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quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Alta Roda - Fortes emoções

Reprodução Consulado Social
Mais coisas vão mudar nos próximos meses em termos de importação e de produção interna. Apesar do intervencionismo meio atabalhoado do governo federal, um caminho parece aberto para incentivar mais fabricantes no Brasil. A renegociação do acordo automobilístico com o México aponta nessa direção. Aliás, este possui cláusula de saída de qualquer das partes: se decidido, haveria um período de 14 meses durante o qual tudo permaneceria como antes.

O Brasil exportou, de 2000 a 2011, ao mercado mexicano cerca de 1,5 milhão de veículos e importou 500.000. O balanço nos é favorável em US$ 13 bilhões. No entanto, ocorreram mudanças importantes no período. O México possuía uma moeda forte e a nossa havia passado por desvalorização severa. Hoje, o real está valorizado e o peso, enfraquecido.

O fator cambial fica esquecido muitas vezes. Para efeito prático, o imposto de importação, para quem paga, de 35% foi zerado (em termos reais) há muito tempo e se pode considerá-lo até um imposto negativo. Mas, as tolices continuam sendo repetidas, quando se comparam preços.

Na realidade, o Brasil deseja equilibrar o comércio com o México. O intercâmbio livre atual só inclui automóveis e comerciais leves e com dólar a R$ 1,70 as exportações só não pararam porque ficaria muito caro voltar depois. Caminhões e ônibus brasileiros têm que pagar imposto de importação lá e como seu preço é 10 vezes superior a um automóvel pequeno, uma alíquota zerada melhoraria a relação de troca.

Outro equívoco é comparar o índice mínimo de nacionalização de 30%, no México e 65%, no Brasil. As fórmulas de cálculo diferem, porém, ao final se equivalem. Ocorre que o conteúdo local das marcas há mais tempo produzindo aqui supera os 85% e, novamente, o fator cambial distorce comparações. Carro argentino, por exemplo, importado para o Brasil tem, em média, maior conteúdo de peças brasileiras do que a montagem do Hyundai Tucson, em Anápolis (GO). Tudo dentro da lei, porém os custos de produção são bem diferentes e, por consequência, as condições de venda, incluindo aí investimentos em marketing.

A negociação Brasil-México valerá também para o Mercosul e pode se arrastar por semanas. Acordo deve sair, nem que se retorne ao regime de cotas, válido entre 2000 e 2006. Inequivocamente, fabricantes como Mazda e Mercedes-Benz querem se instalar no México, com sua moeda enfraquecida, para exportar ao Brasil. Nissan fará investimento pesado lá, mas preferiu não arriscar e também terá fábrica aqui, em Resende (RJ).

Para o consumidor interessa mais automóveis produzidos no País e que a concorrência abaixe os preços. Ninguém vai se instalar para fabricar velharias. Com a decisão da BMW (ainda não pormenorizada) da fábrica brasileira, a Mercedes-Benz já acenou, à luz da discussão do acordo, voltar a produzir aqui. Quem sabe, a Audi também.

Por fim, importar é atividade complicada em qualquer mercado. Há riscos cambial, legislativo e de logística, entre outros. Em 1999, o real se desvalorizou frente ao dólar, de R$ 1,10 para R$ 2,00. Quatro anos depois, beirou os R$ 4,00. Marcas e redes de assistência foram a nocaute, sem mudança de alíquota de nenhum imposto. Todos precisam estar preparados para fortes emoções.

RODA VIVA
Ford/Divulgação
FIESTA, da última geração hoje importado do México, será fabricado também em Camaçari (BA), já no início de 2013. Ford, como fabricante prudente, sabe que situações econômicas, de mercado e de legislação podem mudar. O plano é produzir o Fiesta hatch e continuar a importar apenas a versão sedã. Dependendo do rumo do acordo entre os países, fica tudo aqui.

COTAÇÕES entre moedas mudam o panorama ao longo do tempo. O Fusca, por exemplo, teve seu fim apressado quando o marco alemão subiu muito em relação ao dólar, nos anos 1970. Valorização do euro levou fabricantes europeus a abrir fábricas nos EUA. E os japoneses, com a recente escalada do iene, só pensam em construir novas instalações fora do seu país.

SPORTAGE flex de 2 litros segue a mesma fórmula de privilegiar o desempenho com etanol, em termos de potência e toque. São 178 cv (mais 5,3%), porém a Kia não informa o consumo, impedindo a comparação correta entre os combustíveis. Câmbio automático de seis marchas também é novidade no utilitário esporte sul-coreano. Mantidas opções 4x2 e 4x4.

CHERY começou a vender, sem prévio aviso, o monovolume compacto Face equipado com motor flex de 1,3 litro/91 cv. Trata-se da mesma unidade motriz do hatch S18. Parte de R$ 30.000,00, ainda sem aplicação do valor elevado do IPI. Pelo menos os chineses tendem a absorver essa diferença.

ALÉM da atenção para que todos os ocupantes do veículo usem os cintos de segurança – sempre e não apenas nas viagens de verão –, é preciso observar se os cadarços (fitas) estão deslizando normalmente. Uso contínuo e descuidado tende a torcê-los, comprometendo sua proteção. Sem treinar antes, pode ser demorada a operação fundamental de distorcer os cadarços.

domingo, 8 de maio de 2011

Chineses: carros atraentes, mas vale a pena comprar?

Não muito tempo atrás publiquei uma enquete aqui no De 0 a 100 com a seguinte pergunta: Qual é o melhor carro chinês vendido no Brasil?. O resultado foi o esperado, ainda mais pelo fator de novidade do recém lançado Jac J3.

Resolvi então pegar os dois primeiros colocados da enquete, além do veículo que chegou mais recentemente às concessionárias, para fazer uma breve análise de mercado de cada um.
Jac J3
É a grande "estrela" dos anúncios dos dias de hoje. E o modelo parece estar sendo bem recebido pelo público. Em março, segundo dados da Fenabrave, foram emplacadas 322 unidades do J3 no Brasil. Esse número subiu para 1.316 unidades em abril.

O aumento foi significativo, mas não foi o suficiente ainda para superar o Chevrolet Corsa (2.121 unidades em abril - 7º no ranking do segmento no mês passado), o Fiat Punto (6º com 2.779 unidades em abril), o Citroën C3 (5º com 2.873 unidades emplacadas em abril), o Chevrolet Agile (4º no mês com 5.831 unidades emplacadas), o Renault Sandero (3º com 6.670 unidades), o Volkswagen Fox + CrossFox (2º em abril com 8.959, mas líder no acumulado do ano) e o Ford Fiesta (1º em abril com 9.599 unidades emplacadas).

Mas vamos esperar até o final do ano para realmente conseguir avaliar, de forma mais correta, o comportamento do Jac J3 no mercado nacional. Mas é fato que o seu conjunto é bem atraente. Por R$ 37.990, o consumidor leva o modelo com  freios com sistema ABS e EBD, airbag duplo frontal, sensor de estacionamento traseiro, direção hidráulica, rádio CD Player com MP3, USB e seis alto-falantes, ar-condicionado, farol com regulagem de altura, farol de neblina; retrovisores, travas e vidros elétricos e rodas aro 15', entre outros itens. O motor a gasolina 1.3 16V de 108 cv de potência e 14,1 kgfm é vendido como 1.4 - marketing puro.
Chery Cielo
Seu preço já foi mais baixo, mas o Cielo continua com um pacote atraente para o consumidor. Por R$ 43.990 (R$ 2.090 a mais do que em 2010), o Cielo pode ser encontrado com freios com sistema ABS e EBD, ESP e EPS, direção hidráulica, ar-condicionado, airbag duplo, regulagem de altura do volante, som com CD Player MP3 com entrada USB, porta-objetos, travamento das portas, vidros e ajustes dos retrovisores com comando elétrico e rodas de liga leve de aro 16" - sem contar o visual interessante criado pelo pela Pininfarina. Seu motor a gasolina desenvolve 119 cv de potência e 14,98 kgfm de torque e sua suspensão traseira é independente.

Se a vida do J3 é complicada por causa dos concorrentes, a do Cielo também não é nada fácil. Como vencer veículos novos e populares como Hyundai i30 e Ford Focus, ou adversários como Citroën C4, Fiat Bravo e Nissan Tiida, sem contar os veteranos Chevrolet Astra e Volkswagen Golf?

A situação está realmente feia. De janeiro a abril de 2011, foram emplacadas 564 unidades do Cielo, contra 13.051 do i30, 8.495 do Focus, 7.300 do Astra, 5.684 do Golf, 3.777 do C4, 3.096 do Tiida, 3.016 do Bravo, 2.936 do 307 e 2.602 do Vectra GT.
Chery QQ
As concessionárias da Chery no Brasil já estavam aceitando pedidos pelo QQ (pronuncia-se "quê quê" segundo a marca e "quiu quiu" de acordo com a Quatro Rodas) desde o começo do ano. Mas só agora eles chega às lojas custando R$ 22.900. Como oferece, de série, ar-condicionado, direção hidráulica, trio elétrico, CD player, airbag duplo, sistema ABS nos freios e sensor de estacionamento, sem dúvida o QQ tem um dos melhores custo/benefício do mercado nacional. Sob o capô, o QQ tem motor Acteco 1.1 16V a gasolina, que desenvolve  68 cv de potência e 9,1 mkgf de torque a 3.500 rpm.

É um conjunto realmente atraente. Mas será que vai dar certo? Embora seja chinês, o visual do QQ lembra o de um desenho japonês - estilo Pokemon. Não acho feio, mas não me agrada muito.

Com o QQ, a Chery passa a ter um trio interessante para o mercado brasileiro, completado pelo Cielo e pelo Face - sem contar o jipinho Tiggo, que vende cerca de 300 carros por mês. Resta saber se o consumidor brasileiro vai "consumir" (com o perdão do trocadilho) os carros. O Cielo está passando aperto. O Face emplacou 1.493 unidades de janeiro a abril de 2011 (373 unidades em média por mês). E o que podemos esperar do QQ?

Qual é o melhor carro chinês vendido no Brasil?

Jac J3 - 41 votos (37%)
Chery Cielo - 31 (28%)
Lifan 620 - 13 (11%)
Chery Tiggo - 10 (9%)
Outro - 10 (9%)
Chery Face - 3 (2%)
Chery QQ - 1 (0%)
Lifan 320 - 1 (0%)
Effa M100 - 0 (0%)
Total: 110 votos

Pergunto: será que vale a pena comprar um chinês? 
Reconheço que as marcas e os carros chineses estão cada vez mais fortes e preparados no Brasil. Mas eu ainda não compraria. Prefiro esperar mais um tempo até as marcas terem mais infraestrutura de pós-venda (peças e mão de obra organizada e qualificada). Isso deve acontecer já num futuro próximo. E não custa lembrar aos chineses: onde estão os motores flex? Pós-venda estruturado e motorização bicombustível farão muita diferença na revenda.

Fica a dica para os chineses: investir em segurança (ABS e airbag duplo são bons, mas passar nos crash tests é mais importante ainda).

E você, compraria um chinês? O que achou dos mais recentes lançamentos, como o J3 e o QQ?
(fotos: Chery/Divulgação e Jac/Divulgação)