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quinta-feira, 29 de março de 2012

Alta Roda - Grande no bom sentido

Não é à toa que a Fiat consegue, em ambiente de alta concorrência entre marcas de todas as origens, sustentar liderança de vendas entre automóveis e comerciais leves. O novo Grand Siena chegou, entre outros objetivos, para fortalecer as marca no segmento específico de automóveis, em que tem posição algo frágil em relação à Volkswagen e à GM. A empresa italiana, no Brasil, conta com a força da picape Strada para se manter no topo dos segmentos somados, mas isso poderia não ser suficiente no futuro.
Fotos: Fiat/Divulgação
Um dos méritos do Grand Siena é ter-se desvinculado da imagem de versão de três volumes do Palio, que mantinha desde a primeira geração, de1997. O chassi se baseia no do novo Palio, mas com amplas modificações em dimensões externas, bitolas e até do eixo traseiro com elementos do Punto. Preços vão de R$ 38.710 a R$ 52.137, essa incluindo o câmbio robotizado.

Trata-se agora de um sedã compacto anabolizado (no bom sentido) da mesma cepa do Cobalt, do Versa e de certo modo do Logan, este investindo mais no fator preço. O modelo da Fiat cresceu 14 cm tanto no entre-eixos como no comprimento total, aproximadamente. Isso permitiu apor uma terceira janela na coluna traseira sem parecer algo forçado, além de obviamente melhorar o espaço para as pernas no banco traseiro. Nesse quesito, porém, ainda perde para o Cobalt.
O carro segue a tendência atual de vincos laterais alinhados às maçanetas. A grade dianteira não é muito inspirada (inclusive pelo exagerado aplique cromado na versão de topo Essence), mas o desenho do spoiler, sim. Traseira muito bem resolvida continua sem lanterna de neblina. Quando equipado com rodas de aro de 16 pol, o estepe tem limitação de uso a recomendados 80 km/h. Porta-malas cresceu de 500 para 520 litros.

Motores de 1,4 l/88 cv e 1,6l/117 cv não são novidades. O de 1,0 l ficou restrito ao Siena EL de carroceria antiga e preço agora reduzido em pouco mais de R$ 1.000, pois a direção assistida se tornou opcional. Destaques do Grand Siena: nítida evolução em dirigibilidade, comportamento em curvas e evolução do câmbio automatizado. Sem dúvida haverá influência negativa nas vendas do Linea que, na verdade, nunca decolaram pelo posicionamento errado de mercado.

Entre pontos fracos estão a regulagem de altura do banco só na versão mais cara, o que também ocorre no controle de cruzeiro restrito ao câmbio automatizado. Regulagem elétrica dos espelhos externos junto à coluna dianteira só não incomoda quem possui braços desproporcionalmente longos. Faltam luzes laterais repetidoras nas carcaças dos espelhos.
Assunto no lançamento do Grand Siena foi a produção brasileira do sedã médio-compacto Dodge Dart, à venda nos EUA em meados do ano. A Fiat constrói uma fábrica nova em Goiana (PE) e, conforme a coluna antecipou, primeiro produto não será o subcompacto para suceder o Mille. Italianos optaram por um utilitário esporte pequeno para enfrentar EcoSport, Duster e outros futuros rivais. A necessária versão Fiat do Dart, escolhida para o Brasil, seguirá diretrizes (não iguais) do mesmo carro a se produzir na China, com apresentação em abril no Salão de Pequim, e nome de Viaggio.

RODA VIVA

SEDÃ médio-compacto da JAC, o J5 aposta na relação preço-benefício. Mas nesse segmento o apelo é relativo. O modelo chinês não oferece câmbio automático, previsto para 2013. Ao preço de R$ 53.880, exige adicionais para banco de couro e rodas de 17 pol. Aspecto externo é seu ponto alto, seguido por interior espaçoso e bom porta-malas de 460 litros.

MOTOR do J5, em alumínio, tem bons 125 cv. Porém, como a cilindrada é de apenas 1,5 l, torque se limita a 15,5 kgf•m, desvantajoso em relação aos rivais. Assistência hidráulica deixa a direção algo imprecisa em estrada. Suspensão é firme e um pouco ruidosa. No interior fica nítido: um carro simples que recebeu toques artificiais de sofisticação.

MINI Roadster comprova a estratégia positiva de diversificar ao máximo a linha da marca inglesa do Grupo BMW. Apesar de conversíveis terem baixa atratividade no Brasil, o modelo destaca-se pela oferta de motor turbo de 184 cv, na versão Cooper S. Faixa de preço de R$ 132.900 a R$ 144.950, com capota de lona de abertura manual. Adiante, abertura elétrica.

CENTRO de Psicologia Aplicada ao Trânsito (Cepat), de Salomão Rabinovich, em São Paulo, lançou programa de prevenção de acidentes e mortes no trânsito. “É preciso muito respeito para convivência entre pedestres, bicicletas, motocicletas, automóveis e caminhões. Toda a sociedade é vítima, quadro agravado por consumo de álcool, drogas e doenças do sono.”

SEGUNDA família de pneus Michelin, de alta eficiência na diminuição de consumo de combustível, demonstra que os fabricantes do setor estão engajados nesse objetivo. O Energy XM2 acrescentou mais uma característica, resistência a impactos, que no caso do Brasil é um verdadeiro flagelo com obstáculos físicos (buracos) e criados (lombadas) de toda ordem.

quinta-feira, 1 de março de 2012

Alta Roda - Respeito verdadeiro

O Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro) publicou a quarta edição de seu Programa Brasileiro de Etiquetagem Veicular (PBEV) para avaliar o consumo de combustível. Ao considerar as várias omissões do governo federal em termos de controle da frota circulante, falta de inspeção técnica de segurança e estabelecimento de um verdadeiro programa de avaliação de veículos novos, com normas específicas para o país, que incluísse um centro de testes de colisão contra barreira, a iniciativa do Inmetro em colaboração com outros órgãos e ministérios é vitoriosa.
Fiat/Divulgação
O programa ainda contém imperfeições, entre elas a classificação de subcompacto, compacto, médio, grande, utilitário esporte, fora de estrada, minivan, comercial e carga derivado (de autos). Mas essa, de fato, não é missão fácil ao considerar a área projetada no solo, enquanto surgem modelos difíceis de classificar hoje em dia. Manter a adesão voluntária por parte dos fabricantes merece crítica, apesar de os 105 modelos avaliados (quase 60% mais sobre 2011) responderem agora por 55% das vendas totais. A partir de 15 de abril, no entanto, a etiqueta precisará estar nos carros participantes exibidos nas lojas, a exemplo de outros países. Deveria ser obrigatório também nos manuais.

Entre os que mais respeitam os consumidores, quanto à informação fundamental, estão Fiat, Ford, Honda, Kia, Peugeot, Renault, Toyota e Volkswagen. Outras 40 marcas à venda continuam se escondendo, mesmo que a norma NBR 7024, baseada em parâmetros dos EUA, tenha sofrido, lá como aqui, uma correção para se aproximar do modo normal de utilização por 80% dos motoristas. A desculpa comum é o conflito entre medições de laboratório (necessárias pela repetibilidade) e uso real que, às vezes, pode parar na Justiça. Porém, faz parte dos riscos do negócio.

Se todos os veículos se enquadrassem no PBEV, se evitariam algumas distorções ainda observadas. Carros da Peugeot, por exemplo, que ainda nem estão à venda, como o 508, aparecem na lista, enquanto o 408 está de fora. A outra marca do grupo, a Citroën, também está de fora.

Modelos que conquistaram a nota máxima (A) do PBVE/2012, na classificação de tamanho citada acima: Mille Fire Economy (1,0) e Uno Economy (1,4); Siena Fire (1,0), Fit (1,4), Sandero (1,0), Gol G4 Ecomotion (1,0) e Polo Bluemotion (1,6); Logan (1,0); Fusion Hybrid (2,5), Civic (1,8), Fluence (2,0) e Corolla (1,8). Nenhum utilitário esporte recebeu nota A, incluindo os pseudo-modelos “aventureiros”. Único minivan, Doblò (1,8), também não. Duster 4x4 (2,0), Kangoo Express (1,6) e Saveiro (1,6) completam o ranking.

Alguns modelos, normalmente mais caros, são avaliados com e sem ar-condicionado ligado, além da possibilidade de utilizar caixa de câmbio manual ou automática. Assim, é preciso analisar com atenção para fazer a escolha correta. Todos os dados aparecem em http://www.inmetro.gov.br/consumidor/pbe/veiculos_leves_2012.pdf.

Ainda não foi agora que consumo e emissões de gases (chamada de Nota Verde, do Ibama) aparecem em uma única classificação. Existe uma portaria conjunta assinada. Por enquanto, de prático, só a intenção.

RODA VIVA

RUMORES dão conta de acordo entre GM (Opel) e PSA Peugeot Citroën para enfrentar dificuldades crescentes do mercado europeu. É possível que o grupo americano adquira 7% do capital do francês. Meta: administrar capacidade instalada, compras e pesquisa/desenvolvimento. Com esse movimento, operações da Fiat na Europa ficariam sob enorme pressão.

FORD não confirma, mas parece decidido que futuro novo Fiesta será fabricado mesmo em São Bernardo do Campo (SP). Na fábrica de Camaçari (BA), maior e mais moderna, ficarão EcoSport e novo Ka, que será o carro-chefe em volume de vendas da companhia. Daí a decisão de instalar na Bahia a fábrica de motores de três cilindros e a sua versão EcoBoost (turbo).
Volkswagen/Divulgação
TIGUAN (R$ 115.650) mostra um dos melhores conjuntos para quem gosta de SUVs mais “civilizados” em termos de porte e dirigibilidade. Motor TFSI de 200 cv (turbo) e câmbio automático de seis marchas servem com folga a esse 4X4 de 4,43 m de comprimento, adequado ao uso urbano. Muito útil o freio de estacionamento automático no para-e-anda do trânsito.

EMPRESA canadense Argo se prepara para lançar no Brasil em abril o seu anfíbio 750 HDi. Trata-se de um pequeno veículo de trabalho, tração 8x8 e capaz de levar até seis pessoas, incluído o condutor. Destaques são versatilidade e capacidade de enfrentar qualquer terreno, mesmo com motor de baixa cilindrada. Pormenores: http://www.argoatv.com/.

MICHELIN E GOODYEAR estão juntas na pesquisa para produção de pneus a partir do açúcar como matéria-prima. Empresa de biotecnologia Genencor, parceira do projeto, desenvolve micróbios selecionados para obter isopreno, o derivado de petróleo usado na obtenção de borracha sintética. Ainda são necessários de três a cinco anos para comprovação de viabilidade.

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Alta Roda - Perigo à frente

Uma das causas insidiosas de acidentes é a perda de controle do carro por mudança súbita de aderência do asfalto. Isso acontece em razão de fatores da natureza como chuva, garoa, gelo ou neve. O fenômeno de aquaplaning é um exemplo: o filme de água se forma entre a estrada e os pneus, e estes não conseguem manter o atrito com o solo. Se atingir os quatro pneus, o veículo se transforma num trenó sem controle. Com as chuvas de verão, a atenção deve ser redobrada.

Nos países com invernos rigorosos esse problema se superpõe a outro ainda mais traiçoeiro. Uma fina camada de gelo, praticamente invisível, pode se formar na estrada em dias muito frios, mesmo sem presença de neve. Quando o automóvel passa sobre essa superfície, até em velocidades baixas, não há mais o que fazer, além de rezar.

A fim de enfrentar essas armadilhas do tempo a alemã Continental e outros parceiros europeus se uniram num programa de pesquisas avançada sobre atrito pneus-solo. O objetivo é fornecer ao motorista um sistema confiável de alerta prévio sobre as condições de baixa aderência. O segredo está na fusão e processamento de informações de diferentes sensores de comportamento dinâmico, tanto os novos como os já existentes nos carros modernos.

Um destes novos sensores inteligentes está integrado aos pneus e mede a deformação da banda de rodagem. Por meio dele é possível informar ao gerenciamento eletrônico central o estágio inicial de aquaplaning. Outro é o sensor ótico capaz de avaliar a quantidade de luz refletida no pavimento, diferente em pista seca, úmida, molhada ou com camada de gelo. O alcance se situa entre 0,4 m e 1,5 m à frente das rodas dianteiras.
Uma câmara de polarização detecta as diferenças na vertical e na horizontal causadas pelas condições da superfície de rodagem de 5 m a 20 m à frente do veículo. Um escâner a laser, por sua vez, checa pingos de chuva ou flocos de neve numa faixa de 50 m a 100 m adiante.

Mais duas informações são obtidas por termômetros: temperatura do meio ambiente e da superfície de rodagem. Os sensores do ABS (freios antibloqueio) e ESC (controle de trajetória) também ajudam pela sensibilidade de estimar diferença de atrito entre as rodas e a estrada.

Computando todos esses dados, pode-se contrapor a leitura dos termômetros com as indicações dos sensores ambientais. Em décimos de segundo o sistema vai indicar que há uma ameaça potencial à perda de atrito dos pneus, dando possibilidade de reação ao motorista, que deve aliviar o acelerador ou frear em tempo de se safar de uma grave e repentina derrapagem.

Entrar na zona de superfície escorregadia com velocidade menor também ajuda os sistemas atuais de evitar ou mitigar colisões a atuar de forma mais eficiente sob condições ambientais adversas.

O modo de informar ao motorista sob esses riscos ainda está sendo estudado, mas é a parte mais fácil das pesquisas. Hoje há vários tipos de indicadores visuais disponíveis no quadro de instrumentos, além de alarmes acústicos, voz sintetizada de advertência e até alertas vibratórios no volante ou no banco. Projeção de ícones ou frases no para-brisa também é uma tecnologia dominada e tem a vantagem de manter o motorista sem desviar os olhos da estrada.

Fotos: Continental\Divulgação

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Papo Ligeiro - Os novos pneus Pirelli

Em 2011, a Pirelli regressou à Fórmula-1 após 20 temporadas com uma missão curiosa: tornar a vida útil dos pneus da categoria mais curta que em anos anteriores. Com essa proposta, a Federação Internacional do Automóvel (FIA) pretendia que eventuais disparidades em estratégias e entre os níveis de desgastes dos compostos dos carros durante as corridas facilitassem ultrapassagens. Somada, claro, a adoção da asa móvel e ao regresso do KERS. E o resultado desse “kit ultrapassagem” foi bastante positivo: nada menos que 1486 adiantamentos em 19 Grandes Prêmios. Marca 2,7 vezes maior à registrada em 2010.

De fato, a Pirelli fez bem a lição de casa conferida pela FIA. O desgaste dos rodantes da fábrica milanesa foram maiores que os presentes nos antecessores Bridgestone, algo que rendeu um alto número de pit stops ao longo do campeonato passado. Mais precisamente 1086 – média de 2,38 por corrida a cada competidor. Na Hungria, em agosto, foram 85 pits. Recorde em um Grande Prêmio de Fórmula-1. Mas vale ressaltar que a prova húngara foi disputada sob chuva. Com pista seca, entretanto, os GPs com mais paradas não ficaram muito longe da marca obtida em Hungaroring. Na Turquia, foram 80 pits; na Espanha, 77.

Mas se a Pirelli acertou a mão na produção dos rodantes no quesito durabilidade, variações de estratégias de corrida estiveram longe de ser uma característica em 2011. Culpa da significativa diferença por volta entre os tipos de pneus. Em algumas etapas, tal distância chegou a 1s5. Com isso, grande parte dos primeiros colocados nas provas apostava em táticas semelhantes. Um dos poucos a sair dos padrões, aliás, costumava ser Jenson Button. Dono de uma pilotagem suave, o inglês economiza pneus e dava à McLaren a opção de postergar suas paradas de boxes. Ou, em alguns Grandes Prêmios, até mesmo apostar em um pit stop a menos que os principais adversários.
Para evitar a repetição dessa similaridade nas táticas de prova, os pneus italianos ao próximo campeonato terão uma abordagem ainda mais agressiva que os de 2011. Três dos quatro compostos disponíveis para 2012 sofreram alterações em suas formações. A borracha usada nos pneus tipos macio, médio e duro é mais mole que a de seus antecessores. Apenas o supermacio segue igual ao do ano passado. Um dos principais objetivos da Pirelli com tal manobra é reduzir a distância entre o rendimento dos compostos, algo que poderá conceder mais opções de estratégias de pit stops às equipes durante as corridas.

Paul Hembery, diretor-esportivo da Pirelli, já garantiu que a disparidade entre os atuais pneus é de apenas um segundo. Conforme o dirigente, a meta é derrubá-la para 0s8 ao longo da temporada. Aliás, para se ter uma ideia, os atuais pneus duros já estariam até mais velozes que os médios do campeonato passado.

Em conta a alteração nos compostos italianos – além da duplicidade da zona de acionamento do DRS durante as provas, não é absurdo algum crer que a temporada 2012 reservará mais disputas e ultrapassagens nas corridas que em 2011. Mas é aquela velha história... Devemos esperar pelos resultados na boa e velha prática.

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Alta Roda - Ocupando espaços

Uma notícia no começo deste mês, vinda dos EUA, chamou a atenção sobre as interpretações conflitantes e certos interesses envolvidos nos vários programas de avaliação de segurança de carros novos (NCAP, em inglês) em torno do mundo. A Fiat gastou cerca de US$ 500 milhões (quase o investimento em um produto novo) para adaptar o subcompacto 500 às leis de segurança dos EUA, diferentes da Europa. Um automóvel muito pequeno tem grande dificuldade em atingir nota máxima, tanto que possui sete airbags, sendo uma bolsa inflável para joelho do motorista (retirada da versão exportada do México para o Brasil).
O teste oficial é feito por entidade do governo americano e o 500 alcançou apenas três estrelas, de cinco possíveis. Outra avaliação, do instituto ligado às seguradoras, aprovou o modelo com nota máxima. Marcus Romaro, engenheiro especialista independente, confirma: “Programas de segurança passiva ao redor do mundo diferem significativamente entre si, seja nas configurações dos testes, nas medições de lesões nos dummies (bonecos instrumentados) e quanto à ponderação da pontuação”.

Isso leva, de novo, à discussão dos procedimentos da organização não governamental (ONG) Latin NCAP, que se baseia, parcialmente, em critérios do EuroNCAP. Os objetivos de estimular a redução das consequências de acidentes são nobres, mas esbarra em contradições e na vontade velada de favorecer os métodos da entidade. A começar pela velocidade do choque contra barreira física. A Organização das Nações Unidas, considerando diferenças de poder aquisitivo dos mercados internos entre estados-membros, preconiza 56 km/h. No Euro/Latin NCAP, a velocidade é de 64 km/h. Pode parecer pouco, porém muda bastante os resultados. No China NCAP (do governo) – adivinhe – são 56 km/h...
No Brasil, testes contra barreiras são executados desde os anos 1970, sem dummies. Faz três anos, o Contran introduziu um cronograma percentual e anual de itens de segurança. A partir de 1º de janeiro 2013, 100% de carros de projetos novos, nacionais ou importados, terão airbags duplos e ABS. E um ano depois, todos, sem exceção.

Por isso, não faz sentido o Latin NCAP avaliar veículos iguais, com e sem airbags, como se aqui só existissem tolos e alienados. Quando seus testes começaram, de forma oficial, em 2010 já havia uma lei em curso. Se a entidade estivesse de fato preocupada em demonstrar como as pessoas devem olhar os recursos de segurança, poderia providenciar um teste simplório. Um dummie do passageiro, por exemplo, sem usar o cinto de segurança e “protegido” apenas por bolsa inflável. Apagaria, de vez, sensações errôneas de que o cinto de segurança é menos importante que o airbag.

O Latin NCAP, na realidade, veio ocupar espaço por essas bandas, onde governos lenientes nem ao menos exigem inspeções veiculares de segurança, preconizadas (por acaso) pelo Código de Trânsito Brasileiro, de alcance maior que um par de airbags. Na Europa, com poder aquisitivo muito maior, é bem raro um modelo não conseguir cinco estrelas (os de pequeno porte e mais baratos, às vezes, levam notas menores). Então, o “mercado” para esse tipo de ONG, cheia de boas intenções, tornou-se menos apetitoso no Velho Continente.

RODA VIVA

DEPOIS de ganhar liminar de um juiz de Brasília, isentando-o de recolher o IPI majorado sobre veículos importados, Grupo Hyundai-CAOA preferiu esperar o julgamento da ação. Além de possuir estoques que permitem manter, por ora, os preços, preferiu diminuir riscos de eventual derrota, que forçaria recolher imposto com multa.

MENOS de seis meses e a PSA Peugeot Citroën substituirá todos os motores flex de 1,6 litro pelo novo EC5, primeiro (em grande série) a eliminar gasolina na partida a frio com etanol. Aumentou a taxa de compressão e há variador de fase do comando de válvulas. Potência de 122 cv (6% maior que com gasolina) indica que este é um dos raros verdadeiramente flex...

APESAR do recall recente e atrasos na produção, sedã Cobalt tem espaço de médio a preço de compacto (R$ 39.980 a 45.980), ou seja, fórmula atraente. Motor atual, 1,4 litro/102 cv, funciona com suavidade, mas falta o torque de um bom 1,6 litro. Suspensões e manuseio do câmbio são outros destaques. Bancos dianteiros, de assento estreito, destoam do conjunto.

PROJETO de lei 5.979, proposto para regulamentar a inspeção técnica veicular em todo o Brasil, completou, no último dia 18, dez anos de esquecimento em uma gaveta da Câmara dos Deputados, em Brasília. Não existe vontade política de diminuir acidentes trágicos causadas por veículos sem condições de circular. Como seus donos votam, fica o “impasse”.

BRIDGESTONE avançou rumo ao pneumático do futuro. Na realidade, como trabalhará sem ar, até o nome da peça, que se confunde com a roda, deveria ser mudado. Ainda não há data para essa revolução. Michelin apresentou há quatro anos um protótipo com iguais características. Agora é ver quem ganha a corrida tecnológica.

sábado, 19 de novembro de 2011

Quer comprar um carro que não precisa de motorista?

Uma família viaja para o sul da França para doar sangue para um familiar. Uma história comum, de vida. Mas um detalhe chama a atenção. É que o carro em que a família está não tem motorista humano: eles usam um piloto automático que os leva até lá em segurança.
New York Times/Reprodução
Não, isto não é realidade. Ainda. É que a Intel (multinacional especializada na fabricação de microprocessadores) convidou cinco autores de ficção científica para participarem do “Projeto Amanhã”, um projeto que usa a imaginação de grandes escritores para pensar como será o nosso futuro.

Que tipo de futuro você gostaria de viver? Está animado com ele? Qual é o seu pedido para o futuro? Foi a resposta para estas e outras questões que Brian David Johnson, futurista da Intel, pediu aos escritores Scarlett Thomas, Markus Heitz, Douglas Rushkoff e Ray Hammond. E o resultado foi esse: histórias que mostram um futuro que não tem nada de impossível. Pelo contrário: está completamente antenado com as pesquisas recentes dos nossos cientistas.

A prova disso é que Cientistas da Universidade de Parma, por exemplo, depois de 12 anos pesquisando, já conseguiram desenvolver automóveis que andam sem motorista. O sistema que criaram usa uma visão tridimensional que vem de sensores externos. O carro “vê”, interpreta o universo à sua volta e determina o melhor caminho. Pode detectar até mesmo pedestres que apareçam de súbito, freando os pneus imediatamente. E câmeras podem reconhecer sinais, placas de trânsito e luzes do carro da frente.

A diferença deste para aquele carro da ficção científica que falamos lá no início é que o atual ainda precisa seguir um carro com motorista de verdade. Só quando o automóvel-guia se afasta, sinais de rádio passam a orientar os sistemas de navegação. É, parece que a realidade está cada vez mais próxima da ficção-científica.

Fonte: Liqui Pneus
Texto desenvolvido por: MOBster – Marketing de Busca

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Conheça as luzes de aviso de seu carro

As luzes do painel de seu carro são muito importantes para sua segurança. Conheça o significado de cada luz de aviso para que o condutor possa identificar o problema o mais rápido possível.
FordHP/Divulgação
No painel de instrumentos do veículo, encontramos diversas luzes que, quando acesas, alertam sobre o mau funcionamento de algum mecanismo. Quando o condutor estiver com o carro em movimento e alguma luz acender, o correto é parar o veículo imediatamente e levá-lo à oficina mais próxima para ser feita uma vistoria completa. Só assim o problema será identificado. Se o condutor resolver seguir com o carro, mesmo com a luz de aviso piscando, um problema pequeno pode acabar se tornando um problemão. É necessário ter bastante calma e responsabilidade perante esse tipo de situação, pois interfere diretamente na sua segurança.

As principais luzes de aviso são:

A luz da temperatura
Quando esta luz se acende, o que se espera é que o condutor pare o veículo imediatamente, pois a origem deste problema pode ser uma falha no sistema de arrefecimento. Ao continuar utilizando a marcha do carro, os resultados podem se tornar trágicos, como por exemplo, um superaquecimento do motor com grandes riscos de explosão.

O condutor precisa urgentemente encostar o carro na estrada e desligar o motor. Neste caso, nunca se deve tentar abrir o radiador, pois a água e os vapores podem causar queimaduras graves. A melhor opção é aguardar o reboque.

A luz do alternador
Esta luz acesa no painel de instrumentos do veículo remete a ideia de um alerta para que o condutor saiba que o sistema de carga não está funcionando corretamente, sem conseguir suprir as necessidades elétricas e nem manter a bateria do veículo. O condutor pode seguir com o carro, mas não por muito tempo, pois mais cedo ou mais tarde a bateria e, por consequência, o motor irão descarregar.

A luz da pressão do oleo
Esta luz de aviso, quando acesa, possui dois significados:

. O motor está com a pressão do óleo bastante baixa, aumentando o consumo de combustível.
. A unidade responsável por controlar a pressão do óleo sofre danificações, deixando o condutor vulnerável, sem saber se o carro será afetado por outro problema.

No momento em que esta luz se acende, o condutor deve parar o veículo e esperar que o motor esfrie para conferir o nível de óleo. A maneira correta para conferir o nível de oleo é pela manhã, antes de utilizar o automóvel, pois o motor estará completamente frio.

Se a luz de óleo estiver piscando e o condutor decidir seguir com o carro, a consequência não será agradável, pois o motor poderá ser atingido, sendo necessária a sua troca. E isto não cai bem no bolso de ninguém.

Outras luzes importantes
No painel de instrumentos do veículo, todas as luzes assumem um papel de suma importância para o condutor. Somando-se às já mencionadas, encontramos também a luz que alerta sobre a falta de combustível, a de aviso da bateria, do ABS, a que alerta sobre as baixas pressões dos pneus, a de aviso do cinto de segurança, a que alerta quando alguma porta está aberta, a de faróis ligados, a dos piscas, a do freio de mão, a do piloto automático, entre outras.

Conhecendo todas as luzes de aviso de seu automóvel, o condutor consegue sempre encontrar a melhor solução caso algum problema apareça, garantindo sempre o conforto e a segurança de todos.

Texto e informações: Web Pneu

terça-feira, 16 de agosto de 2011

Honda se posiciona sobre os roubos do estepe do Civic

Linhda 2011/2011 do New Civic não tem mais o modo "conforto"
Depois do post que publiquei sobre os roubos do estepe do New Civic, a Honda entrou em contato comigo para se posicionar e para fazer alguns esclarecimentos. Fiquei satisfeito com o retorno da marca e agradeço ao Eber do Notícias Automotivas pelo apoio.

De acordo com a Honda, o problema efetou as unidades produzidas até 2010 (até mesmo as da linha 2011) por causa da função "conforto" do alarme. Esta função permite que o porta-malas seja aberto usando a chave sem que o alarme dispare. Entretanto, é exatamente isso que faz com que o alarme não dispare caso a fechadura seja violada pelo assaltante.

Conforme me enviou a Honda, "o sistema antifurto foi concebido para minimizar a possibilidade de furto do automóvel, através do acionamento da buzina. Porém, ações de vandalismo, ou seja, quebra do cilindro da porta malas com consequente roubo do estepe, fogem do controle do fabricante. Pode ocorrer de o alarme disparar e o proprietário não notar, por não estar próximo ao veículo no momento do disparo. Após o furto, como o porta-malas é fechado novamente, o alarme pára e volta a monitorar. Caso haja nova violação, o alarme volta a disparar a buzina. Desta forma, é possível o proprietário retornar ao veículo e não perceber que o alarme disparou, tendo objetos furtados no interior do porta-malas."

Funcionamento do sistema: ao acionar o sistema de alarme do New Civic, este irá monitorar capô, portas e porta malas. Conforme manual do proprietário, a abertura de qualquer uma das portas ou do porta-malas (sem o uso da chave ou controle remoto), ou do capô poderá acionar o alarme.

Trava da Access: Quanto à trava antifurto, o equipamento é um acessório (portanto item opcional) comercializado pela Honda Access, que pode reforçar a segurança em situações em que o motorista deixa seu veículo com a chave principal com um terceiro.

Mudança do sistema a partir de 2011: Nos modelos 2011 o sistema de "conforto" foi desativado e o alarme só pode ser desligado pelo controle remoto.  Assim como qualquer item do veículo, o sistema de alarme recebeu atualizações e melhorias, o que não significa que as alterações são decorrentes das ocorrências relatadas. Lembramos que nenhum sistema antifurto tem 100% de eficácia diante da variedade e novos meios de vandalismo aplicados.

O contato da Honda mostra que a marca está atenta ao problema, o que passa tranquilidade aos proprietários do modelo. A linha 2011/2011 está mais preparada para "enfrentar" as ruas, mas e os outros milhares de New Civic vendidos até 2010/2011, como ficam?

Fiz essa pergunta para a Honda, imaginando que bastaria aos donos do sedã passarem na concessionária para desligarem o modo "conforto" do alarme. Mas, infelizmente, não é bem assim. Por questões de segurança, não revelarei o que é feito tecnicamente, mas digo que o procedimento não é tão simples.

Então, conforme me informaram, a Honda estudará cada caso de acordo com a necessidade do cliente. Basta que ele entre em contato com o SAC da marca para ver o que é possível fazer.
(foto: Honda/Divulgação)

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Honda continua sem fazer nada sobre os roubos do estepe do Civic

Se não bastasse os carros da Honda deixarem a desejar na lista de equipamentos de conforto e tecnologia para os ocupantes, um problema que afeta os donos do Civic há algum tempo continua acontecendo, sem que a marca japonesa tome qualquer atitude: roubo do estepe. E olha que ele nem fica do lado de fora!

Recebi um e-mail do internauta José relatando que o porta-malas do seu Civic LXS já foi arrombado duas vezes, o que resultou no roubo de dois estepes, um netbook e das ferramentas do veículo. Segundo seu relato, ao forçarem a fechadura, os bandidos abrem o porta-malas sem que o alarme dispare. Um completo absurdo!
Era uma vez (mais) um estepe do Honda Civic
Parece uma variação de um tipo semelhante de arrombamento que ainda acontece, embora não seja mais tão "famoso". Os ladrões cortam o fio da buzina que fica atrás do pára-choque dianteiro e, em seguida e em silêncio, podem quebrar o vidro do carro. Depois ele só escolhe o que roubar, podendo abrir o porta-malas pelo botão próximo do motorista (que mesmo no modo de segurança travado pode ser rompido pelos ladrões).

Comecei a pesquisar na internet e achei, facilmente, inúmeros casos de roubo do pneu sobressalente do Civic, em consequência de um dos arrombamentos descritos. Até um blog foi criado sobre o assunto, o "Arrombaram meu Civic". Seu proprietário, Gabriel Carneiro, teve seu Civic arrombado em outubro 2008. Ele entrou com uma solicitação junto ao Ministério Público pedindo uma investigação, mas o processo foi arquivado.

O blog do Shimono confirma o que o internauta José disse: "Um outro problema que você pode não saber é que com a fechadura estourada, o alarme original do carro não liga, e se o carro ficar muito tempo parado assim a bateria descarrega." Mas o Shimono publicou uma forma de dificultar consideravelmente a abertura do porta-malas e o consequente o roubo do estepe: desconectar a fechadura da parte eletrônica do carro.
Fechadura arrombada: alarme não disparou
No Civic Club , o internauta André Heman também teve o estepe furtado sem que o alarme disparasse quando o porta-malas foi aberto. Ele também sugere a mesma forma de dificultar o roubo citada pelo Shimono. Resta saber se funciona.

Estive numa concessionária da Honda e conversei com um vendedor, um consultor técnico, um instalador e com o funcionário da parte de peças e acessórios. A solução apresentada oficialmente, com homologação da Honda, foi uma trava anti-furto para o estepe, que substitui o sistema tradional de fixação do pneu no porta-malas. Essa trava é um acessório original Honda. Ao invés do equipamento vir de fábrica, a marca lucra mais um pouco pedindo de R$ 150 a R$ 200 para travar o pneu reserva - o preço  no site da Honda é R$ 147.
Acessório original Honda, trava dificulta o roubo do estepe no porta-malas
Depois de muitos minutos de conversa, o consultor técnico me sugeriu o selamento da fechadura do porta-malas. Perguntei se os proprietários poderiam fazer aquilo no concessionária, e a resposta foi negativa. Mas ele insistiu que era uma boa ideia selar a fechadura do porta-malas por segurança, já que está "na moda roubar o pneu reserva do Civic". Ele também sugeriu a instalação da trava da foto acima.

O pessoal do blog Alto Giro também passou pelo problema da fechadura arrombada e o consequente roubo do estepe do Civic. O autor do post (William S) fez dois comentários interessantes, que concordo:

"1) Falta de sensor de abertura do porta-malas: bastaria um simples INTERRUPTOR conectado à central do alarme, para ocasionar seu disparo e atrair atenção para o furto."
"2) Presença de uma fechadura na tampa do porta-malas: para quê? A maioria dos carros modernos possui abertura eletrônica do compartimento, inclusive o próprio Civic (há até mesmo um botão no controle da chave para isso). POR QUÊ ENTÃO MANTER A FECHADURA?!"


Outro post foi publicado no Alto Giro sobre o assunto. A novidade fica por conta da ideia 1 (acima):

"Segundo informações de gente ligada a concessionárias Honda, o Civic TEM SIM sensor de alarme no porta-malas. Acontece que o sensor é um simples interruptor elétrico acionado junto à fechadura. Ou seja, quando um meliante insere uma chave de fenda e gira o tambor, o sensor reconhece como se fosse o dono abrindo o compartimento com a chave, não disparando o alarme."

O Notícias Automotivas publicou dois rankings, sendo um dos "automóveis mais roubados do Brasil" e outro dos "veículos segurados que apresentam maior índice de furtos/roubos no Brasil". O Civic faz parte das duas listas.

Conclusão
Resta agora à Honda tomar uma atitude de verdade e acabar com essa pouca vergonha. Se não bastasse "roubar" o consumidor cobrando R$ 882 pelos faróis de neblina (valor que pode chegar a absurdos R$ 1.650 cobrados por algumas concessionárias, já que o preço do site da Honda não inclui a mão de obra para a instalação) e inacreditáveis R$ 1.007 (sem incluir a instalação) pelo sistema bluetooth "original Honda" para conexão com o celular (que não mostra nem quem está ligando), a Honda demonstra descaso com os (ainda fiéis) consumidores da marca em relação ao excesso de roubos envolvendo o Civic.

Parece que o novo New Civic 2012 não tem fechadura no porta-malas - uma bela solução definitiva. Mas a nova geração do sedã só deve pintar por aqui no ano que vem. E o que proprietários de mais de 200.000 New Civics podem fazer? Sei que o problema é muito mais amplo, envolvendo os governos em aspectos de segurança pública e educação. Mas a marca também precisa tomar uma atitude. O consumidor não precisa de recall, ele só quer ser ouvido e tratado com respeito. Se a Honda (ainda) tiver (algum) bom senso, ela vai entrar em ação e vai mostrar porque é uma das maiores e melhores fabricantes de veículos do mundo.
(Fotos: duas primeiras AltoGiro/Reprodução e última Site da Honda/Reprodução)

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Estepe do lado de fora é uma boa ideia?

Confesso que me senti um trouxa. Outro dia saí para comprar algumas coisas usando o carro de uma pessoa muito próxima. Resolvi então fazer uns "agrados veiculares" como forma de agradecimento pelo empréstimo. O primeiro foi levar o automóvel para lavar, seguido de uma calibragem de pneus, e de um tanque cheio de etanol.

Feito isso, lembrei que o carro, um Ford Ka 1.0, tinha estepe do lado de fora. Encostei o carro numa vaga e fui conferir se o veículo ainda tinha o pneu sobressalente. Felizmente ele estava lá! Mais aliviado, resolvi comprar uma corrente e um cadeado para prender o pneu no eixo do compacto da Ford.
Assim que comprei, me senti um trouxa. Eu não deveria estar comprando isso para um automóvel. Considerei um abuso!
O estepe deveria ficar sempre dentro do carro (estou deixando as picapes de fora) , onde o pneu fica mais seguro, seco e limpo - sem contar que é muito mais fácil guardá-lo. Do lado de fora, o estepe fica sempre sujo (e molhado), correndo o risco de levar pedradas e de beijar outros objetos, e, principalmente, de ser furtado (a corrente ajuda, mas não evita o roubo) - além do fato de ser bem mais complicado calibrá-lo. E, para as mulheres, tentem guardar um pneu novamente no suporte do estepe do Ka, por exemplo. Não é uma situação muito complicada, mas é muito chato. Guardar no porta-malas é mais prático, rápido, seguro e simples.

O carro ter o estepe do lado de fora, como o Ford Ka (já citado), Fiat Palio Weekend, Chevrolet Zafira e Renault Sandero, entre outros, não significa ele seja ruim e/ou inferior aos concorrentes. Mas, quando penso no meu próximo carro, nenhum modelo com estepe externo faz parte da lista - e nem fará! Esse é mais um dos critérios que tenho para escolher um automóvel.

Termino com uma pergunta simplória: se a marca faz um vão para colocar o estepe de baixo para cima na região do porta-malas pelo lado de fora, qual seria a dificuldade de fazer o vão ficar invertido, colocando o pneu sobressalente de cima para baixo, dentro do porta-malas? Na enquete, meu voto foi para "Não, mesmo que o carro seja interessante".

Você compraria um carro com o estepe do lado de fora?
. Não, mesmo que o carro seja interessante - 26 (38%)
. Sim, mas se o carro for bom - 22 (32%)
. Talvez. Depende do carro - 19 (28%)

Sobre o estepe externo no Idea Adventure, CrossFox e EcoSport, esse é assunto para outro post.


fotos: Renato Parizzi (1ª e 3ª) e Fiat/Divulgação (2ª)

terça-feira, 30 de setembro de 2008

Velho Fiat Stilo 2009

Fiat/Divulgação
A linha 2009 do Fiat Stilo chegou sem grandes novidades. Na prática, a única alteração foi a inclusão do kit HSD (High Safety Drive), composto por airbag duplo, ABS e freios a disco traseiros, como item de série, nas versões Sporting e Sporting Dualogic. Além disso, a Fiat criou mais dois kits de equipamentos, chamados de SP IV e SP V. Veja a lista copiada do site da Fiat (com uma pequena edição no texto):

Kit SP V: formado por bancos revestidos parcialmente em couro, HSD (airbag duplo + ABS), CD player Connect com viva-voz Bluetooth e entradas para iPod/USB, tapetes em carpete com bordado SP e siglas SP nas laterais. Tudo isso por R$ 4.360, o que representa uma economia de R$ 1.552 comparado ao valor da soma dos opcionais comprados separadamente.

Kit SP IV: bancos revestidos parcialmente em couro, rodas em liga leve 17", pneus 215/50 R17, HSD (airbag duplo + ABS), CD player Connect com viva-voz Bluetooth e entradas para iPod/USB, mais tapetes em carpete com bordado SP e siglas SP nas laterais, por R$ 5.591, o que representa uma economia de R$ 542.

Uma nova versão, equipada com motor 2.4, que ficaria entre a Sporting e a Abarth, acabou não sendo lançada. Ainda não se sabe se ela está em estudos ou se foi apenas especulação. De qualque forma, ela custaria menos que os absurdos R$ 92.890 cobrados pela Abarth.

Vale lembrar que, no final de janeiro/início de fevereiro de 2008, a Fiat fez mínimas alterações estéticas no Stilo (deixou a dianteira mais bonita e a traseira mais feia) e lançou o câmbio manual automatizado Dualogic, inédito para a linha na época. Porém, o hatch médio continuou com o mesmo problema de sempre: o motor 1.8 flex, que desenvolve 112 cv de potência com gasolina e 114 cv com álcool. Ele não é ruim, tendo até bons números de torque; mas. além de muito ruidoso, ele é ultrapassado em termos de desempenho e, principalmente, consumo. A situação fica pior por causa do peso do carro: 1.230 kg. Só para efeito de comparação, o Chevrolet Astra hatch 4 portas, com motor 2.0 Flexpower de 121 cv (g) e 128 cv (a), pesa 1.180 kg - 50 kg a menos. Não é atoa que o modelo da "gravatinha dourada" anda mais e bebe menos que o italiano.

O que me agrada no Stilo é o conforto para os ocupantes e, principalmente, os itens tecnológicos. Mas, pelo que tenho percebido, o PRINCIPAL problema do carro são as rodas traseiras; ou melhor, a possibilidade de soltura das rodas traseiras. Fizemos até um videochat sobre o assunto, com a presença da Fiat, que se defendeu das acusações. Na época, ela alegou que, nos cinco casos analisados por ela, a quebra da roda foi uma consequência do acidente, e não a causa. Causa ou consequência, essa questão parece estar deixando os donos de Stilo com medo de rodar, pois eles não sabem se o problema pode ou não acontecer. Muito em breve teremos novidades sobre o caso.

O mais interessante é o fato de, mesmo com esse problema da roda e, mesmo depois dos flagrantes do Bravo rodando no Brasil - modelo será o substituto do Stilo por aqui -, o Stilo nunca vendeu tanto no Brasil. Desde março, suas vendas superaram 1.580 carros por mês, tendo como pico o mês de julho, com 1.924 unidades. O Astra é o líder da categoria, com o Volkswagen Golf em segundo e o Stilo em terceiro.