terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Ford Focus se prepara para fechar 2012 na liderança. Ano que vem promete entre os hatches médios!

Ford/Divulgação
Quem diria! Depois de muito tempo tentando, finalmente um dos melhores carros do Brasil deverá fechar um ano no topo do seu segmento! Estou falando do Ford Focus, que caminha, com relativa folga, para ser o 1º no ranking entre os hatches médios mais vendidos em 2012 no Brasil - essa é a minha categoria de carros favorita.

Mesmo com as inúmeras estratégias erradas de Ford para vendê-lo (exemplos: lançar o modelo apenas a gasolina; apostar as fichas no Focus Sedan, deixando o hatch mais de lado, etc.), o Focus, vice-líder em 2011, conseguiu superar o Hyundai i30 em 2012, de acordo com os dados de Fenabrave de janeiro até 15 de dezembro, e vai mesmo fechar 2012 em primeiro.
Hyundai/Divulgação
2012 (janeiro até 15 de dezembro)

1º. Ford Focus - 22.742 unidades emplacadas
2º. Hyundai i30 - 18.697 unidades
3º. Volkswagen Golf - 14.367 unidades
4º. Chevrolet Cruze Sport6 - 12.194 unidades
5º. Peugeot 308 - 11.294 unidades
6º. Fiat Bravo - 9.989 unidades
7º. Nissan Tiida - 9.032 unidades
8º. Citroën C4 - 6.911 unidades

Mas a situação do Ford não será fácil em 2013. Mesmo custando um absurdo, o Chevrolet Cruze Sport6 está vendendo bem, sendo o modelo mais comercializado do segmento em novembro. Lançado em abril, ele é o 4º no ranking de 2012, vendendo, muitas vezes, até mais do que o terceiro, o veteraníssimo Volkswagen Golf (4,5).

Com as mudanças previstas para o Sport6 (MyLink com bela tela no painel + pequena reestilização na dianteira, que pode ficar para depois), o Cruze hatch deve continuar dando muito trabalho. Imaginem se o preço diminuir?

Novembro - 2012
1º. Chevrolet Cruze Sport6 - 1.824 unidades emplacadas
2º. Ford Focus - 1.776 unidades
3º. Hyundai i30 - 1.354 unidades
4º. Peugeot 308 - 1.335 unidades
5º. Volkswagen Golf - 1.200 unidades
6º. Fiat Bravo - 934 unidades
7º. Citroën C4 - 466 unidades
8º. Nissan Tiida - 335 unidades
Peugeot/Divulgação
Peugeot 308 também está com uma participação expressiva em 2012 e tem tudo para brilhar no ano que vem. Lançado em fevereiro, ele até superou o Focus no Duelo aqui no De 0 a 100. Mas não acho que o modelo consiga mais do que um quarto lugar, mesmo com possíveis novidades para a linha 2014. Só mesmo com a chegada do novíssimo 308, prevista para estrear, no mínimo, a partir de 2015, o modelo terá condições de subir para o top 3.

Outro que precisa mostrar para que veio é o Fiat Bravo. Seu volume de vendas é semelhante ao do Stilo, o que considero ruim, não chegando a 900 unidades por mês em 2012. A marca italiana até se esforçou para torná-lo mais atrativo, aumentando o número de equipamentos de série, lançando o câmbio Dualogic Plus e a versão Sporting. Mas, assim com o Toyota Etios, o Bravo continua patinando nas vendas.
Fiat/Divulgação
Minha sugestão para melhorar a situação seria: redução de preços e adição de mais equipamentos  de série - mas nada de rodas de aro 17" e sim "equipamentos de verdade", como apoia-braço central banco traseiro com porta-copos; sensor de estacionamento traseiro; rebatimento elétrico dos retrovisores externos; Blu&Me (sistema operado por comandos de voz, com porta USB e viva-voz Bluetooth) e, principalmente, airbags laterais.

Grandes mudanças em 2013
Curiosamente, os dois líderes do segmento em 2011 e 2012 devem receber as mudanças mais profundas de 2013. As novas gerações do Ford Focus e do Hyundai i30 estão confirmadas para o nosso mercado.
Novo i30 - Hyundai/Divulgação
O primeiro a chegar, já no 1º trimestre, é o coreano. Testado há muito tempo no Brasil, seu visual, que segue a linha de design da Hyundai, deve ser o grande destaque - (praticamente um Elantra hatch), juntamente com a sofisticação interna. Isso deve acontecer para compensar a perda de desempenho, já que o atual motor 2.0 16V deve dar lugar ao 1.6 16V flex, igual ao do HB20, que desenvolve 122/128 cv de potência - é o mesmo propulsor do Veloster, mas que tem, segundo a Hyundai/Caoa, 140 cv (de mentira) no "esportivo". Pelo menos o câmbio automático terá seis marchas.

No meio do ano está prevista a chegada (da Argentina) do novo Focus (entre vários outros lançamentos previstos), já mostrado pela marca no Salão do Automóvel de São Paulo. Infelizmente, o Focus Sedan vem primeiro (depois pegam no meu pé porque critico a Ford pela estratégia de vendas do Focus...). Para compensar, a família Focus deve ganhar melhorias que estrearam com o novo EcoSport, como o câmbio manual automatizado Powershift de dupla embreagem.
Novo Focus - Ford/Divulgação
Eterna espera
Pelo lado da Volkswagen, a cadeira usada para esperamos sentados pelo novo Golf já quebrou porque ficou com as pernas podres (desgastadas pelo tempo). O Golf 4,5 (ainda) vendido por aqui é um bom carro (se não fosse, não venderia bem). Mas o brasileiro merece mais e nós queremos a geração mais moderna possível do Golf por aqui. Com certeza ele brigaria pela ponta do segmento, ainda mais se tivesse um preço competitivo.

Sobre a expectativa da chegada do novo Golf, prefiro não comentar quase nada, tamanha é a minha decepção com a Volkswagen - quem sabe, na melhor das hipóteses, ele não seja lançado em 2013, de preferência nacional (ou mexicano).
Queremos este Golf! - Volkswagen/Divulgação
O que me deixa um pouco mais animado é saber que nunca estivemos tão perto de termos um novo Golf no Brasil como agora. Mas, por segurança, meu otimismo continua contido.
 
Eternos coadjuvantes?
A Nissan tem algumas opções para o Tiida. A primeira delas, que espero que não aconteça, é apenas reestilizar o atual, aumentando a vida útil dele no mercado nacional por alguns (poucos) anos. A outra, bem melhor, que daria uma vida nova para o Tiida, seria lançar a nova geração do veículo, bem mais bonita e moderna do que a atual. Com a inauguração da fábrica da marca no Rio de Janeiro, prevista para 2014, a Nissan nacionalizará a produção do Versa e do March, abrindo espaço para o aumento do volume das importações dos novos Sentra e Tiida (provavelmente nesta ordem).
Novo Nissan Tiida - Reprodução de arte de Renato Aspromonte - Auto Esporte (Dezembro/2012 - Ed. 571)
Já a Citroën parece que se esqueceu completamente do C4. Moderno em outros tempos, o modelo já sente o peso da idade, que reflete nas vendas. A marca preferiu lançar primeiro sua turma familiar C4 Picasso, C4 Gran Picasso, Aircross e C3 Picasso; sua turma de alta tecnologia e design ousado (mas caros e com baixíssimo volume de vendas) DS3 e DS5; e seu carro chefe no país, o novo C3 (esse com completa razão); deixando, quase que totalmente em segundo plano, o C4 (hatch e Pallas).

Agora vamos esperar para ver se a marca francesa compensa esse aparente "descaso" com o lançamento da nova geração do C4 por aqui - e não com a versão reestilizada na China!
Nova geração do C4 - Citroën/Divulgação
A expectativa é que a nova geração do C4 seja lançada no Brasil em 2013 compartilhando os motores do 308: 1.6 16V EC5 flex, 2.0 16V flex e 1.6 THP. Só peço uma coisa para a Citroën: por favor, TROQUE a caixa de câmbio automático da família C4! Chega de problemas!

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Grupo Caoa quer criar uma montadora 100% nacional. Será que a ideia é viável?

Já pensaram em termos novamente uma montadora de carros 100% brasileira? Aparentemente este é o desejo do polêmico empresário Carlos Alberto de Oliveira Andrade, mais lembrado pelo seu grupo, o Caoa. A ideia não é nova, mas começa a ganhar um pouco mais de corpo - mas ainda muito pouco. 
Reprodução de Gurgel Guerreiro
Eu li a notícia sobre o assunto na revista CartaCapital (edição 728) e fiquei pensando em como seria interessante se tivéssemos uma fabricante de carros genuinamente nacional. Isso não acontece desde 1996, quando a Gurgel faliu. Tudo bem que Volkswagen, Fiat, Chevrolet, Ford e várias outras estão no Brasil há muito tempo, mas elas não nasceram aqui.

Mas entendo que a situação seja bastante desfavorável para esta ideia dar certo. Emboa possível, acho que o projeto do Sr. Caoa tem mínimas chances de avançar.

Primeiro seria necessário um altíssimo investimento financeiro para o projeto nascer. Depois precisaríamos de incentivos do Governo Federal - afinal, é uma empresa nacional. Mas ela seria estatal? Essa é uma outra questão importante.

Indo mais além, se tivermos um fabricante local, inicialmente, ele não deveria ter condições de uma produção em larga escala, como acontece com as três principais marcas nacionais. Isso limitaria bastante as vendas da empresa nacional.

É uma questão realmente muito mais ampla.

Acho que nada vai acontecer e que teremos apenas mais players internacionais com fábrica no Brasil nos próximos anos.

Veja um trecho da reportagem da CartaCapital
Recentemente, bateu às portas do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) o empresário Carlos Alberto de Oliveira Andrade, do Grupo Caoa, dono da maior rede de concessionárias da marca sul-coreana Hyundai no País. Sua proposta: obter o apoio do banco para fundar uma indústria automobilística de capital brasileiro. A decisão da matriz da Hyundai de construir uma fábrica em Piracicaba (SP), inaugurada em setembro, mudou os planos da Caoa, importadora e, até a inauguração da planta, a única representante da montadora no Brasil.

Com capital próprio e tecnologia da Hyundai, Andrade monta a SUV Tucson e um caminhão de pequeno porte na “fábrica” de Anápolis, onde aproveitou os incentivos fiscais dados pelo governo goiano para importar peças e equipamentos. Com a aprovação da MP da guerra dos portos, em abril, contudo, a vantagem tributária tem os dias contados: deixará de vigorar a partir de 1º de janeiro do próximo ano. Daí a urgência do grupo brasileiro de costurar uma saída que lhe permita manter um pé na produção e embarcar no novo regime automotivo, o Inovar-Auto, que também passa a valer em janeiro, mas cujos estímulos estão atrelados a metas de nacionalização da produção, investimento em Pesquisa & Desenvolvimento e eficiência energética. Programa que certamente terá a adesão da Hyundai, no caso dos investimentos diretos da marca no interior paulista, mas não no caso da unidade goiana, um negócio à parte e de responsabilidade exclusiva da Caoa.

Apesar de afinado com os propósitos do governo federal, o projeto dificilmente sairá do papel. A consulta indica, porém, o quanto mudou o cenário do setor, a ponto de uma marca brasileira ser cogitada, algo impensável até pouco tempo atrás. Inaugurada em 1969, a Gurgel faliu em 1996, no rescaldo da abertura do setor na era Collor, e a partir de então os brasileiros deixaram de estar representados sequer marginalmente, como acontecia no caso dos jipes fabricados em Rio Claro (SP).

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

Nissan Tiida Sedan dá adeus ao nosso mercado - e vai embora sem deixar saudades

Ele não está mais entre nós! Se você quer comprar um Tiida Sedan, corra, pois as suas chances de conseguir ainda existem, embora elas sejam mínimas. A Nissan do Brasil parou de importantar e comercializado o carro por aqui. Ele não costa nem mais no site da empresa.

Com o encerramento da produção do modelo na fábrica da marca no Mexico em setembro, já era de se esperar que isso fosse acontecer. A Nissan abriu espaço para se concentrar na produção do Versa e do March, que são mais novos, baratos e atraentes. Além disso, ela alivia um pouco a sua cota de importação do México, podendo aumentar o volume de Marchs e Versas vindos de lá.
O Tiida Sedan vai embora sem deixar saudades. Por mais que ele fosse um carro legal, suas vendas sempre foram poucos expressivas desde 2010, quando ele foi lançado por aqui. Mas, com o Versa no mercado, a versão sedã do Tiida perdeu o seu lugar. Versa e Tiida Sedan já até se enfrentaram no Duelo aqui do De 0 a 100.

Emplacamentos do Tiidan Sedan no Brasil
2010 - 1.479 unidades
2011 - 5.966 unidades
2012 - 1.506 unidades (janeiro a novembro)

Para quem não se lembra, a Chrysler anunciou, no Salão do Automóvel de São Paulo de 2008, que lançaria o Tiida Sedan no Brasil com o estranho nome de Trazo C. Quando a marca desistiu dessa proeza, já em 2009, provavelmente por causa do acordo com a Fiat, até os concessionários da Chrysler comemoraram, já que eles não seriam obrigados a (tentar) vender o modelo (provável mico) para os (possíveis poucos) clientes (interessados).
Mas, em 2010, a Nissan anunciou que importaria o Tiida Sedan para o Brasil. A chance de ser um mico seria bem menor, já que a Nissan é mais estuturada em termos de concessionárias por aqui. E a marca até se esforçou para colocá-lo na "vitrine", mantendo preços competitivos e fazendo anuncios ousados como este.

A Nissan também tentou corrigir alguns erros estratégicos do modelo por aqui, como a falta de airbags e de câmbio automático. Mas já era tarde demais. 

RIP Tiida Sedan.
Fotos: Nissan/Divulgação

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Chevrolet Onix e Hyundai HB20 confirmam a ótima receptivade do mercado. Toyota Etios patina...

Hyundai/Divulgação
No meio do mês passado, fiz um post sobre o resultado parcial das vendas de novembro de três dos principais lançamentos do Brasil em 2012: Chevrolet Onix, Hyundai HB20 e Toyota Etios. Encerrado o 11º mês do ano, percebo que o Onix e o HB20 confirmaram a ótima receptivdade do mercado brasileiro, enquanto o Etios continua patinando nas vendas.

Se até 15 de novembro o compacto da Hyundai estava em 9º no ranking geral de emplacamentos, de acordo com a Fenabrave, ele fechou o mês em 8º, com 8.077 unidades. Já o novo hatch da Chevrolet subiu da 13ª colocação na parcial para a 10ª no mês passado, fechando com 7.409 carros emplacados. O Toyota se manteve no 35º lugar, com decepcionantes 1.322 unidades emplacadas - mais de três vezes inferior ao Corolla, que custa o dobro do preço!

Novembro - 2012
1º. Volkswagen Gol - 25.591 unidades emplacadas
2º. Fiat Uno - 18.611 unidades
3º. Fiat Palio - 17.268 unidades
4º. Volkswagen Fox/CrossFox - 11.676 unidades
5º. Fiat Siena - 11.606 unidades
8º. Hyundai HB20 - 8.077 unidades
10º. Chevrolet Onix - 7.409 unidades
35º. Toyota Etios hatch - 1.322 unidades
Chevrolet/Divulgação
Em novembro, HB20 e Onix, que travaram um dos Duelos mais equilibrados da história do De 0 a 100, superaram até veículos mais consolidades no território nacional, como o Renault Sandero, os Ford Ka e Fiesta, o Chevrolet Agile e o Fiat Punto - estes dois últimos partem de preços mais elevados.

Os japoneses devem ligar o sinal de alerta e preparar mudanças substanciais para 2013. Se somarmos os emplacamentos do Etios hatch desde o seu lançamento, em setembro, e os compararmos apenas com os números do Onix no mês passado (o modelo começou a ser vendido no dia 7/11), notamos que a situação é ainda pior: 2.725 unidades emplacadas (3 meses) X 7.409 unidades emplacadas (1 mês).

Como eu disse antes, a Chevrolet tem muito mais concessionárias do que a Toyota no Brasil, mas não era de se esperar uma diferença tão grande, ainda mais depois de todo "oba-oba" criado em torno do lançamento do Etios por aqui - com os artistas aparecendo até mais do que o carro.
Toyota/Divulgação
E, se pensarmos, Hyundai e Toyota têm um número mais aproximado de concessionárias e nem por isso o HB20 patinou nas vendas. No meu ponto de vista, o Etios tem potencial para vender, no mínimo, o dobro do que vende hoje.

Acumulado do ano - 1º de janeiro a 30 de novembro de 2012
. Hyundai HB20 - 11.388 unidades
. Chevrolet Onix - 7.651 unidades
. Toyota Etios hatch - 2.725 unidades

Como não é possível fazer alterações profundas no Etios neste momento, como visual externo e, especialmente o bizarro painel, resta à Toyota rever a política de preços. Repito a minha sugestão: a versão X 1.3 do hatch deveria custar R$ 29.990, fazendo com que a XS 1.3 valesse R$ 33.490 e a XLS 1.5 fosse encontrada por R$ 38.790 (ao invés de R$ 42.790) - eliminando, de vez, a quase desnecessária versão de entrada (1.3). Assim o modelo teria um custo-benefício MUITO melhor.

Alta Roda - Presente de Natal

Apesar de altos e baixos, 2012 termina com mais um recorde nas vendas. A previsão até 31 de dezembro é de que se vendam 3,810 milhões de automóveis e comerciais leves e pesados. O crescimento de 4,9% se alinhará ao previsto pela Anfavea que sustentou seus números apesar de um começo de ano muito difícil.

O ano, mais uma vez, foi salvo pelos estímulos de corte parcial nos impostos. Esse tipo de manobra econômica sempre dá certo no Brasil porque os impostos aqui são insanos. Em países como os EUA, onde a sanha arrecadadora do governo é baixa, e mesmo da Europa, esses cortes provisórios da carga fiscal mostram efeito limitado. Então, por um lado, cobrar mais impostos implica certa flexibilidade para incentivar a comercialização nos momentos de crise, o que serve muito mais de consolo dispensável do que real alívio.

A prorrogação do IPI mais baixo – tudo indica – é o que se prepara como “presente de Natal” para os brasileiros. Maioria dos consumidores deve preferir não arriscar e comprar logo. Precisamos, porém, de algo mais que benesses provisórias. Aqui a taxação sobre automóveis, em termos nominais, é o dobro da média europeia e quatro vezes maior do que nos EUA. Diz-se que há necessidade dessa arrecadação para manter programas sociais. Por esse ângulo, louvável; por outro, desculpa esfarrapada. Com intervencionismo não chegaremos a lugar nenhum. O governo quer ser “sócio” de tudo e de todos.

Um desvio nas previsões da Anfavea, entretanto,  preocupa. No começo deste ano a entidade dos fabricantes esperava crescimento de 2% no número de unidades produzidas. Na realidade, vai cair 1,5%. Interrompeu-se uma série de nove anos contínuos em que a produção crescia. Desde 2003 as linhas de montagem aumentam seu ritmo, embora sempre abaixo do crescimento das vendas. A produção é calibrada por exportações e participação de importados no mercado interno, de origem argentina (positiva, pois o comércio está equilibrado) ou de outros países.

Deve-se atentar a este indicador porque é daí que surgem empregos e sustentação do consumo. Afinal, 2011 terminou com 23,6% de participação de importados (pico de 27%, em dezembro) e as restrições criadas deveriam significar queda acentuada. Este ano, contudo, as importações devem representar 21% do total, recuo relativamente modesto.

O retrocesso da produção se deu, em parte, pelo ano fraquíssimo para caminhões, mas o problema mesmo está nas exportações, que encolheram 21% sobre 2011. O custo Brasil, principalmente, e o câmbio valorizado são explicações óbvias, sem contar a forte concorrência nos mercados de exportação do País exacerbada pelo excesso de oferta mundial.

Reflexo nos empregos não ocorreu. Ao contrário, fabricantes de veículos criaram 5.500 postos, mas se explica pelas novas instalações industriais da Hyundai e da Toyota, além do acordo de não demissão como compensação aos cortes do IPI. Sabe-se, porém, que a GM tem cerca de 1.000 empregos sob risco, em São José do Campos (SP).

Para 2013, a Anfavea acredita numa reação da produção, alinhada com suas previsões de crescimento das vendas (até 4,9%) que, por sua vez, dependem do comportamento do PIB. Resta saber se é torcida ou realidade.

RODA VIVA

FORD tem linha de produtos menor que a GM, mas também renovará tudo. Versão SUV da Ranger, Everest, estreia aqui em 2013, vinda da Argentina. Novo Ka terá versões hatch e sedã (pela primeira vez) e motor de 3 cilindros (inicialmente sem turbocompressor), em 2014, tudo direto da Bahia. Novo Fiesta será paulista. E sairia até EcoSport de sete lugares.

DEPOIS de assinar acordo com a Chery para produzir Land Rover e Jaguar na China, o braço britânico da indiana Tata investirá US$ 1,2 bilhão na Arábia Saudita: de início 50.000 utilitários/ano. Assim, falta pouco para a próxima bola da vez entre emergentes, o Brasil. Nosso país já chegou perto de se considerar emergido, mas por enquanto só os olhos aparecem...
Citroën/Divulgação
CITROËN DS5 (R$ 124.900) não parece, mas utiliza mesma arquitetura do C4 e do Peugeot 3008, com entre-eixos alongado (2,73 m). Espaço interno é muito bom, embora sair do banco traseiro exija algum esforço em razão do desenho do carro. Interior sofisticado (três tetos solares) e porta-malas de 465 litros convidam a viajar, em asfalto liso, onde está “em casa”.

RENAULT, única dos fabricantes nacionais a importar apenas da Argentina, mudará o foco em 2013. Estuda o que trazer de fora e candidato mais forte é o SUV Koleos. Quanto à fabricação local do monovolume Lodgy, empresa reafirma não estar nos planos, nem remotos. Mas dupla Logan/Sandero ficará igual à europeia, no último trimestre de 2013.

LANÇADA no recente Salão Internacional de Veículos Antigos, em São Paulo, primeira rede social para praticantes ou apreciadores do antigomobilismo. Em www.redeantigoauto.com.br é possível interação e utilização sem custos de recursos e aplicativos especificamente desenvolvidos para a atividade tão pouco apoiada no Brasil.