terça-feira, 29 de novembro de 2011

Por que a Ford não emplaca no Brasil?

Eu adoro vários carros da Ford. Acho que a marca consegue produzir veículos muito competivivos para praticamente todos os segmentos nos quais atua. Quase comprei um Focus hatch nesse ano, mas as concessionárias da marca simplesmente (e lamentavelmente para a marca) não souberam me vender o modelo. Uma lástima.

Mas o que quero discutir aqui é outros aspecto. Por que a Ford não emplaca no Brasil? A marca está em quarto lugar a tanto tempo e, mesmo com as investidas recentes, a tendência aparente é que, ao invés de incomodar as três líderes, a empresa norte-maericana vai sofrer, em médio prazo, com as adversárias que estão atrás. Mas por que isso? Fiz uma lista que vale a leitura.
Ótimo carro compacto, Ka só tem versão com duas portas
Ford Ka 4 portas
A Ford continua insistindo que o Ka só deve ser vendido no Brasil com duas portas. Já ouvi dizer que "não é possível mecanicamente fazer um Ka 4p por causa do tamanho do veículo". Considero isso uma mentira. Vejam os casos do Mille, Uno, Gol G4, Palio Fire, e, especialmente, Celta e Chery QQ. Todos são pequenos e têm quatro portas. O modelo da Chevrolet tinha vendas tímidas apenas com duas portas. Quando a carroceria com quatro portas foi lançada, o Celta se tornou popular.

Veículos interessantes muito caros
Os carros mais interessantes da Ford no momento no Brasil custam muito caro: New Fiesta hatch (a partir de R$ 48.950), New Fiesta Sedan (a partir de R$ 50.950), Focus (a partir de R$54.790), Fusion (a partir de R$ 83.660) e Edge (a partir de R$ 123.940). Os dois últimos eu até entendo, mas os outros, em especial a dupla de New Fiestas poderiam e deveriam ser mais baratos para se tornarem ainda mais competitivos nos seus respectivos segmentos.

O EcoSport também é um carro legal, mas, com a aproximação do lançamento da sua nova geração, preferi não incluí-lo na lista acima.

Você pode me perguntar exemplos de veículos interessantes de outras marcas que sejam atraentes e que não custem tanto (abaixo dos quase R$ 49.000 pedidos pela Ford para o New Fiesta hatch). Respondo: Renault Sandero e (novo) Fiat Palio. 
New Fiesta hatch é um excelente automóvel, mas poderia custar menos
Falta de opções variadas entre R$ 24.000 e R$ 47.000
Esse é o maior problema da Ford no Brasil, disparado. Nessa faixa de preço citada, a Ford conta com apenas quatro modelos: Ka (1.0 e 1.6), Fiesta hatch (1.0 e 1.6), Fiesta Sedan (1.0 e 1.6) e Courier (1.6). É um número muito pequeno de veículos para a principal fatia do mercado brasileiro. A marca deveria ter mais opções e variações. Alguma minivan? Algum compacto mais barato com 4 portas? Picape compacta moderna?

Fazendo uma comparação com duas "grandes" do mercado, a Fiat tem 10 modelos (Mille, Uno, Palio Fire, Novo Palio, Siena, Strada, Palio Weekend, Punto, Idea e o Cinquetendo), sem contar as variações da Strada. A Chevrolet (de acordo com o seu site hoje), que passa por mudanças profundas na sua linha de produtos, tem nove modelos (Celta, Classic, Corsa, Prisma, Agile, Montana, Meriva, Cobalt e Astra).

Em relação às "newcomers", a Renault tem quatro (Clio, Sandero, Logan e Symbol - quase seis se somarmos Grand Tour e Duster), mesmo número da Peugeot (207, 207 Passion, 207 SW e Hoggar - quase cinco com o Partner). A Nissan ttambém tem quatro (March, Versa, Livina e Tiida Sedan - quase cinco com o Tiida).
Focus: baita carro que pode vender ainda mais
Honda e Toyota ainda não tem nenhum (mas terão em breve). A Citroën até tem, mas me recuso a colocar em protesto ao "Sem aumento de IPI" que a empresa coloca no seu site em relação aos preços de carros fabricados no Brasil.

Confira a participação de mercado dos últimos seis anos na somatória entre automóveis e comerciais leves, sendo que o ano de 2011 foi usado como referência para organizar a disposição das marcas:

Marca/Ano
2005
2006
2007
2008
2009
2010
2011 até out
Fiat
24,98%
25,40%
25,94%
24,62%
23,76%
21,98%
22,17%
Volkswagen
21,63%
22,37%
22,97%
21,91%
20,76%
20,38%
20,55%
Chevrolet
22,54%
22,37%
21,29%
20,54%
19,33%
19,67%
18,42%
Ford
12,13%
11,25%
10,55%
9,74%
10,38%
10,00%
9,26%
Renault
2,92%
2,82%
3,14%
4,31%
4,06%
5,05%
5,40%
Hyundai
-
-
0,81%
1,64%
3,37%
3,01%
3,35%
Honda
3,52%
3,67%
3,66%
4,40%
3,96%
4,36%
2,88%
Toyota
3,75%
3,80%
3,07%
3,03%
4,19%
3,17%
2,75%
Citroën
1,68%
1,90%
2,12%
2,56%
2,19%
2,76%
2,70%
Peugeot
3,29%
3,34%
3,36%
3,09%
2,49%
2,42%
2,54%
Kia
-
-
-
-
1,17%
1,55%
2,41%
Nissan
-
-
-
-
0,86%
1,45%
1,71%
(fonte: Fenabrave)

Se a Ford já se mantem relativamente estável no mercado nacional com sua linha atual de produtos, imaginem se marca tivesse mais opções de modelos no Brasil? Ela venderia bem mais do que atualmente. E tenho certeza de que a marca sabe disso e que já pensa em novos produtos.
Fotos: Ford/Divulgação

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Novo Honda Civic 2012 evolui onde precisava, mas regride no visual. Será que volta ao topo?

Mesmo com um excelente carro, a Honda apanhou um bocado da Toyota nos últimos tempos. O Corolla vendeu bem mais que o Civic, que foi líder soberano do segmento por vários anos. Para não ficar para trás, a Honda lança, em janeiro, a nova geração do seu sedã. E o melhor: a fábrica alterou exatamente os pontos fracos do veículo -  mas os preços subiram um pouco:

. Honda Civic LXS MT Flex: R$ 69.700
. Honda Civic LXS AT Flex: R$ 72.900
. Honda Civic LXL MT Flex: R$ 72.700
. Honda Civic LXL AT Flex: R$ 75.900
. Honda Civic EXS AT Flex: R$ 85.900
Começando pelo visual, fico feliz que a marca japonesa não tenha copiado o design da 9ª geração do Civic norte-americano, que é bem sem graça. O nosso Civic tem a frente mais "musculosa", com ressaltos mais perceptíveis. Na traseira, as lanternas aparentemente inspiradas no Mercedes-Benz C180 (obrigado Bruno!) receberam prolongamentos na tampa do porta-malas.
Porém, o Civic perdeu a harmonia de suas linhas. A traseira parece ter sido remendada com essa lanterna "extra" no porta-malas. Fico com a impressão de um estilo "xuning", como no Toyota Corolla. O casamento entre frente e traseira da 8ª geração do sedã da Honda era muito melhor.
Traseira ficou mais feia. Foto: Reprodução da Autoesporte
A grande novidade do novo Civic, sem dúvida, é a lista de equipamentos de série mais recheada. Finalmente a Honda percebeu que o seu sedã estava "pelado" em relação à concorrência.
Tela do computador de bordo ao lado do velocímetro. Botão verde à esquerda deixa o carro mais econômico
Todas as versões (LXS, LXL e EXS) são equipadas com computador de bordo, ar-condicionado digital (que ainda não é dual zone, infelizmente), sistema de som com CD Player que lê arquivos em MP3/WMA, com entrada P2 e USB e com comandos no volante; freios ABS, duplo airbag, câmera de ré exibidas no i-MID (tela de LCD colorida do computador de bordo de 5” fica no painel), trio elétrico com os todos os vidros com acionamento “um toque” (antes, só o do motorista tinha o dispositivo), janelas que fecham pelo botão na chave e, finalmente, tampa do porta-malas sem miolo da chave - pode ser aberta pelo comando na própria chave ou pela alavanca interna (eliminando o trsite problema enfrentando pelos donos do Civic até a linha 2010/2011 - veja aqui e aqui).

A versão topo de linha, EXS, vem equipada ainda com tela central multimidia de 6,5" no centro do painel com GPS integrado, airbags laterais, controle de estabilidade, comandos do telefone para conexão bluetooth e teto solar.
 Se o visual de fora ficou pouco harmônico, o interior também segue a mesma linha. O painel futurista foi retrabalhando, ganhando melhorias, como a tela do computador de bordo e do GPS na versão EXS.
GPS no painel faz parte da lista de equipamentos de série da versão EXS
Pode até parecer bobagem, mas a diminuição da atratividade está nos detalhes. A alavanca do freio de estacionamento perdeu o formato em Z; o volante ficou mais "quadrado" (no sentido de ultrapassado), sem o visual esportivo, com a perfuração na parte de baixo; até o porta-objetos em frente a alavanca do câmbio perdeu a tampa. O pedal do acelerador agora fica de cima para baixo, diferente da 8ª geração, que seguia o padrão dos alemães (de luxo).
Dimensões e capacidades
Nas dimensões, o Civic cresceu no comprimento, de 4.489 mm para 4.525 mm, manteve a mesma altura (1,450 m) e praticamente a mesma largura (de 1,752 m para 1,755 m). Mesmo com a redução da distância entre-eixos em 3 cm (de 2,700 m para 2,672 m), a Honda garante que o espaço interno não diminuiu. O que aumentou foi a capacidade do tanque: de 50 litros para 57 litros - aumento muito bem-vindo, permitindo uma autonomia bem maior.
Espaço do porta-malas subiu de pequenos 340 litros para bons 449 litros de capacidade
O porta-malas, segundo a marca, também cresceu: de pequenos 340 litros para bons 449 litros (agradeçam ao estepe fino, de uso temporário, e à tampa traseira mais elevada). O curioso, como adiantei em abril, é que o novo Civic vendido nos EUA tem capacidade 12,5 cubic feet, o que equivale a 353,96 litros - ou 354 litros, contra 12 cubic feet do antigo (8ª geração), equivalente a 339,8 litros, ou seja, os 340 litros (conversões feitas no site Metric Conversion).Vejam no site da Honda. O importante foi o aumento do espaço.

Na parte mecânica, a suspensão, que continua independente nas quatro rodas, recebeu alterações para ficar mais confortável. O motor 1.8 i-VTEC flex, recebeu alterações para ficar mais econômico, eficiente e com funcionamento mais suave. As mudanças alteraram o regime de rotação e renderam 1 cv quando abastecido com gasolina.
O propulsor desenvolve 139 cv de potência a 6.500 rpm com gasolina (138 cv a 6.200 rpm no anterior) e 140 cv a 6.500 rpm com etanol (o anterior alcançava a mesma potência, mas a 6.200 rpm). Os números de torque não mudaram, apenas as rotações: 17,5 mkgf a 4.500 rpm com gasolina (anterior: 5.000 rpm) e 17,7 mkgf a 4.500 rpm com álcool (4.300 rpm no anterior).

Outra novidade da 9º do Civic é o sistema ECON, que ajusta o carro para um modo de direção econômico, controlando as acelerações (ficam mais lentas), as trocas de marcha e até a atuação do ar-condicionado. Só testando na prática mesmo para saber se funciona direito.
A questão da economia de combustível foi realmente levada a sério pela Honda. Nada mais natural, já que, de 2006 a 2011, apenas o Civic a gasolina recebia elogios pelo consumo, diferente do bastante criticado Civic flex. Mesmo com a adoção da direção com assistência elétrica e do novo sistema de ar-condicionado, o resultado continuou deixando a desejar.

Veja mais detalhes do computador de bordo do novo Civic:
Câmera e ré e computador de bordo: itens de série em todas as versões
i-MID (intelligent Multi-Information Display)
A central i-MID conta com uma tela LCD colorida de 5 polegadas que exibe diversas informações e opera como interface para customização do veículo. Seus comandos estão localizados no volante, mas a central também exibe informações gerais do veículo, como sistema de áudio, computador de bordo, áudio, imagem da câmera de ré e sistema de navegação (EXS).

. Computador de bordo no i-MID
No computador de bordo, o condutor tem acesso aos hodômetros total e parciais A e B; temperatura externa do lado esquerdo da parte inferior; relógio do lado direito da parte inferior; consumo médio de combustível com duas possíveis leituras, A e B, apresentadas no mesmo campo, e autonomia, que é apresentada em alcance. O computador de bordo também conta com o medidor do consumo instantâneo, que pode ser visto no lado direito do painel de instrumentos superior.

. Sistema de áudio no i-MID
As seguintes funções do sistema de áudio são apresentadas por meio do i-MID: rádio, CD ou USB; frequência da estação de rádio sintonizada; nome da rádio, música, imagem do álbum e número da faixa, entre outros detalhes.






. Customização de funções no i-MID
Diversas customizações ou personalizações do veículo são possíveis por meio da central i-MID. É possível configurar o papel de parede (fundo de tela) inserindo uma foto pessoal, a tela de boas vindas, o idioma, o temporizador da luz interna, o desligamento do farol, e o travamento das portas. Os controles do lado esquerdo do volante permitem a navegação pelas funções e a escolha dentre as opções. A navegação é simples e intuitiva. Clique em Menu para começar. Escolha a função que deseja configurar por meio das setas (direita, esquerda, para cima e para baixo) e, quando encontrar, clique no botão do meio (Source). Uma foto ou imagem pode ser inserida na central. Basta conectar um PEN DRIVE com fotos na entrada USB.

. Mensagens de alerta no i-MID
Como regra geral todas as mensagens de alerta têm prioridade de exibição e são mostradas imediatamente no instante da ocorrência. No entanto, uma vez exibida, o condutor pode alternar as telas normalmente sem que o aviso seja perdido. O i-MID é também capaz de emitir alerta toda vez que existir uma falha nos sistemas.

Resumo da obra
É inegável que o novo Civic evoluiu em dois importantes aspectos: lista de equipamentos de série e (menos um pouco) motor. Entretanto, a regressão visual pode ser algo marcante para o veículo, que perdeu a sua harmonia estética (embora já "cansada", a 8ª geração continua mais bonita).

As vendas do Civic devem subir, ainda mais se a Honda conseguir fabricar mais unidades do modelo. Mas tenho minhas dúvidas se ele voltará ao topo do segmento. Líder absoluto eu não acredito que ele volte a ser. Mas brigar pela ponta, isso tem grande chance de acontecer,

E vocês, o que acham? Será que, com as mudanças, o Civic pode voltar ao topo do segmento?
Fotos: Honda/Divulgação

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Alta Roda - Carga Pesada

Em meio a tanta turbulência nas economias desenvolvidas, chega a surpreender a recuperação firme do mercado americano. Tomando 2010 como referência, as vendas de automóveis e comerciais leves devem crescer 11%. Na União Europeia não haverá crescimento. No Brasil as vendas subirão em torno de 5%. O ritmo de expansão do mercado chinês – o maior do mundo – sofre um tranco, mas ainda é o mais dinâmico.

A interdependência entre os países interessa pelos reflexos que podem ocorrer nas subsidiárias brasileiras. Fiat depende, hoje, em grande parte dos resultados no Brasil e das marcas da Chrysler nos EUA (em especial da Jeep), pois o modelo 500 enfrenta vendas modestas, depois do investimento pesadíssimo para retorno ao mercado americano. A Volkswagen construiu uma fábrica nova no Tennessee e pode oferecer modelos menos caros, como o Passat específico para os EUA, que acaba de ganhar o título de Carro do Ano, da revista Motor Trend. Ford e GM confiam nas fábricas do México para complementar sua oferta por aqui.

Nesse cenário, o Salão do Automóvel de Los Angeles (18 a 27 de novembro) exerce um papel peculiar, numa cidade que tem a maior densidade de veículos por habitante no mundo.

Tradicionalmente é considerado um salão-butique (relativamente poucas marcas em exibição) e da vanguarda do pensamento californiano em favor de carros menos gastadores. Este ano, no entanto, os carros potentes fizeram a festa: do Porsche Panamera GTS (430 cv) ao Ford Mustang GT500 (660 cv), passando pelo Chevrolet Camaro ZL1 conversível (580 cv) e até o SUV Mercedes ML63 AMG (555 cv).

Apesar disso houve alguns lançamentos mundiais, prontos para o Brasil em 2012. Honda CR-V, inteiramente novo, agradou por suas linhas harmoniosas (versão apenas de cinco lugares) e um sistema de tração 4x4 melhorado. Hyundai Azera, igualmente todo novo, segue o estilo arrojado dos sedãs da marca – gama de seis modelos, todos brancos, no estande da marca sul-coreana chegavam a confundir pela semelhança.

A Volkswagen guardou para este salão o CC (cupê conforto), levemente retocado, agora sem o nome Passat, para não confundir clientes do sedã-cupê. Fabricado na Alemanha, também chegará ao Brasil no próximo ano. Desfeitos os laços com a Mazda, a Ford apresentou o SUV compacto (para eles) Escape, praticamente o europeu Kuga, baseado no Focus, porém com acabamento refinado. O novo EcoSport terá inspiração nas suas linhas.

A Chevrolet elegeu este salão para o lançamento mundial do subcompacto Spark, de origem sul-coreana, e por uma razão simples. Os carros pequenos nos EUA conquistarão, em 2011, surpreendentes 18% entre os veículos leves, se bem que enquadram Civic e Corolla, por exemplo, nesse segmento.

Por fim, apesar de 15 novas opções de modelos híbridos e elétricos disponíveis este ano, os compradores esfriaram o ânimo. Só se a gasolina subir de preço, a procura aumenta. A apatia pelos híbridos ocorre pelo maior preço (25% mais) e porque novos motores quase empatam em consumo de combustível na estrada. Os alternativos são muito melhores em uso urbano, mas as distâncias percorridas menores atrapalham o retorno financeiro. Poucos sustentam essa carga extra.

RODA VIVA

SEGUNDO a J.D. Powers, serão vendidos 815.000 veículos híbridos e elétricos este ano no mundo, 6% menos do que em 2010. Representam 1,1% do total mundial de 75 milhões de unidades (sem contar os pesados). Em 2012, os elétricos a bateria terão oferta bem maior. Previsão de 27.000 unidades comercializadas em 2012 nos EUA, 0,2% do mercado americano.

VIDA difícil também para híbridos no Brasil, apesar da Toyota anunciar que importará o Prius no próximo ano. A Porsche enviou uma unidade do Cayenne híbrido em 2010. Cerca de 20 jornalistas fizeram aqui rápidas avaliações do modelo, nos últimos 12 meses. Apesar dos elogios, o importador Stuttgart não conseguiu sequer um único interessado por essa opção.

MINI Cooper Countryman (R$ 99.950) se afasta do Mini duas-portas de chassi alongado, fabricado de 1961 a 1969. Não é feito na Inglaterra e sim na Áustria. Transformou-se em crossover, de quatro portas, com espaço interno razoável e mantendo painel, instrumentos e comandos lembrando o original. Motor 1,6 l da versão de entrada (120 cv) não faz jus à grife Cooper.

CONFIRMADA, semana passada, construção da fábrica da JAC, em Camaçari (BA). Dos R$ 900 milhões de investimento, 80% virão de fonte nacional, do empresário e importador da marca chinesa, Sérgio Habib, com capital próprio e empréstimos. Capacidade: 100 mil unidades/ano. De lá sairá, no início de 2014, segunda geração do J3 (hatch e sedã), abaixo de R$ 40 mil.

ALEMANHA segue a Suíça e exige que, três meses após obter a carteira de habilitação definitiva, os jovens voltem a ter aulas práticas com ênfase em direção defensiva. Essa providência diminuiu em 30% os acidentes de trânsito envolvendo os motoristas de primeira viagem, naturalmente com experiência menor ao volante.

sábado, 19 de novembro de 2011

Quer comprar um carro que não precisa de motorista?

Uma família viaja para o sul da França para doar sangue para um familiar. Uma história comum, de vida. Mas um detalhe chama a atenção. É que o carro em que a família está não tem motorista humano: eles usam um piloto automático que os leva até lá em segurança.
New York Times/Reprodução
Não, isto não é realidade. Ainda. É que a Intel (multinacional especializada na fabricação de microprocessadores) convidou cinco autores de ficção científica para participarem do “Projeto Amanhã”, um projeto que usa a imaginação de grandes escritores para pensar como será o nosso futuro.

Que tipo de futuro você gostaria de viver? Está animado com ele? Qual é o seu pedido para o futuro? Foi a resposta para estas e outras questões que Brian David Johnson, futurista da Intel, pediu aos escritores Scarlett Thomas, Markus Heitz, Douglas Rushkoff e Ray Hammond. E o resultado foi esse: histórias que mostram um futuro que não tem nada de impossível. Pelo contrário: está completamente antenado com as pesquisas recentes dos nossos cientistas.

A prova disso é que Cientistas da Universidade de Parma, por exemplo, depois de 12 anos pesquisando, já conseguiram desenvolver automóveis que andam sem motorista. O sistema que criaram usa uma visão tridimensional que vem de sensores externos. O carro “vê”, interpreta o universo à sua volta e determina o melhor caminho. Pode detectar até mesmo pedestres que apareçam de súbito, freando os pneus imediatamente. E câmeras podem reconhecer sinais, placas de trânsito e luzes do carro da frente.

A diferença deste para aquele carro da ficção científica que falamos lá no início é que o atual ainda precisa seguir um carro com motorista de verdade. Só quando o automóvel-guia se afasta, sinais de rádio passam a orientar os sistemas de navegação. É, parece que a realidade está cada vez mais próxima da ficção-científica.

Fonte: Liqui Pneus
Texto desenvolvido por: MOBster – Marketing de Busca

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Alta Roda - Aposta no futuro

A Renault cumpriu a promessa do seu executivo-chefe, Carlos Ghosn, e acaba de colocar à venda, na França e na Espanha, o primeiro sedã elétrico dos tempos modernos. Apresentado no Salão de Frankfurt de 2009, o Fluence Z.E. (emissão zero, em várias línguas) abre uma alternativa em termos de conforto interno para cinco passageiros e certo nível de representação pelo porte do carro. As ofertas até agora se resumiam ao pioneiro minicarro Mitsubishi i-MiEV, seguido pelo hatch médio-compacto Nissan Leaf.
Renault/Divulgação
A aliança Renault-Nissan fez uma aposta alta – US$ 5,5 bilhões – na tração puramente elétrica, sem passagem por híbridos (a marca japonesa tem poucos modelos desse tipo; a francesa, nenhum). O Fluence Z.E. inaugura uma fórmula interessante de comercialização: preço de 25.900 euros (R$ 62.400) igual ao do modelo a diesel, sem a bateria de íons de lítio de 398 V/22 kWh. Uma bateria desse tipo custa mais que o carro. Neste caso, o comprador paga um aluguel à parte de apenas 88 euros (R$ 211) durante 36 meses, incentivo pesado do fabricante. Países europeus acrescentam até 5.000 euros (R$ 12.000) de subsídio direto para número limitado de vendas.

Certos mitos podem ser desconsiderados como efeito memória na bateria ou o uso dos faróis diminuir autonomia. A Renault foi cautelosa ao especificar a autonomia, de 80 a 200 km, dependendo de vários fatores. O tempo de recarga pode ser de 7 ou de 22 horas, em função da instalação e tensão local (220 ou 110 V). Nenhuma emissão de poluentes tóxicos acontece enquanto roda, um alívio para as cidades, onde as distâncias médias diárias percorridas ficam em torno de 50 km e o para-e-anda até ajuda a recarregar a bateria.

Há outro lado da questão, ao considerar o CO2 (principal gás de efeito estufa) na geração de eletricidade. Se for de fonte renovável (hidráulica, eólica) ou de origem nuclear, as emissões ficam em torno do equivalente a 15 g/km, contra 120 g/km de um Fluence movido a combustível fóssil (160 g/km ao incluir o ciclo completo de produção). Porém, na maior parte do mundo a eletricidade vem de usinas térmicas. Assim um elétrico acaba “emitindo” de 180 a 200 g/km de CO2, um complicador.

No teste organizado, entre Lisboa e Cascais (Portugal), o percurso totalizou 86 km. O ímpeto para arrancar dá a sensação de que a potência (95 cv) e o torque (23 kgf•m) são maiores. Apesar de o motor elétrico atingir 8.900 rpm a aceleração de 0 a 100 km/h em 13 s não empolga e a velocidade máxima é travada em 135 km/h a fim de preservar autonomia. O desempenho sofre com o peso da bateria – 280 kg – colocada atrás do encosto do banco traseiro e invade a área de bagagem. Para garantir o espaço restrito de 317 l no porta-malas, o sedã ganhou 13 cm no comprimento o que prejudicou sua harmonia de linhas.

O Fluence Z.E. nada perdeu em dirigibilidade e o silêncio a bordo é impressionante. Ao final do percurso, três quartos da bateria se esgotou, dirigindo em ritmo normal, mas sem passar por autoestradas. Autonomia total seria de uns 120 km. Economia sobre combustíveis líquidos é em torno de 700 euros (R$ 1.700) por ano, ou seja, 30 anos para recuperar o preço da bateria subsidiada aos primeiros proprietários.

O futuro chegou? Nem tanto.

RODA VIVA

PORTUGAL foi escolhido para os lançamentos do Fluence e também do Kangoo Z.E. pelo comprometimento do país com a mobilidade elétrica. Empresa do governo, Mobi.E, desenvolveu sistema unificado de reabastecimento por cartão magnético e aplicativos para gerenciar recarga mais barata. Há 1.350 pontos de recarga, sendo 50 de carga rápida, em 25 cidades portuguesas.

ALÍVIO no crédito, anunciado pelo ministério da Fazenda, ajudará bastante a diminuir os estoques altos. Além da maior oferta de financiamentos longos (até 60 meses), juros também serão menores. Há tendência dos bancos serem menos seletivos, principalmente em prazos menores ou com entrada de 10%. Sem essa ajuda, não se alcançariam as metas de vendas de 2011.

AUMENTO do IPI para marcas importadas, fora do Mercosul e México, continuará além de 2012. Rumores preveem essa política até 2015, pelo menos. Em compensação, cronograma para atingir índice mínimo de nacionalização será flexibilizado para novos fabricantes. Se prazos forem cumpridos, governo estuda diminuir o IPI adicional, menos para os que só importam.

FONTES confirmam que o governo vai mesmo obrigar todas as marcas a aderir ao programa de eficiência energética coordenado pelo Inmetro. Etiquetas com dados sobre consumo de combustível não deverão ser mais unificadas com o de emissões (Selo Verde, do Ibama). No entanto, poderá se exigir o nível de CO2 emitido, sempre proporcional ao consumo.

CORREÇÃO: Tanto na picape Toyota Hilux como no utilitário esporte SW4, o atual motor V-6 a gasolina será substituído por um flexível etanol/gasolina de quatro cilindros em linha, 2,7 litros, 163/158 cv e torque de 25,3 kgfm. Previsão: fevereiro/março de 2012.

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Hyundai/CAOA leva um tapa de luva da Fiat

Se o grupo CAOA agora usar superlativos para valorizar os carros da Hyundai no Brasil, ele agora precisa aguentar, publicamente, o oposto. Não precisar dizer muito, só que a Fiat foi muito esperta a fez o que muitas marcas gostariam de ter feito.
Aproveitando que os comerciais são do Freemont, aproveito para descrever parte de uma conversa que tive com um taxista. Eu estava a bordo de um Meriva táxi quando paramos em um semáforo. Do lado esquero parou um Freemont, e do direito parou um Palio Weekend Adventure Locker. Foi então que o motorista soltou uma pérola:

"Nossa, não sei como a Fiat conseguiu transformar a Weekend nesse 'Frimonty' aqui do lado. Os engenheiros devem ter quebrado a cabeça para fazer a perua crescer". Atônito, eu apenas concordei. Pensei em comentar que o Freemont nada mais é que o Dodge Journey, mas preferi ficar calado.

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Novo Fiat Palio agrada, e muito!

O que dizer do novo Fiat Palio? Que o carro ficou muito legal? Que ele deve vender muito bem? Que mal chegou e já foi eleito o carro do ano 2012 pela revista Autoesporte? Realmente muito já pode ser dito sobre o mais importante (e recente) lançamento da Fiat desde o novo Uno.

Fui conhecer o carro com mais detalhes e pude rodar no 1.0 e dirigir o 1.4 e o 1.6 16V. O Palio com o motor menor me pareceu normal, ou seja, sem grandes novidades. Já o 1.4 8V EVO é interessante. Propulsor e carro se casaram bem, provando que a Fiat é uma das melhores empresas para acertar carros compactos. O câmbio também está bem acertado. Os quase 100 kg a menos em relação ao Punto 1.4 realmente fizeram diferença para o Palio. Ainda assim, ter 10 cv a mais para a motorização 1.4 seriam bem-vindas.
Na versão manual, o Palio 1.6 16V E.TorQ "sobra". Seus 115/117 cv de potência fazem o modelo virar um foguete. Tenho o costume de dirigir um Ford Ka 1.6 a e me diverti muito mais com o Palio Essence 1.6. Seu motor é mais elástico e a suspensão está com bom equilíbrio entre esportividade e conforto, garantindo boa estabilidade.

Olhando por fora, o novo Palio é visivelmente mais moderno que o antigo. Realmente é outro carro, que tem apenas o mesmo nome - escrito com o P do Punto. A dianteira segue a nova tendência de design adotada pela Fiat, que já foi vista no 500. A traseira é bonita, com lanternas verticais - uma mistura de características de vários carros, como o Volvo C30, o Renault Grand Tour e um pouco até do Sandero.
Internamente, o espaço para os ocupantes é maior em relação ao antigo - graças, principalmente, à distância entre-eixos maior. O painel é mais moderno e a ergonomia evoluiu, especialmente por causa do banco mais confortável. O design interno é legal

Preços e versões

Fiat Palio Attractive 1.0 - R$ 30.990
A versão de entrada do novo hatchback vem com para-choques, retrovisores e maçanetas na cor do veículo e inclui em sua lista de série direção hidráulica, pneus verdes, desembaçador temporizado e limpador / lavador traseiro, brake-light, comando interno de abertura do porta-malas e do reservatório de combustível, computador de bordo A e B (com indicadores de distância, consumo médio, consumo instantâneo, autonomia, velocidade média e tempo de percurso), Follow Me Home, relógio digital, iluminação no porta-malas, MyCar Fiat, luz de leitura dianteira com dimmer e interruptores nas portas, console central com porta-objetos e porta-copos (dois dianteiros e um traseiro), bolsas porta-objetos nas portas dianteiras, porta-revistas nos encostos dos bancos dianteiros, porta-luvas inferior e superior (este quando não houver airbag), retrovisores externos com comandos internos mecânicos, para-brisa degradê, banco traseiro rebatível, acabamento do painel com insertmolding, para-sóis com espelho do lado do motorista e do passageiro, alerta de limite de velocidade e manutenção programada e revestimento completo no porta-malas, entre muitos outros itens.
Opcionais: ar-condicionado, volante em couro com seis comandos de rádio, para-brisa térmico, vidros elétricos dianteiros e/ou traseiros, travas elétricas nas portas + trava automática que é acionada a uma velocidade superior a 20 km/h, retrovisores externos com regulagem elétrica,Logo Push (sistema de abertura elétrica do porta-malas), airbag para o motorista, airbag para o passageiro dianteiro, ABS nos freios, sensor crepuscular, sensor de chuva, espelho retrovisor interno eletrocrômico, dois modelos de auto-rádio CD player (um com entrada USB e para iPod), rodas de liga-leve 14”, faróis de neblina, spoiler, chave tipo canivete com telecomando e outros equipamentos de conforto e estilo.

Fiat Palio Attractive 1.4 - R$ 34.290
Além dos itens de série presentes na versão com motor 1.0, a versão com motor 1.4 traz ainda travas elétricas + travamento automático em velocidade acima de 20 km/h, Logo Push, vidros elétricos dianteiros com onetouch e antiesmagamento, iluminação do porta-luvas,volante com regulagem de altura, faróis de neblina, chave canivete com telecomando, alças de segurança traseiras, apoia-pé para o motorista, porta-objetos móvel e porta-óculos.

A lista de opcionais desta versão, tirando os itens acima citados e as rodas de liga leve 15”, é igual à do Fiat Palio Attractive 1.0.
Fiat Palio Essence 1.6 - R$ 37.990
Esta versão incorpora todos os equipamentos de série da versão Attractive 1.4, mais ar-condicionado e detalhes cromados no interior, banco do motorista com regulagem de altura, indicador de temperatura externa, luzes de leitura dianteiras com spot e rodas 5.0 x 15” com pneus 185/60 R15” verdes.

Exceto o ar-condicionado, que já vem de série, os opcionais da versão Essence são idênticos aos oferecidos na Attractive, mais kit de parafusos de roda antifurto nas rodas e sidebags dianteiros.
Fiat Palio Essence 1.6 Dualogic - R$ 40.490
Ele é igual ao Essence mecânico exceto pela adoção, de série, do câmbio Dualogic e cruise control. Entre seus opcionais inclui também a alavanca tipo borboleta para a seleção de marchas.

Fiat Palio Sporting 1.6 - R$ 39.990
Vem com uma variedade de detalhes estéticos que ressaltam a vocação esportiva da versão: aerofólio esportivo preto na traseira, faixas Sporting nas laterais e na tampa traseira, mini-saias laterais esportivas pretas, moldura cromada no para-lama dianteiro, molduras nas caixas de roda, ponteira de escapamento dupla cromada, revestimento externo esportivo nas colunas das portas, spoiler esportivo preto nos para-choques, faróis biparábola com moldura e canhões negros, mais rodas de liga-leve 16” + pneus 195 / 55R16 verdes. Internamente, a versão se distingue por cintos de segurança de cor esportiva, cobertura esportiva dos pedais, soleira interna esportiva nas portas e detalhes em cor esportiva no pomo do câmbio, maçanetas internas e nos aros dos alto-falantes, volante em couro e tapete de carpete com a inscrição Sporting. Além desses itens, esta versão traz também todos os conteúdos de série presentes na versão Essence.
O cliente pode equipar seu Palio Sporting com diversos opcionais: ABS nos freios, sidebags dianteiros, airbag para o motorista e/ou para o passageiro dianteiro, sensor de chuva, sensor crepuscular, retrovisor interno eletrocrômico, kit de parafusos antifurto nas rodas, dois modelos de rádio CD player, vidros elétricos traseiros e comandos do rádio no volante.

Fiat Palio Sporting 1.6 Dualogic - R$ 42.490
 Possui os mesmos itens de série da versão Sporting mecânica, mais câmbio Dualogic e cruise control. Ela oferece os mesmos opcionais da versão Sporting com câmbio mecânico.
Fiat Palio 2012
Comprimento: 3,875 m
Largura: 1,670 m
Altura: 1,504 m
Entre-eixos: 2,420 m
Peso: 999 kg (1.0) / 1.007 kg (1.4) / 1.062 kg (Essence 1.6) / 1.069 kg (Essence 1.6 Dualogic) / 1.090 kg (Sporting) / 1.097 kg (Sporting Dualogic)

Fiat Palio Fire Economy 2012
Comprimento: 3,827 m
Largura: 1,634 m
Altura: 1,433 m
Entre-eixos: 2,373 m
Peso: 920 kg (2p) / 940 kg (4p)
Preços: R$ 25.590 (2p) / R$ 27.440 (4p)

Os valores do novo Fiat estão na média do mercado, o que deve favorecer o Palio. Reparem que a versão Essence 1.6 16V parte dos "clássicos" R$ 37.990 introduzidos pelo Jac J3 para veículos desse porte e categoria. Uma pena que, por este preço, o modelo não ofereça airbag duplo e ABS de série. Com estes dois itens, o valor sobe para R$ 39.740. Ainda assim, o Palio deve vender muito bem, obrigado.
Fotos: Fiat/Divulgação

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Alta Roda - Automóveis mais amplos

Houve um tempo em que o total de fabricantes aqui instalados tinha um lançamento a cada dois anos. Agora, podem surgir dois modelos inteiramente novos na mesma semana. Aliás, separados por 24 horas: Chevrolet Cobalt e novo Fiat Palio.
Fiat/Divulgação
A fábrica de Betim (MG) mudou bastante um carro que, em 15 anos, apresentou mais baixos do que altos, apesar de 2,5 milhões de unidades vendidas. Mais de 3.200 componentes novos, interior totalmente refeito com maior espaço para todos os passageiros (volume interno quase 10% maior), estilo harmonioso, mais equipado e preço muito competitivo, partindo de R$ 30.990, ou seja, sem reajuste na versão de entrada. Aumentando a distância entre-eixos em 5 cm, a altura em 6 cm e a largura em 3 cm a Fiat tem como alvo preferencial, entre vários, o Fox com seu perfil alto. Só o volume do porta-malas se manteve: 290 litros.

Estratégia de oferecer três motores (1,0/75 cv; 1,4/88 cv e 1,6/117 cv), três versões de acabamento (Attractive, Essence e Sporting), além de manter o Palio Fire (sem mudanças desde 2003), demonstra que a amplitude do ataque será grande. Attractive 1,4, a partir de R$ 34.290 e adicionando vários opcionais, fica mais caro apenas que o atual preço do chinês J3 (R$ 37.990), sem o reajuste do IPI adiado para dezembro próximo.

Com 1.007 kg de peso, motor 1,4 fica justo, mas sua potência específica não se destaca. Motor menor é fraco para o carro, ao contrário do 1,6, só alegria (Sporting tem diferencial mais curto, só que a diferença pouco se nota por ser mais equipado e de maior massa). Suspensões, agora, estão sutilmente mais firmes, subindo um degrau em dirigibilidade. Pontos fracos: ausência de lanterna traseira de neblina e diâmetro pequeno de velocímetro e conta-giros.
Chevrolet/Divulgação
Com o sedã Cobalt a Chevrolet embarcou no conceito cheap space (tradução livre: mais espaço, preço menor). Pioneiro foi o Renault Logan, seguido pelo Nissan Versa. E o grande apelo do novo carro é justamente esse: 2,62 m de entre-eixos (só um cm menos que o Logan) e 1,74 m de largura (igual ao romeno), o que permite volume interno 7% maior que Astra sedã e 4% que o último Vectra. Porta-malas surpreende: 563 litros, maior que muitos modelos grandes. Dimensões de segmento C, porém ao preço de B, pois começa em R$ 39.980 (LT) e chega a R$ 45.980,00 (LTZ).

Para operar esse “milagre” torna-se necessário partir de nova arquitetura simplificada e flexível. Cobalt, embora desenhado e desenvolvido no Brasil, baseia-se no projeto Aveo/Sonic de origem sul-coreana. O carro será vendido em 40 países cujo poder aquisitivo afasta-se de Europa Ocidental, EUA e Japão. Abrir portas amplas e verificar que motorista e acompanhante têm liberdade de movimentos é bem agradável. Atrás, ótimo espaço para as pernas. Suspensões muito bem acertadas se destacam. Motor 1.4/102 cv vai bem, porém insuficiente quando totalmente carregado. Melhorou o manuseio da caixa manual. Em abril do próximo ano virá motor 1.8/114 cv e câmbio automático 6-marchas.

Estilo não é seu ponto forte, porém menos polêmico que o Agile. A favor, painel, quadro de instrumentos e volante. Aspectos negativos: visibilidade traseira em razão da tampa alta do porta-malas e estepe de uso temporário (explica, em parte, o volume útil para bagagem).

RODA VIVA

TANTO Anfavea como Fenabrave mantêm a previsão de 2011 fechar com 3,69 milhões de unidades comercializadas, incluindo caminhões e ônibus. Não se assustam com os 40 dias de estoque (normal, 30). Atribuem o tropeço em outubro (menos 10% em relação a setembro) ao menor número de dias úteis, ao noticiário econômico negativo e ao imbróglio do IPI.

TOYOTA deu uma arrumada no visual de sua linha Hilux de picapes médias a diesel, lançada como ano-modelo 2012. Nada de profundo, mas o resultado alcançado é razoável. No interior, menos mudanças. Destaque para tela de LCD no centro do painel, mas, estranhamente, não há opção de navegador GPS. Na parte mecânica, a única novidade ficou para abril próximo: motor V-6 flex de 163 cv, no lugar do atual a gasolina. Preços de R$ 85.690 (cabine simples) a R$ 141.920 (cabine dupla).

UTILITÁRIO esporte SW4 recebeu as mesmas modificações estéticas da Hilux. Molduras dos para-lamas mais encorpados têm estética melhor no SUV. Passa a oferecer, de novo, opção de cinco e sete lugares. Dirigibilidade é melhor que na picape e inclui, como esta, controle de trajetória (ESC). Interior sente o peso dos anos. Nível de ruído podia melhorar se o câmbio automático tivesse mais de quatro marchas. Custa R$ 170.400, mais R$ 4.500, com sete lugares. Gasolina: R$ 157.000.

BEM que a Fiat queria. Acabou desistindo de tentar enquadrar os produtos Chrysler vindos do México (crossover Journey e picape pesada Ram) sem o aumento de 30 pontos percentuais no IPI. As duas empresas formam um mesmo grupo. Entretanto, a marca americana, apesar de duas tentativas anteriores, não possui nenhuma atividade fabril no Brasil. Por enquanto...