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quinta-feira, 7 de junho de 2012

Alta Roda - Pé no acelerador

Já se sabe que o Brasil é o país dos compactos e as variações sobre o mesmo tema não param de surgir. O mais recente nessa leva é o Chevrolet Sonic que a GM traz agora da Coreia do Sul. A empresa terá que absorver, provisoriamente, a diferença de carga tributária de 35% de imposto de importação e 30% extras de IPI, à espera do início da produção mexicana, em meados do segundo semestre. Em outros tempos, o lançamento seria adiado, mas a disputa no mercado está tão intensa que ninguém pisca os olhos.

Tanto o hatch como o sedã, em duas versões de acabamento (LT e LTZ), câmbio manual de cinco marchas ou automático de seis, trafegam na faixa de R$ 46.200,00 a R$ 56.100,00, como se importados do México. O Sonic é o primeiro carro realmente pequeno que a GM produz nos EUA (Ohio), em estratégia diferente da Ford, que fabrica o Fiesta no México. Mas, enquanto a GM não terá um Sonic nacional, a Ford produzirá o novo Fiesta aqui, em 2013.
Fotos: Chevrolet/Divulgação
O novo Chevrolet utiliza a mesma arquitetura global para automóveis pequenos, que estreou no Cobalt e estará, ainda no final desse mês, no monovolume Spin (substituto de Meriva e Zafira). Entra na categoria dos compactos anabolizados, a exemplo de Punto, Sandero, Fit e novo Fiesta. A versão sedã mira City e Linea, entre outros. A GM já tem o Agile (arquitetura Corsa) e abriu espaço para o novo modelo com posicionamento de preços. Certamente haverá canibalização, dentro do previsível, segundo a empresa.

Espaço interno é um dos atributos do Sonic, ao lado do conjunto motriz atualizado. Motor de 1,6 l/120 cv (etanol) apresenta respostas muito boas e elasticidade garantida por dois comandos de válvulas e coletor de admissão variáveis. Isolamento acústico não se inclui entre os pontos altos. Acabamento e materiais são razoáveis. Há vários porta-objetos e porta-luvas duplo. Porta-malas de 265 litros, modesto para um hatch desse porte, também não é referência, 477 litros, no sedã. Tanque de 46 litros limita a autonomia.

Em termos de estilo, destaque para o hatch. Procura identificação em pormenores como faróis sem as tradicionais coberturas acrílicas ou maçanetas traseiras embutidas na coluna C. No sedã, a curvatura de teto tem linhas fluidas, mas a traseira sofre do “mal dos compactos”. Quadro de instrumentos demonstra como se faz algo simples, porém criativo, ao combinar recursos analógicos e digitais. No sedã, o vigia traseiro avança demais sobre o teto e quem senta atrás, apesar do espaço livre, pode ser incomodado com o sol, apesar de a máscara protetora amenizar o desconforto.
O ano de 2012 ainda não acabou para GM. Poucas vezes se viram tantos lançamentos inéditos, em sequência, entre fabricantes aqui instalados. Depois do Spin (cinco e sete lugares, mesmas dimensões externas), chegará a vez da Blazer, em outubro, e do novo compacto de dimensões comportadas (semelhantes às do Celta), que deve se chamar Ônix, em novembro. Haverá ainda câmbio manual automatizado (Magneti Marelli) no Agile e motor 1,8 l com câmbio automático, no Cobalt. Para 2013, sedã Ônix e SUV compacto Enjoy.

A ordem é pé no acelerador, não importam as curvas sinuosas do mercado.

RODA VIVA

PLANOS da Ford são de produzir novo Fiesta hatch em São Bernardo do Campo (SP), ao lado do futuro Ka. Em Camaçari (BA) ficam EcoSport e Fiesta atual (hatch e sedã). Novo Fiesta sedã, em princípio, continuaria a vir do México para equilibrar exportações e importações. No entanto, sedã também poderia ser feito aqui, se importações continuarem restritas.

QUANDO o novo Citroën C3 chegar, em agosto, o modelo atual – lançado em maio de 2003 e quase sem mudanças até hoje – será descontinuado. Estratégia oposta à da marca principal do grupo, pois a Peugeot continuará vendendo o 207 (206 retocado), depois de lançar o 208 em janeiro do próximo ano. Mesmo na Europa, 206 e 207 conviveram por uns tempos.

ESPAÇOSO e com estilo atraente (um pouco menos elegante quando visto de traseira), Peugeot 508 tem preço bastante competitivo: R$ 119.900,00. Apesar de seu interior de primeira classe (só extintor incêndio atrapalha os pés no banco ao lado do motorista) e conjunto motriz condizente, a concorrência em modelos desse porte deixa pouco espaço para marcas generalistas.

OBSERVATÓRIO Nacional de Segurança Veicular (ONSV) concluiu, a pedido da Proteste, seu primeiro relatório sobre iluminação veicular de modelos fabricados no Brasil. A pesquisa inclui os recursos disponíveis em várias marcas e é o primeiro de uma série de trabalhos centrados em segurança. O site da entidade está em http://www.onsv.org.br/.

AINDA dentro do tema e das iniciativas da década de ações mundiais em prol da segurança no trânsito, lançadas pela ONU e a FIA (Federação Internacional do Automóvel), a frente parlamentar da Câmara dos Deputados criou um site específico para desenvolver ideias e debater soluções. Focado na interatividade e enquetes diversas merece a visita: http://transitoseguro.net.

terça-feira, 12 de abril de 2011

Quilinhos extras que fazem a diferença (para pior)

Espero que não seja uma tendência, mas muitos dos últimos e esperados lançamentos do mercado nacional sofrem com o mesmo problema: excesso de peso! Do que adianta os carros saírem de fábrica equipados com motores modernos se os quilos extras acabam com a eficiência (bom desempenho x boa média de consumo)?
O belo Fiat Bravo, com o motor 1.8 16V E.TorQ debaixo do capô, pesa 1.340 kg (Essence), 1.345 kg (Essence Dualogic), 1.355 kg (Absolute) e 1.360 kg (Absolute Dualogic). Já a versão T-Jet, com propulsor 1.4 turbo, pesa 1.370 kg. Pelo menos a Fiat é clara e revela o peso do carro no seu site, diferente da Ford, que parece esconder na sua página oficial o peso do seu hatch médio (me avisem se vocês encontrarem!).

Segundo informações oficiais divulgadas para a imprensa em fevereiro de 2010, o Focus 2.0 pesa 1.338 kg (GLX), 1.353 kg (GLX automático), 1.356 kg (Ghia) e 1.371 kg (Ghia automático). Não achei quanto as versões GL e GLX 1.6 16V pesam, nem a nova Titanium.  Interessante comparar o peso do modelo vendido por aqui com o Focus comercializado na Argentina. Segundo a Ford de lá, que publica os números de peso de seus modelos no site, o Focus 1.6 16V Sigma a gasolina pesa 1.257 kg, seguido pelo 2.0 a gasolina manual, com 1.327 kg, e pelo 2.0 automático, com 1.339 kg. Por curiosidade: o Focus 1.8 8V a diesel pesa 1.391 kg no país vizinho. Será que o sistema flex tornou o nosso Focus mais gordinho? Não custa lembrar que tenho falado do peso do novo Focus desde 2009.

O Chevrolet Vectra GT também não é dos mais leves, pesando 1.283 kg (GT manual), 1.325 kg (GT automático), 1.303 kg (GT-X) e 1.345 kg (GT-X automático). O Peugeot 307 é outro que está acima do peso: parte dos 1.302 kg (1.6 16V Presence) e chega até 1.368 kg (Feline 2.0 16V).

Em relação aos concorrentes, segundo os respectivos sites oficiais, o Nissan Tiida hatch pesa entre 1.195 kg (S) e 1.262 kg (SL automático); o Chevrolet Astra pesa 1.220 kg, e o Citroën C4 pesa entre 1.200 kg (GLX 1.6 16V manual) e 1.292 kg (2.0 Exclusive automático). Já o Volkswagen Golf 1.6 pesa 1.193 kg (o site da VW é confuso e não me permitiu encontrar os dados das outras versões).

Como vocês perceberam, considero que o hatch médio é gordo quando ele pesa mais de 1.300 kg. Modelos dessa categoria não deveriam passar dos 1.250 kg, ainda mais aqueles com motor abaixo de 2.0.
Mudando de segmento, o Honda Civic tem excelente forma, pesando entre 1.235 kg (LXS manual) e 1.275 kg (EXS automático). O Toyota Corolla também faz bonito, com pesos variando entre R$ 1.245 kg (XLi 1.8 manual) e 1.290 kg (Altis 2.0 automático). O Chevrolet Vectra começa bem, mas acaba "cheinho": 1.268 kg (Expression manual), 1.310 kg (Expression automático), 1.308 kg (Elegance manual, 1.350 kg (Elegance automático) e 1.383 kg (Elite automático).
Entre os mais novos, só gordinhos. O Volkswagen Jetta 2.0 Total Flex Tiptronic pesa 1.346 kg, um pouco menos que o Renault Fluence, que varia entre 1.369 kg (Dynamique manual) e 1.372 kg (Privilège automático). Já o Peugeot 408 é o obeso da turma, variando entre 1.468 kg (Allure manual) e gordurosos 1.527 kg (Griffe automático). Mais de uma tonelada e meia para um sedã médio! Até o Peugeot 508, que é maior que o 408 (4,79 m x 4,69 m de comprimento; 1,85 m x 1,81 m de largura; e 2,81 m x 2,71 m de entre-eixos), pesa menos: 1.400 kg!
Pela lógica simples, quanto menos um carro pesa, menos combustível ele consome e melhor desempenho ele tem. Comparei apenas duas categorias, mas tenho certeza de que outros segmentos também têm carros bem "gordinhos".
(Fotos: Montadoras/Divulgação)
Atualização
Recebi inúmeros e-mails de pessoas questionando os números que postei aqui. Deixo claro uma coisa: não inventei nenhuma informação. Todos os dados foram retirados de fontes oficiais e, em alguns casos, conferidos em mais de um lugar. Para finalizar, publico abaixo um print do release de imprensa do Focus 2.0 flex divulgado pela Ford em fevereiro de 2010 (clique na imagem para ampliar).