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quinta-feira, 15 de março de 2012

Alta Roda - Oportunidades para todos

Salão do Automóvel de Genebra, que segue até o dia 18, sobe em prestígio a cada ano. Em área equivalente à do Anhembi, onde se realiza o Salão de São Paulo (este ano de 24 de outubro a 4 de novembro), tem sempre espaços totalmente ocupados, arranjos dos estandes benfeitos e com identificação padronizada.

Marcas que passariam despercebidas, em outras grandes exposições, dispõem de oportunidades. Pode ser a espanhola GTA, com o Spano (842 cv) ou a Koenigsseg e o seu Agera R (1.140 cv). Os monstros sagrados também estão lá, a exemplo do impressionante conversível Bugatti Veyron Grand Sport Vitesse (1.215 cv) e do espetacular Ferrari F12 Berlinetta (740 cv), modelo de série mais potente já fabricado pelos italianos de Maranello. O F12, ao lado do estande da Fiat, ofuscava a estreia mundial do 500 L. Esse monovolume, aliás, nada tem a ver com o pequeno 500: estilo e arquitetura são outros, substituirá o Idea na Europa (inicialmente) e lembra mais o Mini Clubman.

Entre premières com especial interesse para o Brasil, três estão nos planos de fabricação. Peugeot 208, previsto para o início de 2013, ficou um pouco menor e mais leve, porém com evolução marcante de projeto e novos motores de três cilindros, 1,0 e 1,2 litro. O monovolume Lodgy, de origem romena Dacia, ocupará no próximo ano o espaço que já foi aqui do Renault Scénic. Versão de cinco portas do VW Up!, previsto para ser brasileiro em 2014, chega agora na Europa. Menos cotado, mas bem interessante, é o Ford B-Max, monovolume compacto derivado do Fiesta. Utiliza portas laterais corrediças, mas sem a coluna central para facilitar o acesso.

Quanto a avanços em economia de combustível, destaque para o inédito sistema de desligamento de dois cilindros em um motor de quatro cilindros, antes só disponível em unidades maiores, V-8 ou V-6. Apresentado pela Volkswagen, a ideia simples estava no Polo BlueGT, de 140 cv, capaz de expressivos 22,2 km/l, na média cidade-estrada, com gasolina. No campo da segurança, a Volvo mostrou a bolsa de ar externa, abaixo do para-brisa, para proteção do pedestre em caso de atropelamento. Pneu que mantém pressão de ar constante é inovação da Goodyear.

Audi A3 estreou a nova plataforma MQB, do Grupo VW, que dará origem a mais de 40 modelos e flexível para servir de base desde um compacto a um médio-grande, ou mesmo grande. A Mercedes-Benz respondeu com o novo Classe A, um hatch de linhas ousadas e primeiro integrante de nova família que incluirá sedã, perua, cupê e SUV. A marca alemã, agora, não descarta a produção aqui desse SUV, de olho em modelos bem aceitos como EcoSport e Duster. Afinal, a conveniência de produzir no México está por um fio.

A Porsche exibiu a nova geração do Boxster, ainda mais equilibrada, na dose certa. Entre modelos conceituais surgiram novidades simpáticas como o que seria a volta do carro esporte Honda NSX, o Nissan Hi-Cross (possível sucessor do X-Trail), o esportivo Hyundai i-oniq e o microcarro Tata Megapixel. A Land Rover sondou a versão conversível do Range Rover Evoque. Estranho mesmo foi o Bentley EXP 9 F, proposta para um grande SUV premium, visando a China, cheio de pormenores de pura afetação e gosto duvidoso.

RODA VIVA

FORMAÇÃO de preços sempre depende de taxa de câmbio. Então, para variar, que tal comparar o Peugeot 308 vendido aqui e na Suíça? Carros iguais nos dois mercados, mas a carga tributária ainda é maior no Brasil. Preços das versões de entrada: R$ 53.990 e 29.650 francos suíços ou R$ 57.812. Franco mais valorizado que o real explica a diferença.

PRESIDENTE da Anfavea, Cledorvino Belini, reluta em responder sobre o ameaçado acordo comercial automobilístico Brasil e México. É a favor da continuidade. Contudo admitiu, pela primeira vez, que se lhe fosse dado escolher entre romper e estabelecer de cotas (em unidades ou valores) preferia a segunda opção. Mais pragmático, impossível.
BMW/Divulgação
NOVA geração do BMW Série 1 acompanha a tendência de dimensões maiores: 3 cm no entre-eixos (mais espaço atrás para pernas) e 8 cm no comprimento (porta-malas agora com 360 litros). O ponto forte é prazer ao guiar, com espaço limitado a quatro passageiros – o quinto, só criança. Estreiam câmbio automático de oito velocidades e direção eletromecânica.

PREÇOS do menor BMW atual vão de R$ 113.370 a R$ 122.900 pelo impacto do aumento do IPI para carros fora do Mercosul e México. Motor 1,6 turbo de 170 cv tem respostas imediatas. É possível quatro modos de utilização que se adaptam ao desejo do motorista, do comportamento em curvas, ao nível de consumo e às trocas de marchas.

REDUÇÃO de teor de etanol na gasolina pode, de fato, fazer com que motores passem pelo fenômeno de detonação, conhecido como “batida de pinos”. Diferente do passado, quando havia risco de detonação incontrolada e danos ao motor. Maneira fácil de lidar com o problema nos carros flex é misturar quatro a cinco litros de etanol, ao abastecer com gasolina.

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Alta Roda - Pensamentos alternativos

O Salão do Automóvel de Frankfurt, o maior do mundo em área locada de exposição, inverteu o clima de pessimismo observado há dois anos em razão da crise financeira mundial. A feira estará aberta até este domingo, 25/9, e reflete um cenário de vendas mundiais de veículos em ascensão, embora no continente europeu os resultados não estejam bons, à exceção da Alemanha, o que ajudou a mostra.
Volkswagen/Divulgação
Naturalmente, as marcas germânicas dominaram o ambiente. A começar pelo VW Up!, um subcompacto de quatro lugares, para disputar um segmento que crescerá muito. O modelo apresenta sofisticações, como frenagem automática e inteligente sistema multimídia portátil. Essa plataforma dará origem ao futuro carro de entrada da marca, substituindo o Gol IV, para cinco passageiros e com estilo próprio.

A Mercedes-Benz apresentou o novo Classe B, crossover de hatch e monovolume, com muitos equipamentos de série inclusive sistema anticolisão. Sua arquitetura flexível vai gerar um hatch (Classe A), um utilitário esporte (SUV) compacto, um sedã-cupê e uma station. Atenções se voltaram ao carro conceito F-125 (alusão aos 125 anos da empresa), um elétrico muito avançado que associa bateria de íon-enxofre e pilha a hidrogênio para até 1.000 km de autonomia.

A BMW mostrou o compacto Série 1, mais espaçoso, e consolidou sua submarca para propulsão alternativa. O i3 elétrico está praticamente pronto com muita fibra de carbono para aliviar o consumo da bateria, enquanto o híbrido esporte i8 ainda demora dois anos. A Audi respondeu com o carro-conceito A2 que terá também motor elétrico e o estudo Urban Concept ainda em estágio primário, mas o esportivo R8 e-Tron surgiu em forma quase definitiva.

Fechando a ofensiva alemã, a Porsche exibiu o novo 911, mais baixo e longo, projetado para receber propulsão híbrida. Versões conversíveis de supercarros também tiveram vez: Mercedes-Benz CLS (teto de lona) e Ferrari 458 Italia (teto rígido), atraindo fãs fiéis do puro glamour.
Fiat/Divulgação
Impressionaram a semelhança visual entre o novo Fiat Panda e o Uno brasileiro, de plataformas diferentes, além da nova linguagem de estilo da Ford realçada no Evos. Citroën DS5 confirmou o desenho audacioso da marca; a Renault contra-atacou com o conceito do que poderá ser um Kangoo no futuro; Smart também antecipou a evolução estética do microcarro (além da terceira geração elétrica); Mini cupê ampliou de forma criativa o desenho que parecia único.

Entre os SUV de maior porte, a maior surpresa foi o Maserati Kubang (materialização de um conceito do Salão de Detroit/2003). A Land Rover antecipou em quatro anos as primeiras formas do que, tudo indica, será o sucessor do icônico Defender.

Apesar da ênfase sobre elétricos e híbridos em Frankfurt, já há mais gente pensando que motores a combustão ainda vão evoluir e surpreender em emissões. Na Europa, por exemplo, 75% dos motores de carros novos utilizam turbocompressores (Classe B e A1, 100%). Como gerar eletricidade também emite gás carbônico (CO2), à exceção de usinas atômicas, podem acontecer surpresas e adiar para além de 2030 as chances de mínima consolidação do mercado de veículos elétricos a bateria.

RODA VIVA

AUMENTO significativo do IPI atingirá indistintamente todos os modelos não produzidos no Mercosul e México, mesmo que o fabricante já possua instalações industriais no Brasil. No fundo, o governo federal sabe que essa discriminação de imposto segundo a origem do produto contraria a Constituição. Resolveu correr o risco, em defesa do emprego industrial.

MAIS estranho é a taxação extra sobre importados vigorar até dezembro de 2012, embora a política de aumento da competitividade vá até 2016. Fica a dúvida se a medida pode ser revista ou a exigência de conteúdo de peças nacionais abrandada para quem quer fabricar no País. Casos da Chery e JAC, além da BMW que extraoficialmente já decidiu, mas pode desistir.

MERCEDES-BENZ SLS AMG roadster oferece rara combinação entre raízes históricas, estilo atual e desempenho ímpar. Inspirado no venerável 300 SL, de 1954, e suas portas no estilo de asas de gaivota na versão cupê, o conversível tem, claro, portas convencionais. O teto de lona se amolda à perfeição ao desenho do carro, além de subtrair apenas três litros do porta-malas.

GUIAR o SLS é uma experiência estonteante. O roadster tem capô longo e traseira curta. Sua largura exige atenção em estradas e ruas estreitas da Costa Azul francesa, Mônaco e pequenas cidades italianas na região. Motor V-8 de 571 cv e excitantes 66,3 kgfm são exploráveis em todas as situações. Mesmo que por apenas alguns segundos.

EXISTEM quatro opções de controle das suspensões no SLS, combinadas a respostas de direção, acelerador e troca de marchas na caixa automatizada de sete velocidades formando um transeixo traseiro. O conversível é cerca de 10% mais caro que o cupê e terá 30% do mix de vendas (no Brasil, bem menos). A fábrica produz cerca de 1.200 unidades/ano.