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quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Alta Roda - Critérios e medidas

A terceira rodada de testes de colisão contra barreira fixa, realizada pela ONG Latin NCAP (acrônimo em inglês para Programa de Avaliação de Carros Novos, da América Latina), continua a trazer interrogações. A entidade sediada no Uruguai tem bons discursos, pois trata de estimular por efeito comparativo o nível de segurança passiva dos veículos.
Existem pelo menos seis desses programas em diferentes regiões produtivas do mundo. Os métodos não conversam entre si. Há diferenças marcantes entre modo de colisão contra barreira fixa (frente toda ou parcial), velocidade de choque, impactos laterais (perpendiculares e contra obstáculo cilíndrico), além de proteções específicas para crianças a bordo e simulação de atropelamento de pedestre.

Classificação de zero a cinco estrelas é por meio de pontuação que avalia ferimentos em bonecos antropométricos sensorizados. Algumas distorções não são explicitadas pelo Latin NCAP, como a velocidade de impacto. Regulamentos da ONU sugerem 56 km/h, mas aqui a ONG usa 64 km/h. Essa diferença, que vem sendo eliminada, decorre de custos de produção e poder aquisitivo de cada mercado.

A China tem seu próprio NCAP e já concordou com a velocidade maior, o que encarecerá a estrutura de seus carros. Afinal, o Geeky CK1 (sem airbags) não conseguiu nenhuma estrela, em 2010, e o JAC J3 foi o único modelo, mesmo com airbags frontais, que alcançou apenas uma estrela, em 2012. Oito automóveis compactos fabricados no Brasil (Celta, Corsa Classic, Gol, Ka, Palio, Sandero, Uno e 207) também ficaram com uma estrela, quando testados sem airbags. Se serve de consolo, veículos chineses são (bem) inferiores nessa segurança aos produzidos no Brasil.
Nissan March - Latin NCAP/Divulgação
Há outras curiosidades com a pontuação. March mexicano, com airbags frontais, ganhou duas estrelas (2011) e o europeu, cinco. O modelo vendido na Europa tem mais equipamentos, mas estruturalmente são iguais: três estrelas de diferença mostram algo errado na metodologia.

Colocaram aqui um mínimo de 14 pontos para o veículo ser cinco estrelas, enquanto na Europa esse limite é “flexível”. No site da EuroNCAP, Chevrolet Volt aparece com 11,6 pontos em impacto frontal e recebe cinco estrelas (2011), enquanto o Cruze com 13,18 pontos (2011) se classificou com quatro estrelas no Latin NCAP. Excesso de zelo para os fabricados na América Latina?

Essas trapalhadas só acontecem pela omissão dos legisladores da região em criar um padrão de segurança coerente e mais severo ao longo do tempo. O nosso continente é o único para o qual a organização Euro NCAP conseguiu exportar seus negócios e métodos, com pouca discussão técnica sobre a realidade dos mercados.

Latin NCAP gosta de repetir que os modelos mais vendidos aqui estão 20 anos atrasados em relação aos mercados centrais. Mas se esqueceu de comentar que dos 26 automóveis testados contra a barreira, em três anos, há mais modelos, nove, com quatros estrelas (City, Corolla, Cruze, Etios, Fiesta, Fluence, Focus, Polo e Tiida), do que com uma estrela. E vários dos atuais “uma-estrela” receberão outra, quando a legislação tornar airbags obrigatórios, parte em 2013 e a totalidade em 2014.

RODA VIVA

PARA quem gosta de comparar preços do Brasil com o exterior, esquece de ver a Europa. Bom exemplo é Fusion Titanium mexicano, carro praticamente igual ao alemão Mondeo Titanium. Aqui, o médio-grande da Ford custa R$ 113.000 e lá, 33.750 euros (R$ 91.000). Se igualadas as cargas fiscais, os preços são iguais ou até um pouco mais caro na Europa.

CARLOS GHOSN, presidente mundial da Renault-Nissan, em visita ao Brasil, fez primeira previsão de um executivo do setor sobre o mercado brasileiro em 2013. Ele acredita em elevação nas vendas de automóveis e comerciais leves de 2%, metade em termos nominais do que deve crescer a economia (4%). Ano será mais difícil sem o incentivo do IPI menor.
Renault/Divulgação
FLUENCE GT (R$ 79.370) é dos poucos produtos fabricados no Mercosul que não vilipendiou a sigla Grã Turismo. Além do motor turbo 2 litros/180 cv (37 cv a mais), o carro tem apêndices e apliques discretos, além de câmbio manual. Suspensão recalibrada e o torque de 30,6 kgf.m formam boa combinação para quem quer algo mais de um honesto sedã familiar.

REDUÇÃO de até 35% no consumo de combustível é esperada nos motores de F-1, em 2014, segundo a Magneti Marelli. O downsizing parte de um V-8 aspirado/2,4 L para um híbrido V-6 com eletroturbo/1,6 L. Pela primeira vez, se utilizará injeção direta de gasolina a 500 bares de pressão e a empresa será única responsável pelos novos injetores. Potência se manterá em 700 cv.

RASTREADOR/BLOQUEADOR de veículos com comando por voz e controle remoto foi desenvolvido pela LocatorOne, de Campinas (SP), especializada em soluções de segurança sem pagamento de mensalidades. O ABR – Super também detecta tentativas de interferência eletrônicas (jamming) sobre o GPS. Preço: R$ 1.220. Pormenores em www.locatorone.com.br.

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Renault Fluence GT chega apimentado e salgado

A Renault finalmente resolveu alterar a receita do seu bom sedã Fluence. Com a ideia de fazer uma "releitura de um prato de sucesso", a marca pediu para o chef "Renault Sport", especialista na gastronomia "caliente", mudar a receita. Resultado: ele acertou em cheio na pimenta do Fluence GT, mas exagerou um pouco no sal!

O reconhecido "chef" Renault Sport assina os esportivos da marca na Europa. Para o Fluence vendido por aqui, a principal mudança está debaixo do capô: no lugar o interessante motor 2.0 16V flex, que desenvolve 140/143 cv de potência e 19,9/20,3 mkgf de torque, entra o propulsor de quatro cilindros a gasolina 2.0 16V turbo, com seus 180 cv de potência a 5.500 rpm e 30,6 mkgf de torque a 2.250 rpm. Esta é a mesma motorização do Mégane GT europeu.
Mudanças visuais foram discretas
Em relação aos restaurantes concorrentes, a nova versão do sedã da Renault leva vantagem no torque, já que o Mitsubishi Lancer GT tem 20,1 mkgf, o Peugeot 408 THP desenvolve 24,5 mkgf e o Volkswagen Jetta TSi gera 28,5 mkgf. O "esportivo" Corolla XRS tem 20,7 mkgf.

Antes que você me questione sobre o "receita de sucesso", afirmo que, para o Fluence, ser 5º colocado na categoria de sedãs médios no Brasil, com potencial para crescer, pode ser considerado sim um sucesso. Como eu disse antes, dificilmente ele ficará entre os três mais vendidos, mas o Fluence tem chance de tirar o Jetta da quarta colocação.

A pimenta realmente deu um gosto especial ao prato francês. De acordo com a Renault, o Fluence GT precisa de 8 segundos para ser acelerado de 0 a 100 km/h e atinge velocidade máxima de 220 km/h. O câmbio manual de seis marchas foi mantido, mas recebeu alterações para aproveitar melhor o desempenho do motor, sem sacrificar o consumo.
Sais e belas rodas de aro 17" se destacam nas laterais
Visualmente, o Fluence GT recebeu novos para-choques e saias laterais, um discreto aerofólio, além de belas rodas exclusivas de 17 polegadas. O ideal mesmo seria ter nova a dianteira do Fluence europeu. Por dentro, destaque para pedaleiras de alumínio; soleiras das portas com a inscrição “Renault Sport”, bancos esportivos com revestimento em couro natural e sintético, preto, com costuras em vermelho e volante de três raios com revestimento em couro com costura em vermelho.

A conta, por favor
Foi uma pena que a marca tenha deixou sua receita um pouco salgada. O preço sugerido é de R$ 79.370 - ainda inferior ao Corolla XRS quando ele foi lançado. O único opcional disponível no site da Renault é a pintura metálica (Preto Nacré e Vermelho Fogo), que custa R$ 1.200.
Motor 2.0 16V turbo a gasolina desenvolve 180 cv de potênicia e 30,6 mkgf de torque
Tudo bem que Fluence tenha uma lista de equipamentos de série excelente, mas ele poderia custar na casa de R$ 75.000. Mas entendo porque ele vale cerca de R$ 80.000: o Fluence Privilège 2.0 16V CVT completo custa R$ 76.000 (+ R$ 1.200 da pintura metálica). Seria melhor se a marca reduzisse os preços das suas versões.

O sedã GT da Renault vem equipado com seis airbags (dois frontais, dois laterais e duplos do tipo de “cortina”); controles de estabilidade (ESP) e de tração (ASR); freios a disco nas quatro rodas com ABS com auxílio de frenagem de urgência (AFU) e distribuição eletrônica de frenagem (EBD); direção com assistência elétrica; ar-condicionado digital dual-zone com saídas de ar para o banco traseiro; sistema de som da Arkamys com rádio, CD Player, MP3, duas antenas, 4 alto-falantes e 4 tweeters, conexões USB/iPod, Bluetooth e auxiliar;  GPS TomTom com tela de 5" integrada ao painel; partida do carro feita com cartão eletrônico e botão “Start/Stop” no painel; sistema Hands Free ( permite que o motorista acione o motor sem tirar o cartão do bolso), vidros, travas e retrovisores elétricos; teto solar; faróis de xenônio com lavador e regulagem de altura; entre outros itens.

Com três anos de garantia, a versão esportiva do Fluence mede 4,62 m de comprimento, 1,81 m de largura, 1,47 m de altura e 2,70 m de distância entre-eixos. O porta-malas tem capacidade para 530 litros e o tanque comporta até 60 litros de gasolina. 
Vai um cafezinho?
O Renault Fluence GT é mais uma alternativa saborosa para quem espera mais de um tradicional sedã médio no Brasil. O motor de 180 cv e 30,6 mkgf é o grande destaque, mas a lista de equipamentos de série também é excelente. Com certeza o modelo é um grande candidato a entrar na lista dos carros para se divertir até R$ 80.000.

O preço poderia ser um pouco menos salgado, mas se você estiver pensando em gastar R$ 80.740 num consagrado e cansado Toyota Corolla Altis (+ R$ 870 de pintura metálica/perolizada), ou R$ 84.990 num moderno e divertido Volkswagen Jetta TSi 2.0 Tiptronic (+ R$ 976 da pintura metálica ou R$ 1.440 da perolizada; + R$ 3.790 pelos faróis de xénon + R$ 2.369 pelo sistema de navegação + R$ 2.834 pelo teto de vidro corrediço/basculante), sem dúvida, passe numa concessionária da Renault. Se optar pelo Fluence GT, você terá um carro bem legal, além de sobrar um belo "troco" para o café.
Fotos: Renault/Divulgação

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

Voyage e Polo GT: Volkswagen com novidades

Reprodução da internet/revistaautoesporte.globo.com - 24/9/08
A Volkswagen está com uma grande novidade novidade e com outro lançamento interessante para o mercado brasileiro. A principal atração, como não poderia ser diferente, é o Voyage, que do antigo carro só tem o nome, já que o carro é a versão sedã do novo Gol. Ele chega ao mercado em outubro com os mesmos motores do hatch: 1.0 8V VHT, que desenvolve 72 cv de potência com gasolina e 76 cv com álcool; e 1.6 8V VHT, que consegue gerar 101 cv com o combustível fóssil e 104 cv com o derivado da cana-de-açúcar.

O Voyage mede 4,23 m de comprimento - 33 cm a mais que o novo Gol. Além de mais longo, o sedã é 36 kg mais pesado. Por causa disso, ele recebeu um reforço no eixo traseiro. Já a distância entreeixos de 2,46 m é igual à do Gol, assim como o espaço interno, que é o mesmo do hatch. Mas, por se tratar de um sedã, o grande diferencial é o porta-malas, com capacidade para 480 litros. Para efeito de comparação, o Chevrolet Corsa Sedan leva 432 l; Prisma tem capacidade para 439 l; Classic leva 390 l; Fiat Siena tem espaço para 500 litros; a dupla da Renault, Logan e o finado Clio Sedan, levam 510 l cada; e o Ford Fiesta Sedan tem capacidade para 491 litros - todos os números são dados dos fabricantes.
Volkswagen/Divulgação
O Voyage poderá ser encontrado nas versões 1.0 e 1.6, Trend e Comfortline. Em todas elas, ele já tem como equipamentos de série abertura elétrica do porta-malas, rodas de aro 14" e banco do motorista com regulagem de altura. Entre os opcionais, destaque para os freios com sistema anti-travamento (ABS), airbag duplo, rádio/CD player com Bluetooth e entrada USB, sistema I-System e banco traseiro rebatível, que podem ser adquiridos desde a versão básica.
Chevrolet/Divulgação
Em relação ao visual, a dianteira é a mesma do Gol. Já a traseira, como discutido no post do dia 4, ficou mais conservadora, demonstrando um pouco de modernidade, mas sem arrancar "suspiros" pela beleza. Mostrei as imagens do Voyage para algumas pessoas (diferentes das do post anterior) e elas também fizeram o mesmo comentário: "parece o Corsa Sedan". Realmente lembra o Chevrolet, mas com as lanternas diferentes. Mas acho que a Volkswagen perdeu uma grande oportunidade de dar um visual realmente moderno e muito bonito para o carro.

Em relação aos preços, o Voyage 1.0 custa R$ 30.990; o 1.6 tem valor sugerido de R$ 35.180; o 1.6 Trend vale R$ 37.600 e a versão mais requintada, a 1.6 Comfortline, poderá ser encontrada a partir de R$ 39.430.
Volkswagen/Divulgação
Polo GT
Outra novidade interssante da Volkswagen é o Polo GT, nova versão situada entre a Sportline e a GTI, que tem como grande diferencial o motor 2.0 flex, que também equipa do Golf GT e desenvolve 116 cv de potência com gasolina e 120 cv com álcool. O visual teve como inspiração a versão GTI, com grade do tipo colméia (com seção central preta em V e filete vermelho em volta) com a sigla GT, rodas de aro 15" (semelhantes às do Fox Extreme), faróis com máscara negra, saída dupla e cromada do escapamento, volante com revestimento em couro, pomo da alavanca do câmbio e do freio de mão, pedaleiras e puxadores das portas em alumínio. Além disso, o carro vem equipado de série com ar-condicionado digital, sensor de estacionamento traseiro e o computador de bordo I-System. Preço: R$ 55.400.

A intenção da Volkswagen é competir diretamente com o Punto Sporting, que custa R$ 55.620 e também tem visual mais esportivo. Vamos ver como vai ser essa briga, já que o Punto dá um banho no Polo hatch em vendas no Brasil (29.876 unidades, contra 14.022, de janeiro a agosto de 2008).

O Polo Sedan, que também vende mais que o hatch (18.534 no mesmo período acima) também passa a ser equipado com o motor 2.0 flex no acabamento Comfortline. Mas a versão GT não será oferecida. O preço ficou um pouco mais em conta: o 2.0 caiu de R$ 59 570 para R$ 56 490, e o 1.6 de R$ 54 170 para R$ 52 690.