Salvador ou vilão? A discussão sobre a utilidade do engate traseiro nos veículos desperta verdadeiras ondas de paixão e ódio. O uso desse acessório deveria ser voltado para engatar uma carga, certo? Mas, hoje em dia, a maioria dos que procuram a peça tem outra intenção: proteger a parte traseira do seu carro contra batidinhas de outros veículos – e, por tabela, danificar o veículo do outro. Alguns compram até por motivo estético (já que estava na moda). Só que a impressão de segurança é falsa. O CESVI explica por quê.
FEITIÇO VOLTA CONTRA O FEITICEIRO
O engate, de fato, pode proteger seu veículo em batidas leves, principalmente aquelas “encostadinhas” que ocorre nos estacionamentos. Porém, num impacto um pouco mais forte, o engate danifica o seu carro – de uma forma mais violenta do que se não houvesse o acessório ali.
Isso porque o engate é fixo, normalmente, em pontos da longarina. Em casos nos quais o crash-box poderia absorver o impacto sem danificar a estrutura do veículo, a força do impacto vai direto para as longarinas, danificando sua estrutura.
Como dissemos, a função real do engate é acoplar algo ao veículo, aumentando assim sua capacidade de carga. Mas saiba que existem algumas regras para a instalação:
• O engate deve ser instalado apenas em veículos que tenham capacidade de tração. Essa informação é descrita no manual do proprietário.
• Deve ser instalado respeitando os pontos de fixação descritos no manual do veículo.
• Deve se observar o modelo de cada engate, respeitando sua capacidade de carga, que pode variar entre 400 kg e 1.500 kg.
• O engate deve ter sido testado pelo Inmetro e conter uma placa visível e inviolável fixada a ele com: o nome do fabricante, CNPJ e identificação do registro concedido pelo Inmetro, modelo do veículo ao qual se destina, capacidade máxima de tração do veículo, e uma referência à Resolução 197/06, que regulamenta o uso do acessório.
• A tomada elétrica deve ser instalada seguindo os padrões. Uma fiscalização sempre vai verificar se ela está funcional.
Vale lembrar que, em caso do não cumprimento das exigências, o motorista está sujeito a penalidade descrita no Código de Trânsito Brasileiro, que consiste em infração grave, somando 5 pontos à carteira de motorista, além de retenção do veículo até a regularização.
Opinião do blogueiro
Acho que o engate deveria ser uma peça móvel, com uso permitido apenas quando o motorista fosse usar o reboque para fazer algum transporte de carga extra. Sem reboque, sem engate.
Meu (ex) Chevrolet Astra foi vitima inocente de um engate, de um motorista que me xingou quando eu pedi a ele para ter mais cuidado com as suas manobras. Exatamente duas semanas depois, este mesmo motorista "encostou" a sua picape Mitsubishi L200 numa pilastra, dentro do mesmo estacionamento onde eu tinha parado o meu carro, e o resultado foi um rombo de R$ 2.000 para o conserto.
Gol e Uno travam uma disputada batalha pela liderança de vendas do mercado brasileiro de carros, com vantagem praticamente constante do Volkswagen. Para não perder o reinado do seu hatch, a marca alemã reforça a linha 2014 do modelo com as versões "off-road" Rallye e Track, excelentes para as esburacadas ruas e estradas brasileiras. Mas, pelo que custam. será que elas compensam?
O Gol Rallye já é velho conhecido de todos. A versão agora ganha o visual da Saveiro Cross, com grade em formato de colmeia, grandes faróis de neblina (de longo alcance) e com molduras nas caixas de roda. O visual ficou mesmo legal - considero o Rallye mais bonito já feito pela marca (não custa lembrar que esta linha de design fez a sua estréia na linha Gol com a "sacana" linha 2013 2). Mas, para conseguir enfrentar uma trilha leve e as lunares vias nacionais, a VW elevou a suspensão do modelo em 2,8 cm e o equipou com rodas de liga leve de 16", com pneus de uso misto (80% cidade e 20% terra). Adesivos exclusivos (e sem graça) completam as alterações estéticas.
Embora o preço pudesse ser mais baixo do que os R$ 45.850 sugeridos pela Volks, a lista de equipamentos é boa: freios com sistema ABS, airbag duplo, direção hidráulica, trio elétrico, defletor traseiro, sensor de estacionamento, pedaleiras de alumínio, coluna de direção com ajuste de altura e profundidade, bancos com padrões de acabamento exclusivo, repetidores de luzes de direção nos retrovisores, ar-condicionado, antena no teto, banco do motorista com ajuste de altura, chave tipo canivete, desembaçador do vidro traseiro, destravamento interno elétrico do porta-malas, porta-revistas no encosto do banco do passageiro, pedais de alumínio, entre outros.
O modelo tem como opcionais o câmbio manual automatizado I-Motion, que faz o preço subir para R$ 48.580, além de volante multifuncional, rádio CD/MP3 Player com entrada USB, Bluetooth e interface para i-Pod e paddles shift (borboletas para as trocas de marcha no I-Motion).
O motor do Gol Rallye é o valente e ultrapassado 1.6 8V VHT Total Flex, da família EA 111, que desenvolve 104 cv de potência a 5.250 rpm e 15,6 mkgf de torque máximo a 2.500 rpm com etanol e 101 cv e 15,4 mkgf com gasolina, nas mesmas rotações.
Seguindo os passos da Fiat, finalmente a Volkswagen decidiu equipar a atual geração do Gol 1.0 com uma versão "aventureira", batizada de Track. A marca (assim como eu) não espera que o modelo enfrente nem trilhas médias, até por isso a VW o chama de "off-road light" - poderia ter até ido mais longe com "off-road mega light".
Assim como o irmão Rallye, o Gol Track recebeu alterações visuais, só que mais discretas: tem molduras nas caixas de roda, suspensão 2,3 cm mais alta e pneus de uso misto (175/70 R14), além de adesivos (sempre eles).
A ideia é atender ao consumidor que deseja um veículo popular mais completo e com apelo visual mais chamativo, sem se preocupar com o desempenho. Até porque, com um 1.0, desempenho ele não pode querer mesmo. Também da família EA 111, o motor do Gol Track desenvolve 76 cv a 5.250 rpm e 10,6 mkgf de torque a 3.850 rpm com etanol e 72 cv e 9,7 mkgf com gasolina, nas mesmas rotações.
Com o preço sugerido de R$ 33.060, o Gol Track vem equipado com faróis e lanternas de neblina, faróis duplos com máscara negra, lanternas escurecidas, airbag duplo, banco do motorista com regulagem de altura, freios ABS, direção hidráulica, desembaçador do vidro traseiro, quadro de instrumentos com molduras cromadas, abertura interna do porta-malas, retrovisores com comando interno, vidros dianteiros com acionamento elétrico, entre outros.
A lista de opcionais é composta pelos pacotes I-Trend (rádio CD/MP3 player com etrada USB, Bluetooth e interface para i-Pod, com 4 alto-falantes e 2 tweeters; volante multifuncional e I-System com ECO Comfort) e "Acesso completo" (travamento central com controle remoto, vidros elétricos traseiros, retrovisores com acionamento elétrico, chave tipo canivete, luzes de leitura dianteira e traseira e alarme), além de roda de liga-leve 14”, aquecimento, ar-condicionado e sensor de estacionamento traseiro. Ainda não consegui ver o valor do Track completo.
Fotos: Volkswagen/Divulgação
Compensam?
A expectativa da Volkswagen é que as duas novas versões respondam por até 13% do mix de vendas do Gol no Brasil, algo bastante aceitável. Sobre a pergunta que fiz no início, acho o seguinte:
Gol Rallye - Pensando por um lado, ele compensa, pois é mais barato, mais bem equipado e tem o mesmo desempenho do CrossFox. A "raposa aventureira" tem visual mais chamativo, mas seu preço sugerido de R$ 46.067, sem ar-condicionado (R$ 2.723) e sensor de estacionamento (R$ 747) - que elevariam o valor para altos R$ 49.537 -, não compensa se comparado ao Rallye. Por outro lado, o Gol não compensa tanto, pois alguns concorrentes, como o Fiat Uno Way 1.4, custam menos. Completo, com pintura sólida, como os valores dos Gols acima, o Uno sai por R$ 38.793; enquanto o Renault Sandero Stepway 1.6 16V manual, completo (com GPS no painel e pintura sólida), sai por R$ 44.840. Ainda assim, o Gol Rallye é uma opção válida e que deve ser considerada para quem busca um automóvel com este estilo.
Gol Track - Esta versão compensa se você gostar da linha Gol. Sem dúvida, ele é um veículo a ser lembrado na hora da compra de um 1.0 com aspecto mais aventureiro. Seu preço também poderia ser mais baixo, mas está mais próximo dos concorrentes. Usando o Uno novamente como parâmetro: Way 1.0 completo, com pintura sólida: R$ 35.538.
Exportação parece um tema sem grande importância para quem compra um automóvel produzido no Brasil. No entanto, esse é um motivo de preocupação. Afinal, o que dá grau de competitividade à indústria automobilística de um país é o seu nível de produção. O País é o quarto maior mercado do mundo e apenas o sétimo maior produtor, justamente por ter perdido sua capacidade de exportar.
Impacto positivo das exportações significa aumento de escala de produção. Isso, frequentemente, viabiliza tecnologias sensíveis a volume, em especial as maravilhas da eletrônica de bordo para segurança e conforto, além de melhorias de qualidade. No novo regime automobilístico Inovar-Auto estão contemplados investimentos fortes em pesquisa e inovação, mas não há objetivos claros para o mercado externo. Luiz Moan Yabiku Jr., novo presidente da Anfavea, coloca como bandeira de sua gestão a recuperação das exportações até 2017.
Ter produto com bom preço no exterior passa, obviamente, pela cotação do real. Tanto que em 2005, com câmbio favorável, quase 900.000 unidades (montadas e desmontadas), 35% da produção anual, deixaram os portos. No ano passado, apenas 470.000 unidades saíram do país, 14% do produzido. A meta para daqui a cinco anos é exportar 1 milhão de veículos (20% da produção). Seria um incomum cenário de equilíbrio: 5 milhões de unidades em vendas internas, 5 milhões produzidas, 1 milhão de veículos exportados e o mesmo tanto de importados.
No ano passado o Brasil importou 795.000 veículos, 70% mais do que exportou. Uma saída indica a desvalorização cambial – boa para exportar e segurar importações –, porém só colocaria a sujeira do custo Brasil para baixo do tapete. Um real fraco, por sua vez, aumenta os custos de certos componentes sofisticados, que continuarão a vir do exterior e aplicados em produtos nacionais.
Há várias sugestões de estímulos às vendas externas: simplificação do processo aduaneiro, mudanças na legislação burocrática e retirada de encargos fiscais indiretos ou invisíveis, na longa cadeia produtiva, estimados em quase 9%. Nenhum país se dá ao luxo de exportar impostos, típico cacoete brasileiro.
Alguns dos problemas históricos se concentram nos portos e o governo enfrenta resistências para vencer o arcaísmo. Só agora alguns deles passam a funcionar 24 horas por dia, fundamental para escoar volumes. Faltam, até, pátios para estocagem de veículos. Faz pouco tempo a guerra fiscal entre os portos estaduais, com desconto de alíquotas do ICMS, levava automóveis vindos do exterior a reconquistar boa parte da competitividade perdida com o imposto de importação. Em outros termos, desestímulo a quem produz internamente.
RODA VIVA
PARA fábrica de Betim (MG), Fiat também reserva novidades, que a coluna antecipa. Cronograma refere-se ao início de vendas. Começo de 2014: novo Fiorino (cara de novo Uno); um ano depois, início de 2015, novo Doblò (projeto 263); segundo trimestre de 2015, o aguardado subcompacto (projeto 344) sucessor do Mille. Strada cabine dupla de três portas, fácil de produzir, ainda sem confirmação.
ALÉM da GM, que já decidiu entrar no mercado de subcompactos (provável inspiração no sucessor do Opel Adam), Renault também vai mergulhar nos modelos pequenos de uso urbano preferencial. Projeto para o Brasil será específico, sem aproveitar quase nada do Twingo francês. Assim o VW Up!, talvez ainda no final do ano, terá muita concorrência à frente.
LEVANTAMENTO da Anfavea indica: 62 marcas de veículos leves e pesados – total de 1.744 modelos e versões – estão em lojas hoje. Compara-se apenas à China, estima a coluna. Ou seja, opções de sobra, concorrência acirrada.
ESCALADA dos juros básicos (Selic) não deve ser repassada para taxas do crédito ao consumidor. Estas dependem bem mais da inadimplência (que resiste a cair) e da disputa entre bancos e financeiras.
NOVO Maserati Quattroporte, por R$ 950.000, ficou maior (5,26 m de comprimento) e ao mesmo tempo apertado em nicho minúsculo do mercado. Impressiona pelos materiais internos de acabamento, em especial na parte inferior do painel, além de itens de conforto. Motor V-8, biturbo novo, de 3,8 L/530 cv/66,3 kgf∙m, apesar de 1.900 kg do carro, confere 0 a 100 km/h em apenas 4,7 s.
IMPORTAÇÕES recuaram 25% no primeiro quadrimestre de 2013 frente a 2012, segundo Abeiva, associação de empresas sem produção nacional. Por enquanto, a entidade não revisou suas previsões. Há sinais contraditórios, como a recuperação em abril de suas marcas, atribuída ao sistema de cotas do México que afetou, no mês passado, veículos importados por associados da Anfavea.
LEITORES reclamam que Detrans estaduais têm recusado, sistematicamente, cancelamento previsto em lei de multas de classificação leve para bons motoristas, transformáveis em advertência como viés educativo. Quem quer perder arrecadação? Depois negam existência da indústria de multas. Conversa que não dá para acreditar, desmistificada por fatos como esse.
Era para ser um dia comum na abertura do Salão do Automóvel de Qingdao, na província de Shandong, na China. Mas um fato inusitado (e triste), que aconteceu próximo ao pavilhão de exposições, chamou a atenção dos visitantes. Revoltado com o atendimento de uma concessionária da Maserati, um chinês destruiu o seu exemplar do belo sedã Quattroporte a marretadas!
Avaliado em R$ 850.000 (2,6 milhões de iuans), o modelo ficou bem amassado, embora eu não tenha encontrado uma imagem do "resultado final". O proprietário do veículo fez todo este alvoroço em protesto contra o serviço de manutenção oferecido por uma revenda da marca.
Realmente não sei qual foi a gravidade do ocorrido, mas a história vem se arrastando desde 2011. Pelo que entendi da história, a concessionária teria reparado o Quattroporte com uma peças semi-novas e cobrado o preço de uma peças novas. Além da concessionária, o proprietário do veículo ficou revoltado com a Maserati China e com a seguradora, os acusando de fraude e outras coisas.
Fico com a impressão deste chinês não ter mais onde enfiar dinheiro, pois a solução mais rápida seria vender o veículo. Outra ideia que provavelmente já aconteceu seria entrar na justiça ou levar o caso ao Procon da China - caso isso exista por lá.
De qualquer forma, destruir um maravilhoso Quattroporte de R$ 850.000 acaba saindo bem caro.
Quando eu disse que é um caso triste, me refiro, primeiro, ao fato de atendimentos ruins (e desonestos) acontecerem em todo mundo e com todas as marcas. Segundo porque ver o carro dos meus sonhos ser destruído desta forma me deixa sem palavras...
A palavra consolidar tem como principais significados "tornar(-se) seguro, sólido, firme, estável" - de acordo com o dicionário online Michaelis. Com isso em mente, analisei os dados do mercado nacional de automóveis em abril e o acumulado do ano de 2013, segundo a Fenabrave, e notei que o Honda Civic, pelo segundo mês consecutivo, bateu o Corolla na liderança do segmento, ultrapassando o sedã médio da Toyota também no somatório de janeiro a abril. Mas podemos considerar que o Civic se consolidou na ponta?
A Toyota ainda afirma no comercial que o Corolla é o líder absoluto da categoria, como pude assistir ontem a noite na TV. Claramente este comercial (reproduzido abaixo) está ultrapassado e acho até que merecia uma mudança de texto. Mas tudo bem.
Em março, foram emplacadas 4.865 unidades do Civic, contra 3.658 unidades do Corolla. Em abril, o sedã da Honda foi responsável por 5.636 unidades emplacadas, contra 5.111 unidades do Toyota.
Emplacamento de sedãs médios de janeiro a abril de 2013 no Brasil (Fenabrave)
1. Honda Civic - 15.821 unidades
2. Toyota Corolla - 15.673 unidades
3. Chevrolet Cruze - 7.463 unidades
4. Renault Fluence - 5.033 unidades
5. Volkswagen Jetta - 3.979 unidades
6. Fiat Linea - 2.582 unidades
7. Mitsubishi Lancer - 2.326 unidades
8. Kia Cerato - 2.308 unidades
9. Nissan Sentra - 2.216 unidades
10. Peugeot 408 - 1.698 unidades
11. Hyundai Elantra - 1.242 unidades
Hyundai/Divulgação
i30 em queda livre
Se por um lado o Civic está buscando se consolidar na ponta do sedãs médios, na categoria de hatches médios o ex-líder i30 está descendo a ladeira. Responsável anteriormente por vendas vistosas, o modelo da Hyundai sofre com os absurdos preços cobrados pela Hyundai (e por alguns fatores externos, como impostos), e também com a oferta única do motor 1.6 16V flex, insuficiente para o veículo, já amargando a 6ª colocação no segmento. Veja:
Emplacamento de hatches médios de janeiro a abril de 2013 no Brasil (Fenabrave)
1. Ford Focus - 7.967 unidades
2. Chevrolet Cruze sport6 - 7.509 unidades
3. Volkswagen Golf - 4.187 unidades
4. Peugeot 308 - 3.733 unidades
5. Fiat Bravo - 3.380 unidades
6. Hyundai i30 - 3.180 unidades
7. Citroën C4 - 2.021 unidades
8. Nissan Tiida - 612 unidades
O mercado brasileiro já está dando o seu recado. Resta à marca coreana entendê-lo: i30 precisa custar (bem) menos e ter uma versão 2.0.