quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008

Cavalos falsos de Maranello

Reprodução/BBC
Infelizmente, é muito comum encontrarmos DVDs e CDs piratas sendo vendidos livremente nas ruas das grandes cidades brasileiras. Também podemos encontrar pirataria envolvendo brinquedos, roupas e calçados, em especial, tênis das marcas Nike, Adidas, Puma e Reebok. A onda de duplicar produtos originais também já atingiu a indústria automobilística, com vários casos de carros clonados. Também existe aquela cópia descarada feita pelas montadoras chinesas.

Mas um caso de Ferrari falsificada pode ser considerado quase sempre inédito pela peculiaridade da cópia! O episódio aconteceu na Itália, onde a polícia descobriu uma rede que falsificava o famoso esportivo de Maranello. De acordo com o coronel da polícia italiana, os compradores sabiam que estavam comprando uma Ferrari "não original". Mas isso era meio óbvio, já que o comprador pagava entre R$ 50 mil e R$ 120 mil (valores convertidos para o Real).

Será que quem se arriscou na compra sabia que o desempenho da Ferrari pirata era bem inferior? Isso acontece porque os falsificadores usavam chassis e motorizações do norte-americano Pontiac Fiero. Ao invés de motores V8 e V12, com potências superiores a 450 cv, os propulsores disponíveis para o Fiero são o V6 2.8, de 140 cv, com câmbio manual de quatro marchas (posteriormente ele ganhou mais uma marcha); e o 2.5 de quatro cilindros, com cerca de 98 cv.

O pior é que não foi a primeira vez que isso aconteceu. Em 2006, na Sicília, também na Itália, os agentes da polícia descobriram duas cópias perfeitas do modelo F2002 da Fórmula 1!! No ano passado foram registradas cinco apreensões de falsas Ferraris em diferentes cidades na Europa. Imitações de Ferraris também foram descobertas nos Estados Unidos.

Pelas fotos, fica parecendo que a falsificação pode até convencer. Mas, ao vivo, dificilmente as cópias se comparam às originais. Será que algum brasileiro comprou uma dessas Ferraris piratas? Só para comparar, no Brasil, o modelo "de entrada" da Ferrari, a F430 V8 4.3, custa aproximadamente R$ 1.350.000.

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008

Novo Fiat Palio... De novo?

Capa da Quatro Rodas de março de 2008
Você deve estar se perguntando: novo Palio? O que? Outro? Mas já? É o que parece... pelo menos é o que está na capa da  Quatro Rodas de março . Ainda não li a revista, mas pela capa e chamadas, o Palio receberá a dianteira do Siena para enfrentar com mais qualidade o seu principal concorrente, Gol, que chega totalmente renovado ainda no primeiro semestre. O Palio mudou em janeiro do ano passado.

Se a Fiat realmente lançar o Palio com a dianteira do Siena - não sabemos ainda se a traseira e o interior vão sofrer alguma alteração -, os proprietários do compacto com a carroceria "geração 4" com certeza ficarão revoltados. Parece que o modelo não foi tão bem aceito quanto o G3. De qualquer forma, não acredito que o modelo chegue como linha 2008. A montadora italiana poderia, no mínimo, lançar o veículo como linha 2008/2009. Será que o motor 1.4 também ficará um pouco mais potente (85 cv e 86 cv), como o do Punto? É aguardar para ver...

Atualização (26/02):
Finalmente coloquei as minhas mãos na  revista. A matéria faz muito sentido. O Palio geração 4 não foi bem aceito e está vendendo menos que o esperado. Já o Palio Fire, com carroceria da geração 3, está com ótima procura. Para resolver o problema de vendas do G4, a Fiat deve lançar o "Palio geração 4,5", que, além de ter a dianteira do Siena (mais bonita e com conjunto ótico mais eficiente), deve receber motores 1.0 e 1.4 mais potentes, sistema Blue & Me, com porta USB, Bluetooth e comando de voz. Essas seriam as armas do Palio para receber o novo Gol, que deverá chegar às concessionárias VW em junho. O preço seria o mesmo do G4, já que Palio, Siena e Weekend teriam a mesma frente, o que diminui os custos de produção. O Palio 4,5 deve chegar no segundo semestre, já como linha 2009. Um Palio totalmente novo é esperado para 2010.

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008

sQuba: Dirigindo até debaixo d'agua...

Fotos: Rinspeed/Divulgação
Inspirado no Lotus Esprit Submarine, do filme "007 - O Espião que me Amava", a Rinspeed apresentou hoje, em Londres, o sQuba, um modelo conceito que mistura carro e submarino. O compacto conversível poderá ser visto pelo público oficialmente no salão de Genebra, que começa em março. O carro é estável a até 10 metros de profundidade; é movido a eletricidade gerada por bateria de lítio e, para preservação da natureza, não polui.

Ele seria ideal para várias cidades brasileiras, que sofrem com constantes enchentes durante o período de chuvas. Além disso, para quem mora em Belo Horizonte, seria bem interessante entrar na Lagoa da Pampulha para procurar o famoso jacaré. Para quem vive em Brasília, a descontração seria completa no Lago Paranoá. 


O carro só aparece debaixo d'agua depois de 2m e 45s de vídeo.
Deixando a brincadeira de lado, seria muito legal se o sQuba fosse produzido em série e com um preço acessível - neste momento é impossível pensar num valor. Resta saber se ele pode rodar no mar (água salgada) e quanto tempo ele dura. Vai que ele estraga depois de 10 vezes debaixo d'agua...  

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008

Volkswagen Fox "guilhotina" - parte 2

Arte sobre foto de Volkswagen/Divulgação
A Revista Quatro Rodas já havia alertado sobre o problema para o rebatimento do banco traseiro do Fox em agosto de 2006. Mas o técnico em química Gustavo Funada perdeu parte do dedo em 2004. Depois de quatro anos (antes tarde do que nunca), finalmente alguma coisa está sendo feita. É interessante o fato da Volkswagen estar instalando, a partir de hoje, uma peça adicional para o sistema de rebatimento do banco traseiro, uma vez que, na semana passada, a montadora disse, em nota oficial, que o mecanismo era seguro. Como perguntei no  post anterior , vale responder que foram necessárias (no mínimo) oito mutilações para que algo fosse feito.

Além dos processos que a montadora está "levando", a mídia bateu forte no caso. De acordo com a Agência Brasil, o Departamento de Proteção e Defesa do Consumidor (DPDC), do Ministério da Justiça, está investigando problemas no sistema de rebatimento do banco traseiro. Se a falha no Fox for comprovada, a Volks pode ser multada em até R$ 3 milhões. De acordo com o Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec), de São Paulo, a Volkswagen foi notificada na última sexta-feira com o pedido de explicações sobre a ocorrência. O Procon paulista também já notificou a VW e estabeleceu prazo até esta quinta-feira (14/02) para que a empresa apresente documentos comprovando a segurança e descartando a existência de falhas no mecanismo.

Vídeos do Youtube 

Matéria da Globo News 

A Volkswagen até publicou um vídeo explicando como rebater o banco

Mas, depois de toda esta história, sendo considerada culpada ou não, fica realmente a impressão de que as vendas do carro vão cair e que aimagem da VW vai ficar arranhada por um tempo. Mas precisamos esperar para ver o que acontece...

Pergunto:

1. Você compraria um Fox?
2. Será que este caso vai derrubar as vendas do Fox? E dos outros carros da Volkswagen?
3. Será que as atitudes tomadas pela Volks foram suficientes para manter a sua imagem intacta?
 

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008

Volkswagen Fox "guilhotina" - parte 1

Arte de Renato Parizzi sobre foto de Volkswagen/Divulgação
A Revista Época e a Bandnews publicaram duas matérias sobre o mesmo sério assunto: uma armadilha escondida no Volkswagen Fox. Cerca de nove donos do carro perderam parte do dedo ou se machucaram com gravidade ao rebater o banco traseiro do compacto. Você deve estar pensando: mas como isso pode acontecer?

Para rebater o banco traseiro do Fox, a pessoa deve puxar uma pequena alça flexível que fica presa a uma argola de metal na parte inferior do encosto/assento, como você pode ver na foto acima. O problema acontece quando alguém coloca o dedo na argola. O mecanismo aciona uma mola que puxa a argola para dentro, prendendo o dedo.

Ao ser consultada, a Volks afirmou que o procedimento é seguro e que as falhas aconteceram por desatenção. Pode até ser, mas isso não deveria acontecer nunca! Se o sistema é realmente seguro, por quê então a montadora coloca um mecanismo diferente para o Fox que é exportado para a Europa? E o pior: mesmo depois de oito amputações, a VW continua se negando a fazer um recall! Sete vítimas já entraram na justiça contra a montadora. Quantas amputações a mais serão necessárias para a Volkswagen tomar alguma providência?

Atualização (08/02/08)

Comunicado Oficial da Volkswagen do Brasil

Tendo em vista as recentes reportagens publicadas na imprensa sobre o sistema de rebatimento do banco traseiro do Fox, a Volkswagen do Brasil vem reiterar aos seus clientes que a operação desse sistema é segura, bastando seguir corretamente as instruções contidas no Manual do Proprietário.

Com a certeza de que não existe problema com o sistema e que não se trata de caso de "recall", a Volkswagen, que acima de tudo respeita o compromisso assumido com a satisfação de seus consumidores, informa que, a partir da próxima semana, irá oferecer para todos os clientes que ainda tenham dúvidas a instalação gratuita de uma peça adicional que evita eventuais erros na operação de rebatimento do banco traseiro do Fox. Esse serviço poderá ser realizado em toda a Rede Autorizada de Concessionários Volkswagen.

Com relação à diferença entre os modelos do Fox vendidos no Brasil e na Europa, esclarecemos que o banco do Fox europeu é bi-partido e exigiu uma solução técnica diferente. O Fox brasileiro com banco bi-partido possui o mesmo sistema do europeu.

Volkswagen do Brasil

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008

Novo Volkswagen Gol precisa ser de placa

Oswaldo Luiz Palermo/Reprodução da Autoesporte de fevereiro/2008
A Volkswagen prepara o maior lançamento do últimos anos no Brasil: o novo Gol - novo de verdade, e não mais uma "geração". Conhecido como projeto NF (abreviação para "nova família" em português, alemão, inglês e francês, entre outras línguas), o modelo é guardado a 14 chaves (sete por aqui e mais sete na Alemanha) para ninguém flagrá-lo com antecedência e, também, para não atrapalhar as vendas do atual Gol que, outra vez, fechou mais um ano (2007) como o carro mais vendido do mercado nacional.

Quando digo que é o lançamento mais importante dos últimos anos, não estou brincando. Fica a impressão de que a Volkswagen sofreu com a "síndrome do primeiro lugar". A montadora foi líder do mercado brasileiro durante muitos anos e, como muitas vezes acontece, se acomodou. Então veio a Fiat e assumiu a ponta. Quando a Volks acordou, ela estava em terceiro, lutando com a Chevrolet para ficar em segundo. Outra causa para a queda no mercado pode ser o erro estratégico de novidades, ou seja, falta de lançamentos para segmentos específicos. Veja um exemplo: desde a aposentadoria do Voyage, a VW não teve mais um sedã compacto no mercado. Os alemães preferiram apostar nos hatches Gol, Fox, Polo e Golf. Mas você pode perguntar: "e o Polo Sedan?". Pois é, ele é um sedã, mas tem preço inicial na casa de R$ 40.000. A Chevrolet, por exemplo, tem o Classic, Prisma e Corsa Sedan disputando praticamente o mesmo comprador com Logan, Clio Sedan, ambos da Renault, Ford Fiesta Sedan e Fiat Siena. Por menos de R$ 30.000, você já leva um sedã compacto para a sua garagem.

Voltando ao Gol, ele enfrenta, cada vez mais, concorrentes de peso, principalmente o Fiat Palio, que tirou a coroa de "mais vendido do Brasil" do Volks durante alguns meses de 2007. Se a Volkswagen acertar com o lançamento do Gol NF, dificilmente o Palio (ou algum outro) conseguirá roubar o título de mais comercializado do Brasil num futuro próximo. Mas, se a VW errar no lançamento do novo Gol, aí a casa pode cair de vez.

Para evitar problemas com o Gol NF, a montadora alemã resolveu adotar uma das plataformas mais confiáveis que ela possui hoje: a do Polo, também usada no Fox. Com isso, finalmente, o motor não ficará mais na posição longitudinal, o que implicará, por exemplo, num aumento do espaço interno. E então, adeus motores AP. Ainda não foi confirmado, mas o novo Gol deve ter três opções de motorização: 1.0 Total Flex, 1.6 Total Flex (o EA 111, que já equipa a família Fox, Polo e Golf - 101 cv com gasolina e 103 cv com alcool) e o inédito 1.4 Total Flex. Se a composição de motores realmente for esta, é provável que o Fox 1.0 deixe de ser vendido.

Analisando a foto do fotógrafo Oswaldo Luiz Palermo, publicada da Revista Auto Esporte de fevereiro, podemos reparar que a dianteira do novo Gol é menor do que a do atual e que o pára-brisa e o vidro traseiro são mais inclinados, passando a sensação de mais modernidade e esportividade. Também fica a impressão do espaço interno ser maior. Com o Gol NF, a Volks deve corrigir alguns erros do atual modelo, como a posição de dirigir descentralizada. Segundo a Auto Esporte, o novo Gol terá sua produção iniciada em março e comercialização a partir de maio ou junho.

O Gol G4 deve continuar no mercado, como o modelo de entrada da família. O novo Gol deve ter seu preço inicial variando entre R$ 26.000 e R$ 30.000. Além do Gol NF, a Volkswagen também prepara a versão sedã da linha NF, que deve se chamar Voyage. O veículo seria lançado no final de 2008. A Volkswagen aposta todas as suas fichas nesta nova dupla para recuperar a primeira posição do mercado brasileiro.