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quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

Alta Roda - Ninguém sabe, ninguém viu

Apesar de o Brasil ter se engajado no importante programa da ONU Década Mundial de Ações pela Segurança no Trânsito (2011 a 2020), o que está sendo feito até agora é muito pouco. O País permanece longe de implantar ou coordenar ações e muito menos avaliar resultados. Nem mesmo consegue estatísticas confiáveis sobre o número de mortos, que variam entre 40.000 e 60.000/ano em função da fonte.

Mais assustador, o pior número refere-se às indenizações pagas por óbitos comprovados, inclusive pedestres e ciclistas, pela Seguradora Líder, administradora central do DPVAT, sigla quilométrica e proporcional ao tamanho do problema: Seguro de Danos Pessoais Causados por Veículos Automotores de Vias Terrestres, ufa!

Como comparação, a estimativa mínima é 20% superior aos vitimados em acidentes fatais nos EUA, que têm frota circulante cerca de cinco vezes maior que a brasileira. Aliás, a frota aqui  apresenta contagem duvidosa, pois o Denatran inclui veículos fora de circulação. Só nascem, nunca morrem. Total real é 30% menor (em torno de 50 milhões de veículos, incluindo 13 milhões de motocicletas), segundo estatísticas realísticas que levam em conta sucateamento, furtos, roubos e acidentes.

Exemplo de improvisação é a celeuma causada no recente episódio dos motofretistas – conhecidos como motoboys. Depois de três adiamentos e novos bloqueios de vias públicas em protestos, o Denatran não caiu na realidade. Os cursos obrigatórios de reciclagem e adequação ao serviço são, de fato, insuficientes para atingir o número de profissionais, no momento. Embora importantes, há exigências de segurança nos veículos fáceis de cumprir: antena antipipa, protetor de pernas e baú fechado com películas refletoras. Também se exigem coletes com tiras reflexivas.

Razoável seria separar a parte educacional – com cronograma factível – e iniciar a fiscalização de imediato de itens que podem ser comprados. Quem toma decisões em Brasília, sentado em gabinete refrigerado, precisa de coerência desde o início e visão holística da situação.

Para não dizer que nada foi feito, o Brasil se transformou no paraíso das empresas de instalação de radares de fiscalização de velocidade. De 2006 a 2012, a cidade de São Paulo, por exemplo, abrigou 600 novos radares. As multas automáticas subiram de 4 milhões para 10 milhões por ano, aumento de 125%. A redução na perda de vidas foi de 3% (de 1.407 para 1.365), mesmo com aumento da frota. Um avanço, sem dúvidas, e merece aplausos.

Mas quanto dessa bolada arrecadada na fiscalização eletrônica foi ou será aplicada nos outros dois apoios (educação e engenharia de trânsito) do clássico tripé de segurança, aceito em todo o mundo? Ninguém sabe, ninguém viu. Faltam sete anos para o término do programa da ONU, mas pelo que aqui se demonstrou não funcionará como deveria no Brasil.

RODA VIVA

RESGATE de nomes antigos está na moda (menos criativa) da indústria. GM tinha Cobalt (no exterior), a VW, Voyage e agora Fusca, e a Fiat, Uno. Chato é designar, hoje, um carro do passado fora do segmento original. Caso da família 500, da Fiat, com derivações bem maiores, ou do Santana (hoje, Passat) que utilizará a arquitetura anabolizada do compacto Polo, em 2014.

FORD conseguiu, graças à importação favorecida do México, conjunto bem competitivo no novo Fusion 2,5 Flex por R$ 92.990. Número elevado de itens de série surpreende: do sistema de navegador (tela de 8 pol) por comando de voz, aos oito airbags (dois para joelhos). Há duas telas reconfiguráveis no quadro de instrumentos e até abertura das portas por código.

MOTOR aspirado de 2,5 l/175 cv (etanol) do Fusion paga imposto maior que o 2-litros turbo (240 cv). Não decepciona em desempenho pelas dimensões internas e externas (2,85 m, entre-eixos e 514 l, porta-malas). Rodas de aro 17 pol (versão Titanium, 18) e pneus de perfil mais alto permitem menor aspereza de rodagem, mas suspensões, macias demais.

CIVIC ganhou vida ao lançar motor flex de 2 litros/150 cv, na eterna briga com Corolla. Disponível na versão intermediária LXR e na EXR (R$ 83.890,00) motor tem vigor e bom câmbio automático, cinco marchas. Ao usar etanol, dispensa gasolina na partida em dias frios. Oferece segurança (ESP) e conveniência de GPS, mas sem ajuste elétrico de banco.

ABEIVA (associação de importadores sem fábrica no Brasil) prevê 2013 melhor que 2012, porém 25% abaixo de 2011. Até o fim do ano, mesmo com janeiro fraco, umas 150.000 unidades serão vendidas. Mesmo encolhido, ainda atrai novos atores, como Geely, 51ª marca no mercado brasileiro, a partir de agosto próximo.

GEELY pertence a um grupo industrial privado chinês e fabrica carros desde 1986. Comprou da Ford a marca sueca Volvo, em agosto de 2010, por US$ 1,8 bilhão: bom negócio para as três. Compacto (LC) e médio-compacto (LC7) serão montados no Uruguai em operação coordenada pelo importador Gandini, também representante Kia. No futuro, Geely pode ter fábrica aqui.

segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Honda Civic 2014 já pode ser encomendado. Mais caro, preços variam entre R$ 66.690 e R$ 83.890

Conforme prometido, a Honda já está se preparando para lançar a linha 2014 do Civic, que chega em fevereiro tendo como grande atração o motor 2.0 16V flex - disponível apenas com câmbio automático de cinco marchas (com paddle-shift), nas novas versões LXR (aposenta a LXL) e EXR (no lugar da EXS). Várias concessionárias já convidaram clientes para conhecer as novidades, sendo que algumas até revelaram os preços sugeridos.

O Civic LXS continua existindo, mas apenas com propulsor o 1.8 16V flex atual (139/140 cv), com opções de câmbio manual de seis marchas (novidade) e automático de cinco velocidades.

É curioso que o Civic não terá uma linha 2013/2013, indo direto para a 2013/2014. Os preços, infelizmente, subiram. Consigo imaginar três motivos: aumento do lucro da Honda; retorno parcial do IPI (aumentou 1,5% para carros flex com motorizações entre 1.0 e 2.0) e mais equipamentos de série.

2013/2014
Honda Civic LXS MT - R$ 66.690 (aumento de 5,87%)
Honda Civic LXS AT - R$ 69.990 (aumento de 6,03%)
Honda Civic LXR AT - R$ 74.290
Honda Civic EXR AT - R$ 83.860

2012/2013 (preços com o IPI reduzido - 31/12/2012)

Honda Civic LXS MT - R$ 62.990
Honda Civic LXS AT - R$ 66.010
Honda Civic LXL MT - R$ 67.040
Honda Civic LXL AT - R$ 69.990
Honda Civic EXS AT - R$ 79.480

Não custa lembrar que, quando o IPI voltar a ser cheio, a partir de julho, o Civic 2014 ficará 4% mais caro do que os preços acima passados pelas concessionárias, já que o IPI voltará para (altos) 11% (de janeiro a março o IPI está em 7%).

Com 150 cv de potência e 19,3 mkgf de torque com gasolina e 155 cv e 19,5 mkgf com etanol, a motorização 2.0 16V dispensa tanque para partida a frio. Com o novo sistema, ao destravar as portas, um conjunto de aquecedores entra em ação diretamente na linha de combustível tornando a temperatura, principalmente do etanol, ideal para compor uma mistura ar/combustível pronta para entrar em combustão imediata.
O Honda Civic LXS 1.8 2014 traz, de série, conexão Bluetooth para celular, chave tipo canivete, freio a disco nas quatro rodas com ABS e EBD, airbag duplo, direção com assistência elétrica (EPS), ar-condicionado digital, sistema ECON (que faz a condução tornar-se mais econômica), além da Central i-MID com computador de bordo (exibe em uma tela de LCD colorida de 5" diversas informações e opera como interface para customização do veículo, sendo que seus comandos estão localizados no volante), sistema de som integrado ao painel com rádio AM/FM, CD Player, leitor de MP3, entrada P2 e USB com controle no volante; rodas de aro 16", banco do motorista com ajuste de altura; coluna de direção com ajuste de altura e profundidade; revestimento interno no porta-malas, banco traseiro reclinável e com vandeja sob o assento e câmera de ré.

O Civic LXR 2.0 2014 tem os itens do LXS além de acendimento automático do faróis, bancos revestidos em couro, grade frontal  na cor black piano, luzes indicadoras de direção nos retrovisores, faróis de neblina e revestimento nas alças do porta - malas.

A versão topo de linha, EXR 2.0, tem os equipamentos da LXS e LXR com a adição de airbags laterais (com detecção de presença do passageiro dianteiro com peso inferior a 40 kg); freios com sistema BA (multiplica o esforço aplicado no pedal), maçanetas cromadas (de gosto duvidoso); navegador GPS, teto solar elétrico; dois tweeters; sistema VSA (assistência à estabilidade do veículo) e sistema MA-EPS da direção elétrica (torna a direção mais rígida caso o motorista movimente o volante de forma a provocar instabilidade).
Retorno à liderança do segmento?
Desde a perda da liderança para o Toyota Corolla, a Honda nunca esteve tão perto de conseguir retornar ao topo da categoria como agora, ainda mais que o seu principal adversário está bem ultrapassado (embora seja um excelente carro). Antecipar a linha 2014 do Civic para fevereiro está dando uma boa munição para a Honda ganhar terrendo, sendo que a marca tem ainda um grande trunfo guardado, que espero que chegue por aqui em 2014, como linha 2015: a mudança visual e as melhorais de acabamento implementadas no Civic nos Estados Unidos. Na minha opinião, o design do Civic ficou bem melhor com as alterações.

Resta saber o que a Toyota vai fazer, já que o Corolla revelado por algumas revistas tem sido bastante criticado pelo público.
Fotos: Honda/Divulgação