quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Alta Roda - Evoluir sempre

Fenômeno interessante acontece esse ano. Os principais mercados do mundo foram relativamente pouco afetados para as marcas premium, ou seja, primam pela qualidade, desempenho, equipamentos de conforto e segurança, emblema de grife à frente e, claro, preço bem mais elevado. A razão primária é o poder aquisitivo inabalado de seus clientes, mas não explica tudo. É provável que pessoas troquem dois carros de menor valor por outro mais caro, a fim de evoluir sua experiência ao volante ou concretizar persistentes sonhos de consumo.
Fotos: BMW/Divulgação
A briga entre três das principais referências – Audi, BMW e Mercedes-Benz – nunca esteve tão acirrada. Daí, a importância do novo BMW Série 3, modelo de maior sucesso do fabricante premium líder em nível mundial. Desde 1975 venderam-se 12,5 milhões de unidades. Sexta geração chega ao Brasil em maio próximo.

Sem rompantes de estilo, esse médio-grande mudou bastante. Grupo ótico dianteiro e lanternas traseiras evoluíram. As dimensões aumentaram: 5 cm no entre-eixos, 9,3 cm no comprimento, 3,7/4,7 cm nas bitolas dianteira/traseira, 1 cm na altura e mais 20 litros no porta-malas (480 litros, agora). Como todo carro de tração traseira não é fácil administrar a configuração interna, tanto que o espaço para joelhos no banco traseiro aumentou só 1,5 cm. Para a cabeça, mais 0,8 cm atrás, porém o acesso melhorou. O passageiro ao lado do motorista (rei em qualquer BMW) não foi esquecido: alça no console central também serve de apoio ao joelho esquerdo.

Painel, quadro de instrumentos e console são totalmente novos. A central multimídia inclui tudo, de tela para navegador de última geração ao conjunto de três câmeras externas e acesso à internet. Além dos vários controles ativos de segurança de praxe, projeção de informações no para-brisa é colorida, a exemplo dos Séries 5 e 7. Resolvida uma falha da versão anterior: fixação dos quebra-sóis não tem mais parafusos aparentes. Novidade são as três opções de acabamento bem definidas e até chaves de cores diferentes: Modern, Luxury e Sport.
Direção, agora, eletromecânica tem controle eletrônico para ajudar a estacionar em vagas paralelas ao carro. Mas, um tanto estranho, o sistema de assistência proporcional à velocidade e o de redução variável da caixa de direção são opcionais. Os novos motores de quatro cilindros do 320i (184 cv) e do 328i (245 cv), ambos de 2 litros, dispõem de turbocompressor de dupla voluta (não se trata de biturbo). Conseguem a proeza de obter torque máximo de até (entusiasmantes) 35,7 kgfm a apenas 1.250 rpm mantidos até 4.800 rpm. O de 6-cilindros de turbo duplo continua no 335i.

Avaliado na Catalunha (Espanha), o 328i demonstrou como obter prazer ao volante, mais torque e potência sob o pé direito, sem aumento de consumo, e quase transformar curvas em retas. Sistema desliga-liga o motor e câmbio automático de oito marchas são de série nos modelos para o Brasil. Há quatro modos de condução: Comfort, Sport, Sport plus (de fato para grandes emoções) e Eco Pro, que traz o consumo de gasolina para bem abaixo da versão anterior 325i.

Preços mantiveram-se entre R$ 198.000 e R$ 341.000. No 320i (segundo semestre de 2012) também devem ficar iguais.

RODA VIVA

ANFAVEA revisou para baixo, avaliados os números até novembro, o total de vendas em 2011, ainda novo recorde: 3,63 milhões de unidades (com caminhões e ônibus). Desaceleração da economia, maior que o previsto, fará com que o crescimento do mercado supere marginalmente o da economia, medido pelo PIB. Para 2012, espera vendas de 4 a 5% superiores a 2011.

FORD terá três grandes lançamentos em 2012: Ranger, no primeiro trimestre; EcoSport (prévia em janeiro, vendas no segundo trimestre) e o Fusion mexicano, segundo semestre. Informou investimento de R$ 800 milhões na fábrica de São Bernardo (SP). Ela não confirma, mas de lá sairá em 2013 o novo Ka, diferente do vendido aqui e na Europa (baseado no Fiat 500).

NOVAS informações da Europa: Renault trabalha em dois modelos bem diferentes. Um de custo baixo, inferior ao atual Twingo, na faixa de R$ 18.000/R$ 20.000, previsto para o Brasil. Outro, de custo ultrabaixo, em colaboração com a indiana Bajaj. Este, se produzido aqui (não seria, em princípio), poderia se situar, hipoteticamente, abaixo de R$ 10.000.

HONDA se atrapalhou ao divulgar a tabela de preços do Civic 2012. Como algumas versões anteriores de acabamento não são comparáveis de forma direta com as atuais, surgiram dúvidas sobre se as variações de preço se mantiveram dentro da faixa de 1% de aumento. Empresa diz que sim, mas na prática a média passou bem desse patamar.

ATO falho de digitação: utilitário médio-compacto da Mazda é o CX-5 e não MX-5 (também conhecido como Miata, conversível mais vendido da história). Aliás, CX-5 foi desenvolvido a partir do zero para substituir o Tribute, carro quase gêmeo do Ford Escape, depois que a marca americana vendeu toda sua participação na japonesa.

domingo, 11 de dezembro de 2011

Alta Roda - Mais segurança com automação ao dirigir

Certas simplificações de linguagem mal utilizadas no Brasil acabam confundindo conceitos técnicos importantes. Uma delas é o chamado “Piloto Automático” nos automóveis que, na verdade, não passa – ou passava – de um simples controle de velocidade de cruzeiro (Cruise Control, em inglês). No entanto, trata-se de um assunto muito sério e a Europa criou, em fevereiro de 2008, o programa HAVEit, acrônimo em inglês que significa Veículos Altamente Automatizados para Transporte Inteligente.

No total são 17 parceiros entre fabricantes de automóveis, caminhões, componentes e institutos científicos da Alemanha, Suécia, França, Áustria, Suíça, Grécia e Hungria com apoio financeiro dos participantes e da União Europeia. As preocupações existem em função da crescente densidade de tráfego e do aumento da idade média da população que passa a guiar com reflexos menos imediatos, além da massa de informações atualmente disponível aos motoristas. Automação aliviará o estresse ao dirigir. A busca pelo tráfego eficiente persegue o objetivo de torná-lo mais amigável ao meio ambiente.
Volkswagen/Divulgação
Recentemente, os parceiros se reuniram na cidade sueca de Boräs para demonstração de sete veículos, com diferentes graus de automação, apresentados pela Volkswagen, Volvo, Continental, Haldex e o Centro Aeroespacial Alemão. Hoje já é possível comprar automóveis com controle ativo de cruzeiro (freia e acelera conforme o programado), assistência para se manter dentro das faixas de rodagem e parada automática abaixo de 30 km/h a fim de evitar colisão ou atropelamento.

O passo adiante surgiu em um Passat equipado com TAP (Piloto Automático Temporário, na sigla inglesa). O sistema programado pelo motorista conserva distância segura do veículo à frente até 130 km/h, mantém o carro dentro das faixas delimitadas no solo e reduz a velocidade antes de uma curva, segundo seu raio, com ajuda do GPS. Também tem capacidade de ultrapassar observando regras (nunca pela direita) e limites de velocidade. Parada e arrancada nos congestionamentos são totalmente automáticas.

Porém, o termo temporário é usado porque, mesmo sem precisar utilizar mãos e pés para guiar, o motorista deve ficar atento ao tráfego na estrada e intervir em caso de necessidade. Na realidade, ainda se considera esse um dispositivo semiautomático, baseado em uma combinação de recursos existentes agora agrupados experimentalmente. Uma câmera interna monitora o grau de atenção do motorista pela movimentação dos olhos e dispara avisos sonoros ou vibratórios.

A Volvo desenvolveu um sistema semelhante para caminhões que funciona sob medida quando há filas de congestionamento nas estradas ou nas cidades. Alivia bastante o trabalho do motorista profissional por frear e arrancar de acordo com a movimentação dos outros veículos e evita acidentes, em geral catastróficos quando envolvem veículos de menor porte.

HAVEit é um programa em constante evolução. Futuras demonstrações serão feitas até o amadurecimento completo das tecnologias, inclusive tornando-as as mais intuitivas possíveis. As ideias lançadas estão previstas para a produção seriada no intervalo de cinco a dez anos, quando o custo ficará mais acessível para modelos pequenos e médios.

sábado, 10 de dezembro de 2011

Férias motorizadas

Olá amigos.

Depois de três anos, finalmente estou tirando alguns dias de férias. Por isso, até o final do ano, terei dificuldades para atualizar o De 0 a 100.

Na minha folga, terei o prazer de curtir este automóvel abaixo (assim espero).
Feliz natal e um ótimo 2012 para todos!

Renato Parizzi

Atualização (15/12/2011):
Vou tentar postar as colunas do Fernando Calmon de dezembro.

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Alta Roda - Crescimento sustentável

 O otimismo para 2012 voltou a subir. As últimas medidas de incentivo ao consumo anunciadas pelo governo empurraram as consultorias e os principais cenaristas do setor automobilístico a rever cálculos. Não que o próximo ano teria vendas ruins, mas o crescimento em percentual superior ao da economia medido pelo PIB (Produto Interno Bruto) estava fora das previsões. Como se espera que o PIB suba entre 3,5% (pessimistas) e 4% (otimistas), esses também eram os números para aumento na comercialização de veículos.

No XXI Congresso da Fenabrave, em São Paulo, o consultor Maílson da Nóbrega foi um dos primeiros a admitir que maior volume de crédito, queda das taxas de juros e menor rigidez quanto ao valor da entrada e prazos de financiamento terão boa repercussão no mercado. Ele estima que o crédito oferecido por bancos e financeiras para automóveis e comerciais leves – representam 95% do total das vendas – chegará a crescer 20% em relação a 2011. Significaria, então, a retomada, pelo menos em 2012, da tendência verificada nos últimos anos de o mercado superar o PIB. Sua aposta para o próximo ano é de 5% a 6% de aumento nas vendas.

Se isso ocorrer seria, de fato, um grande resultado frente ao noticiário econômico internacional tão negativo, especialmente da Europa. A indústria está mais cautelosa. Taxa de crescimento alinhada à do PIB já ficaria de bom tamanho. O que ninguém quer é andar para trás.

No médio e longo prazos a expansão da classe média brasileira (até R$ 4.000,00 de ganho mensal), que continua a ter o automóvel novo como meta de consumo, vai sustentar a ampliação do mercado. O economista Eduardo Gianetti da Fonseca, no mesmo congresso, chamou a atenção para o chamado bônus demográfico brasileiro. Significa que a população economicamente ativa, pelo menos nos próximos 20 anos, se manterá sustentavelmente maior que a de crianças, adolescentes e idosos. Uma massa de milhões de brasileiros adultos, com poder de consumo crescente pelo aumento da renda e da escolaridade.

Não se trata de um cenário de euforia pois a qualidade da escolaridade ainda tem que aumentar bastante e as deficiências de infraestrutura, burocracia, carga tributária alta e corrupção são obstáculos nada desprezíveis. Basta um exemplo: o Brasil possui apenas 13% de malha rodoviária pavimentada do total de 1,6 milhão de quilômetros. Segundo informou Alfredo Peres, da NCT & Logística, esse percentual está bem atrás de países como México, Índia e Turquia, só para citar alguns.

O congresso continuou sendo prestigiado por nomes de peso do setor. Philippe Varin, presidente mundial da PSA Peugeot Citroën, fez a palestra magna. O presidente da Ford, Marcos Oliveira, reafirmou que até 2015 todos os produtos da marca fabricados no Brasil estarão alinhados com os modelos vendidos no exterior. E Jaime Ardila, presidente da GM América do Sul, no final de sua exposição apresentou um mosaico de modelos Chevrolet para a região e lá estava, bem no centro do slide projetado, o subcompacto Spark. Para quem ainda podia ter dúvida de que se trata do modelo a ser produzido em Gravataí (RS), não resta mais nenhuma.

RODA VIVA

CARROS de baixo custo são a bola da vez para mercados emergentes e até desenvolvidos. Depois de a Renault confirmar que trabalha nessa direção (com indianos da Bajaj), rumores indicam que a PSA está no mesmo rumo em aproximação com chineses da Changan. Não se anime muito. Modelos desse tipo custariam entre R$ 18.000 e R$ 20.000, a preços de hoje.

APESAR de ter apresentado, no recente Salão de Los Angeles, o interessante SUV médio-compacto MX-5, a Mazda revisa planos de se estabelecer no Brasil como importadora, inicialmente. O modelo será produzido no México e, pelas regras anteriores, poderia chegar sem imposto de importação. Agora precisa ter fábrica aqui. A mudança implica atraso de quatro anos.
Fiat/Divulgação
MAIS espaçoso internamente do que o novo Uno, embora dividindo a mesma arquitetura, a geração atual do Palio explora certo refinamento do interior. Combinação entre maior entre-eixos e menor altura deixou sutilmente melhor a dirigibilidade. Motor de 1,4 litro/88 cv é o mínimo para viagens e uso no dia a dia. Porta-malas (igual ao do Uno) podia ser um pouco maior.

BRASILEIROS continuam a ser referência em desenho de automóveis. Raul Pires, 42 anos, estava na Bentley, onde criou um dos sedãs de luxo mais bonitos (Continental GT) e agora foi para a diretoria da Italdesign Giugiaro, subsidiária da VW na Itália. Nissan também deve abrir centro de estilo, em São Paulo, seguindo os passos da Renault e da PSA Peugeot Citroën.

AVANÇO na tecnologia prevê que, em breve, os carros só precisarão trocar óleo do motor a cada 32.000 km (20.000 milhas) ou dois anos, mesmo utilizando lubrificantes convencionais. Enquanto isso, no Brasil, há fabricantes que preconizam troca a cada seis meses. Os motores precisam evoluir. É perda de tempo e dinheiro exigir dos clientes intervalo tão curto.

domingo, 4 de dezembro de 2011

Novo Renault Logan pode ter este visual?


Não é segredo para ninguém que a Dacia e a Renault já estão trabalhando na segunda geração do Logan. Mas o que ninguém tinha visto até agora era uma imagem do modelo. O autoblog.rs publicou uma foto do que seria a nova geração do sedã romeno/francês. E ele ficou bem interessante.

O visual até lembra o do atual Logan, mas com uma enorme diferença: a beleza! Se for mesmo este o novo modelo, finalmente poderemos dizer que o Logan é bonito! Além da beleza, o novo sedã ficaria mais espaçoso, mais bem acabado, teria novo painel e ficaria mais seguro, mas mantendo a sua principal característica: a boa relação custo/benefício.

Em relação aos preços, a revista alemã Auto Bild estima que a versão básica do Logan II, como está sendo chamado, vai custar cerca de 9.000 euros no mercado alemão. O modelo deve ser lançado ainda 2012, mas com chances de ficar para 2013.