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domingo, 11 de março de 2012

Alta Roda - Multimídia de ponta

Os sistemas de informações e entretenimento a bordo dos automóveis vieram para ficar e tendem a oferecer os mesmos recursos ou até mais em relação aos produtos do momento: celulares inteligentes, navegação por GPS e internet, tabletes e computadores portáteis.

Um dos primeiros recursos que deram mais funcionalidade aos celulares foi o sistema de conexão sem fio Bluetooth. Começaram timidamente, mas dependiam de equipamentos de áudio compatíveis. Apenas autorrádios muito caros eram disponíveis. A Visteon começou em 2005, com sua fábrica de Manaus, a oferecer Bluetooth e outros tipos de conexão (USB e tocadores digitais). Sua previsão é de que até 2015 todos os seus autorrádios ofereçam recursos desse tipo (hoje não passa de 40%).

A conectividade e os comandos por voz, além de facilitar a vida de motoristas e acompanhantes, permitem interação superior e diminuem os riscos de distração ao volante. As arquiteturas elétrico-eletrônicas dos carros atuais são bastante robustas e permitem autonomia e desempenho notáveis, se comparados aos equipamentos portáteis.

Recentemente, em San Diego (EUA), a Cadillac apresentou o sistema mais avançado em novos recursos, que batizou de CUE. Agora, pela primeira vez, simplicidade e conveniência, já oferecidas em aparelhos de uso comum, podem estar também nos automóveis. Aliás, quem lida com botões ou comando direto na tela dará boas vindas a estas facilidades inéditas nos painéis de veículos:

• Gestos de mão: basta deslizar os dedos pela tela de oito polegadas de alta definição que novos ícones vão surgindo. Não chega a ser um comando por movimentação a distância, como os de consoles de jogos e de alguns computadores.
• Movimentos de pinça: dedos polegar e indicador aumentam e diminuem o tamanho de ícones, a exemplo de telas de celulares e tabletes.
• Reconhecimento por tato: igual às telas capacitivas que permitem ter a sensação de estar apertando um botão em resposta ao comando.
• Reconhecimento natural de voz: permite ativar a procura de funções sem obedecer a combinações complicadas de uso.

Os engenheiros do fabricante e do fornecedor exploraram as vantagens dos painéis de um automóvel moderno. Podem receber recursos sem as limitações de alto consumo que drenariam rapidamente as baterias dos dispositivos portáteis. A tela possui resolução de cor de 24 bits e brilho de alta intensidade: duas vezes maior que um tablete ou em sistemas de navegação convencionais e cinco vezes mais brilhante em relação a um computador portátil. Ao contrário das telas comuns, essa foi testada e aprovada em temperaturas de até 40° C negativos.

A Cadillac ainda não anunciou quanto custará todo esse aparato de última geração, que inclui um processador de três núcleos (chip) com capacidade 3,5 vezes superior às atuais centrais multimídia de bordo. Mas chegará em abril de 2012 no novo sedã de topo, XTS, e também estará no estreante ATS, o menor modelo da marca, em meados do próximo ano.

Outros fabricantes já se associaram a grandes nomes da informática para transferir aos automóveis, de forma rápida, as novas conquistas da chamada eletrônica de consumo.
Foto: Cadillac/Divulgação

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Alta Roda - A moda muda

O Salão do Automóvel de Detroit (14 a 22 de janeiro) ainda não recuperou todo o espaço ocupado anteriormente nos tempos de opulência em razão da desistência de algumas marcas europeias e japonesas. No entanto, marcou tendências interessantes e consolidou o avanço em direção de automóveis um pouco menores e motores mais econômicos.

Exemplo vem do novo Fusion. Além de se unificar com o Mondeo europeu, a Ford fez a troca definitiva do motor V-6 de aspiração normal por um 4-cilindros turbo de 2 litros, com potência semelhante, maior torque e mais autonomia em km/litro. Esse médio-grande terá comercialização nos EUA e no Brasil quase simultânea, mas aqui também será oferecido um motor flex de 4 cilindros e 2,5 litros.
Dodge/Divulgação
A Chrysler respondeu com o sedã Dart – nada a ver com o modelo que foi fabricado no Brasil –, aproveitando a mesma arquitetura do Alfa Romeo Giulietta/Fiat Bravo e motores de origem Fiat e Chrysler. Na realidade, é o sucessor natural do Neon, de tração dianteira, vendido também aqui. Como será produzido nos EUA não tem preço competitivo para ser importado.

Surpresa bem escondida pela GM foi o Buick Encore. Trata-se de um SUV compacto, com futura versão mais em conta da Chevrolet (menor que o Captiva) para brigar nos EUA com o Ford Escape. Sua arquitetura é a mesma do veículo pequeno global que deu origem ao Cobalt e, portanto, deve ser feito no Brasil para focar o novo EcoSport e o Renault Duster.

Em termos de estilo, parece que a moda dos faróis de grandes dimensões e formatos exóticos começa a perder força, resgatando a sua tradicional função de bem iluminar os caminhos. No Lincoln MKZ, no próprio Fusion e em outros, continuam como importantes elementos estéticos, porém sem exageros.

Dois carros-conceito da Chevrolet chamaram atenção. O Code 130 R, de tração traseira, compartilha a arquitetura do ATS, modelo com o qual a Cadillac decidiu dar combate aos Audi A4, BMW Série 3 e Mercedes Classe C. Já o Tru 140S é um exercício de desenho do que poderia ser o Cruze cupê.
Chevrolet/Divulgação
Jornalistas brasileiros puderam testar os Sonics hatch e sedã. Na prática, isso confirma sua importação no segundo semestre, quando começará a fabricação no México. Como acontece com modelos argentinos, estará livre dos ônus de importados de outras origens, embora a GM continue a falar em “estudos”. O Sonic virá nas versões completas, mirando o novo Fiesta (em torno dos R$ 50 mil). Tem a seu favor bom espaço interno, quadro de instrumentos criativo, estilo atual (sem arrebatar) e dirigibilidade agradável. Unidade avaliada possuía motor de 1,8 litro, igual ao do Cruze, com 6 cv a menos, mas é provável que a fábrica opte por um de 1,6 litro.

A Mercedes-Benz fez o lançamento mundial do novo conversível SL, 140 kg mais leve que o anterior. De olho nos endinheirados da Califórnia, o carro tem presença marcante, apesar de pragmáticos desejarem algo mais. A Hyundai agora dispõe de um motor turbo para o cupê de três portas Veloster (1,6 l/201 cv) que lhe garante desempenho compatível ao seu estilo audacioso.

A Volkswagen, por sua vez, lançou o Jetta híbrido que se destaca como referência em consumo frente ao Prius, pioneiro de mercado e, até agora, pouco incomodado.

RODA VIVA

TOYOTA faz suas apostas no Prius c, apresentado em Detroit. Esse híbrido tem porte menor (ainda mais econômico no consumo de gasolina) e preço acessível. A marca japonesa pretende atrair a faixa de entrada do mercado americano, abaixo dos US$ 20 mil (R$ 36 mil). Reúne condições de chegar ao Brasil a preço mais atraente do que o Prius convencional.

NOVO Ka, em desenvolvimento em Camaçari (BA), não ficará igual ao que será fabricado na Europa. J. Mays, vice-presidente mundial de Design da Ford, admitiu, durante conversa em Detroit: “Mercados de entrada são bastante diferentes entre países emergentes e europeus”. Ou seja, desenho único em todos os mercados da Ford pode ter uma exceção...

CHRYSLER sabe que precisa construir fábrica no Mercosul para conseguir preços competitivos nos produtos importados do México pelo acordo bilateral de comércio. Brasil seria candidato natural e favorito. Mas, os argentinos também estão no páreo e apontam a marca Jeep como escolhida no lado de lá da fronteira. Decisão não deve demorar muito.

SPORTAGE, agora com motor flex de 2 litros e até 178 cv (etanol), confirma que os sul-coreanos estão sendo mais audazes do que outras marcas instalados há décadas no Brasil e com experiência acumulada no combustível vegetal. O Kia tem potência 7,3% superior em comparação à gasolina (mais 12 cv). Há motores flex no Brasil com diferença de apenas 1 cv.

FENÔMENO incômodo acontece quando o para-brisa embaça pelo lado de fora. O limpador ajuda a remover a condensação observada. Melhor maneira, entretanto, é ligar o ar quente, direcionando-o para a base do para-brisa. Causa algum desconforto no habitáculo pelo aumento da temperatura. Vale a pena, pois o embaçamento demora a retornar.