quarta-feira, 30 de março de 2011

Olho vivo no preço dos combustíveis

Entra ano e sai ano e quase sempre na mesma época o preço do etanol sobe para patamares inaceitáveis! O motivo (desculpa?) é sempre o mesmo: é a entressafra da cana-de-açúcar. Realmente estamos no período de entressafra, mas o valor do litro do álcool já subiu muitas outras vezes fora desse período e a desculpa acabou sendo a mesma.

Mas não é só culpa da entressafra que faz o preço do etanol subir. Os valores dos combustíveis no Brasil são muito altos. Governo federal e os governos estaduais são alguns dos responsáveis por isso. Mas não vou ficar aqui apontando culpados, já que esse não é o objetivo do post.

O que quero dizer é que sempre vale a pena pesquisar os preços dos combustíveis. O ideal é sempre abastecer num posto de comfiança e que tenha preços honestos, mas nem sempre isso acontece. E nem sempre temos tempo para fazer a pesquisas. Por isso passo aqui duas dicas, enviadas pelo internauta André Garcia Miranda.

Uma delas eu já conhecia. Acessando o site da ANP (Agência Nacional do Petrólio, Gás Natural e Biocombustíveis) é possível acompanhar pesquisas semanais de acordo com os municípios de cada estado brasileiro. O levantamento compara os preços da gasolina, etanol, diesel, gás natural veicular (GNV) e gás de petróleo liquefeito (GLP). O mais interessante é que o site mostra os postos que não apresentam nota fiscal de compra do combustível, o que pode ser o primeiro indício de que o combustível não é de boa procedência. Fique atendo e faça a pesquisa no site: ANP: Preço dos combustíveis por município.

A outra dica eu não conhecia. É o site "Meu Combustível", que associa o preço dos combustíveis da página da ANP com um mapa brasileiro, mostrando o endereço do posto e o valor praticado da gasolina, etanol, diesel e GNV. Eu e o André fizemos testes e percebemos que não aparecem todos os postos próximos aos endereços que colocamos no site. Mas o André fez uma observação importante: "Do lado inferior direito aparece a seguinte advertência: 'A ANP, em sua pesquisa semanal, recolhe apenas uma amostra dos postos de cada cidade, por este motivo não aparecem diversos postos.' Mas enfim, como eu acabei de dizer, qualquer ajuda é válida. Melhor isso que nada!". Realmente! Vale ter essa informação do que não ter nenhum tipo de comparativo de preço! Acesse: Meu Combustível.

Consumo Real
Falando em combustível, aproveite e participe da seção Consumo Real do De 0 a 100! Envie a média de consumo do seu carro para renatoparizzi@gmail.com e vamos montar um grande banco de dados com informações reais de consumo dos motoristas brasileiros! Já são mais de 140 veículos publicados! 

Se possível, mande informações simples, mas que fazem a diferença, como o ano e o modelo do veículo, a motorização, se é flex, a média de consumo com gasolina na cidade e na estrada, a média de consumo com etanol na cidade e na estrada, se o ar-condicionado estava ligado nas medições (se o carro tiver o equipamento) e mais alguma outra informação que vocês acharem relevante.

Apoio
E vamos apoiar os principais movimentos para conter e abaixar os preços abusivos dos combustíveis, como no Twitter:

Velha lembrança
Além do combustível vendido no Brasil ser absurdamente caro, ainda somos obrigados a conviver com um produto de qualidade muito inferior. Vejam nesse post, que é mais antigo, mas ainda atual: O combustível brasileiro presta mesmo?
(Foto: Volkswagen/Divulgação)

terça-feira, 29 de março de 2011

Novo Tiida pode ser dar bem no Brasil?

Há alguns dias o blog Joke For Blog publicou algumas fotos que mostra o visual do novo Nissan Tiida. As mudanças estéticas não foram revolucionárias, mas, sem dúvida, deixaram o carro bem mais atraente.

A dianteira foi a parte que mais mudou, ficando mais moderna e ousada, seguindo o estilo de design adotado pela Nissan em outros veículos da marca. Na traseira, o que chamou a atenção não foram as alterações, mas sim a sigla “XTRONIC CVT”. Será que, finalmente, o câmbio automático de quatro marchas será substituído pela ótima transmissão CVT?
Se isso acontecer mesmo, ficam outras perguntas:

. Será que o Tiida terá motor 1.8 flex e câmbio CVT?
. Será que o Tiida ganhará motor 2.0 flex com câmbio CVT?

Embora a segunda pergunta tenha uma probabilidade bem menor de resposta positiva, gostaria que os dois questionamentos recebessem um SIM da Nissan. Vamos esperar para ver.
Mesmo com conjunto interessante e propagandas agressivas, o atual Tiida nunca conseguiu emplacar no mercado como poderia. Ultimamente ele até conseguiu uma ligeira melhora, mas ainda longe do ideal. Hoje, o Tiida enfrenta um mix de concorrentes veteranos, como Chevrolet Astra, Volkswagen Golf e Peugeot 307, e novos, como Ford Focus, Fiat Bravo e Hyundai i30.
Acredito que as chances do novo Tiida se dar bem no Brasil sejam maiores, mas nada muito distante do desempenho do atual. Isso porque a nova geração do hatch médio da Nissan, que deverá ser produzida na fábrica da marca no México a partir de 2012, enfrentará veículos também muito novos, como Peugeot 308, Chevrolet Cruze hatch, novo Citroën C4 e, se a Volkswagen finalmente tomar uma atitude feliz, novo Golf. Sem nos esquecermos da nova geração do i30, que deve demorar um pouco mais para chegar, e de um possível hatch médio da Renault. Ainda não incluo chineses nessa briga.

sábado, 26 de março de 2011

Corolla 2012 e novo Jetta agitam a semana e o mercado

Essa última semana foi realmente agitada para o sedãs médios no Brasil. Tivemos os lançamentos da linha Corolla 2012 e do novo Jetta. Com as novidades, a Toyota espera manter a liderança, enquanto a Volkswagen quer ganhar uma boa fatia do segmento com um produto mais "abrangente".
Começando pelo alemão vindo do México, a estratégia da marca foi deixá-lo maior e, principalmente, mais acessível, colocando no mercado duas versões: Comfortline (R$ 65.755) e Highline (R$ 89.520), ambas 2.0, mas com motores bem diferentes.

O visual do modelo segue a tendência mundial de design da marca. Suas linhas são bonitas e marcantes, mas não abusam de ousadia e esportividade. A dianteira é semelhante à de vários outros carros da marca, enquanto a traseira foi claramente inspirada em sedãs da Audi. Maior, o Jetta agora mede 4,64 metros de comprimento e 2,65 m de entre-eixos - contra 4,55 m e 2,58 m, respectivamente, da geração anterior.

O interior é simples e tradicional, com destaque para o aumento do espaço para os ocupantes e para a boa ergonomia. O porta-malas tem ótima capacidade: 510 litros. A lista de equipamentos de série é farta. O Jetta Comfortline tem ar-condicionado digital, direção assistida, quatro airbags, freio a disco nas quatro rodas com sistema ABS, controle de tração (ASR), volante revestido em couro, rádio CD Player com reprodução de arquivos em MP3, sensores de estacionamento dianteiro e traseiro, computador de bordo, coluna de direção regulável em altura e profundidade, rodas de liga leve, entre outros itens.
Já a versão Highline tem os itens acima além de controle de estabilidade (ESP), ar-condicionado com duas zonas de regulagem de temperatura e saídas para o banco de trás, dois airbags do tipo cortina, piloto automático, bancos com revestimento em couro, sensores de chuva e crepuscular, volante multifuncional - com comandos de som e Bluetooth - e sistema de som com tela sensível ao toque e oito alto-falantes. Ficou devendo apenas na falta de um GPS integrado no painel.

Volkswagen Jetta Comfortline 2.0 (manual): R$ 65.755
Volkswagen Jetta Comfortline 2.0 (automático): R$ 69.990
Volkswagen Jetta Highline 2.0 Turbo (automático): R$ 89.520

Para ficar mais barato, o novo Jetta perdeu o motor 2.5, que foi substituído por uma dupla de propulsores 2.0. O mais atraente é o FSI, com quatro cilindros, turbo e injeção direta de gasolina. São 200 cv de potência e 28,5 mkgf de torque. Por causa da injeção e do excelente câmbio automatizado de dupla embreagem com seis velocidades (com trocas por borboletas atrás do volante), o carro não é um beberrão. Segundo a Quatro Rodas, ele tem média de 9,4 km/l na cidade e 13,e km/l na estrada.

O outro motor é o (VELHO) conhecido 2.0 8V Total Flex, que desenvolve 116 cv de potência e e 17,7 mkgf de torque com gasolina e 120 cv e 18,4 mkgf com etanol - o mesmo usado no Bora, New Beetle e Golf. São duas opções de câmbio: manual de cinco marchas e automático sequencial de seis velocidades. Com esta segunda transmissão, também de acordo com a Quatro Rodas, o carro tem média de 7,2 km/l na cidade e 9,5 km/l na estrada com etanol.
O Jetta mais barato realmente fica devendo em desempenho. Em todos os testes comparativos publicados nas revistas mais recentes, contra os adversários com propulsor 2.0 (Fluence, 408 e Corolla, por exemplo), o carro ficou para trás. Vale até comparar os números do Corolla 1.8 (2012) automático de quatro marchas com o Jetta 2.0 Tiptronic, ambos com etanol no tanque, divulgados pela revista da Abril:

Volkswagen Jetta 2.0 Total Flex
De 0 a 100 km/h: 12,8 s
Retomada de 40 a 80 km/h: 6,1 s
Retomada de 60 a 100 km/h: 7,4 s
Retomada de 100 a 120 km/h: 9,5 s

Toyota Corolla 1.8 VVT-i flex
De 0 a 100 km/h: 11,3 s
Retomada de 40 a 80 km/h: 5 s
Retomada de 60 a 100 km/h: 6,3 s
Retomada de 100 a 120 km/h: 8,2 s

Mudando para ficar no mesmo lugar
O principal alvo do novo Jetta é o Toyota Corolla, líder do segmento de sedãs médios, que acaba de mudar já como linha 2012 para ficar exatamente onde está: na frente. As mudanças foram as mesmas que comentei em outubro do ano passado.
As alterações visuais deixaram o Corolla com cara de Camry. Na frente, a grade está maior, os faróis estão diferentes e o para-choque foi renovado. O espaço onde ficam os faróis de neblina também mudaram, assim como as entradas de ar. Na traseira, o estilo tuning (xuning para alguns) deu o tom da alteração dos faróis. O friso na tampa do porta-malas, acima da placa, está maior, chegando quase nas lanternas - o que achei feio. No para-choque, os olhos de gato, que eram redondos, agora são em forma de trapézio.

Internamente, a padronagem dos tecidos dos bancos mudou, assim como a parte superior do painel, que agora é mais escura. Para completar, as versões XEi e Altis receberam entrada USB no painel.
Mas a alteração mais esperada aconteceu debaixo do capô das versões mais simples (XLi e GLi). O motor 1.8 16V agora tem comando de válvulas variável na admissão e no escape. Entre outras alterações, a taxa de compressão subiu para 12,0:1. O que importa é que o carro ganhou força, subindo de132 cv para 139 cv com gasolina, e de 136 cv para 144 cv com etanol. O torque também cresceu: foi 17,3 mkgf para 18 mkgf com gasolina, e de 17,5 mkgf para 18,6 mkgf com etanol. O câmbio manual, antes de cinco marchas, passou a ter seis, para aproveitar melhor a motorização. Na prática, segundoa Toyota, o Corolla 1.8 2012 ficou 3% mais rápido e 16% mais econômico.

Uma pena que o câmbio automático continuou com quatro marchas, não importando se o motor é 1.8 ou 2.0. Tudo bem que ele tem funcionamento suave e eficiente, mas poderia ter, no mínimo, cinco marchas. O ideal seriam seis, pelo menos.
Toyota Corolla XLi 1.8 manual: R$ 63.570
Toyota Corolla XLi 1.8 automático: R$ 67.570
Toyota Corolla GLi 1.8 manual: R$ 67.070
Toyota Corolla GLi 1.8 automático: R$ 70.570
Toyota Corolla XEi 2.0 automático: R$ 76.770
Toyota Corolla Altis 2.0 automático: R$ 86.570

No final das contas, a Toyota fez alterações suficientes para manter o Corolla na liderança do mercado brasileiro de sedãs médios em 2011, ano de "ajustes" no segmento com as chegadas e mudanças dos modelos.

Para 2012, talvez o Jetta incomode e a dupla Fluence e 408 possa até fazer barulho. Se o C4 Pallas renovado chegar, bom para o mercado. Mas Honda Civic 2012 (que parece que regrediu) e Chevrolet Cruze são os adversários com mais chances de incomodar o líder num futuro próximo. Talvez o Cerato flex também tente se enfiar na disputa. E não podemos nos esquecer do Hyundai Elantra.

quinta-feira, 24 de março de 2011

Motor 1.8 16V Ecotec já esteve entre nós

O motor 1.8 8V Flexpower está cada vez mais sumindo do mercado. Porém, outro motor 1.8 da Chevrolet vem criando grande expectativa: é o 1.8 16V Ecotec, que deverá virar bicombustível quando passar a equipar os Cruze sedã e hatch, previstos para serem lançados no Brasil ainda em 2011. Derivado da Família 1 da GM, como bem disse o amigo Marlos Ney Vidal, o propulsor já esteve entre nós, à venda no Brasil.
No Cruze vendido na Argentina, motor 1.8 16V Ecotec tem 141 cv
Mas ele não era tão avançado como atualmente. Suas melhorias vieram depois. Na época, em 2002, o 1.8 16V rendia 122 cv de potência a 5.600 rpm e 17,3 kgfm de torque a 3.600 rpm no Meriva e a mesma potência e mais torque no Fiat Stilo, 17,4 kgfm, com a mesma rotação, graças a um pequeno ajuste feito pelos italianos.

Em janeiro de 2005, a Quatro Rodas publicou o teste dos 60.000 km com o Stilo 1.8 16V. Vejam o que foi dito:

"No decorrer dos 60.952 quilômetros, não tivemos nem sinal de fumaça de problema com o motor. Nada. Quando abrimos seu "andar superior", a confirmação de que estava tudo em ordem. Cabeçote, comando e válvulas tinham apenas resíduos de carbonização, "condizentes com a quilometragem", segundo Fukuda. A compressão dos cilindros estava nos níveis estipulados pela Fiat e em valores bem próximos nas quatro câmaras de combustão. Pistões e bielas não apresentaram desgaste significativo.

O que nos causou surpresa, no entanto, foi a parte inferior do motor, onde encontramos uma folga axial do virabrequim acima do previsto pela fábrica - o padrão é de 0,12 a 0,25 milímetro, e nosso Stilo apresentou 0,45 milímetro de folga. O semi-anel posterior de encosto do virabrequim - onde ele vai apoiado no bloco do motor - também apresentou desgaste excessivo e estava abaixo das medidas.

Essa folga é uma espécie de "jogo" longitudinal no eixo. Segundo nosso consultor Fábio Fukuda, o problema iria provocar o desgaste prematuro de bronzinas de mancais e bielas, causando ruídos no motor e comprometendo sua durabilidade.

Segundo Carlos Henrique Ferreira, engenheiro da Fiat
(mas que hoje está na Renault), o problema teria sido causado pelo fato de se andar com o pé apoiado na embreagem. Ao analisarmos as peças, constatamos que disco e platô não apresentaram sinais de que a embreagem do veículo tivesse sido utilizada de forma incorreta. Segundo Fukuda, só resta a hipótese de que a causa para a folga do virabrequim esteja no semi-anel de encosto, que pode ter saído de fábrica com folga excessiva."

De acordo com números da Fiat, o Stilo 1.8 16V (manual de cinco marchas) precisava de 10,3 s para ser acelerado de 0 a 100 km/h e atingia velocidade máxima de 195 km/h. Em relação ao consumo, sem com gasolina, a média era de 10,5 km/l na cidade e 15,5 km/l na estrada - números bem generosos divulgados pela Fiat. A Quatro Rodas conseguiu média de 9,8 km/l no circuito misto depois de rodar 60.952 km e gastar 6.118 litros de combustível.

Já segundo a Chevrolet, o Meriva 1.8 16V (manual de cinco marchas) precisava de 11,9 s para ser acelerado de 0 a 100 km/h e atingia velocidade máxima de 185 km/h.

Agora que o motor 1.8 16V "antes de Ecotec" está novamente próximo a nossa realidade, vale repetir os números de potência e torque do Ecotec divulgados oficialmente pela Chevrolet na Argentina: 141 cv a 6.200 rpm e 17,9 kgfm a 3.800 rpm, lembrando que a motorização não é flex. Quando passar a ser bicombustível, a estimativa é que a potência suba para a casa dos 148 cv com etanol.

Segundo a Chevrolet, equipado com o propulsor 1.8 16V Ecotec a gasolina, o Cruze sedã (manual de cinco marchas) precisa de 10 s para ser acelerado de 0 a 100 km/h e atinge 200 km/h de velocidade máxima.

Qual a sua expectativa em relação ao motor 1.8 16V Ecotec? Será que a Chevrolet vai conseguir peder a fama de só ter motorizações antigas e ultrapassadas nos carros nacionais?
Foto: Chevrolet/Divulgação

quarta-feira, 23 de março de 2011

Impressões: Ecosport - De carta fora do baralho a ótima opção!

Mais um Impressões aqui no De 0 a 100! Acho interessante notar como carros quem nem faziam parte dos planos acabam sendo escolhidos como "azarões" e agradando bastante ao dono. Foi mais ou menos isso com o Leonardo Vilela, que manda suas impressões do Ford Ecosport.

Quem quiser participar do Impressões, como o Leônidas, o Rafael, o Jow, o Hugo, o Bruno, o Joathan, o Leônidas (de novo!), o Hugo Leite, o Pedro, o Piauí Jr., o Renato Dantas, o Mário Cesar, o Mário Cesar (de novo!), o Renato Dantas (de novo!), o Joathan (de novo!), o José Barbosa Júnior, o Jefferson de Oliveira, eu mesmo (Volvo XC60 e Astra) e o Leonardo Vilela, basta enviar um e-mail para renatoparizzi@gmail.com. Fale um pouco sobre o seu carro. Descreva os pontos positivos, negativos e conte alguma coisa curiosa! E não se esqueça de mandar fotos do veículo (só serão publicados posts com fotos). Garanto que a placa (ou algum outro detalhe) não será mostrada.
"Eu sempre gostei dos Peugeots, tanto que eu e minha esposa tínhamos dois 206 presence 1.4, e já estávamos com a programação da troca programada, o dela eu trocaria em uma Pajero ou Tucson e o meu em um 307.

Mas como sempre tem um porém, nossa primeira filha iria nascer em novembro de 2010, então tivemos que antecipar a troca de pelo menos um dos veículos, justamente pelo espaço de porta-malas e também porque nenhum dos 206 tinha airbag ou ABS.

O Ford Ecosport nunca esteve em minha lista de desejos, ate porque sei que na verdade ele é um Fiesta mais alto e não um SUV efetivamente. Mais ai entrou outro aspecto: meu pai iria vender seu Ecosport XLT 2007 completo, inclusive airbag duplo, mas sem ABS.
O que me levou a comprá-lo ao invés de um Tucson ou Pajero foi a grande desvalorização que ocorreu no carro, o fato de ter airbag duplo e, principalmente, por causa da origem. Sendo do meu pai, eu sei que o carro passou por todas revisões, nunca foi batido e era bem cuidado.

Mas vamos as impressões:

Acessórios e opcionais e instrumentos
O carro é bem completo, com som original duplo din, com entrada auxiliar (boa para iphone ou celular p2), tem vários porta-trecos, o ar-condicionado gela muito bem e os bancos de couro de fabrica são bem confortáveis.

Destaque para o airbag duplo, que é raro achar neste carro. Na época da compra, meu pai aguardou 45 dias para chegar o carro com airbag.

O painel de instrumento é objetivo, muito embora eu não goste do mostrador de combustível e temperatura serem digitais. Os acionadores dos quatro vidros estão em boa posição, assim como o do retrovisor elétrico.
Motorização
O motor 1.6 8V não é esperto, mas leva o carro com certa facilidade. Obviamente em ultrapassagens deve-se tomar o dobro de cuidado. O consumo do carro começou muito ruim. Estava fazendo 4,5 km/l na gasolina. Mas descobri (com a perda de potência) que era hora de trocar a embreagem (com 60 mil km). Hoje ele faz 8,5 km/l na gasolina (com ar-condicionado ligado). No álcool ainda não fiz a medição.

Nunca precisei de desligar o ar para uma subida ou coisa assim.
Cambio
O cambio é bom, mas as relações poderiam ser melhor ajustadas (acho que ocorreu no modelo 09), porque a primeira começa fraca e quando ganha potencia você já tem que passar a segunda. A 4ª e 5ª são boas, para estradas você anda a 110 km/h ou 120 km/h sem forçar ou esguelar o motor.

Suspensão
Na minha opinião, a suspensão é a pior parte do carro. Seu ajuste (talvez puxando o Fiesta) atrelado a altura da carroceria faz o carro “dobrar” demais e, na estrada, principalmente em velocidade acima de 90 km/h, passa uma sensação de que ele pode literalmente tombar. Então não é o tipo de carro para manter 110 km/h constante, por exemplo. Já a questão do conforto em pisos acidentados é boa, até por causa da maciez da suspensão.
Segurança
Apesar de não ter ABS, o carro freia bem se levado em consideração o seu peso. O airbag dá uma segurança a mais. As portas tem travamento automático e trava de segurança para crianças. Acho que faltou aviso no painel de portas abertas.

Espaço interno
O espaço não é ruim, mas também não é muito bom. Na frente é muito bom e se acha fácil uma boa posição para dirigir graças ao ajuste de altura e lombar. Atrás é um pouco mais apertado (mas muito melhor que o Pajero TR4). Acho que o ideal em viagens é 4 adultos. O ocupante do meio sofre com o túnel.

Como tenho criança, para colocar a cadeirinha (de recém nascido, onde a criança fica de costas para a frente) e o seu suporte no banco de trás, tive que arredar bem o banco dianteiro do passageiro para a frente, devido ao espaço traseiro reduzido.

Como já disse anteriormente, o ar-condicionado da conta do recado com sobras.

O porta-malas não é GRAAAANDE, mas comporta bem as bagagens e o carrinho do bebe (muito melhor que o do 206), e tem duas luzes de cortesia. O único problema é abrí-lo quando tem algum carro atrás.

Particularmente acho o interior pobre, há algumas rebarbas no plástico e faltou um certo requinte para um carro que em 2007 custou R$ 61 mil.
Pneus
Os pneus são 15”, com rodas de liga-leve inclusive no step, o que particularmente acho bonito. Porém, eles poderiam ser 16” e mais largos para ajudar a segurar o carro.

Exterior
Mesmo sendo a primeira geração do Ecosport, ele ainda não perdeu o seu charme e considero um carro muito bonito, principalmente com os para-choques pintados da mesma cor e o estribo lateral, tudo de fábrica.
Visão geral
É um bom carro, com um motor regular, bom porta-malas e a altura do solo faz muita diferença para o lado ruim (estabilidade) e também para o lado bom (andar em estrada de terra). O fato do meu ter airbag me deixa um pouco mais tranqüilo, porque chega uma idade que começamos a pensar mais na segurança que no conforto. Um grande problema é que o estepe ficar na tampa e o para-choque é mais recuado do que ele. Então em caso de uma colisão traseira, a primeira coisa que ira amassar é sua tampa de porta-malas e não o para-choque, tornando o conserto mais caro.
Prós:
1. Altura do solo (em estrada de terra)
2. Ar-condicionado
3. Segurança
4. Estética ainda atual
5. Radio com entrada auxiliar
6. Bancos de couro com ajuste de altura e lombar
7. Espaço interno banco dianteiro

Neutros:
1. Motor (podia ser melhor, mas não é ruim)
2. Espaço interno banco traseiro
3. Porta-malas (podia ser maior se não tivesse tanto plástico nas laterais).

Contras:
1. Step com menor recuo que o para-choque traseiro
2. Suspensão muito macia que cria insegurança em curvas
3. Interior pouco refinado
4. Falta ABS"

Opinião do blogueiro:
Muito interessante as impressões do Leonardo! Das suas quatro reclamções principais, duas foram ouvidas pela Ford, que melhorou o acerto da suspensão e, principalmente, o acabamento do Ecosport. Tanto é que ele perdeu o carinho apelido de "NHEcosport".

O Ecosport realmente evoluiu desde quando foi lançado no Brasil em 2003. É uma opção muito legal no mercado nacional que agrada homens e mulheres. Mas ele fica realmente devendo em eficiência do motor 1.6 8V Rocam flex (como disse o Leonardo), que não é ruim, mas poderia ser melhor (quem sabe o 1.6 16V Sigma não resolveira?); e em equipamentos de segurança de série desde as versões mais básicas. Pagar R$ 53.400 (valor sugerido) num Ecosport XL 1.6 0 km sem ter, pelo menos, airbag duplo não é uma boa ideia - custo/benefício bem ruim. O Ecosport 2.0 também poderia ser mais barato, não importando se o câmbio é manual, automático ou se a tração é 4x2 ou 4x4.

Mesmo assim, é inegável que o jipinho da Ford está em seu momento mais maduro e de melhor qualidade. E esse é o último momento do carro no Brasil com a carroceria atual, já que seu substituto está previsto para 2012/2013.
Fotos: Leonardo Vilela/Arquivo pessoal

sexta-feira, 18 de março de 2011

Vectra GT com os dias contados? O mercado agradece?

Primeiramente, mas de forma mais rápida, vou repetir o que já disse inumeras vezes: sou fã do Vectra GT. Sei que ele é caro, vende pouco, tem motor 2.0 superado e que até o seu nome é polêmico. Mas acho o carro muito legal assim mesmo, especialmente pelo visual.

Mas o foco desse post é outro: o mais popular dos modelos do Impressões do De 0 a 100 (até o momento) - veja aqui, aqui e aqui - parece estar mesmo com os dias contados. E sua morte, segundo o caça-segredos Marlos Ney Vidal, está mais próxima de acontecer do que o esperado: junho.
A Chevrolet precisa se mover rápido para recuperar o terreno perdido nos segmentos de hatches médios. O bom e velho Astra não da mais conta do recado. E o Vectra GT, principalmente pelos dois primeiros motivos citados no início, não emplaca no mercado. Vejam as vendas dos dois, segundo a Fenabrave.

Chevrolet Astra
2008: 25.356 unidades emplacadas (média mensal: 2.113)
2009: 29.678 unidades emplacadas (média mensal: 2.473)
2010: 29.044 (unidades emplacadas média mensal: 2.420)
2011 (janeiro e fevereiro): 3.097 unidades emplacadas (média mensal: 1.548)

Chevrolet Vectra GT
2008: 12.949 unidades emplacadas (média mensal: 1.079)
2009: 11.450 unidades emplacadas (média mensal: 954)
2010: 10.813 unidades emplacadas (média mensal: 901)
2011 (janeiro e fevereiro): 1.121 unidades emplacadas (média mensal: 560)

Acompanhe o crescimento dos principais concorrentes do segmento:

Hyundai i30
2009: 13.353 unidades emplacadas (média mensal: 1.907 - desde o lançamento em junho)
2010: 35.922 unidades emplacadas (média mensal: 2.993)
2011 (janeiro e fevereiro): 6.569 unidades emplacadas (média mensal: 3.284)

Ford Focus
2008: 13.181 unidades emplacadas (média mensal: 1.098)
2009: 16.704 unidades emplacadas (média mensal: 1.392)
2010: 25.351 unidades emplacadas (média mensal: 2.112)
2011 (janeiro e fevereiro): 4.659 unidades emplacadas (média mensal: 2.329)

 A solução para a perda de espaço atende por um nome: Cruze (hatch). A Chevrolet já confirmou que produzirá quatro novoas modelos em São Caetano do Sul (SP) em 2011. Além do Cruze sedã e do novo sedã compacto premium da marca (GSV - provável Cobalt), o Cruze hatch está na lista. O quarto vamos ficar ainda na expectativa.

O Cruze hatch será equipado com o motor 1.8 16V Ecotec flex, que deverá ter, pelo menos, 141 cv de potência e 17,9 kgfm de torque com gasolina. Ainda de acordo com o Marlos, o Cruze hatch terá preços iniciais na casa dos R$ 67.000. Eu realmente espero um valor mais baixo, partindo da lacuna entre R$ 55.000 e R$ 60.000. Mas como a GM prepara também o substituto do Astra, não será surpresa se o Cruze hatch partir mesmo da casa dos R$ 65.000.
Na Argentina, o Cruze sedã já é vendido. O modelo mede 4,597 m de comprimento, 1,788 m de largura, 1,477 m de altura e tem 2,685 m de distância entreeixos. Seu tanque tem capacidade para 60 litros e o porta-malas leva 450 litros. Em termos de segurança, o Cruze LT hermano tem, de série, quatro airbags, freio a disco nas quatro rodas com ABS e EBD, cinto de três pontos e apoio de cabeça para todos os ocupantes. Já o LTZ tem ainda airbags laterais do tipo cortina, controle de estabilidade, tração e assistência de frenagem de emergência.

O Cruze LT vem equipado com banco traseiro bi-partido, ajuste de altura do banco do motorista, coluna de direção regulável em altura e profundidade, retrovisor interno eletrocromico, ar-condicionado, trio elétrico, regulagem elétrica da altura dos faróis, computador de bordo, sistema de som com quatro autofalantes e dois twitters, entrada auxiliar e CD Player com leitor de MP3 com comandos no volante; piloto automático e rodas de aro 16". Já o LTZ tem os mesmos equipamentos, além de rodas de aro 17", teto solar elétrico, sensores de chuva e estacionamento, retrovisores externos eletricamente rebatíveis e revestimento dos bancos em couro.
Esperamos que o hatch siga a mesma linha do sedã, com uma boa oferta de equipamentos de série. Tomara que a Chevrolet não seja igual a Ford, criando uma espécie de Cruze GL. Já repararam que em nenhum comercial da Ford o Focus GLé chamado de "completão"? Por que será?

Finalizando, respondendo à segunda pergunta do título: mercadologicamente, sim, o mercado agradece.
Fotos: Chevrolet/Divulgação

sábado, 12 de março de 2011

Nissan Tiida X Ford Focus: Round 2

A Nissan realmente conseguiu chamar a atenção de todos com o polêmico anuncio do Tiida envolvendo o Ford Focus. Mesmo que o Focus venda mais, realmente a versão de entrada do Tiida tem melhor desempenho (pelo menos comparando os números oficiais) e preço mais em conta (principal argumento do comercial). Ambos oferecem uma lista de equipamentos de série semelhante.

Resolvi perguntar no De 0 a 100: Entre os hatches médios, qual vale mais comprar? Com um total de 140 votos, vejam o resultado final:

Nissan Tiida 1.8 S - 78 votos (55,7%)
Ford Focus 1.6 GL - 62 votos (44,3%)

Expandindo um pouco mais a briga para as versões logo acima dos dois carros, vemos que o Tiida SL continua custando um pouco menos, mas vem com uma lista de equipamentos de série bem mais atraente do que a do Focus GLX. Os motores não mudam: 1.8 16V flex e 1.6 16V flex, respectivamente. Mais uma vez vantagem para o Nissan.
Para tentar equilibrar a disputa, inclui a versão GLX 2.0 do Focus, aumentando o potencial desse rápido comparativo. Com o motor Duratec, o Focus realmente oferece uma lista de itens de série muito mais ampla do que seu irmão Sigma e números desempenho muito superiores ao concorrente japonês (mesmo critério de antes). Por outro lado, a versão 2.0 do Focus cobra bem mais do consumidor, passando da casa dos R$ 60.000 (sugeridos).

Tiida 1.8 SL (hatch)
. Preço sugerido: R$ 56.190, mas vendido por R$ 54.190
. Principais equipamentos de série: Alarme, airbag duplo, ar-condicionado digital, banco do motorista e volante com regulagem de altura, banco traseiro bipartido 60/40, dobrável em 180º, câmbio manual de seis marchas, computador de bordo, limpador, lavador e desembaçador do vidro traseiro, rádio AM/FM/CD Player com leitor de arquivos em MP3, entrada auxiliar para iPod e seis alto-falantes; rodas de liga-leve de aro 16" e "quinteto elétrico" (travas, vidros, retrovisores, teto solar e direção); banco traseiro reclinável e sistema de deslizamento horizontal (240 mm), console central dianteiro com tampa, apoio de braço e tomada 12V, descansa braço dos passageiros traseiros com porta-copos integrado, faróis de neblina, freios ABS com controle eletrônico de frenagem (EBD) e assistência de frenagem (BAS), piloto automático integrado ao volante, revestimento principal dos bancos, painéis de porta e volante em couro. Garantia de 3 anos.
. Números: O motor 1.8 16V desenvolve 125 cv de potência com gasolina e 126 cv com etanol e 17,5 kgfm de torque com qualquer combustível. O porta-malas tem capacidade que varia entre 289 e 463 litros; o tanque comporta 52 litros e o peso da versão SL 1.8 manual é 1.246 kg.

Ford Focus 1.6 GLX (hatch)
. Preço sugerido: R$ 56.140
. Principais equipamentos de série: Ar-condicionado, direção hidráulica, airbag duplo, rodas de liga leve 16", rádio AM/FM/CD Player com leitor de arquivos em MP3, entrada auxiliar e seis alto-falantes; alarme anti-furto, ajuste de altura dos faróis e do banco do motorista; ajuste de altura e profundidade da coluna de direção, chave canivete, computador de bordo; limpador, lavador e desembaçador do vidro traseiro; câmbio manual de cinco marchas; travas, vidros e retrovisores elétricos; porta-luvas refrigerado; e faróis de neblina. Garantia de 3 anos.
. Números: O motor 1.6 16V Sigma desenvolve 109 cv de potência e 15,4 kgfm de torque com gasolina e 116 cv e 16,3 kgfm com etanol. O porta-malas tem capacidade de 328 litros; o tanque comporta 55 litros e o peso da versão GLX 1.6 manual é 1.290 kg.
Ford Focus 2.0 GLX (hatch)
. Preço sugerido: R$ 62.440
. Principais equipamentos de série: Ar-condicionado, direção eletro-hidráulica, airbag duplo, rodas de liga leve 16", sistema de som MyConnection com bluetooth, conexões para USB e iPod e comandos por voz + rádio AM/FM/CD Player com leitor de arquivos em MP3, entrada auxiliar e seis alto-falantes; alarme anti-furto, ajuste de altura dos faróis e do banco do motorista; ajuste de altura e profundidade da coluna de direção, chave canivete, computador de bordo; limpador, lavador e desembaçador do vidro traseiro; câmbio manual de cinco marchas; travas, vidros e retrovisores elétricos; porta-luvas refrigerado; faróis de neblina; freio a disco nas quatro rodas com ABS, EBD e CBC; partida sem chave (Ford Power), acendimento automático dos faróis, espelho retrovisor interno eletrocromico e sensor de chuva. Garantia de 3 anos.
. Números: O motor 2.0 16V Duratec desenvolve 143 cv de potência e 18,7 kgfm de torque com gasolina e 148 cv e 19,5 kgfm com etanol. O porta-malas tem capacidade de 328 litros; o tanque comporta 55 litros e o peso da versão GLX 2.0 manual é 1.353 kg.

Levando em consideração os critérios preço, equipamentos de série e desempenho (se possível nessa ordem de avaliação), qual dos três seria a melhor compra?

sexta-feira, 4 de março de 2011

Fiat, Hyundai, Renault e Peugeot precisam se preocupar?

Enquanto eu analisava os emplacamentos dos dois primeiros meses de 2011 dos hatches Focus e Tiida, observei alguns números de outros modelos. Avaliando o mercado com mais calma, perguntei a mim mesmo: será que Fiat, Hyundai, Renault e Peugeot precisam se preocupar? Explico.
Fiat Bravo
Ainda é cedo para afirmar. O justo seria esperar, pelo menos, mais 3 meses. Mas o fato é que, até agora, o Fiat Bravo não engrenou. As vendas estão consideravelmente abaixo do potencial do veículo. Tudo bem que seu câmbio manual automatizado Dualogic não é lá essas coisas; e que seu espaço interno (especialmente atrás) é meio apertado; e que a bela tela de 6,5" não é sensível ao toque. Mas o carro tem muito mais qualidades do que defeitos, a começar pelo visual, bonito e moderno; pelo acabamento bem feito, ótimo porta-malas (400 litros) e pela boa oferta de equipamentos. O motor 1.8 16V E.TorQ demora um pouco para se animar, mas leva o hatch de forma honesta.
Apresentado no final de outubro, durante o Salão do Auomóvel de São Paulo (leia mais aqui e aqui) do ano passado, o Fiat Bravo foi responsável por 259 emplacamentos em dezembro de 2010, 527 em janeiro e 700 unidades emplacadas em fevereiro de 2011. O número subiu, mas já poderia estar mais alto. Será que a fraca propaganda dele na TV está atrapalhando? Bem que a criativa Fiat poderia ter feiro algo melhor. Pelo menos a chegada da versão T-Jet também deve ajudar um pouco.

Estado de preocupação: amarelo, mas ainda com tranquilidade.

Hyundai i30 CW
Apostar no segmento de peruas médias foi ousado e contra a atual tendência do mercado. Mas a Hyundai não se importou e lançou a perua i30 CW no Brasil embalada pelo sucesso do hatch médio i30. Resultado? Vendas baixas. Foram 579 unidades emplacadas em 2010. Já em 2011, os números melhoraram um pouco (comparando 2010 e 2011, o crescimento foi muito forte), mas ainda está bem ruim: 562 carros vendidos, sendo 255 em janeiro e 307 em fevereiro. Até a jurássica Volkswagen Parati (um ex-carro em atividade) vendeu mais em 2011 - 789 unidades.
Cabe a Hyundai ficar mais atenda. A marca poderia diminuir seu foco em propagandas polêmicas para valorizar as qualidades de seus veículos. Reduzir o preço da sua perua média, que tem porta-malas com capacidade para 415 litros, também poderia ajudar os coreanos, assim como finalmente disponibilizar o motor 2.0 16V flex para a família i30.

Estado de preocupação: amarelo, mas com preocupação iminente.
Renault Symbol
Em 2009, de março (mês de lançamento) a dezembro, foram vendidas 6.442 unidades do Symbol (média de 644 carros por mês), sedã compacto premium da Renault. Em 2010, a média subiu para 699 unidades por mês com 8.391 carros vendidos no ano. Em 2011, somando janeiro (658) e fevereiro (548), a média está em 603 unidades - 1.206 carros vendidos ao todo.

O Symbol tem potencial para mais. Seu problema é ficar sempre escondido. Nunca vi nenhum tipo de campanha mais agressiva envolvendo o carro. Por causa da estratégia de marketing, fico com a impressão da Renault só vender três modelos no Brasil: Clio, Sandero e Logan (não por acaso os mais comercializados da marca no país). O Symbol é bem equipado, com acabamento honesto, excelente porta-malas, motor 1.6 16V flex com bom desempenho e preço atrativo. Seu maior defeito é o espaço interno, o mesmo do aposando Clio Sedan. O finado sedã realmente ainda assombra o Symbol, que sofre também com a falta de personalidade estética e de simpatia do público - embora ele seja mais bonito e carismático do que o Clio Sedan.
Acredito que uma ligeira reduação de preços, acompanhada de uma estratégia de marketing mais agressiva e a opção de câmbio automático fariam muito bem ao Symbol.

Estado de preocupação: amarelo, mas com preocupação iminente.

Peugeot Hoggar 
Apanhar da obsoleta picape Ford Courier é um fato para poucos. Não chega a ser um vexame completo porque a Courier é um modelo "pau pra toda obra", mas não deixa de ser vergonhoso para a picapinha da Peugeot. Em 2010, a Hoggar vendeu 4.141 unidades, com emplacamentos acontecendo desde de fevereiro, mas seu lançamento oficial sendo realizado apenas no final de abril de 2010. Então, eliminando os três meses "off", de maio a dezembro, a média de vendas da Hoggar foi de 503 unidades. Em 2011, a média está em 391 unidades, dividindo a soma de janeiro (313) e fevereiro (470). A Courier fechou tem médias de 609 unidades e 581 unidades, em 2010 e 2011, respectivamente.
Qual é o grande problema da Peugeot Hoggar no mercado nacional? São quatro na verdade: preço, Montana, Saveiro e, princpalmente, Strada. Os concorrentes são mais atrativos em termos visuais e em versatilidade de mercado. A picape Montana foi recentemente remodelada e só é oferecida com duas versões de acabamento, ambas 1.4 8V Econo.Flex: LS e Sport. A média em 2010 (ano de transição da velha para a noda Montana) foi de 3.055 unidades vendidas, contra 2.990 de 2011. Quando a Chevrolet preencher o buraco de R$ 12.194 entre os dois acabamentos, a Montana terá grande potencial para aumentar suas vendas, dificultando ainda mais a vida da Hoggar.

Depois de um início morno, a Saveiro encontrou o seu caminho e, com a versão Cross, conseguiu oferecer uma linha mais completa ao consumidor. Resultado: média de 5.182 unidades em 2010, assegurando definitivamente a segunda posição do segmento. Em 2011, a média está em 5.135 unidades vendidas (janeiro + fevereiro). A picape pequena da Volkswagen é vendida com uma opção de motor (1.6 8V VHT flex), três versões de acabamento (1.6, Trooper e Cross) e duas opções de cabine: simples e estendida.
A Strada deve ser o último membro da família Palio a receber a nova geração, atrás, respectivamente, de Palio, Siena e Palio Weekend. Isso porque a picape da Fiat é um sucesso absoluto de vendas! É realmente de impressionar a média de vendas do modelo: 7.498 unidades em 2009, 9.734 unidades em 2010 e 8.737 unidades em 2011 (depois de 2 meses). Perte do segredo está na vasta oferta do modelo, que tem cinco versões (Fire, Working, Trekking, Sporting e Adventure), três variações de cabine (simples, estendida e dupla) e três opções de motor: 1.4 8V Fire Flex, 1.6 16V e 1.8 16V E.TorQ - sem esquecer do bloqueio eletrônico de diferencial Locker. Se a média continuar a mesma com a chegada da nova Strada, os concorrentes continuaram comendo poeira.

O que a Peugeot pode fazer então para ter sucesso com a picape Hoggar? Dou três sugestões: nova política de preços, nova versão e a opção de câmbio automático com trocas sequencias. Teríamos:

. Peugeot Hoggar X-Line 1.4 - R$ 29.500 (preço atual sugerido de R$ 31.400)
. Peugeot Hoggar XR 1.4 - R$ 32.500 (preço atual sugerido de R$ 35.350)
. Peugeot Hoggar XR 1.6 - Nova versão por R$ 35.900
. Peugeot Hoggar XR 1.6 automático - Nova versão com câmbio automático por R$ 39.900
. Peugeot Hoggar Escapade 1.6 - R$ 39.500 (preço atual sugerido de R$ 43.500)
. Peugeot Hoggar Escapade 1.6 automático - Nova opção por R$ 42.900

O câmbio automático seria uma aposta bem ousada da Peugeot para diferenciar seu modelo dos concorrentes.

Estado de preocupação: vermelho... alguém me ajude! 
(Fotos: Fiat/Divulgação, Hyundai/Divulgação, Renault/Divulgação e Peugeot/Divulgação)