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sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Impressões: Ford Fusion, um excelente carro mediano

Assim como o post sobre câmbio automatizado, outro post que ficou esquecido na caixa de rascunhos foi esse (tive um problema pessoal que me desorganizou), das Impressões do Ford Fusion, que publico agora, na véspera da chegada da nova geração do modelo ao Brasil.
Como eu disse no em janeiro, tirei alguns dias de férias em dezembro do ano passado e fui para os Estados Unidos. Durante a viagem me programei para alugar dois carros: um sedã de luxo na Florida, no caso o Cadillac CTS, com a decepcionante Avis; e um "mid-size" sedã em Minnesota, com a Dollar - não tive a opção de reservar um modelo específico, mas sabia que um sedã razoavelmente interessante estava à minha espera (no site dizia "Dodge Avenger or similar").

Se o Cadillac CTS virou Lincoln Town Car (mais uma vez, obrigado Avis pelo "excelente" serviço), o que esperar do aluguel pela Dollar nas terras frias de Minnesota?

Quando cheguei ao aeroporto internacional de Minneapolis, passei ao lado do pátio das locadoras e percebi inumeros veículos disponíveis. Cheguei ao balcão, mostrei a minha reserva já paga e pedi o meu "Dodge Avenger ou similar". A resposta veio de bate-pronto: não temos o Avenger. Mas temos um similar, o Kia Optima. Pensei na hora "me dei bem" e pedi o Optima, mas o gerente do estabelecimento logo chegou e acabou com a minha felicidade, dizendo que a última unidade do sedã da Kia tinha acabado de ser alugada.
Fusion começando a "brincar" com a neve - Fotos acima: Renato Parizzi
Pedi então o outro veículo "similar" da mesma categoria, e a Dollar me ofereceu o único carro disponível: um (decepcionante) Kia Soul. Eu disse que eu tinha reservado um mid-size sedã (sedã de médio porte nos EUA e de grande porte no Brasil) e que o Soul não era um sedã. Eles insistiram e eu disse que não ficaria com o Soul e exigi outro carro, e falei ainda que eles deveriam me dar um upgrade já que eles não tinham um sedã médio. Eles alegaram que o Soul estava na categoria mid-size e que era ele ou um veículo menor. Pedi então um Toyota Corolla, mas, para a minha surpresa, eles não tinham.

Pensei: "estou de férias, querendo descansar, e está fazendo -15º C lá fora - quero sair logo daqui". Perguntei então qual seria o veículo imediatamente acima do Dodge Avenger e do Kia Optima e me ofereceram um Ford Fusion, mas eu teria que pagar 22 dólares a mais por dia! Disse que era um absurdo, chamei o gerente, expliquei o caso e, no final das contas, paguei 6 dólares a mais por dia para pegar o Fusion, considerado pela locadora um carro do tamanho "standard".
Duas fotos abaixo: reprodução de speedsportlife
Finalmente: o carro
Ao chegar ao veículo, tentei colocar todas as malas no porta-malas, mas não consegui. Diferente do Lincoln Town Car, que tinha excelentes 595 litros de espaço, os bons 530 litros do Fusion não foram suficientes para a minha bagagem. Tive então que deitar parte do encosto do banco traseiro para resolver o problema.

Ao sentar no banco do motorista, fiquei decepcionado com a simplicidade do painel e com a pobreza do acabamento. Dei um desconto porque era um veículo alugado, ou seja, "sem pai". Mas, mesmo assim, eu esperava um pouco mais, muito por causa da fama do Fusion no Brasil.

O espaço para os ocupantes me agradou, assim como a posição de dirigir. Me senti melhor no Ford do que no Lincoln Town Car, pois o banco era mais envolvente e confortável. O painel também era agradável, tornando a visualização mais fácil. A sensação de estar mais no controle do Fusion era muito superior ao veículo da Lincoln.
Saí do aeroporto e rodei 130 km até o destino. Pude dirigir por duas highways, sendo uma de pista tripla com velocidade máxima de 60 milhas (96,5 km/h), no entorno das Twin Cities (Minneapolis/St. Paul), e outra de pista dupla e 70 milhas (112,6 km/h) de limite (Interstate 94).

O comportamento do Fusion na estrada foi bastante previsível, o que é bom. Mesmo sem curvas fechadas no caminho, a estabilidade do veículo foi boa, o que posso atribuir ao bom acerto da suspensão, roda (largas) de aro 16" e boa distância entre-eixos.

Com duas pessoas à bordo, muita bagagem e ar-condicionado desligado, eu esperava que o motor 2.5 de quatro cilindros, com 177 cv de potência (175 hp) e câmbio automático de seis marchas, fosse mais eficiente em desempenho. Não senti que faltou força, mas também não foi possível perceber que o carro trabalhou com folga, o que, de certa forma, me decepcionou. Mesmo com o porta-malas vazio, o "peso extra" dos 1.542 kg do veículo fizeram a diferença.

Na cidade, também gostei do comportamento do sedã da Ford. Mas não podemos comparar as ruas planas e largas dos Estados Unidos com as "lunares" vias brasileiras. Mesmo com seus 4,84 m de comprimento, o Fusion foi até fácil de manobrar. Mas as vagas grandes dos EUA, próprias para veículos enormes, e o tamanho reduzido em relação ao Town Car (5,47 m de comprimento) facilitaram a minha vida.
Fusion da foto está sendo substituído por uma nova geração - Ford/Divulgação
Na hora de abastecer, mesmo rodando com gasolina de octanagem mais alta (89), o consumo foi até bom, levando em consideração os fatores que envolveram a viagem: na cidade, média de 21 milhas por galão (8,9 km/l), enquanto na estrada, média de 28 milhas por galão (11,9 km/l). O Fusion alugado tinha cerca de 27.000 km rodados.

Convivendo com temperaturas médias variando entre -10ºC e -20ºC, o Fusion não teve problema nenhum para dar partida no frio. Ele pegava quase de cara. Já o ar quente só funcionava com eficiência depois do carro estar ligado por uns 5 minutos - dentro do esperado.

A Dollar me disponibilizou a versão SE do Fusion, que vinha equipada com ar-condicionado, roda de liga-leve de aro 16", direção dom assitência elétrica, trio elétrico, airbags, freio a disco nas quatro rodas com ABS, cruise control, comandos do sistema de som no volante, cinto de três pontos e apoio de cabeça para todos os ocupantes, entre outros itens.

Concluindo
Durante todo o período em que rodei com o Ford Fusion não tive nenhuma reclamação grave ou grande elogio a fazer. Absolutamente nada me chamou a atenção como algo diferenciado. O sedã se mostrou um bom carro para o dia a dia, tanto na cidade, quanto na estrada, especialmente nos Estados Unidos. O acabamento poderia ser mais refinado, mas, como eu disse, era um carro alugado.

Fico satisfeito em saber que a Ford já atualizou o Fusion nos EUA e fará o mesmo aqui no Brasil já em dezembro, com a versão Titanium Ecoboost 2.0 de 240 cv de potência e tração integral (AWD) - que chegará por R$ 112.900. Em 2013 serão lançados por aqui as versões 2.5 flex e híbrida. Talvez esta nova geração do sedã me surpreenda de verdade.

PS: Consegui recuperar apenas duas fotos da minha câmera (as duas primeiras do post), já que,  infelizmente, tive problemas com o cartão de memória da minha câmera. Espero não passar por isso de novo.

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Lincoln Town Car - Um clássico e decadente carro americano

Como vocês acompanharam, tirei alguns dias de férias em dezembro. Fui para os Estados Unidos e a viagem foi excelente. Pude descansar e curtir alguns parques e costumes locais que sempre me agradaram muito. Mas, como um amante de carros, escolhi bem os veículos que eu queria alugar por lá.

Ao todo foram dois. Mas, infelizmente, não consegui nenhum dos que estavam nos meus planos.

Antes de ir, liguei do Brasil para algumas locadoras norte-americanas e foi na Avis que encontrei o carro que eu queria alugar, por um preço que eu podia pagar: Cadillac CTS. A ligação foi no início de novembro e já aproveitei para fazer a reserva. No final de novembro, liguei novamente e eles confirmaram a minha reserva. Para ter certeza, paguei o alguel a vista aqui do Brasil.
Dois dias antes de viajar, mandei um e-mail para a Avis e eles disseram que o possível seria feito para que eu pegasse um Cadillac. Não estava garantido, mas me pediram para ficar tranquilo porque o CTS era um veículo muito procurado e que eles tinham muitos na frota.

Chegando nos Estados Unidos, após passar pela imigração em Miami, fui até o balcão da Avis para buscar o meu sonhado CTS. Para a minha grande decepção, eles não tinham o CTS à minha espera, muito menos tinham o Cadillac CTS na frota da Avis na Florida! Fiquei revoltado! Um completo despreparo e desrespeito da Avis com o consumidor! Alugar o Cadillac CTS por uma semana era o presente que eu estava me dando de aniversário desde quando tornei a viagem possível.

Pedi então para eles me darem um carro menor e parte do dinheiro de volta. Eles disseram que não poderiam fazer isso. Eu poderia pegar um carro menor, mas que o valor não seria devolvido. Cansado pelo voo e nervoso com a situação, como última alternativa, pedi então um Chevrolet Camaro (comum ou conversível) como forma deles se redimirem. Resultado: eles tinham o Camaro conversível, mas eu teria que pagar US$ 500 (!!) a mais pelo aluguel, diferença bem superior ao que eu paguei para levar o Cadillac.
Sem forças para discutir, peguei a única opção disponível na mesma classe do CTS: um Lincoln Town Car preto - a banheira americana. Depois de sair do aeroporto e nos dois dias seguintes, visitei mais quatro lojas da Avis na Florida para trocar o carro pelo Cadillac e a resposta foi a mesma: não temos o CTS na frota da Avis na Florida. Lamentável. Nunca mais alugo veículo pela Avis na minha vida.

Sem ter muito o que fazer, tentei aproveitar o clássico sedã norte-americano. Minha namorada, no primeiro contato com o carro, disse que ele parecia aqueles de "pimps" ou de funerária.
Quando entrei no veículo, as primeiras coisas que chamaram a minha atenção foram o banco interiço na frente (até seis passageiros poderiam andar no veículo), a alavanca do câmbio localizada no painel, ao lado direito do volante (como nos carros antigos, liberando espaço para o sexto ocupante) e, principalmente, o ultrapassado painel, digno de carros do século passado.

Por mais que o carro fosse muito espaçoso, confortável e mesmo com os ajustes, encontrar uma posição de dirigir foi difícil. O banco não era bom para os mais altos, mas era excelente para os mais gordinhos. O revestimento em couro preto era de qualidade, assim como o material aplicado no painel. Mas, mesmo num veículo 2011/2011, tudo parecia velho. Realmente o Town Car implora pela aposentadoria.
Em relação aos equipamentos, nada de diferente do mínimo que eu esperava de um veículo dessa categoras nos Estados Unidos: ar-condicionado de duas zonas, direção assistida, freios com sistema ABS, controle de tração, airbag duplo, ajuste de altura do volante (sem profundidade, infelizmente) e do pedal do freio (muito bom), computador de bordo (com "econômetro" digital), trio elétrico, banco do motorista e do passageiro dianeiro direito com aquecimento, alarme, piloto automático e constroles do som com comandos no volante, CD-Player, entre outros itens.

O que chamou a minha atenção negativamente foi a falta de apoios de cabeça no banco traseiro (vejam a última foto). O carro tinha um ressalto no encosto, mas achei difícil considerá-los apoios de cabeça.

Debaixo do capô
Para empurrar a banheira de 5,47 m de comprimento, 1,50 m de altura, 2,17 m de largura (com os espelhos e 1,99 m sem contar com os retrovisores) e com 2.042 kg de peso (isso mesmo!), a Licoln equipa o Town Car com um motor V8 4.6 Flex Fuel (capaz de rodar com 85% etanol do milho + 15% gasolina) que desenvolve decepcionantes 242 cv de potência a 4.900 rpm e impressionantes 39,68 mkgf de torque a 4.100 rpm. A marca priorizou o torque para fazer a barca andar.
O motor poderia ser mais eficiente, com desempenho e média de consumo melhores, ainda mais em um país que começa a se importar em poupar combustível - mais para não doer tanto no bolso do que para salvar o planeta. Mas o câmbio, automático de quatro marchas (sem opção de trocas sequenciais), também não ajudou, sendo um dos grandes culpados pelo alto consumo.

Mesmo com excelente ruas e rodovias (em sua maioria tapetes), que permitem velocidades constantes, o Town Car fez, na cidade, média de 16 milhas por galão (6,81 km/l), enquanto na estrada, média de 24 milhas por galão (10,21 km/l), rodando a 70 milhas por hora (112 km/h) - números com o ar-condicionado ligado 80% do tempo. O tanque leva 71,82 litros de gasolina.
595 litros no porta-malas! Foto da direita: CarData/Reprodução
O que realmente merece destaque no Town Car é o seu espaço. Para os ocupantes, os 2,99 m de distância entre-eixos garantiam conforto para cinco adultos (um Chevrolet Celta, por exemplo, mede 3,78 m de comprimento). E o melhor: os cinco adultos pode colocar toda a bagagem no imenso porta-malas de 595 litros de capacidade. Muito bom!

Concluindo
Minha experiência com o Lincoln Town Car foi boa de uma maneira geral, pois o comportamento do veículo representou exatamente o que eu precisada: calmaria, conforto para descansar e muito espaço (tanto para os ocupantes, quanto para o motorista). Mas o modelo precisa, urgente, ser substituído por um veículo mais moderno, pois seu motor tem desempenho ruim e média de consumo alta; seu visual não precisa de muitos comentários; e sua tecnologia embarcada não é digna de um carro que parte de US$ 47.255.
Fotos: Lincoln/Divulgação