segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Alta Roda - Hip-hop do bem

Conforto de marcha é uma qualidade que todo motorista aprecia e os fabricantes se empenham em atender da melhor forma possível. Em geral, há um dilema: o carro tem suspensão macia e inclina demais em curvas, perdendo estabilidade ou, ao contrário, é bem firme, eficiente em curvas, porém bastante desconfortável em pisos irregulares. Para modelos mais caros já existe suspensão ativa hidráulica, mas, além do preço elevado, o sistema tem respostas lentas em termos de absorção das vibrações da superfície de rodagem.
SKF/Divulgação
A fim de diminuir o tempo de resposta pode-se apelar para o controle eletromagnético. No entanto, essa tecnologia só era usada em carros customizados, em especial nos EUA. Nas exibições, chamam a atenção porque o motorista pode controlar cada roda individualmente. É motivo de diversão porque os automóveis dão saltos, se contorcem e simulam os trejeitos humanos ao “dançar” ao som de músicas no ritmo hip-hop.

A brincadeira inspirou a ideia de revolucionar as suspensões convencionais. Um grupo da Universidade de Eindhoven, na Holanda, liderado por Bart Gysen em trabalho de doutorado, apresentou recentemente o protótipo de uma suspensão de controle eletromagnético. A ideia de transformar os movimentos do hip-hop em algo mais útil foi apoiada pela SKF, empresa sueca especializada em rolamentos e mecatrônica, e pela BMW que cedeu um sedã 535i para o programa de testes.

O sistema ocupa o mesmo espaço de um amortecedor convencional. Inclui mola helicoidal passiva, um poderoso atuador eletromagnético, unidade de controle e baterias para que tudo continue funcionando em caso de falha elétrica. Entre os objetivos de desenvolvimento está o aproveitamento das vibrações causadas pela superfície de rodagem para gerar eletricidade e manter as baterias carregadas.

Segundo Gysen, o consumo de energia para o conjunto funcionar é modesto. Mesmo se instalado nas quatro rodas, o pico de consumo é de 500 watts, metade do requerido pelo sistema de ar-condicionado. Uma suspensão hidráulica ativa consome quatro vezes mais energia. No estágio atual, o BMW de teste recebeu um par desses dispositivos nas suspensões dianteiras, trabalhando, entretanto, de forma independente. Um dos desafios é fazer a integração do sistema e garantir o máximo de eficiência.

Quando tudo estiver pronto, a melhora na qualidade de rodagem será superior a 60%. Uma das aplicações mais convenientes alcançará as ambulâncias, que poderão transportar pacientes em velocidade maior e sem a perturbação das vibrações provenientes da pavimentação.

Nos automóveis, o conforto de marcha se tornará excepcional. Os passageiros não terão o incômodo da inclinação da carroceria em curvas, quando o sistema estiver aplicado nas quatro rodas. Manobras evasivas ou de desvio brusco permitirão ao motorista manter o controle do veículo, sem que precise ser classificado como superdotado ao volante ou com habilidade de piloto de competição.

A SKF, que financiou todas as pesquisas e o processo de aperfeiçoamento em curso, iniciou os trâmites de patente e pretende oferecer a nova suspensão de controle eletromagnético para qualquer fabricante interessado. Supõe-se a preço menor que as suspensões ativas atuais.

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Chevrolet Cobalt chega a partir de R$ 39.980

Depois de "matar" o Astra (hatch e sedã) e o Vectra (GT e sedã) e de estar preparando a cova do Corsa e dos familiares Meriva e Zafira, a Chevrolet continua a renovação completa de sua linha no Brasil. Recentemente foi o Cruze, que disputa o segmento de sedãs médios. Agora é a vez do Cobalt chegar às concessionárias para brigar numa categoria inferior, a de sedãs compactos "mais requintados".

Mesmo com a dianteira praticamente igual, e com o mesmo motor debaixo do capô, a Chevrolet afirma que o Cobalt não é um Agile Sedan. Analisando as fotos e os detalhes, tenho a impressão oposta. Ele parece mesmo uma versão sedã do Agile, só que mais evoluída em diversos aspectos, especialmente em acabamento e espaço.
O visual do Cobalt agrada de maneira geral, mesmo nos ângulos mais desfavoráveis. Mas o conjunto poderia ser bem mais bonito e moderno. Ao vivo o modelo chama a atenção pelo tamanho - ele é maior que o Cruze. Porém, suas linhas parecem cansadas, ou melhor, "pesadas". Essa foi a mesma sensação que tive com o Agile, só que com o compacto ela foi ainda maior.

Com 3 anos de garantia (exatamente como os principais concorrentes) e equipado unicamente com propulsor 1.4 Econo.Flex, a Chevrolet espera que o seu novo sedã vire a referência do mercado em termos de conforto/acabamento, espaço interno e dirigibilidade. É um desejo ousado e pouco inédito, uma vez que Renault Logan, Jac J3 Turin e Nissan Versa buscam a mesma coisa.
Volante veio do Cruze, mas perdeu os botões do comando do rádio
A GM também aposta na lista de equipamentos como diferencial do Cobalt. Por R$ 39.980, a versão LS sai de fábrica equipada com ar-condicionado, direção hidráulica, rodas de aço aro 15" e pneus 195/65 R15 (mesma medida das demais versões), mostrador digital, desembaçador traseiro, chave do tipo canivete com abertura a distância, trava elétrica das portas e porta-malas, encosto traseiro rebatível 60/40 e banco do motorista também com regulagem de altura.

Já a versão LT custa R$ 43.780 e oferece todos os itens da LS e ainda vem equipada com airbag duplo frontal, grade dianteira cromada, coluna de direção com regulagem de altura, freios ABS com EBD, vidros elétricos nas portas dianteiras, alarme anti furto, além de pequenas diferenças como interior em dois tons e revestimento dos bancos.
Cobalt é maior que o Cruze
A LTZ, topo de linha, tem preço sugerido de R$ 45.980 trazendo, além dos itens encontrados na LS e LT, rodas de liga leve, faróis de neblina dianteiros, maçanetas internas e comandos do ar-condicionado cromados, barra cromada na traseira, rádio AM/FM com leitor para CD/MP3, Bluetooth e entrada USB, computador de bordo, espelhos retrovisores com regulagem elétrica e acionamento elétrico para todos os vidros.

Mecanicamente, o Cobalt recebeu algumas melhorias em relação ao Agile. A principal está no câmbio, que ficou com engates mais precisos e macios.O motor 1.4 Econo.Flex, velho conhecido do público, também evoluiu, mas, na prática, ficou com os mesmos 97 cv de potência e 12,8 mkgf de torque com gasolina e 102 cv e 13 mkgf com etanol.
Com 563 litros, porta-malas é candidato ao maior do Brasil
De acordo com a Chevrolet, o Cobalt precisa de 11,9s com gasolina e 11,5s com etanol para ser acelerado de 0 a 100 km/h. A velocidade máxima é a mesma com qualquer combustível: 170 km/h. A marca parece animada com a aceleração do seu novo sedã, principalmente se pensarmos que ele pesa 1.072 kg.

Na prática, o Cobalt tem desempenho satisfatório na cidade. Na estrada, vale ficar muito atento na hora de ultrapassar, especialmente quando o ar-condicionado estiver ligado e o enorme porta-malas, de 563 litros de capacidade, estiver carregado. Fica agora a expectativa para a média de consumo.
Chevrolet Cobalt 1.4 Econo.Flex
Potência: 97/102 cv (g/e) a 6.200 rpm
Torque: 12,8/13 mkgf (g/e) a 3.200 rpm
Comprimento: 4,479 m
Largura: 1,735 m
Altura: 1,514 m
Entre-eixos: 2,620 m
Porta-malas: 563 litros
Tanque: 54 litros
Peso: 1.072 kg

1.8 Econo.Flex automático em 2012
Outra grande novidade anunciada pela Chevrolet foi a volta "triunfal" do motor 1.8 8V Flexpower, que atualmente equipa apenas o Meriva. O propulsor receberá melhorias para aumentar o desempenho e para diminuir o consumo e a emissão de poluentes, ganhando novo sobrenome: Econo.Flex. Aliado à motorização, o Cobalt terá o mesmo câmbio do Cruze, automático de seis marchas com opção de trocas sequenciais.
A previsão é que o Cobalt 1.8 seja lançado no 2º trimestre de 2012. A marca deve der optado pelo retorno do motor Flexpower para diferenciar o Cobalt do Cruze, que usa o Ecotec 1.8 16V.

Mercadologicamente pensando, a Chevrolet  não fez a melhor escolha. O ideal é que um carro seja lançado "de cima para baixo", ou seja, da sua versão mais cara e potente, chamando bastante a atenção, para a sua versão mais simples e fraca, ampliando a abrangência do público - com o Captiva foi assim.
Apoio de cabeça e cinto de 3 pontos para todos?
Pelo menos conseguimos especular alguns aspectos da linha da GM no Brasil. Se o Cobalt LTZ 1.4 custa R$ 45.980, o modelo 1.8 deverá custar entre este valor e R$ 50.000. Na lacuna entre R$ 50.000 e R$ 60.000, teremos o Sonic sedã, que disputará terreno com o New Fiesta Sedan e com o Honda City. Já o Sonic hatch brigará com o New Fiesta hatch. Segundo o Autossegredos, o Sonic será lançado no ano que vem com motor 1.6 16V Ecotec. Imagino que ele tenha desempenho superior ao do 1.8 8V Econo.Flex e inferior ao do 1.8 16V Ecotec.
A Chevrolet prepara ainda para 2012 a nova picape S10 (Colorado), o belo Cruze hatch, as minivans do projeto PM7 (novas Meriva e Zafira), o Projeto Ônix (Celta e Prisma) e a nova Blazer. É a Chevrolet fazendo o novo, de novo, depois de MUITO tempo.
Fotos: Chevrolet/Divulgação 

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Alta Roda - Tarefa difícil

Competitividade e inovação são as prioridades da vez na indústria em geral e no setor automobilístico em particular. Temas difíceis de desenvolver porque não há fórmulas prontas e depende de ações da sociedade envolvendo consumidor, governo, academia e indústria. Mentalidades precisam mudar a fim de expor melhor a elogiada criatividade brasileira. Há alguns anos, quando o País representava 2% do PIB mundial, respondia apenas por 0,1% das patentes no mundo. Mas na produção de estudos técnicos e científicos chegamos a 2,7%.

Essa preocupação esteve no centro dos debates de duas importantes associações, durante o XIX Simpósio Internacional de Engenharia Automotiva (SIMEA), da AEA e o XX Congresso de Tecnologia da Mobilidade, da SAE Brasil, ambos realizados em São Paulo. A iniciativa do governo federal para criar um novo regime de produção até 2016 não parece suficiente para atender aquelas duas demandas, embora represente a segurança de aumento de empregos pela confirmação de investimentos anunciados e a anunciar.

Pormenores dessa estratégia só serão conhecidos em meados de dezembro, quando efetivamente o aumento de IPI para todos os modelos não produzidos no Mercosul e México entrar em vigor. A Justiça impôs uma fragorosa derrota ao governo ao adiar por 90 dias o início da taxação, que valerá por um ano. A intenção de exigir contrapartida em gastos com pesquisas no próprio País é válida, porém não resolve tudo.

Na realidade, não basta incentivar a expansão do uso de novas tecnologias que, no fundo, dependem de preço e poder aquisitivo do comprador. É necessário induzir o desenvolvimento de tecnologias aqui aplicáveis. Um exemplo citado no SIMEA: navegadores GPS simples, sem funções agregadas, poderiam ter preço menor a ponto de se tornar item de série. O mercado precisa de inovações visíveis, porém ao mesmo tempo de sobrevivência, ou seja, acessíveis  a todos os bolsos.

Deve-se ficar de olho também na conectividade veicular. Produziram-se mais de 70 milhões de veículos no mundo, em 2010, mas apenas 7% podiam se beneficiar de recursos como navegação inteligente e notificação automática de acidentes. No Congresso SAE discutiram-se os desafios para chegar à eletrônica de baixo custo e estender novos serviços a maior número de pessoas.

Os 142 estandes da exposição de tecnologia do congresso demonstraram a efervescência da tecnologia atual. Desde o sistema de direção elétrica para carros baratos, da DHB; o conceito LESS, da Schaeffler, para redução de peso e consumo; o Light Strings, da 3M, cabos de fibra óptica de alta flexibilidade e uniformidade luminosa, utilizáveis de forma funcional ou decorativa; até novos recursos de segurança passiva da TRW, como airbag de teto para passageiro ao lado do motorista e retrator do cinto de segurança acionado pelo sistema de frenagem anticolisão automática. Visteon apresentou o C-Beyond, seu próprio carro-conceito com tecnologias de ponta e materiais alternativos.

Os dois eventos totalizaram mais de 200 trabalhos técnicos, incluindo os internacionais. Comprovação que não estamos desligados do mundo e sim à procura de integração desses avanços aos veículos aqui produzidos.

RODA VIVA
 CONFIRMADOS os investimentos na fábrica de Porto Real (RJ), a PSA Peugeot Citroën vai além de dobrar a produção de veículos, aumentar em 43% a de motores e gerar mais 1.700 empregos. Defasagem visual e tecnológica será reduzida de forma substancial nos próximos lançamentos. Nova família de motores possivelmente incluirá unidade de três cilindros/1,0 litro.
Nissan/Divulgação
VERSA segue os passos do Logan, sedã com dimensões de médio-compacto ao preço de compacto, a partir deste mês. Na faixa de R$ 35.490 a R$ 42.900 a Nissan se insinua em subsegmento congestionado que vai do Voyage ao chinês J3 Turin, passando pelos novos Siena, em breve, e Cobalt, agora. O estilo não é muito inspirado, mas tem bom motor flex 1,6 l/111 cv.

CARRO para poucos, é verdade, o Audi A6 deu um salto tecnológico. A começar pelo motor de 3 l/300 cv (compressor) com disposição para acelerar: 0 a 100 km/h em surpreendentes 5,5 s. Oferece cinco recursos de segurança de ponta, da visão noturna ampliada ao sistema anticolisão, mantendo ótima dirigibilidade e maior espaço interno. Preço? R$ 313.390.

RANGE ROVER Evoque pode atrair para a Land Rover fãs de crossovers de tração 4x4 graças ao seu estilo audacioso. Fugindo das linhas convencionais da marca, oferece bom espaço interno (um pouco menos no banco traseiro) e motor turbo de 2 l/240 cv. O preço começa em R$ 164.900, mas estranhamente a versão de 3 portas é mais cara que a de 5 portas.

DETRAN do Distrito Federal promete fiscalização séria sobre transparência dos vidros com aparelhos de medição específicos. Regulamentação do Contran vem sendo solenemente ignorada até agora, em todo o País, no caso dos vidros dianteiros e, em alguns casos, até para-brisa. Espera-se que polícias rodoviárias e outros Detrans sigam também a lei.

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Steve Jobs. Um “fora-da-lei”?

Jalopnik/Reprodução
Entre os muitos mitos que cercaram a vida notória de Steve Jobs, um deles foi no mínimo curioso: Jobs não gostava de placas de automóvel.

Seu automóvel, um Mercedes-Benz SL55 AMG, nunca teve placa, levando a especulações de que o CEO da poderosa Apple tinha algum acordo com o Departamento de Automóveis da California. Ou que ele havia fabricado uma espécie de placa por código de barras de alta tecnologia. Ou até mesmo que o grande gênio simplesmente não se importava em pagar multas, já que dinheiro não lhe faltava.

Mas o mito foi desvendado. Um ex-segurança da Apple acabou com o mistério e contou que Jobs encontrou uma brecha na Lei da Califórnia, o que possibilitou sua locomoção “ilegal”. O jornal The New York Times identificou a lei número 4.456 no Código de Veículos da Califórnia, que autoriza um novo automóvel a circular por até seis meses sem a necessidade de placa (a partir de julho de 2012, este período será encurtado para três meses).

Sendo assim, Jobs apenas tinha o trabalho de trocar de carro a cada seis meses.

Mas antes de encerrarmos este assunto, existem algumas evidências que ainda chamam a atenção. Se Steve Jobs realmente trocava de carros a cada seis meses, é provável que, em algum momento de 2009, ele dirigiu outro carro além do SL55 AMG, pois sua produção foi encerrada em 2008 e o carro foi substituído pelo Mercedes-Benz SL63 AMG. Só que no verão de 2010 Jobs foi fotografado em seu SL55 de 2007, com mais de 30 mil quilômetros rodados. Brecha na lei ou fora-da-lei?

Bem, talvez este seja só mais um caso de “realidade distorcida” de Steve Jobs, presente mesmo após a sua morte.

Fonte: Gilson Pneus
Texto: MOBster – Marketing de Busca