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terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Duelo: Ford EcoSport X Renault Duster

Desde o seu lançamento, em 2003, o Ford EcoSport reinou absoluto na categoria que ele ajudou a criar no Brasil. Várias tentativas de concorrentes diretos apareceram, com pequeno destaque para o Fiat Palio Weekend Adventure (Locker) e para o Chevrolet Tracker. Mas, apenas com a chegada do Renault Duster, em outubro de 2011, o SUV da Ford passou a ter um adversário de peso pela ponta do segmento.

O atraso para encontrar um rival, obviamente, foi bom para a Ford, que ganhou mercado e preparou o lançamento da segunda geração do EcoSport, que aconteceu em agosto de 2012, depois de inúmeros flagrantes (aqui), especulações (aqui e aqui), enquete (aqui) e divulgações de informações (aqui, aqui e aqui).
O tempo de espera também foi bom para a Renault, que preparou um adversário a altura para as duas gerações do EcoSport. E até mais "munição" já foi dada ao Duster, que recebeu uma linha de acessórios em março deste ano.

Agora, novo EcoSport e Duster se enfrentam aqui no (antecipado) Duelo do De 0 a 100 em igualdade de condições, ambos como linha 2013. Quem leva a melhor?

Chevrolet Onix X Hyundai HB20
Nissan Versa X Chevrolet Cobalt
Nissan Versa X Renault Logan 
Nissan Versa X Renault Symbol
Nissan Versa X Fiat Grand Siena
Peugeot 308 X Ford Focus

Preço e equipamentos
Logo no primeiro contato com as tabelas dos dois carros, já é possível notar que o Duster é visivelmente mais barato do que o EcoSport. Por outro lado, o Ford é bem mais equipado que o Renault.
Duster 1.6 16V de entrada não deveria existir
1.6 16V
O Duster 1.6 16V parte de R$ 48.300 equipado, de série, com banco traseiro com encosto rebatível 1/1, limpador, lavador e desembaçador do vidro traseiro; tomada 12 volts; sistema CAR (travamento automático a 6 km/h), cintos de segurança dianteiros retráteis com regulagem em altura, ar-condicionado, travas e vidros dianteiros elétricos, direção hidráulica, volante com regulagem de altura; retrovisores, para-choques e maçanetas externas na cor preto; e rodas de ferro aro 16".

Investindo R$ 2.150 a mais, é possível levar o Duster Expression 1.6 16V (versão intermediária), que tem os equipamentos da versão de entrada, além de airbag duplo, alarme, banco do motorista com regulagem de altura, vidros traseiros elétricos; para-choque superior na cor da carroceria; barras de teto longitudinais na cor preta e rodas de aço aro 16". Bem que a marca francesa poderia reduzir o valor da Expression de R$ 50.450 para os R$ 48.300 e passar a vendê-la como a versão de entrada.
Duster Expression deveria ser a versão de entrada
Com o preço de R$ 53.490, a versão de entrada do EcoSport, S 1.6 16V, é mais cara e mais equipada do que o Duster intermediário. O Ford vem equipado com faróis com LED, para-choques na cor do veículo, direção com assistência elétrica, ar-condicionado; vidros dianteiros, travas e retrovisores elétricos; airbag duplo; freios com sistema ABS, rodas de aço de 15", abertura elétrica do porta-malas; grade do radiador na cor cinza midgrey; ajuste de altura e profundidade da coluna de direção, ajuste manual de altura do banco do motorista, assento do banco traseiro rebatível, banco traseiro reclinável e com assento e encosto bipartido (60/40); compartimento porta-objetos embaixo do banco do passageiro; fixadores laterais traseiros (2 posições) para cadeiras de crianças (ISOFIX); lavador, limpador e desembaçador do vidro traseiro; porta-luvas climatizado; controle de rádio e comandos configuráveis no volante; Sync Media System com comandos de voz em português (para funções de áudio e telefone) e bluetooth; CD Player com MP3, conexão Bluetooth, entrada USB e entrada auxiliar; tela de 3.5 polegadas no painel central, entre outros itens de série.
EcoSport é mais caro e equipado
 O valor do EcoSport S é um pouco inferior ao do Duster Dynamique. Com o preço sugerido de R$ 54.200, a versão topo de linha do Renault tem os itens da Expression, além de bancos traseiros rebatíveis 1/3 - 2/3, volante com revestimento em couro, freios com sistema ABS, faróis de neblina, apoios de cabeça traseiros (3) reguláveis em altura, computador de bordo, retrovisores elétricos, iluminação no porta-malas, retrovisores exteriores cromados, barras de teto longitudinais na cor alumínio, rodas de alumínio aro R16", para-choque inferior na cor da carroceria; comando satélite de áudio e celular na coluna da direção; e radio CD Player MP3 com 4 alto-falantes, conexão USB/iPod, bluetooth e auxiliar.
Topo de linha, Duster Dynamique é a melhor versão do Renault
A Ford contra-ataca com a versão intermediária SE 1.6 do EcoSport, que custa sugeridos R$ 56.490 e tem os itens da S além de vidros traseiros elétricos, faróis de neblina, rack (bagageiro) no teto, rodas de aço de 15" estilizadas e grade do radiador na cor light finish/satin aluminuim. Na minha opinião, a versão SE deveria perder o rack (que viraria acessório, já que não é todo mundo que gosta) e virar a versão de entrada, por R$ 53.490.

Pagando R$ 59.990, é possível levar o sucesso de vendas da Ford, a versão FreeStyle do EcoSport 1.6 16V. Além dos itens da SE, tem ainda 6 alto-falantes, abertura e fechamento global das portas e vidros, acendimento automático das luzes de emergência após frenagem brusca, AdvanceTrac com ESC - Controle eletrônico de estabilidade e tração; ajuste lombar do banco do motorista, alarme volumétrico anti-furto, bagageiro de teto na cor cinza london, computador de bordo, descansa braço do lado do motorista, espelhos retrovisores externos elétricos, na cor cinza london, com pisca integrado, grade do radiador na cor cinza london, assistência de partida em rampas (HLA); manopla de câmbio com acabamento em couro, maçanetas externas das portas na cor cinza midgrey, rodas de liga-leve aro 16" com Pneus 205/60, ponto de força 12V extra no banco traseiro, sensor de estacionamento traseiro, vidros elétricos dianteiros/traseiros com 1 toque cima/baixo e anti-esmagamento.
EcoSport FreeStyle é a versão que mais vende do Ford
Por R$ 63.690, você leva o FreeStyle completo, com 6 airbags (dianteiro/ laterais e cortinas) e bancos revestidos parcialmente em couro.

A versão mais completa do EcoSport 1.6 16V é a Titanium, que tem preço sugerido de R$ 63.990 e vem com quase todos os itens da FreeStyle, somando acendimento automático dos faróis, acesso Inteligente - sistema de destravamento das portas por sensor de proximidade na chave, ar-condicionado digital, bagageiro de teto na cor prata, espelho retrovisor interno eletrocrômico, espelhos retrovisores externos na cor do veículo, Ford Power - partida sem chave; grade do radiador cromada, limpador do para-brisa com sensor de chuva e maçanetas externas das portas na cor do veículo
Com motores 1.6 16V e 2.0 16V, EcoSport Titanium é a versão topo de linha
Com 6 airbags (dianteiros/laterais e cortinas) e bancos revestidos parcialmente em couro, o EcoSport Titanium 1.6 custa R$ 67.690.

2.0 16V
Se você gostou do Duster Dynamique, mas acha o motor 1.6 fraco, saiba que, por R$ 57.850, é possível levar a mesma versão, mas com propulsor 2.0 16V. Os itens de série são iguais. O mesmo acontece com o EcoSport FreeStyle 2.0, que custa a partir de R$ 62.490 e tem os mesmos equipamentos do 1.6 16V. Com todos os opcionais, o valor se eleva para R$ 66.190.

A Ford repete a dose com a versão Titanium 2.0, que vem com os itens da 1.6, mas com o preço sugerido de R$ 66.490. Com os únicos opcionais disponíveis do FreeStyle, 6 airbags e bancos revestidos parcialmente em couro, o preço vai para R$ 70.190.
Renault Duster 4WD
Passando agora para os diferenciais das versões 2.0, se você precisar de mais conforto, a versão Dynamique 2.0 do Duster pode ser equipada com câmbio automático de quatro marchas, com o preço de R$ 61.550. Os equipamentos de série são os mesmos da versão Dynamique manual. Caso a sua necessidade seja por mais desempenho no fora de estrada, leve o Duster Dynamique 2.0 4x4 manual, que tem os mesmos itens do 4x2 mecânico e preço sugerido de R$ 62.050 - mas vem com visual diferenciado: rodas de alumínio aro 16" na cor cinza inox, faróis dianteiros com máscara negra, para-choque inferior na cor preta e soleiras externas na cor da carroceria com a face superior na cor preta.

Com o novo EcoSport, a Ford manteve a mesma proposta da primeira geração do modelo, mas fez evoluções consideráveis, especialmente com câmbio automático. Sai de cena a ultrapassada transmissão de quatro velocidades e entra a moderna caixa manual automatizada de dupla embreagem Powershift, que possui seis marchas. Mantendo os mesmos equipamentos de série das respectivas versões, o EcoSport Powershift custa R$ 63.390 (SE 2.0) e R$ 70.890 (Titanium 2.0 - R$ 74.590 com 6 airbags e bancos parcialmente revestidos em couro).
Ford EcoSport 4WD
Já o EcoSport 2.0 4WD está disponível apenas na versão FreeStyle, com o preço sugerido de R$ 66.090. Completo, com 6 airbags e bancos revestidos em couro, o valor sobe para R$ 69.790. Permanente, a tração nas quatro rodas tem a mesma tecnologia do Ford Escape, com controle inteligente de torque (ITCC) e transmissão manual de seis marchas.

Logo...
Sem dúvidas o EcoSport tem uma lista de equipamentos bem mais atraente do que a do Duster, que não é mal equipado apenas na versão Dynamique. Digo isso porque as versões 1.6 e Expression 1.6 ficam devendo, especialmente em segurança, aspecto que sempre levo muito em consideração. Nesse ponto, o Ford leva muita vantagem.

Por outro lado, o Renault é bem mais barato, não importando a versão. Com a diferença de preço entre as versões 4x4, por exemplo, provavelmente seria possível pagar o IPVA, o emplacamento e, quem sabe, até o seguro.

Com três anos de garantia para ambos, o primeiro quesito avaliado neste Duelo terminou empatado.

EcoSport S 1.6 16V - R$ 53.490
EcoSport SE 1.6 16V - R$ 56.490
EcoSport FreeStyle 1.6 16V - R$ 59.990 (R$ 63.690 completo)
EcoSport Titanium 1.6 16V - R$ 63.990 (R$ 67.690 completo)
EcoSport SE 2.0 16V Powershift - R$ 63.390
EcoSport FreeStyle 2.0 16V - R$ 62.490 (R$ 66.190 completo)
EcoSport FreeStyle 2.0 16V 4WD - R$ 66.090 (R$ 69.790 completo)
EcoSport Titanium 2.0 16V - R$ 66.490 (R$ 70.190 completo)
EcoSport Titanium 2.0 16V Powershift - R$ 70.890 (R$ 74.590 completo)
X
Duster 1.6 16V - R$ 48.300
Duster Expression 1.6 16V - R$ 50.450
Duster Dynamique 1.6 16V - R$ 54.200
Duster Dynamique 2.0 16V 4x2 Manual - R$ 57.850
Duster Dynamique 2.0 16V 4x2 Automático - R$ 61.550
Duster Dynamique 2.0 16V 4x4 Manual - R$ 62.050
   
Resultado: Ford EcoSport 1 x 1 Renault Duster
Duster 2.0 tem 138/142 cv de potência
Desempenho
O Renault Duster possui três opções de câmbio: manual de cinco marchas (1.6), manual de seis marchas (2.0 e 2.0 4x4) e automático de quatro marchas (2.0). Quase igual ao Ford EcoSport: manual de cinco marchas (1.6 e 2.0), manual de seis marchas (2.0 4WD) e manual automatizado de seis marchas (2.0 Powershift)

1.6 16V
Duster e EcoSport possuem a mesma potência com motor 1.6 16V, mas o Ford leva vantagem no torque: 0,5 mkgf maior com gasolina e 0,4 mkgf superior com etanol. Entretanto, o Renault atinge o torque máximo com giro a 500 rpm mais baixo. Os pesos são próximos entre dos dois.
EcoSport 2.0 tem 140,5/147 cv de potência
Na prática, o EcoSport é superior ao Duster em desempenho e consumo, fruto, especialmente, de um projeto mais novo associado a um motor mais moderno, o Sigma 1.6 16V. Mas não pense que o Ford anda muito mais. Pelo contrário, ele vence, mas o Duster não faz feio, embora pudesse fazer bem melhor.

2.0 16V manual
Com motor 2.0 16V, o EcoSport entrega 2,5 cv a mais com gasolina e 5 cv a mais com etanol. Mas o Duster atinge a potência máxima 750 rpm antes. Além disso, o Renault tem mais torque (0,8 mkgf com gasolina e 1,2 mkgf com etanol), que chega 500 rpm com o giro do mais baixo.
Com tração 4x2, Duster leva bons 475 litros no porta-malas - Auto Esporte/Reprodução
No dia a dia com o propulsor 2.0, a disputa é mais acirrada do que o 1.6. O Duster Dynamique tem praticamente o mesmo peso do EcoSport Titanium e é 19 kg mais pesado do que o FreeStyle. Entretanto, seu câmbio manual com seis marchas aproveita melhor a força que a motorização 2.0 16V entrega. Pelo lado da Ford, os cavalinhos extras do velho conhecido propulsor Duratec 2.0 16V ajudam um pouco a compensar a falta da sexta marcha no câmbio do EcoSport.

2.0 16V manual 4x4
Se os dois andam praticamente lado a lado com câmbio manual e tração 4x2, com ligeira vantagem para o Renault, o mesmo acontece quando Duster e EcoSport têm tração 4x4. Os 51 kg extras de peso atrapalharam um pouco o Ford. O Renault tem 3 modos para o acionamento da tração: 4x2 (força nas rodas dianteiras), Auto (um sensor analisa quais rodas precisam de mais força e faz a distribuição automática) e Lock (torna o 4x4 mais "sensível", já que o motorista "avisou" o carro que o terreno é mais complicado, como areia e lama, ao acionar o botão).
EcoSport tem apenas 362 litros de espaço no porta-malas - Auto Esporte/Reprodução
Já o EcoSport possui tração nas quatro rodas permanente. O sistema capta informações dos sensores numa frequência de 60 vezes por segundo e distribui o torque automaticamente para as rodas que mais precisam, com velocidade de resposta de 1 décimo de segundo.

2.0 16V automático X automatizado
Quando emparelhamos as versões sem o pedal da esquerda, vitória folgada do EcoSport. Seu câmbio manual automatizado, de dupla embreagem e seis marchas, garante desempenho e consumo superior ao ultrapassado conjunto do Duster, com transmissão automática convencional de apenas quatro velocidades - mesmo que o Duster seja um pouco mais leve.
Câmbio automático do Duster tem apenas quatro marchas, mas trocas sequenciais são mais legais
O Ford fica devendo nas trocas sequenciais, feitas por botões ridículos na própria alavanca do câmbio - paddle shifts seriam muito melhores! Já o Duster permite que as quatro marchas sejam trocadas em modo manual "cambiando" pela própria alavanca - que é mais divertido do que o concorrente.

O quesito desempenho poderia terminar empatado, já que o EcoSport venceu com motor 1.6 16V e com o 2.0 automatizado, enquanto o Duster levou a melhor com propulsor 2.0 4x2 e 4x4. Mas a vitória fica com o Ford por causa da média de consumo. Infelizmente não consegui fazer as minhas próprias medições. Mas, de maneira geral, analisando os testes dos colegas da imprensa, o EcoSport bebe menos.  
Moderno, câmbio do EcoSport tem dupla embreagem e seis marchas, mas trocas sequeniciais são ruins - iG/Reprodução
Ford EcoSport
Potência 1.6 16V: 110/115 cv (g/e) a 6.500/5.500 rpm
Torque 1.6 16V: 15,6/15,9 mkgf (g/e) a 4.250/4.750 rpm
Potência 2.0 16V: 140,5/147 cv (g/e) a 6.250 rpm
Torque 2.0 16V: 18,9/19,7 mkgf (g/e) a 4.250 rpm
Comprimento: 4,241 m
Largura: 1,765 m (2,057 m com retrovisores)
Altura: 1,672 m (1.696 m - Powershift // 1.701 m - 4WD)
Entre-eixos: 2,521 m
Porta-malas: 362 litros
Tanque: 52 litros
Peso 1.6: 1.228 kg (S); 1.249 (SE); 1.243 kg (FreeStyle)
Peso 2.0: 1.302 kg (SE Powershift); 1.275 kg (FreeStyle); 1.404 kg (FreeStyle 4WD); 1.297 kg (Titanium); 1.316 kg (Titanium Powershift);
Consumo 1.6 (etanol): 7,9 km/l na cidade e 10,8 km/l na estrada (Quatro Rodas 633)
Consumo 1.6 (etanol): 8,2 km/l na cidade e 10,6 km/l na estrada (Auto Esporte 08/2012)
Consumo 2.0 man (etanol): 6,7 km/l na cidade e 8,9 km/l na estrada (Quatro Rodas 634)
Consumo 2.0 aut (etanol): 7,9 km/l na cidade e 10,4 km/l na estrada (Quatro Rodas 637)

Renault Duster
Potência 1.6 16V: 110/115 cv (g/e) a 5.750 rpm
Torque 1.6 16V: 15,1/15,5 mkgf (g/e) a 3.750 rpm
Potência 2.0 16V: 138/142 cv (g/e) a 5.500 rpm
Torque 2.0 16V: 19,7/20,9 mkgf (g/e) a 3.750 rpm
Comprimento: 4,315 m
Largura: 1,822 m
Altura: 1,660 m (1,700 m com barras no teto)
Entre-eixos: 2,673 m
Porta-malas: 475 litros (400 litros 4x4)
Tanque: 50 litros
Peso 1.6: 1.202 kg (1.6 16V); 1.258 (Expression); 1.258 kg (Dynamique)
Peso 2.0: 1.294 kg (Dynamique), e 1.276 kg (Dynamique aut); 1.353 kg (Dynamique 4x4)
Consumo 1.6 (etanol): 6,4 km/l na cidade e 8,3 km/l na estrada (Quatro Rodas 622)
Consumo 1.6 (etanol): 6,4 km/l na cidade e 8,1 km/l na estrada (Auto Esporte 08/2012)
Consumo 2.0 4x4 (etanol): 5,7 km/l na cidade e 8,2 km/l na estrada (Quatro Rodas 622)
Consumo 2.0 4x4 (etanol): 7 km/l na cidade e 7,8 km/l na estrada (Auto Esporte 11/2011)

Resultado: Ford EcoSport 2 x 1 Renault Duster
Duster tem acabamento e painel simples...
Espaço, acabamento e conforto
Em termos de espaço interno e para bagagem, o Duster leva a melhor. Cinco adultos podem viajar tranquilos graças às proporções maiores do Renault, que é 7 cm mais comprido, 6 cm mais largo e tem entre-eixos 15 cm mais longo! No porta-malas, as versões 4x2 do Duster comportam bons 475 litros, enquanto a 4x4 leva 400 litros - números superiores aos medianos 362 litros do EcoSport.

Por outro lado, o acabamento do Ford é superior. Não é preciso nem muito esforço para notar. Basta entrar em um e, em seguida, no outro para ver. O Duster é muito simples e precisa evoluir. Seu painel é idêntico ao do Logan e do Sandero - tudo para cortar gastos.
... mas entrega espaço interno superior
O EcoSport também tem bancos mais confortáveis e uma posição de dirigir muito mais agradável, graças aos ajustes de altura do banco e de altura e profundidade do volante. No Renault, banco e coluna de direção só ajustam em altura. Achei o volante do Duster muito perto do painel, problema que seria resolvido com um ajuste de profundidade. Mas entendo que sou muito alto, por isso não levem tanto em consideração esta minha reclamação.
Banco, posição de dirigir e acabamento do EcoSport são melhores...
Rodando, o ajuste de suspensão torna o Duster mais confortável, mas o volante, com auxilio hidráulico, é mais pesado. No Ford, as imperfeições do piso (infelizmente muito comuns no Brasil) são mais sentidas no volante, que é mais leve por causa da assistência elétrica.

Mais um empate entre os dois. 

Resultado: Ford EcoSport 3 x 2 Renault Duster
... mas espaço interno é inferior, especialmente no banco traseiro
Visual
Este quesito não vale nota, mas o EcoSport é superior. Suas linhas são mais modernas e atraentes, mostrando que a Ford fez bem o dever de casa. O pneu na tampa traseira e a dianteira com uma grade enorme servem para aumentar a robustez do modelo.
E robustez pode ser a melhor palavra para descrever "o que o Duster passa" ao consumidor. Suas linhas simples, com traços mais retos e "musculosos", são bem "parrudas", mas ficaram um pouco antigas ao lado do novo EcoSport. Ficou evidente que o Renault poderia ter o design mais inspirado.

Para fechar este quesito, conversei com quatro mulheres e cinco homens, mostrando três fotos de cada carro, sendo uma da dianteira, uma da traseira e outra do painel. Curiosamente, o único ponto unânime entre os nove foi: o Renault passa a sensação de ser um carro bem mais masculino, enquanto o EcoSport é unissex.
Resumo da Obra
O Renault Duster é maior, mais espaçoso para os ocupantes e para bagagem, além de ser mais barato. Já o Ford EcoSport é bem mais equipado, seguro, com melhor acabamento, e com desempenho e consumo superiores (fazendo uma média geral).

Não foi fácil, mas, pelo conjunto da obra, o EcoSport vence o Duster.

Os pontos que precisam de melhora para o Renault são o acabamento, a segurança, a ergonomia e o consumo, enquanto o Ford precisa ter preços mais baixos, mais espaço para os passageiros (especialmente atrás) e para bagagem e tornar as trocas sequenciais do câmbio mais eficientes e divertidas - o botão na alavanca de câmbio realmente é um atraso.
Se eu fosse escolher um para a minha garagem, seria o EcoSport, principalmente pela posição de dirigir e pela segurança. Mas não gosto do estepe externo, nem preso na tampa do porta-malas (EcoSport), nem abaixo do porta-malas (Duster) - o pneu precisa ficar dentro do carro. Se o Duster tivesse ajuste de profundidade do volante, provavelmente ele teria mais chances de ser o meu carro.

Enquete
Com a pergunta "Qual dos dois é a melhor compra do Brasil?", a enquete do De 0 a 100 mostrou que a disputa entre Duster e EcoSport é mesmo acirrada. Mas, diferente do resultado final desde Duelo, na pesquisa o Renault levou a melhor, embora eu possa considerar um empate técnico.

Qual dos dois é a melhor compra do Brasil?
1. Renault Duster - 50 votos (50,50%)
2. Ford EcoSport - 49 votos (49,49%)
Total: 99 votos
Nota do editor
Fazer o levantamento de informações do EcoSport deu um trabalho extra. O site da Ford e os dados de imprensa possuem diferenças que não deveriam existir. Vou citar apenas algumas, como o comprimento do veículo (4,239 m x 4,241 m), equipamentos de série (versão SE tem rodas de aço num lugar e de liga-leve em outro), e assim vai. Mas valeu o esforço.
Fotos: EcoSport: Ford/Divulgação // Duster: Renault/Divulgação

segunda-feira, 16 de julho de 2012

Ford EcoSport tem preço competitivo: a partir de R$ 53.490. Mas quando o IPI voltar, prepare o bolso!


A Ford anunciou, oficialmente (e finalmente, depois de vária especulações - veja aqui e aqui), os preços de algumas versões do novo EcoSport. A de entrada, chamada de S, tem valor sugerido de R$ 53.490 e não vem com opcionais. O EcoSport Freestyle custa a partir de R$ 59.990.

O EcoSport S é equipado, de série, com ar-condicionado, direção elétrica, vidros, travas e retrovisores elétricos; sistema multimídia SYNC com reconhecimento de comandos de voz e Bluetooth, airbag duplo, freios com sistema ABS (anti-travamento) e faróis com LED.
A versão FreeStyle tem os itens da S além de computador de bordo, sensor de estacionamento, vidros elétricos com função “um toque” e sensor antiesmagamento, assistente de partida em subidas (impede que o carro recue após tirar o pé do freio), controles de estabilidade e de tração, rodas de liga leve de 16 polegadas e visual diferenciado. Equipado com airbags laterais e do tipo cortina e bancos de couro, o valor sobe para R$ 63.690.

Estas duas versões têm, debaixo do capô, o motor 1.6 16V Sigma flex que, no Focus e no New Fiesta, desenvolve 110/115 cv de potência e 15,8/16,2 mkgf de torque.
De acordo com a Ford, nesta fase inicial, as primeiras 2.500 unidades do programa de pré-venda organizado pela marca começaram a ser ofertadas no dia 14 de julho - nas versões S e Freestyle. Os compradores podem encomendar o novo SUV nas cores sólidas Branco Ártico e Preto Ebony e nas metálicas Laranja Savana e Prata Enseada.

Eu gostei muito da lista de equipamentos do novo Ford, mas, como eu disse antes, fiquei preocupado com os preços. Se somarmos a redução do IPI (5,5%) com o desconto dado pelas montadoras (1,5%), acrescentaremos mais 7% ao preço de R$ 53.490, elevando o valor para inadequados R$ 57.234 - já a partir de 1° de setembro (se o governo federal não prorrogar a redução).
Ford EcoSport Titanium 2.0 16V, sem o IPI reduzido, pode custar um absurdo
Já o EcoSport Freestyle 1.6 16V subiria de R$ 59.990 para R$ 64.189. E a versão Freestyle completa sairia de R$ 63.690 para estratosféricos R$ 68.148! Pensem agora nos preços das versões 2.0 16V, como a topo de linha Titanium!
Fotos: Ford/Divulgação

sexta-feira, 6 de julho de 2012

Impressões: Ford Ecosport: bom na cidade, valente na trilha leve e reprovado na estrada

Com tantas Impressões publicadas, o Pedro já virou um cidadão honorário do De 0 a 100. Sua mais nova aventura foi a bordo de um Ford EcoSport, da atual geração, que se despede em breve do nosso mercado - sendo substituído por um modelo totalmente novo. As impressões do Pedro em relação ao jipinho da Ford são bem parecidas com a minha. Confiram!

Quem quiser participar do Impressões, como o Leônidas, o Rafael, o Jow, o Hugo, o Bruno, o Joathan, o Leônidas (de novo!), o Hugo Leite, o Pedro, o Piauí Jr., o Renato Dantas, o Mário Cesar, o Mário Cesar (de novo!), o Renato Dantas (de novo!), o Joathan (de novo!), o José Barbosa Júnior, o Jefferson de Oliveira, eu mesmo (Volvo XC60, Astra e Lincoln Town Car), o Leonardo Vilela, o Mário César (mais uma vez!), o Pedro (de novo!), o Wladimir Pereira, o Wladimir Pereira (de novo!), o Pedro (de novo!), o Éder Sibilin, o Pedro (de novo!) e o Pedro (mais uma vez), basta enviar um e-mail para renatoparizzi@gmail.com. Fale um pouco sobre o seu carro. Descreva os pontos positivos, negativos e conte alguma coisa curiosa! E não se esqueça de mandar fotos do veículo (só serão publicados posts com fotos). Fique tranquilo porque a placa (ou algum outro detalhe) não será mostrada.
"Lançado em 2003 e construído sobre a plataforma do Fiesta de segunda geração, o Ecosport se beneficiou do crescente mercado dos aventureiros urbanos para se tornar um sucesso nas ruas brasileiras. Motivos para isso não faltaram, tais como o visual de “jipinho”, a posição elevada de dirigir e o preço reduzido quando comparado aos “SUVs de verdade”.

Com aproximadamente 10 anos de mercado, o Ecosport da geração atual chegou ao fim de seu ciclo de muito sucesso no Brasil. Mas somente em 2012 tive a chance de assumir o volante do Ford, versão 1.6 Freestyle, em um longo teste de fogo.
Versão alugada foi a Freestyle básica.
Foram 700 km de asfalto e 600 km de terra. Rodovias, trânsito urbano, lama, cascalho e até mesmo “dentro d’água”, fiz o que todos deveriam ter a oportunidade de fazer antes de comprar um carro (conhecê-lo a fundo em todas as situações). Nos três dias de contato com o veículo, o Eco se mostrou bem acertado para o uso urbano e off-road (sem grandes pretensões), mas alguns aspectos negativos prejudicaram o modelo em viagens longas e ciclo rodoviário.

Aluguei o Ford para me auxiliar em um trabalho realizado nos municípios mineiros de Pirapora, Buritizeiro, Três Marias e Várzea da Palma. Após retirá-lo da locadora e encarar um trânsito pesado, fiz uma avaliação do interior do jipinho.

ESPAÇO INTERNO, ACABAMENTO E HABITABILIDADE
Observado de fora, os 4,24m (com estepe) do modelo aparentam ser maiores do que realmente o são, muito por conta da plataforma herdada do Fiesta, que atrapalha a habitabilidade. De negativo, destaco os materiais e desenho dos painéis no interior, que arremetem a algo antigo e de qualidade questionável; o espaço para os pés muito limitado sob os bancos traseiros; o encosto de cabeça traseiro que não tem utilidade; a falta de descansa pé para o motorista, sendo difícil apoiá-lo na caixa de roda; o porta-malas, de 296 litros, tão pequeno quanto o do Fiesta; e a escassez de equipamentos de segurança.
Ford/Divulgação
Interior e acabamento simples não condizem com o preço cobrado no modelo. O Ford também deve em equipamentos.
Por falar nos equipamentos, o Ford que, na versão Freestyle, custa em torno de R$ 50 mil, é equipado com: trio elétrico; direção hidráulica (sem ajuste de profundidade, como no Fiesta); ar-condicionado manual; som My Connection, com entrada USB, para iPod e Bluetooth; volante revestido em couro; faróis de neblina; rodas aro 15’’ calçadas por pneus de uso misto Scorpion; computador de bordo com consumo médio e limitador de velocidade; compartimento refrigerado no porta-luvas. Mas nada de ABS e/ou airbags. Um carro pouco equipado e seguro para o preço cobrado.

Já o número de porta-objetos; sistema de som My Connection e a boa posição de dirigir (apesar da falta de um local adequado para apoiarmos o pé) me agradaram. O espaço interno, por sua vez, embora o Eco seja em sua essência um carro compacto, é razoável para pernas, cabeça e largura interna.

NA CIDADE
Antes de acessar a BR-040 rumo a Três Marias, busquei 3 companheiros de trabalho em suas casas para seguir viagem. No trânsito, as constantes mudanças de marcha atenuaram a falta do descansa-pé. Já a suspensão é bastante macia e filtra bem os buracos, garantindo um rodar sem grandes solavancos em pisos irregulares. O peso razoável da direção, o bom câmbio e torque em baixas rotações, somados à boa visibilidade, tornam o Eco um veículo agradável para a cidade, mas à medida que fomos colocando mais pessoas e bagagem no veículo, a minha relação com o Ford foi abalada.

NA ESTRADA
Após colocar 3 das 4 pessoas no carro, fomos obrigados a posicionar o restante da bagagem entre os ocupantes no banco traseiro. O compartimento destinado a este uso, que aparentava ser pequeno, ficou ainda menor quando colocamos a primeira mala, daí a constatação que o espaço para bagagem é bastante diminuto. Depois de remanejar as bolsas, nos acomodamos e seguimos para a estrada.

Sob a luz da lua na BR-040, pude ver que os faróis têm iluminação apenas razoável. Aproveitamos a viagem tranquila para conversar e ouvir música, mas nesse momento percebemos uma falha grave do modelo: o elevado ruído de rodagem, tão alto que era necessário elevar o tom da conversa. Faltou capricho na manta que isola as caixas de roda.

Alguns minutos mais tarde, já no trecho de pista simples do caminho, aproveitei a ocasião para explorar melhor o câmbio e os limites do motor 1.6 8v de 107 cavalos e pouco mais de 15,5 kgfm de torque (abastecido com álcool).

E foi na estrada que ficou evidente a simplicidade do projeto. O bom acerto para o uso urbano não se aplica ao ciclo rodoviário. À exceção do câmbio, que apresenta ótimos engates e é bem escalonado, a direção, os freios, o motor e a suspensão não são o que eu considero ideal, mesmo levando-se em conta as limitações da cilindrada e a faixa de preço em que o Ford se insere.

O motor carece de força em altas rotações e tem funcionamento um tanto áspero e ruidoso nessas condições (um cabeçote 16V resolveria parte dos problemas). A suspensão, os freios e a direção, acima dos 100 km/h, não transmitem segurança ao motorista. Caso seja necessário efetuar alguma manobra de emergência, o comportamento deste modelo de suspensão elevada e “mole” não é dos mais previsíveis. E o fato de ter que apoiar meu pé esquerdo no tapete também não agradou.

FORA DE ESTRADA
Depois de 3 horas de viagem e uma pernoite em Três Marias, iniciamos o trabalho às 8h da manhã e o terminamos às 17h no primeiro dia. Foram 9 horas dentro do carro em várias estradas de terra às margens do rio São Francisco (detalhe: recorremos às barrinhas de cereal ao invés de uma pausa para o almoço).

Quanto mais rodávamos em estradas ruins, mais era evidente o tanto que aquela suspensão macia amenizava o bombardeio na coluna dos 4 ocupantes. Mas quem viaja à frente tem mais conforto, seja pela calibragem mais macia da suspensão dianteira, seja pelo maior espaço para os pés – uma estranha estrutura metálica sob os bancos dianteiros rouba bastante o conforto de quem vai atrás.
No uso off-road sem grandes pretensões, o modelo se saiu muito bem, favorecido pelos bons ângulo de entrada e vão livre do solo.
Na hora de cruzar córregos e trechos alagadiços, os 20 centímetros de vão livre do solo e os 28º de ângulo de entrada levaram o Eco a lugares que um modelo compacto e baixo dificilmente iria. Em alguns momentos, cruzamos afluentes do rio São Francisco com água acima da linha inferior da porta, e para nossa felicidade nenhuma gota infiltrou para dentro da cabine. Merecem destaque também os pneus Scorpion de uso misto, que foram importantes aliados na hora de atravessar trechos com um pouco de lama e areia fofa.

Assim como na cidade, o motor, o câmbio e a direção também estão afinados para o uso “off-road” sem grandes pretensões. Ao fim de 2 dias abusando do modelo em estradas sem pavimento, nas mais diversas situações, o jipinho foi aprovado para o uso e aparentou robustez. Vale destacar que, apesar da baixa qualidade do acabamento e dos materiais no interior, não se ouvem muitos ruídos provenientes dos plásticos no habitáculo, mesmo em se tratando de um modelo de locação.

CONSIDERAÇÕES FINAIS
No retorno a Belo Horizonte, levamos o carro para ser lavado, pois tinha barro até no chaveiro. Após um bom banho, entreguei o veículo à locadora com duas certezas: a de que recorreria a ele para um trabalho futuro e a de que não compraria o modelo, nem mesmo a versão mais completa, com motor 2.0.
Em todo o contato que tive com o Ford, ficou evidente que ele não consegue agradar aos dois usos predominantes à maioria das pessoas: o rodoviário e o urbano. Por se tratar de um projeto simples, essencialmente um Fiesta com suspensão elevada, o bom acerto para um uso o prejudica para o outro.

Tem-se a sensação de que faltou cuidado na hora de pensar no interior, quer sejam pelos deslizes na ergonomia, quer sejam pelos problemas de acabamento. Mesmo conhecendo as limitações do uso de um propulsor 1.6 em um modelo de mais de 1.150 kg, as respostas ao acelerador e o conforto acústico em ciclo rodoviário são inferiores à do veículo 1.6 (e mais pesado) que possuo na garagem. Soma-se a isto que, acima dos 100 km/h, o acerto de direção, freios e suspensão é o que posso classificar como “traiçoeiro”.

Gastando-se pouco mais de R$ 50 mil, pode-se levar qualquer hatch médio moderno (que atendem mais ao meu uso) para a garagem e, como consequência, mais conforto, segurança e desempenho, por um valor não muito diferente do cobrado no Ford.

Mas se o comprador fizer vista grossa para vários aspectos negativos no interior do veículo e referentes ao comportamento na estrada, o Ecosport é uma opção válida, pois é agradável de dirigir na cidade e na terra, além de ser uma boa opção para quem busca um carro mais alto para trabalho em regiões com piso irregular.

Espero que, em sua nova geração, a Ford refine a construção do modelo, corrigindo ou amenizando os problemas de ergonomia e melhorando seu comportamento na estrada, pois é onde o bicho pega quando o assunto é Ecosport." 

Opinião do blogueiro
Como eu disse no início, concordo com quase tudo que o Pedro escreveu. Vou ainda mais além: testei o Ford EcoSport 2.0 automático na cidade e estrada e sofri com os mesmos problemas de barulho e de desconforto para a perna esquersa (motorista). Achei também que o motor 2.0, casado com o câmbio automático, demorou um pouco para responder, mas nada de exagerado ou fora do esperado.

O espaço pífio do porta-malas nem merece meu comentário. Em relação ao acabamento, reconheço que ele melhorou com o tempo, mas ainda deixa a desejar, especialmente se pensarmos em veículos com com preços que variam entre R$ 50.000 e R$ 65.000.

Para rodar na cidade e numa trilha leve no final de semana, o EcoSport atual atende bem. Para viagens mais longas, ele realmente deixa a desejar.

Fecho com uma história bem resumida: em 2004, fui convidado para o lançamento da nova Ranger. O teste com a picape aconteceu durante a manhã, com trechos de cidade, estrada e trilha. No entando, choveu torrencialmente na noite anterior ao teste. Logo, a trilha virou lama, e a diversão só aumentou.

Quando chegamos ao ponto de encontro, depois de usarmos a tração 4x4 reduzida, um EcoSport 4x4 amarelo nos aguardava no local. Quando desci do carro, fiz a seguinte pergunta ao engenheiro da Ford: "como aquele Ecosport chegou aqui?", e complementei: "se a Ranger precisou da reduzida, o Eco só pode ter sido rebocado para cá". Ele riu, desconversou e, depois de muito tempo, disse que o modelo tinha chegado lá na noite anterior.

Pedi inúmeras vezes para dar uma volta com aquele EcoSport no local onde estávamos, mas a Ford recusou. Em off, o mesmo engenheiro comentou que o carro não conseguiria passar pelos locais onde a Ranger passou, mesmo com o 4x4 ligado - nenhuma novidade.

Poucos antes de voltarmos para o hotel, eu me despedi do engenheiro e disse: "boa sorte! Espero que você saida daqui ainda hoje com o EcoSport, pois a previsão é de chuva para esta tarde". Com cara de desânimo, ele se despediu. E realmente choveu...

sexta-feira, 23 de março de 2012

Conheça o visual definitivo do novo Ford EcoSport

Finalmente o visual do novo Ford EcoSport 2013 foi revelado! Sem disfarces, o modelo foi flagrado durante crash-tests, conforme publicou o Notícias Automotivas.

Analisdando as fotos, o novo EcoSport tem seu design praticamente idêntico ao do conceito mostrado pela Ford no início do ano em Brasília. A principal diferença está nos faróis dianteiros, que foram simplificados no modelo de produção. A versão fotografada era a Freestyle.
Gostei bastante do visual do EcoSport, que ficou moderno, com linhas marcantes e com "personalidade forte". Foi uma evolução e tanto se comparado à primeira geração (compare as fotos abaixo). Sobre os detalhes, na frente, achei a entrada de ar um pouco grande demais, mas quero ver o veículo ao vivo para analisar melhor. O que eu não entendi foi a posição da placa dianteira. Não seria possível colocá-la mais alguns centímetros para baixo? Nas laterais, as rodas são muito parecidas com a atual geração do EcoSport na versão Freestyle e os retrovisores lembram o do finado Fiat Stilo.

Fica difícil imaginar como o Renault Duster terá condições de brigar com novo EcoSport no quesito visual e "sexyapeal". Mas se a Ford cometer o erro de lançar a nova geração do seu SUV com preços altos demais (ou pouco equipada), partindo da cada de R$ 60.000 (como especulado aqui), a Renault poderá nadar de braçadas.
O novo Ford EcoSport será lançado oficialmente em breve e será equipado com os motores 1.6 16V Sigma flex e o 2.0 16V Duratec flex. O comentado propulsor 1.0 EcoBoost deve ficar para (bem) depois. A expectativa é que o modelo seja vendido com duas opções de câmbio, manual e automático, e duas de tração: 4x2 e 4x4.
Fotos da quase aposentada geração do EcoSport: Ford/Divulgação