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domingo, 10 de fevereiro de 2013

Alta Roda - Consciência Coletiva

Depois de algumas mudanças, a lei realmente seca para dirigir foi regulamentada pela Resolução nº 432, do Contran, semana passada. Este será o primeiro Carnaval em que estreia a tolerância zero para qualquer traço de bebida alcoólica em exame de sangue ou de 0,05 mg de álcool por litro de ar expelido captado por etilômetro (bafômetro). O segundo limite apenas corrige um possível erro de leitura do instrumento.
Reprodução/Uol
Antes dessa regulamentação era possível ao motorista tomar um copo de cerveja ou uma taça de vinho – até o dobro disso se esperasse pelo menos duas horas para que o organismo eliminasse 50% do excesso. A polêmica em torno da recusa de se submeter ao bafômetro, alegando direitos constitucionais de evitar prova contra si mesmo, levou ao endurecimento da lei. O Contran também reiterou, de resolução antecedente, os sinais de alteração de sobriedade e outras provas: testemunhais, fotos e imagens.

Ainda se discute se o limite anterior – 0,3 mg/l – deveria ter sido reduzido pela metade para se enquadrar como crime de trânsito. Na maioria dos países europeus o limite é de 0,25 mg/l (em alguns 0,1 mg/l ou até zero), nos EUA 0,4 mg/l (em alguns estados americanos também se consideram outras evidências a partir de 0,25 g/l). No Japão, a legislação mudou e foi zerado. Quem se recusa, no exterior, a soprar o bafômetro não tem escapatória constitucional, mas nunca aparece quem aponte a realidade mundial. Aqui nem há certeza de como agirão os tribunais, apesar da nova lei e sua regulamentação.

Um erro comum é achar que alguém está obrigatoriamente bêbado, quando superasse o antigo limite de 0,3 mg/l. Depende de cada organismo, se homem ou mulher, condições de saúde, além de outras condicionantes. Ele ou ela poderá até dirigir devagar e em linha reta, sem cometer erros, mas será pesadamente multado, terá a carteira de habilitação suspensa, impedido de prosseguir ou preso em flagrante, de acordo com a legislação de cada país, se ultrapassar a indicação legal no bafômetro.

Estudo da Universidade de Yale, de 1992, indica que há nove vezes mais chance de acidente fatal se o motorista tiver concentrações entre 0,25 mg/l e 0,45 mg/l. Entretanto, existe no Brasil a cultura de certa permissividade quanto ao fato de beber e, em seguida, assumir o volante. E há também o péssimo hábito da dose de “saideira”, quando muitos já atingiram o perigoso estágio de alegria fácil e o bom senso indicaria esquecer o banco do motorista.

Fiscalização, praticamente, não existia no Brasil até 2008, quando o Congresso aprovou a chamada lei seca que, na realidade, nem era, pois até 0,1 mg/l indicado no bafômetro nada acontecia. Hoje, em várias cidades, a fiscalização é constante, rigorosa e alguns motoristas são presos. Mas quantos foram condenados, de fato? Se alguns tivessem ido para a cadeia por ultrapassar o antigo limite de 0,3 mg/l, o efeito de inibição seria, provavelmente, equivalente ao de 100 blitze.

Resta saber por quanto tempo o rigor das fiscalizações será mantido. Mas se ajudar a mudar a consciência coletiva, terá sido um grande passo em prol da segurança do trânsito.

RODA VIVA

AINDA não se estabeleceu uma data para a BMW promover cerimônia da pedra fundamental de sua fábrica em Araquari (SC). Cronograma de início de vendas permanece para o final de 2014: primeiro produto é o crossover X1, seguido, a cada dois meses, pelo hatch Série 1 e sedã Série 3. Os três modelos respondem por mais de 80% das vendas da marca aqui.

PEUGEOT considera o novo 208 como produto da virada no Brasil, a partir de abril. Presidente mundial do grupo francês, Philippe Varin, e Thierry Peugeot, da família controladora, estiveram em Porto Real (RJ) para lançamento industrial do hatch. SUV compacto 2008 é para 2014, mas a empresa descarta produção do sedã 301, apesar da base comum com o 208.
Honda/Divulgação
MOTOR flex 2 litros/155 cv dará impulso ao Civic ano-modelo 2014, já neste mês. Com etanol não há mais injeção de gasolina na partida em dias frios . Mostra disposição e harmonia com câmbio automático de cinco marchas. Preço de R$ 83.890 poderia incluir acessórios como retrovisor fotocrômico. Motor 1,8 litro ganhou vida graças ao novo câmbio manual de seis marchas.

INSPEÇÃO ambiental na cidade de São Paulo tem absurdos burocráticos: a cada ano, carros com motores dois-tempos devem pedir dispensa e quem precisar trocar o para-brisa vai penar para obter segunda via do selo anual. Novo Secretário do Verde e Meio Ambiente extrapolou ao comparar vidas salvas pelos cintos de segurança e pela melhoria do ar.

PARA defender seu negócio de venda de carros usados, Associação Brasileira de Locadoras de Automóveis (ABLA) criticou a redução do IPI no ano passado, que desvalorizou sua frota. Só faltava essa. Empregos salvos na indústria não parecem ter a menor importância para a entidade. Que, aliás, compra carros novos com descontos mais que generosos.

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Fiat diz que fusão com a Chrysler acontecerá em 2014

Fiat/Divulgação
O presidente da Fiat, Sergio Marchionne, disse neste domingo que espera que a fusão da montadora italiana e a Chrysler, dos EUA, aconteça em 2014.

"Nós vamos conseguir fazer isso", disse em uma entrevista com o editor do jornal Repubblica. "Nós e VEBA [o fundo de pensão da United Auto Workers - um acionista da Chrysler] temos opiniões diferentes sobre o valor da Chrysler, mas vamos resolver o problema em 2014".

Marchionne, que dirige as duas empresas, disse em 30 de janeiro que os laços entre as duas montadoras era "irreversível" e as empresas se fundiriam assim que ele pudesse pagar pelo negócio, mas não deu uma data concreta sobre a fusão.

Perguntado no domingo, se a Fiat iria manter a sua sede em Turim, Marchionne disse: "Somos um grande grupo presente em todo o mundo, isso vai depender do acesso aos mercados financeiros e as escolhas da família Agnelli" que fundou a Fiat.

Ele ainda não havia "pensado" sobre o futuro nome da nova entidade, disse o presidente.

O negócio vai finalmente dar a Fiat uma participação de 65% na Chrysler e propriedade plena em 2015. A Fiat adquiriu uma participação de 20% na Chrysler em 2009. Desde então, a motadora italiana tem constantemente ampliado sua participação através de ações que eram propriedade do governo dos EUA e do fundo VEBA. As informações são da Dow Jones.

Texto: reprodução de Estadão.

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Honda (já) prepara mudanças para o Civic nos Estados Unidos

Civic nos EUA hoje - Honda/Divulgação
Quando o novo Honda Civic apareceu, demonstrei a minha preocupação com o visual do modelo, que parecia um retrocesso em relação à sua geração anterior. E realmente achei que o carro deu um passo para trás - até comentei que os concorrentes agradeciam.
Civic reestilizado é flagrado - Fotos logo acima e abaixo: KGP Photography
Aqui no Brasil, o Civic chegou com visual ligeiramente melhor e mais musculosa do que a versão do Honda vendida nos Estados Unidos. E este é o ponto que quero chegar. Com menos de dois anos de mercado, a marca japonesa (já) prepara mudanças para o Civic nos EUA. O anúncio oficial vai acontecer ainda em novembro.

Não que o carro venda mal, pelo contratário, ele segue firme entre os 10 carros mais comercializados nos EUA em 2012. Mas, como a 9ª geração do Civic continua sofrendo críticas especialmente por causa do estilo e do acabamento (simples), a Honda já prepara um facelift para manter o fôlego do seu modelo contra os adeversários que estão chegando (reestilizações, novidades, etc.).
Se internamente nenhum flagrante foi feito, reparem pelas fotos do exterior onde o sedã da Honda deve receber alterações em breve nos EUA - provavelmente no 1º semestre de 2013. Na dianteira, grade, para-choque e faróis devem mudar (alguém aposta em LEDs?). Na traseira, o mesmo estilo nos retoques: para-choque, tampa do porta-malas e lanternas.

Debaixo do capô, dificilmente o conhecido motor 1.8 16V receberá alterações, mas não será surpresa se alguma recalibração for feita.
As mudanças sofridas pelo modelo nos Estados Unidos nos dão uma pista do que deve acontecer com o Civic por aqui na sua primeira reestilização. Mas a Honda pode adotar planos diferentes nas alterações por aqui, que ainda não tem data para acontecer.

De certo mesmo, temos a chegada do motor 2.0 16V flex para o Civic em fevereiro de 2013, já como linha 2014, conforme a Honda revelou no Salão do Automóvel de São Paulo - junto com outras novidades. Mas será que o nosso Civic já precisa de retoques visuais?

terça-feira, 6 de novembro de 2012

Depois de abusarem, Hyundai e Kia se preparam para pagar o preço

Justiça está sendo feita nos Estados Unidos. Depois de mentirem sobre a média de consumo de vários de seus carros, Hyundai e Kia se preparam para pagar, no bolso, o preço da bobagem.

Como eu gostaria que o mesmo acontecesse por aqui, onde a Hyundai/CAOA já aprontou até com o consumidor brasileiro, aumentando a potência do Elantra, dando cavalos extras ao Veloster, vendendo o Veloster com um motor que jamais foi ofertado pela marca no Brasil, sem contar mudanças de informações em anúncios (conforme denunciado pela revista Auto Esporte, entre outros.

Vale a leitura.

Hyundai e Kia tombam após exagero em economia de combustível
 A admissão por Hyundai e Kia de que exageraram marcas de economia de combustível de alguns de seus carros afetou a reputação das montadoras e a fidelidade do consumidor às marcas será testada nos próximos meses, após uma década de sucesso ininterrupto nos Estados Unidos.
As ações das montadoras da Coreia do Sul, que promoveram em recentes campanhas de marketing eficência superior no consumo de combustível, caíram 7% cada nesta segunda-feira, pressionadas por temores de investidores sobre o impacto da admissão sobre suas marcas e vendas nos EUA, principal mercado do grupo automotivo. Somente a Hyundai sozinha perdeu US$ 3,1 bilhões em valor de mercado.

As preocupações dos investidores envolvem temores sobre o custo de compensação de clientes de mais de 1 milhão de veículos afetados, bem como potenciais processos coletivos nos EUA e reclamações semelhantes em outros países.

Para alguns analistas, as notícias são terríveis. "Isso pode representar um fator de mudança na história de sucesso da Hyundai", disse James Yoon, analista do BNP Paribas, em relatório. "Acreditamos que a potencial perda financeira é imaterial se comparada à possível perda para a reputação da marca."

Mas outros analistas também citaram que, diferente de grandes recalls que afetaram as rivais Toyota e Ford, Hyundai e a afiliada Kia foram rápidas em admitir seus erros e em anunciar planos de compensação.

"Aquelas eram questões mais sérias, relacionadas à segurança... Assim, o impacto sobre o valor da marca e nas vendas nos EUA pode ser menor do que o sofrido pelos concorrentes", disse o analista Ethan Kim, do Citi, em relatório divulgado nesta segunda-feira (5).
Em comunicado, a Hyundai disse nesta segunda-feira que seus erros só afetaram veículos vendidos na América do Norte. "Todos os carros Hyundai vendidos em outras regiões do mundo foram propriamente certificados com notas corretas de economia de combustível por cada agência respectiva de certificação", informou a montadora sul-coreana.

A queda nas ações da Hyundai foi a maior em quase 14 meses. As ações da Kia tombaram 6,9%, enquanto o mercado em Seul teve perda de 0,5%.

EPA
A agência de proteção ambiental dos EUA (EPA, na sigla em inglês) descobriu que as montadoras exageraram a quilometragem de 13 veículos Kia e Hyundai de modelos entre 2011 e 2013.

As montadoras afirmaram na sexta-feira que os erros ocorreram em função de diferenças em seus testes de quilometragem comparados com os métodos de avaliações da EPA. As montadoras vão reembolsar os proprietários dos veículos afetados por custos adicionais com combustível e publicaram anúncios de página inteira em jornais no domingo para se desculparem.

As etiquetas de consumo da maioria dos veículos serão agora reduzidas em uma ou duas milhas por galão, sendo que o maior ajuste será de seis milhas por galão na estrada para o Kia Soul, disse a EPA.

Analistas disseram que a apuração da EPA pode levar a dezenas de milhões de dólares em compensações e acrescentaram que processos contra as empresas não podem ser descartados.

A avaliação da EPA foi disparada por queixas de consumidores, incluindo um processo coletivo que acusa a Hyundai de levar ao erro consumidores sensíveis a preços do combustível ao afirmar que o popular modelo Elantra 2011 e 2012 tinha consumo mais eficiente do que a realidade.

Texto: Uol Economia
Fonte: Reuters

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Novo Nissan Sentra conseguirá vencer a disputa com os outros sedãs médios no Brasil?

No ano que vem, a Nissan finalmente deve atualizar o Sentra. Mas será que as mudanças o qualificarão para brigar pela ponta do segmento de sedãs médios no Brasil?

O carro ficou mais bonito e moderno com esta nova geração que está chegando aos Estados Unidos agora, mas perdeu em ousadia, ganhando em conservadorismo. O proprietário de um sedã médio até gosta disso - um dos argumentos de venda do Toyota Corolla. Mas será que não ficou tradicional e conservador demais para um veículo novo?
Citei o Corolla porque ele realmente tem uma característica mais conservadora, que a marca tentou diminuir, passando "ares de modernidade" com as duas últimas mudanças do veículo. A primeira foi muito bem-vinda. Mas o facelift mais recente piorou a traseira, que ficou com estilo xuning. A marca também tentou jovializar o Corolla com uma versão "esportiva". O sedã da Toyota está na fase final de sua atual geração.

Para o Sentra, que estréia uma nova geração, as mudanças são muitos bem-vindas. Embora ele tenha ficado conservador, suas linhas são bem mais modernas do que as da atual geração. Resta saber se o novo design ajudará o sedã a vender mais no Brasil.
Se a Nissan ofertar o Sentra com muitos equipamentos de série, mantendo uma política de preços agressiva, e, especialmente, garantindo estoque de veículos e de peças (problemas do Versa), com certeza teremos um veículo com potencial de top 5 no segmento de sedãs médios no Brasil. Mas tirar a liderança do Corolla e do Honda Civic, com o Chevrolet Cruze vendendo bem, acho difícil.

US and A
Nos Estados Unidos, o Nissan Sentra 2013 parte US$ 15.990 (cerca de R$ 32.400) - contra US$ 16.430 do modelo 2012. A diminuição do preço vem acompanhada da redução do tamanho do motor e da potência. O propulsor 2.0 16V e seus 142 cv e 19,3 mkgf foram substituídos por um 1.8 16V que desenvolve 132 cv de potência e 17,7 mkgf de torque.
Versão esportiva tem a traseira mais bonita
A nova motorização trabalhará em conjunto com um câmbio manual de seis marchas ou com a transmissão automática CVT, que recebeu melhorias. O objetivo da Nissan com o novo conjunto motor/câmbio (manual e CVT) é garantir boas médias de consumo para o seu sedã. Segundo a marca, o Sentra 2012 CVT tem média de 10,2 km/l na cidade e 13,2 km/l na estrada (manual: 11,5 km/l na cidade e 14,4 km/l na estrada), enquanto o Sentra 2013 CVT tem média de 12,7 km/l na cidade e 16,6 km/l na estrada (manual: 11,5 km/l na cidade e 15,3 km/l na estrada).
O interior do Sentra 2013 também é bem tradicional, mas é mais sofisticado que o do Sentra vendido no Brasil atualmente. A nova geração tem como destaque a central multimídia, a NissanConnect, que traz uma tela de LCD de 5,8" com touchscreen, com CD Player e diversas conexões, como Bluetooth. O modelo tem ainda ar-condicionado tem regulagem em duas zonas, volante com comandos do sistema de som e do cruise control, câmera de ré, seis airbags, freios com ABS, entre vários outros itens.
Fotos: Nissan/Divulgação

quinta-feira, 31 de maio de 2012

Alta Roda - Matemática implacável

Mercado de automóveis voltou às manchetes em razão da agitação trazida pelos preços com alívio provisório do IPI, relaxamento de juros e do número de prestações. Há posições antagônicas entre alguns analistas, por um lado, indústria e concessionárias, de outro, as duas últimas afinadas em relação ao otimismo moderado.

Para os céticos, estaríamos diante de iminente estouro da bolha de consumo, iniciada há três anos pelos financiamentos longos e pouco rigor na aprovação de cadastros. Essa tese explicaria a alta inadimplência recorde de 5,9% (mais de 90 dias de atraso), o prejuízo de alguns bancos varejistas no setor e, assim, a dificuldade para queda acentuada dos juros e alongamento dos prazos.

Outros acham que a redução do IPI, somada aos descontos dos fabricantes acordados com o governo, deixaram os preços atuais, em alguns casos, próximos aos promocionais já praticados até a semana anterior. Isso, realmente, acontece, mas nada indica que o ambiente de competição não continuaria puxando os preços para baixo.

Otimistas pensam de outra forma. Sérgio Habib, importador JAC e dono de 95 concessionárias, de norte a sul do país, da própria JAC, Citroën e VW, afirmou à coluna: “Sentimos 35% de aumento de trânsito nas nossas lojas, nos últimos dias. Aposto que até 31 de agosto um milhão de unidades de todos os tipos será vendido. E se mantidas as condições atuais até o final do ano, não descarto que o Brasil consiga atingir quatro milhões, ainda em 2012.”

Tal previsão supera os 3,8 milhões de unidades, ainda não revistos pela Anfavea. Seu raciocínio é que o brasileiro troca de carro, em média, cada 32 meses. “Em 2009, ano ruim para a economia (0,2% de retração do PIB), venderam-se mais de três milhões de veículos. Hoje (momento teórico da troca), mais de 80% dos compradores estão adimplentes, os preços caíram e as condições de financiamento são similares.”

Como os preços, sempre eles, são motivo de discussão que tal ver o cenário dos últimos oito meses? Comparar preços com os EUA tem sido esporte popular. Pegue-se o Civic, mesmo automóvel fabricado aqui e lá. Só que o Civic mais barato lá é “pelado”, como se fala. Não existe aqui. Então seu preço para comparar não é o DX de US$ 16.000 e sim o LXL de US$ 23.000, incluído o frete. Em 1º de setembro de 2011 custava, com dólar a R$ 1,60, cerca de R$ 37.000,00. Pechincha, não?

Como a diferença de taxação é brutal, a referência menos ruim é o preço do Civic equivalente para taxistas no Brasil. Em 1º de maio último, o LXS valia RS 53.000, sem IPI e ICMS, porém ainda com carga fiscal superior à dos EUA. Mas o preço, em reais, saltou para R$ 48.000 (dólar a R$ 2,10, antes da intervenção do Banco Central). Por sorte, os americanos recebem seus salários  em dólares e os brasileiros, em reais. Assim, ninguém sentiu os 30% de variação cambial. Se igualadas as cargas fiscais, os dois modelos custariam aproximadamente o mesmo preço, em maio. Alguns centavos a mais no valor do dólar e o carro sairia mais barato aqui.

Conclusão: qualquer variação mais forte do dólar leva a essas distorções, para cima ou para baixo. Não serve de consolo para os nossos preços altos por impostos e custos, mas a matemática é assim, implacável.

RODA VIVA

NOVO sedã Peugeot 301, embora projetado para países emergentes, tem poucas chances de produção no Brasil. Talvez na Argentina, mas seu preço ficaria próximo ao do 408. Para combater o Logan diretamente precisaria ter sido pensado desde o início como baixo custo, que não parece ser o caso. Peugeot também negou o 206 sedã e o carro é feito aqui, o Passion.

COTAS com IPI mais baixo para importados de marcas premium ou de modelos médios-grandes e grandes já são admitidas pelo governo, segundo fonte da coluna. Problema está em veículos compactos e médios-compactos de origem chinesa e sul-coreana. Seus preços baixos de exportação e valorização do real sufocam a produção nacional.

CITROËN DS3 chega por R$ 79.900 e oferece conceito ampliado de esportividade. Vidros laterais e traseiro conferem estilo diferenciado da versão normal, ao esconder coluna C e dar novo aspecto à coluna B. Motor turbo 1,6/165 cv já entrega 48 cv a apenas 1.400 rpm. Destaques para bancos, direção, câmbio manual/6 marchas e suspensões (embora ruidosas).

ESTILO atraente, bom espaço interno e câmbio (apenas manual) fácil de manusear. JAC J5, além do preço agora abaixo da barreira psicológica de R$ 50 mil (R$ 49.990), tem acabamento simples, visibilidade ruim dos instrumentos, ausência de botão central de destravamento de portas e imprecisão direcional. Falta torque ao motor de 1,5 l/125 cv.

DEPOIS de 14 anos de importação, Lexus vendeu em média apenas oito carros por mês no Brasil. A divisão de automóveis caros da Toyota terá dificuldades nessa fase de relançamento da marca. Iene valorizado deixou todos os quatro modelos bastante fora do nível de preços razoável para competir. Precisarão ter muita paciência ainda...