo de veículo de 1907 a 1939 (apenas 13.000 unidades).

Chinesas que constroem fábricas de automóveis no País também apresentam novidades. JAC A20, equivalente ao hatch J3, mostra dimensões semelhantes ao futuro modelo a ser feito em Camaçari (BA). Mas o carro será específico para o Brasil, inclusive versão sedã Turin, em estratégia semelhante à Hyundai Brasil com o HB20. Já o sedã A30 será importado em 2014, como J4. No total, há cinco lançamentos da marca e três modelos-conceito.

Chery também tem novidades. Além do novo QQ, subcompacto que será produzido em Jacareí (SP), ao lado do Celer, apresenta dois protótipos Alfa 7 (sedã) e Beta 5 (SUV), além do modelo futurístico @Ant.

RODA VIVA
Ford/Divulgação
CONFORME esperado, novo Fiesta, alinhado ao modelo europeu e início de produção apenas seis meses depois, começa a ser vendido em maio sem motor de 1 litro, inicialmente (depois chegará o 3-cilindros). Compacto estreia motor de duplo comando de válvulas variável, 1,5 litro/115 cv, nas versões mais baratas, e 1,6 litro/130 cv. Ambos dispõem da maior potência específica do mercado e partida sem gasolina em dias frios, ao usar etanol.

CONSUMO em cidade/estrada, com 130 cv e câmbio manual: 1 L/7,9 km e 1L/9,9 km (etanol) e 1L/11,4 km e 1L/13,9 km (gasolina). Com 115 cv: 1 L/7,8 km e 1L/9,6 km (etanol) e 1L/10,8 km e 1L/13,7 km (gasolina). Na média, motor mais potente é mais econômico, ao contrário do ocorrido no passado.
Ford/Divulgação
PREÇOS partem de R$ 38.990, pouco abaixo da maioria dos concorrentes de peso, e sobem até R$ 54.990, na versão Titaniun, que inclui sete airbags e câmbio automatizado de embreagem dupla, seis marchas. Ford investiu, ainda, em segurança ativa ao adicionar, aos modelos de maior cilindrada, controle eletrônico de trajetória e tração.

FIESTA apresenta, agora, estilo marcante: adotou nova grade frontal de identidade da marca e manteve tradicionais lanternas traseiras elevadas para melhor visibilidade. Interior também é novo e se nivela aos compactos “premium” do mercado brasileiro. Por enquanto, conviverá com Fiesta Rocam que continua com motor de 1 litro e preço menor.
Volkswagen/Divulgação
SAVEIRO recebeu mesma frente de Gol e Voyage, na linha 2014. Assim tem condições de avançar em participação de mercado frente à líder Strada, que apresenta linhas já cansadas, mas não a ponto de lhe tomar a dianteira. Faltam motor mais forte (continua o de 1,6 l/104 cv como única e incômoda oferta) e preço competitivo, apesar de conjunto tecnicamente superior e estilo mais atual. Começa em R$ 33.490 (cabine simples) e R$ 36.610 (cabine estendida).

VERSÃO Cross, da picape compacta da VW, é a mais equilibrada do segmento. Combina tradicional espírito aventureiro, sem resvalar para o exagero e gosto duvidoso. De novo, seu preço atrapalha ao iniciar em R$ 48.990. Evolução em relação à Saveiro anterior aparece, com nitidez, exatamente nessa versão.

quinta-feira, 11 de abril de 2013

Alta Roda - Ganha-se muito ou pouco?

Conhecidos os resultados consolidados da indústria automobilística em março, que a Anfavea divulga todos os meses, poucos atentaram a um pormenor estatístico. Pela primeira vez as quatro maiores marcas – Fiat, Ford, GM e VW – alcançaram 68,6% dos automóveis e comerciais leves comercializados. Ou seja, ainda representam pouco mais de dois terços das vendas, mas pela primeira vez abaixo de 70%.

Não é tão incomum, em outros países, as quatro maiores marcas dominarem cerca de dois terços do comércio interno, ao contrário do que muitos pensam. Japão e Índia são dois exemplos. Ou seja, a concorrência aqui é feroz e as quatro maiores tendem a perder participação de forma mais acelerada.

Esse surto de novas marcas vem em razão do rápido crescimento das vendas no Brasil, quarto maior mercado mundial e quase quatro milhões de unidades (com caminhões e ônibus) ao fim de 2013. Isso significou lucros crescentes, mas desalinhados do resto do mundo?

Segundo Carlos Gomes, presidente da PSA Peugeot Citroën Brasil e América Latina, cerca de 70 milhões de veículos leves produzidos no mundo, em 2012, deixaram lucro aproximado de US$ 50 bilhões. Desse total, US$ 18 bi foram ganhos na América do Norte; US$ 17 bi, na China; US$ 4 bi, na América Latina; US$ 2 bi, na Europa e US$ 9 bi no resto do mundo. Nossa região representou 8% das vendas e 8% dos lucros. América do Norte, 22% e 36%, respectivamente. Quem está mal mesmo é a Europa: 22% e apenas 4%.

Nos EUA há grandes distorções. Picapes e SUVs (45% das vendas) lá são considerados caminhões leves. Mas as margens são até quatro vezes maiores do que as de automóveis, o que não se considerou em pesquisa atribuída à consultoria IHS e ao Sindipeças. Pormenor: nos EUA não há importação de picapes pois o imposto tem alíquota de 25%, cerca de 10 vezes superior ao de automóveis, desproporcionalidade única no mundo. Em carros ganha-se um tantinho e em picapes/SUVs, um tantão...

Outro estudo recente, do Instituto de Planejamento Tributário, comparou preços com e sem impostos de algumas mercadorias nos EUA, Itália e Brasil. Claro, aqui tudo muito mais caro. Escolheram o Corolla entre os automóveis, mas só o confrontaram com os EUA, alegando ser modelo indisponível na Itália. Poderiam ter elegido o Focus, vendido nos três continentes. Será porque, sem impostos, a diferença de preço é pequena, ao contrário dos itens pesquisados?

De qualquer forma o cenário obrigará a diminuir a defasagem dos lançamentos, com impactos sobre rentabilidade. O site inglês just-auto chama a atenção de que mercados emergentes desejam comprar logo os carros expostos todos os dias na internet. E citou o caso da Honda, que decidiu descentralizar desenvolvimento e compras já a partir do novo Fit, abreviando seu lançamento aqui, em 2014. Até afirmou que a filial duplicará o número de engenheiros no País.

É o caso também da Fiat. Em Pernambuco produzirá crossover utilitário e picape média dele derivado já em 2015. Em 2016, versão utilitária para a marca Jeep e sedã médio baseado no Dodge Dart/Fiat Viaggio. Para Minas Gerais, ficará o subcompacto sucessor do Mille, em 2015. Tudo com forte participação técnica de brasileiros para agilizar.

RODA VIVA

DIMINUIÇÃO de importações e recuperação de estoques fizeram do mês passado o melhor março da história: 319 mil unidades, de todos os tipos, produzidas. No primeiro trimestre a recuperação da produção, em relação a 2012, foi de 12%. Até dezembro, Anfavea espera que as fábricas produzam mais 4,5% sobre 2012, apesar de exportações fracas.

QUANTO às vendas, o presidente da associação (em fim de mandato), Cledorvino Belini, acredita que o ano será bom. Mas preferiu manter, por enquanto, previsão de crescimento de 3,5% a 4,5%, mesmo com dois aumentos de IPI cancelados até o fim do ano. Chegou a admitir 5% de avanço em 2013. Comportamento do PIB será decisivo para os resultados.

MERCEDES-BENZ deu uma guinada com novo Classe A, em versões de R$ 99.900 e R$ 109.900. De pequeno monovolume passou a hatch de estilo arrojado e coeficiente aerodinâmico dos melhores (Cx de 0,27). Interior cresceu: entre-eixos generoso de 2,69 m. Bancos dianteiros de encosto alto e alavanca seletora de câmbio na coluna de direção agradam.

MOTOR turbo 1,6 L/156 cv tem ótimo torque de 25,5 kgfm, entre 1.250 e 4.000 rpm. Casa à perfeição com câmbio automatizado de dupla embreagem, sete marchas. Interessante função aciona o freio de estacionamento ao se pisar com firmeza o pedal de freio, quando em marcha-lenta. Faltam GPS e faróis de neblina, justo na versão mais cara (de série, na de entrada).

UNIÃO Europeia deve rever ciclos de teste de consumo de combustível em laboratório. Números otimistas demais e difíceis de reproduzir na prática, em especial modelos híbridos. Provavelmente vão optar por correção linear dos valores, como aconteceu nos EUA e no Brasil, pois novo ciclo foi adotado há pouco mais de quatro anos.

segunda-feira, 8 de abril de 2013

Chega de Gol G4 e Blazer! Polícia brasileira se renova no combate ao crime! Fiat Freemont aguenta o tranco?

Reprodução/Adrenaline
Durante muito tempo, a polícia brasileira usou veículos com duas características específicas para combater o crime: robustez e durabilidade - os verdadeiros "pau para toda obra". Os símbolos desta frota eram os Volkswagen Gol (até a geração "G4") e Parati e, especialmente, o Chevrolet Blazer (camburão).

Com o avanço e desenvolvimento da nossa indústria, o mercado nacional passou a construir mais carros com estas duas características, mas que iam além, sendo também confortáveis e, em vários casos, até bonitos. Por causa disso, por que insistir em modelos defasados, com voltante torto, bancos desconfortáveis, ergonomia ruim e outros problemas?
Reprodução/GTPlanet
Embora a frota policial em várias municípios ainda seja composta por carros antigos e ultrapassados, como os dois que citei, atualmente os "homens da lei" em diversas cidades também exercem suas funções à bordo de vários veículos com projetos bem mais novos. Vejam alguns exemplos.

Temos os Volkswagen Fox e Gol (G5), o Fiat Uno e o Renault Sandero entre os hatches que já rodam pelo país, assim como a picape Nissan Frontier. Chevrolet S10 e Ford Ranger apareceram com "uniforme policial" numa feira de segurança Interseg, realizada em São Paulo em 2012.

A lista de sedãs é grande, por isso vou citar os Renault Logan e Fluence, que fazem parte da frota policial brasileira em alguns estados, e o Peugeot 408 e o Ford New Fiesta Sedan, que também apareceram na feira  - não entendo direito este este último: embora seguro, seu espaço interno é bem limitado (especialmente atrás).

O feioso Chevrolet Spin também já virou policial na Interseg e tem tudo para assustar os criminosos. Nas cidades costeiras temos ainda o Troller T4 patrulhando as praias, como no litoral do Ceará. A polícia também roda com SUVs como Ford EcoSport e Renault Duster.

Sei que existe muitas outros automóveis e utilitários que compõe a frota da polícia brasileira. Mas, entre os veículos levantados durante a a pesquisa que fiz, com o apoio do internauta Márcio, o que mais chamou a minha atenção foi o Fiat Freemont. Importado, com desempenho fraco e beberrão, o modelo é um verdadeiro luxo para rodar nas cidades pelo país. Realmente acho que a polícia merece ter carros confortáveis, seguros, robustos, duráveis e econômicos, mas um Freemont parece ter sido uma escolha inadequada - ou será que o modelo italiano também é um verdadeiro "pau para toda obra"? Pelo menos a adaptação para a Interseg ficou legal.

Veja nas fotos abaixo alguns veículos preparados para a polícia, exibidos numa feira de segurança realizada em São Paulo no ano passado.










Fotos: Reprodução/R7

quinta-feira, 4 de abril de 2013

Alta Roda - Corrida do Ouro

Dessa vez, um segredo bem guardado. Congelamento das alíquotas do IPI até 31 de dezembro – cancela os dois aumentos previstos para abril e julho – foi anunciado durante feriado da Páscoa. No momento, o governo está preocupado não apenas em sustentar o crescimento no mercado de veículos, mas de tabela controlar reflexos na inflação. Há especulações de que tal patamar de IPI poderia se manter indefinidamente, sinalizando pequena mudança de rumo. Afinal, aqui estão os automóveis mais taxados do mundo, em longa cadeia de impostos sobre impostos. Um dia, isso teria de mudar.

Essa reviravolta já mexeu nas previsões do setor para 2013. Cledorvino Belini, presidente da Anfavea, acredita em vendas de 4% a 5% superiores em relação ao ano passado (antes, de 3,5% a 4,5%). Ele fez a afirmação durante o IV Fórum da Indústria Automobilística, em São Paulo, promovido essa semana em São Paulo pela Automotive Business. Inovar-Auto, ambicioso regime revelado  em setembro de 2012, ainda provoca muitas dúvidas sobre o nível de avanço em tecnologia nos próximos cinco anos e dominou os debates.

Como comentou Stephan Keese, da consultoria Roland Berger, já foi dito no exterior que o mercado brasileiro deve deflagrar uma nova “corrida do ouro”. Porém, ele desconfia mais de uma corrida contra o tempo do que propriamente de resultados financeiros, inclusive com risco de excesso de capacidade instalada. Prejuízo estimado pela Ford na América do Sul (Brasil representa 60% das vendas), no primeiro trimestre, pode chegar a US$ 300 milhões. GM também perdeu dinheiro na região, ano passado.

No entanto, um mercado entre cinco e seis milhões de unidades, até o final da década, se tornará ainda mais disputado. Há sete novos fabricantes de veículos leves se instalando no País até 2015, para totalizar 25, e não vai parar aí. Fábricas de motores passarão de 13 para 18, incluindo a Fiat, em sua nova unidade industrial em Pernambuco, e a Chery, que anunciou durante o Fórum. Hyundai Brasil, em breve, também comunicará a produção de motores.

Para o economista José Mendonça de Barros o consumidor deve esperar uma paulatina queda real de preços dos carros novos (ou aumentos inferiores à taxa de inflação para ser mais claro), acompanhado de desvalorização maior dos modelos usados. Esse descolamento é irreversível em situações de crescimento firme do mercado e continuará nos próximos anos.

Existe preocupação do setor de autopeças quanto à regulamentação do conteúdo local, adiada por mais dois meses pelo governo federal. Exigirá rastreabilidade do país de origem das peças e incertezas de como será feito o controle na Argentina, um vespeiro conhecido. Foi discutida a possibilidade de criar o programa Inovar-Peças, simultâneo ao Inovar-Auto, que adicionaria novos níveis de complexidade, apesar do potencial de desemperrar as coisas.

Falta competitividade na indústria brasileira e o setor automobilístico não é exceção. Paulo Butori, presidente do Sindipeças, colocou no rol dos problemas a moeda valorizada. Para ele, sem resolver a questão será muito difícil avançar. Exemplificou com o ramo de autopeças que passou de superavitário a deficitário no comércio exterior, em meia dúzia de anos.

RODA VIVA

SUBSIDIÁRIA da GM na Argentina confirmou lançamento do SUV compacto Tracker, vindo do México, no terceiro trimestre do ano. Jaime Ardila, presidente da empresa no Brasil e América do Sul, em entrevista à TV a cabo Band News, de fim de noite, admitiu de forma indireta que também chegará aqui até o fim do ano. E que um subcompacto está nos planos.

AUDI TT chega aos 15 anos e oferece cada vez mais potência. RS tem motor de cinco cilindros, 2,5 L, e ronco quase como um seis-cilindros em linha. Para guiar sem sustos, lidar com 340 cv e torque assombroso de 45,9 kgf∙m, tração é nas quatro rodas. Estilo do cupê compacto permanece fiel ao original, sem sinais de cansaço, um tanto raro, hoje.

MAIS atraente que o Cielo, compacto Chery Celer foi finalmente colocado à venda. Marca chinesa demonstra que quando a fábrica de Jacareí (SP) entregar as primeiras unidades, em um ano, terá produto competitivo e segurança de conteúdo nacional. Em versões hatch (R$ 35.990) e sedã (R$ 36.990), tem motor flex 1,5 L e pacote completo de equipamentos.

TELA multimídia de comando por toque veio para ficar. Renault já a oferece para toda a linha Sandero/Logan, ao preço em torno de R$ 600. Duster Techroad desbravou o interesse pelo equipamento (no caso, de série), bem fácil de operar. Esse utilitário compacto, bom de guiar, mostra limitações ergonômicas: perna esbarra na caixa de comando dos vidros elétricos.

LINHA 2014 do Fox, lançada agora, tem poucas mudanças. Freios ABS são os de nona geração: cada vez menos pulsação no pedal em frenagem de emergência. Discos de freio do CrossFox têm maior diâmetro em razão do acréscimo de massa da versão, em relação ao resto da linha, pelo suporte externo do estepe e suspensão reforçada.

domingo, 31 de março de 2013

Governo Federal "abre as pernas" e redução do IPI fica até dezembro. Montadoras deveriam fazer a parte delas

Algo bastante especulado nos últimos dias, ainda mais depois das vendas fracas (mais aqui), acabou acontecendo: o ministro da Economia, Guido Mantega, anunciou ontem que Governo Federal manterá a redução do Imposto Sobre Produtos Industrializados (IPI) para carros, caminhões e veículos comerciais leves até 31 de dezembro de 2013. Essa decisão vai contra os planos iniciais do governo, que estava retornando gradualmente com o imposto desde 1º de janeiro. Amanhã, dia 1º de abril, teríamos mais um aumento da alíquota.
Será que o HB20S vai ter seu preço reduzido? - Hyundai/Divulgação
De acordo Mantega, a intenção do governo ao manter a alíquotas do IPI como está agora é evitar que uma queda nas vendas ao longo do ano. Esta manutenção é um estímulo à indústria automobilística que, segundo o ministro, representa cerca de 25% da produção industrial no Brasil. Manter o IPI reduzido representa uma renúncia fiscal de R$ 2,2 bilhões de abril a dezembro deste ano.

Desde 1º de janeiro, a cobrança do IPI deixou de ser zero e passou para 2% para carros flex até 1.0, valor que segue deveria ir até o final de março. De abril abril até junho, subiria para 3,5% chegando, finalmente, para os (caros) 7% originais a partir de julho.

Nos modelos com motor flex entre 1.000 e 2.000 cilindradas, de janeiro a março a alíquota passou de 5,5% para 7% e chegaria a 9% no segundo trimestre. A partir de julho ela voltaria para os (altos) 11%.
Será que o 208 terá seu preço reduzido? - Peugeot/Divulgação
Para veículos com propulsores entre 1.0 e 2.0, movidos apenas a gasolina, o IPI no primeiro trimestre de 2013 subiu de 6,5%, para 8%. De abril a junho, deveria subir para 10% e, a partir de julho, retornaria para (salgados) 13%.

IPI até 31 de dezembro de 2013
Veículos com motores até 1.0 flex: 2%
Veículos com motores acima de 1.0 até 2.0 flex: 7%
Veículos com motores acima de 1.0 até 2.0 a gasolina: 8%
Veículos com motores acima de 2.0 flex: 18%
Veículos com motores acima de 2.0 a gasolina: 25%
Caminhões: 0%
Veículos comerciais leves: 2%

Opinião
Penso que o Governo Federal errou ao "abrir as pernas" para as montadoras, mantendo o IPI reduzido. Acho que este era o momento ideal para as montadoras agirem para reaquecer as vendas, reduzindo seus altíssimos lucros - pelo que li, média de 8% a 14% por carro.

Tudo bem que as empresas com fábrica no Brasil garantem muitos empregos e ajudam a mover e evoluir toda a indústria nacional. Mesmo assim, a redução dos lucros em pró de preços mais baixos seria uma manobra muito bem-vinda. Em contra partida, o Governo Federal deveria manter o IPI como está hoje, mas permanentemente. Assim teríamos lucros menores somados a impostos mais baixos e, por consequência, carros mais baratos.

Fecho com uma pergunta. A Hyundai anunciou os preços do HB20S já contanto com o aumento do IPI previsto para 1º de abril. A Peugeot fez o mesmo com o 208. Será que as duas montadoras vão abaixar os preços de seus mais novos lançamentos? 

Não custa lembrar que ambos os modelos assustaram no quesito preço. Leia mais aqui e aqui.

quinta-feira, 28 de março de 2013

Com poucas e boas* novidades, Volkswagen lança linha 2014 de Gol, Fox, Voyage, Polo, Polo Sedan e Golf

Para não ficar parta trás em relação aos mais recentes lançamentos do mercado, como os Hyundai HB20 e HB20S, Chevrolet Onix e Prisma, e do Peugeot 208, entre outros concorrentes (Sandero, Logan e mais aqui e aqui) a Volkswagen comemorou seus 60 anos de Brasil anunciando ontem o seu "pacotão" 2014, mostrando quais são as novidades das linhas Gol, Voyage, Fox, Polo, Polo Sedan e Golf. Os três primeiros receberam alterações interessantes, enquanto os outros três quase foram esquecidos.

Resumindo o post, boa parte das atrações são opcionais. Gol e Fox possuem ar-condicionado de série na versões mais caras. Temos ainda a série especial Fox Rock in Rio, com visual e conteúdos exclusivos. Gol, Fox e Voyage adotam agora a nomenclatura global Highline para as versões topo de linha (no lugar de Power, Prime e Comfortline, respectivamente), o que ocorre pela primeira vez em modelos fabricados no Brasil. Essa nomenclatura também identifica as opções mais refinadas de modelos como o Jetta e a Amarok.
Fox e CrossFox
Desde a versão de entrada, toda linha Fox traz de série direção hidráulica, conta-giros, banco do motorista com regulagem de altura, chave canivete, faróis com máscara negra, rodas de aço de 15 polegadas com calotas, para-choques pintados na cor da carroceria, desembaçador do vidro traseiro, aviso sonoro dos faróis ligados, airbag duplo frontal, freios ABS com sistema ESS (Sinal de Frenagem de Emergência - liga o pisca alerta automaticamente em frenagens bruscas), entre outros.

Fox e CrossFox possuem nova arquitetura eletrônica, já utilizada no Gol e no Voyage, que possibilita aos hatches receber, como opcional, o rádio RCD-320 (o mesmo do Jetta Comfortline), com CD Player MP3, entradas USB, SD-Card e Auxiliar, Bluetooth integrado e interface para smartphone. Conectado ao rádio está o PDC (Parking Distance Control), ou controlador de distância ao estacionar. Quando equipado com o sensor de aproximação de obstáculos traseiros (opcional), o Fox 2014 exibe na tela central do rádio a silhueta digital no formato da carroceria do veículo (visto de cima), exibindo uma barra que vai se aproximando da traseira à medida que a distância do obstáculo diminui.
A linha 2014 do Fox tem o quadro de instrumentos com novo grafismo e nova posição para o botão de acionamento dos faróis. E, como comentei antes, Fox Highline (finalmente) tem ar-condicionado de série.
Fechando as novidades da raposa, o Fox Rock in Rio tem todos s equipamentos de série da versão topo de linha Highline 1.6, e será ofertada durante seis meses no mercado nacional – entre abril e setembro, quando ocorre o festival musical – com cinco opções de cores: as sólidas Vermelho Tornado, Branco Cristal e Preto Ninja, além das tonalidades metálicas Azul Boreal e Prata Sargas.
Interior do Fox Rock in Rio não recebeu nenhuma novidade em termos sonoros
Curiosamente, o Fox Rock in Rio não recebeu nenhum tipo de alteração ou evolução no sistema de som - afinal, o festival é de música, certo?

Gol e Voyage
A dupla dinâmica da Volkswagen passa a trazer de série na versão Highline ar-condicionado (finalmente!), alarme keyless, chave canivete, vidros traseiros elétricos (em adição aos vidros dianteiros elétricos, já oferecidos de série nos modelos), espelho retrovisor externo elétrico com função tilt-down e sensor de aproximação de obstáculos traseiro.
Gol nunca foi tão bonito como agora no Brasil
Também houve incremento na oferta de equipamentos nas demais opções para os modelos. São novidades o copo porta-objetos no console central e a luz de leitura traseira no teto (opcional para o Gol). O Voyage passa a ser equipado em todas as suas versões com airbags frontais, freios ABS e direção hidráulica.

Complementam a lista de série itens como travamento central e abertura interna da tampa do porta-malas. O Novo Gol, que tem opção de carroceria de duas ou quatro portas, traz ainda limpador, lavador e desembaçador do vidro traseiro com temporizador como equipamentos standard.
Voyage 2014
Desde janeiro deste ano, todas as versões do Gol e do Voyage com o motor 1.6 trazem, de série, freios ABS e airbags frontais (inclui a utilização de cintos de segurança dianteiros com pré-tensionador e limitador de carga)
Polo praticamente não recebeu novidades para a linha 2014
Gol G4 continua com nível de segurança mínimo, sem ABS e airbag duplo nem como opcionais. O volante torto também continua.

Polo
Provavelmente caminhando para o seu final, a linha 2014 do Polo e do Polo Sedan não recebeu nenhuma alteração realmente relevante. Os modelos contam com novos revestimentos de bancos, novas calotas para a versão 1.6.
Polo Sedan 2014 quase ficou "na mesma"
Desde a sua versão de entrada, o Polo traz de série equipamentos como freios ABS, airbags frontais, ar-condicionado, direção hidráulica, computador de bordo, vidros e travas elétricas e rádio CD Player MP3 com entradas USB, SD-Card e Auxiliar, Bluetooth integrado e interface para smartphone.
Golf "IV,V" 2014 - algarismos romanos revelam a idade do modelo no Brasil
Golf
Na linha 2014 o Golf recebeu, em sua versão de base, grade do radiador pintada em preto brilhante e apliques nas grades inferiores do para-choque.

Em toda a gama do hatch médio houve alterações no rádio CD Player, que agora tem iluminação vermelha, e no mostrador do ar-condicionado Climatronic (item de série em todas as versões), que ganhou iluminação branca, acompanhando o restante da iluminação do painel. O modelo passa a trazer controlador de velocidade de cruzeiro desde as versões de entrada, tanto com o motor 1.6, quanto para o 2.0. Como opcional, passa a ser oferecida também para a versão Sportline 1.6 a roda de liga leve de 17 polegadas em nova cor.
Embora funcional, painel do Golf é bem ultrapassado
O Golf traz de série desde a sua versão 1.6 itens como sensor de obstáculos traseiro, vidros elétricos, freios ABS com EBD, airbags dianteiros e coluna de direção com ajuste de altura e distância. Além disso, o modelo recebe rádio CD Player MP3 com entradas USB, SD-Card e Auxiliar, Bluetooth integrado e interface para smartphone.

Concluindo
A Volkswagen trouxe novidades interessantes para as linhas Gol, Voyage e Fox. Mas acho que a lista de equipamentos de série destes três modelos deveria ser bem mais completa, ainda mais se pensarmos nos concorrentes.

Golf, Polo e Polo Sedan cumprem tabela à espera dos substitutos - a nova gweração do Golf, que não chega NUNCA, e o novo Santana (dificilmente teremos um novo Polo hatch por aqui). Fecho como uma pergunta: Por que o trio não recebeu a alteração do nome de suas versões topo de linha para Highline (algo atual e usado pela VW no mundo)? Seria sinal de mudanças num futuro próximo? É bem provável que sim.

Linha 2014 Volkswagen 

Gol G4 1.0 2 portas - R$ 25.750
Gol G4 1.0 Ecomotion 2 portas - R$ 25.750
Gol G4 1.0 4 portas - R$ 27.780
Gol G4 1.0 Ecomotion 4 portas - R$ 27.780

Gol 1.0 2 portas - R$ 28.280
Gol 1.0 4 portas - R$ 29.910
Gol 1.6 2 portas - R$ 33.210
Gol 1.6 4 portas - R$ 34.850
Gol 1.6 I-Motion 2 portas - R$ 36.000
Gol 1.6 I-Motion 4 portas - R$ 37.640
Gol 1.6 Highline 4 portas - R$ 44.690
Gol 1.6 Highline I-Motion 4 portas - R$ 47.480

Voyage 1.0 4 portas - R$ 33.790
Voyage 1.6 4 portas - R$ 38.590
Voyage 1.6 I-Motion 4 portas - R$ 41.380
Voyage 1.6 Highline 4 portas - R$ 47.190
Voyage 1.6 Highline I-Motion 4 portas - R$ 49.980

Fox 1.0 - R$ 33.770
Fox 1.6 - R$ 37.470
Fox 1.6 I-Motion - R$ 40.260
Fox 1.6 Rock In Rio - R$ 44.690
Fox 1.6 Highline - R$ 45.990
Fox 1.6 Highline I-Motion -  R$ 48.780

CrossFox 1.6 - R$ 50.600
CrossFox I-Motion 1.6 - R$ 53.390

Polo 1.6 - R$ 47.810
Polo 1.6 I-Motion - R$ 50.600
Polo 1.6 BlueMotion - R$ 52.210
Polo 1.6 Sportline - R$ 50.900
Polo 1.6 Sportline I-Motion - R$ 53.690

Polo Sedan 1.6 - R$ 50.570
Polo Sedan 1.6 I-Motion - R$ 53.360
Polo Sedan 1.6 Comfortline - R$ 52.800
Polo Sedan 1.6 Comfortline I-Motion - R$ 55.590
Polo Sedan 2.0 Comfortline - R$ 56.290

Golf 1.6 - R$ 52.760
Golf 1.6 Sportline - R$ 57.290
Golf 2.0 automático - R$ 59.580
Golf 2.0 Sportline automático - R$ 62.620

*: Boas para o Gol, Fox e Voyage.
Fotos: Volkswagen/Divulgação