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quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Papo Ligeiro - Os cinco mais da Fórmula-1 2012

Force India F1/Divulgação
Aí vai meu top five da temporada 2012 de Fórmula-1.

5º lugar: Sergio Pérez. Apesar da considerável queda de rendimento após ser anunciado com um dos pilotos da McLaren ao próximo campeonato, em setembro, a participação do mexicano nos 13 primeiros Grandes Prêmios de 2012 foi notável. Nesse período, faturou 65 pontos, uma volta mais rápida e três pódios.

Pérez obteve os dois melhores resultados da Sauber em 16 temporadas na Fórmula-1: os segundos postos na Malásia e na Itália. Aliás, nessas provas, não ficou distante dos vencedores. Em Sepang, recebeu a quadriculada 2s2 atrás de Fernando Alonso; em Monza, a 4s3 de Lewis Hamilton.

Além de marcar presença entre os dez primeiros em sete corridas, o novo piloto da McLaren esteve bem perto de pontuar em outras cinco – nas quais terminou na 11ª colocação. Em uma destas, no GP de Mônaco, onde havia largado apenas em 23º - por conta de um acidente no treino. De quebra, ainda cravou a melhor volta daquela corrida. 

Em classificações, Pérez levou a melhor sobre o companheiro de Sauber, Kamui Kobayashi. É bem verdade que o duelo foi equilibrado: superou o japonês em 11 dos 20 treinos do ano. No entanto, vale ressaltar que Kobayashi é um piloto muito veloz, sobretudo em treinos. Um típico osso duro de roer.

4º lugar: Lewis Hamilton. Nenhum piloto teve rendimento tão espetacular nos treinos classificatórios em 2012 quanto Hamilton. O inglês foi o único piloto que marcou presença em todos os Q3 da temporada. No ano, foi ainda o piloto que mais partiu da pole (sete vezes) e da primeira fila (11). Largou à frente do companheiro de McLaren, o compatriota Jenson Button, em 16 dos 20 Grandes Prêmios. Aliás, no confronto direto em corridas, nova vitória ao campeão de 2008. Das 13 ocasiões em que ambos receberam a quadriculada, Lewis superou a Jenson em nove.

Entre os pilotos que disputavam o título, Hamilton foi o que menos completou corridas: 14. Tal retrospecto pode parecer normal, pois o inglês é um piloto extremamente arrojado; é razoável afirmar que está mais passível a erros em pista que os adversários. Contudo, ao menos e, 2012, Lewis foi vítima em seus abandonos. Nos GPs da Bélgica, Europa e do Brasil, acabou atingido por adversários. Na Alemanha, não completou por conta de um furo no pneu de seu McLaren. Já em Cingapura e Abu Dhabi, o carro deixou-lhe na mão por problemas mecânicos.

Detalhe: destes GPs, Hamilton liderava dois - e brigava pela ponta em outro. Ou seja, perdeu pontos preciosos, que o colocariam de modo mais incisivo na luta pelo caneco.

3º lugar: Sebastian Vettel. Fez ao longo do ano exatamente tudo que se espera de um piloto de seu porte: foi extremamente rápido, não correu riscos desnecessários e, sobretudo, mostrou força psicológica para superar momentos difíceis. Na prova de domingo passado, por exemplo, caiu às últimas colocações após toque com o Williams de Bruno Senna, pouco após a largada. Mesmo diante do clima instável que assolou Interlagos, fez uma corrida de recuperação sem deslizes e assegurou o tricampeonato graças ao sexto lugar.

Outro momento de enorme superação por parte do tricampeão ocorreu na quarta etapa do ano, no Bahrein, quando faturou um hat trick (pole position, volta mais rápida e vitória). À época, a pressão sobre o alemão, que ocupava apenas o quinto posto na tabela de pontos, era enorme. Nas provas anteriores, os carros da McLaren e Mercedes mostraram rendimento superior aos da Red Bull. Além disso, até Alonso, mesmo com um Ferrari pouco competitivo, já havia conquistado uma vitória, em Sepang.

Reflexo de uma temporada equilibrada, com oito vencedores em 20 provas, Vettel faturou apenas cinco GPs em 2012. Foi o campeão com menor número de primeiros lugares em uma temporada nos últimos 25 anos – ao lado de Alain Prost, em 1989, e Lewis Hamilton, em 2008. Contudo, o alemão da Red Bull compensou com grande regularidade: pontuou em 17 corridas, 15 entre os cinco primeiros colocados.

É o cara certo. Na equipe certa.

2º lugar: Fernando Alonso. Basta o espanhol herdar posição de um adversário nas corridas para alguns colegas de imprensa soltarem o popular “Esse Alonso é sortudo”. Trata-se de um conceito absurdo. O espanhol nada mais é que um piloto extremamente rápido e competente, que raramente comete erros. Não à toa, completou 18 corridas em 2012. E esteve longe de ser o responsável por seus dois abandonos na temporada. Em Suzuka, acabou atingido por Kimi Räikkönen pouco após a largada; já em Spa-Francorchamps, também pouco depois da partida, foi uma das vítimas da barbeiragem de Romain Grosjean.

A regularidade foi quesito fundamental para que o asturiano chegasse à última prova do campeonato, em Interlagos, na disputa pelo título de Pilotos – mesmo com um carro que, por mais um ano, não esteve à altura de Red Bull e McLaren. Embora tenha largado na primeira fila em apenas três ocasiões, Alonso foi o recordista de pódios no campeonato: foram 13, com três primeiros, cinco segundos e cinco terceiros lugares. Também foi o piloto que mais vezes terminou entre os cinco primeiros colocados (em 16 GPs).

Mesmo sem faturar o tão desejado tricampeonato, Alonso fecha 2012 com o moral altíssimo. Moral, inclusive, para solicitar carro mais competitivo à turma de Maranello.

1º lugar: Kimi Räikkönen. Voltou à Fórmula-1 em grande estilo, com uma regularidade assombrosa. Completou nada menos que 1191 das 1192 voltas disputadas no campeonato. Foi o único piloto a receber a quadriculada nas 20 provas do ano e, de quebra, quem mais vezes pontuou. O único GP em que não ficou entre os dez primeiros aconteceu na China, terceira prova do campeonato, em abril. Na ocasião, obteve a 14ª posição.

Kimi terminou 11 provas entre os cinco primeiros. Sete delas no pódio. De quebra, ainda conquistou uma vitória, em Abu Dhabi. Por lá, deixou claro que sabe bem o que fazer... A Lotus não vencia na Fórmula-1 desde 31 de maio de 1987, com Ayrton Senna, no GP de Mônaco.

Nada mal para um piloto que voltara à Fórmula-1 após duas temporadas no Mundial de Rali. Nada mal para um piloto que tinha em mãos um Lotus, carro bem acertadinho, mas que apenas em esporádicas ocasiões fazia frente aos rivais Red Bull e McLaren.

Em tempo: apesar da hierarquia desse ranking, creio que a diferença de rendimento entre Räikkönen, Alonso, Vettel e Hamilton em 2012 foi minúscula. Tanto que, qualquer um destes pilotos fosse o vencedor da temporada, o título ficaria em boas mãos.

terça-feira, 2 de outubro de 2012

Papo Ligeiro - Schumacher e Sauber: uma parceria interessante

Terceiro colocado no GP da Europa desse ano, Michael Schumacher pode transferir-se à Sauber em 2013
“Não faltam oportunidades para Michael Schumacher”.

A frase proferida no domingo passado por Sabine Kehm, agente do piloto alemão, gera uma ponta de esperança àqueles que torcem pela continuidade do heptacampeão nas pistas. Time do qual, confesso, faço parte. Aliás, nos últimos dias, cresceram os rumores de que Michael poderia partir à Sauber em 2013.

Sinceramente, ainda não possuo nenhuma informação bombástica sobre esse assunto. Ninguém me telefonou da Inglaterra, mandou pombo-correio da Alemanha ou sinal de fumaça de qualquer canto do mundo. Plantar notícias não é comigo. Mas, cá restrita minha opinião, uma parceria entre Schumi e Sauber seria bastante interessante a ambos os lados. E também à Fórmula-1.

Michael Schumacher está longe de ser um estranho à Sauber. Em 1990 e 1991, o alemão disputou 11 provas do extinto Mundial de Protótipos Esportivos pela equipe suíça, a bordo de carros da Mercedes. Foram duas vitórias: nas etapas de Hermanos Rodríguez de 1990, em parceria com o compatriota Jochen Mass, e Autopolis (Japão) de 1991, ao lado do austríaco Karl Wendlinger. A última, aliás, ocorreu pouco mais de um mês após a estreia de Schumacher na Fórmula-1, no GP da Bélgica, em Spa-Francorchamps.
Peter Sauber (extrema esquerda) foi patrão de Michael Schumacher (ao lado de Sauber) no Mundial de Protótipos Esportivos (fotos acima: Divulgação/Mercedes AMG Petronas)
Em princípio, o salário de Schumacão é alto aos padrões da Sauber. Segundo a Business Book GP, publicação francesa segmentada na avaliação financeira da Fórmula-1, Michael ganhou oito milhões de euros (aproximadamente 20,9 milhões de Reais) pela Mercedes em 2012. Ainda conforme dados da Book GP, esse valor é mais de cinco vezes superior aos salários dos atuais pilotos da equipe suíça: o japonês Kamui Kobayashi embolsou um milhão de euros pela atual temporada, ao passo que o mexicano Sergio Pérez, que será piloto da McLaren em 2013, faturou “apenas” 500 mil.

De fato, a contratação de Schumacher representaria um esforço financeiro considerável à Sauber. Mas vale ressaltar que a presença de um grande piloto como o alemão poderia atrair patrocinadores graúdos à escuderia. Espaços em branco no carro para publicidade, convenhamos, jamais faltaram nos últimos três anos. Além disso, grana está longe, muito longe de ser um problema para Michael. Seu salário poderia ser reduzido, ganhar uns “trocados extras” por produtividade e ações publicitárias. Aliás, não estranharia até mesmo se o heptacampeão adquirisse parte do time do tio Peter. Seria uma maneira de permanecer na F-1, mundo que tanto atrai ele, mesmo depois de uma eventual aposentadoria – algo que, embora possa não ocorrer em 2012, também não está muito distante de ocorrer.

Mas, para todas essas peças se encaixarem, é necessário algo: a vontade de Schumi. Para conquistá-la, carro competitivo pode ser fundamental. Nesse sentido, afirmar quão combativa será a Sauber em 2013 é um tiro no escuro. No entanto, há um fator que anima: não ocorrerão mudanças consideráveis no regulamento técnico da Fórmula-1 ao próximo ano. E, nos últimos dois campeonatos, o time destacou-se entre os menos abastados da categoria. Além de contar com motor Ferrari, que puxa muito bem, o monoposto parece muito bem concebido, estável. Em vários GPs, a Sauber apresenta os carros com menor desgaste de pneus no grid. Isso permite estratégias ousadas ao time, algo que ajudou Sergio Pérez a faturar dois pódios nesse ano.   
Kamui Kobayashi (a bordo de Sauber) poderá ter Michael Schumacher como companheiro de equipe em 2013 (Divulgação/Sauber F1 Team)
E Schumacher poderia contribuir incisivamente com a equipe suíça. Não apenas por ser um piloto experiente, com 301 Grandes Prêmios disputados em 19 temporadas pela Fórmula-1. Schumi, de fato, ainda é bastante veloz. Sua participação em 2012 está longe de ser desastrosa e há sinais de considerável evolução em relação ao rendimento do início do ano.

Tudo bem... Ele teve uma tremenda barbeiragem em Cingapura. Mas, nas seis corridas anteriores à prova asiática, o alemão superou o companheiro de Mercedes, o compatriota Nico Rosberg, em cinco ocasiões. Somou 41 pontos, mais de duas vezes e meia que os 16 obtidos por Rosberg.

Outro ponto a favor de Schumi é o retrospecto em classificações. O heptacampeão largou à frente de Nico em metade das 14 corridas disputadas nesse ano. Aliás, em uma dessas que partiu atrás do teammate, Michael cravou a pole. Foi em Mônaco. Contudo, por conta de uma punição oriunda de um acidente com Bruno Senna no GP anterior, em Barcelona, perdeu cinco posições no grid. Largou em sexto, quatro posições atrás de Rosberg.

Michael Schumacher pode não ser mais o mesmo piloto dos tempos de Ferrari. E não apenas por não ter mais o carro mais competitivo do grid em mãos. Mas, ainda assim, já deu mostras suficientes nesse ano de que continua bastante veloz. Além disso, a simples presença dele, um dos principais pilotos da história do esporte a motor mundial, é algo que enriquece a Fórmula-1.