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quarta-feira, 16 de maio de 2012

O velho problema de quase todos os carros: consumo

Na semana passada troquei alguns e-mails que me fizeram pensar muito sobre o assunto. O internauta Ricardo Marques comentou comigo as suas experiências recentes com automóveis e como ele estava frustrado em relação a média de consumo dos carros que ele tinha e tem atualmente. Reproduzo abaixo parte do que ele disse (juntei o conteúdo num único texto e dei uma resumida para ficar mais direto, com prévia autorização do Ricardo):
Volkswagen/Divulgação
"Como a família estava maior, eu era proprietário de um Chevrolet Vectra Elite 2.0 automático, com motor Flexpower atualizado. Carro muito confortável, mas sempre achei que a média de consumo estava ruim, mas eu me lembrava que o carro tinha motor antigo e câmbio de quatro marchas ultrapassado. Na cidade, com etanol, a media ficava na casa de 6 km/l, enquanto na estrada, subia para 8,2 km/l. Com gasolina, eu conseguia, na cidade, média de 7 km/l e, na estrada, cerca de 10 km/l. O ar-condicionado estava ligado quase o tempo todo e, na estrada, o carro estava sempre carregado, com quatro pessoas e muita bagagem.

Um dos meus filhos foi morar sozinho enquanto o outro foi fazer intercâmbio. Logo, resolvi atualizar o Vectra, já que espaço no porta-malas deixou de ser uma prioridade. Foi então que comprei um Honda Civic LXL SE automático, o último da concessionária da minha cidade, segundo o vendedor, antes da chegada da nova geração. Fiz um excelente negócio (o novo Civic é muito feio e paguei quase R$ 12.000 a menos que o preço de tabela no meu LXL SE). 

Mas, mais uma vez, o consumo veio me assombrar. Com álcool, consigo mais ou menos 6,6 km/l na cidade e 9 km/l na estrada. Com gasolina, fico na casa de 7,5 km/l na cidade e não consigo passar de 11 km/l na estrada. Meu carro tem 19 mil km rodados e todas as revisões em dia. É uma decepção! A Honda prega a modernidade do seu motor, tem câmbio automático de cinco marchas, e o carro bebe muito. Sem contar que o tanque é pequeno. Tenho que parar no posto toda hora. Estou até pensando em trocar de carro.
Honda/Divulgação
Tenho medo agora de trocar o Civic num Novo Civic e sofrer com o mesmo problema. Tenho o mesmo medo com o Cruze. O Corolla eu não gosto e Hyundai eu me recuso a comprar. Vou esperar mais um pouco para decidir o que fazer.

Espero que você possa levar essa discussão para o seu blog."

O internauta Marcelo Chicol também está bastante incomodado com a média de consumo do seu Celta Spirit, considerando um absurdo os números divulgados pela Chevrolet. Seu Celta tem ar-condicionado, direção hidráulica, travas e vidros elétricos. Vejam a fala dele, seguida pela média de consumo do compacto, já publicada no Consumo Real.

"A propaganda que a GM faz é mentirosa e isso é um assalto ao consumidor que é enganado".

. Chevrolet Celta Spirit 1.0 (2009/2010) - Na cidade, média de 6,5 km/l com etanol e 8,5 km/l com gasolina, com o ar-condicionado ligado 50% do tempo. Na estrada, com etanol, médias de 10,5 km/l (80 km/h e ar-condicionado ligado), 9,5 km/l (110 km/h e 120 km/h e ar-condicionado ligado) e 8 km/l (130 km/h e 140 km/h e ar-condicionado ligado). Com gasolina, médias de 12,5 km/l (80 km/h e ar-condicionado ligado), 11 km/l (110 km/h e 120 km/h e ar-condicionado ligado) e 10 km/l (130 km/h e 140 km/h e ar-condicionado ligado).

Chevrolet/Divulgação
Realmente achei a discussão merecia ver aqui para o blog. Boa parte dos donos dos mais de 240 carros que tenho as médias de consumo publicadas no Consumo Real reclamaram da média de consumo ao me enviarem os números. São poucos que elogiam ou que fazem algum comentário positivo.

O resultado da enquete, que ficou no ar por alguns dias aqui no De 0 a 100, reflete esta frustração geral:

Você está satisfeito(a) com a média de consumo do seu carro?
Não - 67 votos (76,1%)
Sim - 21 votos (23,8%)
Total - 88 votos

A tecnologia flex chegou para tornar o automóvel mais versátil na hora de abastecer. Além disso, ela permitiu diminui a dependência do petróleo por um alternativa renovável e bem mais limpa. Mas são poucos os motores que conseguiram atingir um equilíbrio em relação a desempenho e consumo com a tecnologia bicombustível.

Mas esse não é só o problema. O combustível vendido no Brasil é de péssima qualidade se comparado ao de outros países. Como eu disse em 2010 (esse post quase não fica velho), fico muito incomodado quando a Pretrobras diz na TV que "todo carro sonha em ser abastecido com o combustível Petrobras" (obviamente nos postos BR). Mas por quê a gigante estatal não comenta nos comerciais que a sua gasolina, comum ou aditivada (Supra), produz 1.000 partículas por milhão (ppm) de enxofre? Ipiranga, Shell, Alê e outros postos também vendem suas gasolinas com o mesmo (altíssimo) teor de enxofre - e por preços absurdos se comparados ao de outros países!

O pior de tudo é que a população brasileira será obrigada a conviver com essa gasolina de qualidade inferior, que polui mais o planeta e intoxica mais as pessoas, até o final do ano que vem! Só a partir de 1º de janeiro de 2014 é que o teor será reduzido para 50 ppm de enxofre (ainda superior ao valor atual da gasolina Podium da Petrobras, que é de 30 ppm), de acordo com resolução publicada pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

Portanto, temos o problema do motor flex e da gasolina ruim, que comentei, e dos conjuntos mecânicos (motor/câmbio) que o Ricardo falou. Falta ainda um componente importante no "jogo do alto consumo": o motorista (proprietário/usuário).

É dele o papel de cuidade do veículo, mantendo a manutenção em dia, os pneus alinhados e calibrados, entre outras coisas. Ele também precisa ter consciência de que, se ele pisa mais, o seu carro vai beber mais (simples assim). Não adianta afundar o pé para fazer o desempenho melhorar, se depois ele reclama que o carro 1.0 dele bebe demais.

Para encerrar a minha parte inicial da discussão, achei estranha a propaganda da Allianz, que mostrar uma mulher que salvou um casamento (ou algo assim) por levar uma tralha no porta-malas. Ter uma capa de chuva, um moletom e um guarda-chuva é tranquilo, mas fiquei pensando se a mulher não teria outras coisas guardadas. Não custar lembrar que: peso morto aumenta o consumo do veículo!

Gostaria de ouvir a opinião de vocês! Se quiserem analisar (e enviar novos números) o consumo de dezenas de carro, acesse o Consumo Real do De 0 a 100. Se quiser fazer o seu carro beber menos, veja aqui algumas dicas.

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

Chevrolet Vectra Next Edition... bom, mas tarde demais

Sei que o lançamento do Vectra Next Edition já passou, mas eu não poderia deixar o De 0 a 100 "em branco" sobre a linha 2009 do sedã médio da Chevrolet. Vamos começar de fora para dentro.

Visualmente gostei das mudanças, embora eu ache que a dianteira tenha ficado com uma impressão de “remendo”, especialmente se comparada a do Malibu (veja a foto abaixo), que foi projetado para ter a frente com o design mundial da marca. Já a traseira recebeu mínimas mudanças, que a deixaram mais limpa e bonita, com o logo da Chevrolet sem o circulo e sem o “Flexpower” abaixo do “2.0”. As luzes das setas nos retrovisores também são interessantes, embora não sejam nenhuma novidade.
Internamente as mudanças foram muito bem vindas! Finalmente o modelo tem rádio CD Player com entrada iPod e SD Card e, principalmente, conexão para o celular via Bluetooth. Os bancos também são novos, e estão mais largos e com materiais melhores e, por consequência, mais confortáveis. Outro ponto que evoluiu foi o espaço, não para os ocupantes, mas sim para os objetos, com alguns porta-trecos novos.

Debaixo do capô está outra grande atração do Vectra Next Edition, a versão evoluída do motor 2.0 Flexpower. Segundo a Chevrolet, ele está mais potente, econômico e menos poluente. O propulsor desenvolve agora 133 cv com gasolina (contra 121 cv do anterior) e 140 cv com álcool (versus 128 cv do antecessor) - valores que eu adiantei há algum tempo (aqui, aqui e aqui). O torque com o combustível fóssil também melhorou, subindo de 18,3 kgfm para 18,9 kgfm. Com o derivado da cana-de-açúcar a melhora foi mais discreta: de 19,6 kgfm passou a 19,7 kgfm (superior ao Civic Si).
Se o bolso do motorista vai sentir a diferença na hora de abastecer, isso ainda não podemos dizer. Pelo menos na hora de comprar o carro o interessado já vai pagar um pouco menos se comparado à versão do ano passado. A versão Expression, a mais simples, tem preço sugerido de R$ 54.098, contra R$ 54.348 da linha anterior (R$ 250 a menos). A Elegance caiu de R$ 64.692 para R$ 63.704 com câmbio automático (R$ 988 a menos), e de R$ 60.868 para R$ 60.718, com transmissão manual (R$ 150 mais em conta).
Bancos são novos: mais largos e confortáveis
A Elite, topo de linha, foi a que teve a maior redução de preço: R$ 72.814 para R$ 70.664 (R$ 2.150 a menos). Fica clara a intenção da Chevrolet de, primeiro, abrir caminho para a chegada do Malibu e, segundo, colocar as versões mais simples do Vectra para brigar com as de entrada do Linea, Focus Sedan e Megane (e até de carros de outra categoria) e a Elite para comprar uma briga com as versões LXS do Civic e XEi do Corolla. Vamos ver o que vai acontecer.
Motor 2.0 Flexpower ganhou 12 cv e agora desenvolve 133 cv de potência com gasolina e 140 cv com etanol
O mais interessante foi que o Vectra Next Edition ficou, de acordo com a Chevrolet, mais econômico com câmbio manual; e, por incrível que pareça, mais beberrão com o câmbio automático! Vale lembrar que a transmissão é a tradicional e pouco moderna automática de quatro marchas, como foi bem lembrado pelo Marcus Quintanilha. Talvez a GM tenha apenas aproximado o número de consumo que ela conseguiu com aos valores reais encontrados pelos motoristas comuns.

Vectra Elite 2.0 (2008)
Consumo NBR 7024 (km/l) - (Cidade/Estrada/Média):

Câmbio manual
Gasolina: 10,1 / 15,1 / 12,4
Álcool: 7,3 / 10,7 / 8,8

Câmbio automático
Gasolina: 10,1 / 14,9 / 12,3
Álcool: 7,1 / 10,3 / 8,7

Vectra Elite 2.0 Next Edition
Consumo NBR 7024 (km/l) - (Cidade/Estrada/Média):

Transmissão manual
Gasolina: 10,8 / 16,1 / 12,7
Álcool: 7,6 / 11,2 / 8,9

Transmissão automática
Gasolina: 9,7 / 14,0 / 11,2
Álcool: 6,9 / 9,9 / 8,0

Agora você deve estar se perguntando por que eu escrevi no título "bom, mas tarde demais".
Finalmente o Vectra tem som com Bluetooth e entradas auxiliar e de cartão
Digo isso porque o Vectra realmente evoluiu com as alterações, virando um carro bem mais competitivo para o segmento. Porém, as mudanças vieram tarde demais. O novo som e os bancos, por exemplo, já poderiam estar disponíveis há mais tempo. Com isso, o (ótimo) Honda Civic vai continuar reinando absoluto na liderança, com o (também ótimo) Toyota Corolla em segundo lugar, crescendo algumas vezes no retrovisor do seu principal concorrente nipônico. O Vectra precisa crescer e se consolidar de vez na terceira colocação pensando em incomodar o Corolla em alguns momentos. Mesmo sendo um carro muito bom, Focus Sedan continuará vendendo menos que os três já citados, assim como Linea, Megane, Sentra e 307 Sedan.

Quando o Chevrolet Cruze chegar ao nosso mercado, aí­ sim teremos um adversário com reais chances de tirar a dupla de japonseses do topo.
Fotos: Chevrolet/Divulgação